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Podcast BNC: Chapecoense, o fabuloso Westbrook e o título de Mogi
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Fábio Balassiano

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west10Falamos sobre a tragédia que vitimou o time da Chapecoense, da fabulosa fase de Russell Westbrook, das mudanças que estão acontecendo no jogo atualmente (por que há tantos armadores diferentes daqueles que conhecíamos dominando o basquete?), do título de Mogi na Liga Sul-Americana e dos 10 mil pontos de Marcelinho Machado com a camisa do Flamengo.

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Entrevista: Shamell lidera Mogi na final da Sul-Americana que começa hoje
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Fábio Balassiano

mogi3A partir das 20h desta quarta-feira Mogi das Cruzes viverá um dia especial. É neste horário que o time da cidade verá o ginásio Hugo Ramos, o Hugão, lotado, para o primeiro jogo da final (melhor de cinco) da Liga Sul-Americana contra o bom Bahia Blanca, da Argentina e treinado por Sebastián Ginóbili, irmão deste mesmo que você está pensando. O Sportv tem os direitos de transmissão do torneio e promete exibir a decisão. O jogo 2 será na quinta-feira, também em SP.

Buscando o primeiro título internacional da história do basquete de Mogi, a equipe será liderada mais uma vez por Shamell. Um dos melhores jogadores do país, o norte-americano de 36 anos sabe que não serão muitas as chances de ganhar um caneco desta relevância. Para ele, a hora é, mais do que nunca, agora. Conversei com o camisa 24 do time mogiano no último sábado, depois que da derrota contra o Vasco no Rio de Janeiro, sobre tudo isso.

mogi4BALA NA CESTA: Qual a sua expectativa para essa final da Liga Sul-Americana? Estão todos ansiosos, né?
SHAMELL: Eu espero grandes jogos. Se tiver cinco, espero cinco grandes jogos. A gente sabe que o técnico do time é irmão do Manu Ginóbili e tem uma qualidade muito boa da molecada. Os garotos jogam forte, duro, com intensidade e tem uma rotação de 10 jogadores. Nós rodamos com sete, oito atletas. Vai ser muito legal essa final principalmente porque os dois primeiros jogos vão ser em Mogi e espero ganhar. Entro sempre pra ganhar e não é diferente dessa vez. Falei com o grupo que estes primeiros dois duelos em casa são fundamentais, essenciais mesmo. A gente já faz duas semanas que vem recebendo informações, vendo jogadas, analisando o adversário. Não muito, porque tem o NBB que estamos jogando, mas cada um daqui já está estudando o Bahia Blanca com força. Nosso foco é fazer história para Mogi.

guerra2BNC: Como está sendo esse começo de convivência com o Guerrinha?
SHAMELL: Está sendo ótimo! Ótimo mesmo. Ele é um cara muito seguro, muito objetivo e muito prático também quando passa as instruções para nós, atletas. Ele fala as coisas de forma verdadeira e pronto. Se você jogou mal, ele vai com cuidado, mas fala o que precisa ser falado. Ele tem experiência e deixa o clima tranquilo. Você vê. Nós perdemos uma partida jogando mal (contra o Vasco), estávamos sem pivô e ele estava nos cobrando para jogarmos o melhor que poderíamos jogar. É assim que ele é. Mesmo perdendo de 30 ele está tranquilo. Ele é um, não sei como se fala em português, um player’s coach (Nota do Editor: Técnico que conhece bem os jogadores). Sabe conversar, passar as coisas diretamente pra você e isso é muito bom. Pra mim está ótimo, estou gostando. Ele sempre fala pra mim: “Shamell, você não precisa mostrar nada pra mim e eu não preciso mostrar nada pra você. Só preciso te ajudar, te facilitar a ser o melhor atleta que você puder ser em quadra”. Como ele jogou 20 anos na seleção, ganhou várias vezes, depois ótimo técnico em Bauru, ele sabe bem o que está falando.

mogi1BNC: Antes do NBB coloquei você como o MVP no palpitão
SHAMELL: (me interrompendo) Ah, Bala, minha namorada falou, ela leu lá, mas eu nem sei. É tanto campeonato que eu nem sei direito o que estou jogando (risos). Entra em quadra, é bola diferente, é regulamento diferente, é cada coisa que confunde tudo (risos). Mas, Bala, obrigado. Só que vou te dizer uma coisa: o que eu quero mesmo é jogar a final do NBB. O resto não me importa. A gente chegou tão perto nos dois últimos anos, acho que agora estamos preparados para dar o próximo passo. A gente viu o gostinho disso de perto no último campeonato, quando tivemos o jogo 4 contra o Flamengo em casa e não conseguimos matar, e creio que agora chegou a nossa hora. Falta alguma coisinha, mas agora temos todas as condições e creio que iremos chegar lá também. A chegada do Caio Torres, pivô forte, foi muito importante para times que têm bons arremessadores, como é o nosso caso.

cbb1BNC: Nessa maluca semana passada que pegou o basquete brasileiro com a suspensão da CBB, o que um norte-americano há tanto tempo no Brasil conseguiu pensar disso tudo?
SHAMELL: Eu fico triste, triste mesmo. O NBB está elevando o basquete a um nível muito alto, muito alto mesmo. Eu peguei o começo das coisas aqui e dá pra ver uma evolução muito grande. Aí você lê uma notícia como é da suspensão e você fica triste, triste mesmo. Tenho muita fé no basquete do Brasil. Foi aqui que, para o basquete profissional, eu fui criado e sou muito grato ao país por causa disso. É um absurdo o que acontece, Bala. Você escreve lá no seu blog, a gente lê. São R$ 17 milhões de dívida, não é isso?

mogi10BNC: Sim, de acordo com as análises do balanço ao final de 2015 eram R$ 17 milhões mesmo…
SHAMELL: (balança a cabeça) R$ 17 milhões! Cara, R$ 17 milhões de dívida. Nossa. Não é um, não são dois, que você resolve buscando um patrocinador, por exemplo. Mas, cara, R$ 17 milhões? Como assim? Como deixaram chegar a isso? É um absurdo! Você acha que isso vai acontecer nos EUA por exemplo? É uma coisa muito louca, muito vexatória. E aí quem sofre, você sabe quem é? São os jogadores.

BNC: Mas você sabe, muita gente acha que a imprensa gosta dessas notícias. Não é verdade. Falo por mim e odeio das este tipo de informação. É chatíssimo. Gosto de ver jogo, de falar da quadra, dos craques, mas aqui é impossível porque o lado de fora interfere no que a gente vê no dia a dia do esporte…
shamell10SHAMELL: E você está certíssimo. Tem que ficar em cima mesmo. Mesmo notícia ruim a gente tem que ficar sabendo o que está acontecendo. Se com jornalistas entrevistando, ficando em cima, está difícil, imagina e se ninguém fosse em cima dos caras. Você quer ver um exemplo? Se eu faço um jogo, vou lá e agrido um árbitro, o que acontece? Sou suspenso, né? Vou ter que pagar pelos meus atos, pelas minhas ações. É igualzinho que deveria acontecer. Se você está devendo R$ 17 milhões, tem muita coisa errada. Não pouca, Bala, mas muita coisa mesmo. Aí agora, como você vai buscar esse dinheiro? E agora? Quem sofre? A gente. Jogador, técnico, dirigente, imprensa. E agora pior ainda, porque Flamengo e Bauru podem não jogar a Liga das Américas. Ganharam o direito na quadra. Basquete brasileiro dominou o continente em três dos últimos quatro anos e agora não poderemos manter essa hegemonia por causa de um absurdo dos dirigentes. A gente pode ser campeão da Liga Sul-Americana e não atuar na Liga das Américas pelo mesmo motivo. É triste, um absurdo mesmo.


‘Renascido’, Guerrinha fala do título Paulista com Mogi e da expectativa para o NBB
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Fábio Balassiano

guerUm dos grandes personagens do título paulista de Mogi conquistado na semana passada é Jorge Guerra, o Guerrinha. Técnico de inúmeros títulos no cenário nacional, ele foi inexplicavelmente demitido de Bauru no começo da temporada passada e viu a sua carreira de sucesso ser travada. Menos de um ano depois ele deu a resposta: contratado pelos mogianos para 2016/2017, em menos de três meses de trabalho já levantou o caneco do Estadual e credencia o time para os títulos da Liga Sul-Americana e também do NBB. Como cereja do bolo, na decisão do Paulista Guerrinha viu do outro lado ninguém menos do que o time que o mandou embora há menos de 12 meses. Falei com ele sobre isso tudo. Confira!

guerrinha2BALA NA CESTA: Quando você assumiu Mogi estava claro que o time estava bem desesperado para ganhar um título para solidificar o belo trabalho que tem feito nos últimos anos. Vencer esse Paulista logo na largada da temporada faz a equipe tirar bastante do peso que vem carregando nos últimos anos?
GUERRINHA: Eu acho, sim, que tira pra algumas pessoas tira o peso que você cita, mas ao mesmo tempo aumenta muito a nossa responsabilidade. Cada dia mais vamos marcando terreno no basquete nacional como também no Sul-Americano. O time vai ganhando mais responsabilidades e aí é importante que os jogadores saibam que quando a equipe vence ela passa a ter ainda mais compromisso com a vitória. E eu já disse aos meus atletas que iremos trabalhar muito neste sentido. A primeira etapa foi concluída e sabemos como é difícil chegar ao título, ao primeiro título, principalmente pelo peso que tínhamos, mas agora temos que trabalhar dobrado porque, vou insistir nessa palavra, a responsabilidade é maior para todos.

guerrinha11BNC: Pessoalmente falando, é uma volta por cima sua também, concorda? Você saiu de Bauru de maneira bizarra, ficou quase 1 ano parado, assumiu Mogi e em menos de 3 meses já é campeão. Você não precisa provar nada pra ninguém, mas como diz um autor que sei que você gosta, a nossa vida é sempre um “provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém”, não?
GUERRINHAGraças a D’s eu consegui chegar a um nível de maturidade que eu não trabalho mais pra provar nada pra ninguém, mas sim para o basquete, porque (o basquete) me ofereceu muita coisa. E alguns lugares, em especial Mogi hoje, um lugar que me acolheu tão bem e me deixou confortável desde que cheguei, eu sabia que mesmo tendo um trabalho muito legal dentro e fora de quadra com meu jeito de trabalhar, com minha experiência, poderia acrescentar muito à equipe. Principalmente neste início, da equipe conseguir títulos, isso é muito bom e dá uma relevância maior para o nosso trabalho.

guerrinha80Lógico que isso tudo coincidiu de ser contra a minha ex-equipe, com quem tanto eu construí durante oito anos. O trabalho dentro da quadra, o de fora da quadra, usando meu nome e credibilidade para crescer, mas essa parte toda eu deixo para D’s. Eu tenho muita fé que a gente tem que fazer as coisas certas. Estou muito certo que eu tomei as decisões corretas, com maturidade. Nunca agredi ninguém e nem baixei o nível como fizeram comigo. Me desrespeitaram. Mas dentro da quadra eu não vou mentir pra você, não. Dentro da quadra é uma vitória de lavar a alma mesmo. Você vê. As coisas que me tiraram de Bauru foram provadas que não mudaram nada, ou melhor, mudaram pra pior. Hoje é uma equipe que continua, segundo os erros deles, com muitas bolas de três pontos, mas piorou na marcação. Antes era uma equipe muito agressiva ofensivamente, com a segunda melhor média do campeonato, e em todos os campeonatos disputamos a melhor defesa. Agora estou aqui em Mogi e, veja só você, temos a melhor defesa do campeonato e continuamos bem agressivos no ataque. Eu busco o equilíbrio dentro das características dos jogadores. Foi, sim, uma vitória com sabor bem especial.

guerrinha100BNC: Ganharam o Paulista, o que é ótimo, sem dúvida alguma, mas agora vem o NBB e a Liga Sul-Americana. Qual a expectativa do time para as 2 competições? Dá pra pensar em novas conquistas ou ainda é cedo?
GUERRINHA: A expectativa é continuar forte. A gente sabe que cada competição que iremos disputar agora é necessário subir um degrau. A equipe precisa pensar dessa forma, evoluir, crescer e saber que o NBB é mais forte, que a cada etapa da Liga Sul-Americana aumentam as dificuldades. Vai ser muito importante manter o nível de concentração. Vamos deixar o Paulista, deixar pra comemorar depois, ano que vem ou sei lá quando. Esta semana já começa um trabalho pesado pra Liga Sul-Americana e pro NBB. O lema é trabalhar sempre e comemorar sempre que pode. Mas acima de tudo trabalhar muito.

paco3BNC: Li um texto muito bacana do Paco Garcia, ex-treinador de Mogi, falando que você merecia demais esse título. Você chegou a conversar com ele quando assumiu, durante a competição ou depois do título ?
GUERRINHA: Eu fiz o correto, que foi valorizar o ótimo trabalho que tinha sido feito aqui antes da minha chegada. O Paco sempre foi muito educado e carinhoso comigo quando éramos rivais e não há motivo algum para ser diferente disso em nossa profissão. Já existia um trabalho em Mogi. Trabalho que foi duro, participando vários treinadores, entre eles o Paco. Pouca gente sabe, mas toda vez que eu ia pra Espanha estudar, fazer clínicas, ver treinos, ele colocava os contatos dele à disposição. Agora, neste tempo desde que eu cheguei aqui em Mogi não havia tido tanto contato, mas nos últimos dias chegamos a nos falar e ele me agradeceu muito. Eu fiz o mesmo e continuamos a manter o contato. Acho isso muito legal. Ser grato às pessoas e saber que todos constroem é muito legal. Ninguém ganha nada sozinho, principalmente em um esporte de equipe como é o basquete.

guerrinha10BNC: Por fim: como foi esse período fora do basquete? O que você fez para melhorar como técnico, como foi controlar a ansiedade, as auto-cobranças, essas coisas? Como você se vê hoje, diferente de como era 6 meses atrás, por exemplo?
GUERRINHA: Pensando agora, analisando o que passou comigo eu diria que esse período que eu fiquei fora de competição, de treinamento, é excelente. Todos os treinadores deveriam, a cada quatro, cinco anos, se afastar seis meses, uma temporada para fazer essa reciclagem. Não só tecnicamente, taticamente, mas sair da floresta e observar o que está a sua volta. Outras equipes, outros profissionais, outros métodos. Tive a felicidade de ir para a Argentina e observei os treinamentos do Julio Lamas e Carlos Duro, dois dos melhores treinadores do basquete sul-americano e isso foi muito vantajoso para mim. Eles me receberam muito bem lá e passei um tempo trocando ideias. Nesse tempo vi muitos jogos universitários, NBA e também partidas do NBB. Isso ajuda muito a construir o seu novo repertório, aprimorar a sua maneira de pensar. É sempre muito bom olhar de outro ângulo, perceber que ninguém é insubstituível. É bom também tirar esse tempo para fazer coisas diferentes, ver o mundo de outra forma, pra você crescer como profissional e também como ser humano.


A volta por cima de Guerrinha e a consolidação de Mogi com o título Paulista
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Fábio Balassiano

mogi1Vocês sabem bem o que eu acho sobre os Estaduais de basquete (mais desnecessários do que necessários), mas em alguns casos a conquista tem um valor muito especial.

É o caso da de Mogi no Paulista de 2016. Os mogianos fizeram 69-61 contra Bauru ontem à noite em um ginásio Hugo Ramos completamente lotado, fecharam a decisão em 2-0 e conquistaram o primeiro caneco do time desde que regressou à elite do esporte no Brasil em 2011 e o segundo da história da cidade (o outro foi exatamente há 20 anos, em 1996!).

mogi5O troféu Paulista é um prêmio, sem dúvida alguma, a jogadores como Filipin, que estão desde o começo do projeto, Shamell, um baita jogador, Caio, Gerson, Tyrone, Larry, Vithinho, Jimmy, Elinho, entre outros, mas sobretudo uma reverência à torcida mogiana, uma das mais fanáticas e ativas do país (eles lideram as estatísticas de média de público do NBB sempre!!!), e também a uma diretoria que tem investido a cada ano mais não só no time, mas também em estrutura e também na modalidade – o que não é fácil quando as conquistas não vêm, como foi o caso nos últimos anos. Costumava dizer que para o bem do basquete e também para a continuidade do time profissional em Mogi um título se fazia necessário para sedimentar a semente plantada lá atrás. E assim foi feito.

guerra2Não posso terminar esse texto sem citar Jorge Guerra, o Guerrinha. Técnico de personalidade forte e bastante carismático, ele foi demitido de maneira bizarra antes do NBB passado por Bauru, ficou um ano estudando, tentando montar projetos, vendo a modalidade de longe. Era um desperdício para o basquete brasileiro tê-lo de fora por tanto tempo, mas sempre há um motivo para as coisas acontecerem, né?

Quando foi contratado por Mogi para essa temporada pelo gestor Nilo Guimarães pensei que poderia ser uma volta por cima para ele. Mogi é um clube de orçamento imenso, com ótimo elenco e que precisava apenas dar o próximo passo, ou seja, ganhar um título. E o caneco veio rápido e justamente contra a equipe que o dispensou antes do início da temporada 2015/2016 (deve haver alguma explicação psicanalítica para isso…). Guerrinha é um trabalhador incansável, autêntico e que sempre conseguiu fazer muito bem a sinergia entre clube, elenco e torcida. Foi assim em solo bauruense e acho que está claro que ele está conseguindo isso com os mogianos.

mogi400Títulos estaduais, insisto nisso, valem muito pouco. No caso de Mogi não é bem por aí. O time vem forte para Liga Sul-Americana e NBB, e a conquista do Paulista de ontem, em partida exibida pelo YouTube, serviu para que o time aumentasse a sua confiança para o restante da temporada, para Guerrinha voltar a sorrir e sobretudo para premiar uma fanática e fiel torcida.

Nem sempre a palavra ‘merecimento’ se faz presente no esporte. Nesta quinta-feira ela (a palavra) foi bem empregada. Mogi merecia demais uma conquista.


Flamengo tenta recorde de finais seguidas do NBB – Mogi, feito improvável
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Fábio Balassiano

fla2Chega ao fim hoje a fase semifinal do NBB temporada 2015/2016. Antes contra a parede com 2-1 e jogo fora de casa, o Flamengo teve sangue frio, administrou bem a questão da (péssima) arbitragem (voltarei ao tema em breve com texto mais amplo, prometo!) e jogou muita bola para vencer Mogi nos domínios do rival (93-91) no sábado para empatar a série com uma cesta providencial de Rafael Mineiro e um toco incrível de Marquinhos nos segundos finais. O quinto e decisivo duelo será nesta terça-feira às 21h (Sportv) em um ginásio do Tijuca completamente lotado (ingressos se esgotaram em menos de duas horas). A favor dos rubro-negros, um retrospecto e também a chance de igualar uma marca.

mark1Em toda história do NBB houve seis jogos 5 de semifinal. Em apenas um (Brasília vencendo o Pinheiros em 2011/2012) o time que jogou fora de casa venceu. Este é, portanto, o tamanho da escalada de Mogi logo mais. Não é só esquecer da oportunidade que teve de fechar no Hugo Ramos no sábado, mas também de conquistar algo que apenas Brasília na história do NBB conseguiu – ganhar um jogo 5 de semifinal fora de casa.

Em três destes casos (Brasília em 2010 e 2012 e Flamengo em 2013), quem ganhou o quinto jogo de uma semi conseguiu ganhar o título da principal competição do basquete nacional. O Flamengo, inclusive, participou duas vezes do jogo 5 de uma semifinal de NBB. Em duas ocasiões contra São José, quem atuou com o mando de quadra acabou vencendo.

Semi2

ramon1Para o Flamengo, vale também a passagem para a quarta final consecutiva de NBB, feito alcançado apenas por Brasília entre os NBB1 e NBB4. O que pode diferenciar os rubro-negros do feito dos candangos é que o time de José Neto pode conseguir, nas quatro decisões, quatro títulos consecutivos. A turma da capital foi vice-campeã no primeiro NBB da história e depois abocanhou três canecos em sequência. Ou seja, desde que o técnico Neto chegou ao clube, título em todos os anos foi o que aconteceu.

O que acontece logo mais? O Flamengo mantém a escrita dos Jogos 5 de semifinal de NBB? Ou Mogi bate os rubro-negros fora de casa?


Por final inédita do NBB, Mogi tenta fechar semi contra o Flamengo em casa
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Fábio Balassiano

mogi2O sábado pode ser histórico para o basquete brasileiro. A partir das 14h certamente com o ginásio Hugo Ramos lotado de gente (Sportv e Rede TV exibem) Mogi e Flamengo se enfrentam pelo quarto jogo da semifinal. Com 2-1 na série, os mogianos precisam de mais uma vitória para chegar a uma inédita final de NBB. Para prolongar a temporada, os rubro-negros só podem pensar na vitória. O vencedor desta semifinal enfrenta, na decisão o time de Bauru, que bateu Brasília por 3-0.

shamell1Para vencer, Mogi precisa continuar jogando da mesmíssima maneira que tem feito em toda série – reduzindo os seus erros, caprichando na tomada de decisões no ataque e pressionando demais a bola no perímetro. O garrafão do Flamengo, a gente sabe, é forte, mas a força mesmo vem do jogo exterior – mesmo Olivinha, ala-pivô, inicia suas jogadas de fora pra dentro. Cercar e fechar os espaços da linha de três tem sido algo muito bem executado pelo time do técnico Danilo Padovani. Isso, claro, sem falar nas ótimas atuações de Tyrone, Shamell (foto), Lucas Mariano (decisivo no jogo 3) e Larry Taylor.

neto1Pelo lado do Flamengo, é mandatório que o time consiga segurar mais Tyrone. Por mais que nem sempre seja o cestinha de Mogi, é o norte-americano o jogador mais intenso do time mogiano. Forte na defesa e mais à vontade no ataque jogando na ala (mais chance de dominar o seu rival de posição 3 com o físico do que contra um gigante da posição 4), Tyrone tem não só construído seus pontos mas também gerado um desequilíbrio defensivo na marcação rubro-negra que é bastante interessante. Quando ele corta, a marcação do Flamengo precisa vir para a ajuda. Aí, invariavelmente acabam sobrando para arremessar nomes como Shamell, Larry, Filipin e Lucas Mariano. Como se vê, nem sempre o jogador mais técnico (Shamell) do adversário é o que mais lhe causa problemas. Para empatar em 2-2, os comandados de José Neto (foto) precisarão segurar a fúria de Tyrone desde o começo.

Abaixo os feitos que podem ser alcançados hoje por Mogi (em caso de vitória):

danilo25a) O time chegará pela primeira vez a uma final de Nacional de Basquete;

b) O NBB terá um campeão inédito. Em 7 edições, apenas Flamengo (quatro vezes) e Brasília (três) levantaram o caneco;

c) O NBB verá o seu primeiro campeão do estado de São Paulo;

d) Desde a final Bauru x Araraquara (2002) não há uma decisão envolvendo times do mesmo Estado. A última vez que dois paulistas se enfrentaram em uma decisão foi em 1998, com Franca batendo Rio Claro;

danilo3e) Pela primeira vez um técnico estreante (Danilo Padovani) pode chegar à decisão do campeonato. Até seis meses atrás Danilo, de ótimo futuro na profissão, era assistente de Paco Garcia.

f) Poderá ser o primeiro time de fora do G-4 a ir à decisão (terminou a fase de classificação na quinta colocação) e ainda ser o responsável por deixar o líder da primeira fase de fora da Final pela primeira vez em toda a história da competição.

Será que Mogi consegue atingir todos esses feitos a partir das 14h? Ou o Flamengo reage e leva a série para o quinto jogo, que seria realizado na terça-feira no Rio de Janeiro? Comentem aí!


Bauru e Mogi largam na frente das semifinais do NBB
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Fábio Balassiano

alex1Terminou ontem à noite a, digamos, primeira perna das semifinais do NBB.

Na capital federal, Bauru dominou a partida do começo ao fim e fez 89-72.  Vi partes do jogo (era ao mesmo tempo de Toronto x Miami, jogo 1 da semifinal do Leste), e mais uma vez me impressionou a (eterna) intensidade do mito Alex Garcia (na foto ao lado dando uma cravada feroz em imagem belíssima do Caio Casagrande, Gerente de Comunicação bauruense). O camisa 10 teve 17 pontos, 5 assistências, 6 rebotes, 2 roubos e físico suficiente para segurar Deryk Ramos, uma das principais peças do time rival. A equipe do técnico Demétrius foi muito bem na defesa, contestando grande parte dos arremessos longos do adversário, que chutou 5/23 de fora, e pontuando muitas vezes com a marcação de Brasília longe do melhor posicionamento – mérito da transição ofensiva rápida do Bauru. O domínio foi tão grande que Guilherme Giovannoni, de Brasília, perdeu a cabeça com a arbitragem e foi expulso. Com isso, o Dragão abriu 1-0 e ficou em situação confortável para fechar voltar à decisão do NBB com os dois confrontos que terá em casa (sábado às 14h com Rede TV e Sportv e terça-feira às 21h15 com Sportv).

shamell1No outro lado, não houve ampliação do mando de quadra, não. Com o ginásio Hugo Ramos lotado e pulsando, Mogi, pelo contrário, defendeu bem o Flamengo, não permitiu segundas chances (apenas sete rebotes ofensivos para o rubro-negro), e contou com atuações inspiradas do seu trio de americanos (naturalizados ou não) para fazer 86-81 e abrir 1-0. Tyrone (muito bem com 24 pontos), Shamell (17) e Larry (13) foram responsáveis por incríveis 63% dos pontos dos mandantes, que agora colocam o time de José Neto totalmente contra a parede. Os jogos 2 e 3 (sexta-feira e segunda-feira às 21h – ambos com exibição do Sportv) serão no Rio de Janeiro, e qualquer vitória aproxima os mogianos de uma inédita final de NBB.

O que será que acontece a partir de sábado? O Flamengo reage? Mogi amplia a vantagem? Bauru fecha em casa? Brasília consegue retornar o duelo para a capital federal? Comente aí!


Guaros vence Bauru, conquista Liga das Américas e consagra Nestor Garcia
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Fábio Balassiano

nestor1Bauru lutou, lutou muito. Foi emocionante ver a bravura da equipe que estava toda desfalcada (Hettsheimeir, Paulinho e Ricardo Fischer, que se machucou ontem , não atuaram) buscando a vitória até o segundo final. Mas diante de 10 mil pessoas o Dragão não conseguiu repetir o título de 2015. Em Barquisimeto, o Guaros de Lara fez 84-79 , levou a torcida ao delírio, conquistou a inédita Liga das Américas (primeira conquista para o país também), se credenciou a jogar o Mundial Interclubes contra o campeão da Euroliga e consagrou de vez o técnico Nestor Garcia (foto), que no ano passado foi o grande responsável por levar a seleção venezuelana para a Olimpíada do Rio de Janeiro ao ganhar a Copa América do México e que em 2014 também dirigiu a Vinho Tinto no título Sul-Americano em casa.

alex1Ciente que teria uma rotação mais curta, o técnico Demétrius usou tática muito boa no começo da partida. Tirou toda velocidade do ataque (diminuindo o risco nos desperdícios de bola), evitou que sua marcação atacasse o rival que detinha a bola e praticamente não fazia jogada de contato (de modo a não levar falta de ataque). Deu certo. Os 23-16 de Bauru foram o começo pedido, mas o período seguinte foi um balde de água fria. Graham acertou tudo (e de todos os lados), anotou 13 pontos, e o Guaros de Lara apareceu pro jogo. Fez 17-10, contou com péssima pontaria de Bauru e saiu para o vestiário igualando o marcador em 33.

wilkins1O segundo tempo começou e o panorama não mudou. A bola longa de Bauru não caía (8/26 no jogo), e a equipe só se mantinha perto no placar por causa dos lances-livres (a arbitragem, péssima, não permitia o menor contato, apitando tudo a todo instante). Até que deu certo, mas o fato é que naquela altura o Guaros sabia como castigar os bauruenses – com Damien Wilkins jogando no poste baixo (perto da cesta) contra Alex Garcia. O Brabo bem que tentava, mas havia ali uma diferença grande de altura. Wilkins ou arremessava por cima do camisa 10 ou esperava a dobra da marcação para quicar a bola para seus companheiros.

guaros1Foi assim que o Guaros dominou logo no começo do último período, colocando a sua fanática torcida “dentro” do jogo. Wilkins, que terminaria com 20 pontos (foi coroado o MVP das finais aliás), viu Taylor enfim aparecer (18 pontos) e Bauru ter muita dificuldade para pontuar (natural para quem teve quatro de seus cinco titulares atuando por 30 ou mais minutos). No final das contas, vitória venezuelana por 84-79, título merecido para Nestor Garcia e seus atletas e festa em Barquisimeto, que viu TODAS as fases da Liga das Américas (primeira, segunda e Final Four).

nestor2A se lamentar, do nosso lado, que não teremos outro Mundial Interclubes por aqui (será na Venezuela) e o primeiro título de um time não brasileiro seja em Liga Sul-Americana, seja em Liga das Américas, desde (no período foram seis conquistas seguidas dos times do NBB). Justamente no momento em que a Liga Nacional consegue três grandes patrocinadores (Sky e Avianca já divulgados, e a Caixa Econômica Federal que vem por aí) seria muito bom que nova edição do Mundial fosse também no país.

Viu o jogo? O que achou? Bauru lutou como pôde, não? Comente aí!


Bauru vence Fla em jogo épico e decide Liga das Américas contra Guaros
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Fábio Balassiano

bauru1

Foi uma das noites mais emocionantes do basquete das Américas nos últimos tempos. As duas semifinais da Liga das Américas disputadas na Venezuela foram de tirar o fôlego e no final das contas acabaram colocando Bauru e Guaros de Lara (o dono da casa) para se encontrarem neste sábado às 21h (Sportv exibe). Bauruenses e venezuelanos bateram, respectivamente, Flamengo e Mogi.

bauru2Na primeira semifinal, um resumo dos motivos pelos quais amamos esse jogo chamado basquete. Sem Rafael Hettsheimeir e Paulinho Boracini, Bauru começou bem (abriu 17-7), mas foi perdendo fôlego (e força). O Flamengo, que não tinha nada a ver com aquilo, foi tirando a diferença e abrindo diferença. Tinha 66-55 no final do terceiro período, e colocou uma diferença de 74-57 quando restavam sete minutos de jogo.

fischer1Para piorar a situação do time de Demétrius, Alex saiu com cinco faltas e Ricardo Fischer, com dores no joelho (ainda não sabemos a gravidade da lesão – torçamos para que não seja grave). Fim de linha para Bauru então, né? Não. O time rubro-negro dormiu no ponto (17 desperdícios de bola e 13/24 nos lances-livres), e os bauruenses foram reagindo, reagindo e tomaram a liderança do placar quando restavam menos de 40 segundos para o final com uma bola de três de Leo Meindl, grande responsável pela virada junto com Murilo, Jefferson e Robert Day.

leo1No final, vitória épica de Bauru por 83-81 em uma das partidas mais emocionantes dos últimos tempos e que contou com um roteiro improvável para colocar a equipe em nova final de Liga das Américas (foi campeã em 2015 no Rio de Janeiro). O Flamengo precisa fazer, sim, uma reflexão grande em relação ao que aconteceu na Venezuela nesta sexta-feira, mas NINGUÉM deve tirar os méritos da equipe do técnico Demétrius, que lutou o tempo inteiro e contra todas as dificuldades para atingir seu objetivo de chegar a outra decisão continental.

mogi3Na segunda semifinal Mogi fez um jogo taticamente perfeito (palmas para o técnico Danilo Padovani) no primeiro tempo. Cuidou de diminuir o ritmo, evitou que as peças de apoio a Damien Wilkins e Tyshawn Taylor anotassem muitos pontos e controlou o placar desde o começo, evitando que a torcida se empolgasse muito e transmitisse energia aos atletas locais. Venceu o primeiro tempo por 38-34 e só não foi ao vestiário com diferença maior porque apenas Shamell (16) e Lucas Mariano (9) pontuaram com consistência.

nestor1No segundo tempo, porém, o Guaros marcou melhor, levou apenas 35 pontos em 20 minutos e viu Wilkins e Taylor explodirem na pontuação – ambos fecharam a peleja com 28 pontos. Com 56 pontos (70% do total), a dupla comandou os venezuelanos a uma vitória por 81-73, levando a equipe a primeira decisão continental de sua história. Méritos também para o técnico Nestor Garcia, responsável por levar o time a um feito já imenso. Vale lembrar que o treinador também é o técnico da seleção que conquistou a Copa América em 2015 e que jogará a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016.

Será que Bauru consegue manter o título? Ou o Guaros de Lara termina com a hegemonia brasileira no continente e levante o inédito caneco? Lembrando: quem ganhar joga o Mundial Interclubes contra o campeão da Euroliga no começo da próxima temporada.


Com retrospecto a favor, times brasileiros tentam título das Américas
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Fábio Balassiano

ldaComeça hoje o Final Four da Liga das Américas em Barquisimeto, na Venezuela. Com transmissão do Sportv, Bauru x Flamengo fazem a primeira semifinal às 18h45. Logo depois, às 21h, o dono da casa Guaros de Lara. Em que pese jogar longe do país (mesmo com três representantes brasileiros a decisão não foi por aqui…), o retrospecto pode pesar a favor dos times do NBB.

Podcast BNC com Olivinha

Além do fato dos três útimos campeões da Liga das Américas terem sido brasileiros (Pinheiros-2013, Flamengo-2014 e Bauru-2015), em apenas duas ocasiões o campeão foi o time que jogou em casa – o Peñarol, de Mar del Plata em 2010, e o Flamengo em 2014 no Maracanazinho. Nas demais ocasiões, atuar diante da torcida não foi uma vantagem tão grande assim.

nbb2No primeiro jogo, o duelo brasileiro entre Bauru e Flamengo promete muito. Os bauruenses virão desfalcados de Rafael Hettsheimeir e Paulinho Boracini, ambos lesionados. Estou curioso para ver qual será o trabalho feito pelo técnico Demétrius (foto) para suprir as duas ausências (Ricardo Fischer e Alex deverão fazer hora-extra na armação, e Jefferson Willian, Murilo e Wesley Sena, no garrafão). Do outro lado, o Flamengo estará completo e com o melhor elenco do país (em minha opinião), em ótimo momento no NBB (lidera o campeonato com 19-4) e seco para reconquistar o caneco perdido em 2015 em sua casa.

Podcast BNC com Ricardo Fischer

dan1No jogo de fundo, todo cuidado é pouco para Mogi com a pressão que será feita pelo Guaros de Lara. Os venezuelanos fizeram uma força imensa para levar o Final Four para sua casa, e obviamente não vão querer abrir o salão de festa para os times brasileiros dançarem. Os mogianos vivem boa fase (venceram duas vezes seguidas Bauru – pela LDA e pelo NBB – e Brasília no período de uma semana), têm ótimo elenco (Shamell, Larry Taylor e Tyrone serão fundamentais hoje) e o técnico de Danilo Padovani (foto) tem evoluído dia a dia. Olho em Nestor Garcia, treinador do Guaros, e em Tyshawn Taylor, melhor jogador da equipe venezuelana.

Quem gosta de basquete brasileiro torce para uma final brasileira, que garante o título da Liga das Américas ao país, a manutenção da hegemonia continental e outro Mundial de Clubes no Brasil no começo da próxima temporada.