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Bala na Cesta

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De casa nova, Raulzinho quer o título da NBA com o Sixers: "É o nosso objetivo"

Fábio Balassiano

10/10/2019 05h01

NBAE / Getty Images

Aos 27 anos, o armador brasileiro Raulzinho começa a sua quinta temporada na NBA de casa nova. Após quatro anos em Utah, onde defendeu o Jazz, ele se transferiu para o Philadelphia 76ers, um dos favoritos ao título da liga no campeonato que se inicia no dia 22 de outubro.

Brigando pela posição de reserva da estrela Bem Simmons, Raulzinho sabe que terá oportunidades de mostrar seu potencial, mas que cada minuto deverá ser batalhado como nunca, já que a concorrência é grande. Conversei com ele sobre isso, sobre a mudança de cidade e também, claro, a expectativa para chegar à decisão da NBA, algo bem possível para o Sixers, que conta, além de Simmons, com Joel Embiid, excelente pivô camaronês que namora uma brasileira e que passou boa parte das férias no país recentemente.

BALA NA CESTA: Depois de alguns anos em Utah, casa nova na Filadélfia. Como está sendo esse começo de vida na Pensilvânia? A adaptação, mesmo sendo no mesmo país, mas em outra costa, outra cidade, está sendo tranquila?
RAULZINHO: Foi uma mudança. Dentro dos EUA é a maior que poderia acontecer pra mim. Saí de um lado e fui pra outro do país. Experiência diferente, estilo de jogo diferente, time completamente diferente, mas estou aprendendo muito e aproveitando ao máximo. Quero conhecer a cidade, a cultura daqui e está sendo muito bom esse começo.

BNC: O Sixers é um time cercado de muita expectativa. Manteve boa parte do elenco e adicionou veteranos como você, Al Horford e Josh Richardson também. Pra vocês, a meta é chegar à decisão da NBA mesmo ou pro grupo o negócio é ir passo a passo?
RAULZINHO: Com certeza as expectativas são grandes e nossa ideia é conquistar o campeonato. Tem pressão da mídia e dos torcedores porque é um dos melhores times que Filadélfia tem em muito tempo. Então a expectativa é grande e nosso objetivo também é este – conquistar o título da NBA.

NBAE / Getty Images

BNC: Pessoalmente falando, o que você espera do campeonato? Em Utah você também era reserva, mas no Sixers há uma concorrência grande com Trey Burke e o fato, também, de uma das estrelas da companhia (Ben Simmons) jogar em sua posição. Como está sendo isso tudo pra você? Muda algo em relação ao período com o Jazz?
RAULZINHO: Está clara essa disputa de posição. Acho que vai ser entre Burke e eu como armador reserva. Durante a temporada muita coisa pode acontecer, jogar com dois armadores, outro na posição, mas estou tentando fazer com que isso não afete meu jogo. A cada minuto que entro em quadra estou batalhando e sei que preciso mostrar serviço, trabalho, mas eu acho que não muda nada. Já estive nessa situação antes em Utah, seleção brasileira e também na Espanha. Vou aproveitar cada oportunidade para melhorar, focando no dia a dia porque sei que a temporada é longa e muita coisa acontece. Muitas coisas acontecem durante o campeonato. O resultado e as oportunidades irão aparecer e preciso estar preparado.

BNC: No jogo de vocês desta terça-feira na pré-temporada da NBA um fato até certo ponto inusitado chamou atenção. Ben Simmons acertou o primeiro arremesso dele na liga e o ginásio veio abaixo. Como tem sido a sua relação com o armador titular da equipe? E como tem sido o processo de encorajamento por parte de todo time para que ele passe a, também, chutar do perímetro? Te surpreendeu a reação do público, que vibrou como se fosse uma vitória ao vê-lo atirando de longe?
RAULZINHO: A gente sabe que ele trabalhou muito duro nessas férias e também nos outros anos nesse aspecto do arremesso de fora. É uma coisa que com o tempo, com a experiência, ele vai estar cada vez mais confortável em chutar de fora. Todos ficamos muito felizes por ele porque sabemos o quanto que ele trabalha forte, treina, está sempre antes e depois melhorando seus arremessos. Foi um momento legal. A torcida foi incrível, parecia que tínhamos conquistado um campeonato. Ele já é um All-Star, então todos sabem que com arremesso caindo ele tem potencial para ser MVP da NBA. Ele é muito dominante e com o arremesso pode ser mais. Foi lindo de ver, mas sabemos que só isso não fará com que cheguemos ao nosso objetivo. O time tem que continuar apoiando o Simmons e obviamente temos muito a fazer além disso. Estamos conscientes do desafio.

BNC: O Joel Embiid, uma figuraça e também um dos líderes do time, namora uma brasileira e esteve no Rio de Janeiro nas férias. Vocês já chegaram a conversar sobre isso? A imagem que ele passa pra todos os fãs é de ser um cara muito bem humorado, mas também bem focado dentro da quadra. É por aí mesmo?
RAULZINHO: A gente conversou um pouco. Da primeira vez que nos falamos ele falou um pouco de português comigo e disse que passou um tempo em nosso país. Ele gostou demais, estava um pouco cansado da temporada, então ficou mais tranquilo no Rio de Janeiro e fazendo programas mais leves. Descansou bastante, mesmo não tendo conhecido muito do Brasil. Ele é bem humorado demais e muito focado dentro de quadra. Ele teve problemas com o corpo dele no começo da carreira, então hoje ele cuida absurdamente da parte física. É muito bom tê-lo por parte. O ambiente está sempre leve.

BNC: E emendando a pergunta: esta será a segunda vez que você jogará ao lado de um pivô dominante da NBA. Em Utah, porém, o Rudy Gobert era muito mais ativo na defesa que no ataque. O Embiid, por sua vez, é letal no ataque também. Qual a mudança pro armador em relação a isso?
RAULZINHO: Sempre que você começa a jogar com atletas de estilos de jogo diferentes o armador tem que se adaptar mesmo. Não só com o Embiid, mas com todos. O Al Horford tem um estilo diferente que estava acostumado, por exemplo. Então com todos eles temos que nos adaptar, entrosar, criar uma conexão dentro de quadra para dar uma condição melhor tanto pra mim quanto pros demais atletas. É uma adaptação natural.

BNC: Por fim, a seleção brasileira brigará por vaga na Olimpíada de Tóquio e seu nome sem dúvida alguma é tido pelo técnico Aleksandar Petrovic como fundamental para a conquista da vaga nos Jogos. Já há algum tipo de conversa neste sentido depois da Copa do Mundo que você não participou devido a lesão?
RAULZINHO: A gente não conversou nada sobre seleção ainda. Depois do Mundial, nada. Tivemos uma conversa durante a temporada passada toda, enquanto estava saudável, e tinha muita vontade de jogar mas devido a lesão não pude ir ao Mundial. Meu objetivo é estar 100% recuperado e saudável depois dessa temporada pra fazer parte da seleção e ajudar a obter a vaga no Pré-Olímpico.

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