Bala na Cesta

Arquivo : Rubén Magnano

Ex-técnico da seleção brasileira masculina, Rubén Magnano tem novo emprego
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Fábio Balassiano

magnano1Depois de dirigir a seleção brasileira na catastrófica campanha Olimpíada do Rio de Janeiro, quando foi eliminada na primeira fase e terminou na nona colocação após vencer apenas dois de seus cinco jogos, Rubén Magnano tem novo emprego.

O treinador argentino dirigirá o tradicional Trotamundos, da cidade venezuelana de Valencia, que se prepara para a temporada de 2017 da Liga Profissional local. De acordo com o presidente da equipe, Giuseppe Palmisano, Magnano chegará dia 15 de fevereiro (próxima quarta-feira) para dar prosseguimento à pré-temporada da equipe.

O nome do ex-comandante da seleção brasileira masculina foi cogitado na China e também no México, mas pelo visto foram apenas rumores. Ir para um basquete de nível tão baixo assim mostra bem em que patamar Magnano está no basquete mundial (sem tanto conceito assim) e também em que mãos estava a equipe nacional que fracassou nas Olimpíadas de 2016 (em mãos que a Confederação acreditava ser de primeira linha, mas que na verdade não possui tanto valor assim de mercado).

Antes de sua não mais que mediana passagem pela seleção brasileira Magnano treinou o Atenas, de Cordoba (Argentina), o espanhol Cajasol, o italiano Varese e a seleção argentina, onde foi campeão olímpico (2004) e vice-campeão mundial (2002).


Análise Final – Seleção Brasileira Masculina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

Eu sei que, agora, não adianta de muita coisa. Os Jogos Olímpicos acabaram há quase uma semana, o Brasil foi eliminado na primeira fase com a campanha de 2-3 (vitórias contra Espanha e Nigéria, derrotas para Lituânia, Croácia e Argentina) e, mais do que isso, Rubén Magnano já não é mais o técnico da seleção brasileira masculina ( aqui ). De todo modo, vamos lá a análise final dos acontecimentos na Olimpíada do Rio de Janeiro para o time masculino.

O QUE DEU CERTO:

nene11) Nenê – Que Olimpíada fez o ala-pivô (agora) do Houston Rockets. Intenso, bem fisicamente, atacando a cesta muitíssimo bem, passando ainda melhor e marcando com força. Fez três partidas muito boas (Lituânia, Argentina e Nigéria), e contra os hermanos simplesmente massacrou a Luis Scola com 24 pontos e 11 rebotes. Terminou os Jogos Olímpicos com 13 pontos, 6,4 rebotes e 3 assistências de média. Mais do que isso: conseguiu ser aplaudido pela torcida brasileira. Torcida brasileira que, anos atrás, em 2013, vaiou o cara em um amistoso da NBA. Se a Olimpíada foi um desastre para a seleção brasileira, eliminada na primeira fase, ao menos para o camisa 13 serviu para que ele voltasse a ficar bem com a galera. Em vários momentos teve seu nome gritado, vivendo momentos emocionantes.

benite2) Vitor Benite – Benite terminou as Olimpíadas com a melhor média de pontos por minuto da seleção brasileira. Teve 7,8 pontos por jogo nos Jogos do Rio de Janeiro. Por razões magnanianas que fogem da minha compreensão jogou apenas 13 minutos por jogo. Aos 26 anos, ele é o ala, para jogo FIBA, com a melhor combinação de defesa, arremesso, leitura de jogo e passe que o Brasil tem em seu elenco. Contra a Argentina, marcou bem a Manu Ginóbili e a Carlos Delfino, fez 13 pontos em um período (o segundo), incendiou a torcida, ajudou o Brasil a virar o jogo antes do intervalo e estava com uma confiança absurda. Magnano o sacou, Benite só jogou mais dois minutos na segunda etapa e o Brasil perdeu. Por inacreditável que possa parecer, seu único jogo com 20+ minutos foi o contra a Nigéria. Contra os africanos o camisa 8 respondeu com 15 pontos. Ali, porém, já era tarde. Benite merecia mais tempo de quadra, algo que ele verá apenas neste próximo ciclo olímpico, quando será uma das principais peças da seleção brasileira visando a Olimpíada de Tóquio em 2020.

torcida13) A sinergia torcida / time – Fui a dois jogos da seleção brasileira (Lituânia e Argentina) e não me lembro de ver uma sinergia tão bacana entre torcedores e equipe nacional de basquete. Nem no Mundial de 2006, quando a seleção feminina chegou às semifinais enchendo o ginásio do Ibirapuera contra a Austrália eu vi isso. Foi bonito, realmente bonito, de ver. No jogo contra a Espanha, na vitória agônica com o tapinha do Marquinhos, foi incrível ver a atmosfera do ginásio pulando, pulsando, se emocionando com o mais emocionante dos esportes. Talvez por isso é que tenha escrito da oportunidade que o basquete perdeu (com a eliminação precoce). O público queria se apaixonar pela seleção brasileira como também dissemos no Podcast. Queria voltar a se enamorar do basquete depois de anos de problemas. Queria saber quem são os novos ídolos. A tentativa de reconciliação, porém, durou apenas cinco jogos, três brigas e um não definitivo. A seleção marcou o encontro com a amada e se esqueceu do horário da festa. O que era pra ser amor virou irritação.

O QUE NÃO DEU CERTO:

Bra51) Rubén Magnano – Se não foi o único responsável, porque os jogadores erraram absurdamente em quadra também (nas faltas não cometidas em Ginóbili e Nocioni sobretudo), foi um dos principais (provavelmente o principal). Durante toda a competição tomou decisões equivocadas (e o técnico é o tomador de decisões, não?), viu seu time ser eliminado na primeira fase e no final das contas ainda conseguiu ter a pachorra de cair na dos tais protagonistas. Como se Bogdanovic, Campazzo, Nocioni, Mills, Dellavedova e até Scola fossem os principais jogadores de seus times. Aham, sei. Sobre o jogo com a Argentina eu enumerei sete erros capitais de Magnano. É só pegar a mesma fórmula e multiplicar por cinco. O agora ex-técnico cometeu os mesmos erros em TODOS os jogos da primeira fase da seleção brasileira. Um primor.

magnano11.1) Nem vou voltar a falar sobre seus métodos antiquados e retrógrados, pois estes pontos já foram abordados em textos anteriores. Só deixo uma perguntinha: quem termina a Olimpíada mais conhecido do público brasileiro, Carmelo Anthony ou QUALQUER jogador da seleção nacional? Carmelo foi a Santa Tereza, ao Cristo Redentor, ao Morro do Dona Marta, a um Projeto Esportivo social na Comunidade, a NBA House, aos jogos dos times americanos no vôlei de praia e demais esportes. E jogou muita bola. Os atletas de Magnano? Ficaram trancafiados desde o começo de julho. Quantas atividades sociais, de aproximação ao público, deixaram de ser feitas porque o treinador acreditava que isso mexeria com a cabeça dos atletas? Na mentalidade ditatorial/generalesca de Magnano, ganha-se assim. No basquete, e na vida, ganha-se com treinamento, performance e comprometimento. O resto, como também venho dizendo, é acessório e conversa que só brasileiro muito conservador ainda cai. Adianta do quê? De nada, né. A seleção americana, a Austrália, a Sérvia e a Espanha vieram ao Brasil, aproveitaram, curtiram o momento e na quadra demonstraram suas qualidades.

masc22) Sistema ofensivo – Havia muito tempo que não via um ataque de seleção brasileira tão ruim. Estático, sem imaginação, quase sempre finalizando as jogadas no um-contra-um, algo que, sabemos, é uma das piores jogadas em termos de conversão do basquete mundial. Duas coisas me chamam a atenção nisso tudo: 1) Quando são contratados para jogar no exterior, invariavelmente os jogadores brasileiros são elogiados por seus técnicos devido a sua capacidade de improvisação, por sua inventividade. Por que quando vestem a camisa da seleção eles são sumariamente castrados? É óbvio que precisamos ter organização tática, sistema, treinamento, isso tudo. Mas Huertas é um mago dos passes na quadra aberta. Quantas chances ele teve de fazer o que realmente sabe correndo com a bola?

raul1A seleção masculina quis porque quis jogar no meia quadra europeu que faz sucesso com times que são muito bons nisso e que possuem ótimos arremessadores (Kuzminskas, Bogdanovic, Maciulis, Rudy Fernandez, Patty Mills). O Brasil não possui um arremessador muito confiável do perímetro, mas tem ótimos jogadores de velocidade (Leandrinho, Huertas, Raulzinho mesmo). A seleção terminou chutando 20% de fora. Marquinhos, o melhor arremessador do elenco, 21%. Qual o motivo de Magnano ter insistido em SUA fórmula de sucesso de 15 anos atrás com a Argentina? Não teria sido melhor adaptar os seus conceitos ao material humano existente por aqui?; 2) Que jogadas de final do jogo são aquelas que temos armadas para nossos atletas? No duelo contra a Argentina o Brasil tinha 3,8 segundos de posse no final do tempo normal. E Nenê recebeu a bola na EXTREMIDADE DO GARRAFÃO (perto da lateral) para fazer um drive COMPLETO em direção a cesta. Isso é sério? Em nenhum lugar do mundo daria certo.

magnano13) Começos ruins – Contra a Lituânia o Brasil foi para o intervalo perdendo de 58-29. Contra a Croácia, 41-31. Para a Argentina, primeiro período com vantagem hermana de 28-19. Diante dos nigerianos, vitória africana na primeira parcial por 16-15. Qual o motivo para uma seleção brasileira jogando em casa começar tão mal assim as partidas da uma Olimpíada? Vão me desculpar, mas o argumento de “nervosismo” não me parece o mais adequado. O fato é que das partidas com começos ruins o Brasil não conseguiu se recuperar em duas (Lituânia e Croácia), atuando atrás no placar o duelo inteiro e saindo derrotado no final. O time correu como um maluco para se recuperar, mas no minuto 40 terminou a partida com o revés. Isso pesou na classificação final. O confronto contra a Lituânia, sinceramente falando, eu não me conformo até agora. O Brasil estreava em uma Olimpíada diante de seu torcedor, o ginásio estava lotado e a apatia fez um timaço de bola ir para o vestiário anotando quase 60 pontos. Foi o pior recado possível.

masc64) Senso de urgência / “Visão de Mercado” – O ponto acima se relaciona com este, mas não totalmente. Meu ponto, mesmo, aqui tem a ver com o que a eliminação precoce representaria, como representou, para o basquete brasileiro. A Confederação não foi capaz de demonstrar aos atletas quão grandioso e quão impactante para a modalidade seria uma medalha olímpica. Os jogadores, por sua vez, não demonstraram (perdão pela palavra) o tesão que a gente viu em times como Argentina, Austrália e Sérvia para ir longe. Eu falo bastante em profissionalismo por aqui, mas para jogar em seleção é preciso paixão, muita paixão. O que vimos em quadra era um time jogando, aparentemente, um torneio qualquer, algo que sabemos que não era (era uma Olimpíada e em casa, algo que não se repetirá com essa geração).

masc1Se não é o que eles sentiam (e provavelmente não é mesmo!), é a percepção que foi passada (e neste caso a percepção é pior do que a realidade, pois é com ela, a percepção, que o público vai pra casa). Não me pareceu, no final das contas, haver a noção histórica do que uma campanha que culminasse com a medalha representaria. Não me pareceu, também, que atletas, comissão e CBB tivessem a noção de mercado que ela, a medalha, traria de benefícios a um esporte que patina através de sua endividada Confederação e que vê, ano a ano, clubes fechando as portas. A Olimpíada, com uma medalha ou uma campanha digna, poderiam representar o ponto de partida para a retomada daquilo que já foi a modalidade. Aí acabamos a Olimpíada e o que temos? Um novo ídolo na canoagem (Isaquias fenomenal!), o judô e a vela sempre medalhando, o futebol conquistando a sua inédita medalha dourada e o vôlei saindo do Rio-2016 com dois ouros – na quadra e na praia – e uma prata. O basquete? Eliminado na primeira fase do masculino e do feminino. Qual o impacto para as próximas gerações? Não é algo positivo, né?

Concorda com minha análise? Comente!


Entendendo as saídas de Rubén Magnano e Barbosa das seleções
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Fábio Balassiano

dupla1Pretendia fazer hoje análises técnicas dos desempenhos das seleções brasileiras masculina e feminina no Rio-2016 (algo que trarei até sexta-feira, prometo). Mas ontem à tarde a Confederação Brasileira de Basketball divulgou em seu site que os dois técnicos não terão seus contratos renovados. Tanto Rubén Magnano quanto Antonio Carlos Barbosa deixam as equipes nacionais após as pífias campanhas na Olimpíada do Rio de Janeiro. Dá pra analisar caso a caso. Vamos lá:

barbosa11) A não renovação de contrato mais fácil de ser compreendida é a de Antonio Carlos Barbosa. Por dois motivos bem claros: a) Ele será, ao que tudo indica e como este blog antecipou ontem, candidato a presidência da CBB em 2017. Logo, seu quadrado passa a ser outro (o político, e não o técnico) a partir de agora; b) Desde que assumiu a equipe feminina após o imbróglio envolvendo Clubes da LBF e a Confederação no começo do ano, Barbosa dizia que sairia após o Rio-2016 independente do resultado. Ele fora chamado para uma emergência, para uma situação limite, e optou por tentar ajudar mesmo sabendo de todos os problemas e riscos que enfrentaria. Não dá pra dizer que ele foi bem (MUITO pelo contrário), porque um 0-5 em uma Olimpíada em casa é um 0-5, mas de antemão todos tinham plena noção de que a sua saída era pedra cantada. Não foi performance o motivo de sua saída, portanto.

bra32) O mesmo não se pode dizer de Rubén Magnano. Trazido pela Confederação Brasileira há sete anos como o salvador da pátria para alçar voos maiores com a seleção masculina, o treinador chegou cheio de energia, conquistou uma vaga olímpica que não vinha desde 1996 logo em seu segundo ano de trabalho, falou em mexer com toda a estrutura da modalidade no país por diversas vezes e deixou todos muito animado. Até Londres-2012, ele não foi mal. Depois disso, tornou-se um desastre (muito provavelmente porque viu que dentro dessa gestão de Carlos Nunes na CBB não poderia fazer nada de diferente mesmo). Nas palavras, na quadra, na condução do elenco, em sua visão retrógrada de basquete (e de mundo), em tudo.

Bra1E tem mais. Seus resultados em sete anos mostram que, apesar de uma prepotência monumental, ele não foi bem: em Mundiais, um nono lugar (2010) e um sexto (2014); em Olimpíadas, um quinto (2012) e um nono (2016); em Copa América, um vice-campeonato (2011) e dois nonos lugares (2013 e 2015); e em Pan-Americanos, um quinto (2011) e um título (2015). O tal “próximo passo”, de avançar às medalhas, a um patamar maior, ele não conseguiu. Some-se ao desempenho ruim com um elenco muito bom o fato de Magnano ter um salário altíssimo. Com o cenário financeiro terrível da CBB, a sua permanência tornou-se inviável. Caso os resultados tivessem vindo, creio que Carlos Nunes e companhia poderiam tentar justificar, ou pleitear junto ao Comitê Olímpico, que já bancou parte do salário de Magnano por um tempo, alguma coisa. Mas sendo eliminado na primeira fase de uma Olimpíada em casa fica impossível passar o pires pro COB, né?

cbb13) Antes de falarmos nos nomes para assumir as equipes nacionais, volto ao ponto do meu texto de semana passada: não adianta nada trocar um técnico pelo outro. Nada. Nada mesmo. O problema do basquete brasileiro chama-se gestão, e para se ter melhoria de gestão você não mexe apenas nas peças, mas sim nos processos, na organização, na ampliação do olhar e na evolução de temas críticos – como a massificação, a capacitação dos treinadores, a falta de comunicação entre dirigentes e atletas, entre outros assuntos essenciais para o bom andamento da modalidade. Com o modus operandi que impera na CBB há 20 anos, com o duo “maravilhoso” formado por Carlos Nunes e Grego, podem contratar Phil Jackson, Gregg Popovich ou Coach K que não adianta. Nossos maiores problemas não estão na quadra, mas sim fora dela.

neto34) O mais cotado para assumir a seleção masculina é José Neto. Assistente-técnico e homem de confiança de Magnano desde o começo do ciclo do argentino, ele também tem resultados consistentes com o Flamengo (há quatro anos no clube, venceu TODOS os campeonatos possíveis!), entende bem o funcionamento caótico da CBB, conhece bem a maioria dos jogadores que serão fundamentais nos próximos anos (Raulzinho, Felício, Fischer, Augusto, Vitor Benite etc.) e é respeitado por atletas, imprensa e dirigentes. No feminino, não consigo ver nenhum nome capaz de ser alçado a condição de treinador para um ciclo que será desafiador (para dizer o mínimo). E não ter sequer uma pista de quem pode passar a liderar a seleção feminina é um indicador de que não há nenhum nome bom no horizonte.

nunes15) Uma questão importante e que deve ser colocada: aparentemente não serão os sempre sorridentes Vanderlei e Carlos Nunes que irão escolher os novos técnicos das seleções brasileiras. Com eleição marcada para Março de 2017, caberá ao novo presidente a missão de contratar os novos treinadores e montar a sua diretoria com Diretores Técnicos e demais profissionais. Ou seja: só teremos definição, mesmo, no segundo trimestre do próximo ano. Enquanto isso, e até termos um novo mandatário na quebrada CBB, só especulação mesmo.

E você, concorda com as saídas de Rubén Magnano e de Antonio Carlos Barbosa? Quem você gostaria que assumisse a seleção masculina? E a feminina?


Atletas das seleções estão treinando sem saber que já foram cortados
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Fábio Balassiano

* Colaborou Fábio Aleixo

brasil1

cbb1As seleções brasileiras de basquete que estão treinando visando os Jogos Olímpicos passam por uma situação no mínimo curiosa (pra usar uma palavra educada) a menos de 20 dias do começo do Rio-2016.

Com a lista dos 12 atletas que irão entrar na Vila Olímpica já enviada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a Confederação Brasileira sujeita um atleta que está sob o comando de Rubén Magnano a treinar sem saber que já foi cortado pelo treinador – e há três meninas na mesma situação com Antonio Carlos Barbosa. Como vocês podem ver na foto que está no começo deste texto (e também aqui neste link), atualmente Magnano tem 13 atletas à sua disposição na Hebraica, onde a seleção está treinando. Barbosa, que ontem recebeu Érika e Clarissa, tem 15.

rio2016Não dá pra acreditar, né? Então se segurem aí e vejam a nota no site do COB: “Nesta segunda-feira, dia 18, o Comitê Olímpico do Brasil inscreveu os 462 atletas que integrarão a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos Rio 2016. A inscrição foi feita na Vila Olímpica Rio 2016 pelo chefe da Missão Brasileira, Bernard Rajzman, e os subchefes Marcus Vinicius Freire e Gustavo Harada. No total a delegação terá 806 integrantes, entre atletas e oficiais. Alem dos credenciados, cerca de 200 outros profissionais atenderão os atletas brasileiros nas bases exclusivas do Time Brasil”.

brasil2Ou seja: beira o absurdo, mas é totalmente real que um dos atletas que está treinando, se matando, no Clube Hebraica, em São Paulo, sonhando com a presença na Olimpíada do Rio de Janeiro já é carta fora do baralho no mínimo desde ontem, segunda-feira. Carta fora do baralho e NÃO saiba disso (não foi informado de nada). Pelo que o blog apurou, a decisão final de Rubén Magnano estava mesmo entre Larry Taylor e Rafael Luz (ambos na foto), armadores. Em Campinas, onde as meninas estão treinando, a mesma coisa. Aparentemente uma pivô, uma armadora e uma ala serão cortadas.

nunes7Não bastassem os micos financeiros, da falta de preparação das seleções de base, como coloquei aqui recentemente, agora chegamos ao ponto da CBB atletas já cortados das Olimpíadas treinando com as equipes masculina e feminina – sem eles, atletas, saberem disso. É bizarro, é cruel (qual o motivo de fazer isso com um jogador profissional, hein?), mas é assim que as coisas funcionam na Confederação Brasileira de Basketball comandada por Carlos Nunes e seus colegas. Que pena.


Sobre a coerente convocação de Rubén Magnano
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Fábio Balassiano

magnano1Na semana passada Ruben Magnano convocou a seleção brasileira para a Olimpíada do Rio de Janeiro. A lista completa de 14 nomes está aqui, e obviamente o treinador cortará dois atletas para chegar aos 12 que efetivamente entrarão em quadra a partir de 7 de agosto quando a equipe enfrentará a Lituânia (14:15).

Em primeiro lugar, não há muito o que se lamentar na lista de Magnano. Muita gente fala na ausência de mais jovens. Discordo frontalmente disso. Olimpíada não é lugar pra se testar ninguém (escrevi isso quando da lista do Barbosa na feminina também). Ainda mais em casa.

ruben1Olimpíada é lugar pra chamar os 12 melhores e ponto final. Se estes 12 tiverem 30+ anos, é muito mais sinal de que algo precisa ser feito pela Confederação do que pelo treinador em si. Pegar essa turma mais nova e treiná-la loucamente, como aliás irá fazer a USA Basketball agora com Gregg Popovich (o próximo comandante da seleção), é algo que me agrada é que demonstra zelo e cuidado com o futuro da equipe nacional. Para isso, no entanto, é necessário dinheiro, planejamento e dedicação, artigos em falta na entidade máxima desde sempre.

caboclo1Sinto falta de um ala mais alto para marcar no perímetro, mas não há este tipo de atleta no país que possa fazer essa função no elenco olímpico. Marcus Toledo, que jogou o NBB pelo Basquete Cearense, é o que mais se aproxima disso, mas quase não foi testado nos torneios Classe A desde que o argentino aqui chegou. Trazê-lo agora pra competição mais importante deste ciclo seria incoerente, algo que de fato Magnano não o é. O mesmo raciocínio se aplica a Bruno Caboclo (foto), talvez o mais talhado para exercer essa função no futuro. No presente, porém, o ala ainda é um projeto no Raptors e está há duas temporadas sem tanto ritmo de jogo assim.

giovannoni1Outro ponto que gostaria de mais atenção seria ter alas (posição 4) com arremessos confiáveis de fora. O famoso “quatro aberto” encontra apenas Guilherme Giovannoni com essa definição. É pouco. Para um torneio tão curto, ter armas diferentes entre si é uma vantagem competitiva que o Brasil deveria buscar – e não terá. O nome de Jefferson William é o que mais me vem a cabeça, mas suas presenças se resumem a Sul-Americanos quando falamos em seleção brasileira nos últimos anos.

Agora é esperar pelos treinos e cortes de Magnano. É impossível prever o que acontecerá, mas acho pouco provável que fuja de Larry ou Rafael Luz na armação e Giovannoni , Faverani (uma das surpresas) ou Hettsheimeir no pivô (e eu não acredito que Guilherme, veterano, seja sacado – provavelmente o argentino nem o chamaria).


Sem Splitter, como fica a seleção masculina para a Olimpíada?
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Fábio Balassiano

tiago1Como escrevi aqui ontem, a seleção brasileira masculina perdeu Tiago Splitter para a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. O pivô do Atlanta Hawks vai operar o quadril, e a não ser que aconteça um milagre ficará fora mesmo dos Jogos. Talvez o pessoal da Confederação Brasileira não saiba ainda, visto que não divulgou sequer uma nota em seu site ou nas redes sociais, mas é importante a comissão técnica começar a colocar as barbas de molho.

raulFalarei disso na próxima semana, mas dos 9 jogadores da NBA, só Leandrinho (reserva dos dois melhores do Warriors), Raulzinho (titular do Utah) e Nenê (no Wizards) jogam com frequência.

Pensando nisso, comecei a rascunhar uma lista sem Tiago Splitter usando os critérios do técnico Rubén Magnano. Acredito que há três grupos bem claros: a) os praticamente certos; b) os que estão bem perto de ir aos Jogos Olímpicos; c) os que correm por fora(espera-se que seja BEM ampla e essa galera pode se beneficiar disso). Vamos lá:

huertas3a) Os praticamente certos:
Armadores: Huertas (Lakers – na foto) e Raulzinho (Jazz)
Alas: Leandrinho (Warriors), Alex Garcia (Bauru) e Marquinhos (Flamengo)
Pivôs: Nenê (Wizards), Varejão (Cavs) e Augusto Lima (Real Madrid)

b) Os que estão bem perto:
Ala: Vitor Benite (Murcia)
Pivô: Rafael Hettsheimeir (Bauru)

Grupo A + B = 10 atletas

deryk1c) Os que correm por fora:
Armadores: Rafael Luz (Flamengo), Ricardo Fischer (Bauru), Larry Taylor (Mogi) e Deryk Ramos (Brasília – foto)
Alas: Bruno Caboclo (Raptors), Marcelinho Machado (Flamengo), Lucas Dias (Pinheiros) e Léo Meindl (Bauru)
Pivôs: Cristiano Felício (Bulls), Lucas Bebê (Raptors), Vitor Faverani (Murcia), Giovannoni (Brasília) e Caio Torres (Paulistano)

Seguindo esse raciocínio, temos praticamente 10 atletas muito perto de jogar a Olimpíada do Rio de Janeiro (grupos A e B), com muitos brigando por duas vagas. Creio realmente que será assim mesmo até agosto. Do grupo C, quem eu ACHO que irá para a Olimpíada: Larry Taylor e Giovannoni . Quem eu convocaria? Ricardo Fischer e Cristiano Felício. E você, quem levaria para a Olimpíada de 2016?


A dificuldade em ampliar o olhar no basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

bra2Terminou mais uma temporada de seleções para o basquete brasileiro. Com aquele martírio que conhecemos bem (e explorado no texto de ontem), e com dois gostos bem amargos – a seleção feminina pagou vexame no Canadá e a masculina, no México. Apesar do ouro dos rapazes no Pan-Americano de Toronto, o saldo ficou longe de ser extremamente positivo na soma das duas equipes nacionais.

As performances não foram boas, mas me chamou a atenção mais uma vez o coro que se fez nas redes sociais pedindo as cabeças tanto de Zanon na feminina quanto de Rubén Magnano na masculina. Era muita gente (muita gente mesmo!). E aí eu me assustei bastante.

zanon2Acho que vocês devem saber quão crítico eu sou do trabalho de ambos em seus respectivos times. Sabem, ou imaginam, que ambos estão longe de serem os técnicos que considero excepcionais para os cargos que ocupam – e com o agravante de Magnano ter problemas de comunicação/liderança bem graves.

Quanto a isso, ponto pacífico. Partir, depois de insucessos na quadra, para a análise pura e simples do “não ganhou troca” eu não posso compactuar, porém. Por três singelos motivos:

zanon11) Na seleção feminina, pode colocar o Coach K, o Gregg Popovich, o Steve Kerr e o Phil Jackson que não vai dar certo. O problema é muito maior, muito maior mesmo que apenas técnico e tático em relação a uma pessoa (no caso o técnico). Quantos times jogarão a próxima LBF? Com que elencos? Na próxima temporada as meninas que estavam na seleção continuarão no banco das veteranas que dominam o cenário interno há duas décadas? Como se vê, o problema é maior, mais amplo. E tem uma coisinha interessante que precisa ser colocada: no último ciclo olímpico o Brasil teve QUATRO técnicos entre 2008 e 2012 – Paulo Bassul, Carlos Colinas, Enio Vecchi e Tarallo. Deu no que deu, né? Um vexame atrás do outro, culminando com a péssima Olimpíada de 2012 em Londres. Trocar de técnico a menos de um ano dos Jogos do Rio-2016 não resolve absolutamente nada, em que pese o desempenho não tão bom de Zanon principalmente do último ano pra cá.

magnano2) Cheguei a ler gente chamando Rubén Magnano de “ruim“. Gente, com todo respeito, mas NINGUÉM neste planeta consegue ser campeão olímpico e vice-campeão mundial como técnico sendo RUIM. Pode ter Ginóbili, Michael Jordan ou Kobe Bryant no elenco. Se for (para usar a palavra que eu vi) ‘RUIM’ não vai rolar. Magnano tem problemas, é óbvio, mas a seleção brasileira evoluiu muito sob seu comando. Se eu acho que ele faz um bom trabalho? Sim, um bom trabalho. Se é um excelente trabalho? Não, não é excelente. Perder de Jamaica, Uruguai (duas vezes) e Panamá em um período de dois anos não é bacana, e ele sabe disso. De todo modo, vejam a transformação da equipe de cinco anos para cá. A defesa melhorou muito, o ataque está cada vez mais paciente e o estilo de jogo é homogêneo. Há defeitos? Óbvio. Há muitos problemas para serem corrigidos para o Rio-2016? É claro. Mas alguém em sã consciência acredita que trocando Magnano por outro treinador (seja ele do país ou gringo) o Brasil sairá ganhando? Eu duvido muito. Sobre o fato de ele ser estrangeiro, por favor me incluam fora dessa. Estamos em 2015. Não dá pra ficar analisando ‘trabalho’ de alguém pela cor do passaporte. Não em um esporte cada vez mais globalizado.

nunes23) Li há alguns anos o ótimo livro “A Bola não entra por Acaso“. Fala da transformação do quebrado Barcelona do final do século passado na potência que se tornou hoje em dia e como as decisões administrativas fizeram com que o clube começasse a ganhar muito mais em campo quando tudo passou a caminhar de maneira organizada. Peguem um avião da Catalunha para a nossa realidade e é meio óbvio o que quero dizer, não? A Confederação Brasileira é (com o perdão da palavra) tenebrosa. Em gestão financeira, massificação, transparência, parte técnica, dia a dia com as Federações, “meio-campo” político, tudo. Será mesmo que dá para cobrar de Magnano e Zanon mais do que eles vêm fazendo tendo um presidente como Carlos Nunes? Carlos Nunes, o cara que conseguiu elevar a dívida da CBB para R$ 13 milhões no período de seis anos de mandato. Será que não vale lembrar que a seleção feminina enfrentou o possante Chile (único rival) antes da Copa América feminina? Não é recomendável refrescar a memória da turma que Magnano não sabia 4 semanas antes da Copa América se a vaga olímpica estava garantida justamente por causa do calote da Confederação na FIBA? Seleção, portanto, é reflexo do que se faz (ou não se faz) de trabalho no dia a dia da modalidade. Não dá para descolar uma coisa da outra, não. Performances boas das equipes nacionais devem se PRECEDIDAS de organização, planejamento e seriedade da entidade máxima do basquete do país – e não o contrário (resultados primeiro, organização depois).

nunes1Está claro, né? Magnano, Zanon e qualquer técnico que dirija a seleção devem ser cobrados, sim, pelos seus desempenhos à beira da quadra. É justo que se mantenha um olhar crítico para com seus trabalhos. É justo e eu exerço isso sempre que as equipes deles entram em quadra.

Aos que acham, no entanto, que o problema do basquete brasileiro está somente na quadra recomenda-se um olhar ampliado, um olhar menos complacente, menos benevolente com a Confederação Brasileira. CBB de tantas e todas as mazelas possíveis. Aos que pedem a cabeça de Magnano e Zanon com imensa força nas redes sociais, que tal dar uma olhadinha no que os chefes deles (Vanderlei, o diretor técnico, e Carlos Nunes, o presidente) andam (ou não) fazendo pela modalidade?

Creio ser mais justo cobrar de todos do que ficar apontando o dedo para uma parte (a da quadra) dos problemas do basquete do Brasil. Concordam comigo?


Mais do mesmo: seleção volta a jogar mal e perde do México
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Fábio Balassiano

bra1Infelizmente é um filme repetido este que estamos vendo na Copa América masculina. Em mais uma atuação muito ruim, a seleção de Rubén Magnano perdeu ontem à noite para o México por 65-58 e agora soma duas derrotas em três encontros na competição. Hoje o time está de folga e amanhã, caso perca do possante Panamá, pode até mesmo ser eliminado do torneio na primeira fase, repetindo o fiasco de 2013 na Venezuela.

bra3Antes de falar do jogo em si, vale reiterar a observação feita aqui depois do jogo contra a República Dominicana: dos 12 períodos jogados pela seleção brasileira na Copa América em apenas um (o segundo do jogo de ontem) a equipe conseguiu anotar mais do que 17 pontos. Diante dos mexicanos, que estão longe de ser uma potência do basquete e bastante longe de terem jogado bem nesta quarta-feira em casa, foram surreais 41 pontos nos três últimos períodos, algo completamente fora dos padrões e que coloca a média de pontos dos comandados de Magnano em 62 por jogo, com a terrível média de 1,55 ponto por minuto.

bra2Sobre a partida de ontem, sinceramente não consigo entender a liberdade que Gustavo Ayon, melhor e mais reconhecido jogador do México, teve em quadra. O pivô do Real Madrid teve 12/19 nos chutes, 27 pontos, 13 rebotes e foi pouco incomodado. Será que ninguém sabia que o jogo mexicano se baseava quase que integralmente nele? Não era o caso de dobrar a marcação no cara e sufocá-lo com jogadas seguidas de corta-luz no ataque para cansá-lo? Além disso, o que dizer de um time que contra um adversário do segundo (ou terceiro) escalão acerta tantos arremessos (18) quanto desperdiça bolas (as mesmas 18)? Não pode dar certo, não é mesmo?

bra4Odeio fazer análises subjetivas, falando em lado psicológico, algo tão empírico assim, mas me parece claro que o time que vimos no Pan-Americano com 9 dos 12 jogadores que estão no México não existe mais (ou ao menos não se apresentou para a Copa América). Aquele basquete solidário, recheado de passes, que fazia e acontecia com a bola nas mãos e deixava sempre um companheiro livre, isso não consegue-se ver nas quadras da Cidade do México. O ataque está travado, a defesa age para tentar corrigir os problemas do outro lado da quadra e assim o jogo não flui de maneira alguma. Já são três jogos assim e nenhuma evolução de uma partida para outra.

bra1Conversei ontem com um treinador muito experiente, e ele me disse o seguinte: “Vocês falam muito em defesa, mas jogador brasileiro ganha confiança mesmo é quando está bem no ataque, quando as coisas vão fluindo direitinho no setor ofensivo. Não sei se isso é certo ou errado, pode ser um defeito de formação do basquete daqui, mas é assim que funciona no Brasil há tempos. E o que vemos com este time do Magnano é uma total falta de confiança dos atletas porque quando estão com a bola na mão eles não sabem mais o que, quando e como fazer”.

O analista em questão não deixa de ter razão, né? O que você tem achado do Brasil nesta Copa América? Muito abaixo do esperado? Comente aí!


Brasil vence República Dominicana, mas ainda não convenceu na Copa América
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Fábio Balassiano

bra1Acabou que devido a notícia de Marcelinho Huertas eu não comentei no blog a derrota da seleção brasileira para o Uruguai na estreia da Copa América na segunda-feira (71-57). E nem tinha muito para ser dito mesmo pois o time de Rubén Magnano não jogou muito bem (pra ser educado).

Tentei ser paciente, pois tem o tal nervosismo da estreia que acomete às seleções de basquete há 250 anos, mas o panorama não mudou muito na vitória de ontem contra a República Dominicana. O Brasil até venceu, mas segue sem jogar bem e o placar de 71-65 mostra razoavelmente como foi a partida.

bra4Com exceção do segundo período (vencido por 29-16), o Brasil não apresentou bom basquete. Aliás, aqui uma observação: dos oito períodos jogados na competição, em apenas um (o segundo da segunda partida) a seleção de Magnano fez mais de 18 pontos. Ou seja, em 7 dos 8 períodos disputados a equipe fez menos de 2 pontos por minuto, índice baixíssimo.

Mas, bem, voltando, com ataque muito estático (o principal problema até o momento), com uma defesa combativa mas ao mesmo tempo menos intensa que a do Pan-Americano e forçando demais as ações nos tiros longos e de um-contra-um (7/25 de longe), a equipe nacional concentrou muito o ataque em Marquinhos (17 pontos) e também em Vitor Benite (13 pontos apesar dos 5/17 nos chutes), dois dos alas que conseguem criar os seus próprios arremessos.

bra3E aí o Brasil sempre terá problemas. Não porque Marquinhos ou Benite não sejam bons para pontuar, mas porque fica fácil de dobrar ou sufocar a marcação em cima deles com um ou outro estudo. Em nível FIBA, é quase impossível se virar (a não ser que você seja um Luis Scola, capaz de lotar a cesta canadense de genialidade com 35+15 na vitória argentina de ontem). Muitíssimo bem no Pan-Americano, Benite mesmo tem sido vigiado loucamente nesta Copa América. Para encontrar espaço está, mas mesmo assim a bola teima em terminar em suas mãos porque o ataque travado, parado e sem grande movimentações faz com que seus demais companheiros quase nunca estejam em boas condições de arremessar menos marcados que ele.

bra2É uma reação, digamos, em cadeia. Como nada parece fluir (principalmente) no ataque, o jogo fica travado, a defesa tem a obrigação de deter o adversário e os principais jogadores do Brasil acabam tendo a obrigação de pontuar de forma individualizada porque o sistema de jogo não tem funcionado. É, sem dúvida alguma, uma diferença e tanto para o que vimos no Pan-Americano, quando tudo parecia tão bem ensaiado que nós, pouco acostumados a ver isso na seleção brasileira, estranhávamos com sorriso no rosto.

bra6O filme, como se vê, não é muito bom até o momento na competição. Mas nem há muito tempo a se lamentar. O Brasil volta a jogar pela Copa América hoje às 22h30 contra o México, dono da casa. Será, até o momento, o jogo mais difícil da seleção brasileira na competição.

Entrar concentrado, portanto, é fundamental. Fazer a bola rodar no ataque, facilitando os chutes menos marcados e gerando mais movimentação inclusive da defesa adversária, também. Seria muito bom se a gente visse, na Cidade do México, um pouco do que vimos no Pan-Americano de Toronto.

Ainda dá tempo e é o que todos esperamos.


Jovem, seleção tenta dar fim a jejum de 6 anos sem título na Copa América
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Fábio Balassiano

bra3Começa hoje às 16h30 contra o Uruguai (Sportv exibe) a Copa América para a seleção brasileira masculina no México. Com um grupo pra lá de jovem (apenas Marquinhos, JP Batista, Olivinha e Guilherme Giovannoni têm mais de 30 anos), a equipe de Rubén Magnano, que cortou o ala Danilo Fuzaro (Minas) ontem, não tem obrigação de conquistar uma das vagas olímpicas em disputa (campeão e vice carimbam o passaporte para o Rio-2016, e o Pré-Olímpico Mundial é o destino do terceiro ao quinto), mas pode conseguir um feito que não alcança desde 2009.

brasil1Vice-campeã em 2011 em Mar del Plata (no Pré-Olímpico que garantiu a vaga olímpica para 2012) e penúltima em 2013 na Venezuela (naquela Copa América em que deu tudo errado…), o país foi conquistar o caneco da competição pela última vez mesmo em 2009 em San Juan, Porto Rico, contra os donos da casa. A vitória de 61-60 veio com 24 pontos de Leandrinho, e naquele grupo estavam Olivinha, Guilherme Giovannoni e JP Batista, presentes agora com Magnano na Cidade do México.

benite2Pelo lado brasileiro, é mais uma chance para vermos como se sairão principalmente os mais jovens (além dos 4 com mais de 30 anos, Marcus Toledo e Rafael Mineiro têm experiência de sobra). Vitor Benite (foto), Augusto Lima, Rafael Luz, Leo Meindl, Ricardo Fischer e Deryk Ramos jogarão pela seleção masculina a competição com nível mais alto de suas carreiras (nível muito mais alto que o Pan-Americano, por exemplo) e um bom desempenho pode colocá-los na rota da Olimpíada do Rio-2016, mas principalmente no radar para figurarem na equipe nacional depois dos Jogos Olímpicos do próximo ano, quando a renovação se fará mais do que necessária. Falei sobre isso tanto em texto na semana passada quanto no Podcast.

scola2O regulamento da competição é aquele bem conhecido. Na primeira fase as dez seleções foram divididas em duas chaves que jogam entre si nos seus respectivos grupos. No A estão Brasil, México, Panamá, República Dominicana e Uruguai. No B, Argentina (de Luis Scola – na foto), Canadá, Cuba, Porto Rico e Venezuela. Os quatro primeiros colocados de cada chave se classificam para a segunda fase, quando os quatro primeiros colocados de “A” enfrentam os de “B”. Ao final das quatro rodadas da segunda fase as quatro primeiras equipes, na soma de pontos das duas fases, disputam a semifinal: 1º x 4º e 2º x 3º.

wigginsEntre as equipes que estarão no México olho bem ligado com o Canadá, que coloca a sua renovação a toda prova a partir de amanhã, quando estreia às 16h30 contra a Argentina (promessa de jogão de bola!). O projeto da Federação Canadense é ótimo, tem gerado muita gente boa, e lá na Cidade do México estarão simplesmente Cory Joseph, Andrew Nicholson, Andrew Wiggins (o explosivo ala do Minnesota tem tudo para brilhar na competição), Nik Stauskas, Anthony Bennett, Robert Sacre (ui!), Dwight Powell e Kelly Olynik, todos os 8 jogadores da NBA sob comando de Jay Triano, experiente ex-assistente do Raptors na liga também. Os elencos completos estão aqui.

Está confiante para esta Copa América? O que esperar do time de Rubén Magnano? Comente aí!