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Bala na Cesta

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"Astro" de novela, Felício mira Mundial com seleção e vê semelhanças entre esporte e TV

Fábio Balassiano

21/08/2019 05h01

Divulgação TV Globo

Aos 27 anos, o mineiro Cristiano Felício está entre os 12 convocados do técnico Aleksandar Petrovic para o Mundial da China que começa no dia 31 de agosto. Seu rosto ficou mais conhecido no Brasil recentemente não pelas atuações no Chicago Bulls pelo qual joga há quatro temporadas, mas sim por sua participação especial na nova novela da TV Globo, "Bom Sucesso".

Com 2,08m de altura, Felício mostrou desenvoltura ao lado do ator David Junior, participou de algumas cenas e fez as vezes de cicerone do time da emissora durante as gravações em Chicago, onde atua pelos Bulls.

O blog conversou com Cristiano às vésperas do Mundial e falou sobre o campeonato, novela, seus próximos passos no Bulls e muito mais.

BALA NA CESTA: Seu nome ficou mais conhecido ainda recentemente devido a sua participação na nova novela da Globo "Bom Sucesso". Como foi o contato com os atores? Te surpreendeu que o basquete tenha se tornado tema central da novela, quase uma instituição brasileira?
CRISTIANO FELÍCIO: Pra mim foi muito bacana esse encontro com os atores da TV Globo, diretores e produtores. Eles me deixaram muito à vontade desde o primeiro minuto, do primeiro contato que tivemos. Então foi bem tranquilo estar fazendo essa participação em novela. Gostei bastante. Me surpreendeu, sim, o fato do basquete ser um tema central da novela. No Brasil o pessoal é muito futebol, futebol, futebol, e ver que está saindo um pouco disso me dá uma esperança grande de ver o basquete brasileiro crescendo cada vez mais.

BNC: Há algo no mundo artístico que você consiga transportar pro dia a dia do basquete? Em suas conversas com os atores da Globo, o que você aprendeu que pode ser transmitido pro basquete?
FELÍCIO: Acredito que o profissionalismo com que eles fazem as coisas e as repetições de cenas podem ser levados pro basquete, sim. É tudo muito elaborado, muito bem pensado e com muitas repetições. No basquete também tem isso, de profissionalismo, de repetir muito as coisas até se chegar ao melhor, de dar atenção aos detalhes. Acho que isso dá pra transportar, sim, do mundo artístico pro basquete e vice-versa.

BNC: Você é jovem, mas já viveu muita coisa no basquete entre NBB, seleção e NBA. Como enxerga o atual momento da modalidade no país? Dá pra ficar esperançoso com os próximos anos ou seria o momento de, digamos, colocarmos as barbas de molho pelo que está por vir?
FELÍCIO: Acho que o Brasil está em uma fase boa no basquete. Não ideal, mas boa porque tem uma garotada nova chegando e nos deixa muito esperançosos do futuro que o basquete pode ter no país. O NBB está crescendo, os jogadores mais novos estão evoluindo, atuando desde cada vez mais jovens. Os times apostavam muito em veteranos, deixando a molecada no banco e temos visto agora os jovens entrando, correspondendo e fazendo grandes partidas.

BNC: Como está sendo a preparação visando o Mundial da China? Qual a expectativa do grupo: medalha ou é ir pensando fase a fase?
FELÍCIO: A preparação está sendo muito boa. Tivemos duas semanas de treinos muito boas em Anápolis, dois amistosos para ganhar ritmo contra o Uruguai e depois do Torneio de Lyon. Chegando na China é fase a fase, não dá pra ir pensando em medalha, colocando a expectativa lá em cima e depois nada. É pensar jogo a jogo, fase a fase, dar o máximo e ter em mente que temos que dar tudo para chegar ao melhor resultado possível.

BNC: O estilo de jogo do Petrovic, mais leve e mais solto, tende a facilitar a você, um pivô mais rápido e também com facilidade pro chute? Como estão sendo as conversas com o técnico neste sentido?
FELÍCIO: Sim, é um jogo mais corrido, mais solto, isso com certeza facilita para jogadores mais ágeis e que gostam de correr mais em quadra, algo que gosto de fazer. O Petrovic está me deixando muito à vontade, tentando entender o que gosto de fazer, essas coisas. Nosso relacionamento é muito aberto, ele entende muito de basquete, jogou e isso auxilia demais pra gente dentro de quadra.

BNC: Pessoalmente falando, como você está se sentindo depois de uma temporada no Chicago Bulls em que você não atuou tanto tempo, em termos de minutos, assim?
FELÍCIO: Eu acho que não fiz uma temporada passada boa no Chicago. Isso é bem claro pra mim. Acabei perdendo espaço na rotação e isso fez com que eu não jogasse tanto assim no campeonato passado. Mas tudo é um aprendizado, eu aprendi bastante o que tenho que fazer pra estar dentro de quadra e agora é, nesse ano, voltar firme para reconquistar meu espaço novamente dentro do Bulls e jogar mais partidas este ano.

BNC: Com contrato expirando ao final da próxima temporada (2020/2021), passa pela sua cabeça mudar de time para conseguir mais espaço ou você está feliz estando com o Bulls?
FELÍCIO: Eu, como falo pra todo mundo, digo que minha intenção nunca foi sair de Chicago. Sempre quis ficar lá e conseguir meu espaço dentro do Chicago. Sei que sou capaz de fazer isso, então é buscar isso. Estou feliz de estar na NBA. Não tanto assim pelo fato de não estar atuando. Mas isso de ir para uma outra equipe buscar espaço nunca passou pela minha cabeça. Não acho que eu vá fazer isso para ter mais tempo de quadra. Vou brigar por isso em Chicago e acho que consigo ter tempo de quadra no próprio Bulls. É a minha meta voltar a jogar muitos minutos e acredito que conseguirei.

Sobre o blog

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.