Bala na Cesta

Categoria : Balanço Financeiro CBB

O cenário da CBB: passado ruim, presente pior e futuro tenebroso
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Fábio Balassiano

cbb2Você viu aqui essa semana os números e ontem a análise do professor Scarpin acerca do (bizarro) Balanço Financeiro da Confederação Brasileira. Embora as contas tenham melhorado no exercício de 2015, o acúmulo de trapalhadas de Carlos Nunes desde 2009 faz com que a dívida chegue a assustadores R$ 17,2 milhões.

E aí eu trago uma notícia não muito animadora a vocês: se o passado foi ruim, se o presente é péssimo, como demonstra o absurdo que é uma seleção Sub-18 ser DESCONVOCADA a menos de 15 dias do começo da Copa América Feminina (mais aqui , aqui e aqui ), o futuro será ainda pior. Explico: mais de 50% das verbas recebidas pela Confederação Brasileira nos últimos anos são provenientes de incentivo federal. Seja convênio, seja Lei de Incentivo, seja Lei Piva, seja o que for. O que importa é: a CBB não possui a menor habilidade para trazer investimento privado (atualmente apenas Bradesco e a Nike enquadram-se neste grupo). Deu pra entender o tamanho do buraco, né?

nunes3No final de agosto acaba a Olimpíada, e sabemos bem o que irá acontecer em relação às verbas federais de um país que anda afogado em problemas de todas as esferar econômicas. Elas vão minguar, beirar ou chegar a zero. Se dos R$ 24 milhões da CBB em 2015 mais de 50% foi pelo governo, é possível, sim, que as receitas cheguem à metade em 2017.

Com sua estrutura inchada, juros altos para pagar e nenhuma capacidade de atrair investidores, a chance do basquete crescer através da CBB é zero – ou quase isso. Uma medalha olímpica no masculino e/ou uma boa colocação no feminino na Olimpíada do Rio de Janeiro pode fazer com que a situação melhore um pouco, mas é reduzir demais a análise (ou seja, colocando tudo na conta de performances geniais na quadra). “A bola não entra por acaso”, né? Para fazer com que ela (a bola) entre, é preciso uma união de gestores bons, atletas bem preparados, técnicos capacitados e muito mais. No Brasil, hoje, a parte de gestão falha muito e acaba “derramando” a sua falta de competência em todas as esferas. Como (quase) ninguém cobra, fica tudo por isso mesmo. Atletas, clubes, dirigentes, federações e até 99% da imprensa ficam calados e Carlos Nunes segue em seu desgoverno como se nada estivesse acontecendo. Fácil assim, não?

nunes8Ah, e querem saber uma novidade pra lá de “bacana”? Carlos Nunes termina o seu segundo (e último) mandato à frente da CBB em 2017. O próximo presidente assumirá, portanto, uma entidade provavelmente com dívidas chegando a casa dos R$ 20 milhões, sem nenhum dinheiro em caixa para investimentos, com uma receita de patrocínio privado de aproximadamente R$ 12 milhões/ano e sem nenhuma perspectiva de melhora. Ao contrário do que diz aquele famoso e ilustre deputado, no caso da Confederação Brasileira pior do que está é, sim, possível ficar. Bem pior.

O cenário financeiro da entidade máxima do basquete brasileiro é tenebroso em 2016. No próximo ano tende a ser ainda pior. Salve-se quem puder.


Especialista sobre contas da CBB: ‘Gestão Financeira deixa muito a desejar’
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Fábio Balassiano

Por Professor Jorge Eduardo Scarpin, Docente do Mestrado em Ciências Contábeis – UFPR (mais aqui). E-Mails para: jscarpin@gmail.com .

scarpin2O ano de 2015 não seguiu a tendência dos anos anteriores na CBB. Em alguns pontos houve piora da situação econômico-financeira e em outros pontos houve melhora, considerando os aspectos mais relevantes: endividamento, capacidade de pagamento, receitas, despesas e superávit ou déficit.

Um ponto negativo, antes de qualquer análise é: assim como em 2013 e 2014, a piora na evidenciação das informações por parte da CBB. Em 2015, 2014 e 2013, ao contrário dos anos anteriores, não há notas explicativas sobre as despesas da entidade, tais como Eventos, Competições Nacionais e Competições Internacionais, bem como sobre adiantamentos de cotas de patrocínio. Isto dificulta a análise e faz com que tenhamos que trabalhar com estimativas com base em outros dados do balanço.

Um ponto positivo é que, ao contrário de outros anos, não houve uma ênfase da auditoria quanto a situação econômica da entidade, o que expressa uma melhora na situação como um todo, embora ainda esteja bem ruim.
Vamos à análise técnica dos principais elementos do patrimônio da CBB:

1. Endividamento

Apesar do bom nível de contabilidade da entidade, pela própria característica da CBB, que é trabalhar com convênios, os balanços ficam um pouco confusos e um ajuste precisa ser feito para fins de análise. Tal procedimento é relativamente comum, pois a visão de um analista é diferente da visão interna de uma empresa. Sendo assim, os valores passam a ser os seguintes:

Quadro1

Para chegarmos ao valor total das dívidas da CBB, deve-se somar o Passivo Circulante (dívidas já vencidas ou que vencem no ano de 2015) e o Passivo não Circulante (dívidas que vencem após 31/12/2015). Considerando os valores reclassificados, observa-se um montante de dívidas no valor de R$ 17.206.453. Com exceção de 2012, quando houve uma leve melhora, os números são crescentes e preocupantes. O gráfico abaixo dá uma boa dimensão do problema.

Dividas1

divida3Em 7 anos o aumento da dívida foi de inacreditáveis 2.000%, fazendo a Confederação passar de uma situação de quase inexistência de dívidas em 2009 para um volume muito grande de dívidas em 2015. Deste volume total de dívidas, há dívidas tributárias, processos trabalhistas, fornecedores e principalmente bancos.

Os empréstimos bancários totais foram reduzidos de 5,2 para 4,1 milhões de reais (20% em relação ao ano anterior). Cabe então uma questão: como a dívida cresceu se os empréstimos bancários diminuíram? A dívida cresceu principalmente por adiantamento de cotas de televisão e de patrocínio, que a CBB recebeu de forma antecipada, passando de 1,1 milhão em 2014 para 5,2 milhões em 2015. Isso significa que nos próximos anos pode haver menor entrada de recursos por conta disto. Infelizmente a nota explicativa sobre o assunto… nada explica ao dizer laconicamente “referem-se ao adiantamento de cotas televisivas e de patrocínio da temporada 2016”.

divida2Sempre insisto nesse ponto. Sempre que olhamos o endividamento, temos que comparar o volume de dívidas com os bens que uma entidade possui para pagá-las. Em todas as empresas do mundo veremos um volume de dívidas muito alto, porém, como os bens que possuem são maiores ainda, tal fato passa a ser relativizado.

No caso da CBB não é assim. Apenas de dívidas de curto prazo, com vencimento no ano de 2016, o montante é de mais de R$ 13 milhões (depois da reclassificação). Há, também, cerca de 4 milhões de reais que a CBB considera que terá que desembolsar no longo prazo.

divida6Em uma empresa saudável, o volume de dívidas (endividamento) não deve superar 66% (2/3) do seu volume de bens e direitos (ativos). Entretanto, na CBB, o volume de dívidas representa 200% do volume de ativos, ou seja, a CBB tem de dívidas mais do que possui de bens e direitos, significando que, caso a CBB vendesse tudo o que possui, teria condições de arcar apenas com metade de suas dívidas. Mesmo sendo muito ruim, o valor está melhor do que 2014, e levemente melhor do que 2013. Tal fato foi ocasionado por aumento de caixa de 4 milhões de reais proveniente principalmente do recebimento de patrocínios e cotas televisivas (antecipação de cotas de 2016), explicitado pela CBB na sua demonstração dos fluxos de caixa.

Um fato relevante a ser considerado é que, até 2014 a CBB reconhecia um direito a receber de curto prazo de R$ 661.700 da Eletrobrás (R$ 577.941) e Bradesco (R$ 83.759) e agora já reconhece que esses valores serão recebidos apenas no longo prazo – se o forem. O gráfico abaixo mostra a piora acentuada ano a ano do endividamento da CBB ao longo dos últimos sete anos.

Endividamento1

divida4Se olharmos o que a CBB tem de bens e direitos de curto prazo, ou seja, que são mais fáceis de transformar em dinheiro, vemos que a situação é bem ruim, mas com uma sensível melhora em 2015 graças, principalmente, à antecipação de receita de patrocínio e cotas televisivas. Estes recursos, que em uma empresa normal devem superar as dívidas de curto prazo, cobrem 39,6% (em 2014 este número era de 19%) destas dívidas. Isto faz com que a entidade seja de alto risco para conseguir financiamento, fazendo com que pague juros muito altos para a rolagem da sua dívida.

divida1000

Em relação ao prazo da dívida com bancos, a situação piorou um pouco. Em 2012, 41% dos empréstimos eram de curto prazo e 59% de longo. Em 2013, 45% de curto prazo e 55% de longo prazo. Em 2014, 44% de curto e 56% de longo prazo. Em 2015 os números passam de 75% de curto prazo e 25% de longo prazo, o maior valor da série até aqui. Olhando os dados na nota explicativa, temos os seguintes valores de empréstimos.

Emprestimos de curto prazo1

emprestimo1Os empréstimos bancários totais foram reduzidos de 5,2 para 4,1 milhões de reais (20% em relação ao ano anterior). Entretanto, os empréstimos de curto prazo tiveram um aumento de 35,8%, passando de R$ 2,3 para R$ 3,1 milhões.

Analisando os valores, podemos observar que o empréstimo do Banco Itaú de curto prazo se manteve e houve uma redução do empréstimo de longo prazo, o que mostra que a CBB não deve estar renovando esta dívida. Já a dívida do Banco Bradesco diminuiu no curto prazo e zerou no longo, mostrando que o Banco passou a injetar recursos como patrocínio, não renovando as linhas de empréstimo. Além disso, um fato chama a atenção. Até 2014 a dívida da CBB era com grandes bancos de varejo (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil etc.) e em 2015 aparece de menor porte como credora da CBB, chamada Lecca Financiamento.

emprestimo1Outro fato a se destacar é novamente o aumento no valor de dívidas tributárias, principalmente com o INSS e IRRF. Enquanto em 2012 as dívidas tributárias em parcelamento junto ao governo eram de 1.208.437, em 2013 saltaram para 1.978.739, em 2014 chegaram para 2.596.284 e em 2015 somaram 3.890.601, um aumento de 50%. Ou seja: a empresa que recebe aporte do Ministério do Esporte tem quase R$ 4 milhões de dívidas federais.

Um fato que causou estranheza foi a não evidenciação, em nota explicativa, do processo judicial movido pela empresa Champion Products Europe Ltda contra a CBB referente a um contrato preliminar de patrocínio, firmado em 31/12/2008. Este processo estava em 2013 com um saldo de R$ 4.175.535 e não foi informado se o processo continua transitando na justiça ou se a CBB venceu a causa.

2. Prestação de contas
conta3Pelo que se depreende das informações da CBB, um fato me causou estranheza quanto aos passivos relativos às Leis de Incentivo. O dinheiro recebido e ainda não gasto com projetos (como explicado no item anterior). Normalmente, esta conta possui valores recebidos em um ano e que serão gastos em projetos no ano seguinte.

conta5Quando esta conta fica com saldos constantes, pode-se observar ou que o projeto não caminhou no referido ano ou que está com alguma pendência de prestação de contas e por isto ainda é considerado como uma dívida potencial.

No ano de 2014 e 2015, um valor novamente me saltou aos olhos. Há R$ 690.778 referentes ao projeto “Campeonato Nacional Feminino de Basquete”, competição que já não é mais organizada pela CBB. Nesta conta, o valor de 2011 a 2013 foi de 590.791 passando para os R$ 690.778 em 2014 e 2015. Entretanto, como não há abertura maior sobre a razão pela qual o valor ainda permanece no balanço, não podemos fazer afirmação nenhuma neste sentido.

3. Superávit ou Déficit
Aqui temos a melhor notícia sobre o balanço da CBB. Pela primeira vez na série que começou em 2012, a entidade apresentou superávit, ainda que pequeno. Depois de atingir um pico em 2014, houve uma melhora nas contas do ano de 2015, como mostra o gráfico a seguir.

Superavit1

conta1Pela primeira vez na série podemos ver um leve superávit de R$ 132.557 no ano, o equivalente a cerca de R$ 11.000 por mês. A melhora poderia ter acontecido por aumento da receita, diminuição da despesa ou por uma combinação dos dois itens.

As receitas ficaram praticamente estáveis em relação ao ano de 2014, o que evidencia que a queda ocasionada em 2014 não foi pontual, tendendo a ser um novo padrão para a CBB. O gráfico a seguir mostra bem essa realidade.

receita1

financas28Analisando as receitas, em praticamente todas elas houve estabilidade, não podendo ser atribuído nenhum fator relevante para o comportamento das receitas em 2015. O fato positivo é que os gastos tiveram queda, passando de 27,7 milhões em 2014 para 24 milhões em 2015. Entretanto, esta redução não foi linear em todas as contas, podendo ser extraído um conjunto de fatos interessantes:

a) Juros. A CBB paga juros a bancos e paga desde 2009, e, embora tenha havido uma queda no ano de 2014, o valor voltou a subir em 2015, principalmente por conta do aumento das dívidas da entidade. Em 2009, a despesa com juros somou R$ 29.286, em 2010 somou R$ 833.234, em 2011 R$ 1.272.059, em 2012 recuou para R$ 717.950, em 2013 aumentou para R$ 2.524.094, em 2014 recuou para R$ 829.524 e em 2015 subiu para R$ 1.915.453, o segundo maior da série histórica. O gráfico a seguir exemplifica melhor essa piora.

juros1

a.1) Manutenção da estrutura da CBB: Aqui a melhor notícia do balanço. As despesas com pessoal somadas às demais despesas administrativas da CBB somaram R$ 8.315.568 (redução de 34% em relação a 2014), ou, em média, R$ 692.964 mensais. Isto tudo sem considerar os gastos com eventos propriamente ditos, só com a operação administrativa da CBB. Este número é o segundo menor da história, voltando praticamente ao nível de 2010. O gráfico a seguir mostra a evolução dos números.

estrutura

b) Competições. Infelizmente, neste ponto não há muito o que comentar. A CBB não mais separou os gastos em competições nacionais e internacionais, nem mencionou especificamente os gastos em cada uma delas. Podemos apenas ver que o gasto ficou praticamente constante, passando de 13,6 milhões em 2014 para 13,5 milhões em 2015.

4. Conclusões
financas1Fechando esta análise, se a CBB fosse uma empresa privada estaria em situação muito crítica, de portas fechadas ou se encaminhando para isto. Com certeza a gestão financeira deixa muito a desejar. Entretanto, depois de vermos 2014 como o pior ano da série histórica em 2015 e embora a situação tenha piorado nos indicadores de dívida, houve uma melhora na gestão administrativa, levando a entidade ter o primeiro superávit (pequeno) da série.

Ressalte-se que toda esta análise foi feita com os dados fornecidos pela própria CBB em seus balanços, sem nenhuma montagem minha quanto a números, bem como nenhum acesso a informação privilegiada.


Balanço Financeiro da CBB: Dívida chega a incríveis R$ 17 milhões em 2015
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Fábio Balassiano

cbb2Nos últimos anos você tem acompanhado neste espaço (e praticamente só neste espaço em toda basquetosfera Brasil afora) a quantas anda a situação financeira da Confederação Brasileira. É um trabalhão danado que dá a mim e ao professor Jorge Eduardo Scarpin, craque que analisa a fundo os Balanços Financeiros, mas creio ser necessário para avaliar com mais qualidade (e menos achismo) como está sendo feito o trabalho da Confederação.

Comecei em 2010 (na antiga casa) e todos os anos repito aqui no UOL o mesmísismo expediente de fuçar os números, compreendê-los e trazê-los para vocês (no site da CBB está disponível o de 2015 aliás). Vamos lá então:

gui11) Antes de entrar nos números em si, vale dizer que o Balanço Financeiro de 2015 foi aprovado quase que por aclamação em abril deste ano. Apenas três Federações não aprovaram as contas de Carlos Nunes (Maranhão, Goiânia e Pará). A Associação de Jogadores, que também tem direito a voto, esteve presente, representada pelo Guilherme Giovannoni (Presidente que se posiciona muito pouco – ou quando se posiciona se posiciona mal…) e também aprovou as contas (tal qual fez nos últimos anos aliás). Guilherme Giovannoni, atualmente treinando com a seleção olímpica do Brasil, é visto como o arauto da ética por boa parte da imprensa (ou amigos), como um senhor de alto nível intelectual, mas que demonstra pouco (ou nenhum) senso crítico e/ou pensamento coletivo para elevar o nível da discussão de alto seríssimo. Nem tudo que reluz é ouro e quase sempre as “análises” aqui no país se curvam para o que lhe é mais amistoso (no sentido de amizade, de conivência ou de interesse), sabemos bem.

nunes12) O resultado do exercício (2015) melhorou um pouco, mas longe de ser motivo para comemoração. Houve manutenção das receitas (potencializadas por mais um aporte de mais de R$ 10mi do Ministério do Esporte na época dirigido por George Hilton para as seleções masculina e feminina se prepararem para a Olimpíada), fazendo com que a CBB recebesse em 2015 R$ 24,2 milhões. Para quem reclama de dinheiro quase sempre, como o presidente Carlos Nunes, não é pouca coisa. Apesar da redução das despesas para R$ 24,1 milhões (ótimo indicativo), a dívida cresceu de novo (mais R$ 4,2 mi, ou 32%), chegando a surreais R$ 17,2 milhões ao final de 2015. As contas da entidade fecharam assim:

balanco1

nunes33) A pergunta básica é: se a entidade manteve as receitas, reduziu as despesas, como a dívida cresceu mais de R$ 4 milhões? A resposta é bem simples: por conta dos juros que a entidade paga devido aos seus quase infinitos empréstimos bancários contraídos ao longo dos últimos anos. Não deixa de ser irônico que a entidade máxima do basquete brasileiro tenha, entre seus patrocinadores, um… banco (o Bradesco). Em 2009, a despesa com juros somou R$ 29.286. Em 2010, R$ 833.234. Em 2011, R$ 1.272.059. Em 2012 recuou para R$ 717.950. Em 2013 aumentou para R$ 2.524.094. Em 2014 recuou para R$ 829.524. E em 2015 subiu de novo para R$ 1.915.453, o segundo maior da série histórica.

nunes24) Não é só isso. A dívida cresceu também por adiantamento de cotas de televisão e de patrocínio. Passou de R$ 1,1 milhão em 2014 para R$ 5,2 milhões em 2015. Isso significa que nos próximos anos pode haver menor entrada de recursos por conta disto. Infelizmente a nota explicativa sobre o assunto nada explica, ao dizer, laconicamente, “referem-se ao adiantamento de cotas televisivas e de patrocínio da temporada 2016”.

nunes45) Carlos Nunes chegou à CBB em 2009. Com dinheiro em caixa. Fechou o seu primeiro ano com dívida de R$ 800 mil. Não seria ruim se fosse por causa de um (necessário) investimento em basquete. Não foi. Foi falta de competência administrativa mesmo. Entre 2009 e 2015, a dívida saltou de R$ 800 mil para R$ 17,2 milhões (ou seja, crescimento de 2.050%). Nem no pior cenário financeiro do mundo seria possível imaginar que alguém conseguisse chegar a isso, né?

Assustador, não? Amanhã eu volto com a minha análise e as palavras do Professor Jorge Eduardo Scarpin também.

Para acessar análises mais antigas, links abaixo:

a) Análise do Balanço Financeiro de 2010 (aqui, aquiaqui, aqui e aqui)
b) Análise do Balanço Financeiro de 2011 (aqui , aqui e aqui)
c) Análise do Balanço Financeiro de 2012 (aqui, aqui , aquiaqui)
d) Análise do Balanço Financeiro de 2013 (aqui , aqui , aqui , aqui , aqui , aqui e aqui )
e) Análise do Balanço Financeiro de 2014 ( aqui , aqui , aqui , aqui e aqui )


A surreal aprovação das contas do presidente Carlos Nunes na CBB
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Fábio Balassiano

nunes7No último dia de março aconteceu em Brasília a Assembleia para análise das contas da Confederação Brasileira de Basketball de 2015. Como vem acontecendo nos últimos anos, quase todas as Federações aprovaram o trabalho / gestão / mandato de Carlos Nunes, aprovando por aclamação os quase sempre endividados números do governor Nunes.

Apenas três Federações não aprovaram as contas de Carlos Nunes recheadas de dúvidas e dívidas (Maranhão, Goiânia e Pará). A Associação de Jogadores, que também tem direito a voto, esteve presente, representada pelo Guilherme Giovannoni (Presidente que se posiciona muito pouco – ou quando se posiciona se posiciona mal…) e também aprovou as contas (tal qual fez nos últimos anos aliás).

cbb3Desde já cabe uma observação importante. Muita gente diz que é impossível analisar as contas com o tempo “dado” pela CBB – é no ato a leitura e em seguida a aprovação / reprovação. Este é um ponto essencial e que não deve ser tirado da equação. Em um mundo normal e com pessoas com um mínimo de cautela sobre do que representa aprovar as contas em uma Assembleia, o mais recomendável, portanto, é minimamente se abster da votação – e não aprovar algo que é praticamente impossível de se analisar com muito tempo e uma pessoa preparada para tal (da área contábil, financeira etc.).

nunes3Quem aprova, mesmo sem ler com o devido tempo para tal, está chancelando a gestão de Carlos Nunes – e chancelando sem conhecer a fundo o que se está chancelando, obviamente. É quase como dar um cheque em branco para alguém que tem levado a entidade à falência desde que assumiu em 2009. Em 2014 a CBB fechou as contas com mais de R$ 13 milhões. Sem patrocínio, qual a chance dos números terem melhorado tanto assim para quase todas as Federações estaduais terem aprovado os números de Nunes? Fica a dúvida.

nunes1Vale lembrar que 2016 é o último ano da gestão de Carlos Nunes, o cara que conseguiu pegar uma entidade sem dívida, que deixará para o seu sucessor uma Confederação absolutamente quebrada, sem credibilidade no mercado e nenhum planejamento (seja no curto, no médio ou no longo prazo) e que teve o disparate de enviar um ofício à LNB sobre o ocorrido em Rio Claro como se ele fosse o melhor gestor do mundo. Será que ele, Nunes, aceitará ser cobrado publicamente como ele fez com a Liga Nacional? Foi o trabalho desta gestão que os senhores de quase todas as Federações e os Atletas do país aprovaram no dia 31 de março.

nunes4Certamente voltarei ao tema que a CBB faz questão de esconder. Não se sabe quando e nem em que veículo de comunicação a entidade irá divulgar as suas contas, mas o material já está em minhas mãos. Além disso, cabe dizer que no site oficial é que tão cedo não estarão lá os números, algo natural para entidades transparentes e que conjugam a credibilidade em todos os seus atos.

Tão logo esteja com o Balanço farei, junto ao professor Jorge Scarpin, a análise do cenário financeiro da Confederação como tenho, solitariamente, feito nos últimos anos. Por enquanto fico com o choque de, mais uma vez, as Federações do Brasil e a Associação de Atletas terem, com exceção de Maranhão, Pará e Goiânia, chancelado uma CBB que tão mal faz o seu trabalho. Que pena.

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Tags : CBB


O outro lado: Eletrobras responde sobre processo movido contra a CBB
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Fábio Balassiano

nunes4Em outubro de 2015 o UOL divulgou que a Eletrobras entrou na Justiça contra a CBB devido a mau uso (segundo ela) da verba pública destinada por ela (estatal) para a Confederação Brasileira.

No começo da semana passada publiquei uma entrevista com o presidente da entidade máxima, Carlos Nunes, e lá ele disse o seguinte: “A Eletrobrás tinha que nos repassar um dinheiro. Dos R$ 21 milhões que ela tinha que nos repassar ela nos repassou apenas R$ 4,8mi. A renovação era anual, e temos um documento em que a Eletrobrás se comprometia a renovar. Então destes R$ 4,8mi tivemos que usar para algumas coisas que a Eletrobrás não concordou. Daí o problema. Mas que fique claro: foi tudo usado dentro das seleções. Nada fora da normalidade. E mesmo assim a Estatal glosou. Está tudo lá. Documentos, prestação de contas, tudo direitinho. Eles não aceitaram isso e estamos na Justiça. A Justiça informou, em primeira instância, que temos que discutir o assunto. O tema será julgado, e será provado que o dinheiro foi usado apenas pela seleção”. 

O blog procurou a Eletrobras para ouvir o outro lado da história (como manda o figurino). Abaixo as respostas enviadas pela assessoria de imprensa da estatal:

eletro1BALA NA CESTA: A Eletrobrás processa a CBB por mau uso da verba pública, como consta no processo distribuído na Justiça. O que seria esse “mau uso da verba” exatamente? Quanto de falha em gestão por parte da CBB influencia neste uso ruim da verba?
ELETROBRAS: O contrato firmado entre CBB e Eletrobras previu execução de atividades e destinação de recursos a itens específicos para sua realização. O débito cobrado judicialmente decorre da apuração de falhas cometidas na execução do contrato. Neste caso, as faltas cometidas sujeitam a CBB às penalidades e à multa prevista contratualmente. A respeito da indagação sobre a gestão, foram aplicadas as regras firmadas no contrato entre as partes.

nunes3BNC: O processo corre em Justiça, mas em segunda instância a CBB teve causa favorável (a favor dela) pelo que me disse o presidente Carlos Nunes afirmou. Como a Eletrobrás lida com isso? Há outras instâncias a serem percorridas ainda?
ELETROBRAS: Desconhecemos essa informação.

BNC: Em entrevista ao blog, Carlos Nunes, presidente da CBB, afirma que não só não conta em pagar o que a Eletrobrás exige na Justiça como pensa em receber o dinheiro que estava combinado em contrato. O que a estatal diz a respeito disso?
ELETROBRAS: Após decorrido o processo administrativo, sem ter havido o pagamento por parte da CBB da dívida cobrada pela Eletrobras, foi ajuizada ação para este propósito. A Eletrobras aguardará o desfecho do processo judicial para um posicionamento a respeito.

nunes1BNC: Não foi incomum, em toda a relação da CBB com a Estatal, a glosa por parte da Eletrobrás em relação a verba da CBB. A Estatal admite, mesmo com tudo isso, voltar a fechar um contrato de patrocínio com a Confederação? Ou essa porta está realmente fechada?
ELETROBRAS: A Política de Patrocínios da Eletrobras não permite firmar parcerias com entidades em situação de inadimplência contratual.


CBB novamente ignora questionamentos sobre dívidas da entidade
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Fábio Balassiano

nunes3Como sempre faço depois das análises dos Balanços Financeiros da entidade máximo do basquete brasileiro, endereço perguntas à Confederação para esclarecimentos sobre a grave situação da CBB. Mas como acontece há três anos nenhuma resposta chegou ao meu e-mail. Nada surpreendente para uma instituição que tem como uma de suas principais bandeiras a falta de transparência e ausência de credibilidade.

Quem gosta de basquete fica sem resposta. Mais que isso: o cidadão brasileiro, que acaba sustentando (mesmo sem querer e/ou sem ser consultado) uma entidade erguida cada vez mais com dinheiro público, fica sem resposta. Se o Ministério do Esporte, que está copiado em TODOS os e-mails e não toma providência alguma em relação a fazer com que as respostas cheguem ao destinatário (pois é OBRIGAÇÃO prestar contas de algo quando o dinheiro é PÚBLICO), convive bem com isso, eu não tenho muito mais o que fazer ou dizer.

Coloco abaixo as perguntas enviadas a entidade presidida por Carlos Nunes:

cbb31) Como a CBB explica o aumento da dívida ano após ano (já estando em R$ 13 milhões o total)? O que justifica isso? Houve algum investimento esportivo que justificasse tamanho crescimento de dívida

2) A CBB tem, hoje, mais de R$ 5,2 milhões em empréstimos bancários contraídos. A entidade considera salutar ter um volume assim tão alto de empréstimo, tendo em vista os juros cobrados por instituições financeiras?

3) Não precisa ser nenhum gênio financeiro para saber que quando uma instituição tem muitos problemas financeiros o principal a se fazer é cortar custos. Ao contrário disso, as despesas da CBB aumentam ano após ano. Só da estrutura da Confederação há um custo superior a R$ 1 milhão/mês. Como explica isso? Há algum motivo para tanto custo de uma estrutura assim?

nunes24) Como a CBB pretende quitar essas dívidas?

5) A CBB apresenta uma série de dívidas tributárias, ou seja, com o governo federal. A entidade considera salutar contrair tantas dívidas assim com o principal financiador do basquete brasileiro? Em 2014 mais de 50% das receitas do basquete vieram do governo federal através de Lei de Incentivo, Convênios, etc. .

cbb86) O presidente Carlos Nunes vive dizendo que não há dinheiro nos cofres da CBB, mas em 2014 foram recebidos mais de R$ 24,5 milhões para investimento no basquete. Em que foi aplicada esta receita total?

7) Qual o motivo de o processo da Champions contra a CBB ter sumido do Balanço?

nunes18) Como está o processo movido pelo Itaú contra a CBB? A entidade está honrando seus compromissos com o banco?

9) Qual o motivo de a CBB arcar com custos do Campeonato Nacional Feminino, como consta em Balanço? A LBF não é independente da entidade?

10) O único imóvel que a CBB possui atualmente é a sua sede. Tendo em vista as dívidas crescentes, existe risco de a Confederação perder sua sede?

11) Em 2011 foi feita a compra, por parte da CBB, de um veículo cujo valor foi de R$ 40 mil. Qual o objetivo de se comprar um veículo? Quem o utiliza?

cbb712) O Balanço deste ano registra R$ 6,2 milhões de custo com competições nacionais. Que competições são estas? Onde é possível ver a abertura destes gastos?

13) O Balanço deste ano registra R$ 7,4 milhões de custo com competições internacionais. Que competições são estas? Onde é possível ver a abertura destes gastos?

financas3014) Recentemente a CBB anunciou que tentará construir o seu Centro de Treinamento. Como a entidade pretende levantar um empreendimento que, sabemos, é caríssimo?

15) O convite do Mundial masculino de 2014 já foi pago? Se não foi pago, como a entidade pretende fazê-lo, visto que está atolada em dívidas?

16) Com este volume altíssimo de dívidas, como a entidade pretende fazer a preparação das seleções brasileiras em 2016, que é um ano olímpico?


Especialista afirma: ‘Gestão financeira deixa a desejar e CBB está falida’
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Fábio Balassiano

Por Professor Jorge Eduardo Scarpin, Docente do Mestrado em Ciências Contábeis – UFPR (mais aqui). E-Mails para: jscarpin@gmail.com .

financas5Seguindo o padrão de 2013, a Confederação Brasileira de Basketball teve piora nas suas contas em todos os aspectos relevantes: endividamento, capacidade de pagamento, receitas, despesas e déficit. Para a análise ficar mais completa, vamos separá-la em grandes pontos, considerando o ano de 2014 e comparando com os anos imediatamente anteriores quando necessário.

Um ponto negativo, antes de qualquer análise é, assim como em 2013, a piora na evidenciação das informações por parte da CBB. Em 2014 e 2013, ao contrário dos anos anteriores, não há notas explicativas sobre as despesas da entidade tais como Eventos, Competições Nacionais e Competições Internacionais. Isto dificulta a análise e faz com que tenhamos que trabalhar com estimativas com base em outros dados do balanço.

financas7Outro ponto muito negativo é que novamente houve uma ênfase da auditoria quanto a situação econômica da entidade. Normalmente os pareceres de auditoria se limitam a expressar a confiabilidade ou não das demonstrações contábeis. Apenas quando o auditor constata “que há evidências de riscos na continuidade normal das atividades da entidade” (texto da NBC T11 – norma contábil que rege a auditoria no Brasil) o auditor faz este tipo de menção. No caso da CBB, em 2014 houve o seguinte parágrafo de ênfase:

cbbA entidade vem apresentando déficits sucessivos e, consequentemente, seu patrimônio líquido está negativo, passivo a descoberto (sinônimo de patrimônio líquido negativo). A administração da entidade deve planejar e/ou buscar alternativas de curto prazo para reverter esta situação

Considerando esta primeira evidência negativa vamos proceder agora à análise técnica dos principais elementos do patrimônio da CBB.

1) Envididamento

Apesar do bom nível de contabilidade da entidade, pela própria característica da CBB que é trabalhar com convênios, os balanços ficam um pouco confusos e um ajuste precisou ser feito para fins de análise. Tal procedimento é relativamente comum, pois a visão de um analista é diferente da visão interna de uma empresa.

financas1O ajuste refere-se ao recebimento antecipado de verba com convênios. É o caso de uma empresa injetar R$ 20 milhões para um projeto específico em 2014, mas o gasto será apenas em 2015. Isso faz com que a CBB tenha dinheiro, mas que não possa gastá-lo, pois o dinheiro é exclusivamente para tal projeto. E, enquanto este projeto não é executado, se considera uma dívida (passivo), visto que, se a CBB não gasta o dinheiro no projeto específico, este dinheiro precisa ser devolvido. É o que chamamos, normalmente, de dinheiro carimbado. Para efeitos de análise, é altamente recomendável que este dinheiro carimbado seja excluído da análise, pois dá uma falsa sensação de haver muito dinheiro em caixa e também uma quantia enorme de dívidas. Sendo assim, os valores passam a ser os seguintes:

cbb12

Para chegarmos ao valor total das dívidas da CBB, deve-se somar o Passivo Circulante (dívidas já vencidas ou que vencem no ano de 2015) e o Passivo não Circulante (dívidas que vencem após 31/12/2015). Considerando os valores reclassificados, observa-se um montante de dívidas no valor de R$ 13.021.593.

Esse volume de dívidas traz uma informação preocupante que é o aumento constante no seu valor. Com exceção de 2012, quando houve uma leve melhora, os números são crescentes e preocupantes. O gráfico abaixo dá uma boa dimensão do problema.

cbb3

financas6Em 6 anos, o aumento da dívida foi de inacreditáveis 1.500%, fazendo a Confederação passar de uma situação de quase inexistência de dívidas em 2009 para um volume muito grande de dívidas em 2013.

Deste volume total de dívidas, há dívidas tributárias, processos trabalhistas, fornecedores e principalmente bancos, com um volume de R$ 5,2 milhões em empréstimos bancários, aumento de 18% em relação ao ano anterior. Entretanto, isto é apenas a ponta do iceberg.

Sempre que olhamos o endividamento, temos que comparar o volume de dívidas com os bens que uma entidade possui para pagá-las. Em balanços de empresas normais, veremos um volume de dívidas muito alto, porém, como os bens que possuem são maiores ainda, tal fato passa a ser relativizado.

financas2No caso da CBB, o rombo é muito pior. Apenas de dívidas de curto prazo, com vencimento no ano de 2015, o montante é de mais de R$ 8 milhões (depois da reclassificação), um aumento de 42,5% em relação ao ano de 2013, que já foi muito ruim, além de R$ 5.000.896 que a CBB considera que terá que desembolsar no longo prazo (28% superior ao ano de 2013 e sendo crescente ao longos dos anos).

Em uma empresa saudável, o volume de dívidas (endividamento) não deve superar 66% (2/3) do seu volume de bens e direitos (ativos). Entretanto, na CBB, o volume de dívidas representa 300% do volume de ativos (em 2013 este número era de 219%). Ou seja, a CBB tem de dívidas mais do que possui de bens e direitos. Isto significa que, caso a CBB vendesse tudo o que possui, teria condições de arcar apenas com um terço de suas dívidas (em 2013 este número era de 45,5%). O gráfico abaixo mostra a piora acentuada ano a ano do endividamento da CBB ao longo dos últimos seis anos.

cbb4

financas4Além disto, se olharmos o que a CBB tem de bens e direitos de curto prazo, ou seja, que são mais fáceis de transformar em dinheiro, vemos que a situação é ainda mais catastrófica. Estes recursos, que em uma empresa normal devem superar as dívidas de curto prazo, cobrem apenas 19% (em 2013 este número era de 25%) destas dívidas. Isto faz com que a entidade seja de altíssimo risco para conseguir financiamento, fazendo com que pague juros muito altos para a rolagem da sua dívida. Com exceção de 2011, onde houve uma ligeira melhora, esse indicador tem caído drasticamente ao longo dos anos, sendo o primeiro ano cujo indicador ultrapassou a barreira dos 20%, como mostra o gráfico a seguir.

cbb5

Em relação ao prazo da dívida, a situação praticamente não se alterou em relação a 2013. Em 2012, 41% dos empréstimos eram de curto prazo e 59% de longo. Em 2013 os números passam para 45% dos empréstimos de curto prazo e 55% de longo prazo. Já em 2014 os números passam para 44% de empréstimos de curto e 56% de longo prazo. Olhando os dados na nota explicativa, temos os seguintes valores de empréstimos.

cbb6

financas12Analisando os valores, podemos observar que o empréstimo do Banco Itaú de curto prazo se manteve e houve uma redução do empréstimo de longo prazo, o que mostra que a CBB não deve estar renovando esta dívida. Já a dívida do Banco Bradesco aumentou tanto no curto, quanto no longo prazo, o que evidencia um maior relacionamento entre a confederação e o Bradesco.

Outro fato a se destacar é novamente o aumento no valor de dívidas tributárias, principalmente com o INSS e IRRF. Enquanto em 2012 as dívidas tributárias em parcelamento junto ao governo eram de 1.208.437, em 2013 saltaram para 1.978.739 e em 2014 saltaram para 2.596.284, aumento de 31%.

financas14Um fato que causou estranheza foi a não evidenciação, em nota explicativa, do processo judicial movido pela empresa Champion Products Europe Ltda contra a CBB referente a um contrato preliminar de patrocínio, firmado em 31/12/2008. Este processo estava em 2013 com um saldo de R$ 4.175.535 e não foi informado se o processo continua transitando na justiça ou se a CBB venceu a causa.

2) Prestação de Contas

financas16Pelo que se depreende das informações da CBB, um fato me causou estranheza quanto aos passivos relativos às leis de incentivo. Nestas contas é contabilizado o dinheiro recebido e ainda não gasto com projetos. Normalmente esta conta possui valores recebidos e que serão gastos em projetos no ano seguinte.

Quando esta conta fica com saldos constantes, pode-se observar ou que o projeto não caminhou no referido ano ou que está com alguma pendência de prestação de contas e por isto ainda é considerado como uma dívida potencial.

financas15No ano de 2014, um valor novamente me saltou aos olhos. Há R$ 690.778 referentes ao projeto “Campeonato Nacional Feminino de Basquete”, competição que já não é mais organizada pela CBB. E tal valor teve um leve aumento em relação aos anos anteriores que desde 2011 vinha sendo de R$ 590.791. Entretanto, como não há abertura maior sobre a razão pela qual o valor ainda permanece no balanço, não podemos fazer afirmação nenhuma neste sentido.

3) Déficit

O déficit (que é o equivalente a prejuízo se a CBB fosse uma empresa privada) depois de uma diminuição no ano de 2012 em relação a 2011 voltou a subir em 2013 e atingiu o maior nível desde que começamos as análises em 2009, como mostra o gráfico a seguir.

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financas20Como visto, pela primeira vez o déficit passa de R$ 3 milhões no ano, com aumento de extraordinários 284% em relação a 2013. O aumento no déficit poderia ter acontecido ou por redução da receita ou pelo aumento da despesa ou por uma combinação dos dois itens.

As receitas, pela primeira vez desde 2009, caíram em relação ao ano anterior, voltando a níveis inferiores do que o ano de 2011. Em 2014, as receitas foram de 24,5 milhões, contra 27,5 milhões em 2013 (queda de 12%). O gráfico a seguir mostra bem essa realidade.

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financas21Analisando os motivos da queda, vemos duas informações relevantes. A primeira de que a queda maior se deu em relação a captação de projetos por meio de lei de incentivo, de R$ 5,2 milhões em 2013 para R$ 3,7 milhões em 2014 (queda de 28,5%), enquanto as demais apresentaram oscilações entre -10% e +10%. Apenas a conta de outras receitas (sem especificação pela CBB) caiu 66%, mas o montante não é tão considerável (R$ 862 mil em 2013 e 293 mil em 2014).

Outro ponto a se destacar é que, em 2014, o único patrocínio da CBB foi com o Banco Bradesco (R$ 8,7 milhões), que também é o único banco que continua a injetar dinheiro na CBB na forma de empréstimos. Pelo visto, a dependência da CBB em relação ao Bradesco aumentou consideravelmente em 2014.

Um fato curioso é que os gastos tiveram uma leve queda, passando de R$ 28,3 milhões em 2013 para 27,7 milhões em 2014. Em princípio, isto é um fato positivo, mas a análise deve ser feita com mais cuidado. Ao analisar a composição dos gastos, me deparei com alguns fatos interessantes:

financas23a) Juros -> ACBB paga juros a bancos. E paga desde 2009. Mas o gasto com juros foi reduzido, mesmo com o nível de dívidas tendo aumentado. Como o patrocinador da CBB agora é um banco, é natural que o relacionamento entre a CBB e o banco tenha aumentado, possibilitando redução das taxas. Em 2009, a despesa com juros somou R$ 29.286, em 2010 somou R$ 833.234, em 2011 R$ 1.272.059, em 2012 recuou para R$ 717.950, em 2013 aumentou para R$ 2.524.094 e em 2014 recuou para 829.524, o mais baixo desde 2012. O gráfico a seguir exemplifica melhor essa melhora.

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b) Manutenção da estrutura da CBB -> As despesas com pessoal somadas às demais despesas administrativas da CBB somaram R$ 12.570.265 (aumento de 36% em relação a 2013), ou, em média, R$ 1.047.522 mensais. Isto tudo sem considerar os gastos com eventos propriamente ditos, só com a operação administrativa da CBB. Este número é o maior da história e pior do que 2013 (R$ 9.219.440), voltando aos patamares de 2012 e 2011. O gráfico a seguir mostra a evolução dos números.

cbb10


financas25c) Competições nacionais ->
 Enquanto os gastos com a manutenção da estrutura da CBB caíram, o gasto com competições nacionais reduziu significativamente. Em 2014, a CBB gastou R$ 6.235.127 com competições nacionais, contra R$ 12.688.615 em 2013 (queda de 51%). Achei estranho também a CBB não ter divulgado nenhuma nota sobre este gasto. As únicas pistas sobre estes gastos estão nos projetos captados pela entidade, com gastos em Campeonato Brasileiro de Seleções Sub-17 (mais de R$ 2 milhões), Ações da CBB (sem descrição do que é), aquisição de material técnico esportivo etc. .

financas28Inclusive, neste item a CBB cometeu um erro terrível ao fazer um cópia e cola da nota de despesas financeiras na nota de competições nacionais e internacionais. Olhem que pérola descrita na nota explicativa 21 – Campeonatos nacionais e internacionais (… explicando como funcionam os recursos da lei Piva …): ao explicar quais são os campeonatos, a nota diz que a “Confederação provado referem-se a Referem-se, substancialmente, de juros sobre empréstimos, impostos e tarifas bancárias, impostos sobre contratos de câmbio e impostos sobre aplicações financeiras. A prestação de contas junto a essas entidades é feira periodicamente”. Alguém entendeu alguma coisa? Infelizmente nem eu.

d) Competições Internacionais -> Em 2014 a CBB teve um gasto de R$ 7.442.610 contra R$ 3.013.353 de 2013 e R$ 5.769.772 em 2012. Este aumento é compreensível, pois em 2014 houve o Campeonato Mundial Masculino e Feminino, enquanto que em 2013 houve apenas os Jogos Sul-americanos e a Copa América, competições mais baratas para a CBB.

Conclusões

financas31Fechando esta análise, pode-se dizer: Se a CBB fosse uma empresa privada, estaria em situação falimentar, ou seja, ou já estaria de portas fechadas ou se encaminhando para isto. Não vou entrar no mérito se a gestão esportiva é boa ou não, não sou especialista na área, mas, com certeza, a gestão financeira deixa muito, mas muito a desejar.

financas30Em 2012 observamos uma leve melhora nas contas, mas em 2013 a situação voltou a piorar e em 2014 a situação se mostrou a pior de toda a série, em todas as dimensões de análise.

Ressalte-se que toda esta análise foi feita com os dados fornecidos pela própria CBB em seus balanços, sem nenhuma montagem minha quanto a números, bem como nenhum acesso a informação privilegiada.


Balanço Financeiro da CBB – Gestão da entidade é o Brasil que não dá certo
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Fábio Balassiano

nunes2Desde segunda-feira você tem visto neste espaço a análise sobre o Balanço Financeiro da Confederação (mais aqui e aqui). O tema, aliás, foi abordado também por Juca Kfouri e José Cruz. Amanhã o Professor Jorge Eduardo Scarpin aparecerá no blog para falar ainda mais dos números da entidade máxima com a propriedade que lhe é peculiar. Desde canto, cabe-me analisar a terrível gestão de Carlos Nunes à frente da CBB desde que assumiu em 2009.

cbb10Não sou (insisto nisso) especialista financeiro, mas me choca ver uma entidade até certo ponto pequena (quem conhece a sede na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, sabe do que falo) ter um custo tão alto. Gostaria de ver, linha a linha, como esses caras estão tratando de equilibrar as contas. Mais do que matematicamente, vejo o absurdo que é a total ausência de projeto para recolocar a modalidade em lugar de destaque.

cbb8Onde está o Centro de Treinamento, sonho antigo do basqueteiro? Quantos projetos mais veremos até que a pedra-fundamental seja de fato lançada? Cadê o novo modelo para tratar as divisões de base no país? Até quando veremos o famigerado Brasileiro de Seleções Estaduais de Base em voga? E as Federações Estaduais, quando serão cobradas a trabalhar de forma mais eficiente? E os clubes, quando receberão o incentivo necessário para continuar desenvolver o basquete? E os treinadores, como estão sendo capacitados para ensinar melhor a molecada? E os garotos, como estão sendo monitorados aqui dentro e lá fora? Quando será criada a loja online da entidade máxima? Grana para investir, como se vê, não falta.

AAPBPoderia continuar elencando coisas aqui, mas não há nada que vá mudar o atual estágio do esporte. Não há nem sequer cobrança por parte da “comunidade do basquete” (odeio esse termo, mas tudo bem). Os dirigentes das Federações são tão ou mais inertes que Carlos Nunes, o presidente da Confederação Brasileira. Os clubes, por sua vez, parecem ansestesiados tentando fechar as suas contas. A imprensa, com raríssimas e ocasionais exceções, praticamente ignora os sobressaltos da CBB. Os atletas, que deveriam elevar o nível da discussão e exigir melhorias, até o momento parecem mais interessados em acompanhar o processo do que em se inserir como agentes de mudança. Quando digo que não vejo chance alguma de mudança é por tudo isso que expus acima. Não é pessimismo, mas sim realismo.

cbbNo final das contas, a CBB é justamente o microcosmo do Brasil que não queremos ver. Em um pequeno espaço há ineficiência de gestão, mau uso de verbas (públicas ou privadas), pouco apreço a transparência, violência contra a liberdade de expressão, federações completamente inertes, alto custo operacional, dívidas absurdas e nenhum planejamento para tirar a modalidade do buraco.

O pior (e isso eu repito sempre) é que o fundo do poço da CBB é sempre mais fundo do que a gente imagina. Tem sempre uma dívida nova, um vexame em competição internacional surgindo ou uma falta de pagamento aparecendo. Se está ruim hoje, certamente estará pior amanhã.

caminhoSendo muito sincero com vocês: cansa ter que ficar analisando o basquete brasileiro pelo lado de fora da quadra. Seria muito mais bacana, daria muito mais prazer pra mim, falar apenas da parte técnica e tática do jogo. Mas infelizmente não dá quando a falta de capacidade administrativa da CBB influencia diretamente na qualidade (ou na falta dela) que vemos há mais de duas décadas. Ignorar este tema para mim é ainda pior e faria com que compactuasse com a verdadeira insanidade que é esta gestão da Confederação Brasileira. Prefiro, portanto, pecar pelo excesso das indagações do que simplesmente fingir que está tudo bem (como está cheio de gente fazer por aí). É mais honesto comigo mesmo e principalmente com vocês, que sabem a (vigilante) linha que este espaço segue há tempos.

nunes1Por fim, sabem o que mais me surpreende? Que nem mesmo a modalidade na lona faz o mandatário maior do esporte no país mudar a sua forma de gestão. Trata-se tudo como se estivesse tudo bem. Como se esta ainda fosse a segunda maior modalidade do país (algo que não é faz tempo). Vive-se, portanto, em um mundo de faz de conta e onde o discurso de “estamos no caminho certo” é aplaudido por uma imensa turma de aliados, puxa-sacos e alienados.

É este o jeito Carlos Nunes de governar. Um exemplo. Um exemplo de como não se gerencia instituição/empresa alguma neste país. Um exemplo do Brasil que não queremos e que não dá certo. O basquete sangra cada vez mais com isso.


Análise do Balanço Financeiro da CBB: dívida aumenta para R$ 13mi em 2014
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Fábio Balassiano

nunes2Você viu aqui ontem um breve histórico das terríveis contas da CBB. A entidade máxima, aliás, recebeu um ultimato da FIBA (Federação Internacional) para pagar até 31 de julho o convite do Mundial Masculino de 2014 caso queira mesmo ter a vaga olímpica no Rio-2016 garantida (matéria do UOL aqui).

E como fechou o ano de 2014? Ficamos, o Professor Jorge Eduardo Scarpin e eu, debruçados nos números pelas últimas semanas para chegar à análise que você verá abaixo. Quem quiser fazer sua própria é possível entrar no site oficial (página 155 em diante) através do link que coloco aqui.

O resultado, porém, não é nada que deva ser comemorado. A dívida cresceu de novo (mais R$ 3,6 mi), apesar de uma receita mensal superior a R$ 2mi, e chegou a surreais R$ 13,1 milhões. As contas da entidade fecharam assim:

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O cenário é pra lá de assustador, não é mesmo? Vamos a alguns fatos interessantes:
cbb11) Ao contrário dos últimos anos, desta vez as contas da Confederação Brasileira não foram aprovadas por unanimidade na Assembleia Geral que aconteceu no Rio de Janeiro. Houve quem levantasse a mão para reclamar da loucura que tem sido feita com o dinheiro na entidade máxima do basquete brasileiro, sim. As Federações de Mato Grosso (presidente Karine Gomes Ribeiro) e a de Goiânia (Eli Toscano Pascoal), corajosas, não aprovaram as contas. As demais, sim. A Associação de Atletas (AAPB) desta vez parece ter aprendido com o erro de 2014. Preferiu se abster de aprovar ou recusar e, devido ao pouco tempo hábil para análise (menos de 12h), preferiu ficar apenas acompanhando a Assembleia ao invés de chancelar a o governor Nunes (no que fez bem).

balanco12) A própria empresa que realizou a Auditoria (Unity) fez uma análise bem dura sobre a situação financeira da entidade (página 160): “A entidade vem apresentando déficits sucessivos e, consequentemente, seu patrimônio líquido está negativo, passivo a descoberto. A administração da entidade deve planejar e/ou buscar alternativas de curto prazo para reverter esta situação”.

nunes13) Presidente da entidade, Carlos Nunes vive a reclamar que a CBB não tem dinheiro para nada desde que a Eletrobras tirou a grana da entidade. Há, inclusive, conversas avançadas para que outra empresa estatal patrocine a Confederação, mas até agora nada concreto. O que há de verdade mesmo é o seguinte: é uma balela deslavada dizer que a CBB não tem receita para investir na modalidade. Em 2014 foram R$ 24,5 milhões que entraram, pouco a menos que os R$ 27,4 mi de 2013 mas muito a mais que os R$ 17,7 mi de 2010 e praticamente o mesmo de 2012 (R$ 25,7 mi) e 2011 (R$ 25,2 mi). Qual o motivo para tanta grita do mandatário maior?

3.1) Desde que Nunes entrou na Confederação (em 2009) são mais de R$ 136 milhões recebidos para o basquete (média de R$ 22,7 mi/ano). Muita coisa, não? Qual o motivo para não haver um único investimento relevante no esporte em tanto tempo desde o começo de sua gestão? Qual a grande dificuldade em administrar o basquete de forma profissional e austera?

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nunes24) O que chama a atenção mesmo é o crescimento das despesas da Confederação Brasileira de Basketball. Entre 2011 e 2014 a entidade máxima praticamente manteve os seus números (de R$ 27,8 mi para R$ 27,7 mi ). Querem um número mágico? A estrutura da CBB custa, por ano, R$ 12,5 mi (pior número de sua história e R$ 3,3 mi a mais que em 2013), ou seja, mais de R$ 1 milhão por mês (despesas com pessoal + administrativas). Muita coisa sem dúvida alguma. E para quem está nas cordas financeiramente não me parece ser o melhor cenário, né?

5) Se fosse uma casa, a CBB teria um balanço mensal mais ou menos assim. Entrando mais de R$ 2 mi no caixa todos os meses, a entidade máxima, vejam que sensacional, consegue a proeza de gastar R$ 2,3 mi a cada 30 dias. Claro que dá problema, né? Dívida que se acumula loucamente mês a mês. Em uma conta básica, dividindo tudo por 12, ficaríamos assim:

cbbano

numeros6) Ou seja: não precisa ser nenhum gênio das finanças para perceber que mensalmente a CBB tem uma dívida da ordem de R$ 270 mil batendo na conta. Ou seja do ou seja: toda vez que o calendário bate no dia 30 a entidade máxima termina o período com um vermelho de quase R$ 300 mil. No final de 2014, a dívida dos 12 meses foi de surreais R$ 3,2 mi. Maravilha, não? Não…

nunes37) Choca absurdamente ver que entre 2009 e 2014 o presidente Carlos Nunes tenha conseguido elevar a dívida da CBB de R$ 800 mil para mais de R$ 13 mi. Antes “tolerável”, hoje ela está em um cenário difícil de ser digerido e administrado – principalmente por quem tem demonstrado há tempos que não sabe o que fazer neste sentido. Será que não caberia uma investigação mais apurada do Tribunal de Contas da União (que já se manifestou aqui em 2014), Ministério do Esporte ou de outra esfera nestas contas? De cara há uma administração péssima do esporte. Esporte este que tem 57 % de sua verba de patrocínio estatal (R$ 13 dos 24 mi recebidos).

7.1) Não custa lembrar que nas dívidas do Balanço Financeiro não constam a falta de pagamento a FIBA do convite do Mundial e nem falta de salários a altetas e técnicos, por exemplo. Ou seja: o rombo é ainda maior, não tenhamos dúvida disso.

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8) Novamente houve aumento no valor de dívidas tributárias, principalmente com o INSS e IRRF. Enquanto em 2012 elas eram de R$ 1,2mi, em 2013 saltaram para R$ 1,9mi e em 2014 chegaram a R$ 2,5mi (aumento de 31%). Para uma entidade que vive a receber ou pedir dinheiro do governo está longe de ser um bom sinal, não é mesmo?

lbf19) No ano de 2014 aparece no Balanço Financeiro um custo de R$ 690 mil da entidade para com o Campeonato Nacional Feminino (algo que já vinha acontecendo nos outros anos também). Ora bolas, a Liga de Basquete Feminino (LBF) é ou não independente? Não consigo compreender bem isso.

Está chocado? Ou já se habitou a ver as contas da CBB sangrando tanto assim? Nos próximos dias tem mais, fique ligado!


Análise do Balanço Financeiro da CBB – veja histórico
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Fábio Balassiano

nunes1Como este blog faz há exatos quatro quatro anos (este será o quinto) começa hoje a análise do Balanço Financeiro da Confederação Brasileira de Basketball. Administrada há seis anos por Carlos Nunes (eleito em 2009 – na foto de abertura deste texto), a entidade máxima do basquete brasileiro acumula dívidas absurdas ao longo de sua gestão. Pior que o rombo financeiro só mesmo detectar que não há um único projeto de desenvolvimento da modalidade em andamento.

Quem lê este espaço há algum tempo já conhece o cenário, e quem está chegando agora eu coloco abaixo uma tabela básica com receita, despesa, saldo desta conta (Receita menos Despesa) e dívida da entidade máxima nos últimos anos.

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nunes1Para acessar análises mais antigas, links abaixo:

a) Análise do Balanço Financeiro de 2010 (aqui, aquiaqui, aqui e aqui)
b) Análise do Balanço Financeiro de 2011 (aqui , aqui e aqui)
c) Análise do Balanço Financeiro de 2012 (aqui, aqui , aquiaqui)
d) Análise do Balanço Financeiro de 2013 ( aqui , aqui , aqui , aqui , aqui , aqui e aqui )

nunes5Fatos interessantes dos últimos meses:

a) CBB não paga convite do Mundial Masculino de 2014, e FIBA não garante vaga olímpica ao país em 2016 (aqui e aqui)
b) CBB passa a cobrar anuidade dos árbitros (aqui)
c) Seleção Masculina Sub-16 não jogará o Mundial em 2016. Seleções Femininas terão menos de 15 dias de treinamento (aqui)
d) Apesar de ter aprovado, os projetos da CBB não tiveram a grana liberada pelo Ministério do Esporte em 2014 (ano eleitoral, vocês devem imaginar a dificuldade de aprovar isso…). Mais aqui.
e) Grego e Carlos Nunes estão mais unidos do que nunca (aqui)

dupla1Próximos passos aqui no blog:
23.06 -> Como fecharam as contas da CBB em 2014?
24.06 -> Minha análise sobre o Balanço da CBB
25.06 -> A Análise do Professor Jorge Eduardo Scarpin, Docente do Mestrado em Ciências Contábeis – UFPR (mais aqui).
26.06 -> As perguntas enviadas pelo blog à CBB (não haverá respostas, mas foram enviadas)

Fiquem de olho e se tiverem dúvidas me perguntem na caixinha de comentários ou por e-mail ( fabio.balassiano@gmail.com ).