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Nas semis, o recital de Milos Teodosic, craque da Sérvia finalista olímpica

Fábio Balassiano

20/08/2016 00h09

klay1Confesso que não foram as semifinais que esperava nesta sexta-feira. Fui a Arena Carioca pensando que veria muito equilíbrio e duas ótimas partidas de basquete. Não foi isso. Os EUA fizeram 82-76 contra a Espanha, e no jogo seguinte a Sérvia atropelou a Austrália por 87-61. Americanos e sérvios disputam o ouro no domingo. Espanhóis e australianos, o bronze no mesmo dia.

Na primeira partida a Espanha contou com ótima apresentação de Pau Gasol (23 pontos em uma exibição de gala), mas não muito mais do que isso. Os ibéricos se enrolaram com os (péssimos) árbitros, não conseguiram controlar o ritmo (não entendi bem o porquê de eles terem mantido a mesmíssima estratégia dos últimos jogos mesmo contra um adversário tão diferente), arremessaram muito mal de fora (8/26), protegeram muito mal o aro (permitiram rebotes ofensivos dos rivais), viram Sergio Llull e Nikola Mirotic, peças fundamentais, muito abaixo do que poderiam render (o primeiro com apenas cinco pontos; o segundo, pendurado em faltas desde o primeiro período). Com isso os americanos, que viram Klay Thompson cravar 22 pontos, nem precisaram jogar muito bem para vencer. Fizeram o suficiente para ganhar. Os seis pontos finais na diferença são enganosos. Os dois times colocaram reservas quando restavam três minutos. Esta era a chance mais clara da Espanha vencer os norte-americanos em uma Olimpíada, mas eles não foram bens nesta tarde.

teodocic3No jogo seguinte a Sérvia não deu a menor chance para a Austrália. Marcou forte desde o início, abriu vantagem rápido e comandou as ações do minuto 1 ao minuto 40. Sofreu apenas 14 pontos nos 20 primeiros minutos, chegou a abrir 30 pontos em vários momentos do segundo tempo e fez até o nervoso-e-excepcional técnico Sasha Djordjevic ficar calmo no banco de reservas. Os sérvios, que disputam a Olimpíada pela primeira vez, fizeram 87-61 para chegar a decisão e reeditam a final do Mundial de 2014 contra os EUA. Ou seja: com Sasha no comando, os sérvios chegaram às decisões de Mundial e Olimpíada. Nada mal, não?

teodocic5Agora, quero terminar este post fazendo uma ode a Milos Teodosic. Já cansei de vê-lo jogando pela televisão, mas hoje foi a primeira vez do ginásio. O que o cara faz em quadra é um verdadeiro absurdo, uma maravilha. Contra a Austrália ele começou alucinando, dando o tom para a sua equipe. Maltratou Dellavedova, fez seis pontos direto, terminou com 22 pontos e 5 assistências em 22 minutos (com a fatura decidida nem precisou jogar tanto) e foi um gênio com a bola nas mãos distribuindo e orientando a seus companheiros (principalmente o jovem Nikola Jokic, destinatário perfeito de suas palavras ao pé do ouvido). Na boa, ver esse rapaz de 29 anos jogar é um colírio, uma alegria.

teodocic4Muita gente se pergunta o porquê de Teodosic não jogar na NBA. Milionário e valorizado no CSKA, ele deve ter os seus bons motivos para isso (nesta semana circulou que ele recusou uma proposta do Memphis Grizzlies em 2013).

O que importa, o que importa mesmo é que Teodosic é o líder de uma geração da Sérvia que chega a final olímpica dois anos depois de ter chegado a decisão do Mundial na Espanha jogando um basquete fluído no ataque, pressionado na defesa e inventivo nos passes por causa da visão incrível que possui o camisa 4.

Agora é ver o que os sérvios aprontam no domingo contra os EUA que eles perderam por apenas três pontos na fase de classificação. Será que os europeus conseguem?

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