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Bala na Cesta

Brasil vence República Dominicana, mas ainda não convenceu na Copa América

Fábio Balassiano

02/09/2015 01h58

bra1Acabou que devido a notícia de Marcelinho Huertas eu não comentei no blog a derrota da seleção brasileira para o Uruguai na estreia da Copa América na segunda-feira (71-57). E nem tinha muito para ser dito mesmo pois o time de Rubén Magnano não jogou muito bem (pra ser educado).

Tentei ser paciente, pois tem o tal nervosismo da estreia que acomete às seleções de basquete há 250 anos, mas o panorama não mudou muito na vitória de ontem contra a República Dominicana. O Brasil até venceu, mas segue sem jogar bem e o placar de 71-65 mostra razoavelmente como foi a partida.

bra4Com exceção do segundo período (vencido por 29-16), o Brasil não apresentou bom basquete. Aliás, aqui uma observação: dos oito períodos jogados na competição, em apenas um (o segundo da segunda partida) a seleção de Magnano fez mais de 18 pontos. Ou seja, em 7 dos 8 períodos disputados a equipe fez menos de 2 pontos por minuto, índice baixíssimo.

Mas, bem, voltando, com ataque muito estático (o principal problema até o momento), com uma defesa combativa mas ao mesmo tempo menos intensa que a do Pan-Americano e forçando demais as ações nos tiros longos e de um-contra-um (7/25 de longe), a equipe nacional concentrou muito o ataque em Marquinhos (17 pontos) e também em Vitor Benite (13 pontos apesar dos 5/17 nos chutes), dois dos alas que conseguem criar os seus próprios arremessos.

bra3E aí o Brasil sempre terá problemas. Não porque Marquinhos ou Benite não sejam bons para pontuar, mas porque fica fácil de dobrar ou sufocar a marcação em cima deles com um ou outro estudo. Em nível FIBA, é quase impossível se virar (a não ser que você seja um Luis Scola, capaz de lotar a cesta canadense de genialidade com 35+15 na vitória argentina de ontem). Muitíssimo bem no Pan-Americano, Benite mesmo tem sido vigiado loucamente nesta Copa América. Para encontrar espaço está, mas mesmo assim a bola teima em terminar em suas mãos porque o ataque travado, parado e sem grande movimentações faz com que seus demais companheiros quase nunca estejam em boas condições de arremessar menos marcados que ele.

bra2É uma reação, digamos, em cadeia. Como nada parece fluir (principalmente) no ataque, o jogo fica travado, a defesa tem a obrigação de deter o adversário e os principais jogadores do Brasil acabam tendo a obrigação de pontuar de forma individualizada porque o sistema de jogo não tem funcionado. É, sem dúvida alguma, uma diferença e tanto para o que vimos no Pan-Americano, quando tudo parecia tão bem ensaiado que nós, pouco acostumados a ver isso na seleção brasileira, estranhávamos com sorriso no rosto.

bra6O filme, como se vê, não é muito bom até o momento na competição. Mas nem há muito tempo a se lamentar. O Brasil volta a jogar pela Copa América hoje às 22h30 contra o México, dono da casa. Será, até o momento, o jogo mais difícil da seleção brasileira na competição.

Entrar concentrado, portanto, é fundamental. Fazer a bola rodar no ataque, facilitando os chutes menos marcados e gerando mais movimentação inclusive da defesa adversária, também. Seria muito bom se a gente visse, na Cidade do México, um pouco do que vimos no Pan-Americano de Toronto.

Ainda dá tempo e é o que todos esperamos.

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