Bala na Cesta http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br Análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais. Thu, 19 Jan 2017 08:00:23 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.5 ‘A gente trabalha’, diz João Fernando Rossi, presidente da Liga Nacional, após anunciar Nike http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/19/a-gente-trabalha-diz-joao-fernando-rossi-presidente-da-liga-nacional-apos-anunciar-nike/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/19/a-gente-trabalha-diz-joao-fernando-rossi-presidente-da-liga-nacional-apos-anunciar-nike/#comments Thu, 19 Jan 2017 08:00:23 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44264 rossi1João Fernando Rossi estava exultante na noite de segunda-feira. O evento que oficializou o patrocínio da Nike à Liga Nacional de Basquete seria o seu primeiro grande ato como presidente da LNB. Recém-eleito para o cargo mais importante da instituição que organiza o NBB, ele conversou com o blog a respeito da chegada de mais um apoiador para a entidade, do bom momento vivido pela Liga, que acumula quatro patrocinadores de peso (Caixa, Avianca, Sky e Nike), e da ainda não digerida suspensão dada a FIBA à CBB que acabou vitimando os clubes, impedidos de jogar a Liga das Américas, por tabela. Antes de começar a entrevista, Rossi sacou da sua mochila o livro “A marca da vitória”, de Phil Knight, fundador da Nike. Abriu um sorriso e disse: “Adoro a história da empresa, a marca esportiva mais valiosa do mundo, e me preparei muito para este evento de hoje”.

nbb1BALA NA CESTA: Mais do que o que representa, que ficou claro durante a sua fala e também a do Marcelo Trevisan, diretor da Nike, queria saber o seu sentimento com a primeiro grande cesta de três pontos da sua gestão.
JOÃO FERNANDO ROSSI: Realmente a vinda da Nike soma às empresas que já haviam se tornando parceiras do NBB, mas não dá pra negar que é a cereja do bolo do mundo esportivo. É a maior marca do mundo, e com certeza só vai ajudar. Chancela a Liga, o nosso trabalho, os próximos passos.

rossi1BNC: O que a Liga Nacional espera exatamente com essa parceria? Muita gente vai falar sobre a questão dos uniformes dos times, mas não é exatamente isso que vocês buscam, pelo que ficou meio claro aqui, certo?
ROSSI: A entrada da Nike vai nos ajudar em três pilares: Liga de Desenvolvimento (LDB), Jogo das Estrelas e NBB. Em cada pilar a gente vai trabalhar sempre com desenvolvimento. Gostamos muito da questão de incluirmos a LDB, pois a LDB é o futuro do basquete. Gosto de dizer que 43% dos jogadores que estão atualmente no NBB passaram pela Liga de Desenvolvimento, motivo de muito orgulho para nós. No Jogo das Estrelas, que tem tudo a ver com a Nike, os uniformes serão da empresa. O NBB é onde você vê tudo isso consolidado. Mais do que natural que eles estejam presentes lá.

NBB2BNC: Já falei isso aqui e volto ao tema com você. Momento de retração econômica total. E a Liga Nacional emplaca quatro patrocinadores em menos de 12 meses. É um recado, Rossi? Um recado de que vale a pena investir no NBB e de que vocês estão trabalhando sério?
ROSSI: Sem dúvida que sim. A mensagem que fica, em um momento de crise financeira e política, é de que nestas situações o melhor a se fazer é sempre olhar melhor, com mais cuidado, os seus investimentos. E eu não tenho dúvidas que os investidores, dos clubes e a Liga Nacional, estão escolhendo o NBB porque é um ótimo retorno. Não gostamos de nos vangloriar, você sabe disso, mas hoje em dia o NBB é uma referência em termos de gestão esportiva. A gente não fala. A gente trabalha buscando a excelência, o crescimento, o desenvolvimento da modalidade. Agora, nós temos que, com toda humildade, reconhecer o que a gente representa no cenário esportivo não só brasileiro, mas latino-americano.

lnb1BNC: Você sabia que essa pergunta viria. Vocês lançam Nike, Jogo das Estrelas em São Paulo, Caixa investindo, Sky renovando, mas daqui a 15 dias começa a Liga das Américas sem os clubes brasileiros. Fica um gosto amargo por ver que, independente do belo trabalho que vocês vêm realizando, o cenário internacional não poderá ser habitado nesta temporada?
ROSSI: Na realidade nós estamos suspensos através da CBB. A punição foi para a Confederação Brasileira e acabou nos impactando de forma direta. Nós tentamos conduzir tudo da melhor maneira possível, mostrando que os clubes seriam impactados e que de fato não poderiam pagar pelos problemas da Confederação, mas infelizmente não deu certo ainda. Somos uma Liga que normalmente nos damos bem tanto com a FIBA quanto com a CBB, mas acabou que nossos clubes acabaram de tornando os únicos punidos pela Federação Internacional. Eu acho assim: nós temos que respeitar a punição, mas não podemos nos acostumar com isso. Não é normal que os clubes brasileiros fiquem de fora de uma Liga das Américas sem ter a menor culpa no cartola. Porém devemos respeitar as decisões e é isso que estamos fazendo. É uma decisão da FIBA e só cabe a ela rejeitar.

nbb1BNC: Você falou no Podcast BNC, mas agora já começou um pouco mais a sua gestão e dá pra retomar o assunto. É a área de marketing / comunicação que será seu foco maior neste primeiro momento de gestão?
ROSSI: Eu já vinha com uma boa atuação quando era vice-presidente nos últimos dois anos. A prioridade é a manutenção de todos os investimentos, mas de fato iremos acelerar em comunicação e em marketing. E te explico isso muito facilmente. Porque nós estamos crescendo. Com os parceiros novos que estão chegando, nós precisamos ampliar conteúdo, impactar mais gente. Dá pra perceber que com esse número de pessoas nós já estamos chegando ao limite, de profissionais dentro da liga. O investimento em recursos humanos tanto em marketing quanto em comunicação será intenso.

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Como um armador baixinho e desprezado no Draft virou o novo ídolo do Boston Celtics na NBA http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/18/conheca-a-fabula-de-isaiah-thomas-craque-de-175m-do-tradicional-boston-celtics-na-nba/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/18/conheca-a-fabula-de-isaiah-thomas-craque-de-175m-do-tradicional-boston-celtics-na-nba/#comments Wed, 18 Jan 2017 03:00:37 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44171 kyrieNo dia 23 de junho de 2011 todos os olhos daquele Draft estavam em Kyrie Irving e Derrick Williams. De Universidades renomadas (Duke e Arizona, respectivamente), eles seriam escolhidos nas duas primeiras posições por Cleveland Cavs e Minnesota Timberwolves. Primeiro a selecionar, o Cavs mandou ver em Kyrie, e vocês sabem o que o camisa 2 tem feito em Ohio desde que entrou na liga. O Minnesota não teve muita dúvida e foi em Derrick Williams logo depois. Enes Kanter, Tristan Thompson, Jonas Valanciunas, Jan Vesely, Bismack Biyombo, Brandon Knight, Kemba Walker e Jimmer Fredette seguiram a ordem das primeiras dez posições em uma noite que teve uma das trocas mais incríveis da história da NBA. O Indiana pegou George Hill, armador, mas despachou o seu pick, um rapaz chamado Kawhi Leonard (décima-quinta posição) para o San Antonio Spurs. Três anos depois Kawhi seria não só campeão, mas MVP das finais de 2014 com a franquia texana. Dois anos depois o Pacers mandaria Hill pra Utah.

isaiahO Draft seguiu, nomes como Klay Thompson (o décimo-primeiro) surgiram, fechou a sua primeira rodada com Jimmy Butler, do Chicago Bulls, mas segundas rodadas normalmente aparecem gringos que serão emprestados pelas franquias da NBA para a Europa. E assim a noite de 23 junho ia acabando. Nas posições 54, 56, 57, 58 e 59, só estrangeiro (Milan Mačvan, da Sérvia, Chukwudiebere Maduabum, da Nigéria, Tanguy Ngombo, do Catar, Ater Majok, da Austrália, e Ádám Hanga, da Hungria) e ao que tudo indicava a última escolha daquele dia iria pelo mesmo caminho. Mas é o Sacramento Kings, sabe como é. Os caras são diferentes – para o bem ou para o mal. E havia um baixinho disponível ainda. Era Isaiah Thomas, de 1,75m e produto da Universidade de Washington. Como assim alguém que teve três temporadas seguidas com no mínimo 15 pontos de média seria ignorado? Os dirigentes da Califórnia matutaram isso, viram que só tinham Tyreke Evans como armador no elenco e pensaram em Isaiah para ser reserva de Evans. Era uma opção. A última opção. E assim foi feito.

isiah3Um fato interessante sobre o nome da escolha de número 60 é que ele foi dado devido a uma aposta. Seu pai James, cujo time do coração era o Los Angeles Lakers, perdeu uma brincadeira para um amigo cujo time era o Detroit Pistons, do craque Isiah Thomas. James, então, prometeu que seu filho teria o nome do craque do time rival. E assim foi feito, mas com uma ressalva. A futura mamãe gostava do nome, mas não exatamente pelo basquete. Tina gostava da pronúncia que lembrava a do nome bíblico de um profeta e cujo significado era salvação. Entre a aposta do pai e o desejo bíblico da mãe, o casal Thomas se acertou em pagar a aposta com um asterisco. Nascia em 7 de fevereiro de 1989 Isaiah Jamar Thomas em Tacoma, Washington. E querem ver uma coisinha engraçada? Meses depois do nascimento de Isaiah os Lakers perderam a final para o Detroit, de Isiah.

Isaiah3Sua carreira na NBA começou no banco. Muito banco. Até o dia 26 de dezembro ele sequer havia pisado na quadra. Foi quando o técnico Keith Smart chamou Isaiah para fazer a sua estreia contra… o Los Angeles Lakers, time do pai. Foram 13 minutos, 5 pontos e 2 assistências. No dia seguinte contra o Portland, mais 11 minutos e 6 pontos. No começo de 2012, a primeira partida com mais de 10 pontos de sua carreira. Diante do Memphis em 3 de janeiro, 15 pontos em 16 minutos. Menos de 10 dias depois, a primeira vez com 20 pontos (contra o Toronto em 11/01). Não se tratava, obviamente, de um jogador de segunda rodada como os outros que a liga conhecia.

Isaiah31A temporada seguiu, Isaiah mostrou que não era apenas um baixinho atrevido, tornando-se, na verdade, uma grandíssima e importante arma vindo do banco. Rápido, corajoso, ótimo drible e excelente controle de bola, ele era um inferno para as defesas adversárias, forçando imensos ajustes de cobertura por parte dos rivais e obviamente criando espaços para seus companheiros. O jovem de 22 anos emplacou até uma sequência de oito partidas seguidas com 10+ pontos entre 15 de fevereiro e 2 e março em 2011. No final da temporada, as médias de 11,5 pontos, 4,1 assistências e 25,5 minutos chamavam a atenção, mas na verdade eram diminuídas pelo seu começo com poucos minutos. No total foram 22 dos seus 65 jogos somando 15 ou mais pontos. A fábula da carreira do pick 60 de 1,75m que jogaria muito bem na NBA virava realidade quando, depois do All-Star Game de 2012 Thomas não seria apenas um reserva, mas sim titular da equipe.

Isaiah311Nos dois anos seguintes, a consolidação. Em 2012/2013, 13,9 pontos e 4 assistências em 79 partidas (62 como titular). Em 2013/2014, 20,3 pontos e 6,3 assistências em 72 jogos (54 como titular). Pra azar do Kings, era seu último ano de contrato e o baixinho chamava a atenção. O Phoenix decidiu pagar US$ 27 milhões por 4 anos para reforçar o seu perímetro e o Sacramento preferiu não cobrir a oferta. A ideia que parecia ser boa, porém, acabou se tornando trágica para o Suns, que teria Goran Dragic, Eric Bledsoe e Isaiah disputando espaço, minutos e o vestiário na armação. A franquia precisaria escolher um ou dois deles. E parecia sobrar para Thomas, que nem estava tão mal assim (15,2 pontos em 46 jogos vindo do banco). Logo depois Dragic foi despachado para Miami, ficando apenas Bledsoe por lá.

Isaiah23No dia 19 de fevereiro os rumores se confirmaram. Boston enviou Marcus Thornton e mais um pick para ficar com o baixinho. O primeiro jogo dele vestindo verde (adivinhem) foi contra… o Los Angeles Lakers. Ao todo, 21 pontos vindo do banco, mas uma discussão com a arbitragem fez Isaiah ser expulso. Entrando no vestiário, o camisa 4 pensou que seria repreendido, mas um profissional da comissão técnica o puxou pelo ombro, deu-lhe um abraço e disse: “Cara, ser expulso contra o Lakers logo na estreia? A torcida do Celtics vai amar você. Não abaixe a cabeça”. O menino ouviu. Nos 21 jogos daquela temporada, 19 pontos e 5,4 assistências vindo do banco.

isaiah2No ano seguinte, em 2015/2016, o técnico Brad Stevens lhe conferiu a armação titular. Caberia ao rapaz de 1,75m comandar um dos times mais tradicionais da história da NBA. E como Isaiah Thomas respondeu? Com 22,2 pontos e 6,2 assistências em 32 minutos de média. E sendo um All-Star. E sendo ídolo de uma franquia. E sendo ídolo e principal referência de uma equipe como o Boston Celtics, maior ganhador da NBA.

O roteiro do filme, ou da fábula, já estaria de ótimo tamanho, mas Isaiah, que ainda recebe o salário daquele acordo com o Phoenix Suns que vai até 2017/2018 (é apenas o quinto mais bem pago do Boston na temporada), queria mais para a temporada 2016/2017.

Isaiah4Ficou feliz quando Al Horford foi contratado por quase US$ 120 milhões/4 anos, mas aquele já era o seu time – e continuaria sendo. Na temporada 2016/2017 são 28,4 pontos, 6,1 assistências e 34 minutos de média, um absurdo total e deixar até mesmo Isiah Thomas, mito do Pistons, de boca aberta. O cara é simplesmente o quarto maior cestinha da melhor liga de basquete do planeta, à frente de bambas como Steph Curry, Kevin Durant, DeMar DeRozan, DeMarcus Cousins, Damian Lillard, Lebron James, entre outros. Repito: isso com 1,75m e sendo o pick 60 do Draft de 2011. No Boston Celtics.

Isaiah36Já seria uma história e tanto, não? E se eu disser a vocês que ele é o cestinha do Boston com mais de 10 pontos de vantagem em relação ao segundo maior pontuador da equipe (Avery Bradley tem 17,7 de média)? E se eu disser a vocês que o baixola coloca os Celtics como terceiro time do Leste com 26-15? E se eu disser a vocês que no dia 30 de dezembro ele fez 52 pontos, sendo 29 no último período (maior marca da franquia)? E se eu disser a vocês que desde 19 de novembro o rapaz não tem NENHUMA partida com MENOS de 20 pontos?

Isaiah73Não sei se há história melhor nesta temporada 2016/2017. Um rapaz de 1,75m que tem o nome dado por causa de uma aposta vai pra NBA na última posição do Draft, começa no Sacramento, assina contrato milionário com o Phoenix, é despachado para o Boston, onde a pressão é enorme, mas lá vira ídolo. E que ídolo. Antes do campeonato disse que Isaiah não era armador de time campeão, embora o achasse espetacular. Se ele será campeão nesta liga ainda não dá pra saber, mas o cara é um vencedor. Vencedor que está desmentindo todo mundo que ainda teima em duvidar de sua capacidade desde 2011. Isaiah, corajoso ao extremo, está no caminho para colocar os verdes entre os melhores do Leste – e quem sabe avançar pesado com o elenco na pós-temporada

Baixinho atrevido, craque de bola, All-Star em 2017 mais uma vez e candidato, sim, a MVP da temporada. Que belíssimo roteiro de vida, e de filme, tem Isaiah Thomas.

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Liga Nacional fecha acordo com a Nike e dá outro passo rumo a consolidação do NBB no país http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/liga-nacional-fecha-acordo-com-a-nike-e-da-outro-passo-rumo-a-consolidacao-do-nbb-no-pais/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/liga-nacional-fecha-acordo-com-a-nike-e-da-outro-passo-rumo-a-consolidacao-do-nbb-no-pais/#comments Tue, 17 Jan 2017 15:00:38 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44159 NBB2Foi anunciado ontem em São Paulo, em evento no Soul Sports Bar que contou com a presença de atletas (Lucas Dias, Shamell e Alex Garcia), imprensa e dirigentes, mais um acordo da Liga Nacional de Basquete (LNB). E um mega acordo.

A entidade que organiza o NBB, mais importante campeonato de basquete do país, agora será patrocinada pela Nike, maior marca esportiva do planeta, pelos próximos quatro anos. Detalhes, como o aporte financeiro, não foram divulgados, mas sabe-se que a empresa de material esportivo terá placas de publicidade nos ginásios em partidas do NBB, presença na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LNB), estampará a sua conhecida logomarca nos uniformes do Jogo das Estrelas (o próximo será em São Paulo em 18 de março) e será importantíssima no intercâmbio tão necessário para a modalidade crescer no país. É bom deixar claro desde já, pois sei que a dúvida é uma das principais de vocês: neste primeiro momento os clubes NÃO vestirão Nike nos jogos de temporada regular. A parceria, portanto, é institucional para o campeonato (produto), não para as agremiações.

rossi1“Para a LNB, é uma honra fechar uma parceria com a maior empresa esportiva do mundo. É também uma felicidade muito grande ter um parceiro que visa investir junto à Liga no desenvolvimento da modalidade no Brasil. Já são nove anos desde a fundação da LNB e temos certeza que com a chegada da Nike vamos conseguir alavancar ainda mais nosso crescimento dentro e fora das quadras”, declarou na coletiva de imprensa João Fernando Rossi, presidente da Liga Nacional de Basquete. Rossi estará neste blog em entrevista exclusiva nos próximos dias.

nbb1Não sei se vocês têm a real noção disso tudo, mas vou tentar mostrar a vocês. Em um momento de retração econômica do país e com Confederações esportivas desesperadas com a perda de seus patrocinadores, a Liga Nacional consegue enfileirar o seu quarto patrocinador em menos de 12 meses (e o terceiro da iniciativa privada, algo que a gente sempre pondera como sendo a melhor situação do mundo pois não há a dependência dos “humores” do Estado). Isso sem falar, claro, na NBA, que se tornou parceira em 2014. Antes (conforme figura ao lado e post feito por este blogueiro em março de 2016) vieram Caixa, patrocinadora-máster, Sky, que renovou o compromisso com a LNB recentemente, e Avianca. Isso, é óbvio, não é um resultado da noite para o dia, mas sim o reflexo de anos e anos de construção do produto NBB como uma marca forte, de credibilidade imensa, transparente e cujo valor de mercado cresce a cada dia.

nbb1Mais do que isso: o anúncio divulgado em São Paulo nesta segunda-feira vem a exatos 12 dias do final da suspensão da Federação Internacional à Confederação Brasileira de Basketball (e consequentemente ao basquete do país). Está bem claro, mais uma vez, o que coloquei aqui na semana passada: se tem alguém querendo fazer a modalidade se desenvolver no país, esta instituição chama-se Liga Nacional de Basquete (LNB).

nbb4Por fim, reitero: há problemas, há erros, há falhas, mas os diretores, o corpo executivo e seus funcionários da Liga Nacional tentam sempre acertar, melhorar, transformar o basquete nacional, que não era bom nove anos atrás, quando o NBB foi fundado, em algo ótimo para torcedores, clubes, imprensa, patrocinadores, sociedade etc. . A chegada de uma gigante como a Nike, que deve ter rigorosos processos para fazer qualquer aporte financeiro em times / entidades esportivas, comprova que o caminho trilhado pela LNB é o mais correto de todos.

Demoram, sem dúvida, mas os frutos acabam sendo colhidos por quem trabalha de forma séria, organizada, planejada e com seriedade. Parabéns à Liga Nacional de Basquete por mais essa conquista.

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Infância sem pai e mãe viciada em drogas – como Dwyane Wade se tornou ídolo na NBA http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/infancia-sem-pai-e-mae-viciada-em-drogas-como-dwyane-wade-se-tornou-idolo-na-nba/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/infancia-sem-pai-e-mae-viciada-em-drogas-como-dwyane-wade-se-tornou-idolo-na-nba/#comments Tue, 17 Jan 2017 07:00:05 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44211 wade1Três vezes campeão da NBA pelo Miami Heat, MVP dos playoffs em 2006, 12 vezes All-Star, cinco vezes finalista, vezes medalhista de ouro com a seleção norte-americana (2008), jogando no time de sua cidade natal (o Chicago), considerado um dos melhores de todos os tempos e com mais de US$ 150 milhões recebidos em salários em mais de uma década no melhor basquete do mundo. Dwyane Wade comemora 35 anos hoje, mas sua vida nem sempre foi fácil. O craque do Bulls, que enfrenta nesta noite o Dallas Mavs em casa, teve uma infância sofrida ao ser abandonado pelo pai logo depois de nascer e ter a mãe, presa diversas vezes, viciada em heroína, álcool e cocaína. O esporte literalmente foi a sua tábua de salvação.

wade20Nascido em Chicago em 17 de janeiro de 1982 no South Side de Chicago, Dwyane Tyrone Wade é filho da conturbada relação de JoLinda e Dwyane Wade Sr. Aos 18 anos, em 1977, JoLinda já tinha dois filhos. Cinco anos mais tarde viria o (agora) mais famoso dos rebentos. Wade Jr. nasceu em um bairro pobre, e segundo ele mesmo conta em seu livro “A Father First” não foram poucas as vezes que ele viu corpos baleados jogados em um lixão a poucos metros de sua casa. Se isso não fosse o bastante, com 4 meses de vida seus pais se separaram. A relação com seu pai passaria a existir, na verdade, quase uma década depois. Divorciada, JoLinda se mudou para a casa da mãe, mas as dificuldades financeiras logo apareceram. Afundada em dívidas, a mãe da família tornou-se viciada em drogas que variaram de cocaína, heroína a álcool.

wade3Posso dizer que algumas vezes em minha vida eu vi as agulhas em volta da minha casa. Elas eram utilizadas pela minha mãe para consumir drogas. Eu em muitas ocasiões vi minha mãe fazer uso delas antes de as agulhas ficarem soltas pela casa. Eu vi um monte de coisas que minha mãe nem sabia que tinha visto quando criança“, contou Wade em seu livro. Aos 6 anos, a criança viu a polícia invadir a sua casa em busca de sua mãe, que cometera inúmeros delitos. Aos 9, sua irmã mais velha, Tragil, mentiu pra ele: disse que iriam ao cinema ver o novo filme da Disney, mas na verdade os dois foram mesmo para a nova casa do pai. Dwyane Wade Sr, sargento do exército, havia se casado pela segunda vez e passado a morar em Robbins, um vilarejo de 5 mil habitantes nas cercanias de Chicago. Naquela altura, o jovem Wade se cercaria de mais cuidados, conseguiria ir a escola de forma mais tranquila e passaria a jogar os dois dois esportes favoritos dele – basquete e futebol americano. O contato com a mãe, porém, diminuiria. JoLinda tentava se recuperar em clínicas de reabilitação e trabalhos voluntários, mas em 1994 foi presa por tráfico de drogas (crack e cocaína). Cumpriu as penas, mas descumpriu algumas regras e só saiu em definitivo em 2003, quando o filho acabara de entrar na NBA. A relação de mãe e filho ficou abalada e hoje é apenas cordial, amistosa. O mesmo não se pode dizer da com o pai. Wade Jr. e Wade Sr. se dão muito bem frequentemente o patriarca é citado pelo jogador do Bulls em entrevistas.

wade200Destaque no segundo grau do Harold L. Richards, em Illinois, Dwyane Wade, já com quase 1,90m de altura aos 16 anos, recebeu um convite do técnico Tom Crean para jogar na Universidade de Marquette. Era a sonhada bolsa de estudos que poderia mudar a sua vida. Naquela época, Wade diz que nem pensava em ser jogador profissional de basquete, mas sim em ter um diploma universitário que possibilitaria uma vida diferente a sua família. Logo em seu primeiro ano na faculdade, uma notícia não muito boa: o ala-armador não poderia entrar em quadra porque suas notas eram muito ruins. Acostumado a situações complicadas, Wade não se abalou, entrou em um sistema de monitorias e na temporada 2001/2002 poderia estrear. Suas médias de 17,8 pontos como calouro logo chamariam a atenção dos times da NBA. No ano seguinte, em 2002/2003, os 21,5 pontos e a ida ao Final Four universitário encantariam a ninguém menos que Pat Riley, um dos manda-chuva do Miami Heat.

wade100Técnico do Lakers de Magic Johnson nos anos 80, Pat Riley fez de tudo para selecionar Wade no Draft de 2003. Ficou feliz quando, com a quinta escolha, pode levar o camisa 3 para a Flórida, onde o atleta ficaria muito ligado à comunidade, sendo um dos jogadores mais carismáticos da equipe e sempre pronto para os conhecidos trabalhos sociais da NBA.

A partir daí, os resultados de Dwyane Wade falam por si. Já são 13 temporadas na NBA, e em todas elas o jogador de 1,93m que em 2016/2017 estreia vestindo a camisa do Chicago Bulls de sua cidade-natal teve no mínimo 16 pontos de média. Além dos títulos, ele tem a distinção de ser o maior ídolo da história da franquia Heat, de onde saiu justamente porque Riley não quis pagar US$ 20 milhões por ano. Os Bulls quiseram, o camisa 3 não se sentiu valorizado e decidiu mudar de ares. Em seu retorno, as homenagens foram muito emocionantes (veja vídeo abaixo).

wade3000Muito ligado a família, Wade é pai de três filhos (Zaire, Zion e Xavier), é casado com a atriz Gabrielle Union e muito conhecido por suas ações de filantropia. Tem uma fundação, a “The Wade’s World Foundation”, participa anualmente das ações ZO’s Foundation, de seu ex-companheiro Alonzo Mourning, reconstruiu bibliotecas públicas e doou mais de US$ 1 milhão para reconstruir o ginásio da Universidade de Marquette.

Campeão na quadra, Wade sempre gosta de dizer que é um sobrevivente devido às dificuldades vividas em sua infância.

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Podcast BNC: NBA na Globo, Derrick Rose sumindo no Knicks e Korver no Cavs http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/16/podcast-bnc-nba-na-globo-derrick-rose-sumindo-no-knicks-e-korver-no-cavs/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/16/podcast-bnc-nba-na-globo-derrick-rose-sumindo-no-knicks-e-korver-no-cavs/#comments Mon, 16 Jan 2017 15:00:46 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44142 SuperIngressos

globo1No programa desta semana falamos da chegada da NBA à TV Globo. Vai ser bom? Ou há algo pra ficarmos preocupados? Abordamos também o famoso “mim acher” de Derrick Rose no New York Knicks, a contratação de Kyle Korver por parte do Cleveland Cavs, a subida de produção do Utah Jazz e, vejam só vocês, a volta de Allen Iverson às quadras.

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NBA na Globo terá Hortência e deve contar com Tiago Splitter; narrador ainda é incógnita http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/16/hortencia-vai-comentar-finais-da-nba-na-globo-e-pode-repetir-dobradinha-com-tiago-splitter/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/16/hortencia-vai-comentar-finais-da-nba-na-globo-e-pode-repetir-dobradinha-com-tiago-splitter/#comments Mon, 16 Jan 2017 07:00:44 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44216 globo1Na semana passada você leu aqui que a TV Globo exibirá as finais da NBA pela primeira vez em sua história em 2017. E a emissora, que terá até quatro jogos da decisão da principal liga de basquete do planeta exibidos em melhores momentos, já escolheu o formato das transmissões: obviamente um narrador, ainda sem confirmação, e fazendo as análises das partidas um comentarista e um convidado especial. O primeiro nome confirmado é o de Hortência Marcari, campeã mundial com a seleção brasileira em 1994, medalhista de prata em Atlanta (1996) e membro do Hall da Fama.

hortencia2Após ter feitos ótimos comentários durante os jogos de basquete no Rio-2016 a Rainha, que fez parte do Time de Ouro de comentaristas da emissora, renovou o seu vínculo com a TV Globo por mais um ano e poderá participar de todos os eventos relacionados a modalidade não só no canal aberto (Globo), mas também no Sportv (TV fechada) e Globo.com (internet). A primeira experiência de Hortência com a NBA será no All-Star Game de Nova Orleans, entre os dias 17 e 19 de fevereiro as atrações (Desafio dos Calouros, Torneios de Enterradas, Habilidades e Três pontos, além do Jogo das Estrelas) pela Globo.com, que tem os direitos de transmissão do evento.

hortenciaaaa“Estou muito feliz com mais este desafio em minha carreira. Gostei muito de ter comentado durante as Olimpíadas e agora surgiu esta oportunidade de comentar não só a NBA na Globo, mas também no Sportv e Globo.com . O brasileiro ama basquete, e tenho certeza que será um sucesso total fazermos com que um produto tão maravilhoso como a liga norte-americana se aproxime de tantos pessoas”, afirmou Hortência ao blog neste domingo.

tiagoUm dos comentaristas será um atleta da NBA na atualidade será o convidado especial das transmissões, e o nome que surge com mais força é o de Tiago Splitter. Ele comentou a Olimpíada de 2016 pela emissora no Rio de Janeiro e foi muitíssimo bem. Seu nome só será confirmado, no entanto, quando (e se) o Atlanta Hawks for eliminado de todas as pretensões de título antes das finais. No momento o brasileiro encontra-se lesionado, não tendo atuado ainda na temporada 2016/2017, e seu time possui a campanha de 23-17, estando na quarta posição da conferência Leste.

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A magia de Fúlvio e o crescimento de Lucas Mariano na vitória de Brasília contra o Flamengo http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/15/a-magia-de-fulvio-e-o-crescimento-de-lucas-mariano-na-vitoria-de-brasilia-contra-o-flamengo/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/15/a-magia-de-fulvio-e-o-crescimento-de-lucas-mariano-na-vitoria-de-brasilia-contra-o-flamengo/#comments Sun, 15 Jan 2017 11:40:57 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44145 fulvio11Todo Brasília x Flamengo (ou Flamengo x Brasília) é especial. É o maior clássico do NBB, são os dois únicos times que já venceram a competição (três pros brasilienses e cinco pros rubro-negros), os investimentos são altos, a rivalidade é imensa e vira e mexe temos bons jogos. O de ontem, transmitido ao vivo pela Band pra todo Brasil, não fugiu a regra. E ele será lembrado pela boa presença de público (mais de 4 mil pessoas), pela consolidação de Lucas Mariano (24 pontos – falarei mais dele a seguir) e pela magia do armador Fúlvio, principal responsável pela vitória de Brasília por 95-83. Com o resultado, os cariocas seguem na liderança, mas agora têm 11-2 e são vigiados ainda mais de perto pelos candangos, que somam 11-3 e vêm de quatro vitórias consecutivas.

fulvio1Sobre Fúlvio, quem olha seus números (9 pontos e 9 assistências em 28 minutos) pode achar que ele não teve tanta interferência assim no jogo de ontem. Mas neste caso os números mentem. Disparado o melhor passador do Brasil há no mínimo uma década, ele coloca seus companheiros SEMPRE em ótimas posições de arremesso, posiciona seu time muito bem em quadra, dita o ritmo (acelera, trava, pressiona o adversário etc.) e ainda consegue pontuar quando necessário. Ele fez isso tudo ontem, e com um adicional incrível de que ele saiu para se tratar após um choque com o adversário. É óbvio que aos 35 anos ninguém espera que ele seja um virtuoso físico, mas a sua visão de quadra impressiona e impulsiona o crescimento de Brasília. Nos jogos que teve 6+ assistências, o time venceu 8 e perdeu 2 vezes, numa prova não de dependência da equipe para com ele, mas sim de sua importância no esquema do técnico Bruno Savignani (muito promissor aliás!). Não é a toa que jovens que atuam com ele (Deryk e Lucas Mariano, por exemplo) cresçam assustadoramente, tamanha a sua capacidade de melhorar o nível de seus companheiros com passes, dicas etc. .

machadoFalando sobre o jogo, foi uma boa partida em termos técnicos, mas falando especificamente sobre o Flamengo confesso não compreender bem o que houve em relação ao tal espaçamento do time no ataque, algo que vinha sendo bem feito pela equipe de José Neto em todo NBB até agora. Sem Ricardo Fischer e Humberto, os armadores principais que estão lesionados, quase sempre a tomada de decisão ofensiva ficava a cargo de Marquinhos, cestinha do campeonato e melhor jogador do país. Não é algo estranho para os rubro-negros, já que o mesmo expediente foi adotado nas finais do último NBB contra Bauru. Mas neste sábado algo empacou. As ações ficaram muito concentradas no meio da quadra, e aí Brasília, que tem a melhor defesa da competição (sofre 75 pontos por jogo e permite apenas 28% de conversão do rival em bolas de três – melhores índices do certame), fechou bem os espaços e pressionou muito bem a bola. O resultado é que o Flamengo teve 6/22 de fora, desperdiçou 12 bolas e teve a sua terceira menor pontuação na fase regular. Mérito dos brasilienses também, claro, mas vale a comissão técnica de Neto, que estava bem irritado (com toda razão) durante a peleja, estudar bem o ocorrido para que não se repita mais pra frente.

lucas2É impossível terminar este post e não falar de Lucas Mariano. Após razoável temporada em Mogi em 2015/2016 (8,8 pontos e 4,3 rebotes), o pivô explodiu em Brasília. Lucas é o cestinha em uma equipe que tem Deryk Ramos, também jovem e de muito potencial, e Guilherme Giovannoni, uma das maiores estrelas do basquete nacional. Tem as incríveis médias de 19,4 pontos, 7,1 rebotes e 17,71 de eficiência. Nas três categorias ele está no Top-10 do campeonato e é o autor de quatro duplos-duplos até o momento. Lucas tem apenas 23 anos, pode crescer ainda mais (principalmente na parte física, tornando-se mais forte ainda) e, tal qual Deryk (12 pontos de média neste NBB), deve ser testado e provado na seleção brasileira para o próximo ciclo olímpico. Os dois jovens devem, inclusive, pensar em voos maiores (leia-se Europa) para os próximos passos de suas carreiras.

lucas1Termino como comecei. Todo Brasília x Flamengo é especial. O deste sábado, 14 de janeiro de 2017, foi o clássico de Fúlvio, armador de basquete clássico, plástico, daqueles que a gente vê, se choca (porque o cara pensa nas coisas 2, 3 segundos antes) e só pode aplaudir.

Elogiado por todos os companheiros e técnicos com o qual teve contato, o camisa 11 é um grandíssimo jogador e um dos melhores armadores do país neste século sem sombra de dúvida. Vê-lo em quadra em seus recitais é um prazer imenso.

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Fala, Leitor: A evolução dos alas-pivôs, por Heber Costa http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/13/fala-leitor-a-evolucao-dos-alas-pivos-por-heber-costa/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/13/fala-leitor-a-evolucao-dos-alas-pivos-por-heber-costa/#comments Fri, 13 Jan 2017 08:00:29 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44133 * Por Heber Costa

barkleyNão faz muito tempo que o jogador da posição 4 (chamado PF, power forward, o ala de força ou ala-pivô) era geralmente um reboteiro de primeira, de muita força na hora de finalizar no aro e um chute confiável de média distância. Tanto é verdade que uma lista dos melhores PFs quase sempre inclui Tim Duncan, Charles Barkley (foto), Karl Malone, Kevin Garnett, Kevin McHale entre os 10 primeiros. Mas nessa lista também entraria Dirk Nowitzki, o cara que consolidou o papel do PF fora do garrafão e expandiu para além da linha dos 3 pontos. Antes dele, era algo raro. Mesmo bons chutadores, como Detlef Schrempf, arriscavam menos de uma vez por jogo. Eram outros tempos.

green20Hoje, porém, entre os PFs mais valiosos de hoje são nomes como Ryan Anderson, Draymond Green (foto), Kevin Love, Channing Frye e Kristaps Porzingis. Jogadores bem diferentes, mas uma coisa que todos têm em comum: chutam uma barbaridade de 3 pontos. Essa função de jogar aberto e matar bolas de três que ganhou o apelido de strech-4 (4 aberto). É uma tendência hoje crescente na NBA: todo mundo quer um desses caras para usar como PF aberto.

porza2Mas o que levou a essa nova função do PF? O jogo mudou, e as funções também. A meu ver, três fatores parecem ter contribuído bastante para isso: primeiro, o surgimento de táticas que prezam pelo espaçamento da quadra; segundo, o declínio do chute de média distância; terceiro, a tendência atual da NBA para as bolas de 3 pontos. As três coisas estão interligadas e por si só dariam textos grandes, mas podemos falar um pouco de cada.

Ao menos dois times podem ter influenciado a liga em termos de espaçamento e gerado a nova versão dos PFs: o Phoenix Suns de Mike D’Antoni (2004 a 2008), que usava uma tática de ritmo alucinante — apelidada de pace-and-space (velocidade e espaçamento), de longe a maior influência no jogo da NBA hoje em dia. Muito se fala da velocidade, mas poucos falam do espaçamento desse time — e da artilharia de 3 pontos. Por quatro temporadas, os Suns lideraram a NBA em 3 pontos, chegando a ter 40% de aproveitamento. O esquema deixava espaço para o PF matar bolas de longe. O outro time, menos badalado, é o Orlando Magic de 2007-2009: seus dois alas-pivôs principais, Rashard Lewis e Hedo Turkoglu (que jogava muito na posição 3, mas tinha a altura de Lewis), não tinham muita força nem pegavam rebotes, mas chutavam uma grandeza de 3 pontos. Treinado por Stan Van Gundy (hoje no Detroit), foi talvez um dos primeiros times a usar ostensivamente a tática de um pivô no centro (Dwight Howard) e quatro jogadores abertos para destroçar os oponentes com tiros de longe.

derozanO segundo ponto é um fato: o chute médio está em declínio — provavelmente consequência dos outros dois fatores. Apesar de ainda haver uns poucos especialistas de média distância, como DeMar DeRozan e LaMarcus Aldridge, a opinião dominante hoje é que esse arremesso é ineficiente. A lógica é simples: chutar de média distância é arriscado (marcadores chegam a tempo, exige habilidade, etc.) e a recompensa são só 2 pontos. Assim, é melhor uma jogada na cesta (bandeja/enterrada), que tem mais chance de sucesso. Jogadores bons da linha de lance livre usam penetração para tentar a cesta ou falta, assim garantem dois pontos fáceis e às vezes um pontinho a mais com um arremesso de bonificação. A outra alternativa é arriscar mais para ganhar mais: chutando da linha de 3 pontos, basta um aproveitamento razoável (35-40%) para compensar a margem de erro. Alguns defendem que a má fama é exagerada, mas o fato é que a moda de evitar o chute de média distância pegou. Em 2006, o arremesso médio (de 3 metros da cesta até a linha dos 3 pontos) representava 17% do total de chutes na liga. Em 2016-17, são pouco mais de 12%. Alguns times, como o Houston, só chutam 5% dos arremessos de média distância. Em outras palavras, hoje a maioria das chances é dentro do garrafão ou fora do arco. Isso forçou os PFs a se adaptarem.

imagem1Mais recentemente, os times se deram conta da vantagem do chute de 3 pontos: além de oferecer melhor custo-benefício, abre a marcação para facilitar infiltrações. Resultado: nunca se chutou tantas bolas de longe como hoje. Quando o Basketball Reference (veja o gráfico) começou a registrar a posição de cada arremesso, em 2000-01 em média só 17% de todos os arremessos vinham da zona dos 3 pontos. Em 2006-07, dez anos atrás, já eram 21% dos arremessos. Hoje, representam mais de 31% do total de chutes. Certamente é um dos fatores que forçou a evolução do PF. Além de decidir partidas, o fascínio que causa um belo chute de três numa hora decisiva conquistou definitivamente o público.

dirk1Depois de Nowitzki, esporadicamente surgiram PFs com bom chute de longe, como Matt Bonner, Steve Novak, Charlie Villanueva, Andrea Bargnani, Troy Murphy. Mas é certo que nunca houve tantos PFs desse tipo quanto há hoje: Marvin Williams, Nicola Mirotic, Paul Millsap, Mirza Teletovic, Ersan Ilyasova… praticamente um em cada time. Sem falar que PFs tradicionais, como Chris Bosh, Luis Scola, Thaddeus Young ou Serge Ibaka, passaram a chutar mais de 3 nos anos recentes. A tendência é tão forte que até os pivozões veteranos começaram a arriscar de longe, como é o caso de Marc Gasol, Brook Lopez, Marreese Speights e Al Horford. Alguns dos mais novos, como Anthony Davis, DeMarcus Cousins, Kevin Olynyk, Joel Embiid e Karl Anthony-Towns já chegam com um chute razoável no arsenal.

Essa nova função do PF, especialmente numa tática de pace-and-space, combina muito bem com o chamado small ball (uso de uma formação com jogadores mais ágeis e baixos), em que o PF muitas vezes vai para a posição 5 fazer o papel de pivô. Mas isso já é tópico para outro texto.

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Site da CBB ‘renasce’, e entidade dispara de novo contra Liga Nacional http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/12/site-da-cbb-renasce-e-entidade-dispara-de-novo-contra-liga-nacional/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/12/site-da-cbb-renasce-e-entidade-dispara-de-novo-contra-liga-nacional/#comments Thu, 12 Jan 2017 08:40:45 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44129 nunes1O site da CBB voltou ao ar ontem. De acordo com o UOL, a entidade máxima fez um acordo com a empresa Localweb para que tudo voltasse a funcionar com normalidade. Normalidade que para a Confederação parece ser atacar a Liga Nacional de Basquete.

Em mais um capítulo da bizarra briga pública contra a LNB, a CBB divulgou ontem um Ato da Presidência que pode ser lido aqui em sua totalidade. Coloco abaixo (os negritos e sublinhados são meus) os dois trechos mais impactantes (e duros) do texto assinado pelo presidente Carlos Nunes:

cbb2“A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BASKETBALL, em resposta ao posicionamento da Liga Nacional de Basquete, informa que encaminhou para o STJD do Basquetebol a questão apontada através de sua Nota Oficial de 9 de janeiro de 2017. Como de hábito, a CBB agirá de acordo com as leis, estatutos e regimentos que disciplinam e regulam as atividades das entidades envolvidas. O motivador dessa atitude é implementar ações que objetivam reverter a punição imposta pela FIBA ao basquetebol brasileiro. O primeiro ponto relacionado em sua carta de comunicação da punição, a FIBA trata do controle sobre a modalidade, citando, especificamente, as atividades da LNB e LBF em desacordo com os artigos 7.1, 7.4 e 9.1 de seu Estatuto Geral.

cbb1Neste sentido, a CBB entende que a LNB extrapolou seus limites, como filiada indireta (portanto possui vínculo e reconhecimento da CBB), ao criar um tribunal com atribuições que conflitam com o estabelecido pelo Estatuto e Regimento Interno da CBB e com as responsabilidades exigidas pela FIBA para com seus entes filiados, ao determinar o controle dos processos disciplinares pela CBB em comunicado oficial à entidade.

nunes2Não há que se confundir independência para organização de uma competição com desprezo à estrutura na qual a LNB está inserida. A LNB não é uma Liga Independente para ter seus próprios órgãos judicantes, como faculta a Lei.

Cabe também ressaltar que essa não é a primeira, segunda ou terceira vez que a CBB busca o entendimento com a LNB, nesse e em outros temas. Por muitos anos aliás a LNB manteve uma Comissão Disciplinar nomeada pelo STJD do Basquete. A CBB entende que essa duplicidade de “STJDs” na mesma modalidade é uma violação dos estatutos da FIBA, e das normas internas da CBB, as quais a LNB encontra-se submetida enquanto reconhecida pela CBB, reiteramos.

nunes3Infelizmente, a falta do convencimento e reconhecimento pacífico, associada ao presente momento, impeliu a CBB para esse caminho“.

Olha, em português claríssimo, vem mais coisa aí. Não me parece que essa Nota Oficial seguida de um Ato da Presidência de Carlos Nunes sejam situações isoladas. Sinceramente só não consigo desvendar o que seria, mas não gosto absolutamente do cenário que se desenha, não. Vale dizer que daqui a dois dias completarão 3 meses da suspensão da FIBA ao basquete brasileiro. E que no dia 28 de janeiro de 2017 termina a suspensão da Federação Internacional, que votará se mantém a mesma (suspensão) ou se muda o status da Confederação, que não mudou absolutamente nos últimos 90 dias.

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Em mais um momento bizarro, CBB consegue comprar briga com a Liga Nacional http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/cbb-x-lnb/ http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/cbb-x-lnb/#comments Wed, 11 Jan 2017 03:10:10 +0000 http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/?p=44116 cbb2No final do ano passado a digníssima CBB, a entidade que tem R$ 17 milhões em dívidas acumuladas até o final de 2015 (estou curioso para o balanço de 2016…) e que está suspensa pela FIBA porque não consegue fazer nada de realmente bom pelo basquete nacional (palavras da Federação Internacional), colocou em seu site uma Nota Oficial criticando o comportamento da Liga Nacional de Basquete, organização que gerencia o NBB, em relação a utilização do STJD. Colocaria o link pra vocês lerem, mas ontem o site oficial da Confederação saiu do ar por… falta de pagamento, conforme o UOL divulgou em primeira mão (sem comentários!).

cbb10Não vou entrar na questão de quem está certo ou não, mas obviamente roupa suja se lava em casa – ou internamente. Ao menos era assim – e pelo lado do pessoal da Liga Nacional de Basquete (LNB), o lado que poderia expor todas as mazelas da relação. Muito precavida e sempre muito construtiva (ao invés de destrutiva como poderia ser), o que posso dizer a todos que leem este espaço com afinco é que NUNCA este blogueiro ou qualquer outro membro da imprensa ouviu por parte dos diretores da LNB uma crítica aberta a gestão da CBB. E nunca é nunca mesmo. Atritos eu sei que houve, e muito, mas NUNCA de forma aberta e divulgada para a imprensa.

lnb1O importante, para a boa turma da Liga, era, é e sempre será proteger a modalidade. Tanto é assim que recentemente vocês sabem o que aconteceu, né? A LNB pagou as passagens para Copa Américas Sub-18 no medo absoluto de a CBB não ter verba e não levar os meninos para a competição. Medo que acabou se concretizando no final do ano com as Sub-15, que não foram aos Sul-Americanos devido à falta de planejamento e competência da Confederação.

Só que desta vez tudo foi diferente. O tiro não partiu da Liga para a CBB, mas sim da CBB para a Liga, algo que de cara estranhei, não entendi as razões e me pareceu um passo mal dado por parte da Confederação. A Liga ouviu quieta, passou o final de ano estudando o caso e ontem enviou um “mata-leão” em formato de Nota Oficial que está disponível em seu site. Só de ler dá um nó na garganta e se a turma da Avenida Rio Branco tivesse um mínimo de vergonha, ou senso do ridículo, pediria arrego.

lnbEm português claríssimo a LNB coloca em cheque a competência da Confederação, questiona os motivos pelos quais a CBB expôs de forma equivocada a Liga Nacional de Basquete e deixa claro para todos que o que os clubes do NBB (Bauru, Mogi e Flamengo) estão sofrendo por não poderem jogar a Liga das Américas devido a suspensão por única e exclusiva falta de competência, gestão e transparência dela, CBB.

lnb2Apenas como registro final breve desta situação pra lá de surrealista, vale dizer que algumas coisinhas que deveriam ser feitas pela Confederação, como campeonatos de base (a LDB Sub-22 está aí e não me deixa mentir) e Ligas de Acesso (a próxima Liga Ouro, a segunda divisão do NBB, poderá ter até 9 clubes, ótimo número), são feitas pela Liga Nacional simplesmente porque a CBB não consegue fazer nada de bom nos últimos 20 anos. Liga Nacional que tem tentado, mesmo com seus erros, voltar a colocar a modalidade como a segunda em preferência do povo brasileiro. Ressalto que eles erram, e muito, mas nunca por negligência ou alienação. O mesmo não posso dizer da CBB.

cbb1Fica a pergunta importante e central desta equação toda: se não cuida dos campeonatos nacionais, se não recicla e forma novos técnicos e árbitros, se nem as seleções a entidade tem conseguido administrar, o que andam fazendo nos últimos anos o pessoal da entidade máxima pelo basquete brasileiro?

Podem escrever aí o que estou reforçando: há duas décadas a CBB não faz NADA de razoável pelo basquete brasileiro. É um diagnóstico duro, mas verdadeiro e de quem fala/escreve isso há quase dez anos. A única coisa que valeu a pena foi a contratação do técnico Rubén Magnano. Mas como o sistema cebebiano é tão fora dos eixos até Magano, por uma mistura de sua arrogância a gestores terríveis acima dele, deu errado.

nunes1Então ficamos assim para começar um 2017. Se não bastassem todos os problemas que já possui, a Confederação arrumou mais um. E com a Liga Nacional de Basquete. E porque quis. E porque aparentemente não tem mais nada com o que se preocupar.

O caso da CBB e seus dirigentes merece ser estudado. Não por gestores que conseguiriam recolocar a entidade nos trilhos porque isso eu acho realmente difícil em um curto espaço de tempo e com o modelo de Confederação que existe o Brasil, mas sim por um psiquiatra ou por um Umberto Eco que consiga desvendar o que o ócio é capaz de provocar negativamente na cabeça das pessoas. O que Carlos Nunes e seus comandados de tenebrosas capacidades administrativa e analítica têm feito (ou não feito) pelo basquete brasileiro é inaceitável, inconcebível, inadmissível. E agora insano.

nunes1Precisa de muita competência (ou falta dela) para comprar briga com a única galera (Liga Nacional) que tem tentado reverter o cheiro de putrefação que a CBB tem deixado pelo caminho nas últimas duas décadas. Nunes conseguiu. Agora que aguente as reações.

Se alguém ainda tinha dúvida de onde está o problema maior do esporte da bola laranja no país, creio que depois dos acontecimentos dos últimos meses ela (a dúvida) não existe mais.

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