Bala na Cesta

Categoria : Entrevista

Com NBA de olho, jovem Georginho deixa futuro de lado e foca no NBB com Paulistano
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Fábio Balassiano

O ano era 2008. Na final do Paulista mirim entre São Bernardo e Círculo Militar, o placar apontava 58-56 com três segundos por jogar para o Círculo, mas a bola era do time do Grande ABC.

Aos 12 anos, George Lucas Alves de Paula recebeu a bola no fundo da quadra, se desvencilha do marcador, o relógio ameaça chegar ao final e ele solta a bola do meio da rua. Cesta. Cesta do título. Os meninos do Círculo Militar colocam as mãos na cabeça desolados. Georginho e seus companheiros de São Bernardo pulam loucamente comemorando o título com uma cesta improvável diante do grande favorito a levantar o caneco daquele ano.

“Nunca havia sentido uma emoção como aquela em minha vida. Foi a bola mais emocionante que eu já fiz a minha vida, uma das poucas até hoje que me fizeram perder o ar. Os caras estavam invictos no campeonato, todos diziam que eles eram imbatíveis e conseguimos vencê-los. Ali eu decidi que gostaria de ser jogador de basquete. Só de falar com você sobre este lance eu já fico emocionado. Isso que passaram quase 10 anos, mas eu nem preciso ficar olhando o vídeo pra lembrar. É muito fresco em minha memória”, conta George Lucas Alves de Paula depois de quase 10 anos.

Foto de Filippo Ferrari / OC

Fã de Russell Westbrook, que terminou a temporada 2016/2017 da NBA com média e recorde de triplo-duplos na NBA, George Lucas se transformou em Georginho , hoje armador do Paulistano e uma das maiores promessas do basquete brasileiro.

Monitorado por olheiros da NBA há cerca de três temporadas, participando com frequência de eventos com a nata jovem do planeta e com chance de figurar no próximo Draft da melhor liga de basquete do mundo, o armador de 20 anos, 1,96m, técnica refinada, fala mansa e pausada, explosão absurda rumo a cesta e dono de um potencial físico descomunal é um dos principais jogadores do Paulistano que hoje às 14h enfrenta o Basquete Cearense fora de casa em busca do empate na série de playoff do NBB (a Rede Bandeirantes exibe a partida). O time de São Paulo perde de 2-1 e novo revés faz a temporada terminar.

“Ter saído do Pinheiros no final da temporada passada e vindo para o Paulistano me fez sair de uma zona de conforto que eu precisava. Agradeço muito ao meu antigo clube por todo tempo que passei lá, sou muito grato a eles por tudo o que fizeram por mim, mas estou sendo muito mais cobrado, muito mais requisitado pelo time e tive que assumir um papel de líder, protagonista, algo que eu não esperava assumir tão cedo. Não tinha outro jeito que não amadurecer quase que naturalmente. Considero essa mudança que eu fiz na minha carreira bem acertada e certamente renderá muitos frutos lá na frente. Acho que estou me saindo bem e a presença do técnico Gustavo de Conti ao meu lado é muito boa. Ele me cobra muito, e eu acredito que as pessoas só cobram de quem tem potencial. Ele acredita em mim e eu só posso agradecer e tentar corresponder”.

Nascido em Diadema no dia 24 de maio de 1996 e filho de Mauricio e Suzana , começou a jogar basquete enquanto seus pais jogavam vôlei. Aos 7 anos os pais perceberam que o amor do garoto não estava na bola branca, mas sim na laranja e passaram a incentivar que ele praticasse basquete.

“Meu pai viu que eu gostava muito de basquete e em pouco tempo tanto eu quanto a minha irmã Bianca começamos a nos destacar na escolinha. Foi um caminho meio sem volta e agradeço demais por eles terem me incentivado a seguir praticando a modalidade que eu escolhi. Eles ficaram felizes e orgulhosos pela gente”, conta, relembrando que seu grande ídolo na época em que começou a jogar (2003/2004) era o armador Allen Iverson: “Eu queria ser o Iverson. Usava cabelo grande, tranças, imitava a forma de se vestir e as jogadas que ele tentava na quadra. Na época a gente não tinha TV a cabo, não via os jogos dele ao vivo, mas lembro que depois ficava vendo os melhores momentos direto, uma coisa louca mesmo. Eu era tão fissurado no cara que ficava fazendo os desenhos dele. Tinha uma pasta de desenhos bem legal, mas infelizmente eu perdi tudo. Sempre admirei muito ele, principalmente pelo fato de que a sua altura (1,83m) nunca o impediu de nada”.

Aos 9 anos ele, que hoje em dia vê seu irmão mais novo João de Paula também iniciando sua trajetória no basquete, foi para São Bernardo jogar para a técnica Monique Poles, responsável por toda iniciação de Georginho na modalidade (jogou dos 9 aos 15 anos). Há quatro temporadas foi para o Pinheiros, onde conheceu uma estrutura grandiosa e que lhe permitiu crescer profissional, pessoal e fisicamente. Ganhou visibilidade no cenário nacional e internacional com a (ótima) Liga de Desenvolvimento de Basquete, a LDB, torneio de basquete Sub-22 que revela atletas aos borbotões e que é responsável por 43 % da mão de obra do NBB, principal campeonato masculino do país.

“A Liga de Desenvolvimento foi muito importante pra mim. Já jogava o Campeonato Paulista, mas a LDB tinha uma abrangência nacional, eram times de todo país, jogadores diferentes daqueles que eu estava acostumado a jogar e bem mais difícil. Foi a maior novidade, uma coisa bem legal mesmo. O nível de exigência subiu, e ali eu vi como eu precisaria melhorar para conseguir atingir meus objetivos. Fomos campeões em 2015 pelo Pinheiros jogando um ótimo basquete e de novo tive uma sensação bem legal”, relembra Georginho, que jogou em um timaço do Pinheiros que tinha Lucas Dias, hoje seu companheiro no Paulistano, e também Bruno Caboclo, que foi para a NBA em 2014 e com quem George hoje em dia tem pouquíssimo contato.

Campeão da LDB de 2015 já como armador titular da equipe, George teve um pouco mais de tempo de quadra na temporada passada pelo time pinheirense mas queria mais. Trocou de clube, ganhou espaço, cresceu seus números (11,3 pontos, 4,1 rebotes e 4,4 assistências de média em seu primeiro campeonato profissional como líder e titular de uma equipe), jogou o All-Star Game do NBB em 2017 e o barulho em torno do seu nome aumentou. Os jogos do Paulistano são lotados de olheiros da NBA e vira e mexe seu nome é ligado a Draft e franquias do basquete norte-americano. Nada que incomode a cabeça do garoto de 20 anos.

Ale da Costa / Portrait

“No começo eu me assustei bastante. As coisas foram acontecendo muito rápido, todo mundo falava e eu meio que ficava perdido, assustado. Era tudo muito novo pra mim. Hoje já entendo mais como tudo funciona, estou mais maduro e tento não ligar para nada que eu não possa controlar. Eu só posso jogar basquete, melhorar como atleta e pessoa e ajudar meu time a conquistar vitórias. É o que posso fazer e preciso estar focado nisso. Basquete é a minha vida, tenho muito a evoluir e não sinto realmente essa pressão de NBA, não. Sigo trabalhando e treinando forte como sempre fiz. Essa especulação, previsões, não mexem comigo”, responde Georginho, que esquiva-se quando perguntado sobre qual seria, em sua opinião, o próximo passo ideal em sua carreira: “Ainda tem muita coisa pra acontecer nessa temporada. Tudo depende de como eu terminarei o campeonato. Vamos ver como eu vou me sentir para entrar ou não no Draft. Aí tomamos, eu, minha família e meus agentes a decisão final sobre isso”.

Bastante exigido pelo técnico Gustavo de Conti e ainda no processo de formação técnica, Georginho sabe exatamente as partes de seu jogo em que precisa melhorar. Sua capacidade analítica para compreender isso impressiona tanto quanto suas enterradas ferozes na quadra

“A parte de intensidade do jogo a gente sempre pode melhorar. É o principal pra mim e me cobro muito neste sentido inclusive. Jogar bem depois do pick and roll é algo que eu preciso melhorar bastante também. E, claro, ter um arremesso melhor, defesa, leitura de jogo. Quero ser o melhor armador que eu puder ser”, finaliza o garoto, que começou a fazer inglês recentemente, que adora andar com seus quatro cachorros e que tem a pesca como hobby.


Técnico líder do NBB pelo Flamengo, José Neto fala pela primeira vez sobre seleção brasileira
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Fábio Balassiano

Atual tetracampeão do NBB, o Flamengo sacramentou nesta quarta-feira no ginásio do Tijuca, Rio de Janeiro, mais uma vez a primeira posição da fase de classificação do campeonato. Com uma atuação coletiva soberba, o rubro-negro fez 108-74 contra o Minas, chegou a 21 vitórias em 27 jogos e terá o mando de quadra até o final dos playoffs, onde buscará um inédito quinto título nacional consecutivo.

No final da partida conversei com o técnico José Neto sobre isso, mas também sobre os rumores que circulam no basquete brasileiro de que ele, assistente técnico da seleção há mais de uma década e multicampeão com o Flamengo, não será o técnico da seleção brasileira. O nome mais cogitado é o de Guerrinha, treinador de Mogi e que participou de forma ativa da campanha do recém-eleito presidente da Confederação Guy Peixoto. Foi a primeira vez que Neto falou sobre o tema.

BALA NA CESTA: Quão importante para o Flamengo é conseguir mais uma vez o mando de quadra nos playoffs do NBB? Nos últimos anos o seu time se acostumou a jogar quase sempre com o mando de quadra e tem ajudado na conquista dos títulos.
JOSÉ NETO: É importante, e o mérito total é deles, atletas. Eles compreenderam completamente a maneira de jogar, o nosso propósito, a metodologia. Esta temporada foi muito difícil pra gente. Tivemos novos atletas, lesões, problemas, mas a dignidade e o caráter que este elenco possui merecem ser exaltadas. Fico muito orgulhoso de fazer parte de um grupo de seres humanos tão especial. Estou contente porque precisávamos dessa vitória para atingir o primeiro lugar e estou muito feliz.

BNC: Neto, este é um assunto quase que inevitável. Recentemente começaram alguns rumores sobre o novo técnico da seleção brasileira e inacreditavelmente seu nome não tem sido nem cogitado. Não há nada confirmado, mas o barulho é grande e você sabe disso. Já escrevi que acho isso um absurdo, por tudo o que você tem feito, primeiro como assistente há mais de uma década na equipe nacional e sobretudo com conquistas relevantes no Flamengo, mas queria ouvir de você o seu sentimento em um momento como este.
NETO: Olha, Fábio, é a primeira vez que vou falar neste assunto, hein. Durante este tempo todo de seleção, desde 2004 até hoje como assistente, eu construí um patrimônio com o meu trabalho. Já é o terceiro presidente da CBB, já que antes do Guy Peixoto vieram o Grego e o Carlos Nunes, já passaram três técnicos, o Lula Ferreira, o Moncho Monsalve e depois o Rubén Magnano, e posso dizer que neste período todo eu construí muitas coisas com o meu trabalho. É por isso que fiquei este tempo todo na seleção. Só por isso e nada mais. Eu sou muito ruim de fazer política. Por isso invisto muito em construir o meu patrimônio única e exclusivamente através do meu trabalho, do meu dia a dia. Vai acontecer o que tiver que acontecer. Isso é uma coisa que não depende de mim, que não posso controlar. É uma coisa inclusive que eu falo muito com os jogadores: Vamos focar naquilo que depende da gente”. Acho que fazer o melhor para o basquete brasileiro, seja na seleção ou seja no meu clube, é uma missão que eu tenho para retribuir a esta modalidade tudo aquilo que ela me deu. Estou bastante tranquilo quanto a isso. É uma decisão que vai ser tomada pelo bem do basquete brasileiro, tenho certeza disso. Então, tal qual aconteceu nas outras vezes em que o presidente da CBB mudou, eu não vou ficar me preocupando muito com isso. Preciso focar no meu trabalho com o meu clube, o Flamengo.

BNC: Neto, eu sei, mas é tudo um pouco diferente agora, não? Você está se preparando para assumir uma seleção brasileira há 12 anos, que como você disse é o tempo em que é assistente da equipe nacional, tem ganho tudo pelo Flamengo e é reconhecido por atletas, torcedores e crítica. É diferente das últimas vezes, não?
NETO: Olha, eu aprendi muito com os técnicos que passaram pela seleção e dos quais me orgulho de ter sido assistente. Com Lula, Moncho e depois com o Magnano. Aprendi muito com todos eles e o reflexo disso é o que está acontecendo com o Flamengo. Cheguei aqui muito contestado, como um treinador que nunca tinha tido uma conquista de expressão, e estamos dando resultado. Isso mostra um pouco da capacidade de armazenar aquilo que você vai aprendendo. Não só na seleção adulta, mas também na seleção de base, por onde passei. No clube trabalhei com atletas experiente, renomados, outros que estão na NBA (Cristiano Felício), campeão olímpico (Walter Herrmann), outros na Europa (Vitor Benite) e isso tudo vai dando uma bagagem para utilizar no momento certo. Meu foco é o Flamengo, Fábio. O dia que surgir a oportunidade de um dia ir para a seleção eu vou pensar com muito carinho.

BNC: Você já consegue relaxar em quadra, ou seja, aproveitar, apreciar o jogo? Ou como técnico, com o seu nível de exigência, isso é impossível?
NETO: É impossível. Tenho tentado ficar mais calmo, mas tranquilo, de forma alguma. Juro que eu tento, mas eu não consigo. Cada lance é importante. E eu cobro isso do jogador. Se eu cobro do cara que cada lance é importante, eu preciso mostrar isso para ele do lado de fora da quadra. Não dá pra ser relaxado em um lance e tenso em outro. Eu vivo cada momento intensamente. Preciso ter um pouco mais de controle, saber apreciar o jogo, mas isso é natural de quem quer vencer e conquistar cada vez mais com este clube.


Técnico mais jovem do NBB, Bruno Savignani se destaca e quer título em Brasília
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Fábio Balassiano

Bruno Savignani completou 35 anos nesta segunda-feira com muito a comemorar. Muito jovem, ele é técnico há um ano e meio do fortíssimo time de Brasília, que no sábado venceu Bauru por 92-89 para chegar a 18 vitórias em 26 jogos e se manter na terceira posição posição do NBB, e foi eleito para ser o treinador no Jogo das Estrelas do Ibirapuera de duas semanas atrás.

Natural de Goiânia, Bruno é casado há 10 anos e rodou o mundo com a bola de basquete debaixo do braço. Começou aos 9 anos no Joquei Clube goiano, aos 14 estava no Pinheiros, em São Paul e no começo de sua vida profissional jogou como armador no América, do Rio de Janeiro. Logo depois retornou para a sua cidade-natal, onde atuou por três temporadas no Ajax de Alberto Bial. Quando conseguiu a sua cidadania europeia decidiu voar mais alto. Passou quatro anos na Itália e outro na França em divisões menores vendo outro lado do jogo e sobretudo ganhando bagagem cultural e pessoal.

No retorno ao país Bruno foi jogar em Caxias do Sul para o técnico Rodrigo, que até hoje mantém o projeto que está no NBB. Após seis meses foi para Barueri, onde foi dirigido por Marcel de Souza. Logo depois foi para a capital federal, onde sua vida de mudanças encontrou um porto seguro. Comandado por José Carlos Vidal, foi campeão da Liga Sul-Americana e logo depois do NBB em 2010/2011. Logo depois da temporada o técnico lhe chamou para uma conversa: “Bruno, se você quiser continuar jogando eu renovo com você, mas acho que você tem muito mais a acrescentar ao time trabalhando comigo na comissão técnica. Topa?”. Decidido a terminar os estudos em educação física e a se estabelecer no lugar onde a família de sua esposa mora, Bruno topou. Ficou quatro anos auxiliando e sendo preparado por ele, outro com o argentino Sergio Hernandez e na temporada passada assumiu o comando técnico de um projeto que tem investimento e pressão altos. Conversei com ele sobre tudo isso.

BALA NA CESTA: Hoje a gente vê muito técnico que para de jogar e logo depois vira técnico principal. Quão importante foi ter passado por todo o aprendizado de auxiliar durante quatro anos para você se tornar um treinador principal tão promissor quanto você está se tornando?
BRUNO SAVIGNANI: Sem dúvida alguma foi muito importante. Sem querer apontar pra dizer o que está certo ou errado, porque cada um tem o seu caminho, mas acho fundamental. O Vidal sempre me deu muita liberdade e confiança, e aí eu tive muita coisa pra fazer como auxiliar. Depois tive oportunidade de trabalhar com o argentino Sergio Hernandez. Em termos de bagagem técnica e tática, aprendi muito, vi o jogo de outra maneira e observei muito tanto do Vidal quanto do Hernandez essa questão de a gestão de pessoas. Hoje, na forma como eu lido com os meus jogadores, tem este aprendizado, da estrada que tive com todos os técnicos que passei. Agradeço muito ao Vidal por ele ter me preparado para assumir o lugar dele. Ele que abriu as portas para mim. Em algum momento ele viu alguma coisa que eu mesmo não sabia que tinha. Tive a sorte de ter trabalhado com ele. Basquete é minha vida. Desde os 9 anos eu sonho e vivo do basquete. Sou um apaixonado por basquete. De vez em quando, lá em casa, estou vendo Euroliga no computador, NBA na televisão, campeonato argentino no celular, estudos do NBB. Minha esposa fica doida e eu sempre digo: “Só mais esse jogo”.

BNC: Por isso no Jogo das Estrelas a gente te viu o tempo todo com sorriso no rosto, né? É uma coroação de uma trajetória longa, não?
BRUNO: Olha, eu me sinto muito honrado de ter dirigido o NBB Brasil neste Jogo das Estrelas tão especial. Confesso a você que não esperava ter sido votado, já que temos muitos técnicos consagrados e renomados por aqui. Não trabalhei para isso, porque isso é uma consequência, e sou muito feliz porque eu estou aqui devido ao meu time. O técnico é reconhecido por causa do resultado final do time. É consequência. Não tem sucesso de técnico se não houver sucesso de técnico. Agradeço muito a eles e também a minha comissão técnica. O Brenno, assistente e que jogou comigo no Pinheiros, está comigo em Brasília e tem um temperamento muito diferente de mim. Vem para complementar aquilo que não tenho. Além deles, Paulão, Carlinhos e Carlos são fundamentais neste processo todo.

BNC: Como é ser técnico de jogadores que você atuou junto? E como é ser técnico de jogadores tão experientes como Fúlvio?
BRUNO: Comecei como assistente, era difícil a transição com o mesmo elenco, ainda mais com jogadores consagrados como Alex, Nezinho e Giovannoni, de quem era companheiro. Nesse processo de transição foi importante ter passado por aquele grupo. Eu só tenho a oportunidade de trabalhar com estes caras. Eles me ajudam muito, mas sobretudo nos respeitamos. Não posso querer impor respeito a ninguém. Eu preciso conquistar respeito através das minhas condutas e principalmente de conhecimento. Quando você pega jogadores mais velhos eles já viveram muita coisa, já passaram muita coisa. É natural que eles vão te perguntar, questionar, trocar ideia. Se você não estiver preparado, vai ter dificuldade. Desde assistente o Vidal já me dava muita liberdade, eu já comandava algum treino, essas coisas. Então os jogadores sabiam que tinha alguma coisa, conhecimento, e passam a respeitar. Isso aprendi muito com o Hernandez também. Ele tinha resposta pra tudo, tudo. Os jogadores olham e pensam: “Caramba, o cara sabe”. Através disso a nossa convivência, o nosso respeito, cresce. Estamos construindo uma relação bem linda. O processo de aprendizado no basquete é infinito.

BNC: A outra é: como começar de técnico em uma equipe que já briga por título? Não dá muito pra ter tempo, né…
BRUNO: Me sinto um privilegiado. De verdade. Por estar em uma equipe como Brasília, multicampeã e que segue brigando por título. Isso é uma benção, e tenho uma gratidão muito grande. Tem vezes que os técnicos são muitos bons mas nem sempre têm condição, ou sorte, de dirigir times que vão brigar por títulos. Eu sou muito competitivo. Isso é da minha formação. Quero ganhar sempre. A mentalidade da equipe essa, a minha também e isso tudo acaba confluindo para uma maneira bacana de atuarmos. Temos que jogar o NBB pra ganhar, esse é o ponto. Por isso vibro tanto com a minha equipe durante os jogos. Quero vencer tudo, Bala. Se fizermos um par ou ímpar aqui, quero ganhar. Uma disputa de arremessos, idem. Partidas oficias e campeonatos também. É assim que vejo o basquete e minha profissão. Tudo pela vitória, tudo pata ganhar.

BNC: Como está Brasília para essa reta final? O foco de vocês sempre está no título, né? Qualquer coisa menos isso não é bem recebido lá na capital…
BRUNO: Como em todo campeonato longo, com muitas viagens, desgaste e lesões, há uma oscilação natural. Houve muito perde e ganha, e nós acabamos perdendo algumas partidas que não poderíamos perder. Bauru teve o momento dele, o Flamengo, Mogi muito bem agora. Nós somos a única equipe que ainda não perdeu 3 vezes seguidas no campeonato. Dentro dos altos e baixos normais nós estamos dentro da naturalidade. Falta pouco para acabar a fase regular, e agora é o momento de criarmos uma mentalidade de playoff. Isso é o mais importante no momento. O grupo está consciente, estamos fechados entre nós e o ambiente está ótimo. Antes estávamos sem brigar lá em cima por muito tempo, e ano passado chegando a semifinal isso reacendeu na torcida.

BNC: Como é o Bruno fora do basquete e quais as suas aspirações na modalidade?
BRUNO: O tempo que sobra é da minha esposa, né? Casei com 24, estou há 10 anos. Amamos série, vejo muito Netflix. Vi Homeland inteira, a do OJ Simpson também. Recebo muitos amigos em casa. Música eu escuto de tudo, mas não tenho essa necessidade de estar com fone de ouvido para ouvir. Samba de raiz eu adoro. Sobre as aspirações, escutei uma vez do próprio Sergio Hernandez o seguinte: “Você precisa olhar para o seu futuro e invista sempre. Isso é o que vai te preparar e te fazer melhor”. Ano passado acabou o campeonato e passei uma semana com o Julio Lamas, no San Lorenzo, da Argentina. Aprendi muito, ele é fera. Penso também passar uns 15 dias na Europa. Em termos de aspiração, preciso estudar e me preparar cada vez melhor. Quero ser cada vez melhor nisso que eu me propus a fazer.


Oscar deixa recado ao novo presidente da Confederação: ‘Estou contando com você’
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Fábio Balassiano

No Jogo das Estrelas do NBB, a maior delas estava sentada à beira da quadra. Oscar Schmidt, recém-chegado dos Estados Unidos, onde foi homenageado pelo Brooklyn Nets, franquia que o selecionou no Draft de 1984, e atuou no Desafio das Celebridades do All-Star Game da liga norte-americana, foi aplaudido efusivamente pelo público que lotou o Ibirapuera. Visivelmente emocionado de ver o palco em que foi campeão mundial em 1979 pelo Sírio, ele conversou com o blog sobre seus últimos dias recheados de emoção e também sobre o futuro do basquete brasileiro, que será comandado por Guy Peixoto na Confederação Brasileira.

BALA NA CESTA: Quando você entra aqui no Ibirapuera lotado, um ginásio em que você conquistou o título mundial em 1979, e volta mais de 30 anos depois sendo aplaudido efusivamente por mais de 10 mil pessoas, qual o sentimento?
OSCAR SCHMIDT: É algo indescritível o que estou sentindo neste momento. É muito emocionante voltar, é muito lindo ser lembrado por um público que em sua maioria não me viu jogar e mais ainda estar ao lado de meus companheiros de tantas batalhas. O carinho dos torcedores comigo é maravilhoso. Essa festa da Liga Nacional de Basquete já é histórica e eles estão de parabéns.

BNC: O país está vivendo um novo momento com a chegada do Guy Peixoto na Confederação Brasileira. O que você espera dele como presidente da CBB?
OSCAR: É importante dizer que pela primeira vez temos um presidente que jogou basquete, que fez parte do nosso meio como atleta. Ou seja: já está melhor em relação ao que tínhamos antes. Já está bem melhor. Isso é uma honra pro basquete, ter um cara que jogou como presidente de Confederação. O povo do basquete está colocando uma pressão invisível e imensa nele. Mas o Guy sabe o que precisa fazer. E é muito fácil. É só fazer tudo ao contrário do que as últimas gestões fizeram no basquete. Só isso e vai dar certo. Os últimos momentos do basquete brasileiro, com ele suspenso pela Federação Internacional, me deixaram com vergonha. Temos que elevar o nível da modalidade urgentemente e um bom trabalho também na CBB é fundamental para isso.

BNC: Você espera contribuir de alguma forma? Indicando o técnico, não sei…
OSCAR: Já falei com ele e botei uma pressão nele. Falei pra ele: “Cara, estou contando com você para melhorar a nossa situação e espero que você cuide bem as coisas. Você sabe o que precisa fazer, sabe como proceder”. Ele agradeceu, disse que irá me ligar para trocar ideias, me consultar, essas coisas. Sobre treinador, eu não quero me meter muito nisso, mas nomes como Claudio Mortari, Marcel e Guerrinha precisam estar inseridos no processo. Como eu não sei, mas precisam estar nessa nova fase.

BNC: E sua passagem pela NBA, já conseguiu processar o tamanho dos acontecimentos que você viveu em Nova Orleans, no Jogo das Estrelas, e no Brooklyn, com o Nets?
OSCAR: Ah, cara, foi uma festa linda tudo o que aconteceu lá. Nunca pensei na minha vida que fosse acontecer o que ocorreu e como ocorreu. Fizeram uma camiseta com meu nome no Brooklyn Nets, me colocaram para jogar no Desafio das Celebridades, foi um momento de ouro. Parece que fizeram o bolo e colocaram a cereja por último. Esta foi a cereja.

BNC: Depois de tantas coisas maravilhosas, que falta na sua vida?
OSCAR: Falta muita coisa. Ainda tenho muita coisa para fazer e viver. Pode anotar.


Sob nova direção, Atletas reprovam contas da CBB pela 1ª vez e avisam: ‘Estamos atentos’
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Fábio Balassiano

Na eleição de semana passada da Confederação Brasileira de Basketball uma postura em particular chamou a atenção. Foi a da Associação de Atletas (AAPB), que ajudou a eleger o agora presidente Guy Peixoto e que logo depois teve a coragem de, ao contrário dos demais eleitores de Guy, reprovar as endividadas contas da CBB de 2016.

Para uma Associação que sob o comando de Guilherme Giovannoni, atleta de Brasília, aprovava sempre os desmandos financeiros de Carlos Nunes (foi assim por quatro anos consecutivos) e chancelava uma gestão tenebrosa como a dele foi uma surpresa e tanto a mudança de postura. E ela (a mudança) atende pela mudança na presidência da Associação.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Saiu Giovannoni e entrou Guilherme Teichmann (indicado pelo antecessor inclusive). Pivô do Pinheiros e dono de senso crítico acima do normal, o jogador de 33 anos anos e seu vice, Bruno Fiorotto (do Vasco), adotou uma postura muito menos contemplativa e começou a sua gestão dando um recado claro: “A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão”.

O blog conversou com a Teichmann de forma exclusiva e as respostas do presidente da Associação chamam a atenção pela clareza e sobretudo por uma forma bem diferente de ver a situação do basquete brasileiro.

BALA NA CESTA: Gostaria que você explicasse o voto em Guy Peixoto. O que pesou para que a Associação votasse nele e não no outro candidato?
GUILHERME TEICHMANN: Nosso voto foi baseado nos compromissos que o candidato assumiu. Entre eles, um plano de governo emergencial para os 100 primeiros dias visando reverter a suspensão imposta pela FIBA ao basquete brasileiro. Consideramos isso prioridade. A criação da Universidade do Basquete é outro compromisso que nós acreditamos que pode impactar muito no futuro da modalidade, capacitando técnicos, árbitros, dirigentes e jogadores.
A maioria dos atletas consultados por mim citou o perfil gestor do Guy Peixoto e o planejamento apresentado por ele como a melhor opção para solucionar os problemas que a CBB enfrenta e liderar um futuro mais organizado da Confederação. Por isso, cobraremos uma gestão competente e responsável. Outro fator que influenciou muito foram os grandes nomes do basquete que se colocaram ao lado do Guy, como Amaury Pasos, Hélio Rubens e Marcel, por exemplo. Pelo respeito e admiração que temos por essas pessoas que fizeram a historia do nosso esporte, esse apoio tinha que ser levado em consideração.

BNC: Um fato que chamou a atenção positivamente foi a reprovação das contas, algo que não acontecia com a antiga gestão anterior da Associação. Como foi o processo de reprovação das finanças de 2016 da gestão passada da CBB?
TEICHMANN: Nós atletas estamos muito insatisfeitos com a situação financeira da CBB. Nos últimos anos a Confederação recebeu um valor considerável de dinheiro, mesmo assim não honrou suas obrigações e dívidas foram criadas. A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão.

BNC: Qual o recado que a Associação quis deixar nesta eleição? O de que a gestão mudou e que agora todos serão mais cobrados?
TEICHMANN: Nosso recado é que confiamos no projeto, mas que estaremos atentos e cobrando. Faremos o que estiver ao nosso alcance para melhorar o nosso esporte e as condições de trabalho dos atletas. Nós atletas precisamos ser mais participativos e ativos nesse processo. Um bom exemplo para nós foi justamente o resultado da eleição da CBB. O apoio dos atletas, ex-atletas e técnicos foi muito importante para o resultado do pleito.

BNC: O que podemos esperar desta nova gestão liderada por você e pelo Bruno Fiorotto, pivô do Vasco?
TEICHMANN: Nossa missão é que os atletas participem mais. Nos esforçaremos por uma maior interação entre jogadores de times diferentes para solucionar problemas em comum. Também queremos diminuir a distância entre os atletas e quem comanda nosso esporte. Uma marca importante da nossa gestão será mostrar a preocupação que já existe por parte de nós, atletas, com as comunidades. Queremos fortalecer a imagem do jogador de basquete como um personagem importante e um influenciador dentro da sua comunidade. Vamos promover mais ações sociais. Inclusive já estamos fazendo algumas e acho que vale a pena usar o espaço para detalhar. Na última semana fizemos doação de cestas básicas através dos jogadores dos times de São Paulo para moradores de uma favela que foi vítima de incêndio.

BNC: Como foi o processo de comunicação de você para com os demais atletas da Associação? Eles apoiaram a decisão de votar no Guy Peixoto?
TEICHMANN: Falamos por telefone e mensagens. A decisão do voto da AAPB foi baseada nessas conversas.
Tentei me comunicar com o máximo de atletas, mas é claro que faltou conversar com muitos. Esse processo de comunicação dos atletas também é uma das coisas que precisamos melhorar. Estamos analisando qual será a melhor plataforma para isso.


Entrevista com o candidato a presidência da CBB Guy Peixoto
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Fábio Balassiano

Ontem você leu aqui a entrevista com o candidato Amarildo Rosa. Hoje é a vez de ler as propostas de Guy Peixoto nos mesmos moldes de ontem – 10 perguntas iniciais iguais às respondidas por Amarildo e as 2 finais únicas para ele.

Nascido em Belém (Pará), Guy completará 56 anos no dia 13 de março, é empresário renomado no ramo de logística, foi atleta profissional e defendeu a seleção brasileira nas décadas de 70 e 80. Tem como apoiadores de campanha nomes de peso como Tiago Splitter, Marta Sobral, Marcel de Souza, Amaury Pasos, Guerrinha, Marquinhos Abdalla, entre outros. Vamos a entrevista completa.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

BALA NA CESTA: Para quem não conhece o senhor, como o senhor se apresentaria para a comunidade do basquete? Quem é o candidato Guy Peixoto?
GUY PEIXOTO: Sou um ex-jogador nascido em Belém (PA) e que tem muito a agradecer ao basquete, que me ensinou muita coisa e me deu a chance de conseguir êxito em outros setores da minha vida. Tive o orgulho de defender a camisa de clubes importantes do cenário nacional, além de envergar a camisa da Seleção Brasileira. Neste momento, atendendo ao clamor de grande parte da comunidade do basquete, tomei a decisão de concorrer à presidência da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) com a meta de implantar uma gestão profissional e transparente, buscando reconduzir o basquete nacional ao seu lugar de direito.

BNC: O que leva alguém a querer assumir uma entidade que tem R$ 17 milhões de dívida, credibilidade zero e uma suspensão da FIBA a cumprir? Não é muita loucura?
GUY: Eu aceitei lançar candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) por entender que, junto com um grupo de pessoas que comungam do mesmo ideal, amam a modalidade e que formam a nossa chapa, posso implantar uma gestão profissional, com metas claras e pré-estabelecidas, funcionando, verdadeiramente, como uma empresa. É, sem dúvida alguma, um desafio, mas acredito fortemente que com um modelo de gestão profissional e diferenciado, que é o que nos propomos, podemos reverter o cenário onde nos encontramos atualmente.

BNC: Você tem divulgado através das redes sociais um pouco sobre seu plano de governo, caso seja eleito. Quais são as prioridades do Governor Guy Peixoto caso o senhor vença o pleito em 10/03?
GUY: Assim que assumirmos, caso vençamos as eleições, será anunciado o plano de 100 dias, ou seja, um conjunto de ações emergenciais que julgamos essenciais para o nosso início de trabalho. Alguns dos itens mais importantes são: retirar a suspensão imposta à CBB, reativar os campeonatos de Base de Seleções Estaduais nas faixas etárias sub-13, sub-15, sub-17 e sub-19, implementar o Centro de Treinamento de Excelência para seleções de Base e Adultas, dar transparência total às informações financeiras, administrativas e técnicas da Confederação, implementar a Universidade do Basquetebol para atender a todos os segmentos do basquete (Técnica, Arbitragem, Saúde do Esporte, Gestores esportivos e Atletas e ex-atletas) e criar o Conselho de Notáveis. Outra coisa que considero importante relatar é que toda a remuneração destinada a presidência será revertida em caráter de doação a Confederação Brasileira de Basketball (CBB).

BNC: Como o senhor avalia a gestão do presidente Carlos Nunes ao longo dos últimos 8 anos? Há solução para a Confederação Brasileira sair da lama, ou no atual estágio o mais correto a se afirmar é mesmo que o novo presidente deverá praticamente estancar um sangue imenso provocado por Nunes e seu grupo gestor?
GUY: Os resultados, dentro e fora de quadra, mostram que a atual gestão da CBB deixou muito a desejar, fazendo com que o basquete nacional perdesse a credibilidade e o espaço nos cenários nacional e internacional. Com certeza existe solução para sairmos dessa crise, e por este motivo desenvolvemos um plano de gestão inovador e abrangente, buscando solucionar os problemas existentes e trazer modernidade à gestão da confederação.

BNC: Uma das grandes dúvidas sobre o novo presidente é a tal força-tarefa proposta pela FIBA. O senhor assinará isso? Ou mantém de que não irá assinar? Caso assine ou não, quais são as consequências para para a CBB e clubes brasileiros?
GUY: Creio que a FIBA está fazendo o seu papel de buscar soluções para basquete brasileiro, que é um dos seus filiados e dono de uma história riquíssima. Nós já fizemos contato com a entidade maior do basquete mundial para mostrar as nossas intenções, metas e ideais, e caso venhamos a vencer a eleição já temos uma reunião agendada na Suíça para apresentar nosso plano detalhado para os primeiros 100 dias. Neste momento oportuno iremos também abordar este tema.

BNC: O senhor pode ser eleito pelas Federações, mas me parece claro que este modelo federativo, com pouca gente votando e gerenciando o basquete brasileiro, é arcaico e precisa de mudanças. O senhor concorda com isso? Pretende fazer mudanças estatutárias neste sentido? Ademais, como você fará para lidar com Federações que não fazem basquete de base (quase todas)? Qual será a cobrança de você, que será eleito por elas, para elas em relação à massificação da modalidade?
GUY: Dentro do nosso plano de gestão existe um item específico sobre as federações estaduais e a nossa ideia é fazer um trabalho de fortalecimento destas entidades, passando conhecimento e dando condições para que eles evoluam em vários sentidos e setores, auxiliando na formação de atletas e realizando o basquetebol por todo o país.

BNC: As duas seleções brasileiras adultas estão sem técnico no momento. Quem seriam seus nomes preferenciais caso assuma a Confederação Brasileira?
GUY: Em caso de vitória do nosso grupo iremos informar a composição da nossa diretoria e teremos os responsáveis técnicos. Estes profissionais habilitados, ao lado da diretoria e do grupo de notáveis, chegarão aos nomes certos para estas funções.

BNC: Outro ponto importante diz respeito às categorias de base, abandonadas a própria sorte há anos. Qual o seu plano especificamente para trazer mais jovens atletas para o basquete, desenvolvendo estes jovens atletas para o futuro da modalidade?
GUY: A base é muito importante para o futuro do nosso basquete, pois é a formação que dá a sustentação para a modalidade no futuro. Vamos dar uma atenção mais do que especial à base, já que ela foi totalmente esquecida nos últimos anos. Além do que já falei em relação às federações, vamos fazer eventos e ações que fortaleçam a base e possam elevar os níveis dos nossos atletas e treinadores. Como mencionado, vamos realizar os campeonatos de base de Seleções Estaduais nas faixas etárias sub-13, sub-15, sub-17 e 19. Saliento que alguns destes campeonatos foram interrompidos nos últimos anos (Sub-15 e Sub-17), traremos de volta o Sub-19 (que por muitos anos não foi promovido) e criaremos o Sub-13, paralisado há mais de 30 anos.

BNC: Recentemente houve uma série de rumores envolvendo a relação entre CBB e Liga Nacional. Alguns presidentes de Federações são contra o NBB, afirmando que o campeonato nacional deve voltar a ser gerido pela Confederação Brasileira. O que o senhor acha disso? Pretende realmente acabar com o NBB? Como será a sua relação com a entidade?
GUY: Mantenho um relacionamento cordial com a Liga Nacional de Basquete (LNB) e não vejo motivo para mudar isto. Eu não sei qual foi o tipo de acordo firmado com eles, mas caso vença a eleição vou verificar. Sobre Federações contra a LNB e coisas similares, acredito existirem posições das mais diversas sobre o assunto. Isto não vai afetar em nada nosso futuro trabalho de gestão de todas as partes interessadas em nosso esporte: federações, atletas, técnicos, arbitragem, ligas, etc.

BNC: Qual o seu plano para equacionar as dívidas da CBB? Qual é, exatamente, o tamanho do rombo da Confederação?
GUY: O primeiro passo é conhecer o montante da dívida da CBB. Vemos pelos balanços financeiros o número, mas é preciso se debruçar na situação toda e entendê-la completa. Depois disso, junto com a minha equipe de trabalho, traçaremos planos de recuperação da sua saúde financeira, usando para isso, profissionais competentes e atuando sempre com transparência para recuperar, em primeiro plano, a credibilidade da entidade.

BNC: É de conhecimento de todos que o senhor apoiou Carlos Nunes na primeira eleição dele. Agora o senhor surge como oposição. Não é contraditório? O que mudou de lá pra cá? Se arrepende de ter apoiado um cara que se mostrou um presidente tão ruim?
GUY: Consigo explicar isso tranquilamente e assumindo tudo o que fiz. Há oito anos o senhor Carlos Nunes apareceu com um nome novo, que dentro de sua campanha se propunha a trabalhar diferente do que fez. Naquele momento, precisávamos de uma mudança, pois estávamos há vários anos com o Grego na presidência e o basquete nacional clamava por algo novo. Foi por isso que, sim, o apoiei, pois desde aquela época já havia um clamor imenso por mudanças no rumo do basquete. Mas infelizmente ele não fez nada daquilo a que estava se propondo e tão logo começou a sua gestão eu rompi com ele.

BNC: Pra fechar. O senhor tem muitos apoios da comunidade do basquete. Ex-jogadores, técnicos, muita gente chancela a sua candidatura. Como o senhor fará para dirigir a Confederação Brasileira mesmo tendo uma vida empresarial de sucesso? Quantos % do seu dia será tomado por assuntos de basquete e quantos % pela sua vida empresarial?
GUY: Essa é uma boa pergunta e vou te responder da maneira mais sincera possível. Farei da mesma forma que faço com as minhas empresas, que são compostas por profissionais competentes em suas áreas. Com esse formato que planejamos para a CBB, a entidade funcionará como uma empresa e creio que os resultados serão amplamente favoráveis. Quero reafirmar que o foco total será na recuperação do basquete. Este ponto guiará minhas ações durante todo o mandato, caso sejamos vencedores. Outro fator importante de se colocar é que não vou receber um centavo da CBB se vier a ser eleito. Não quero um café da CBB. Nada. Compromisso assumido meu: a CBB não paga uma passagem do senhor Guy Peixoto, hotel, absolutamente nada. Não preciso disso e só quero ajudar o basquete. Vai ser uma grandíssima mudança de gestão, com transparência total. Todo dinheiro que entrar vai ser publicado. As pessoas que estão se propondo a me ajudar sabem que é um momento de sacrifício pelo bem maior, que é o basquete. Pode me cobrar. Será uma gestão de meritocracia total sempre. Onde houver gente querendo fazer basquete nós vamos estar juntos.


Entrevista com o candidato a presidência da CBB Amarildo Rosa
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Fábio Balassiano

Como este blog faz desde a eleição de 2009, fui conversar com os candidatos a presidência da Confederação Brasileira de Basketball. O pleito acontece na sexta-feira, 10 de março, e por isso fui ouvir os dois elegíveis ao cargo máximo do basquete brasileiro. Amarildo Rosa ou Guy Peixoto assumirá uma entidade com R$ 17 milhões em dívida (número até o final de 2015), suspensa de competições internacionais e com credibilidade beirando a zero.

O primeiro a ser entrevistado é Amarildo Rosa (a ordem foi definida por sorteio). Há 12 anos como presidente da Federação do Paraná, o bacharel em teologia de 52 respondeu às mesmas 10 perguntas iniciais que seus oponente (Guy Peixoto estará aqui amanhã com sua visão) e duas (números 11 e 12) diferenciadas para ele.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

BALA NA CESTA: Para quem não conhece o senhor, como o senhor se apresentaria para a comunidade do basquete? Quem é o candidato Amarildo Rosa?
AMARILDO ROSA: Fui Secretário de Esporte em São José dos Pinhais durante 12 anos da minha vida e também estou há 12 anos (1997 a 2008) à frente da Federação Paranaense. Nosso lema de trabalho sempre se baseou na gestão participativa, com espaço para atletas, árbitros, dirigentes e entidades opinarem e contribuírem. Com isso formamos uma família do basquete aqui no Paraná. Sempre aprendi que um gestor deve ser avaliado pelos resultados que obteve com seu trabalho, e aqui no Paraná tivemos conquistas importantes nesses anos: a descentralização dos eventos esportivos e promoção da modalidade em outros municípios, aumento significativo de competições e captação de recurso para o Basquete Paranaense com patrocinadores de renome nacional e internacional como Coca-Cola, Wilson, Unimed e Frigorífico Argus, o Programa de Desenvolvimento do Atleta, a Clínica Anual de Atualização e Reciclagem da Arbitragem, o Centro de Excelência do Basquete e o Sul Brasileiro de Seleções Sub-13 e Sub-14. Defendo também que o bom Gestor é aquele que permite a participação, mas sobretudo participa, está presente. Seja nos eventos, pessoalmente se reunindo com aqueles que se importam. Faz parte do seu trabalho e isso não pode ser delegado. Convido aqueles que ainda não conhecem o meu trabalho no Estado do Paraná que acessem nosso vídeo (aqui)  ou conversem com qualquer dos atletas, árbitros, técnicos ou patrocinadores da Federação do Paraná. Temos uma história de construção e experiência, nossas propostas não estão baseadas em “deduções”.

BNC: O que leva alguém a querer assumir uma entidade que tem R$ 17 milhões de dívida, credibilidade zero e uma suspensão da FIBA a cumprir? Não é muita loucura?
AMARILDO: Dentro das devidas proporções eu assumi a Federação Paranaense em 2005 também com dívida, também sem credibilidade e sem estrutura. Conseguimos reverter e colocar o Basquete no Paraná onde está hoje. A nossa gestão conseguiu patrocínios do setor privado e a verba do Poder Público. Sempre recebemos o recurso destinado e nunca tivemos qualquer questionamento do Tribunal de Contas. Vejo a dívida da CBB, a falta de credibilidade e a suspensão como desafios. Na minha vida tudo veio sempre com muito trabalho e determinação. Para os desafios tenho muita motivação, determinação e experiência. E a minha motivação é poder fazer um bom trabalho e deixar um legado para o Basquete Brasileiro, assim como eu fiz no Paraná. Uma coisa é certa: o novo Presidente não poderá mais errar, não existe tempo para isso, seja nas decisões financeiras, seja nos relacionamentos com entidades como a FIBA. Loucura é recusar o acompanhamento da FIBA/COB/MINISTÉRIO DO ESPORTE neste momento tão delicado para o basquete brasileiro.

BNC: Você tem divulgado através das redes sociais um pouco sobre seu plano de governo, caso seja eleito. Quais são as prioridades do Governor Amarildo Rosa caso o senhor vença o pleito em 10/03?
AMARILDO: A minha prioridade é retirar a suspensão da FIBA. Precisamos urgente fazer com que a CBB volte a ser membro com plenos direitos junto a FIBA. Sem isso não há como a entidade voltar a receber recursos. Tornamos público o nosso Plano de Governo em setembro de 2016, e o executaremos dando prioridade a um “choque de gestão” através da severa redução de despesas e renegociando dívidas com fornecedores, prestadores de serviços, funcionários e a própria FIBA. Buscaremos patrocinadores, construiremos novas relações com COB e Ministério do Esporte, mas também descentralizar os eventos da CBB através do apoio de Estados e Municípios de todo Brasil. Priorizarei as categorias de base com os Campeonatos de Base de Seleção Sub-13, Sub-15 e Sub-17 e de Campeonatos de Clubes Sub-13 até Sub-19. Buscaremos apoio nos treinamentos de seleções de base e adulto, mini-basquete, 3×3, Escola Nacional de Treinadores e Clínicas de Arbitragem. Ajudaremos todas as Federações Estaduais com um patrocínio exclusivo e elaboraremos um Projeto Incentivado para custear as taxas de arbitragens na categoria de base nos campeonatos estaduais das Federações para o aumento de participação das equipes nas categorias menores.

BNC: Como o senhor avalia a gestão do presidente Carlos Nunes ao longo dos últimos 8 anos? Há solução para a Confederação Brasileira sair da lama, ou no atual estágio o mais correto a se afirmar é mesmo que o novo presidente deverá praticamente estancar um sangue imenso provocado por Nunes e seu grupo gestor?
AMARILDO: Eu não tenho dúvida de que o problema da CBB não foi a falta de verba de órgãos públicos ou falta de patrocínios. O problema foi de gestão. Tem muito enrosco que foi causado por uma ineficiente prestação de contas as entidades patrocinadoras. Por esta razão digo que o novo Presidente não poderá mais errar e para isso precisa ter experiência com a tratativa deste tipo de recurso. É necessário colocar a casa em ordem e a matemática é muito simples – gastar menos do que se arrecada. Vamos estreitar o relacionamento com os órgãos que tem ajudado o basquete, como o COB e o Ministério do Esporte para continuarmos a receber essas verbas. Além de buscar novos patrocínios, conquistar junto ao Governo Federal o apoio de uma Estatal e retomar o nosso patrocinador máster (Bradesco) também está nos nossos planos.

BNC: Uma das grandes dúvidas sobre o novo presidente é a tal força-tarefa proposta pela FIBA. O senhor assinará isso? Ou mudará de opinião e não irá assinar? Caso assine ou não, quais são as consequências para para a CBB e clubes brasileiros?
AMARILDO: Vou assinar, sim, e não mudo de opinião. É bom para o basquete e é bom para a Confederação. E essa não é uma opinião somente minha ou do nosso jurídico. Todos aqueles que leram o termo de compromisso proposto pela FIBA e conhecem o Estatuto da entidade conseguem entender com bastante clareza de que o proposto não é nada mais do que um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). A FIBA quer comprometimento por escrito, documentado. Ela está cansada de promessas não cumpridas. Por isso veio a suspensão e ela permanecerá caso não se assuma este compromisso. Precisamos retirar o mais rápido possível esta suspensão pois quanto mais tempo levar, mais tempo os clubes e seus patrocinadores serão prejudicados e mais tempo os recursos no COB e no Ministério do Esporte ficarão retidos. Isso sem falar no tempo para retomar a credibilidade na conquista por novos patrocinadores. Na reunião em Genebra, o Secretário Geral da FIBA alertou a todos os presentes que a CBB será desfiliada da FIBA caso o novo Presidente não aceite a Força Tarefa. Precisamos acabar com as barganhas e fazer crescer a modalidade. Não posso ser IRRESPONSÁVEL em não assumir esse compromisso e rejeitar o acompanhamento de entidades como a FIBA, COB e Ministério do Esporte especialmente em um momento tão delicado. Como já disse, sou um gestor que valoriza a participação, não tenho nada a esconder, não tenho a pretensão de resolver os problemas sozinho. Juntos vamos mais longe. Nestes moldes, a Força Tarefa é um grupo que virá somar através das maiores instituições nacionais do esporte (COB e Ministério).

BNC: O senhor pode ser eleito pelas Federações, da qual faz parte inclusive, mas me parece claro que este modelo federativo, com pouca gente votando e gerenciando o basquete brasileiro, é arcaico e precisa de mudanças. O senhor concorda com isso? Pretende fazer mudanças estatutárias neste sentido? Ademais, como você fará para lidar com Federações que não fazem basquete de base (quase todas)? Qual será a cobrança de você, que será eleito por elas, para elas em relação à massificação da modalidade?
AMARILDO: Concordo. Vamos fazer mudanças no Estatuto da CBB, especialmente no que se refere ao sistema de votação. Não resta dúvida de que o colégio eleitoral é muito pequeno para eleger o Presidente e que não representa todas as áreas que fazem, vivem e dependem da Confederação. Acredito que Associações e Clubes que participam das Competições da CBB poderiam ter direito a voto. No entanto, para haver uma REAL mudança neste sistema arcaico de eleição é necessário algo mais, porque hoje para muitos a decisão pelo voto não se baseia na experiência de gestão no basquete, mas sim na amizade ou na promessa de algum cargo ou vantagem pessoal. Eu me propus a não fazer o jogo. Apresento ideias e propostas. Quem está conosco é porque compartilha da nossa visão e acredita no nosso trabalho. Nesse velho sistema ou você “rifa” a CBB ou você não cumpre as promessas. Há algo além de mudanças estatutárias: é necessário dar exemplo de mudanças o que eu não vejo nesta eleição. Vamos implantar na CBB uma GESTÃO POR RESULTADO. Teremos um projeto incentivado para ajudar os Estados com despesas de arbitragens e fomentar a participação de equipes nas competições de base em todos os Estados. Toda ajuda da Confederação para as Federações Estaduais será em dinheiro mensal e material esportivo ou troféus/medalhas. Essa ajuda será proporcional a alguns critérios como quantidade de filiados, quantidade de campeonatos e quantidade de equipes participantes. As Federações precisam de incentivo e motivação para ampliar seus resultados. E a minha visão em relação a essa situação é resultado do que ouvimos e discutimos nas reuniões que fizemos em 2015-2016 pelo Brasil conhecendo a realidade de cada uma das Federações.

BNC: As duas seleções brasileiras adultas estão sem técnico no momento. Quem seriam seus nomes preferenciais caso assuma a Confederação Brasileira?
AMARILDO: Primeiro vamos nomear um Diretor Técnico e seus coordenadores (Masculino e Feminino). Então, vou ouvi-los, mas já adianto que a escolha do técnico tem critérios: estar participando em competições nacionais, ter tido bons resultados nos últimos anos, ser um técnico moderno que procure sempre se atualizar, e estar em concordância com a filosofia da nova gestão, que será de preservar a ética e o respeito profissional entre atletas, dirigentes, árbitros, entidades e imprensa. Este profissional deverá preservar o bom comportamento dentro e fora de quadra.

BNC: Outro ponto importante diz respeito às categorias de base, abandonadas a própria sorte há anos. Qual o seu plano especificamente para trazer mais jovens atletas para o basquete, desenvolvendo estes jovens atletas para o futuro da modalidade?
AMARILDO: No nosso plano de Governo, além reativar e melhorar a realização dos Campeonatos Brasileiro de Base de seleções Sub-15 e Sub-17, realizaremos também na categoria Sub-13 para incentivar a participação de mais equipes nos campeonatos estaduais nestas categorias. Assim como fizemos no Paraná, quando há 6 anos criamos o Campeonato Sul Brasileiro de Seleções Sub-13 e Sub-14, que tem gerado um crescimento da participação e um aumento também do nível técnico. As seleções paranaenses está sempre entre as quatro melhores equipes nos Brasileiros de Base realizados pela CBB. Tem sido um grande diferencial, tanto que na última edição em 2015 fomos campeões Brasileiros do Sub-15 Masculino, um feito inédito. Também vamos criar a Copa Brasil de Clubes (Sub-13, 14 ,15, 17 e Sub-19) na qual vamos fazer com que as Federações tenham mais participação das suas equipes nos seus campeonatos estaduais também nessas categorias, para seguirem em uma fase regional e uma fase final e certamente teremos mais atletas praticando o basquete em todo Brasil.

BNC: Recentemente houve uma série de rumores envolvendo a relação entre CBB e Liga Nacional. Alguns presidentes de Federações são contra o NBB, afirmando que o campeonato nacional deve voltar a ser gerido pela Confederação Brasileira. O que o senhor acha disso? Pretende realmente acabar com o NBB? Como será a sua relação com a entidade?
AMARILDO: A minha visão e postura sobre a Liga Nacional é uma só: nós reconhecemos o importante e relevante trabalho que as Ligas LNB/LBF fazem. O que deve ficar claro é que a CBB deve e vai realizar na minha gestão as Categorias de Base (Sub-13 até Sub-19) e a Copa Brasil Adulta, tal como está no nosso Plano de Governo. As Ligas Nacionais continuarão realizando os seus campeonatos. E nós alinharemos isso logo após a eleição para afinarmos as ações e competências de cada entidade. Gostaria de deixar claro de que esse compromisso de acabar com o contrato das ligas LNB/LBF não é meu e nem dos Presidentes do Grupo “Bola na Cesta, Brasil!¨. Essa é uma promessa de campanha da chapa adversária e das Federações que a apoiam, que assumiram o compromisso público de acabar com esses contratos, conforme nota oficial divulgada pela Federação Cearense de Basquetebol.

BNC: Qual o seu plano para equacionar as dívidas da CBB? Qual é, exatamente, o tamanho do rombo da Confederação?
AMARILDO: Nos balanços fornecidos pela CBB nas Assembleias a dívida estaria em torno de R$ 17 milhões, mas já calcula-se que ultrapassa esse valor. Como falei anteriormente, essa é uma prioridade. Implantaremos um ¨choque de gestão¨, renegociaremos as dívidas, reduziremos as despesas, buscaremos junto a ¨Força Tarefa¨ toda ajuda possível do COB, Ministério do Esporte e FIBA, renegociaremos com a Estatal Eletrobrás, buscaremos retomar o patrocínio do Bradesco e outros co-patrocinadores que já nos assinalaram confiança e interesse.

BNC: O senhor não só aprova as contas do presidente Carlos Nunes há anos mas também fez parte de um governo (o dele) que praticamente afundou o basquete brasileiro na lama. Não é um contrassenso que o nome do senhor surja agora como uma espécie de oposição a um modelo que o senhor chancelou a participou por tanto tempo? O que me leva a acreditar que o senhor fará algo de diferente do que tem sido feito nos últimos 8 anos de Carlos Nunes?
AMARILDO: Certamente você lembra, mas o Carlos Nunes era o candidato de oposição ao Grego. Votei em Nunes intencionado em apoiar uma oposição para mudança. Inclusive procurei ajudar a sua primeira gestão através da minha participação no Conselho Consultivo de Presidentes. Foram inúmeras as reivindicações que levei as reuniões do Conselho, mas tudo que se tratava neste Conselho era pouco levado a sério. Na segunda eleição não tivemos escolha, novamente eram os mesmos candidatos: Carlos Nunes e Grego, mas Carlos Nunes mantinha as promessas de atender nossas solicitações de mudanças, especialmente a respeito da gestão financeira da CBB. É sempre bom lembrar, conforme foi noticiado em agosto de 2012: naquela ocasião quem apoiou a campanha de Grego foi o atual candidato Guy Peixoto, que também teria apoiado anteriormente a campanha de Carlos Nunes para a primeira gestão. Logo, fica fácil entender que SE EU NÃO FOSSE CANDIDATO EU NÃO VOTARIA NO GUY PEIXOTO, muito menos tendo como vice Manoel de Castro (Presidente da Federação do Maranhão), que sempre deu suporte a gestão do Grego. Quando Carlos Nunes foi eleito pela segunda vez em 2013, ele não cumpriu e não realizou as mudanças prometidas e necessárias. Eu não tive dúvida, e solicitei a saída do Conselho, conforme sua matéria noticiada em julho de 2013. Sobre a aprovação de contas, na Assembleia de 2014 eu não aprovei. E nas Assembleias de 2015 e 2016, período pré-olímpico e ano olímpico, respectivamente, a maioria dos Presidentes decidiu aprovar para não respingar nas quadras e equipes técnicas. Ou seja: mais desgastes em um momento delicado para a imagem da modalidade e para os patrocinadores.

BNC: Pra fechar. O senhor é Presidente de Federação, mas não tem sequer um clube jogando a LBF e apenas agora, com Campo Mourão, participa do NBB. Se seu estado não faz um trabalho muito bom no basquete profissional, como acreditar que o senhor conseguirá fortalecer as instituições para fazer da CBB forte para todos?
AMARILDO: No Paraná realizamos dois Campeonatos Estaduais: Estadual com 5 ou 6 equipes e a Taça Paraná regionalizada com participação de 08 a 12 equipes. Esse trabalho fez com que os Clubes tivessem crescimento, como a Equipe de Campo Mourão, que já está na Liga Ouro há 4 anos e agora na primeira divisão. Não menos importante, a Equipe de Ponta Grossa está há 4 anos na Copa Brasil e na última edição ficou em terceiro lugar na Supercopa. Além, é claro, da equipe Basquete Curitiba que tem participado das últimas 3 edições e feito ótimas Campanhas na Liga de Desenvolvimento. Importante não confundir, não ter time no campeonato Brasileiro não é demérito de nenhuma Federação. Não é atribuição da Federação montar time para jogar campeonatos Nacionais e sim dos Clubes, Associações ou Municípios. A atribuição das Federações é montar as Seleções Estaduais de Base e como relatado acima o Paraná possui todas as categorias e naipes na primeira divisão. Quando estive a frente da Secretaria de Esporte na cidade de São José dos Pinhais-PR, fomos a Capital Paranaense do Basquete. Tivemos a equipe feminina, que entre outros títulos, foi campeã Brasileira em 2000, e a equipe masculina foi terceiro lugar na primeira edição do Campeonato Nacional da Liga (Nossa Liga). Espere e verá, vamos realizar a COPA DO BRASIL. Vai ser a maior atração e sensação das equipes intermediárias desse país!


Com show do Jota Quest, Jogo das Estrelas do NBB foca no entretenimento em SP
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Fábio Balassiano

Pela primeira vez sendo realizado em São Paulo, o Jogo das Estrelas do NBB (site oficial aqui) em 19 de março promete ser um marco na história da Liga Nacional de Basquete. No maior centro econômico do país o evento contará com show da banda Jota Quest (notícia divulgada há instantes pela LNB), uma das mais populares do país, terá parceria com a Rede Starbucks e marcará o primeiro passo da ativação da Nike, nova patrocinadora da entidade (mais aqui). Cadeiras de pista e numeradas já estão esgotadas, mas as arquibancadas, que custam a partir de R$ 5, ainda estão à venda no site da LNB.

O foco do Jogo das Estrelas de 2017 está no entretenimento, em atrair e reter fãs para o esporte, algo que vemos com frequência na NBA. Conversei com João Fernando Rossi, presidente da LNB e um dos entusiastas deste modelo de gestão que privilegia o lazer dentro dos ginásios de basquete. Rossi, empolgado, lança inclusive um desafio ao prefeito de São Paulo, João Doria Jr. .

BALA NA CESTA: Me chamou a atenção que neste ano teremos um jogo no Ibiraquera, um dos maiores palcos de basquete do país, com muita história e tudo mais, a chegada da Nike, nova patrocinadora da Liga, também uma parceria com a Rede Starbucks, famosíssima no mundo inteiro, e agora o show do Jota Quest. O foco está mais do que nunca no público com bastante entretenimento mas também em mostrar ao mercado publicitário a força do produto de vocês, não?
JOÃO FERNANDO ROSSI: Isso mesmo, Bala. O foco está em proporcionar ao público a melhor experiência de lazer possível não só no domingo, o dia do evento propriamente dito, mas sobretudo durante o final de semana inteiro onde teremos atividades, e mostrar ao mercado corporativo que em momento de crise econômica o basquete brasileiro (NBB) é a melhor opção de investimento no esporte no Brasil. Modéstia à parte, somos hoje o que há de melhor no esporte em relação a custo/beneficio, e sabemos bem que os investidores estão buscando visibilidade, retorno alto sobre investimento e se associar às marcas com retorno garantido.

A grande novidade é termos um evento com Show (Jota Quest) e Basquete juntos. Isso mostra como estamos focados em transformar um espetáculo esportivo em entretenimento. Ter o Jota Quest no intervalo do Jogo das Estrelas é o coroamento de todo esforço dos clubes e mais um passo na incessante busca pela fidelização do fã da bola laranja no mercado brasileiro e das Américas. Essa festa no Ibirapuera reforça o comprometimento da Liga com os torcedores e no desenvolvimento da modalidade. Teremos o que existe de melhor dentro e fora da quadra nessa grande festa do esporte. Nossa ideia é começarmos um relacionamento com os fãs de basquete no Jogo das Estrelas. Depois nossa missão é fazer com que ele (relacionamento) se prolongue durante muito tempo.

Nosso ativo, com clubes de futebol, líderes em olimpismo e cidades tradicionais e recém-chegadas, é bem robusto e possuímos TV aberta (Band), TV fechada (Sportv) e o nosso canal de WebTV que exibe jogos semanalmente através da plataforma Facebook Live. Caminhando com o que há de mais moderno no mundo, posso dizer com orgulho que nossas mídias sociais possuem números bem interessantes em Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat e outros. A Liga Nacional organiza 4 campeonatos (NBB, Liga de Basquete Feminino, Liga Ouro e Liga de Desenvolvimento Sub-22), estamos presentes em 11 estados, com 30 clubes e 83% do PIB brasileiro, e atingindo 77% da população brasileira. Não posso esquecer de dizer que temos parceria com a liga de basquete mais desejada do mundo, a NBA. Estamos muito animados. Se permitir, posso lançar um desafio no seu blog?

BNC: Claro. O que seria?
ROSSI: É um desafio ao Prefeito da cidade de São Paulo, João Doria Jr. Sei que ele gosta de basquete, e lanço em seu blog um desafio para que ele faça parte do torneio de habilidades deste Jogo das Estrelas. E aí, João Doria, topa? #JogaJuntoJoaoDoria .

BNC: Este ano o Jogo das Estrelas terá formato diferente, com todas as atividades realizadas em um só dia, o domingo. O que a Liga Nacional pretende com isso e qual o motivo da mudança?
ROSSI:
A ideia é fazer com que o público amante do esporte e do basquete possa ter uma experiência completa de basquete. Pesou para que escolhêssemos São Paulo o fato de, devido a Olimpíadas e Copa do Mundo, a cidade do Rio de Janeiro ter recebido a maioria dos grandes eventos do esporte brasileiro nos últimos anos. Sendo assim, a escolha de São Paulo, a maior capital da América Latina, passa pelo desafio de despertar a população paulistana para o basquete. Nossa intenção é ativar uma das maiores metrópoles do mundo. Gosto de lembrar que cidade e o Ibirapuera foram o principal palco do basquete brasileiro durante décadas. Sobre ser tudo no mesmo dia, pensamos muito em termos um dia inteiro com muito entretenimento esportivo, algo que nunca houve na história do esporte brasileiro. O evento no domingo começa às 10h e terá o Desafio de habilidades, Torneio de 3 pontos, Torneio de enterradas, Desafio das Celebridades e o jogo principal entre NBB Brasil x NBB Mundo. Um domingo completo de muita festa no esporte brasileiro. Quero frisar que no sábado teremos na parte da manhã um treino aberto com os atletas do Jogo das Estrelas. Na sequência as eliminatórias do Desafio de Habilidades serão exibidas ao vivo pela TV Globo.

BNC: Apesar das finais serem em um dia só, haverá as eliminatórias no sábado e também ações sociais previstas desde sexta-feira. Podemos esperar neste Jogo das Estrelas do NBB em São Paulo o maior número de ações não só sociais mas também de marketing da história do evento?
ROSSI: Teremos o #EspaçoJogaJunto, área de lazer voltada à interação do fã do basquete e disponível no sábado e domingo e totalmente grátis. O Ibirapuera estará repleto de atividades para as famílias, com ativações dos patrocinadores (Caixa, Sky, Avianca, Nike e Starbucks) que envolvem quadras de basquete, máquinas de arremessos, distribuição de brindes e presença dos atletas para fotos e autógrafos. Além disso, estaremos preparados para receber o público com vasta área de alimentação, tornando o programa completo do começo ao fim para as famílias paulistanas.

Ainda sobre marketing, venho do mundo empresarial e sou muito objetivo. Estamos em SP, a cidade mais populosa das Américas e a sétima do mundo, com mais de 12 milhões de habitantes e a décima-quarta mais globalizada do mundo. São Paulo é o décimo PIB do mundo e corresponde a 11% do PIB brasileiro. Portanto, estamos com expectativas de mostrar ao mundo corporativo e seus investidores que a Liga Nacional (NBB) é o melhor investimento no esporte brasileiro. O Jogo das Estrelas é o nosso cartão de visita. Estaremos recebendo grandes empresas, patrocinadores, investidores e agências de Marketing esportivo. Mostraremos nosso lado de gestão, empreendedorismo, responsabilidade social e de negócios tanto para LNB quanto para os clubes. É uma oportunidade única para todos buscarem pontos de contato comerciais. É um ambiente propício para início de novos negócios.

Além do entretenimento devemos acelerar nosso programa de responsabilidade social. Estamos trabalhando com empresas e comunidades para uma sociedade mais justa. Já fazemos isso, na Liga Nacional, de forma pontual, mas estamos nos preparando para sermos mais atuantes neste sentido e a partir evento já queremos começar a atuar de forma mais estruturada.


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Fábio Balassiano

mortari1“A gente sabia da importância de um para o outro. Para mim, dele como jogador. Para ele, da minha pessoa como técnico”. É assim que Claudio Mortari começa falando sobre Oscar Schmidt, que será homenageado hoje à noite pelo Brooklyn Nets, franquia que o selecionou no Draft de 1984, no intervalo do jogo contra o Memphis Grizzlies.

Técnico venerado pelo cestinha, reconhecido por Oscar nos grandes momentos de sua carreira (discurso de entrada no Hall da Fama, por exemplo), Mortari conheceu Oscar aos 15 anos quando era técnico do Palmeiras. Colocou o menino para jogar nos profissionais e não se arrependeu: “Ele sempre foi especial. Treinava como um maluco”.

Conversei com o treinador, um dos maiores vencedores da história do basquete brasileiro e paradoxalmente fora do NBB desde a sua saída do Pinheiros na temporada passada, sobre Oscar Schmidt e muito mais.

oscar9BALA NA CESTA: Essa semana toda de homenagens ao Oscar, primeiro no Nets e depois no Jogo das Celebridades, no All-Star Game, será bem especial para ele e para as pessoas mais próximas. O que você tem sentido nestes últimos dias com tantos momentos legais acontecendo para um de seus mais reconhecidos atletas?
CLÁUDIO MORTARI: Olha, é uma grande oportunidade, um reconhecimento imenso vindo de onde vem, da NBA, então é um motivo de orgulho pra ele. Vai ser importante, vai ser lindo, disso não tenho dúvida. Sobre o Jogo das Celebridades, se eu bem conheço ele, se jogar bem ele falará que fui seu técnico. Se não meter bola, dirá que não treinou o suficiente (risos).

BNC: Nem sempre a relação de técnico-jogador é lembrada quando o atleta se aposenta. O Oscar, a todo momento, no entanto, fala em seu nome, te coloca no topo dos treinadores que teve. É bacana ter esse reconhecimento dele, não?
IMG_5420MORTARI: Eu ser lembrado sempre por ele é lindo. E tem muito disso que você disse mesmo. É muito difícil você ter técnico reconhecido por parte do atleta. Normalmente quando as vidas separam técnico e atleta cada um vai para o seu lado e a trajetória segue. Não é que seja errado, mas é assim que acontece no meio do basquete. O Oscar, de fato, sempre faz questão de sempre me ressaltar. Falou em meu nome no discurso do Hall da Fama, o momento mais importante da carreira dele. Pra você ver a grandeza do cara. Esta semana nos Estados Unidos é o coroamento de uma trajetória linda da vida profissional dele. É o ápice daquela carreira que ele traçou lá atrás. Ele é merecedor. É clichê dizer isso, mas Oscar trabalhou pra isso todos os dias da vida dele. Nunca vi alguém tão obstinado treinando. Quando soube da notícia, mandamos mensagens, nos falamos, brincamos bastante.

oscar8BNC: Há alguma passagem inesquecível que você tenha com o Oscar que consiga contar?
MORTARI: Ah, são várias. Mas eu tenho minha ética profissional e essas coisas de vestiário eu não gosto de abrir muito. Essas particularidades eu deixo pros grupos que passamos. O que marca é o reconhecimento, essa progressão dele, de acreditar aquilo que sempre trocamos de conceitos, de ideias. Conheci o Oscar quando ele tinha 15 anos lá no Palmeiras. E ele já jogava no adulto, no profissional. Tive uma calma muito grande de saber que entrariam outras pessoas na história. Amigos, empresários, imprensa, todo mundo. Tive esse entendimento muito cedo e mesmo com tudo isso não nos distanciamos. Pelo contrário. Uma vez falamos sobre isso inclusive. No nosso relacionamento sempre houve um respeito de um para com o outro. Eu sabia da história e da importância dele para meus times e ele sabia da minha importância para o desenvolvimento da carreira dele. Nunca ultrapassamos essa linha. Sempre houve um respeito mútuo muito grande.

FullSizeRender (3)BNC: Mudando um pouco de assunto. Você é um dos técnicos mais vitoriosos do país e desde a temporada passada está fora do NBB após sair do Pinheiros, clube pelo qual conquistou os títulos mais importantes do clube (Liga das Américas, Paulistas etc.). Sente falta da quadra?
MORTARI: Claro que sinto. Vejo basquete todos os dias da minha vida. Estou nisso desde os 11 anos, sou técnico desde os anos 70. Não estou dentro da quadra como técnico, mas sou professor da cadeira de basquete da Faculdade FMU. Dou aulas diariamente. Isso me mantém ativo, atualizado das coisas e na expectativa de voltar ao basquete. Estou com 67 ainda e me considero capaz para retornar. Adoro dar treino, preparar o time, desenvolver os atletas. Tenho essa vontade de voltar, sim. Não vou fugir do meio agora, né? Não sei como seria a minha vida sem o basquete. Basquete foi e é importante pra minha vida. Devo tudo a ele.

mortari1BNC: Essa questão da idade citada. Acha que pode ter saído do Pinheiros devido a isso? Ainda existe muito preconceito contra treinadores mais veteranos por aqui, né?
MORTARI: Bala, não me sinto colocado de lado. Estou bem, trabalhando, vendo jogos, estudando. Faz falta o dia a dia na quadra? Clar que faz. Para quem não vivencia o dia a dia, gosto de dizer que no esporte não há dia igual ao outro e que isso é maravilhoso. Não estar trabalhando hoje em dia é muito mais circunstancial do que outra coisa. São situações até engraçadas que acontecem no basquete. No Sírio eu tive 28 títulos com a equipe. Fui mandado embora. No Pinheiros, Liga das Américas, vice-campeonato mundial, paulistas. O clube, em mais de 100 anos, nunca havia ganho tanto. Fui mandado embora. Isso é inerente a nossa profissão. Só acho que somando prós e contras, tenho mais coisas boas a meu favor. Mas pode escrever aí: tenho lenha pra queimar ainda. Em toda a minha carreira só passei por um clube que não conquistei título. Foi na Telesp.

dois1BNC: A palavra preconceito usada na pergunta anterior talvez seja forte, mas não te causa estranheza que grandes nomes como o seu, Hélio Rubens, Edvar Simões e tantos outros estejam alijados não só do NBB, mas sobretudo do basquete brasileiro?
MORTARI: Isso sem dúvida alguma. Não sei se a palavra correta é respeito, mas falta que as entidades nos usem mais neste sentido. Você quer ver uma coisa? Você é meio doido por número, deve saber. Sabe há quanto tempo o Brasil, no masculino, não conquista uma medalha em Mundial ou Olimpíada, seja no adulto ou no profissional?

claudio1BNC: Desde os Mundiais juvenis na década de 80, né?
MORTARI: Exatamente. Eu era o técnico. Fui treinador da seleção principal, saí e depois voltei para a seleção juvenil. Não foi uma queda em minha carreira, pelo contrário. Foi um prazer danado preparar uma geração para o basquete brasileiro. O Brasil foi vice-campeão mundial juvenil em 1979. Fomos o único time que perdeu de menos de 20 pontos dos EUA em toda a competição. Quatro anos mais tarde, medalha de bronze no Mundial Juvenil da Espanha. Vencemos os espanhóis no jogo do bronze na casa deles. Foi bem emocionante. Não ser consultado é muito ruim. Temos argumentos suficientes pra contribuir. Eu, Hélio, Edvar, tantos outros. Nós tínhamos que ser mais usados.

BNC: Te preocupa a fase atual da Confederação Brasileira? Sendo suspensa de competições internacionais, impactando os clubes do NBB, dificultando a formação de novos atletas…
MORTARI: A gente lamenta que não tenha havido um acerto entre CBB e FIBA. As coisas precisam fluir normalmente, algo que não está ocorrendo. Essa paralisação é ruim pra todo mundo. Para novos investimentos, divisões menores, brasileiros de base, tudo. Está absolutamente tudo parado. É algo muito grave, mas não surpreendente para quem acompanha isso com afinco. A gente lê as notícias e fica meio chocado. O Brasil não participa de um torneio de base porque não se inscreveu. Depois só vai porque um clube serve de base e empresta metade do time e comissão técnico. Aí você para e pensa. Planejamento, cadê? Se isso ocorre com na divisão de base, que é sustentáculo de tudo, é muito grave. Nunca estivemos em uma situação tão complicada. Felizmente pra nós o surgimento da liga foi um alento total para quem trabalha com o basquete por aqui. Se não fosse o NBB, sabe lá como estaríamos. Como seria hoje se a CBB fosse a única opção? Está aí o basquete feminino pra falar. É um momento preocupante. Na minha opinião o maior problema é a falta de expectativa. Tudo isso tende a aumentar caso não melhore a gestão.

magnano1BNC: Para fechar: você sempre foi um grande crítico da maneira como a seleção brasileira estava jogando sob o comando do técnico Rubén Magnano. Não te surpreendeu, então, o resultado pífio da seleção brasileira, eliminada na primeira fase da Olimpíada, certo?
MORTARI: Não quero falar que sou contra o Magnano pessoa física. Não é isso e que quero deixar isso bem claro. O que eu acho é que o resultado da Olimpíada foi esperado. Sim, esperado. O Brasil só se classificou porque era sede. Disputou o Mundial de 2014 porque pagou pra disputar. A verdade é que o treinador não ganhou nada esportivamente a não ser o pré-olímpico de 2011. É só pegar aí. Foram participações horríveis em Copa América, por exemplo. Perdemos até da Jamaica, lembra? Nós não estaríamos na Olimpíada se não fosse o país-sede. Então, se você olhar com calma, é um retrospecto bastante ruim. O problema maior na minha concepção sobre o que aconteceu com o Magnano é que reunimos hoje três escolhas em um grupo de 12 jogadores – NBA, Europa e NBB. Nunca aconteceu isso na história do basquete brasileiro. Caras que ficam 12 meses ou jogando em metodologias completamente diferentes. Aí o que fizeram? Tentaram reunir três escolas diferentes com uma coordenação de trabalho que se diferenciava daquilo que sempre fizemos. Aquilo causava uma interrogação de como deveríamos atuar. Faltou o ponto comum de contato entre as três escolas e o que sempre praticamos. Nossos melhores momentos na Olimpíada foram quando Nenê, Leandrinho e outros foram pro jogo criativo, ativo, diferente. Sempre tivemos a nossa maneira. Desde Wlamir, Paula, Oscar, essa sempre foi a nossa tônica sempre. Faltou um entendimento maior neste sentido em minha concepção. E não falo nem da quadra apenas, mas sim que o trabalho dele deveria ser um pouco mais amplo do que só dirigir seleção brasileira. Ele deveria ter percorrido o país, visto competições, ter um trabalho mais extenso, alongado, mesmo porque fica-se muito tempo ocioso quando só se dirige a seleção brasileira.


Candidato na eleição da CBB dispara contra FIBA e rechaça força-tarefa: ‘Iremos declinar’
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Fábio Balassiano

guy2100Candidato da oposição pela Chapa Transparência na eleição de uma endividada e suspensa Confederação Brasileira no pleito que acontece em 10 de março, Guy Peixoto esteve na semana passada na Suíça na reunião convocada pela Federação Internacional para discutir os rumos da CBB. E não gostou do que viu e ouviu. “Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade alguma de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa”, afirmou o empresário, que promete um modelo profissional ao extremo caso seja eleito.

Peixoto, de pulso firme, afirma que não assinará nenhuma carta de intenções, como queria a FIBA, autorizando a criação da força-tarefa e que reforçará a sua posição nesta terça-feira, quando seu grupo de trabalho irá se encontrar com Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte no Rio de Janeiro. “Não concordamos com isso de forma alguma. Iremos declinar. Se a FIBA quiser ajudar a nossa gestão, estamos de braços abertos, mas o restante não podemos concordar”. Confira a entrevista com Guy, que disputará a presidência da CBB contra Amarildo Rosa, da Federação Paranense, em pouco mais de 60 dias.

guy21BALA NA CESTA: Entre o que você esperava e o que aconteceu na reunião da FIBA, qual o tamanho real da sua frustração?
GUY PEIXOTO: Vamos lá. Eu esperava que na reunião me dessem oportunidade para mostrarmos propostas de solução para o basquete brasileiro, mas não foi isso que aconteceu. Os dirigentes da FIBA se resumiram a falar com o Carlos Nunes, cobrando dele ações que sabemos que ele não tomou. Eles acharam que o Nunes, depois da suspensão de novembro do ano passado, faria um plano de ação para reverter a situação, mas o presidente da CBB dizia o tempo inteiro que estava esperando as soluções da Federação Internacional. É tudo tão difícil quando o assunto é a CBB que a gente não tem conhecimento exato se a dívida é de 10, 15, 20, 30 ou 50 milhões. Ninguém sabe exatamente o tamanho do rombo, mas queria deixar claro que nós temos uma proposta para revertermos o panorama. Principalmente de dinheiro. Levamos tudo pra lá, em inglês e espanhol, mas não conseguimos apresentá-lo. Foi frustrante. Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo, levei dois companheiros de equipe para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa.

guy41BNC: Você chegou a conversar com o presidente da FIBA, Horacio Muratore?
GUY: Vou ser transparente com você, Fábio. O senhor Muratore foi muito cordial, muito solícito, bem gentil mesmo, e disse que compromissos foram assumidos e não cumpridos. Disse a ele que nunca tive nada a ver com essa gestão. Ao meu ver o erro é que eles (FIBA) colocaram em um grupo só a administração atual e os querem fazer a mudança, o nosso caso. Colocou todos no mesmo lado da moeda. Chegaram a falar coisas até pesadas. Deixei claro ao senhor Muratore que são linhas diferentes. Temos propostas, ideias e apoio da comunidade do basquete.

BNC: De longe eu tinha feito uma análise que a FIBA tentou, sem sucesso, implantar a força-tarefa no Brasil, mas não deu muito certo. É por aí mesmo?
GUY: Olha, o que eu entendi ali é que o senhor Jose Luiz Saez, o enviado pela FIBA para verificar a situação da CBB recentemente, queria fazer a força-tarefa via Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte, tal qual aconteceu no Japão e no México. Para eles da FIBA, na minha concepção, a solução seria esta. Tanto que depois eles apresentaram um documento para garantir a força-tarefa já agora. Em minha opinião, um pouco fora de propósito.

guy1001BNC: Você assinou este documento?
GUY: Bala, a eleição já está marcada. Somos independentes, é algo novo no meio do basquete, mas é a nossa postura. Não vamos seguir o comboio. Mandaram documento para todos assinarem clamando por uma força-tarefa antes da eleição. Não concordamos com isso, não dava pra assinar o documento. Nesta terça-feira há uma reunião no Comitê Olímpico, nossa equipe estará presente e iremos declinar disso novamente. Força-tarefa depois da eleição a gente também não concorda. Se a FIBA quiser fazer uma parceria para nos ajudar, estamos à disposição. Mas, caso vençamos a eleição, a gestão será de todo grupo formado pela chapa Transparência. Coloco uma mesa na CBB para que eles acompanhem a nossa administração sem problema algum. Se eles quiserem acompanhar, que fiquem à vontade, mas a responsabilidade será de quem for eleito. Tão simples quanto isso. Que fique claro: COB, Ministério, Liga Nacional e todos os demais são nossos parceiros. Mas a CBB precisa sair sozinha de onde se encontra.

guy31BNC: De verdade, me responda: o que leva um empresário com carreira bem sucedida a querer assumir uma CBB que tem quase R$ 20 milhões de dívida e uma situação de credibilidade abaixo do aceitável?
GUY: Você tem razão. Eu pensei muito antes de aceitar o desafio de me candidatar a presidência da CBB. Volto a falar. Não é o Guy Peixoto que vai resolver a situação da CBB. O que acontece é que nós formamos um grupo. É uma equipe. Assim se vence no basquete na quadra. Assim se vence fora dela. Nós montamos um grupo, uma equipe que vai trabalhar pelo basquete brasileiro. Eu apenas vou capitanear essa turma. É óbvio que a palavra final será minha, como funciona nas minhas empresas. Outro dia aliás eu fiz um comparativo. Hoje tenho 17, 18 unidades. É igual a Federação, não é? No final das contas a decisão é minha. Tudo o que tenho na vida veio do basquete. Aprendi muito, muito mesmo. Hierarquia, trabalho em equipe, liderança, raciocínio rápido. Hoje eu posso fazer o inverso. Transformar o basquete com o que aprendi no mundo empresarial. E de forma profissional, Bala. Tem que ser profissional. Não só dinheiro, mas qualidade, transparência, gestão.

guy10Quero deixar uma coisa bem clara pra você: não vou receber um centavo da CBB se vier a ser eleito. Não quero um café da CBB. Nada. Compromisso assumido meu: a CBB não paga uma passagem do senhor Guy Peixoto, hotel, absolutamente nada. Nem da FIBA eu não quis nada. Não quero. Não preciso disso e quero ajudar o basquete. Vai ser uma grandíssima mudança de gestão. Transparência total, Bala. Todo dinheiro que entrar vai ser publicado. Precisa estar aberto e com muito esforço individual e coletivo. As pessoas que estão se propondo a me ajudar sabem que é um momento de sacrifício. Precisamos voltar a fazer basquete de qualidade no país. Trem da alegria, essas coisas, acabou. Pode me cobrar. Será uma gestão de meritocracia total sempre. Onde houver gente querendo fazer basquete nós vamos estar juntos.