Bala na Cesta

Categoria : Rio-2016

Visando a Paralimpíada, seleções brasileiras terminam preparação em Niterói
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Fábio Balassiano

paralimpiada310Terminou a fase de preparação das seleções brasileiras masculina e feminina de basquete em cadeira de rodas visando as Paralimpíadas do Rio de Janeiro. Os times realizaram três amistosos contra a Espanha em Niterói entre 26 e 28 de agosto, e agora se aproximam da entrada na Vila Olímpica.

Sob o comando do treinador Tiago Frank, a seleção masculina faz sua estreia, no dia 8 de setembro, contra uma das equipes favoritas: os Estados Unidos (15h15). Na primeira fase, a equipe brasileira, que integra o Grupo B, enfrentará também Alemanha, Grã-Bretanha, Irã e Argélia. O Grupo A conta com Espanha, Austrália, Canadá, Turquia, Holanda e Japão. Os quatro melhores de cada chave avançam às quartas-de-final.

paralimpiada120Vale lembrar que o Brasil chega à Paralimpíada depois de uma série de bons resultados em amistosos, além de ter conquistado o tetracampeonato no Sul-Americano de 2016. Este ano o time masculino venceu três de quatro amistosos contra a Alemanha, medalha de bronze no Campeonato Europeu do ano passado, e três de quatro jogos contra o Canadá, atual campeão paralímpico. No Sul-Americano, o Brasil venceu Peru, Venezuela, Argentina, Colômbia e Uruguai. Contra a Espanha, nesta última semana, duas vitórias em três duelos.

foto10Já a seleção feminina, medalha de bronze no Parapan de 2015, enfrenta a Argentina na sua primeira partida nos Jogos Paralímpicos no dia 8 de setembro às 12h15. Em maio, a seleção encarou e venceu as argentinas em quatro amistosos. A equipe brasileira também enfrentou em uma série de três amistosos as canadenses campeãs mundiais, com saldo final de uma vitória e duas derrotas. O time é comandado pelo treinador Martoni Sampaio. O Brasil integra o Grupo A, que conta com Canadá, Alemanha, Grã-Bretanha e Argentina. O Grupo B é formado pelas seleções dos Estados Unidos, Holanda, França, China e Argélia. Também avançam à segunda fase os quatro mais bem colocados.

paralimpiada210Sobre o basquete em cadeira de rodas -> A modalidade nasceu nos Estados Unidos, em 1945, sendo praticada por ex-soldados do exército norte-americano feridos durante a 2ª Guerra Mundial. É uma das poucas que esteve presente em todas as edições dos Jogos Paralímpicos. As mulheres disputaram a primeira Paralimpíada em Tel Aviv, no ano de 1968. O basquete em cadeira de rodas é praticado por atletas que tenham alguma deficiência físico-motora, sob as regras adaptadas da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF). As cadeiras são adaptadas e padronizadas, conforme previsto em regra. As dimensões da quadra e a altura da cesta são as mesmas do basquete olímpico.

Atenção1: Aqui está a tabela completa dos Jogos Paralímpicos
Atenção: Ainda há muitos ingressos para o basquete paralímpico. Aqui o site oficial.

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Análise Final – Seleção Brasileira Feminina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

Na semana passada analisei aqui a seleção masculina no Rio-2016. Vamos agora ao que deu certo e ao que não foi tão bem com a seleção feminina, que terminou a Olimpíada com 0-5, a pior campanha de sua história e na penúltima colocação (na frente apenas do possante time do Senegal):

O QUE DEU CERTO:

damiris11) Damiris na ala – Foi uma aposta do técnico Antonio Carlos Barbosa antes da Olimpíada. Tinha um pouco de medo pelo fato de Damiris nunca ter jogado uma competição internacional mais longe da cesta, no perímetro e contra atletas de bom nível. Mas deu muito certo. A camisa 12 terminou como a cestinha brasileira (16,8 pontos), 7,6 rebotes, teve bom aproveitamento nas bolas de dois pontos (50%), razoável acerto nos tiros longos (36%, acertando pelo menos uma cesta de três pontos em quatro das cinco partidas da primeira fase) e tendo 10+ pontos em todos os jogos que disputou. Se a campanha brasileira foi um fiasco, ao menos o país saiu do Rio-2016 com um projeto de formação que coloca as três principais jogadoras (Érika, Clarissa e Damiris) jogando juntas ao mesmo tempo e sem problema algum. Que ela continue a atuar assim, no perímetro e evoluindo nos fundamentos, em seu clube (o Corinthians / Americana) também.

izi12) Iziane (em alguns momentos) – A agora ex-jogadora (ela confirmou que se aposentadoria ao blog antes da Olimpíada, lembram?) começou a Olimpíada voando contra Austrália (25 pontos) e Japão (20 pontos), ruiu com o time contra Bielorrússia e França, mas fez 22 pontos em sua despedida contra a Turquia e terminou com 15,8 pontos de média, a segunda mais alta da equipe. Em um deserto de talento, tentou se desdobrar para pontuar no perímetro mesmo com limitações físicas que a atormentavam. O choro com sua mãe (foto ao lado) depois do confronto contra a Turquia, que eliminou a seleção definitivamente e colocou ponto final em sua carreira, foi um dos momentos mais bonitos da participação vexatória da equipe feminina no Rio de Janeiro.

joice3) Pequenas doses de Joice – É dor e alegria ao mesmo tempo. Acerta muito rápido e erra na mesma velocidade. Mas aos 29 anos mostrou que, em doses homeopáticas, pode ser útil nessa transição que passará o time feminino. Vendo-a jogar gosto de sua intensidade defensiva, mas me dá nervoso a sua condução de jogo/de bola / de ritmo. Creio que falte, mesmo, alguém que lhe mostre exatamente qual o momento de acelerar, o de segurar a partida, o de encontrar as suas companheiras e o de decidir por ela mesma. Sua vibração, se bem canalizada, porém, pode ser um ótimo remédio para um time que sofre quase sempre de depressão antes, durante e depois das partidas.

Clarissa4) Clarissa – Ala-pivô com uma explosão física descomunal, Clarissa terminou com 14,2 pontos e 12,4 rebotes de média. Registrou duplo-duplo em quatro de suas cinco partidas na Olimpíada e provou que deve ser peça-chave não só na equipe brasileira, mas na construção do basquete feminino do país. Possui problemas graves a serem corrigidos (leitura de jogo, muito fundamento, principalmente no passe e na tomada de decisão), mas ao mesmo tempo que dá um pouco de nervoso quando desperdiça bolas em profusão (6 contra a França, 3 contra Turquia e Japão – muita coisa), mostra uma disposição invejável perto da cesta. Se sua postura e suas ações fora de quadra são muito aquém do que se espera de um atleta profissional (sua visão sempre contemplativa e passiva irritam demais aos que querem ver mudanças no basquete brasileiro, mas aí é outra questão), perto da cesta ela tem atingido um nível internacional muito bom e muito além do que a galera que a viu jogando no Fluminense e na Mangueira há quase uma década poderia supor. Ela é um dínamo em pontos e rebotes e merece ser tratada com carinho no próximo ciclo olímpico.

O QUE NÃO DEU CERTO:

bra41) Antonio Carlos Barbosa – Não creio que precise falar, pois o Brasil foi uma catástrofe técnica e tática do início ao fim. Embora Barbosa tenha ido bem ao optar por Damiris na ala, abrindo espaço para o trio Érika-Clarissa-Damiris jogar junto, foi só isso de bom que tivemos em termos estratégicos para a Olimpíada. A opção por, de novo, deixar Iziane jogar apenas no um-contra-um se mostrou infrutífera e facilmente marcada pelas adversárias (a ala nem sequer recebia bloqueio…). O famoso high-low (jogo em que um pivô em cima do garrafão passa para o outro perto da cesta) dava certo com Alessandra, Cintia, Leila e Marta, mas obviamente não daria tão certo com Érika e Clarissa, pivôs que não passam bem, que não têm bola leitura de jogo e cujos arremessos de média distância não causam tanto dano assim aos rivais. O que as seleções faziam? Davam espaço no perímetro, fechavam a porta para o passe de entrada perto da cesta e dificultavam tudo para uma seleção totalmente sem imaginação. E aí tome bola para Iziane ou Damiris na individualização. Bom, né? Não, não é bom. Não é a toa que o Brasil teve a pífia média de 67 pontos/jogo e só conseguiu fazer 70+ pontos na partida de segunda prorrogação contra a Turquia.

barbosa1

Na defesa, outro ponto muito ruim. A marcação por zona foi uma das piores coisas que vi na vida em termos de seleção brasileira. Passiva, espaçada demais, quase um convite para rivais fazerem cestas de qualquer lugar da quadra. Pior do que este tipo de defesa não estar funcionando foi a insistência do técnico em utilizá-la em momentos muito longos dos jogos. Eu sei que lhe faltava material humano (e como faltava…), mas não dava para insistir por tanto tempo assim.

Se este foi o último ato de Barbosa como técnico (agora ele é candidato a presidente da CBB, vocês sabem, né…), não dá pra dizer que a última impressão deixada pelo medalhista de bronze em 2000 com a mesma seleção feminina foi boa.

erika12) Érika – Para mim a maior decepção individual desta Olimpíada. Também não vou entrar, aqui neste post, em suas decisões de fora de quadra (tal qual as de Clarissa, passivas, contemplativas etc.), mas dentro das quatro linhas ela foi muitíssimo mal. Para quem está entre as melhores pivôs do mundo, terminar  com 9 pontos e 44% nos arremessos de dois pontos não me parece um bom indicador. Além disso, Érika se perdeu em quase todas as partidas ao cometer, de cara, faltas em excesso, ficando muito menos tempo em quadra do que a equipe necessitaria dela. De jogo bom, jogo bom mesmo, apenas contra a Turquia (16+11 rebotes), quando a seleção já estava eliminada (ali não adiantava mais nada, infelizmente…). Como líder de um grupo jovem, Érika esteve muito abaixo do que poderia render. Aos 34 anos, ela diz que não deixará de vestir a camisa da seleção. Mas é óbvio que para os próximos Mundial e Olimpíada ela, aos 36 e 38 anos, já estará com muito menos força física do que no Rio-2016.

bra33) Horários iguais aos da seleção masculina – Este é um problema muito menos da seleção em si, mas da CBB e da organização do evento. Só que gera impacto, claro. Quase sempre esquecida, a seleção feminina jogou três vezes no mesmo horário da masculina. Se as atenções já são difíceis de serem conseguidas em condições normais, o que dizer quando horários batem com o do jogo dos rapazes? As audiências das partidas das meninas foram diminutas, e certamente o apoio no ginásio poderia ser maior caso houvesse, como houve com a seleção americana e também com a australiana, uma alternância de datas entre jogos masculinos e femininos (no dia que rapazes jogassem, meninas descansavam e vice-versa). É realmente uma pena que isso tenha ocorrido, causando uma diminuição no interesse pelos jogos delas.

bra54) Controle emocional – Isso não é de hoje e nem creio que tenha sido o principal problema de um time mal treinado e mal organizado taticamente. Mas o pandemônio emocional em que se encontrava a seleção feminina a cada dificuldade era algo que nunca tinha visto também. Vale dizer que em TODAS as partidas da primeira fase o time de Antonio Carlos Barbosa teve no mínimo 9 pontos de vantagem. Em TODAS as partidas sofreu a virada. Em TODAS as partidas ruiu psicologicamente na primeira dificuldade. Aí é difícil compreender. Como passar de um estágio de alegria, exaltação, empolgação, para um de pânico, depressão, tristeza máxima em tão pouco tempo? O jogo contra o Japão, o segundo da fase de classificação, foi emblemático neste sentido. O Brasil abriu vantagem no começo, e na primeira porta aberta viu as japonesas fazerem 54-32 entre o segundo e o terceiro períodos. Em uma partida de 40 minutos, oscilar por um minuto é grave e pode fazer a vitória escapar. Por um período inteiro ou até mais do que isso, então, nem se fala. Para as próximas etapas do período de seleção sugiro um trabalho psicológico sério, e não o que é feito sempre por aqui – faltando 15 dias para a competição contratam um profissional e está tudo bem. É preciso acompanhamento frequente, longo e conhecimento do atleta.

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Análise Final – Seleção Brasileira Masculina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

Eu sei que, agora, não adianta de muita coisa. Os Jogos Olímpicos acabaram há quase uma semana, o Brasil foi eliminado na primeira fase com a campanha de 2-3 (vitórias contra Espanha e Nigéria, derrotas para Lituânia, Croácia e Argentina) e, mais do que isso, Rubén Magnano já não é mais o técnico da seleção brasileira masculina ( aqui ). De todo modo, vamos lá a análise final dos acontecimentos na Olimpíada do Rio de Janeiro para o time masculino.

O QUE DEU CERTO:

nene11) Nenê – Que Olimpíada fez o ala-pivô (agora) do Houston Rockets. Intenso, bem fisicamente, atacando a cesta muitíssimo bem, passando ainda melhor e marcando com força. Fez três partidas muito boas (Lituânia, Argentina e Nigéria), e contra os hermanos simplesmente massacrou a Luis Scola com 24 pontos e 11 rebotes. Terminou os Jogos Olímpicos com 13 pontos, 6,4 rebotes e 3 assistências de média. Mais do que isso: conseguiu ser aplaudido pela torcida brasileira. Torcida brasileira que, anos atrás, em 2013, vaiou o cara em um amistoso da NBA. Se a Olimpíada foi um desastre para a seleção brasileira, eliminada na primeira fase, ao menos para o camisa 13 serviu para que ele voltasse a ficar bem com a galera. Em vários momentos teve seu nome gritado, vivendo momentos emocionantes.

benite2) Vitor Benite – Benite terminou as Olimpíadas com a melhor média de pontos por minuto da seleção brasileira. Teve 7,8 pontos por jogo nos Jogos do Rio de Janeiro. Por razões magnanianas que fogem da minha compreensão jogou apenas 13 minutos por jogo. Aos 26 anos, ele é o ala, para jogo FIBA, com a melhor combinação de defesa, arremesso, leitura de jogo e passe que o Brasil tem em seu elenco. Contra a Argentina, marcou bem a Manu Ginóbili e a Carlos Delfino, fez 13 pontos em um período (o segundo), incendiou a torcida, ajudou o Brasil a virar o jogo antes do intervalo e estava com uma confiança absurda. Magnano o sacou, Benite só jogou mais dois minutos na segunda etapa e o Brasil perdeu. Por inacreditável que possa parecer, seu único jogo com 20+ minutos foi o contra a Nigéria. Contra os africanos o camisa 8 respondeu com 15 pontos. Ali, porém, já era tarde. Benite merecia mais tempo de quadra, algo que ele verá apenas neste próximo ciclo olímpico, quando será uma das principais peças da seleção brasileira visando a Olimpíada de Tóquio em 2020.

torcida13) A sinergia torcida / time – Fui a dois jogos da seleção brasileira (Lituânia e Argentina) e não me lembro de ver uma sinergia tão bacana entre torcedores e equipe nacional de basquete. Nem no Mundial de 2006, quando a seleção feminina chegou às semifinais enchendo o ginásio do Ibirapuera contra a Austrália eu vi isso. Foi bonito, realmente bonito, de ver. No jogo contra a Espanha, na vitória agônica com o tapinha do Marquinhos, foi incrível ver a atmosfera do ginásio pulando, pulsando, se emocionando com o mais emocionante dos esportes. Talvez por isso é que tenha escrito da oportunidade que o basquete perdeu (com a eliminação precoce). O público queria se apaixonar pela seleção brasileira como também dissemos no Podcast. Queria voltar a se enamorar do basquete depois de anos de problemas. Queria saber quem são os novos ídolos. A tentativa de reconciliação, porém, durou apenas cinco jogos, três brigas e um não definitivo. A seleção marcou o encontro com a amada e se esqueceu do horário da festa. O que era pra ser amor virou irritação.

O QUE NÃO DEU CERTO:

Bra51) Rubén Magnano – Se não foi o único responsável, porque os jogadores erraram absurdamente em quadra também (nas faltas não cometidas em Ginóbili e Nocioni sobretudo), foi um dos principais (provavelmente o principal). Durante toda a competição tomou decisões equivocadas (e o técnico é o tomador de decisões, não?), viu seu time ser eliminado na primeira fase e no final das contas ainda conseguiu ter a pachorra de cair na dos tais protagonistas. Como se Bogdanovic, Campazzo, Nocioni, Mills, Dellavedova e até Scola fossem os principais jogadores de seus times. Aham, sei. Sobre o jogo com a Argentina eu enumerei sete erros capitais de Magnano. É só pegar a mesma fórmula e multiplicar por cinco. O agora ex-técnico cometeu os mesmos erros em TODOS os jogos da primeira fase da seleção brasileira. Um primor.

magnano11.1) Nem vou voltar a falar sobre seus métodos antiquados e retrógrados, pois estes pontos já foram abordados em textos anteriores. Só deixo uma perguntinha: quem termina a Olimpíada mais conhecido do público brasileiro, Carmelo Anthony ou QUALQUER jogador da seleção nacional? Carmelo foi a Santa Tereza, ao Cristo Redentor, ao Morro do Dona Marta, a um Projeto Esportivo social na Comunidade, a NBA House, aos jogos dos times americanos no vôlei de praia e demais esportes. E jogou muita bola. Os atletas de Magnano? Ficaram trancafiados desde o começo de julho. Quantas atividades sociais, de aproximação ao público, deixaram de ser feitas porque o treinador acreditava que isso mexeria com a cabeça dos atletas? Na mentalidade ditatorial/generalesca de Magnano, ganha-se assim. No basquete, e na vida, ganha-se com treinamento, performance e comprometimento. O resto, como também venho dizendo, é acessório e conversa que só brasileiro muito conservador ainda cai. Adianta do quê? De nada, né. A seleção americana, a Austrália, a Sérvia e a Espanha vieram ao Brasil, aproveitaram, curtiram o momento e na quadra demonstraram suas qualidades.

masc22) Sistema ofensivo – Havia muito tempo que não via um ataque de seleção brasileira tão ruim. Estático, sem imaginação, quase sempre finalizando as jogadas no um-contra-um, algo que, sabemos, é uma das piores jogadas em termos de conversão do basquete mundial. Duas coisas me chamam a atenção nisso tudo: 1) Quando são contratados para jogar no exterior, invariavelmente os jogadores brasileiros são elogiados por seus técnicos devido a sua capacidade de improvisação, por sua inventividade. Por que quando vestem a camisa da seleção eles são sumariamente castrados? É óbvio que precisamos ter organização tática, sistema, treinamento, isso tudo. Mas Huertas é um mago dos passes na quadra aberta. Quantas chances ele teve de fazer o que realmente sabe correndo com a bola?

raul1A seleção masculina quis porque quis jogar no meia quadra europeu que faz sucesso com times que são muito bons nisso e que possuem ótimos arremessadores (Kuzminskas, Bogdanovic, Maciulis, Rudy Fernandez, Patty Mills). O Brasil não possui um arremessador muito confiável do perímetro, mas tem ótimos jogadores de velocidade (Leandrinho, Huertas, Raulzinho mesmo). A seleção terminou chutando 20% de fora. Marquinhos, o melhor arremessador do elenco, 21%. Qual o motivo de Magnano ter insistido em SUA fórmula de sucesso de 15 anos atrás com a Argentina? Não teria sido melhor adaptar os seus conceitos ao material humano existente por aqui?; 2) Que jogadas de final do jogo são aquelas que temos armadas para nossos atletas? No duelo contra a Argentina o Brasil tinha 3,8 segundos de posse no final do tempo normal. E Nenê recebeu a bola na EXTREMIDADE DO GARRAFÃO (perto da lateral) para fazer um drive COMPLETO em direção a cesta. Isso é sério? Em nenhum lugar do mundo daria certo.

magnano13) Começos ruins – Contra a Lituânia o Brasil foi para o intervalo perdendo de 58-29. Contra a Croácia, 41-31. Para a Argentina, primeiro período com vantagem hermana de 28-19. Diante dos nigerianos, vitória africana na primeira parcial por 16-15. Qual o motivo para uma seleção brasileira jogando em casa começar tão mal assim as partidas da uma Olimpíada? Vão me desculpar, mas o argumento de “nervosismo” não me parece o mais adequado. O fato é que das partidas com começos ruins o Brasil não conseguiu se recuperar em duas (Lituânia e Croácia), atuando atrás no placar o duelo inteiro e saindo derrotado no final. O time correu como um maluco para se recuperar, mas no minuto 40 terminou a partida com o revés. Isso pesou na classificação final. O confronto contra a Lituânia, sinceramente falando, eu não me conformo até agora. O Brasil estreava em uma Olimpíada diante de seu torcedor, o ginásio estava lotado e a apatia fez um timaço de bola ir para o vestiário anotando quase 60 pontos. Foi o pior recado possível.

masc64) Senso de urgência / “Visão de Mercado” – O ponto acima se relaciona com este, mas não totalmente. Meu ponto, mesmo, aqui tem a ver com o que a eliminação precoce representaria, como representou, para o basquete brasileiro. A Confederação não foi capaz de demonstrar aos atletas quão grandioso e quão impactante para a modalidade seria uma medalha olímpica. Os jogadores, por sua vez, não demonstraram (perdão pela palavra) o tesão que a gente viu em times como Argentina, Austrália e Sérvia para ir longe. Eu falo bastante em profissionalismo por aqui, mas para jogar em seleção é preciso paixão, muita paixão. O que vimos em quadra era um time jogando, aparentemente, um torneio qualquer, algo que sabemos que não era (era uma Olimpíada e em casa, algo que não se repetirá com essa geração).

masc1Se não é o que eles sentiam (e provavelmente não é mesmo!), é a percepção que foi passada (e neste caso a percepção é pior do que a realidade, pois é com ela, a percepção, que o público vai pra casa). Não me pareceu, no final das contas, haver a noção histórica do que uma campanha que culminasse com a medalha representaria. Não me pareceu, também, que atletas, comissão e CBB tivessem a noção de mercado que ela, a medalha, traria de benefícios a um esporte que patina através de sua endividada Confederação e que vê, ano a ano, clubes fechando as portas. A Olimpíada, com uma medalha ou uma campanha digna, poderiam representar o ponto de partida para a retomada daquilo que já foi a modalidade. Aí acabamos a Olimpíada e o que temos? Um novo ídolo na canoagem (Isaquias fenomenal!), o judô e a vela sempre medalhando, o futebol conquistando a sua inédita medalha dourada e o vôlei saindo do Rio-2016 com dois ouros – na quadra e na praia – e uma prata. O basquete? Eliminado na primeira fase do masculino e do feminino. Qual o impacto para as próximas gerações? Não é algo positivo, né?

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Podcast BNC: O final da Olimpíada e as saídas de Magnano e Barbosa das seleções brasileiras
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Fábio Balassiano

eua16No Podcast desta semana Pedro Rodrigues e eu analisamos a reta final da Olimpíada, que teve dois ouros para os Estados Unidos e a presença de Sérvia e Espanha no pódio tanto no masculino quanto no feminino. Elegemos a seleção do Rio-2016 entre os rapazes e abordamos os destaques das meninas. Falamos, também, das saídas de Rubén Magnano e de Antonio Carlos Barbosa das seleções brasileiras masculina e feminina, respectivamente.

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Entendendo as saídas de Rubén Magnano e Barbosa das seleções
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Fábio Balassiano

dupla1Pretendia fazer hoje análises técnicas dos desempenhos das seleções brasileiras masculina e feminina no Rio-2016 (algo que trarei até sexta-feira, prometo). Mas ontem à tarde a Confederação Brasileira de Basketball divulgou em seu site que os dois técnicos não terão seus contratos renovados. Tanto Rubén Magnano quanto Antonio Carlos Barbosa deixam as equipes nacionais após as pífias campanhas na Olimpíada do Rio de Janeiro. Dá pra analisar caso a caso. Vamos lá:

barbosa11) A não renovação de contrato mais fácil de ser compreendida é a de Antonio Carlos Barbosa. Por dois motivos bem claros: a) Ele será, ao que tudo indica e como este blog antecipou ontem, candidato a presidência da CBB em 2017. Logo, seu quadrado passa a ser outro (o político, e não o técnico) a partir de agora; b) Desde que assumiu a equipe feminina após o imbróglio envolvendo Clubes da LBF e a Confederação no começo do ano, Barbosa dizia que sairia após o Rio-2016 independente do resultado. Ele fora chamado para uma emergência, para uma situação limite, e optou por tentar ajudar mesmo sabendo de todos os problemas e riscos que enfrentaria. Não dá pra dizer que ele foi bem (MUITO pelo contrário), porque um 0-5 em uma Olimpíada em casa é um 0-5, mas de antemão todos tinham plena noção de que a sua saída era pedra cantada. Não foi performance o motivo de sua saída, portanto.

bra32) O mesmo não se pode dizer de Rubén Magnano. Trazido pela Confederação Brasileira há sete anos como o salvador da pátria para alçar voos maiores com a seleção masculina, o treinador chegou cheio de energia, conquistou uma vaga olímpica que não vinha desde 1996 logo em seu segundo ano de trabalho, falou em mexer com toda a estrutura da modalidade no país por diversas vezes e deixou todos muito animado. Até Londres-2012, ele não foi mal. Depois disso, tornou-se um desastre (muito provavelmente porque viu que dentro dessa gestão de Carlos Nunes na CBB não poderia fazer nada de diferente mesmo). Nas palavras, na quadra, na condução do elenco, em sua visão retrógrada de basquete (e de mundo), em tudo.

Bra1E tem mais. Seus resultados em sete anos mostram que, apesar de uma prepotência monumental, ele não foi bem: em Mundiais, um nono lugar (2010) e um sexto (2014); em Olimpíadas, um quinto (2012) e um nono (2016); em Copa América, um vice-campeonato (2011) e dois nonos lugares (2013 e 2015); e em Pan-Americanos, um quinto (2011) e um título (2015). O tal “próximo passo”, de avançar às medalhas, a um patamar maior, ele não conseguiu. Some-se ao desempenho ruim com um elenco muito bom o fato de Magnano ter um salário altíssimo. Com o cenário financeiro terrível da CBB, a sua permanência tornou-se inviável. Caso os resultados tivessem vindo, creio que Carlos Nunes e companhia poderiam tentar justificar, ou pleitear junto ao Comitê Olímpico, que já bancou parte do salário de Magnano por um tempo, alguma coisa. Mas sendo eliminado na primeira fase de uma Olimpíada em casa fica impossível passar o pires pro COB, né?

cbb13) Antes de falarmos nos nomes para assumir as equipes nacionais, volto ao ponto do meu texto de semana passada: não adianta nada trocar um técnico pelo outro. Nada. Nada mesmo. O problema do basquete brasileiro chama-se gestão, e para se ter melhoria de gestão você não mexe apenas nas peças, mas sim nos processos, na organização, na ampliação do olhar e na evolução de temas críticos – como a massificação, a capacitação dos treinadores, a falta de comunicação entre dirigentes e atletas, entre outros assuntos essenciais para o bom andamento da modalidade. Com o modus operandi que impera na CBB há 20 anos, com o duo “maravilhoso” formado por Carlos Nunes e Grego, podem contratar Phil Jackson, Gregg Popovich ou Coach K que não adianta. Nossos maiores problemas não estão na quadra, mas sim fora dela.

neto34) O mais cotado para assumir a seleção masculina é José Neto. Assistente-técnico e homem de confiança de Magnano desde o começo do ciclo do argentino, ele também tem resultados consistentes com o Flamengo (há quatro anos no clube, venceu TODOS os campeonatos possíveis!), entende bem o funcionamento caótico da CBB, conhece bem a maioria dos jogadores que serão fundamentais nos próximos anos (Raulzinho, Felício, Fischer, Augusto, Vitor Benite etc.) e é respeitado por atletas, imprensa e dirigentes. No feminino, não consigo ver nenhum nome capaz de ser alçado a condição de treinador para um ciclo que será desafiador (para dizer o mínimo). E não ter sequer uma pista de quem pode passar a liderar a seleção feminina é um indicador de que não há nenhum nome bom no horizonte.

nunes15) Uma questão importante e que deve ser colocada: aparentemente não serão os sempre sorridentes Vanderlei e Carlos Nunes que irão escolher os novos técnicos das seleções brasileiras. Com eleição marcada para Março de 2017, caberá ao novo presidente a missão de contratar os novos treinadores e montar a sua diretoria com Diretores Técnicos e demais profissionais. Ou seja: só teremos definição, mesmo, no segundo trimestre do próximo ano. Enquanto isso, e até termos um novo mandatário na quebrada CBB, só especulação mesmo.

E você, concorda com as saídas de Rubén Magnano e de Antonio Carlos Barbosa? Quem você gostaria que assumisse a seleção masculina? E a feminina?


No resultado dos semifinalistas do basquete, a ampla reflexão que o Brasil deve fazer
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Fábio Balassiano

eua11Como vocês sabem, terminou ontem a Olimpíada do Rio de Janeiro com dois ouros para os Estados Unidos no Basquete. Mas algo me chamou a atenção além da conquista norte-americana no país.

Não sei se repararam, mas além do pódio ter sido idêntico (com a diferença que entre as mulheres a Espanha foi prata e a Sérvia, bronze, e nos rapazes os sérvios ficaram com a prata e os espanhóis com o bronze), os demais semifinalistas (França e Austrália) possuem, justamente com os Estados Unidos, algo em comum: um programa de basquete fortíssimo nos dois lados (masculino e feminino).

eua9Creio que dos Estados Unidos precisamos falar pouco, né? É um país excepcional esportivamente falando e que pra mim conjuga o que seria o ideal para todos – esporte e educação. Planta desde a base da pirâmide (escolas) e vai colhendo em todas as etapas do processo (faculdades, times, seleções, tudo mais). Possui uma liga fortíssima (a NBA), outra em formação (a WNBA) e um circuito universitário de dar inveja a todo mundo. Sua posição de liderança no quadro de medalhas desde sempre (e provavelmente para sempre) não surpreende de maneira alguma.

eua3Da Espanha vale relembrar como tudo começou a mudar para os ibéricos. Na Olimpíada de 1984 os espanhóis chegaram à final meio que por acaso. Não eram os favoritos, mas foram avançando. Quando perderam a decisão para Michael Jordan e pro técnico Bob Knight, a Federação Espanhola (FEB) começou a popularizar o esporte. Mais de trinta anos depois o que temos? A segunda melhor liga masculina de basquete nacional do planeta, inúmeros jogadores espanhóis na NBA (Pau Gasol é o melhor e mais conhecido deles), três pódios consecutivos entre os rapazes, um sólido trabalho de formação de jogadores e técnicos, e resultados consideráveis da base ao adulto. Entre as mulheres a situação começou a melhorar no começo de século. Com uma Liga Espanhola bem razoável (duas divisões – a primeira com 14 clubes e a segunda com 28), foi a vez, em 2016, de conquistar uma medalha olímpica pela primeira vez. A geração de Alba Torrens, Marta Xargay e Astou Ndour ainda terá muita coisa pela frente e ficar no topo aparentemente é o que veremos por muito tempo.

serbia1A Sérvia é considerada um dos países mais tradicionais do planeta. Não possui ligas fortíssimas, mas forma atletas e técnicos (o da masculina, o agitado Sasha Djordjevic, acabou de assinar com o Bayern de Munique, que passará a investir pesadamente a partir de agora) constantemente e acaba sendo um país exportador de talentos também por não ter uma economia tão pulsante. Se no masculino os sérvios sempre se colocaram entre os melhores, de dois, três anos pra cá a equipe das mulheres encontrou o equilíbrio entre jogar rápido e com inteligência. Venceram o europeu 2015 e retornam a Europa com a medalha de bronze olímpica na bagagem. Um feito e tanto para um país de (atenção) pouco mais de 7 milhões de habitantes, quase 30x menos que o Brasil.

france1A França volta pra casa sem medalha, mas nada que tire o mérito do trabalho da Federação local. O time feminino ficou com a prata em 2012, deu muito trabalho aos EUA na semifinal do Rio-2016, por pouco não ganhou o bronze da Sérvia e tem ótimas jogadoras jovens para conduzir a seleção no futuro. Destaco a ala Marine Johannes (21 anos – na foto) e a armadora Olivia Époupa (22). No masculino, mais uma vez o talentoso time de Vincent Collet ficou pelo caminho, mas a quase dezena de atletas na NBA e outro punhado em times fortes das principais ligas da Europa provam que a Federação tem feito muito bem o seu papel. São três divisões com 12 clubes por lá, inúmeros centros formativos e títulos e mais títulos sendo ganhos da base ao adulto na Europa. A França estima, em seu site, que mais de 70% da população entre 12 e 18 anos teve ou terá contato com o basquete em algum momento da vida – seja jogando, torcendo ou interagindo com os atletas. É muita coisa e impacta positiva e decisivamente no futuro da modalidade.

cambageA Austrália, por sua vez, ficou no quase no masculino ao perder para a Sérvia na semifinal atuando de maneira irreconhecível e para a Espanha no jogo do bronze em uma decisão polêmica da arbitragem. No masculino creio que a frustração exista por não conseguir a medalha inédita tão sonhada, mas o país deve lamentar mesmo o resultado das meninas, que fizeram uma primeira fase brilhante (5-0) antes de cair para a Sérvia nas quartas-de-final em um jogo de difícil compreensão (foi mal jogado por parte das australianas). De todo modo, quem conhece o trabalho do Instituto Australiano de Esporte (o AIS) sabe que dias melhores virão. Mais e mais atletas serão desenvolvidos, os clubes serão abastecidos com novas fornadas destes jovens jogadores e cada vez mais desembarcarão em NBA e Europa “produtos” australianos de muito talento. Por lá são duas divisões com 16 clubes tanto no masculino quanto no feminino. A média de público da Liga Nacional dos rapazes foi de 4 mil pessoas/jogo. Na Feminina, fortíssima, 3,4 mil/jogo, número excelente para o basquete feminino.

NENE2Será que o Brasil, através da Confederação Brasileira e de suas Ligas Nacionais (NBB e LBF), não tem mesmo nada a aprender com os cinco países semifinalistas do Rio-2016? São todos (EUA, Espanha, Sérvia, França e Austrália) muito diferentes em suas estruturas, mas que carregam ensinamentos importantes para quem deseja crescer no basquete.

Como está muito claro, não adianta focar tudo em um lado só, tal qual o Brasil fez com os rapazes nos últimos 20 anos. O fundamental para se conseguir resultados no esporte mais competitivo do planeta (com exceção do futebol) é mesmo ter uma massificação forte e constante na modalidade toda (e não de um time). O programa de basquete no país precisa ser planejado, estruturado, organizado, dele resultando campeonatos fortes, equipes com identidade (interna e perante o público), técnicos capacitados, atletas bem formados, público fidelizado e tudo mais. Quem sabe um dia a gente chega lá…

Tags : Rio-2016


Vencer não é o bastante – EUA levam ouro no masculino, dão show e encantam o público
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Fábio Balassiano

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eua10Chegou ao fim a Olimpíada do Rio de Janeiro. Coloquei minhas impressões do evento no Facebook Bala na Cesta, mas aqui vocês querem saber mesmo é de basquete, né? E os Jogos acabaram com o terceiro título consecutivo para os EUA, que bateram na Arena Carioca I neste domingo a ótima seleção da Sérvia por 96-66.

Seleção Feminina dos EUA amplia hegemonia

Só que não foi “apenas” uma vitória. Os norte-americanos deram um verdadeiro espetáculo, dominando a partida completamente a partir do segundo período e vendo este fenômeno do basquete chamado Kevin Durant (foto ao lado) marcar 30 pontos em 30 minutos como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Foi um festival de enterradas, bolas de três (10 vezes), tocos (6), defesas sufocantes e passes (24 assistências em 34 arremessos convertidos) que deixou todo mundo na Arena de boca aberta. No final, mais do que comemorar os atletas de Coach K interagiram com os torcedores, tirando fotos, acenando e saindo do Rio de Janeiro com ainda mais simpatia dos fãs do que quando chegaram.

eua2No jogo do bronze, a Espanha venceu a Austrália por 89-88 em um final bastante polêmico. Após um primeiro tempo morno, espanhóis e australianos fizeram uma segunda etapa de excepcional nível, trocando cestas, invertendo lideranças, evitando diferenças de pontos altas e chegando aos dois minutos finais com todos na arquibancada de boca aberta sem saber o que iria acontecer. No duelo particular entre Pau Gasol (31 pontos e 11 rebotes – que craque absurdo!) e Patty Mills (30 pontos), os árbitros acabaram tendo papel fundamental no resultado final do jogo no lance abaixo quando a Espanha perdia por um ponto a 10 segundos do final e Sergio Rodriguez foi em direção a cesta:

mills1Em primeiro lugar: este é um lance pra lá de difícil. Onde estava, na arquibancada, na hora eu disse que não foi falta. Vendo o replay, depois do jogo, fiquei na dúvida. Só em casa, revendo milhões de vezes, é que cheguei a (minha) conclusão que Patty Mills não esboça contato algum para deter Rodriguez, que se embola no pé do australiano e cai. De todo modo, é um lance bem difícil, porque há movimento de Mills (movimento de marcação, não de falta) e isso acaba confundindo tudo. No final das contas, falta marcada, dois lances-livres convertidos, erro na saída de bola da Austrália e medalha com a Espanha para coroar o trabalho de uma geração fantástica liderada por este esplêndido ala-pivô chamado Pau Gasol. Ibéricos retornam pra casa com três medalhas seguidas em Olimpíadas (2008, 2012 e 2016) e com a ciência que se tivessem jogado melhor a primeira fase poderiam muito bem ter feito nova final contra os EUA.

eua7No jogo do ouro eu gostei muito da postura inicial da Sérvia. Protegeu bem o aro para evitar rebotes ofensivos, diminuiu a velocidade do jogo, queimou faltas para deter as transições norte-americanas e manteve Raduljica longe das faltas para ter o seu pivô mais forte o maior número de minutos possível. Isso aconteceu por 7, 8 minutos. Os sérvios venciam, até certo ponto tinham nos americanos sob controle. Dali pra frente foi o caos, foi tudo caótico para os europeus.

eua18A marcação do time de Coach K apertou, os contra-ataques apareceram, as bolas de três de Kevin Durant apareceram (algumas do meio da quadra) e a vantagem foi aumentando de maneira incrível. No intervalo tínhamos 52-29. No final do terceiro período, vantagem americana de 36 pontos, algo absurdo para uma final olímpica mas que mostra exatamente não só o que foi o jogo mas em qual patamar os americanos estão no ranking de forças do mundo. A discrepância, quando eles jogam bem, quando eles se preparam bem, quando eles jogam focados, quando eles levam, enfim, tudo isso muito a sério é absurda, muito absurda. Com exceção da Espanha, que conseguiu equilibrar bem o jogo em alguns momentos da semifinal, tanto em quartas-de-final como em decisão não houve muito duelo, não.

melo1Por fim, vale falar de Coach K e Carmelo Anthony. O primeiro sai de cena como técnico da seleção norte-americana (vem aí Gregg Popovich, do San Antonio Spurs) que conseguiu colocar de novo o respeito por jogar com a seleção em primeiro lugar. Para nós, brasileiros, pode parecer meio incrível que alguém do circuito universitário tenha tanta moral com estrelas da NBA. Quem ficou até o final do dia no ginásio viu como TODOS os atletas da equipe vieram abraçá-lo, agradecê-lo pela oportunidade. Mike Krzyzewski, multicampeão por Duke, é um dos melhores do planeta e ponto final.

eua14Carmelo Anthony, por sua vez, conquistou o seu terceiro ouro olímpico, tornando-se o maior vencedor da modalidade entre os homens. Mais do que isso: no Rio de Janeiro se colocou como o maior cestinha dos EUA em Olimpíadas. Trouxe a liderança de quem está na seleção há dez anos para um elenco jovem e sem experiência olímpica (10 dos 12 conquistaram o ouro pela primeira vez) e, respeitado por todos no grupo, foi a voz de Coach K em quadra de Jerry Colangelo, presidente da USA Basketball, fora dela. Subiu de patamar, também, pelas atitudes de fora de quadra. Visitou o Morro de Dona Marta, bateu bola na quadra da comunidade, atendeu a todos da imprensa com a maior educação do mundo e tentou compreender um pouco da cultura do país. Ganhou pontos com todos, sem dúvida alguma.

Viu o título americano? Gostou, né? Comente!


Seleção masculina dos EUA quer terceiro ouro consecutivo; Sérvia busca a zebra improvável
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Fábio Balassiano

Carmelo1Termina hoje a Olimpíada do Rio de Janeiro. Para nós, do mundo laranja, termina hoje o programa de basquete com o jogo do bronze e a disputa do ouro no masculino. A partir das 11h30 Espanha e Austrália brigam pelo terceiro lugar. Às 15h30, os Estados Unidos buscarão o terceiro ouro olímpico consecutivo diante da Sérvia, que tentará concretizar uma zebra inédita (caso vençam a partida). Os dois confrontos fecharão o calendário da modalidade na Arena Carioca I.

No Feminino, EUA bate a Espanha e aumenta domínio no mundo

teodocic1Obviamente os Estados Unidos, que poderão consagrar Carmelo Anthony como o maior vencedor do masculino com três ouros seguidos, são absurdamente favoritos. Negar isso é uma loucura e não irei fazer. Mas eu não acho que dá pra descartar a Sérvia, não. Basta dar uma lembrada no que foi a partida entre eles na fase de classificação (vitória norte-americana por apenas três pontos, com Bogdanovic errando o arremesso final no tempo normal para levar a partida ao tempo-extra).

sasha1Se é verdade que os europeus não contam com alas-pivôs e pivôs muito físicos para proteger o aro como DeAndre Jordan e DeMarcus Cousins (quem no planeta possui isso?), não creio que exista no mundo uma rotação tão grande assim de atletas habilidosos e capazes de criar seus próprios arremessos. O melhor do time chama-se, como disse aqui ontem, Milos Teodosic, um cracaço de bola admirado por Coach K e os atletas norte-americanos. Mas há Bogdanovic, Jokic, Kalinic, Raduljica, Macvan, Markovic, entre outros. É um time que, sob comando do excepcional Sasha Djordjevic, conquistou o vice-campeonato mundial contra o próprio EUA dois anos atrás na Espanha e que quando joga o seu melhor basquete fica lindo de se ver.

Será que os sérvios aprontam? Ou os EUA passarão o trator como tem muita gente falando?


O óbvio ululante: EUA ganham Olimpíada feminina com facilidade
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Fábio Balassiano

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eua3Este era o ouro mais do que esperado, né? Mais até que o da seleção masculina dos EUA. As meninas norte-americanas bateram a Espanha na tarde deste sábado na Arena Carioca I por 101-72, conquistaram o sexto título olímpico consecutivo e ampliaram o domínio na modalidade.

Mais do que isso: ao contrário dos rapazes, onde a distância entre os países acaba diminuindo ano após ano devido ao intercâmbio, no jogo feminino a diferença entre a qualidade entre os EUA e o restante do planeta fica cada vez mais descomunal. A margem de pontos nas 8 vitórias foi de incríveis 37,2 pontos.

eua1No jogo do bronze, a Sérvia venceu a França por 70-63, conquistou a medalha em sua primeira Olimpíada e voltará pra casa com no mínimo uma prata e um bronze em sua estreia nos Jogos, já que amanhã o time masculino fará a final contra os EUA. Sobre a partida contra a seleção francesa, deu um pouco de tristeza pelo que se viu no primeiro tempo. Baixíssima qualidade técnica, uma correria interminável, percentual baixo de conversão nos arremessos (menos de 35%) e pouca variação tática. Fiquei me perguntando como, em um universo cuja excelência está longe de ser vista em quase todas as equipes (com exceção dos EUA), o Brasil consegue estar entre os piores. Bate uma tristeza imensa, essa é a realidade.

serbia1Na segunda etapa as coisas melhoraram, o nível das duas equipes subiu, a partida melhorou e o duelo animou a torcida que decididamente não encheu o ginásio (apesar de os ingressos aparecerem como esgotados no site – vai entender…). Jogaram muito bem pelo time sérvio a intensa Jelena Milovanović (18 pontos e 7 rebotes), a habilidosa Ana Dabovic (11 pontos e 7 assistências) e a cerebral Sonja Petrovic (10 e 4 rebotes). Pelas francesas, gosto cada vez mais das jovens Marine Johannes (21 anos) e Olivia Époupa (22). As duas são, porém, muito cruas ainda e cometem muitos erros. Pro futuro francês, no entanto, dá pra ver que ambas brilharão demais por muito tempo.

eua6No jogo do ouro, vale dar os parabéns às espanholas. O time de Lucas Mondelo começou bem, liderou o primeiro período por cinco, seis minutos, mas quando as conhecidas e usuais substituições começaram, as reservas dos dois lados entraram não houve mais jogo. Os Estados Unidos, com um elenco formidável, com um punhado de atletas cujo potencial físico beira o absurdo (Sylvia Fowles, Brittney Griner, Tina Charles etc.) foram abrindo, abrindo, abrindo, chegaram a colocar 30 pontos de diferença e aí a partir do terceiro período o que se viu foi um “troca-troca” de cestas simplesmente para deixar o tempo passar.

eua5Quero deixar aqui os nomes de Diana Taurasi (ela abraçando uma fã que foi ao ginásio apenas para dizer que começou a jogar por sua causa, uma imagem belíssim!), Sue Bird (uma das melhores armadoras de todos os tempos) e Tamika Catchings (se aposentará quando acabar a temporada 2016 da WNBA), que conquistaram a quarta medalha de ouro olímpica, igualando-se a Lisa Leslie e a Teresa Edwards como as maiores vencedoras do basquete mundial nos Jogos.

Viu os jogos? Comente aí o que achou do desfecho do feminino!


Nas semis, o recital de Milos Teodosic, craque da Sérvia finalista olímpica
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Fábio Balassiano

klay1Confesso que não foram as semifinais que esperava nesta sexta-feira. Fui a Arena Carioca pensando que veria muito equilíbrio e duas ótimas partidas de basquete. Não foi isso. Os EUA fizeram 82-76 contra a Espanha, e no jogo seguinte a Sérvia atropelou a Austrália por 87-61. Americanos e sérvios disputam o ouro no domingo. Espanhóis e australianos, o bronze no mesmo dia.

Na primeira partida a Espanha contou com ótima apresentação de Pau Gasol (23 pontos em uma exibição de gala), mas não muito mais do que isso. Os ibéricos se enrolaram com os (péssimos) árbitros, não conseguiram controlar o ritmo (não entendi bem o porquê de eles terem mantido a mesmíssima estratégia dos últimos jogos mesmo contra um adversário tão diferente), arremessaram muito mal de fora (8/26), protegeram muito mal o aro (permitiram rebotes ofensivos dos rivais), viram Sergio Llull e Nikola Mirotic, peças fundamentais, muito abaixo do que poderiam render (o primeiro com apenas cinco pontos; o segundo, pendurado em faltas desde o primeiro período). Com isso os americanos, que viram Klay Thompson cravar 22 pontos, nem precisaram jogar muito bem para vencer. Fizeram o suficiente para ganhar. Os seis pontos finais na diferença são enganosos. Os dois times colocaram reservas quando restavam três minutos. Esta era a chance mais clara da Espanha vencer os norte-americanos em uma Olimpíada, mas eles não foram bens nesta tarde.

teodocic3No jogo seguinte a Sérvia não deu a menor chance para a Austrália. Marcou forte desde o início, abriu vantagem rápido e comandou as ações do minuto 1 ao minuto 40. Sofreu apenas 14 pontos nos 20 primeiros minutos, chegou a abrir 30 pontos em vários momentos do segundo tempo e fez até o nervoso-e-excepcional técnico Sasha Djordjevic ficar calmo no banco de reservas. Os sérvios, que disputam a Olimpíada pela primeira vez, fizeram 87-61 para chegar a decisão e reeditam a final do Mundial de 2014 contra os EUA. Ou seja: com Sasha no comando, os sérvios chegaram às decisões de Mundial e Olimpíada. Nada mal, não?

teodocic5Agora, quero terminar este post fazendo uma ode a Milos Teodosic. Já cansei de vê-lo jogando pela televisão, mas hoje foi a primeira vez do ginásio. O que o cara faz em quadra é um verdadeiro absurdo, uma maravilha. Contra a Austrália ele começou alucinando, dando o tom para a sua equipe. Maltratou Dellavedova, fez seis pontos direto, terminou com 22 pontos e 5 assistências em 22 minutos (com a fatura decidida nem precisou jogar tanto) e foi um gênio com a bola nas mãos distribuindo e orientando a seus companheiros (principalmente o jovem Nikola Jokic, destinatário perfeito de suas palavras ao pé do ouvido). Na boa, ver esse rapaz de 29 anos jogar é um colírio, uma alegria.

teodocic4Muita gente se pergunta o porquê de Teodosic não jogar na NBA. Milionário e valorizado no CSKA, ele deve ter os seus bons motivos para isso (nesta semana circulou que ele recusou uma proposta do Memphis Grizzlies em 2013).

O que importa, o que importa mesmo é que Teodosic é o líder de uma geração da Sérvia que chega a final olímpica dois anos depois de ter chegado a decisão do Mundial na Espanha jogando um basquete fluído no ataque, pressionado na defesa e inventivo nos passes por causa da visão incrível que possui o camisa 4.

Agora é ver o que os sérvios aprontam no domingo contra os EUA que eles perderam por apenas três pontos na fase de classificação. Será que os europeus conseguem?