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Bala na Cesta

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Ginásio lotado em Goiânia e nova Assembleia da CBB - os avanços do basquete brasileiro

Fábio Balassiano

28/02/2018 13h00

Acabou que devido às atribulações dos últimos dias eu não comentei aqui duas notícias importantes sobre o basquete brasileiro.

A primeira veio de Goiânia, e a foto que abre o post fala por si só. Foram mais de 10 mil pessoas no segundo jogo da seleção brasileira masculina adulta na Arena Goiânia no domingo para ver a vitória contra o Chile por 83-58 que manteve a invencibilidade do técnico Aleksandar Petrovic nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2019. O sucesso não ficou só na quadra, não.

Houve homenagem para Marta, ex-pivô da equipe feminina, recorde mundial estabelecido de público nas eliminatórias da FIBA até aqui, boa apresentação no segundo tempo do time de Petrovic e os atletas recebendo o carinho do público como há anos isso não acontecia por aqui. Ponto para a organização da Confederação, que dias antes, contra a Colômbia na mesma Arena, colocou quase 9 mil pessoas (outro grandíssimo número).

Outro ponto importante vem do lado de fora da quadra, mais especificamente da nova forma de votação da Confederação Brasileira (também promessa cumprida de campanha do presidente Guy Peixoto aliás). Até o último dia da gestão Carlos Nunes, apenas os presidentes de Federação e o Representante da Associação de Atletas participavam das análises de balanço e votações (pra presidente da entidade máxima ou mudanças estatutárias). Mas isso mudou, tornando o processo mais democrático e aberto – ainda bem.

A partir de agora, o colégio eleitoral terá 42 votantes. As 27 Federações (26 Estados + Distrito Federal) agora recebem a companhia de dois representantes dos Atletas (Guilherme Teichmann e Helen Luz), seis atletas que foram medalhistas em Mundial e/ou Olimpíada (Hortência, Norminha, Magic Paula, Eduardo Agra, Oscar Schmidt e Marcel de Souza), dois que jogaram pela seleção (Cadum e Iziane), dois técnicos (Chuí e Macau) e três clubes (dois da primeira divisão, Flamengo no masculino e Presidente Venceslau no feminino, e um da segunda divisão, o Macaé Basquete – no feminino ainda não há liga de acesso). Falta uma equipe da segunda divisão do feminino para chegarmos aos 43, número definido pela CBB como ideal. Destes 42, 13 serão eleitos, também a partir de votação direta, para fazer parte do Conselho de Administração que participará de votações estratégicas com Guy Peixoto e sua diretoria.

Conversei ontem com alguns dos novos membros do Conselho, e todos elogiaram a iniciativa da nova CBB de dar espaço a ex-atletas de renome, clubes e técnicos do país. Todos foram avisados previamente da votação, que foi realizada pela internet e de forma direta (cada classe elegeu seus próprios representantes). Os ex-atletas que participaram da votação foram (TODOS) convidados a se cadastrar e a participar do processo eleitoral em ligações pessoais dos membros da Confederação, outro ponto positivo (aproximação da entidade máxima com quem já tanto fez pela modalidade).

Dentro de todo este avanço, o único ponto que, creio eu, deva ser levado em conta para uma próxima etapa é o fato de que votações pela internet acabam, quase que naturalmente, tirando um pouco das chances das gerações mais antigas na disputa. Não sei se foi o caso nesta eleição, mas via de regra as votações pela internet acabam fazendo o resultado tender sempre para os mais jovens. Talvez por isso, entre os homens, os mais votados sejam os dois mais recentes ídolos da modalidade (Oscar e Marcel) e outro que atualmente está comentando jogos na televisão (Agra), aumentando assim a sua (dele) visibilidade no meio (nada contra ele, mas é um fato). Voto é voto, vale sempre a maioria, e há o fato que, segundo apurei, que Wlamir Marques, bicampeão Mundial em 1959 e 1963 (da geração mais antiga portanto), quase foi eleito para o Comitê que tem direito a voto (ele ficou bem na "bica" pra entrar mesmo, mas não rolou…). Mas, sem dúvida alguma, o saldo é bem positivo.

Fico sinceramente feliz com essa nova etapa do basquete brasileiro a partir da entidade máxima. Campeonatos de base voltando a acontecer. Seleção se reencontrando com o público. Estatuto da CBB mais aberto e democrático. Que venham mais dias animadores assim.

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