Bala na Cesta

Categoria : Entrevista

‘Sabíamos da importância de um para o outro’, diz Cláudio Mortari, técnico preferido de Oscar
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Fábio Balassiano

mortari1“A gente sabia da importância de um para o outro. Para mim, dele como jogador. Para ele, da minha pessoa como técnico”. É assim que Claudio Mortari começa falando sobre Oscar Schmidt, que será homenageado hoje à noite pelo Brooklyn Nets, franquia que o selecionou no Draft de 1984, no intervalo do jogo contra o Memphis Grizzlies.

Técnico venerado pelo cestinha, reconhecido por Oscar nos grandes momentos de sua carreira (discurso de entrada no Hall da Fama, por exemplo), Mortari conheceu Oscar aos 15 anos quando era técnico do Palmeiras. Colocou o menino para jogar nos profissionais e não se arrependeu: “Ele sempre foi especial. Treinava como um maluco”.

Conversei com o treinador, um dos maiores vencedores da história do basquete brasileiro e paradoxalmente fora do NBB desde a sua saída do Pinheiros na temporada passada, sobre Oscar Schmidt e muito mais.

oscar9BALA NA CESTA: Essa semana toda de homenagens ao Oscar, primeiro no Nets e depois no Jogo das Celebridades, no All-Star Game, será bem especial para ele e para as pessoas mais próximas. O que você tem sentido nestes últimos dias com tantos momentos legais acontecendo para um de seus mais reconhecidos atletas?
CLÁUDIO MORTARI: Olha, é uma grande oportunidade, um reconhecimento imenso vindo de onde vem, da NBA, então é um motivo de orgulho pra ele. Vai ser importante, vai ser lindo, disso não tenho dúvida. Sobre o Jogo das Celebridades, se eu bem conheço ele, se jogar bem ele falará que fui seu técnico. Se não meter bola, dirá que não treinou o suficiente (risos).

BNC: Nem sempre a relação de técnico-jogador é lembrada quando o atleta se aposenta. O Oscar, a todo momento, no entanto, fala em seu nome, te coloca no topo dos treinadores que teve. É bacana ter esse reconhecimento dele, não?
IMG_5420MORTARI: Eu ser lembrado sempre por ele é lindo. E tem muito disso que você disse mesmo. É muito difícil você ter técnico reconhecido por parte do atleta. Normalmente quando as vidas separam técnico e atleta cada um vai para o seu lado e a trajetória segue. Não é que seja errado, mas é assim que acontece no meio do basquete. O Oscar, de fato, sempre faz questão de sempre me ressaltar. Falou em meu nome no discurso do Hall da Fama, o momento mais importante da carreira dele. Pra você ver a grandeza do cara. Esta semana nos Estados Unidos é o coroamento de uma trajetória linda da vida profissional dele. É o ápice daquela carreira que ele traçou lá atrás. Ele é merecedor. É clichê dizer isso, mas Oscar trabalhou pra isso todos os dias da vida dele. Nunca vi alguém tão obstinado treinando. Quando soube da notícia, mandamos mensagens, nos falamos, brincamos bastante.

oscar8BNC: Há alguma passagem inesquecível que você tenha com o Oscar que consiga contar?
MORTARI: Ah, são várias. Mas eu tenho minha ética profissional e essas coisas de vestiário eu não gosto de abrir muito. Essas particularidades eu deixo pros grupos que passamos. O que marca é o reconhecimento, essa progressão dele, de acreditar aquilo que sempre trocamos de conceitos, de ideias. Conheci o Oscar quando ele tinha 15 anos lá no Palmeiras. E ele já jogava no adulto, no profissional. Tive uma calma muito grande de saber que entrariam outras pessoas na história. Amigos, empresários, imprensa, todo mundo. Tive esse entendimento muito cedo e mesmo com tudo isso não nos distanciamos. Pelo contrário. Uma vez falamos sobre isso inclusive. No nosso relacionamento sempre houve um respeito de um para com o outro. Eu sabia da história e da importância dele para meus times e ele sabia da minha importância para o desenvolvimento da carreira dele. Nunca ultrapassamos essa linha. Sempre houve um respeito mútuo muito grande.

FullSizeRender (3)BNC: Mudando um pouco de assunto. Você é um dos técnicos mais vitoriosos do país e desde a temporada passada está fora do NBB após sair do Pinheiros, clube pelo qual conquistou os títulos mais importantes do clube (Liga das Américas, Paulistas etc.). Sente falta da quadra?
MORTARI: Claro que sinto. Vejo basquete todos os dias da minha vida. Estou nisso desde os 11 anos, sou técnico desde os anos 70. Não estou dentro da quadra como técnico, mas sou professor da cadeira de basquete da Faculdade FMU. Dou aulas diariamente. Isso me mantém ativo, atualizado das coisas e na expectativa de voltar ao basquete. Estou com 67 ainda e me considero capaz para retornar. Adoro dar treino, preparar o time, desenvolver os atletas. Tenho essa vontade de voltar, sim. Não vou fugir do meio agora, né? Não sei como seria a minha vida sem o basquete. Basquete foi e é importante pra minha vida. Devo tudo a ele.

mortari1BNC: Essa questão da idade citada. Acha que pode ter saído do Pinheiros devido a isso? Ainda existe muito preconceito contra treinadores mais veteranos por aqui, né?
MORTARI: Bala, não me sinto colocado de lado. Estou bem, trabalhando, vendo jogos, estudando. Faz falta o dia a dia na quadra? Clar que faz. Para quem não vivencia o dia a dia, gosto de dizer que no esporte não há dia igual ao outro e que isso é maravilhoso. Não estar trabalhando hoje em dia é muito mais circunstancial do que outra coisa. São situações até engraçadas que acontecem no basquete. No Sírio eu tive 28 títulos com a equipe. Fui mandado embora. No Pinheiros, Liga das Américas, vice-campeonato mundial, paulistas. O clube, em mais de 100 anos, nunca havia ganho tanto. Fui mandado embora. Isso é inerente a nossa profissão. Só acho que somando prós e contras, tenho mais coisas boas a meu favor. Mas pode escrever aí: tenho lenha pra queimar ainda. Em toda a minha carreira só passei por um clube que não conquistei título. Foi na Telesp.

dois1BNC: A palavra preconceito usada na pergunta anterior talvez seja forte, mas não te causa estranheza que grandes nomes como o seu, Hélio Rubens, Edvar Simões e tantos outros estejam alijados não só do NBB, mas sobretudo do basquete brasileiro?
MORTARI: Isso sem dúvida alguma. Não sei se a palavra correta é respeito, mas falta que as entidades nos usem mais neste sentido. Você quer ver uma coisa? Você é meio doido por número, deve saber. Sabe há quanto tempo o Brasil, no masculino, não conquista uma medalha em Mundial ou Olimpíada, seja no adulto ou no profissional?

claudio1BNC: Desde os Mundiais juvenis na década de 80, né?
MORTARI: Exatamente. Eu era o técnico. Fui treinador da seleção principal, saí e depois voltei para a seleção juvenil. Não foi uma queda em minha carreira, pelo contrário. Foi um prazer danado preparar uma geração para o basquete brasileiro. O Brasil foi vice-campeão mundial juvenil em 1979. Fomos o único time que perdeu de menos de 20 pontos dos EUA em toda a competição. Quatro anos mais tarde, medalha de bronze no Mundial Juvenil da Espanha. Vencemos os espanhóis no jogo do bronze na casa deles. Foi bem emocionante. Não ser consultado é muito ruim. Temos argumentos suficientes pra contribuir. Eu, Hélio, Edvar, tantos outros. Nós tínhamos que ser mais usados.

BNC: Te preocupa a fase atual da Confederação Brasileira? Sendo suspensa de competições internacionais, impactando os clubes do NBB, dificultando a formação de novos atletas…
MORTARI: A gente lamenta que não tenha havido um acerto entre CBB e FIBA. As coisas precisam fluir normalmente, algo que não está ocorrendo. Essa paralisação é ruim pra todo mundo. Para novos investimentos, divisões menores, brasileiros de base, tudo. Está absolutamente tudo parado. É algo muito grave, mas não surpreendente para quem acompanha isso com afinco. A gente lê as notícias e fica meio chocado. O Brasil não participa de um torneio de base porque não se inscreveu. Depois só vai porque um clube serve de base e empresta metade do time e comissão técnico. Aí você para e pensa. Planejamento, cadê? Se isso ocorre com na divisão de base, que é sustentáculo de tudo, é muito grave. Nunca estivemos em uma situação tão complicada. Felizmente pra nós o surgimento da liga foi um alento total para quem trabalha com o basquete por aqui. Se não fosse o NBB, sabe lá como estaríamos. Como seria hoje se a CBB fosse a única opção? Está aí o basquete feminino pra falar. É um momento preocupante. Na minha opinião o maior problema é a falta de expectativa. Tudo isso tende a aumentar caso não melhore a gestão.

magnano1BNC: Para fechar: você sempre foi um grande crítico da maneira como a seleção brasileira estava jogando sob o comando do técnico Rubén Magnano. Não te surpreendeu, então, o resultado pífio da seleção brasileira, eliminada na primeira fase da Olimpíada, certo?
MORTARI: Não quero falar que sou contra o Magnano pessoa física. Não é isso e que quero deixar isso bem claro. O que eu acho é que o resultado da Olimpíada foi esperado. Sim, esperado. O Brasil só se classificou porque era sede. Disputou o Mundial de 2014 porque pagou pra disputar. A verdade é que o treinador não ganhou nada esportivamente a não ser o pré-olímpico de 2011. É só pegar aí. Foram participações horríveis em Copa América, por exemplo. Perdemos até da Jamaica, lembra? Nós não estaríamos na Olimpíada se não fosse o país-sede. Então, se você olhar com calma, é um retrospecto bastante ruim. O problema maior na minha concepção sobre o que aconteceu com o Magnano é que reunimos hoje três escolhas em um grupo de 12 jogadores – NBA, Europa e NBB. Nunca aconteceu isso na história do basquete brasileiro. Caras que ficam 12 meses ou jogando em metodologias completamente diferentes. Aí o que fizeram? Tentaram reunir três escolas diferentes com uma coordenação de trabalho que se diferenciava daquilo que sempre fizemos. Aquilo causava uma interrogação de como deveríamos atuar. Faltou o ponto comum de contato entre as três escolas e o que sempre praticamos. Nossos melhores momentos na Olimpíada foram quando Nenê, Leandrinho e outros foram pro jogo criativo, ativo, diferente. Sempre tivemos a nossa maneira. Desde Wlamir, Paula, Oscar, essa sempre foi a nossa tônica sempre. Faltou um entendimento maior neste sentido em minha concepção. E não falo nem da quadra apenas, mas sim que o trabalho dele deveria ser um pouco mais amplo do que só dirigir seleção brasileira. Ele deveria ter percorrido o país, visto competições, ter um trabalho mais extenso, alongado, mesmo porque fica-se muito tempo ocioso quando só se dirige a seleção brasileira.


Candidato na eleição da CBB dispara contra FIBA e rechaça força-tarefa: ‘Iremos declinar’
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Fábio Balassiano

guy2100Candidato da oposição pela Chapa Transparência na eleição de uma endividada e suspensa Confederação Brasileira no pleito que acontece em 10 de março, Guy Peixoto esteve na semana passada na Suíça na reunião convocada pela Federação Internacional para discutir os rumos da CBB. E não gostou do que viu e ouviu. “Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade alguma de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa”, afirmou o empresário, que promete um modelo profissional ao extremo caso seja eleito.

Peixoto, de pulso firme, afirma que não assinará nenhuma carta de intenções, como queria a FIBA, autorizando a criação da força-tarefa e que reforçará a sua posição nesta terça-feira, quando seu grupo de trabalho irá se encontrar com Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte no Rio de Janeiro. “Não concordamos com isso de forma alguma. Iremos declinar. Se a FIBA quiser ajudar a nossa gestão, estamos de braços abertos, mas o restante não podemos concordar”. Confira a entrevista com Guy, que disputará a presidência da CBB contra Amarildo Rosa, da Federação Paranense, em pouco mais de 60 dias.

guy21BALA NA CESTA: Entre o que você esperava e o que aconteceu na reunião da FIBA, qual o tamanho real da sua frustração?
GUY PEIXOTO: Vamos lá. Eu esperava que na reunião me dessem oportunidade para mostrarmos propostas de solução para o basquete brasileiro, mas não foi isso que aconteceu. Os dirigentes da FIBA se resumiram a falar com o Carlos Nunes, cobrando dele ações que sabemos que ele não tomou. Eles acharam que o Nunes, depois da suspensão de novembro do ano passado, faria um plano de ação para reverter a situação, mas o presidente da CBB dizia o tempo inteiro que estava esperando as soluções da Federação Internacional. É tudo tão difícil quando o assunto é a CBB que a gente não tem conhecimento exato se a dívida é de 10, 15, 20, 30 ou 50 milhões. Ninguém sabe exatamente o tamanho do rombo, mas queria deixar claro que nós temos uma proposta para revertermos o panorama. Principalmente de dinheiro. Levamos tudo pra lá, em inglês e espanhol, mas não conseguimos apresentá-lo. Foi frustrante. Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo, levei dois companheiros de equipe para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa.

guy41BNC: Você chegou a conversar com o presidente da FIBA, Horacio Muratore?
GUY: Vou ser transparente com você, Fábio. O senhor Muratore foi muito cordial, muito solícito, bem gentil mesmo, e disse que compromissos foram assumidos e não cumpridos. Disse a ele que nunca tive nada a ver com essa gestão. Ao meu ver o erro é que eles (FIBA) colocaram em um grupo só a administração atual e os querem fazer a mudança, o nosso caso. Colocou todos no mesmo lado da moeda. Chegaram a falar coisas até pesadas. Deixei claro ao senhor Muratore que são linhas diferentes. Temos propostas, ideias e apoio da comunidade do basquete.

BNC: De longe eu tinha feito uma análise que a FIBA tentou, sem sucesso, implantar a força-tarefa no Brasil, mas não deu muito certo. É por aí mesmo?
GUY: Olha, o que eu entendi ali é que o senhor Jose Luiz Saez, o enviado pela FIBA para verificar a situação da CBB recentemente, queria fazer a força-tarefa via Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte, tal qual aconteceu no Japão e no México. Para eles da FIBA, na minha concepção, a solução seria esta. Tanto que depois eles apresentaram um documento para garantir a força-tarefa já agora. Em minha opinião, um pouco fora de propósito.

guy1001BNC: Você assinou este documento?
GUY: Bala, a eleição já está marcada. Somos independentes, é algo novo no meio do basquete, mas é a nossa postura. Não vamos seguir o comboio. Mandaram documento para todos assinarem clamando por uma força-tarefa antes da eleição. Não concordamos com isso, não dava pra assinar o documento. Nesta terça-feira há uma reunião no Comitê Olímpico, nossa equipe estará presente e iremos declinar disso novamente. Força-tarefa depois da eleição a gente também não concorda. Se a FIBA quiser fazer uma parceria para nos ajudar, estamos à disposição. Mas, caso vençamos a eleição, a gestão será de todo grupo formado pela chapa Transparência. Coloco uma mesa na CBB para que eles acompanhem a nossa administração sem problema algum. Se eles quiserem acompanhar, que fiquem à vontade, mas a responsabilidade será de quem for eleito. Tão simples quanto isso. Que fique claro: COB, Ministério, Liga Nacional e todos os demais são nossos parceiros. Mas a CBB precisa sair sozinha de onde se encontra.

guy31BNC: De verdade, me responda: o que leva um empresário com carreira bem sucedida a querer assumir uma CBB que tem quase R$ 20 milhões de dívida e uma situação de credibilidade abaixo do aceitável?
GUY: Você tem razão. Eu pensei muito antes de aceitar o desafio de me candidatar a presidência da CBB. Volto a falar. Não é o Guy Peixoto que vai resolver a situação da CBB. O que acontece é que nós formamos um grupo. É uma equipe. Assim se vence no basquete na quadra. Assim se vence fora dela. Nós montamos um grupo, uma equipe que vai trabalhar pelo basquete brasileiro. Eu apenas vou capitanear essa turma. É óbvio que a palavra final será minha, como funciona nas minhas empresas. Outro dia aliás eu fiz um comparativo. Hoje tenho 17, 18 unidades. É igual a Federação, não é? No final das contas a decisão é minha. Tudo o que tenho na vida veio do basquete. Aprendi muito, muito mesmo. Hierarquia, trabalho em equipe, liderança, raciocínio rápido. Hoje eu posso fazer o inverso. Transformar o basquete com o que aprendi no mundo empresarial. E de forma profissional, Bala. Tem que ser profissional. Não só dinheiro, mas qualidade, transparência, gestão.

guy10Quero deixar uma coisa bem clara pra você: não vou receber um centavo da CBB se vier a ser eleito. Não quero um café da CBB. Nada. Compromisso assumido meu: a CBB não paga uma passagem do senhor Guy Peixoto, hotel, absolutamente nada. Nem da FIBA eu não quis nada. Não quero. Não preciso disso e quero ajudar o basquete. Vai ser uma grandíssima mudança de gestão. Transparência total, Bala. Todo dinheiro que entrar vai ser publicado. Precisa estar aberto e com muito esforço individual e coletivo. As pessoas que estão se propondo a me ajudar sabem que é um momento de sacrifício. Precisamos voltar a fazer basquete de qualidade no país. Trem da alegria, essas coisas, acabou. Pode me cobrar. Será uma gestão de meritocracia total sempre. Onde houver gente querendo fazer basquete nós vamos estar juntos.


Em alta, Lucas Mariano relembra momentos difíceis e comemora boa fase em Brasília
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Fábio Balassiano

Lucas21O Brasília que entra em quadra hoje para enfrentar o Vitória-BA em casa (20h no ginásio da ASCEB) como líder do NBB (12 vitórias em 16 jogos) tem uma surpresa para quem acompanha o time há muito tempo: nunca nas nove edições da principal competição do basquete nacional um pivô liderou a equipe em pontos. A escrita está sendo quebrada na temporada 2016/2017 graças a Lucas Mariano, que está a apenas duas partidas de chegar a 200 no campeonato.

Ele se destaca em uma equipe recheada de veteranos como Fúlvio, Giovannoni e Pilar. Tem 19,3 pontos de média, mais que o dobro dos 8,8 registrados quando atuou por Mogi sem tanto brilho em 2015/2016 e a sexta maior marca do NBB, 7 rebotes (o oitavo) e 17,5 de eficiência (o décimo), tornando-se uma ótima arma do time do técnico Bruno Savignani.

Nem todo mundo lembra, mas aos 23 anos o jovem de Planaltina (Goiás) passou por um drama três anos atrás quando perdeu seu irmão (Leonardo), vítima de um afogamento em uma piscina em Limeira, interior de São Paulo. “Ele era meu melhor amigo, meu maior incentivador, e à época foi bem difícil manter o foco”, relembra Lucas, que jogava em Franca. O tempo passou e hoje

O blog conversou com ele sobre a temporada e os próximos passos de sua carreira.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoBALA NA CESTA: Não é fácil ser, tão jovem assim, cestinha em uma equipe com tantos nomes consagrados do basquete nacional, né? Como está sendo este começo de vida em Brasília? O que mudou do Lucas que não foi bem em Mogi para o que está sendo um dos destaques deste NBB?
LUCAS MARIANO: Está sendo maravilhoso mesmo. O time está entrosado, o núcleo de fato é experiente e todos me dão muita confiança para arriscar, tentar coisas novas. Quase todos eles possuem bagagem internacional e isso dá bastante tranquilidade. Posso citar o Fulvio e o Guilherme Giovannoni, dois caras muito experientes e que ajudam muito. Sobre o que mudou, credito isso ao técnico Bruno Savignani. Estou jogando mais próximo da cesta e este é um artifício que por incrível que pareça para alguém do meu tamanho (2,07m) não usava muito. O Bruno fala bastante comigo sobre isso e em todos os demais aspectos do jogo que eu tenho que melhorar. É uma pessoa que acreditou muito em mim, disse que eu era capaz de evoluir. Devo a ele a volta da minha confiança.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoDentro de quadra é justo que eu cite quão fácil é jogar tendo um armador como o Fúlvio. Não te digo que eu daria 50% do meu salário pra ele, mas uma churrascaria por semana eu acho que ele merece (risos). O cara é fera e eu lembro de uma vez ter comentado com ele como eu gostaria de jogar ao seu lado. Ele fez uma dupla muito boa com o Murilo em São José e agora a mesma coisa se repete comigo. Está sendo um prazer jogar e aprender bastante com ele.

BNC: Pra Brasília não tem meio termo, né? O título é o foco total do time aí, certo?
LUCAS: A expectativa é o título mesmo, negar isso seria mentira. Mas sabemos que o NBB é muito equilibrado. Agora é manter o foco, conquistar o triunfo logo mais contra o Vitória, que tem a melhor defesa do campeonato, e manter a liderança que conquistamos recentemente. Queremos o mando de quadra pra termos a torcida no mata-mata e vamos lutar muito para conseguir isso. Depois, lá na pós-temporada, teremos que manter o foco para alcançarmos o nosso objetivo.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoBNC: Fora de quadra mudou algo? Sua carreira começou com um barulho em Franca, onde todos depositavam esperança, mas não foi tão bem em Mogi. O que mudou do Lucas que não foi bem em Mogi para o que está sendo um dos destaques deste NBB?
LUCAS: Mudou de tudo um pouco. O ambiente mudou pra melhor. A forma dentro e fora de quadra de eu lidar com a profissão mudou pra melhor. Conheci pessoas que me apoiaram muito. Vou de novo citar dois caras muito importante pra isso. Já conhecia o Guilherme e o Fúlvio de jogar contra, mas nunca estando no dia a dia. São caras incríveis e que deixam a gente muito à vontade. Minha vida foi muito difícil em termos de sofrimento. Já passei por várias coisas em minha vida. Posso citar também a minha namorada, Danielle. Me ajuda muito no dia a dia me passando muita paz no coração. Agradeço a ela diariamente.

lucasBNC: Sinta-se à vontade para não responder a essa pergunta, mas quando você fala em sofrimento deve citar a morte do seu irmão em 2013, certo? Você e Leonardo, claro, tinham uma ligação muito forte e imagino que o choque ainda seja sentido até hoje.
LUCAS: O Leonardo foi o maior companheiro que eu tinha na minha vida inteira. Tudo tem um começo, meio e um fim, e o meu começo foi com ele. Bem novinho, quando não tínhamos nada, dinheiro pra transporte para ir ao treino, ele sempre ia comigo andando. Foi meu parceiro da vida, de tudo, cara. Meu companheiro maior, meu braço direito, amigo, irmão. Sabe o maior significado da palavra amigo e irmão? Então, eu considero o Leo. Em todos os momentos difíceis ele estava e posso te dizer que estou onde estou hoje devido a ele. Sempre me motivou muito e segue me motivando.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoBNC: Você chegou a pensar em parar de jogar quando aquele fato ocorreu?
LUCAS: Pensei em parar de jogar, mas não neste momento porque o Leo não me deixaria fazer isso e eu não poderia frustrá-lo neste sentido. Pensei em parar de jogar antes. Sou um cara de Planaltina, Goiânia, e você deve imaginar as dificuldades que eu tive para me tornar jogador profissional. Pensei várias vezes em parar, sofri muito preconceito. Mas persisti. Em Franca, por exemplo, foi outro problema. Muita gente lá tem o basquete vindo de casa. Eu não e isso dificultou muito. Para alguns era mais fácil. Para mim, menos. Quando se é mais novo, você enxerga as coisas diferentes. Meus pais e meu irmão nunca me deixaram desistir. Eles acreditavam muito em mim e eu continuei.

Lucas31BNC: Nesta sua fase espetacular você pensa obviamente em fazer parte do próximo ciclo olímpico da seleção brasileira, certo? E Europa, NBA, também pensa?
LUCAS: Quero fazer parte desse novo ciclo olímpico, claro. Vestir a camisa do Brasil é uma alegria e uma honra. Já são vários anos batendo na trave, fiquei ali, pertinho, pertinho, e agora acho que chegou a hora. Pretendo estar nas próximas convocações. Sobre NBA, Europa ou qualquer coisa, te digo a verdade: aprendi com o tempo a viver muito o presente. Penso demais em estar na Europa, NBA, sei lá, mas eu prefiro viver do hoje, da minha vida. Meu pensamento atualmente está em dar um título pra Brasília. Depois eu penso no que vai acontecer. Se eu pudesse eu fazer tudo de uma vez eu faria, mas preciso andar devagarzinho.

BNC: Há alguém que você tenha como referencia, como ídolo no esporte?
LUCAS: Meus ídolos vêm da minha família. Eles vivem tudo comigo e pra mim. Sempre foi difícil e graças a eles eu consegui me tornar atleta profissional. Dentro de quadra, gosto muito do DeMarcus Cousins, do Sacramento Kings. Quando estive nos EUA uma vez nós treinamos juntos por um mês. O cara é sinistro, um tanque mesmo de forte e de técnico. Apanhei muito nos treinos, não tenho vergonha alguma de dizer isso. A fama dele não é a toa. Ele é doidão, mas é muito bom. Lembro que nos treinos eu não podia falar uma palavra em português porque ele não entendia nada e começava a gritar, berrar. É uma referência técnica pra mim.


Leandrinho lança aplicativo e fala sobre retorno ao Phoenix Suns na NBA
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Fábio Balassiano

app_leandrinho1Dono de carreira vitoriosa na NBA, Leandrinho, campeão com o Golden State Warriors em 2015 e eleito o melhor reserva da liga em 2007, quando registrou a média de 18,1 pontos por jogo (a maior entre a dos atletas brasileiros), fecha o ano de 2016 com uma novidade para seus fãs: o ala do Phoenix Suns lançou esta semana o “Blurbosa”, aplicativo que tem o objetivo de estreitar ainda mais seu relacionamento com o público através de conteúdos diários e exclusivos acessíveis a todos. O App está disponível na Google Play (clique aqui) e na App Store (aqui) e já pode ser baixado. Conversei com o atleta que completou 34 anos no último dia 28 de novembro sobre isso, seu retorno ao Phoenix, a recepção emocionante que ele teve recentemente da torcida do Warriors, a mudança do jogo, cada vez mais rápido, e também da crise no basquete brasileiro. Confira o papo exclusivo com ele.

leandrinho2BALA NA CESTA: Você está lançando o seu aplicativo neste final de 2016. Qual o principal objetivo desta tecnologia? O que seus fãs podem esperar acessando o App?
LEANDRINHO: Meu principal objetivo é estreitar os laços de relacionamento com meus fãs, principalmente com os brasileiros. Nem todos os meus jogos são transmitidos para Brasil e às vezes a pessoa não tem condição de me acompanhar no dia a dia. Através do ‘Blurbosa’, desenvolvido em parceria com a empresa FanHero, vou me aproximar desses fãs com um conteúdo totalmente exclusivo. Vai ser legal para as pessoas acompanharem meu cotidiano de treinos, jogos, bastidores e momentos com a família e os amigos.

leandrinho5BNC: Como está sendo esse seu retorno ao Phoenix Suns? Esta é a sua terceira passagem pela franquia (de 2003 a 2010 e depois em 2014), e você está com uma função diferente, de passar muito da sua experiência para o garoto Devin Booker (ambos na foto). É algo novo pra você, não?
LEANDRINHO: Sim, é algo novo. Estou no papel de ser o lado experiente agora. Mas lá atrás, quando eu estava começando, eu passei pelo que o Devin Booker tem passado. Então posso garantir que sei bem o que é necessário e o que é fundamental no processo de evolução e maturação de um jovem atleta. Para mim é de fato uma nova função, mas estou gostando da forma como tenho ajudado a ele e sobretudo o time.

leandrinho1BNC: Uma coisa que é impressionante é que a cada jogo que você entra o carinho da torcida do Phoenix só faz aumentar. Neste estágio da sua carreira, receber esse amor chega a ser o mais importante em sua vida profissional?
LEANDRINHO: Felizmente eu tenho a alegria e o orgulho em falar que já recebi muito carinho e amor ao longo da minha carreira tanto no Brasil como nos Estados Unidos, além dos torneios pela Seleção. É sempre diferente, especial, algo que me motiva demais. É lógico que os fãs em Phoenix têm um lugar cativo no meu coração e eu serei grato eternamente a eles por tudo que vivi e ainda vivo com a camiseta do Suns.

leandrinho10BNC: Outro ponto bacana de se falar é que recentemente você voltou a Oakland e a torcida do Golden State Warriors, time pelo qual você foi campeão em 2015 e vice-campeão em 2016, também se levantou para aplaudi-lo de forma bastante efusiva. Antes do jogo todos vieram falar com você, brincaram, te abraçaram. O que você sentiu quando, depois de 2 anos, pisou na arena como visitante?
LEANDRINHO: Um misto de saudade, orgulho por tudo que conquistamos e a incrível sensação de ter deixado um legado como jogador e como pessoa. Ver bandeiras do Brasil nas arquibancadas e ser aplaudido de pé me deixou realmente emocionado. Confesso que não esperava tamanho carinho.

leandrinho11BNC: Você está há mais de uma década na NBA e acho que dá pra perceber quão rápido está o jogo agora em relação aquele que você jogou tempos atrás. É possível explicar isso? Este tipo de jogo mais aberto, mais acelerado, te agrada, certo? Falta defesa hoje em dia, você acha? Os times têm pontuado demais, diferente do que víamos no começo dos anos 2000…
LEANDRINHO: Pelas minhas características e pelo meu estilo de jogo essa rapidez me agrada, sim. Eu acabo me encaixando com mais facilidade nas partidas. Mas não acho que falte defesa. Embora enxergue a parte tática como algo decisiva, hoje o potencial físico e técnico dos atletas é ainda maior do que era na década passada, quando comecei a jogar na NBA pelo mesmo Phoenix Suns. A diferença é esta mesmo que você citou. O jogo é menos cadenciado, mas ainda é muito forte, técnico e tático. Creio que vivemos o auge do basquete em todos os sentidos.

leandrinho100BNC: Recentemente a FIBA suspendeu a CBB devido a problemas de gestão e vimos poucas manifestações dos atletas em relação a isso. O que você tem a dizer sobre o ocorrido? Não chegou a hora de os jogadores, entre eles os mais importantes, dentre os quais você se inclui, participarem e cobrarem mais?
LEANDRINHO: Ideologicamente nem sempre todos os jogadores e dirigentes irão pensar igual. Todos queremos o melhor para o basquete brasileiro, mas nem tudo pode ser resolvido na base da cobrança. É preciso haver diálogo, planejamento, para que, enfim, possamos retomar os melhores dias do nosso basquete. Eu vejo evoluções, vejo um campeonato consolidado nacionalmente que é o NBB, times crescendo, jogadores surgindo, mas sem dúvida ainda há muito o que melhorar. E precisamos disso.


‘Time de camisa’, rubro-negro e líder do NBB: o surpreendente começo do Vitória
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Fábio Balassiano

vitoria1Quando se olha a classificação do NBB a gente vê um rubro-negro invicto na liderança da competição. A alcunha se encaixa no Flamengo, que tem 4-0 e é o atual tetracampeão da competição. Mas há outro time que veste vermelho e preto na mesma situação. É o surpreendente Esporte Clube Vitória, da Bahia, que ainda não perdeu após cinco partidas disputadas. Sob o comando do ótimo técnico Régis Marreli, treinador que foi vice-campeão com São José em 2012, os leões já despacharam Pinheiros, Brasília, Minas, Caxias do Sul e Vasco (três triunfos fora de casa, inclusive o último, em São Januário, Rio de Janeiro, na quinta-feira, por 70-60) e enfrentam o Campo Mourão na quarta-feira para manter a boa fase.

vitoria4“É surpreendente, sem dúvida alguma. Nossa realidade é para brigar para ficar entre os oito melhores, pegar uma Liga Sul-Americana quem sabe. Mas de fato o começo está sendo muito legal. O encaixe está sendo excepcional. Os jogadores se gostam e quando isso acontece é muito legal. Costumo dizer que às vezes o elenco é excepcional, mas as peças não se encaixam. Aí não tem jeito. E há o contrário. Peças menos estelares, como é o nosso caso, que se dão muito bem no dia a dia. Eu prezo muito isso. É fundamental ter um ambiente de trabalho tranquilo para melhorarmos no dia a dia”, destaca Régis Marrelli, que faz questão de citar a diferença entre o primeiro e o segundo ano do time no NBB: “O começo foi muito difícil, mas a chegada do diretor Marcelo Falcão deu outra cara pro projeto. Ano passado cheguei aqui faltando 18 dias para começar o campeonato. Não tinha camisa, academia, preparador físico, nada. Teve treino que fizemos que nem água tínhamos para beber. Esse ano temos a estrutura, tivemos treinamento, dois torneios preparatórios, um preparador físico de alto nível, o Felipe Tinoco, que veio de Macaé, e um respaldo muito grande do corpo diretivo”.

vitoria9Um dos pontos que chamam a atenção da campanha do Vitória é a equipe ainda não levou 80 pontos (a maior pontuação sofrida foi contra o Brasília nos 88-77). A agremiação tem a defesa menos vazada (71 pontos/jogo) e a segunda que menos permite tiros de fora convertidos (27,4%). Se as cinco vitórias surpreendem, o apreço pela marcação está na ordem do dia do comandante.

“Estes números que você cita não são coincidência. É o meu carro-chefe desde sempre. Coloquei pra eles na pré-temporada que teríamos que marcar e marcar muito. Temos um elenco mediano e não é vergonha alguma dizer isso. Mas se marcarmos muito bem e com inteligência podemos chegar longe. Não abro mão disso. Meus atletas sabem que se quiserem ficar em quadra têm que marcar. Diferentemente do ano passado, nesta temporada eu participei da montagem do elenco. Dentro do limite financeiro pude escolher os atletas. Todos os atletas são de médio para bons na defesa e pensei muito nisso. E, óbvio, há o mérito dos atletas, que estão acreditando. Não adianta eu querer se eles não acreditam”.

vitoria100Na ausência de estrelas, Régis faz o time correr. E correr muito. O Vitória tem 9 atletas jogando 14 ou mais minutos por jogo, o que faz com que a intensidade vista em quadra seja sempre altíssima. Além disso, são oito jogadores (Dawkins, Coimbra, André, Keyron, Renato, Kurtz, Hayes e Edu Mariano) com 7 ou mais pontos por partida e 16 assistências os 26 arremessos convertidos por jogo (ótimo índice). E Marrelli quer mais, mas mantendo sempre a serenidade.

vitoria8“É intensidade. Palavra-chave para mim e nisso o preparador físico Felipe Tinoco tem sido fundamental. Esse rodízio é o que tenho que fazer. E olha que acho que o Dawkins e o Andre Goes (armadores) ainda jogam muito tempo, mais de 30 minutos por jogo. O Arthur (ala, ex-Brasília) volta em breve e eles vão diminuir um pouco. O grande time é aquele que você não sabe quem vai ser o cestinha, o melhor. E o outro técnico também não sabe. Eu acredito muito nisso. Falta mta coisa. Estou até preocupado porque de fato nosso começo é muito bom, mas ao mesmo tempo falta uma temporada toda pela frente. Todos estão muito empolgados, mas vamos precisar manter o pé no chão. Na teoria dá pra fazer mais algumas vitórias até o final do ano, mas pensando jogo a jogo. Temos que sonhar”, revela, destacando um dos jogadores preferidos do blogueiro, o ala Andre Goes (foto), que tem 11,6 pontos e é um dos líderes da equipe retornando de grave lesão: “Sempre gostei muito de jogar com 2 armadores. Foi assim com Laws e Fulvio em São José. E aqui encaixou o Andre e Dawkins. O Andre retornou no NBB passado em Macaé, foi bem, e o vi no Paulista em Osasco também muito bem. É um cara de grupo, ótimo jogador e ótima pessoa. Está sendo muito útil. E olha que os dois, ele e Dawkins, podem melhorar muito juntos. Não consegui ainda ter um jogo de transição mais rápido. Ainda estamos muito lentos no cinco contra cinco. Nossos jogadores podem ousar mais”.

vitoria3Experiente, Régis está treinando o seu terceiro time “de camisa de futebol”. Com passagens por Corinthians e Palmeiras, ele consegue ver diferenças claras neste começo de história em Salvador.

“Passei por Corinthians, Palmeiras e agora estou no Vitória. Aparentemente são coisas parecidas, mas há uma grande diferença. O Vitória, no basquete, joga em um bairro chamado Cajazeiras, que tem 680 mil habitantes. É um bairro humilde e que tem ginásio bacana para duas mil pessoas. O que acontece é que 99% da nossa torcida é do bairro. É uma torcida muito carente de eventos, e também por isso estamos tendo muito carinho. No Vasco na semana passada eu vi a torcida e ela foi muito agressiva com atletas e comissão técnica após a derrota pra gente.

vitoria10O Vitória está muito diferente de uma torcida de futebol, digamos, normal. É tudo muito novo, eles estão aprendendo o que é o basquete e estamos adorando esse contato. São quase mil pessoas por jogo. Está sendo muito legal. É difícil até de explicar. Sentimos falta de não termos um ginásio central, porque do centro de Salvador até Cajazeiras são no mínimo 50 minutos, mas o carinho que a gente recebe da galera é lindo. E até espanta. No torneio preparatório que fizemos aqui estávamos perdendo de 20 um jogo, levamos pra prorrogação, mas saímos derrotados. Estávamos chateados, mas no final todos os torcedores estavam sorrindo, aplaudindo, agradecendo pelo empenho e pela luta. Estamos nos sentindo muito acarinhados. Não tínhamos água pra tomar em um treino. Não tinha uniforme. Agora estamos melhorando”, finaliza Régis.


Entrevista: Shamell lidera Mogi na final da Sul-Americana que começa hoje
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Fábio Balassiano

mogi3A partir das 20h desta quarta-feira Mogi das Cruzes viverá um dia especial. É neste horário que o time da cidade verá o ginásio Hugo Ramos, o Hugão, lotado, para o primeiro jogo da final (melhor de cinco) da Liga Sul-Americana contra o bom Bahia Blanca, da Argentina e treinado por Sebastián Ginóbili, irmão deste mesmo que você está pensando. O Sportv tem os direitos de transmissão do torneio e promete exibir a decisão. O jogo 2 será na quinta-feira, também em SP.

Buscando o primeiro título internacional da história do basquete de Mogi, a equipe será liderada mais uma vez por Shamell. Um dos melhores jogadores do país, o norte-americano de 36 anos sabe que não serão muitas as chances de ganhar um caneco desta relevância. Para ele, a hora é, mais do que nunca, agora. Conversei com o camisa 24 do time mogiano no último sábado, depois que da derrota contra o Vasco no Rio de Janeiro, sobre tudo isso.

mogi4BALA NA CESTA: Qual a sua expectativa para essa final da Liga Sul-Americana? Estão todos ansiosos, né?
SHAMELL: Eu espero grandes jogos. Se tiver cinco, espero cinco grandes jogos. A gente sabe que o técnico do time é irmão do Manu Ginóbili e tem uma qualidade muito boa da molecada. Os garotos jogam forte, duro, com intensidade e tem uma rotação de 10 jogadores. Nós rodamos com sete, oito atletas. Vai ser muito legal essa final principalmente porque os dois primeiros jogos vão ser em Mogi e espero ganhar. Entro sempre pra ganhar e não é diferente dessa vez. Falei com o grupo que estes primeiros dois duelos em casa são fundamentais, essenciais mesmo. A gente já faz duas semanas que vem recebendo informações, vendo jogadas, analisando o adversário. Não muito, porque tem o NBB que estamos jogando, mas cada um daqui já está estudando o Bahia Blanca com força. Nosso foco é fazer história para Mogi.

guerra2BNC: Como está sendo esse começo de convivência com o Guerrinha?
SHAMELL: Está sendo ótimo! Ótimo mesmo. Ele é um cara muito seguro, muito objetivo e muito prático também quando passa as instruções para nós, atletas. Ele fala as coisas de forma verdadeira e pronto. Se você jogou mal, ele vai com cuidado, mas fala o que precisa ser falado. Ele tem experiência e deixa o clima tranquilo. Você vê. Nós perdemos uma partida jogando mal (contra o Vasco), estávamos sem pivô e ele estava nos cobrando para jogarmos o melhor que poderíamos jogar. É assim que ele é. Mesmo perdendo de 30 ele está tranquilo. Ele é um, não sei como se fala em português, um player’s coach (Nota do Editor: Técnico que conhece bem os jogadores). Sabe conversar, passar as coisas diretamente pra você e isso é muito bom. Pra mim está ótimo, estou gostando. Ele sempre fala pra mim: “Shamell, você não precisa mostrar nada pra mim e eu não preciso mostrar nada pra você. Só preciso te ajudar, te facilitar a ser o melhor atleta que você puder ser em quadra”. Como ele jogou 20 anos na seleção, ganhou várias vezes, depois ótimo técnico em Bauru, ele sabe bem o que está falando.

mogi1BNC: Antes do NBB coloquei você como o MVP no palpitão
SHAMELL: (me interrompendo) Ah, Bala, minha namorada falou, ela leu lá, mas eu nem sei. É tanto campeonato que eu nem sei direito o que estou jogando (risos). Entra em quadra, é bola diferente, é regulamento diferente, é cada coisa que confunde tudo (risos). Mas, Bala, obrigado. Só que vou te dizer uma coisa: o que eu quero mesmo é jogar a final do NBB. O resto não me importa. A gente chegou tão perto nos dois últimos anos, acho que agora estamos preparados para dar o próximo passo. A gente viu o gostinho disso de perto no último campeonato, quando tivemos o jogo 4 contra o Flamengo em casa e não conseguimos matar, e creio que agora chegou a nossa hora. Falta alguma coisinha, mas agora temos todas as condições e creio que iremos chegar lá também. A chegada do Caio Torres, pivô forte, foi muito importante para times que têm bons arremessadores, como é o nosso caso.

cbb1BNC: Nessa maluca semana passada que pegou o basquete brasileiro com a suspensão da CBB, o que um norte-americano há tanto tempo no Brasil conseguiu pensar disso tudo?
SHAMELL: Eu fico triste, triste mesmo. O NBB está elevando o basquete a um nível muito alto, muito alto mesmo. Eu peguei o começo das coisas aqui e dá pra ver uma evolução muito grande. Aí você lê uma notícia como é da suspensão e você fica triste, triste mesmo. Tenho muita fé no basquete do Brasil. Foi aqui que, para o basquete profissional, eu fui criado e sou muito grato ao país por causa disso. É um absurdo o que acontece, Bala. Você escreve lá no seu blog, a gente lê. São R$ 17 milhões de dívida, não é isso?

mogi10BNC: Sim, de acordo com as análises do balanço ao final de 2015 eram R$ 17 milhões mesmo…
SHAMELL: (balança a cabeça) R$ 17 milhões! Cara, R$ 17 milhões de dívida. Nossa. Não é um, não são dois, que você resolve buscando um patrocinador, por exemplo. Mas, cara, R$ 17 milhões? Como assim? Como deixaram chegar a isso? É um absurdo! Você acha que isso vai acontecer nos EUA por exemplo? É uma coisa muito louca, muito vexatória. E aí quem sofre, você sabe quem é? São os jogadores.

BNC: Mas você sabe, muita gente acha que a imprensa gosta dessas notícias. Não é verdade. Falo por mim e odeio das este tipo de informação. É chatíssimo. Gosto de ver jogo, de falar da quadra, dos craques, mas aqui é impossível porque o lado de fora interfere no que a gente vê no dia a dia do esporte…
shamell10SHAMELL: E você está certíssimo. Tem que ficar em cima mesmo. Mesmo notícia ruim a gente tem que ficar sabendo o que está acontecendo. Se com jornalistas entrevistando, ficando em cima, está difícil, imagina e se ninguém fosse em cima dos caras. Você quer ver um exemplo? Se eu faço um jogo, vou lá e agrido um árbitro, o que acontece? Sou suspenso, né? Vou ter que pagar pelos meus atos, pelas minhas ações. É igualzinho que deveria acontecer. Se você está devendo R$ 17 milhões, tem muita coisa errada. Não pouca, Bala, mas muita coisa mesmo. Aí agora, como você vai buscar esse dinheiro? E agora? Quem sofre? A gente. Jogador, técnico, dirigente, imprensa. E agora pior ainda, porque Flamengo e Bauru podem não jogar a Liga das Américas. Ganharam o direito na quadra. Basquete brasileiro dominou o continente em três dos últimos quatro anos e agora não poderemos manter essa hegemonia por causa de um absurdo dos dirigentes. A gente pode ser campeão da Liga Sul-Americana e não atuar na Liga das Américas pelo mesmo motivo. É triste, um absurdo mesmo.


Feliz no Vasco, Nezinho projeta NBB após primeira vitória do time em casa
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Fábio Balassiano

nezinho1Na tarde deste sábado estive em São Januário para ver Vasco x Mogi, jogo válido pelo NBB. Após duas derrotas consecutivas (Brasília e Campo Mourão), o time cruzmaltino jogou muito bem, dominou do início ao fim e bateu os mogianos por 94-70 (primeiro triunfo da equipe no Rio de Janeiro no campeonato), ganhando a sua segunda partida em quatro encontros. No final conversei com Nezinho, armador de 35 anos, um dos principais reforços do elenco para a temporada e autor de 22 pontos e 7 assistências de uma ótima atuação.

nezinho23BALA NA CESTA: Queria que você falasse do jogo, da importância da vitória. Hoje o Vasco se soltou, né?
NEZINHO: É, cara, a gente começou o NBB muito mal. Mesmo lá em Minas, onde vencemos na prorrogação, não fizemos uma partida legal. Depois em Brasília, acho que nunca havia perdido daquela maneira. E na quinta-feira contra Campo Mourão nós tivemos uma postura defensiva boa, mas corremos totalmente errada. No treino de sexta-feira o técnico Christiano ajustou tudo e hoje (sábado), sim, fizemos uma grande partida. Mogi fez 34 pontos no primeiro tempo, 36 no segundo e acho que é daí pra cima. A equipe ainda tem muito a melhorar.

nezinho13BNC: Como está sendo a sua chegada ao Rio de Janeiro? Sua adaptação, a família, essas coisas…
NEZINHO: Estou adorando a cidade. Antes vinha pra cá, jogava e ia embora. Agora minha mulher está amando tudo e falou: “Daqui a gente não sai nunca mais”. Espero que fique aqui muito tempo. Eu moro ali na Lagoa Rodrigo de Freitas (Zona Sul do Rio de Janeiro), em frente às quadras de basquete, minhas filhas vão sempre pra lá brincar. Estou conhecendo o Rio de Janeiro agora e estou curtindo muito. Tinha outra imagem, mas agora vivendo você aprende a gostar e a amar essa cidade. Se minha família está feliz eu estou feliz.

nezinho80BNC: Você nunca tinha jogado em um time, digamos, de camisa, né? Diferente mesmo ou balela?
NEZINHO: Não, não. É bastante diferente. Você joga no interior de São Paulo, você conhece todo mundo, mas é o time da cidade. Aqui, não. A pessoa escolhe o time que ela quer torcer e segue isso. O Vasco é muito grande, e aqui do lado tem o Flamengo. Então a rivalidade cresce, a pressão existe. Eu sempre via as finais de Vasco x Flamengo, e eu disse isso ao nosso diretor Fernando Lima, com Maracanazinho lotado, e agora espero poder jogar lá com os torcedores vendo a partida. Estou muito feliz e poder realizar esse sonho, quem sabe no jogo 3 da final do Estadual, para o grande público.

nezinho78BNC: Você jogou aqui no Rio de Janeiro para um grande público. No Maracanazinho, pelo Ribeirão Preto, né? Você lembra, claro…
NEZINHO: Lembro, claro! Tinha 18, 19 anos. Era muito novo, jogamos contra o Vasco mas infelizmente pra mim não vencemos. Era jovem, não entendia bem o que representava aquilo tudo, aquelas emoções. Agora podendo estar aqui, quero aproveitar e desfrutar ao máximo essa experiência. Não quero ficar jogando com portão fechado, com torcida única. Isso é chato. Quero jogar lá pra torcedor do Flamengo, pra torcedor do Vasco. O basquete não pode perder essa oportunidade, não. Flamengo venceu muita coisa recentemente. Vasco está chegando agora com força. Não podemos perder isso porque ano que vem a gente não sabe o que pode acontecer.

nezinho100BNC: Essa semana foi agitada fora de quadra. O que você, atleta sentiu com a suspensão da FIBA à CBB e por consequência ao basquete brasileiro?
NEZINHO: Cara, quando eu vi a notícia eu estava com a minha esposa. Vi o celular, meio que não acreditei e mostrei a ela. Fiquei muito triste, porque eu vi acontecer no México, em outras ligas muito abaixo do que o Brasil é no âmbito mundial. Isso é um desrespeito, é uma vergonha pra gente que vive de basquete. Já que aconteceu, e era pra ter acontecido antes porque está uma bagunça há muito tempo, já que você sabe bem e viveu naquela época que o Campeonato Nacional da CBB não terminou. Muitos times, e eu joguei em um deles, o COC/Ribeirão Preto, fecharam as portas. Se não tivesse acontecido aquele absurdo provavelmente a equipe estaria lá até hoje. Já vem coisas de muito tempo. Teve que vir pessoa de outro país para intervir aqui na nossa situação e eu espero que seja pra melhor o que está por vir. Mas que seja rápido, porque não pode atingir clubes como Flamengo, Bauru e quem sabe Mogi, que se ganhar a Liga Sul-Americana não poderá atuar na Liga das Américas. Isso tudo pode desanimar ainda mais os patrocinadores, como aconteceu com o COC, que era uma potência. É muito ruim pro esporte. Espero que venham decisões rápidas e que sejam para o melhor do basquete. A gente merece respeito.


Em ano pré-Draft, Lucas Dias lidera o seu novo clube, o Paulistano, no NBB
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Fábio Balassiano

lucas2Entrevistei Lucas Dias há menos de cinco meses. Ele acabara de trocar o clube que o formou como atleta, o Pinheiros, pelo maior rival, o Paulistano. E por um motivo singelo: queria se sentir incomodado, instigado, desenvolvido no time dirigido pelo técnico Gustavo de Conti, um dos melhores do país. O jovem de 21 anos entra em um ano fundamental para a sua carreira, o último antes de ele poder participar da seleção do Draft da NBA, com a missão de seguir evoluindo, de liderar um time diferente daquele em que este nos últimos seis anos e também de mostrar melhoria em aspectos importantes de seu jogo como defesa e parte física. Conversei com ele sobre a temporada do NBB que começa para seu novo time no próximo domingo contra o Mogi fora de casa.

lucas1BALA NA CESTA: O que você pessoalmente está esperando para este NBB jogando pelo Paulistano? Quão diferente é este campeonato pra você em relação aos outros que você disputou?
LUCAS DIAS: Estou esperando fazer um bom campeonato. Sei que a temporada passada foi boa, foi legal, mas esse ano vai ser bem diferente. Estou vestindo outra camisa, sei que a responsabilidade que tenho dentro do grupo será grande, algo diferente de todos os outros NBB’s que eu disputei. Nesta temporada terei isso no Paulistano, de liderar o grupo apesar de ser um dos mais jovens do time. O Gustavo de Conti, o técnico, me deu esse papel, conversou comigo e me mostrou o que espera neste sentido. Vai ser bem diferente do que os outros que disputei pelo Pinheiros. Neste campeonato terei que puxar o time, liderar a equipe dentro e fora da quadra, então estou tendo que melhorar isso nos treinos para fazer um ótimo NBB, que é o que eu desejo para fazer com que o Paulistano chegue ao lugar que o clube merece, que é lá no topo. Estou treinando bastante para isso.

lucas2BNC: Você me disse recentemente em uma entrevista a mim que saiu do Pinheiros para o Paulistano porque estava buscando o incômodo, uma pessoa que conseguisse expor seus problemas para corrigir. Como tem sido este começo no CAP? Poderia falar de sua rotina de treinamentos, de seus específicos, da melhora no seu lado físico?
LUCAS: Realmente é isso, Bala. Saí do Pinheiros porque não queria mais ficar na minha zona de conforto. No começo do Paulistano vou te confessar que foi bem difícil se adaptar à nova realidade. É uma rotina bem diferente daquela que fazia no Pinheiros. É uma rotina mais forte em relação ao aspecto físico. No começo ficava cansado mais rápido até por voltar de uma lesão no joelho, então foi tudo diferente em relação aos outros anos que tinha vivido no Pinheiros.

lucas1No Paulistano os profissionais cobram muito isso de todos os atletas independente de que tipo de atividade você vai fazer. Se vai chutar, se vai à academia, se vai correr é preciso estar 110% focado e dando o máximo naquilo que estiver trabalhando. Isso no começo foi difícil mas em uma semana já estava no ritmo. Hoje posso te dizer que estou bem melhor do que estava antes. Consigo ver uma evolução mais rápida por aqui tanto na parte física quanto na parte técnica. Estou muito feliz de fazer parte do clube e de conseguir estar me desenvolvendo como atleta. Todo dia acordo bem cedo e às 9h30 já estou na academia. Às 10h15 vou para a quadra fazer um trabalho técnico específico. Depois há os treinos com a equipe. Hoje em dia eu só tenho tempo de descansar das 14 às 16h30, no máximo. Às 18h já tem o outro treino do dia. E sabe uma coisa, Bala? Estou curtindo muito o processo todo pelo qual estou passando! São dias puxados, tem dias que chego em casa realmente morto, mas estou me saindo muito bem e sinto a evolução a cada segundo.

gustavo11BNC: O técnico do CAP é o Gustavo de Conti, um dos melhores e mais exigentes treinadores do país. O que ele mais tem te passado neste começo de trabalho e o que mais você aprendeu com ele neste curto período? Folga é uma palavra praticamente proibida, né?
LUCAS: Sem dúvida o Gustavo é um dos melhores técnicos do país. Isso ninguém tem a menor possibilidade de contestar. Quando fui para o Paulistano todo mundo disse pra mim que o Gustavo tinha um jeito diferente de cobrar dos jogadores e nesse pouco tempo desde que ele chegou da seleção, após as Olimpíadas, eu aprendi muitas coisas com ele. O aspecto que ele mais demanda de mim é a defesa. Ele sempre falava que quando jogava contra mim, comigo estando no Pinheiros, sempre me via marcando em pé, que sempre queria me dar umas dicas mas não podia.

gustavo1Nos treinamentos ele cobra muito de mim na defesa e também na parte de liderança. No Paulista já melhorei bastante neste sentido e sei que há espaço para mais e mais. Estou me sentindo muito à vontade e muito bem no clube. Outra coisa que ele fala pra mim é de ficar mais forte fisicamente. Por isso a importância de todo trabalho que tenho feito na academia. O jogo internacional tem mais contato, e tenho visto isso na Liga Sul-Americana. No Paulista todo mundo falou pra mim que a postura já estava bem diferente, principalmente neste lado de marcação. Estou jogando mais pesado, mais duro. O Gustavo cobra muito de mim, na hora que precisa dar bronca ele dá e na hora que precisa elogiar ele também o faz. Estou muito feliz com os aprendizados que tenho tido ao lado dele e com a convivência diária com ele e toda comissão técnica. Folga a gente quase não tem mesmo, mas esse é o caminho certo. Fiz a escolha certa ao vir pra cá. Estão me tratando muito bem por aqui e estou muito feliz de estar participando deste grupo com ele.

lucas3BNC: Ano passado você teve temporada incrível pelo Pinheiros, foi All-Star mas este ano liderará um time pela primeira vez. É muito diferente? Como você tem trabalhado este lado de liderança? Tem conversado com jogadores mais experientes, como o Shamell, que é seu amigo, para saber qual a melhor maneira de lidar com isso ou vai aprender no dia a dia mesmo?
LUCAS: Realmente a temporada passada foi muito boa mas é bem diferente, sim, liderar um time. É um papel muito difícil para qualquer jogador. É uma responsabilidade diferente e tenho visto que preciso estar pronto para o desafio não só dentro, mas também fora de quadra. No começo foi difícil chegar e me impor para o grupo. Precisava mostrar que não era mais um no grupo, mas sim uma figura importante. Estou buscando o máximo de informações neste sentido. Conversei muito sobre isso com o Jhonathan e com o Renato sobre isso. O Jhonathan era um dos líderes do Paulistano ano passado e o Renato foi assim em São José. Eles falam muito comigo sobre isso. Converso mais com os jogadores do meu time mesmo. Aprendo muito no dia a dia com os meus companheiros de time e também com a comissão técnica. O Guilherme, pivô, e o Paulão, que chegou recentemente para jogar de pivô no nosso time, também já me dão uns toques legais. Cada dia que passa eu aprendo uma coisa nova. Estou me sentindo muito confiante e melhorando a cada dia.

BNC: Este é o seu último ano que você pode se candidatar ao Draft da NBA, que sabemos ser o sonho de todo e qualquer atleta de basquete. É muito difícil controlar a ansiedade e tentar catalizá-la para o lado positivo, ou seja, para que você jogue cada vez melhor e mostre aos Times da NBA Que é, sim, um jogador com talento para estar na liga?
lucas6LUCAS: Fico pensando um pouco nisso, sim. É impossível dizer que não. Penso, sim, se vou ter uma oportunidade, se não vou ter, se dará certo, essas coisas. Estou com cabeça boa, estou fazendo de tudo e aí vem outra coisa que o Gustavo me cobra muito – ficar forte mentalmente. Quando tiver a oportunidade eu precisarei estar pronto para agarrá-la. Um bom exemplo disso é o Cristiano Felício. Ele saiu daqui, tentou ir para a NBA pelo Draft, não deu certo, muita gente não acreditava nele, mas ele persistiu e hoje faz parte da rotação fixa do Chicago Bulls. Só ele sabia que poderia estar lá. Ele é um grande exemplo pra mim. Estou com minha cabeça tranquila, D’s sabe o que faz. Se for pra acontecer de ir para a NBA em 2017, muito bem. Se não rolar, vou seguir trabalhando duro. Tenho um futuro bacana pela frente, e para isso acontecer terei que trabalhar ainda mais pesado do que estou fazendo agora. Estou tentando melhorar nos meus fundamentos do jogo e em todos os outros aspectos – o físico, o mental, o tático, tudo. Pode ser que ainda não esteja, hoje, preparado para jogar com regularidade na NBA, mas confio que posso chegar lá. Se rolar, muito bem, mas primeiro preciso pensar no meu campeonato com o Paulistano e vou usar esse meu sonho como motivação para treinar mais, mais e mais para alcançar meu objetivo. O que for pra ser será.

BNC: De um ano pra cá deu pra perceber uma mudança positiva muito grande em você. Está mais maduro, mais focado, mais concentrado no que deve ser feito. As dificuldades dos últimos meses, a sua troca de clube, a entrada em um time que você não conhecia praticamente ninguém, apenas o Georginho, fizeram com você amadurecesse de que maneira? Onde você busca inspiração e força para seguir forte mentalmente?
lucas10LUCAS: Realmente é muito difícil você sair de um local onde você está há seis anos e conhece todo mundo. Aí você sai e vai para outro local onde não conhece ninguém. Não é fácil não, Bala. Você não conhece ninguém, não sabe se vai dar certo, se vai ser legal, se iria me arrepender. Conversei muito com meu agente, com minha família e foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida até hoje. Era algo que precisava passar para crescer. Não é só treino, mas sim raça, força de vontade. O Georginho está lá comigo, é um amigo, mas é mais na dele, quieto. Hoje estou mais focado, não posso mais baixar a guarda. Se eu ficar brincando nos treinos nada do que eu fiz no passado vai ter valido. Tem essa expectativa do Draft para 2017 e tenho que treinar muito. Busco essa força de vontade que você cita na minha família mesmo. Minha mãe é uma inspiração pra mim. Saí de casa com 14 anos e lembro como foi complicado passar meu primeiro final de semana sem ela, Bala. Passei fome algumas vezes quando gastava mais dinheiro do que deveria. Sempre busco motivação neste sentido. Ela está sendo fundamental neste recomeço aqui no Paulistano. Outra coisa importante é que no Pinheiros eu era muito mimado mesmo. Quando os caras encostavam em mim eu ficava bravo e não tinha nada a ver. No Paulistano eu já aceito mais esse contato e estou pronto para isso. Fiz a melhor escolha para a minha carreira. Vai ser um grande ano pro clube e para mim também.


Vice Presidente da NBA, brasileiro Gustavo de Melo detalha próximos passos da liga
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Fábio Balassiano

gustavo1Conversar com Gustavo de Melo é sempre uma aula. Não só de basquete, mas de comunicação, negócios, marketing, gestão de carreira. Ano passado eu o conheci no NBB Marketing Summit, em São Paulo, e no deste ano eu repeti a dose porque um bom aluno não desperdiça uma excelente oportunidade de conversar com um ótimo professor. Falei com o Vice-presidente de Marketing, Estratégia e Integração da NBA sobre os próximos passos da liga norte-americana e muito mais. Confira a entrevista da seção Negócios do Basquete.

gustavo5BALA NA CESTA: O que vocês estão planejando para essa temporada 2016/2017 da NBA que já pode contar pra gente?
GUSTAVO DE MELO: Nesta temporada iremos fazer, em termos de comunicação, a evolução do posicionamento “This is why we play”. O primeiro ano teve resultados incríveis e a receptividade global foi muito positiva. Na verdade a gente ficou mesmo devendo conteúdo, porque as pessoas pediam mais conteúdo. O nosso escritório pedia, os países solicitavam, mas existe uma limitação de recurso mesmo para a NBA. Uma das coisas mais importantes da campanha foi que quando a gente falava “This is why we play” as pessoas imediatamente internalizavam a mensagem e começavam a falar pra gente a maneira como elas se relacionavam com a NBA. A gente tentou fazer a evolução da campanha usando mais a narração em primeira pessoa para justamente demonstrar principalmente como os jogadores, que são os nossos astros mais visíveis, possuem histórias muito mais profundas de como o basquete não é só um jogo de chegar na quadra e arremessar bola. Todos os jogadores são resultados de vidas, de objetivos e como o basquete satisfaz, de ângulos diferentes, a vida de um fã, de um jogador, tudo. O que acontece dentro da quadra é o reflexo de todos esses seres humanos que têm histórias incríveis. Eles trazem essas qualidades pessoais para colocar dentro de um jogo fantástico.

gustavo23BNC: Vai sair do “We Play” (nós jogamos) para o “I Play” (eu jogo)?
GUSTAVO: Não vamos sair. A gente usa a primeira pessoa do plural de propósito. As histórias vão ser mais individuais, pessoais, mas a ideia é ainda termos uma noção de que somos todos da mesma família. Por isso o plural.

BNC: Uma coisa que tem me chamado a atenção é que a NBA tem passado por uma transição de grandes nomes para outros. Como é em toda Era, é claro, mas agora está acontecendo com as saídas de Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e proximamente de Paul Pierce, que já anunciou a aposentadoria. E aí estão vindo Steph Curry, Russell Westbrook, Kyrie Irving, Kevin Durant, entre outros de uma geração, digamos, millenium, como se tem chamado essa nova turma. Como a liga pretende transmitir a mesma mensagem mesmo com personagens tão diferentes e para uma geração de fãs também tão distinta?
GUSTAVO: É um pouco daquela dúvida de ovo ou da galinha, né? Quem vem primeiro? A liga é assim porque a gente é assim. A liga permite que os jogadores sejam o que querem ser, mas a gente deixa eles serem do jeito deles. Só que como temos um jogo muito exposto ao público os jogadores da NBA aprenderam que eles são uma marca mundial. Acho que eles são muito cientes disso. O atleta da NBA entende que tem uma marca pessoal, não só de ganhar dinheiro, mas do que ele e sua vida representam. E nós temos o compromisso de estar junto com o nosso fã. Nós temos uma noção de transportar o que acontece na quadra que deve acontecer do lado de fora. Então a gente apoia muito isso.

gustavo7A NBA tem um departamento específico para conversar com os jogadores sobre isso, para mostrar os caminhos e quão importantes eles são. Você vê agora todos os protestos sociais que acontecem nos Estados Unidos. A gente dá liberdade para os atletas. E eles entendem que a liga é acima de tudo um negócio. A gente sempre é muito aberto para qualquer experimento e os atletas sabem disso. Além disso, e tentamos colocar nas peças das finais, temos um impacto muito grande na vida das pessoas. A NBA tem um impacto cultural muito maior do que impacto cultural que se percebe da NBA. A gente está começando a falar e a mostrar ao mundo a importância que a liga tem para que nos tornemos mais visíveis. E temos espaço para isso. Nós no mundo estamos muito bem mas ainda somos a terceira liga dos Estados Unidos. A gente acabou de fazer uma pesquisa mundial e sabemos exatamente que outras coisas ocupam o tempo dos nossos fãs e como podemos ser melhores. No Brasil a gente fala muito sobre futebol e é o papo de segunda-feira no escritório. O basquete também pode fazer isso. Dá pra mostrar, por exemplo, que a camisa 23 mudou pra sempre a história de um cara. A 10 do futebol é a 23 da NBA e vice-versa. Você vê a 23 em qualquer contexto e lembra do Michael Jordan. Então são coisas muito maiores do que a gente falava ultimamente. A gente não é arrogante mas a gente é confiante. Estamos aproveitando o impacto social para mostrar o poder da nossa mensagem.

gustavo8BNC: Acho que te perguntei algo parecido ano passado, mas vale repetir. Do lado pessoal, como é ter saído do Brasil e agora estar trabalhando em uma liga tão pra frente, tão inovadora, tão desejada? Quando você olha pra trás e pra frente dá pra dizer um “caramba, que legal que estou nesse mercado”?
GUSTAVO: É assim: mesmo quando eu tenho um dia ruim é melhor do que todos os outros que eu passei profissionalmente. Porque eu estou discutindo basquete. Não sei se te contei essa história. Antes de ir para a NBA um dos meus maiores clientes era uma companhia de seguros dos Estados Unidos, a State Farm. Aí recentemente eu estava com a Pam El, que era minha cliente na época da agência e quem me contratou para trabalhar na NBA, em uma reunião na Nike vendo produtos para o All-Star Game e ela olhou para mim e disse: “Isso me lembra os dias em que a gente estava na State Farm passando as apólices de seguro em cima da mesa”. E aí os dois começaram a rir, porque é exatamente isso. Não estou falando mal, nada, mas a gente todos os dias precisa se dar um beliscão porque eu estou andando no escritório e o Kevin Durant passa por lá. Já tive reuniões pessoais com jogadores que estão já pensando no que farão depois da carreira e na minha cabeça a gente pensa em pedir um autógrafo, né? Estou discutindo coisas da minha vida, da minha carreira e os caras estão parando para prestar atenção. Em várias ocasiões no final do papo eles me dizem um “cara, você me inspirou”. Isso é gratificante.

butler1BNC: Teve algum nome que você pode citar em que isso aconteceu?
GUSTAVO: Caron Butler, por exemplo. O cara é campeão da NBA (Dallas, 2011), tem uma história belíssima. Ele me disse isso há dois meses na minha sala olhando pra mim. Ele disse: “Gustavo, eu nunca tinha compreendido a complexidade do marketing. Estou buscando o que vou fazer depois da minha carreira de atleta e você está me inspirando demais”. E perguntou que livros eu li e recomendo, como agi em uma determinada situação, essas coisas. Eu nunca imaginei que isso fosse ocorrer, né? E aconteceu devido às conexões certas e também porque eu nunca tive medo de colocar as coisas que eu penso. Sempre digo: a felicidade do cliente, do seu chefe, é uma consequência de você ser correto, profissional e dar as recomendações certas. E é isso que aconteceu comigo. Nunca esperava e por isso eu me belisco todos os dias. As aplicações de trabalho da NBA são mais competitivas do que entrar na Universidade de Harvard. Então eu tenho muita noção da sorte que eu tenho de estar em um ambiente e em uma empresa como a NBA.


Após ano sabático, Tom Thibodeau quer levar Minnesota ao topo da NBA
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Fábio Balassiano

thibs1Durante os treinos da seleção norte-americana nas Olimpíadas uma voz era a mais ouvida por todos que frequentaram o ginásio do Flamengo, no Rio de Janeiro. Era a de Tom Thibodeau, verborrágico treinador que estava empolgado por de novo voltar a dar treinos (“depois de quase um ano parado estar em uma quadra de novo é maravilhoso”). Após saída do Chicago Bulls, Thibs optou por ficar um ano afastado até que o convite do Minnesota Timberwolves chegou. E não foi qualquer convite. Ele foi convidado para assumir como técnico e também como presidente de operações de basquete, tendo assim o controle completo da parte esportiva da franquia. Conversei com ele sobre o trabalho de reconstrução que ele fará com o Wolves, que hoje enfrenta o Memphis em casa em busca da primeira vitória na temporada (até agora tem 0-2).

thibs1BALA NA CESTA: O que você pessoalmente está esperando desse Minnesota Timberwolves? Imagino que deva ser animador pegar uma franquia que tenha dois nomes como Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns, jovens tão talentosos assim…
TOM THIBODEAU: É animador, claro, mas justamente por ser um elenco muito jovem não dá para pular etapas. Temos um trabalho importante a fazer e vamos trabalhar ponto a ponto, capítulo a capítulo. É muito importante criarmos a nossa própria identidade, e vamos trabalhar nisso dia após dia até chegarmos lá. O sucesso de times como Spurs, Cleveland, Clippers e Warriors não vem do dia pra noite, mas sim de um trabalho de longo tempo, planejado e organizado. Além disso sei que precisamos desenvolver as habilidades dos atletas e fazer com que eles estejam comprometidos com o projeto que temos pela frente em Minnesota. Quando estava recebendo ofertas de trabalho eu sabia que poderia ser desde um time em reconstrução, passando por de meio de tabela e quem sabe até os candidatos ao título. O que me chamou a atenção no Wolves foi poder fazer parte de algo longo, histórico e ao mesmo tempo de poder ensinar essa garotada algumas coisas que aprendi ao longo da carreira.

thibs1BNC: O nome que mais chama a atenção no Minnesota é o do Karl-Anthony Towns, pivô que foi escolhido o calouro do ano em 2016. Quão bom pode ser esse cara sob seu comando?
THIBODEAU: Ele teve uma incrível temporada como novato, isso ninguém tem dúvida. Mas o melhor de tudo é que ainda há muito espaço para melhora no Karl como atleta. Ele tem apenas 20 anos! Mais do que jogar bem é importante que ele e Andrew Wiggins compreendam os seus papeis de líderes da equipe, algo muito importante. Ambos sabem de suas responsabilidades neste sentido e terão que dar o exemplo neste sentido. Vão crescer muito, isso não tenho medo nenhum em te afirmar. Karl tem 20 anos, como te disse, e Andrew, apenas 21. Imagine por quanto podemos ser fortes com os dois jogando juntos e muito bem. É realmente muito encorajador pensar no que esta franquia pode ser em pouco tempo.

thibs11BNC: Você já deve ter parado pra pensar nisso, né? Você foi assistente do Minnesota em 1989 quando a franquia veio para o Draft de expansão da NBA e volta agora como o técnico e presidente da franquia justamente quando o Wolves quer dar um passo importante em sua história…
THIBODEAU: Isso mostra como eu estou velho, não? Outro dia estava comentando com o Coach K que o mais incrível disso tudo é que quando estava no Minnesota em 1989 a maioria dos meus atletas nem nascidos estavam. Por isso eu tenho um carinho enorme pela cidade. Foi lá que tudo começou e é lá que quero ficar por muito tempo.

thibs2BNC: Como foi o seu ano longe do basquete? O que você aprendeu, o que conseguiu fazer que não fazia antes e quão bom pessoalmente foi ter se afastado um pouco do basquete?
THIBODEAU: Ir ao cinema durante o dia foi maravilhoso. Poder desligar de um jogo de basquete que eu não queria mais ver, também. Passar as festas como Natal e Thanksgiving com minha família era algo que estava em dívida e consegui pagar. Pessoalmente falando te digo que foi maravilhosa a chance que eu tive para refletir, recarregar as energias e obviamente poder visitar uma série de times também. Às vezes temos a oportunidade de dar um passo atrás e ter uma visão diferente das coisas. Tirei vantagem desse período para melhorar como pessoa também.

thibs3BNC: Quantos times você visitou exatamente?
THIBODEAU: Fiquei uma semana em 13 times. Em alguns deles eu voltei para mais uma semana…

BNC: Visitou Spurs, Warriors, Clippers, times que serão seus rivais de conferência nessa temporada, imagino…
THIBODEAU: (Risos) Essa é a parte engraçada da história. Quando eu fui não tinha oferta na mesa e obviamente se tivesse as portas não se abririam tão fácil. Quando fui contratado pelo Minnesota eu recebi mensagens de alguns técnicos, em tom de brincadeira, me dizendo que terão que mudar boa parte das jogadas por minha causa. Mas isso faz parte do basquete e foi muito bom ter visto sistemas de jogo diferentes, novas formas de visualizar o basquete e como os outros treinadores trabalham no dia a dia.

thibs30BNC: Outra coisa que vi que você fez foi ter ido ao SLOAN, o maior evento de ciências do esporte nos EUA. Para um cara que é visto por muita gente e que fique claro que eu não concordo com essa definição, como antiquado, old-school, digamos assim, é uma baita novidade, hein…
THIBODEAU: O esporte mudou e todos precisamos mudar para nos adequarmos a ele. Fui ao SLOAN para aprender e me chamou a atenção o que vi lá sobre a questão de aperfeiçoamento de arremessos. Hoje o basquete é tão estudado, tão detalhado, que qualquer percentual a mais nos arremessos que seu time consegue atingir é uma vantagem enorme. Por isso eu fiz questão de contratar o Peter Patton, especialista de arremessos, para nos ajudar neste sentido. Não dá mais para dirigir um time como se fazia dez, quinze anos atrás.

kat1BNC: Um dos motivos que levaram a sua saída do Chicago Bulls foi bater de frente com a diretoria. Ser técnico e presidente de operações era algo que você estava buscando?
THIBODEAU: Não estava querendo exatamente isso, mas obviamente foi um desafio que veio e eu quis encarar. Não terei tempo de ser tudo ao mesmo tempo, e para as funções de fora da quadra eu contratei o Scott Layden, que veio do San Antonio Spurs, para me auxiliar com este trabalho digamos mais operacional e na tomada de decisões. Vai ser realmente novo para mim e estou disposto a encarar a oportunidade como algo bem enriquecedor para mim.

thibs10BNC: Por fim, uma pergunta: você é visto, e isso eu concordo, como um técnico muito exigente, muito demandante, que leva seus atletas à loucura em alguns momentos. Você vai diminuir um pouco este ritmo por dirigir uma galera mais jovem que nem sempre está acostumada a duras cobranças?
THIBODEAU: Concordo que sou um cara exigente. Mas sou exigente porque lidei e aprendi com os melhores. Não há sucesso sem treinamento além do esperado. Quem quer ser grande no esporte precisa ultrapassar limites diariamente. Mas respondendo à sua pergunta, a resposta é sim, continuarei demandando meus atletas neste sentido. O pessoal de Minnesota já sabe disso desde a entrevista de emprego e creio que foi também por isso que me contrataram. Não faz sentido mudar neste aspecto. Dirigi pessoas como Kevin Garnett, Rajon Rondo, Joakim Noah, Luol Deng, entre outros, que me mostraram dia após dia que quanto maior o comprometimento com a profissão, com o time, com a vida profissional, maiores são as chances de sucesso. Não é segredo algum, e eu te digo que quem negligencia isso no mundo esportivo de alto nível jamais chegará ao máximo de suas capacidades técnicas. É o meu lema de vida e eu não consigo admitir que alguém que tenha muito talento deixe de ser excepcional no que faz por preguiça ou algo do gênero.