Bala na Cesta

Conheça Vithinho, jovem armador de Mogi que se tornou o quinto a fazer triplo-duplo no NBB

Fábio Balassiano

08/02/2018 06h20

Foto: Antonio Penedo

“Antes do jogo contra o Botafogo, no dia 22 de janeiro, o Danilo Padovani, nosso assistente técnico, disse que queria que eu fizesse um duplo-duplo. Terminei com 15 pontos e 11 assistências. Rimos juntos, felizes, e o Danilo me provocou: ‘Vithor, agora é triplo-duplo’. Igual o Russell Westbrook. E nessa segunda-feira em Campo Mourão eu consegui o triplo-duplo, o primeiro da minha carreira profissional. Foi um dia maravilhoso, feliz, emocionante”.

É assim que Vithor Lersch, o Vithinho, descreve o feito que conseguiu nesta semana. Aos 22 anos, o gaúcho de Santa Cruz do Sul tornou-se apenas o quinto jogador da história do NBB a atingir o feito de dois dígitos em três fundamentos do basquete. E o armador de 1,85m registrou seus 10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências na vitória de seu time, o Mogi das Cruzes, contra Campo Mourão por 97-69 de uma maneira bastante incrível: em apenas 22 minutos, algo raríssimo no esporte.

“É o primeiro no adulto e tem um valor especial. Fiz um duplo-duplo contra o Botafogo pouco tempo atrás em uma partida com o nosso time muito desfalcado. O Tyrone, o Jimmy e o Fabricio não puderam jogar devido a suspensão pela expulsão contra a Liga Sorocabana e tive muito tempo de quadra (32 minutos) para conseguir 15 pontos e 11 assistências. E aí nesta segunda-feira consegui o triplo-duplo contra Campo Mourão. Tenho que confessar que quando estava perto da marca alguém do banco gritou pra mim. E comecei a ficar atento. Restavam 3, 4 minutos. Faltavam 2 pontos pra chegar ao feito e admito que forcei um pouco os arremessos pra chegar aos 10 pontos, o que faltava pro triplo-duplo. Eu nunca acreditei que conseguiria isso. No basquete FIBA é difícil, você sabe disso. É um jogo de menos tempo que a NBA (40 contra 48 minutos). No NBB, 4 caras tinham conseguido até então. Parece que estou vivendo um sonho até agora. Não se vê toda hora no Brasil. Espero que sirva de combustível pro restante da minha temporada”.

O último triplo-duplo do NBB aconteceu no dia 25 de março de 2016, quando o joseense Scott Rodgers atingiu 25 pontos, 11 assistências e 10 rebotes na vitória contra Macaé por 71-70. Além do norte-americano, Fernando Penna, Valtinho e Larry Taylor, o único com mais de um triplo-duplo (ele tem quatro na história da competição), chegaram ao feito. Larry, inclusive, é um dos maiores incentivadores de Vithinho no dia a dia com o time mogiano:

“O Larry é um cara sensacional. Fora e dentro da quadra. A gente sempre se marca nos treinos e ele sempre me dá muita força. Quando estou bem, ele fala pra eu assumir o jogo, chamar o jogo mais pra mim”, avalia Vithinho, falando também sobre os outros jogadores experientes de Mogi que sempre lhe dão conselhos: “O Shamell é um cara que quer mais a bola, então preciso saber lidar com isso e alimentá-lo nas horas certas. Sobre leitura de jogo, ele comenta demais. O Tyrone é menos tático, mas me dá muita moral. O Guilherme Filipin está aqui desde que cheguei a Mogi em 2013. Há quatro anos divido quarto com ele, e troco ideia sobre a vida, não só sobre basquete. O Fabricio é outro da galera mais experiente que me aconselha demais também. Jimmy, Caio Torres, todos eles são caras sensacionais e que me ajudam muito. É uma relação muito boa com o grupo todo”.

Foto: Antonio Penedo

Natural de Santa Cruz do Sul, um antigo polo bem importante pro basquete nacional (Ary Vidal foi campeão nacional pelo tradicionalíssimo Corinthians local em 1994), Vithinho começou cedo no Projeto Cestinha em sua cidade. Aos 14 anos, foi chamado para jogar no Círculo Militar, em São Paulo, e veio sozinho. Logo depois, uniu o útil ao agradável, ou seja, o basquete e sua família quando pai e mãe se mudaram para São Paulo e posteriormente a Mogi.

“Tive um convite do Círculo Militar aos 14 anos. Vim sozinho, antes dos meus pais. Joguei 2 anos lá, passei pelo Paulistano no Sub-17, mas me machuquei demais e acabei não renovando. Vim pra Mogi através do Danilo Padovani, hoje assistente do adulto. Assim que cheguei aqui, o técnico do juvenil, Alexandre Rios, ouviu, no primeiro treino que fiz, do Paco Garcia, então técnico do adulto: “Se não quiser ficar com ele, me dá que no profissional eu aproveito”. E assim eu fui me desenvolvendo, ganhando espaço, maturidade e importância pro time”, avalia o armador, que admite ter conversado bastante com o técnico Guerrinha antes de renovar seu contrato com os mogianos para essa temporada: “Antes de renovar conversamos bastante e ele me assegurou que passaria a ter uma responsabilidade maior. Com a saída do Elinho, eu seria o reserva do Larry Taylor. A temporada começou, eu fiz um Paulista bom, com bons números, confiante, mas contra o Paulistano na semifinal não rendi tão bem. O início do NBB também foi muito difícil devido a isso. Só que nos últimos jogos deu uma reviravolta e melhorou muito. A comissão técnica me passou confiança, meu rendimento melhorou e quero usar isso pro restante da temporada. NBB e Liga das Américas. O Guerrinha é um cara que posso te dizer que é justo. Cobra muito, fala o que tem que falar e quem está bem fica na quadra. Não é de muito elogio, mas sim bem sincero. Meu dia a dia com ele tem sido muito proveitoso. Estou evoluindo muito com ele”.

Foto: Antonio Penedo

A subida de produção de Vithinho, que registra quase 15 minutos de média no campeonato, é notável. Pela primeira vez em sua carreira não é que ele tem atingido “apenas” o triplo-duplo, mas sim que jogou mais de 19 minutos em quatro vezes seguidas pela primeira vez no NBB e em três delas teve 10+ pontos (Botafogo, Vasco e Campo Mourão). Aos 22 anos, ele sabe que depois de quatro temporadas no banco de reservas está chegando a hora de em breve assumir a titularidade de alguma equipe em um futuro próximo.

“Fico pensando muito nisso, nos meus próximos passos. Mas primeiro penso muito em me consolidar e fazer meu papel com o time de Mogi. Hoje em dia tenho uma função que é a de entrar, vindo do banco, e mudar a característica da equipe. Estando bem quero ficar mais na quadra. Depois, mais pra frente, quero ser titular de Mogi ou de outra equipe que jogar. Está chegando a hora de assumir alguma equipe como titular”, pondera Vithinho, cujo estilo de jogo mais passador é quase que um contraste ao que se vê hoje no basquete onde os armadores pensam tanto em arremessar quanto em passar: “É muito verdade que meu estilo é o que se chama de pass First, ou seja, em primeiro lugar o passe para a equipe. Mas o Guerrinha sempre cobra de mim que seja mais agressivo. O armador hoje em dia precisa passar e decidir a jogada ao mesmo tempo. Por isso estou trabalhando demais no meu arremesso. Sobrou em mim, estou livre, preciso arremessar e matar a bola. Não tem muito jeito. É uma questão de adaptação. Não vou mudar 100% meu jeito de jogar, mas consigo me adaptar e mostrar que posso jogar de outras formas também. Vejo muito a Euroliga, ACB, Euroliga, essas coisas. Gosto muito do Marcelinho Huertas, Sergio Rodriguez e mesmo muito novo, admiro o Luka Doncic. Na NBA, me amarro no Chris Paul, no Ricky Rubio e no Milos Teodosic. Todos eles jogam com a cabeça e não tanto com o físico assim”.

Foto: Antonio Penedo

Como todo jovem de 22 anos, Vithinho, um maníaco por basquete, é fã das redes sociais e das séries on demand (“Vi recentemente ‘Casa de papel’ e antes, ‘Narcos’. Me amarrei”), e está pegando o gosto pela leitura. Seu último livro tem, justamente, um título coincidente com o seu atual momento.

“O Segredo”, de Rhonda Byrne, fala sobre o poder do pensamento positivo e como ele, o pensamento positivo, pode criar situações favoráveis ao dia a dia das pessoas. E dias felizes são exatamente o que Vithinho está vivendo recentemente. Desvendando segredos, quebrando marcas e evoluindo a cada dia.

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