Bala na Cesta

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Seleção brasileira de novos sai do papel, e Magnano faz ótima convocação inicial
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Fábio Balassiano

Saiu do papel um dos maiores desejos de Rubén Magnano (foto) desde que ele assumiu o comando técnica do Brasil há quase quatro anos. Nasceu a seleção brasileira masculina de novos. E nasceu bonita, bem cuidada, bem pensada. O treinador argentino convocou ontem 17 atletas com média de 21 anos e 1,96m para um período de 20 dias em São Paulo a partir de 11 junho e um torneio internacional na França no começo de julho.

“Tenho a convicção de que essa seleção de novos é um ótimo projeto. A CBB entendeu a ideia e abraçou com excelência, objetivando dar experiência internacional para essa garotada. Não queremos que seja um investimento para seleções futuras apenas, e sim um investimento no futuro desses jovens”, explicou Ruben Magnano ao site da CBB.

Abaixo a lista:

ARMADORES: Ricardo Fischer, Elinho Corazza, Cauê Borges, Rafael Luz
ALAS: Vitor Benite, Gui Deodato, Matheus Dalla, Leo Meindl, Jimmy e Isaac
PIVÔS: Andrezão (Bauru), Augusto Lima, Lucas Mariano, Cristiano Felício, Ronald, Leonardo e Renan

Aqui alguns comentários meus:

1) Conversei ontem com a assessoria de imprensa da CBB (cada vez melhor no tratamento, é importante ressaltar), e o que desconfiava realmente faz sentido: nomes como Lucas Bebê, Scott Machado, Fab Melo e Raulzinho não figuram nesta convocação por um motivo bem simples: eles têm compromissos com a NBA neste primeiro momento (seja Liga de Verão ou preparação para o Draft). Fab, inclusive, passou na sede da Confederação ontem para um papo com o presidente Carlos Nunes. Para a Copa América eles podem ser lembrados.

2) Gostei muito da convocação de Magnano, muito mesmo. Pescou ótimos nomes, como o do armador Elinho e o dos francanos Leo Meindl e Cauê Borges, vai investir em outros que já conhece razoavelmente bem (Ricardo Fischer e Matheus Dalla) e certamente ficará mais próximo de Gui Deodato (foto à direita), para mim o grande nome desses 18 convocados. Pode-se discutir uma ou outra ausência (talvez tivesse chamado Gegê, do Flamengo, Victor Correa, de Joinville, e Jefferson Campos, de Suzano) ou a inclusão de um ou outro nome, mas no geral, no todo, Rubén foi muitíssimo bem.

3) Quem acompanha este espaço sabe quão crítico eu sou da CBB. E por isso mesmo acho legal elogiá-la quando algo tão necessário e fundamental para o desenvolvimento do basquete sai do papel e efetivamente acontece. A seleção de novos é um desejo de Magnano e algo que vinha cobrando aqui há tempos também. Vai ajudar esses rapazes que precisam de treinamento mais pesado e com quem é bom nisso (o argentino) e certamente abrirá um horizonte para quem nem sempre é aproveitado no clube. Bola dentro da Confederação, que, vejam só que evolução, até chamou um jogador menos conhecido para treinar (o ala João Phylippe, um dos destaques do time de Macaé que foi vice-campeão da Super Copa Brasil)

E você, gostou da convocação de Rubén Magnano para a seleção de novos? Faltou alguém? Comente!


Sem ajuda da CBB, time do Pará desiste da Supercopa Brasil por razões financeiras
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Fábio Balassiano

Estava na cara que aconteceria alguma coisa, né. No sábado divulguei aqui que a Confederação Brasileira de Basketball, cujo orçamento de 2012 registrou R$ 25 milhões em receita, não bancaria as passagens dos clubes participantes da SuperCopa Brasil, última etapa para quem quer jogar o NBB6 que começa nesta quarta-feira em Macaé. Ontem, um dia antes de a competição começar, a Assembleia Paraense, do Pará, anunciou que não mais iria participar por motivod financeiros (se alguém quiser saber mais sobre o torneio, clique aqui).

E não dá pra tirar a razão do clube. Em matéria divulgada no Globoesporte.com o gerente de esportes do clube esbraveja contra a CBB, que deveria ter pago as passagens e só comunicou aos clubes cinco dias antes da competição começar. “O regulamento da competição diz que a CBB banca dez passagens, aéreas ou terrestres. Eu fiquei cobrando isso deles, mas, cinco dias antes de começar a competição, eles me avisam que não poderão bancar porque estão sem dinheiro. É lamentável, avisaram em cima da hora. Se tivessem nos dito pelo menos 20 dias antes, nós poderíamos conseguir pagar por conta própria ou com a ajuda de patrocinadores”, afirmou ao veículo.

Em breve divulgarei aqui detalhes do balanço financeiro da entidade, mas a desistência da Assembleia Paraense fala muito sobre o (péssimo) estado da modalidade. Modalidade cuja Confederação teve (pasmem) um custo com pessoal/administrativo de R$ 12.558.639, ou, em média, R$ 1 milhão/mês em todo o ano passado. Ou seja: a CBB, que tem um custo operacional de R$ 1 milhão/mês, não conseguiu prever em seu orçamento um repasse para as passagens de oito times para a sua ÚNICA competição organizada por ela. É muita incompetência, vão me desculpar.

E repito o que escrevi no sábado: federações, clubes e jogadores são tão responsáveis quanto Carlos Nunes por deixar a situação chegar a este nível pífio de (indi)gestão da modalidade. E para quem já viu o balanço financeiro a certeza é uma só: a tendência é piorar – e piorar muito, visto que no momento a CBB não tem a Eletrobrás como sua principal mantenedora (em 2012 a estatal despejou quase R$ 10 milhões na entidade máxima.

Alguém surpreso com os acontecimentos? Pobre basquete brasileiro…


Com problemas financeiros, CBB faz times da Supercopa Brasil pagarem suas passagens
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Fábio Balassiano

Como diz aquele famoso personagem, ‘é grave a crise’. Na única competição adulta ainda organizada por ela, a Confederação Brasileira de Basketball “inovou” na Supercopa Brasil que acontece na próxima semana em Macaé (Rio de Janeiro).

Os oito clubes que participarão da competição que classifica os dois primeiros para o triangular de acesso ao NBB6 (o Tijuca será o outro time) serão obrigados a pagar suas passagens para chegar ao interior do Rio de Janeiro. Se isso não fosse o bastante, nem os custos envolvidos com a competição saíram da CBB, mas sim da Prefeitura de Macaé – provavelmente dinheiro público, aliás. Uma tragédia, não? E o motivo é bem simples: a CBB está sem grana, absolutamente sem grana, como ela mesma aponta em sua nota oficial divulgada no site (veja mais no documento oficial aqui):

O planejamento das atividades de 2013 previa o suporte dos custos do torneio Super Copa através das  verbas do Contrato de Patrocínio Eletrobras. Apesar de todos os esforços de nossa parte, a Eletrobras ainda  não efetivou a renovação daquele contrato nem tampouco restituiu a verba retida do contrato anterior, o que  obrigou a busca de um sediante para a competição que arcasse com os custos envolvidos. O Município de  Macaé assumiu esse encargo e responsabilidade, à exceção das despesas com passagens aéreas, inclusive  as passagens para as equipes competidoras. Neste contexto a CBB, pelas razões descritas e que  evidenciam a sua total ausência de culpa por circunstâncias invencíveis e de difícil previsibilidade, precisa que as equipes assumam essa despesa para que a competição possa ser realizada.

Parece piada, mas não é. Nos próximos dias divulgarei aqui o balanço financeiro da entidade máxima referente ao ano de 2012. O resultado é absurdamente chocante, posso garantir pra vocês (já vi, revi, olhei, analisei e a situação é caótica). A CBB teve mais de R$ 25 milhões de receita no ano passado, conseguiu fechar no vermelho e ainda aumentou suas dívidas, que eram de 7,5 e passaram para R$ 8,8 milhões em 12 meses (com direito a juros e empréstimos bancários, além de outras atrocidades).

Esta é a entidade que “comanda” o basquete brasileiro, pessoal. O que eles estão fazendo com a modalidade é um escárnio, um absurdo e essa questão das passagens da Supercopa Brasil apenas evidencia isso. Tenho tentado evitar falar na CBB, porque é um assunto chato, sem chance de melhora e quase que uma briga solitária minha, mas dessa vez não deu pra me calar, não. Carlos Nunes é um péssimo gestor – seja em termos financeiros, técnicos, administrativos ou de marketing/comunicação. Seu primeiro mandato, que recebeu o aval de quase todos os presidentes de Federação na eleição de quase dois meses atrás, é bom dizer, é uma tragédia, um verdadeiro acinte. Ah, aqui vale o recado: alô, presidentes de federação, meus parabéns também, pois vocês corroboram com isso e são co-responsáveis pelo atraso da modalidade!

Como quem fiscaliza (o Ministério dos Esportes) nada faz e por incrível que pareça ainda injeta mais e mais dinheiro público em uma entidade que, reconhecidamente, não sabe usá-lo (leia mais aqui e aqui), como os atletas se calam, os clubes se omitem e as Federações se aliam com medo de perderem suas bocadas e mesadas não há muito com o que fazer. Que pena, não? Todo mundo “cordeiramente” aceita, acata, se conforma com o estado medíocre, catatônico que se encontra o basquete.

Se quem deveria se indignar, se revoltar, articular formas de protesto ou mudança não faz, qual é o futuro da modalidade? Aliás, deixo aqui outra pergunta: se nem pra organizar a Supercopa Brasil a CBB serve, visto que nem fornecer as passagens ela consegue,   será que não chegou a hora de passar mais essa competição adiante (leia-se Liga Nacional de Basquete)? A falta de competência dela (Confederação) me parece bem clara, não?


Novo técnico, Zanon abre o jogo sobre futuro da seleção feminina que começa a treinar hoje
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Fábio Balassiano

Na tarde de ontem, Luiz Augusto Zanon, de 49 anos (completa 50 em 17 de junho), uniu na apresentação da seleção feminina da qual é o novo treinador aquilo que mais ama: basquete e família. Ao lado de sua mãe (Magali) e esposa (Erica), o pai de Carolina, Caio e Camila inicia hoje os treinamentos com a equipe nacional visando os dois amistosos contra o Atlanta Dream e Washington Mystics (times da WNBA), o Sul-Americano (Argentina) e a Copa América (no México). Em conversa longa com o blog, o comandante falou sobre as expectativas do trabalho, da renovada equipe (média de 22,6 anos) que começa a suar a camisa hoje em Americana (cidade em que se sente em casa, afinal treina o time local, vice-campeão da LBF) e de como pretende recolocar o basquete feminino brasileiro nos primeiros lugares em competições de alto nível. Confira o papo com Zanon.

BALA NA CESTA: Antes de começar com a entrevista propriamente dita, queria que você falasse sobre o planejamento de treinos e jogos da seleção feminina visando Sul-Americano e Copa América.
ZANON: Bem, vamos lá. O time se apresentou nesta quarta-feira, e hoje (quinta-feira) começa a treinar. Vamos até o dia 11 e embarcamos para os Estados Unidos. No dia 13 enfrentaremos o Atlanta Dream, dois dias depois o Washington Mystics e no dia 16 faremos um amistoso contra o mesmo Washington. Voltamos ao Brasil, faço uma nova convocação, treinamos até o final de junho e no começo de julho viajamos para a China, onde faremos três torneios contra as anfitriãs e outras duas seleções.  Retornamos direto para a Argentina, onde jogaremos duas vezes contra elas antes do Sul-Americano lá mesmo na Argentina (23 a 27 de julho). Pra fechar a preparação para a Copa América (21 a 28 de setembro, no México), teremos um amistoso no Brasil contra Canadá, Argentina e Porto Rico. Serão mais de três meses com as meninas, e cerca de 25, 30 amistosos. Quero apenas esclarecer, desde já, que os amistosos e torneios já estavam marcados quando eu cheguei, não podendo, até por ser verba do Ministério do Esporte via Lei de Incentivo, mexer muito. Apenas adequei algumas situações que achei pertinente, e posso garantir que ano que vem, nas vésperas do Mundial da Turquia, já estamos trabalhando para atuar contra as seleções europeias.

BNC: Queria que você contasse como foi o contato do Vanderlei, novo diretor de seleções da Confederação, e qual a sua expectativa para comandar a seleção feminina de basquete.
ZANON: Olha, eu não esperava o convite, pra te ser sincero. O Vanderlei ligou primeiro para o Ricardo Molina (presidente do time de Americana) e depois marcou um encontro comigo aqui em Americana. Nos falamos, ele entendeu o que eu queria e acertamos tudo. Não demorou muito, não. Olha, cara, sonho, sonho mesmo eu tenho de fazer o meu melhor trabalho, de evoluir como técnico e pessoa e de fazer as atletas evoluírem também. A palavra-chave para mim vai ser essa: evolução. Se essa evolução nos fizer campeões mundiais ou olímpicos, ótimo. Se a evolução, a máxima possível, não permitir isso, paciência e ficarei feliz. O lance é: evoluirmos o máximo que pudermos no período em que estivermos juntos. O que me motiva, além dessa evolução, é a chance de dirigir a seleção em uma Olimpíada no Brasil. Poxa, quantos técnicos têm essa honra, essa oportunidade? Poucos. Caso consiga completar esse ciclo, será uma honra e tanto dirigir o Brasil diante do nosso torcedor e da minha família. Por isso tudo aceitei o cargo. Pela chance de evoluir como técnico e como pessoa e pela chance de permanecer perto da minha família aqui em Limeira (a cidade em que vive fica perto de Americana, onde treina o clube vice-campeão da LBF).

BNC: Perfeito. Agora falando sobre a seleção em si. Sua primeira convocação causou surpresa e alegria em quem pedia renovação, já que se trata de um grupo de 22,6 anos de média. É uma filosofia que você pretende seguir, ou foi apenas para testar as meninas no primeiro momento?
ZANON: Na minha cabeça eu preciso dar chance para as mais novas para saber o potencial delas. Isso é bem claro. Por isso, nesse primeiro momento eu quero colocar as meninas na quadra e conhecê-las melhor. Vai ser treino, treino e treino. É o que mais gosto de fazer, e assim elas vão melhorar. Parte técnica, tática, personalidade, tudo. Todas as que convoquei precisam de experiência internacional, rodagem, e só vamos conseguir isso dando espaço a elas. Algumas nem tinham passaporte pra viajar, você sabia? Pra te ser sincero, queria até convocar meninas da Sub-19, mas elas estão treinando com o time que irá ao Mundial e não foi possível no momento. Quis dar uma chacoalhada, uma animada, nas mais novas, conhecer de perto e depois vamos ver o que precisamos. Dividi o trabalho em etapas. Nesta primeira, é a chance das mais novas mostrarem serviço. Depois, pro Sul-Americano e Copa América, que preciso de resultado, vou trazer as mais experientes nas posições que mais precisarem. Nesse primeiro momento quero que essas meninas de 20, 21, 22 anos joguem contra as melhores, as lá da WNBA, e se entreguem em quadra. É a chance delas, e meu perfil é muito de fazer as jogadoras evoluírem, né. Mas posso te garantir: vai jogar quem estiver melhor, independente de idade. As mais experientes eu já sei o que podem me dar, o que fazem. As mais novas têm potencial e agora podem mostrar.

BNC: Três nomes me chamam a atenção nessa convocação. Patricia Ribeiro, que foi muito bem por São José, Joice Coelho, destaque da Sub-19 dois anos atrás e uma das revelações da LBF jogando por Guarulhos, e Ariani (foto à direita), armadora que estava jogando nos Estados Unidos.
ZANON: A Ariani já vinha olhando pra ela há algum tempo e recebi ótimas informações de dentro da CBB sobre seu jogo. Para a posição de armadora, será testada e ganhará chances. A Joice fez ótimas partidas em Guarulhos, e quero muito ver como se comporta em um jogo mais coletivo, mais de sistema, que é como gosto de jogar. A Patricia é a menina que mais joguei contra ela. Conheço suas qualidades e pontos de melhoria, e agora é ver como se encaixa na seleção. Além dessas, tem a Tatiane Pacheco, que foi muito bem na fase final por São José e que agora tem chance na seleção. São todas da mesma faixa de idade, e isso também foi proposital. Não podia testar meninas muito jovens com veteranas no meio. A química dessa meninada é importante demais também.

BNC: Sobre as mais experientes, você já chegou a conversar com a Adrianinha, que me disse, aí em Americana, estar a disposição pra voltar, com a Érika ou com a Iziane (foto à esquerda), cujo estoque de polêmicas é inesgotável?
ZANON: Olha, ainda não falei. Não falei porque ainda não é momento. Quando for, pode ter certeza que eu mesmo vou puxar o telefone e ligar uma a uma para explicar minha filosofia e o que estou pretendendo. Quem quiser vir pra se enquadrar e participar será muito bem-vinda. A única que conversei, mas informalmente, foi a Érika – e porque encontrei em um programa de televisão. Ela me disse só um “tamos juntos, Zanon” e nada mais. Vou falar com todas elas e sei que cada uma tem uma situação diferente. Sobre a Iziane, e isso quero deixar claro, comigo não existe nada do passado. Eu, como técnico da seleção, entro zerado, entro sem querer saber do histórico de nada, de absolutamente nada. E nem quero saber pra te ser sincero. Eu planejo o futuro e só, nada mais. Nunca houve nada comigo, certo? Então é sentar, conversar, alinhar expectativa e tocar o barco. Vou ligar pra ela e vou falar. Sou muito direto e você sabe disso. Não posso pré-julgar uma menina por conta de assuntos anteriores a minha gestão. Não tenho nada contra e nem a favor de nenhuma delas. A palavra-chave, Bala, é ‘produção’. Quem produzir, joga. Quem jogar bem vai estar no grupo. Isso é bem simples.

BNC: Pra fechar a parte de quadra, você foi o responsável por fazer Americana marcar como eu há muito tempo não via em solo nacional. É o que você espera na seleção também, não?
ZANON: Sim, e muito. Preciso estar sempre com defesa forte, e farei isso desde o começo. Pode ter certeza que mesmo nesses amistosos contra a WNBA eu vou marcar forte, pressionar a bola, fazer o diabo lá. Não sou maluco de marcar pressão a quadra toda, mas quero meu time marcando forte, abusado, sem medo de absolutamente nada. Vamos lá pra aprender, mas vamos jogar também. Vou usar sempre o que de melhor meu grupo tiver pra defender. Nesse primeiro momento, é a vitalidade, a força física, a juventude das meninas para rodá-las. Tudo isso aliado a um jogo coletivo muito forte no ataque. Para te citar um exemplo, meu time (Americana) ficou muito individualizado nas finais da LBF contra o Sport/Recife. Isso eu não gosto, não é assim que curto, não. Só vamos melhorar o nível da seleção se jogarmos coletivamente e de forma elaborada, escolhendo a melhor jogada, no ataque. Isso tudo com muito poder de decisão, coragem para escolher a melhor jogada. Posso fazer variações de pick’n’roll, qualquer coisa com as meninas, mas vamos precisar de paciência no ataque e muita disposição e entrega na defesa desde o primeiro dia de trabalho. É assim que sempre trabalhei em Limeira (masculino) e Americana (feminino) e não sei fazer diferente, não. O basquete, cada vez mais, caminha pra isso, né. Marcação apertadíssima e controle da posse de bola.

BNC: Por fim, uma pergunta: como você tem feito pra se atualizar, estudar e olhar os rivais que enfrentará no Mundial?
ZANON: Cara, eu vejo tudo. Tudo é tudo mesmo. Passa NBB, Euroliga masculina, Euroliga feminina, NBA, eu vejo tudo. Outro dia estava assistindo na internet a Euroliga Feminina. Leio muito também e acho que aprendo muito. Os últimos livros que li foram do Bernardinho e do John Wooden, dois caras que admiro demais. Falo muito com os técnicos, e peço para eles me avaliarem também. Já fiz isso com a Maria Helena Cardoso e com o Edvar Simões, por exemplo. Tem vezes que vejo jogo também e fico me imaginando como tomaria determinadas decisões em ocasiões como as que se apresentam nas partidas. Tem outra coisa que faço com constância e que me ajuda bastante: eu jogo muito xadrez sozinho. Isso é basquete, cara. Você faz um movimento e precisa imaginar como o adversário vai reagir. O basquete é xadrez, entende? O segredo é manter a cabeça no lugar, manter o controle emocional e tomar as decisões corretas nos momentos mais complicados. Minha grande paixão, no esporte e na vida, é crescer, é evoluir, é sempre melhorar.


Zanon começa bem e sinaliza renovação em sua primeira convocação na seleção feminina
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Fábio Balassiano

Zanon (foto) convocou ontem a seleção brasileira feminina pela primeira vez. E convocou muitíssimo bem (meus sinceros parabéns a ele!). Foi para dois amistosos contra o Atlanta Dream e o Washington Mystics, da WNBA (em 13 e 15 de maio), e o treinador optou por começar seu trabalho (até por se tratar de dois amistosos) com uma renovação tão pedida, tão necessária, tão urgente na modalidade. São 14 meninas com média de idade de 22,6 anos e boa estatura (1,80m de média).

Os treinamentos para estes dois jogos serão em Americana entre os dias 1 e 11 de maio. Depois, a seleção (obviamente com um time mais experiente, com atletas mais rodadas) jogará o Sul-Americano na Argentina, 23 a 27 de julho, e a Copa América no México, de 23 a 29 de setembro (absurdo a CBB não conseguir trazer um torneio de nível pro país, mas isso é tema para outro post). Antes da minha análise vamos aos nomes:

ARMADORAS: Ariani, Debora Costa e Tainá Paixão
ALAS: Carina (Cacá), Izabela, Jaqueline, Patricia Teixeira, Joice Coelho (foto à direita), Tatiane Pacheco
PIVÔS: Clarissa, Damris, Fabiana Caetano, Franciele e Nádia Colhado

Podemos discutir um ou outro nome (não sei se teria levado Jaqueline ou Izabela, já tão testadas em outras seleções e sem grandes aparições assim), mas o conteúdo, a filosofia não tem como não aprovar. Só um maluco, um alienado ou alguém mais chato que eu (não sei se existe isso) criticaria a convocação feita por Zanon (e é bom lembrar que outras jovens, como Izabella Sangalli e Isabela Ramona, estão com a seleção Sub-19 e não puderam ser chamadas dessa vez).

Fico feliz de ver que algo que peço aqui (relembre o que escrevi no final do ano passado, inclusive com nomes que estão na convocação de ontem) esteja sendo colocado em prática agora. Não por fazerem o que acho, mas porque era algo muito urgente, muito necessário. Que Zanon siga com esta filosofia de renovação, dando espaço às mais jovens e treinando alucinadamente como tem feito em Americana há três anos. Só assim a modalidade vai sair da draga em que se encontra (com meninas experientes absolutamente acomodadas em sua zona de conforto e com as mais jovens sem esperança de ter espaço para jogar – seja em clube ou em seleção).

O basquete feminino precisa de novas caras – e que essas novas caras tenham oportunidade de mostrar o talento que elas certamente têm. E que a CBB dê a seu treinador (e a estas jovens meninas também) o respaldo necessário para jogar, evoluir, perder o quanto for neste ciclo olímpico até o Rio-2016. Se for para evoluir, se for pra perder, que seja agora. Sem pressão por resultados, mas sim pensando na evolução, no desenvolvimento de uma geração talentosa e que pode, caso seja bem trabalhada e investida, dar resultados em pouco tempo.

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Após troca de cargo, Hortência afirma que deixará Confederação: ‘Não vou continuar’
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Fábio Balassiano

Se foi uma estratégia da Confederação Brasileira, deu certo. Em entrevista ao Lance! desta quarta-feira, Hortência, que era diretora de seleções femininas no primeiro mandato de Carlos Nunes e foi colocada como Diretora de Relações Institucionais a partir da segunda eleição de Nunes, afirmou que deixará a entidade máxima nos próximos dias.

– Não vou continuar na CBB. Em nenhum momento aceitei este cargo que me colocaram (diretora de relações institucionais). Não sei fazer isso. Fui contratada como diretora de seleções. Não sigo. Não há diferença entre me demitirem e eu pedir demissão – afirmou ao jornal, antes de complementar algo que já falo aqui há algum tempo: – Tínhamos um projeto de viagens e treinos preparatórios bem elaborados (para a seleção Sub-17 que foi ao Mundial ano passado com pouco treino), semelhante ao da Seleção Sub-19 que ganhou bronze no Chile (em 2011). O Ministério do Esporte havia aprovado e nos disponibilizaria a verba. Mas não foi liberado porque a CBB falhou na prestação de contas da Sub-19. Sem dinheiro, complica.

Acho que vocês sabem o que penso sobre o assunto, não? Hortência fez um trabalho bem ruim na Confederação Brasileira, com uma série de declarações de péssimo gosto, trocando técnicos a todo momento na seleção adulta e com apenas um resultado bom em termos mundiais (o terceiro lugar no Sub19 com Damris sendo a MVP). Não acrescentou muito como fez quando era jogadora, mas a forma como ela foi tratada neste começo de segundo mandato não foi legal, não.

Então ficamos assim: Vanderlei será o diretor das duas seleções, Hortência está fora da Confederação e o cargo de Diretor de Relações Institucionais está, pelo menos no momento, vago. O que acham?


Após mudança de cargo, Hortência diz: ‘Não quero comentar porque não aceitei o cargo’
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Fábio Balassiano

Prometi aqui falar sobre a gestão de Hortência a frente do departamento feminino da Confederação Brasileira. Mas essa análise pode esperar um pouco (até porque vocês já conhecem bem o que penso a respeito, né). O que chama a atenção, na verdade, é a declaração da Rainha ao site do Sportv. Vamos a ela:

“Não quero comentar muito sobre esse assunto porque não aceitei o cargo. Tive uma reunião com o presidente Carlos Nunes há duas semanas e ele me ofereceu esse cargo de relações institucionais, e eu lhe disse que ia pensar. Alguns dias depois, mandei um e-mail e liguei dizendo que não ia aceitar o cargo, que não tem nada a ver comigo. Quero trabalhar e usar toda a minha experiência no basquete para algo prático, não para uma coisa que não faça ideia do que seja. Não fizemos acordo, ele (Carlos Nunes) me ofereceu (o novo cargo), eu disse que ia pensar, e não aceitei. Aí, uma semana depois, aparece essa nota oficial. Também estou surpresa. Não sou mais diretora da seleção, agora é o Vanderlei. E eu não quero esse cargo (diretoria de relações institucionais). Não quero um cargo que não sei direito o que é. Quero ser útil na prática”.

Bem, acho que está muito claro o que aconteceu na Confederação Brasileira, não? A CBB, através de sua assessoria, diz que tudo estava acertado com Hortência e tal, mas a questão que fica pra mim é: por que diabos isso não pode ser alinhado antes de sair uma nota oficial? Não é possível que Carlos Nunes, o presidente, e sua ex-diretora de seleções femininas falem a mesma língua – juro que me nego a acreditar nisso. É necessária esta exposição toda?

Aqui, aliás, há outro problema que é um mal absurdo no esporte brasileiro como um todo: a falta de preparo para assumir cargos importantes. Na própria CBB isso acontece agora com André Alves, ex-Diretor Técnico e agora Diretor de Eventos (!), aconteceu com a própria Hortência, que provou na prática não ter capacidade de dirigir uma modalidade que pedia (e ainda pede) socorro. E isso segue acontecendo com ela quando lhe oferecem uma diretoria de um assunto que ela mesma diz desconhecer por completo. John Wooden já dizia: “A falha na preparação é o começo da preparação para falhar”. A entidade máxima pelo visto ainda não percebeu que contratar por contratar não é a melhor solução (experiência na função, currículo, cursos e planos deveriam contar mais do que atuações em outros campos).

Mas, bem, voltando. Sendo bem sincero e justo, vocês sabem bem das minhas críticas ao trabalho de Hortência no Departamento Feminino da CBB, mas acho que falta um pouco de consideração a Rainha neste momento. Se houve problema de competência (e houve mesmo), que se discutisse isso tudo em uma sala (e não por e-mail ou telefone, como pelo visto foi feito) para uma tomada de decisão conjunta e acertada formalmente entre as duas partes (para que não houvesse dúvida!).

Por pior que tenha sido (e foi mesmo, faço questão de frisar para não haver dúvida) o trabalho dela como Diretora de Seleções Femininas, Hortência é e sempre será um patrimônio do basquete brasileiro, um patrimônio do basquete mundial (ela está no Hall da Fama, é sempre bom lembrar…). Foi com ela que o Brasil ganhou um Mundial, uma medalha olímpica, um Pan-Americano (quando um Pan ainda valia muito).

Tratá-la como ela foi tratada não desce bem pra mim, não. Demitir ou trocar Hortência de função poderia até ocorrer, mas da maneira como foi feita denota um amadorismo e uma falta de consideração que chegam a ser constrangedores. Se ela não merecia elogios pelo seu trabalho na CBB, tampouco merecia uma apunhalada deste nível – embora, é sempre bom dizer, trabalhar na CBB é estar preparado para que isso ocorra a qualquer momento.

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Sob nova direção: Luiz Augusto Zanon é o novo técnico da seleção brasileira feminina
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Fábio Balassiano

Não demorou muito a começar a mudança no departamento feminino do basquete brasileiro (agora comandado por Vanderlei, que, diga-se de passagem, já começa bem em sua função com as meninas). A notícia, confirmada esta manhã pelo site oficial da CBB, é que Luiz Augusto Zanon, que tem feito grandíssimo trabalho por Americana (campeão da LBF e Liga Sul-Americana na temporada passada), é o novo técnico da seleção feminina adulta (Luiz Claudio Tarallo não teve seu contrato renovado).

“Confesso que não esperava esse convite agora. Posso garantir que é uma satisfação e um privilégio ser o técnico da seleção brasileira. Temos um trabalho árduo pela frente e todas as condições para colocar novamente o Brasil entre os quatro melhores do mundo. É um desafio que vamos conseguir vencer”, afirmou o técnico, que já havia recusado uma proposta de Hortência para assumir a seleção, ao site da CBB.

Grande, grande notícia para o basquete feminino brasileiro. Zanon não fez apenas um trabalho técnico em Americana, mas sim modificou as estruturas de treinamento e de jogo de uma grande equipe. Tem acompanhado a modalidade de perto há três anos, sabe bem como mexer com as meninas e certamente fará um grande trabalho (ainda que o material humano não lhe seja excelente para âmbito internacional). A dúvida que eu tenho, até agora, é se ele continuará a exercer seu cargo de treinador em clube ao mesmo tempo (a entrevista coletiva será concedida após a LBF).

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Tags : CBB Zanon


CBB tira Hortência do comando das seleções femininas, mas mantém Rainha na entidade
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Fábio Balassiano

O que era um rumor agora é oficial (e já está no site da entidade máxima inclusive – clique aqui). Hortência não é mais diretora de seleções femininas da Confederação Brasileira de Basketball, tornando-se Diretora de Relações Institucionais.

Ela não está muito satisfeita, como você pode ler na reportagem de Fábio Aleixo no Lance!, mas permanece na CBB como Diretora de Relações Institucionais até que se prove o contrário. Ao companheiro, ela disse:

“Não vou falar nada. Você que fale com o presidente sobre isso. Eu desconheço qualquer mudança. Desconheço porque não aceitei este novo cargo”, disse Hortência ao Aleixo.

Ainda não se sabe se haverá um gestor dedicado exclusivamente ao basquete feminino, mas de certo, como está no organograma distribuído no site, é que Vanderlei Mazzuchini é o novo Diretor Técnico, ocupando cargo até então exercido por André Alves, que será, por sua vez, Diretor de Eventos (duas perguntas cabem aqui: o que faz um diretor de eventos na CBB e qual a experiência de André para assumir um cargo assim?). A função de Hortência era a de Paulinho Villas Boas, que agora será Diretor de Basquete 3×3, modalidade que crescerá de importância e que conta com foco total da FIBA.

Ainda sobre a estrutura da Confederação, há um pai e filho (Édio José Alves, Secretário Geral, e Edio José Soares Alves, Diretor Executivo) e isso não deve ser lá muito estranho nos corredores da Avenida Rio Branco (RJ), visto que o mesmo acontece com o presidente e seu rebento (relembre aqui).

Amanhã farei uma análise mais completa sobre o trabalho de Hortência nestes quatro anos como diretora de seleções femininas, mas desde já a informação que se tem é essa – Rainha continua, não muito contente, como diretora de Relações Institucionais da CBB. A pressão dos presidentes de Federação, que não queriam que ela sequer continuasse na entidade, aliado ao trabalho ruim dela nestes quatro anos acabaram por tirá-la da função.

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Diretora de seleções femininas, Hortência também pode estar de saída da Confederação
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Fábio Balassiano

Depois de José Carlos Brunoro/BSB (leia mais aqui), pode ser a vez de Hortência, diretora de seleções femininas, deixar a Confederação Brasileira de Basketball. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela Gazeta Esportiva via Bruno Ceccon (mais aqui), mas ainda não foi confirmada pela entidade máxima (o repórter merece crédito pacas, posso assegurar).

“Estamos esperando para ver as mudanças que vão fazer. Não sei nada disso ainda”, afirmou ao site.

Pessoalmente, liguei ontem e na quinta-feira passada para a assessoria de imprensa a respeito dessa informação, que também tinha chegado a mim por quatro fontes diferentes, mas os dois assessores com quem conversei negaram veementemente a informação (tentei contato com Carlos Nunes, o presidente, e com Hortência, mas ambos não atenderam ou retornaram minhas chamadas).

A informação que eu tenho, e isso foi apurado no dia das eleições da CBB, é que a saída de Hortência foi um pedido dos presidentes de Federação. Há muitos rumores e indícios de que haverá movimentações na CBB neste começo de segundo mandato de Carlos Nunes, mas convém aguardar pelos próximos capítulos antes de cravar qualquer coisa.