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‘The process’: Sobre o New York Knicks e Kristaps Porzingis, por Helder Souza
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Fábio Balassiano

*Por Helder Souza

porza2Falar de Kristaps Porzingis hoje é falar de uma unanimidade na NBA. O talentoso ala-pivô letão que joga pelo New York Knicks é alto, forte, habilidoso, sagaz e competente. Mesmo com pouca idade e experiência já é considerado um dos melhores jogadores de garrafão da atualidade e um dos melhores prospectos de futuro na liga.

Mas nem sempre foi assim. A curta história deste jogador na maior liga de basquete do mundo conta com episódios singulares – pra dizer o mínimo. O principal deles (e provavelmente o mais marcante) foi a recepção que ele teve em seu atual clube. As vaias recebidas por ele ao ser anunciado no draft em 2015 (4ª escolha geral) poderiam significar o prenuncio de uma curta estadia nem Nova York e na própria NBA.

porza4Mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, o garoto provou em quadra que tinha bola para jogar em alto nível e, mais do que isso, para tornar-se talvez ainda mais do que se esperava dele originalmente: um franchise player.

Na temporada de estreia deixou seu cartão de visitas com 14 pontos, 7 rebotes e 2 tocos de média (em 72 jogos) em um Knicks totalmente limitado tecnicamente e de atuações irregulares, com todo o talento do time distribuído entre Porzee e um aparentemente sempre desmotivado Carmelo Antony. Pouco importa a temporada conturbada do time, as 50 derrotas, a troca de treinador no meio da temporada ou a colocação final de 13º lugar no Leste (entre 15 times). Para o novato sensação o apupo transformou-se em aplauso e reconhecimento pela população nova-iorquina.

porza1Na atual temporada, cercado de jogadores cascudos e experientes que buscam nova ascendência na carreira, o segundanista segue em plena evolução. Agora com Anthony, Rose, Noah, Courtney Lee e Brandon Jennings, ele vem mantendo as médias de rebotes e tocos e subiu a média de pontos para quase 19 por partida. Mas, muito além do que simplesmente melhorar suas estatísticas, é cada vez mais visível em quadra o impacto que ele causa no time e forma como, aos poucos, a franquia parece caminhar para ter em Porzingis o seu principal nome.

O competente Phil Jackson, que foi no mínimo ousado na escolha de selecionar Porzingis, sabe que trata-se de um precioso prodígio e vem utilizando esta temporada para colocar de vez o time nas mãos talentosas dos ala-pivô. Não se enganem, o famoso termo ‘The process’ não é exclusividade na Philadelphia com Joel Embiid. Em Nova York, Jackson usa sua inteligência e seu senso estrategista para fazer de Porzingis ‘o cara’.

porza5Explico. Trazer para o Knicks um ex MVP e um ex melhor jogador de defesa da liga, alem de dois jogadores de reputação consolidada (Lee e Jennings), faz com que o jovem prospecto tenha maior vivencia de vestiário e aprenda em quadra com jogadores renomados e vencedores. O ato de jogar, ouvir, falar e cobrar os companheiros quando necessário.

Além disso, dá a ele ‘costas quentes’. Ou seja, a tranquilidade de tentar jogadas e arremessos sem ser muito visado ou cobrado por isso. Reparem que na mídia as noticias sobre o New York Knicks circulam sobre o desempenho do Carmelo, Rose ou Noah. Fala-se pouco sobre Porzingis e críticas sobre o seu desempenho são quase que inexistentes.

Exemplo máximo disso foi a derrota para os 76ers no inicio de janeiro. Vencendo por um ponto a poucos segundos do fim, o garoto letão tentou um arremesso de 3 da zona morta que virou um air ball, dando assim a possibilidade dos Sixers terem um último ataque. Na transição eles atravessaram a quadra e acertaram o arremesso final no estouro do cronômetro. Fim de jogo com Porzingis arremessando 3-10, com 7 pontos e 2 rebotes – muito abaixo das suas médias. Porém nada se viu na imprensa sobre o jogo ruim do ala-pivô. Ele tem liberdade em quadra e joga sem responsabilidade – no sentido positivo da coisa.

porza5As recentes notícias, que constam do oferecimento de Carmelo Antony para outras equipes, numa explícita vontade de trocar o ala, vem para confirmar que o futuro da franquia pertence a Porzingis. Ao que tudo indica o tempo de Carmelo como franchise player em Nova York está muito próximo do fim. O processo de transição vem sendo feito passo a passo.

Que Kristaps Porzingis é um grande jogador todos nós já sabemos e vemos dia após dia o que ele tem condições de fazer em quadra. Em pouco tempo ele será o rosto da franquia nova-iorquina. Parafraseando o próprio Porzingis, em artigo publicado no Players Tribune no inicio da temporada: “Mantenha-se simples, como você sempre é. Eu só estou jogando basquete. Eu sou jovem. Eu estou a divertir-me. Afinal, quem teria pensado que um garoto da Letônia estaria fazendo barulho em Nova York?”.


Joakim Noah e (provavelmente) o pior lance-livre da história da NBA – veja
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Fábio Balassiano

Rodada louca ontem na NBA. O Cleveland foi a New Orleans, viu Kyrie Irving explodir para 49 pontos, mas perdeu do Pelicans, irregular no campeonato (18-27) e que jogou sem Anthony Davis, por 124-122. Em Miami, o Heat, saco de pancada desde a saída de Dwyane Wade (até então com 14 vitórias e 30 derrotas), conseguiu a proeza de vencer o melhor time da NBA, o Golden State Warriors (38-7), por 105-102 com bola final de Dion Waiters (aqui). Mas nada superou, em termos de emoção, o lance-livre do francês Joakim Noah.

noah1Pivô do New York Knicks, Noah foi para a linha do lance-livre contra o Pacers ontem com os seus 41% de aproveitamento na temporada. O erro era esperado. O mico, do jeito que foi, nem tanto, ocasionando provavelmente um dos piores lances-livres da história da NBA.

Não é que a bola não tocou no aro, como vocês podem ver no vídeo abaixo, mas principalmente porque a laranjinha foi BEM LONGE dele (aro). Com Noah jogando apenas 12 minutos, no final o time de Nova Iorque venceu o Indiana Pacers por 109-103. Vai treinar, Noah…


Podcast BNC: NBA na Globo, Derrick Rose sumindo no Knicks e Korver no Cavs
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

globo1No programa desta semana falamos da chegada da NBA à TV Globo. Vai ser bom? Ou há algo pra ficarmos preocupados? Abordamos também o famoso “mim acher” de Derrick Rose no New York Knicks, a contratação de Kyle Korver por parte do Cleveland Cavs, a subida de produção do Utah Jazz e, vejam só vocês, a volta de Allen Iverson às quadras.

Caso prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também estamos no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, perguntas ou sugestões ou é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


No embalo de Kristaps Porzingis, Knicks parece encontrar o rumo
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Fábio Balassiano

porza5O New York Knicks venceu ontem o Atlanta Hawks em casa por 104-94 para chegar muito próximo de “zerar a campanha” nesta temporada 2016/2017 da NBA. Agora com 6 vitórias em 13 jogos, a franquia da Big Apple pode ter o mesmo número de vitórias e derrotas nesta terça-feira, quando enfrenta também no Madison Square Garden o Portland Trail Blazers (no Garden, aliás, foi a quarta vitória consecutiva e no geral a terceira nos últimos quatro confrontos). Como quase sempre acontece, Carmelo Anthony foi o cestinha da partida deste domingo com 31 pontos, mas a melhor notícia pro Knicks neste início atende mesmo pelo nome de Kristaps Porzingis.

porza1O letão de 21 anos anotou 19 pontos e 11 rebotes (31 minutos) neste domingo, e na temporada tem as médias de 20,3 pontos (quase 50% a mais que os 14 do seu campeonato passado, o de calouro), 6,8 rebotes e 49% de conversão nos arremessos de quadra. A confiança do rapaz é tão grande que ele parece muito tranquilo para assumir a alcunha de “par-perfeito” de Carmelo Anthony, algo que deveria ser de Derrick Rose, que não tem ido mal (15,8 pontos e 4,6 assistências por partida), mas que cada vez mais recai nos braços, ou nos ombros, do camisa 6.

porza4Sobre Porzingis, há alguns dados interessantes. Nas 13 partidas de 2016/2017, em apenas uma ele teve menos de 14 pontos (o jogo contra o Houston). Em todas, com exceção deste duelo contra o Rockets, arriscou pelo menos duas vezes de fora. Isso é uma grande diferença em relação a 2015/2016. Antes chutando 3,4 vezes por jogo de fora, o ala-pivô agora não se intimida e arremessa em 5,4 oportunidades da linha de três pontos. E com conversão mais alta em relação ao campeonato passado (33% contra 40%). Está cada vez mais claro que o (bom) futuro da franquia passa mesmo pela evolução do rapaz. No jogo contra o Pistons, quando ele fez 35 pontos, a maior marca de sua carreira, e apanhou 7 rebotes o sorriso de Phil Jackson, o cara que o selecionou na primeira rodada contra todas as probabilidades (e todas as vaias também…), apareceu.

porza2Outro ponto interessante é que devido a condição física cada vez menos inspiradora do titular Joakim Noah (não jogou neste domingo) o letão de 2,21m tem jogado cada vez mais na posição de pivô. Nem sempre é bom pelo lado defensivo, pois Porzingis não é lá o melhor marcador de gigantes atléticos do mundo, mas pensando pelo que isso representa ofensivamente é uma vantagem imensa pro Knicks.

Com Derrick Rose, Justin Holiday/Brandon Jennings, Courtney Lee, Carmelo Anthony e Kristpas Porzingis o técnico Jeff Hornacek sabe que tem uma formação bem animada, pois cheia de bons arremessadores e opções ofensivas confiáveis, mas ao mesmo tempo apenas para alguns momentos dos jogos (como foi ontem contra o Hawks quando Dwight Howard descansou).

porza3O Knicks ainda não é um time confiável. Sua defesa continua muito ruim (parece realmente algo sem solução e a gente vê Jeff Hornacek desesperado quanto a isso), Carmelo Anthony ainda joga muito no um-contra-um (ainda joga é força de expressão – é quase sempre mesmo…) e o banco de reservas ainda não é uma força como se esperava. Este é o lado que o New York precisa desenvolver.

Mas pensando pelo lado positivo dá pra ver um time em busca da melhor química possível e um cara de 2,21m, 21 anos e um punhado de qualidades tomando pra si a responsabilidade de, junto com Carmelo, colocar de novo o Knicks no grupo dos melhores times do Leste.


Os 30 da NBA: Com Derrick Rose e Carmelo Anthony, Knicks mira volta ao playoff após 4 anos
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Fábio Balassiano

philQuando Phil Jackson assumiu o Knicks em março de 2014 estava claro que o time nova-iorquino teria que passar por uma reconstrução. Ninguém na Big Apple gostaria de ver o que viu, mas era, sim, necessário. O time tinha salários inchados, o elenco era completamente desbalanceado, nem mesmo a tradição da franquia e a beleza da cidade conseguiam atrair mais os agentes-livres, as escolhas de Draft estavam comprometidas, a comissão técnica não empolgava e nos últimos 14 anos a equipe só vencera uma série de playoff. O Mestre Zen teria muito trabalho.

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phil2No primeiro ano, era hora de cortar na carne, limpar a folha salarial e garantir alguns picks de Draft para o futuro. O que era possível fazer, Phil Jackson fez. Os 17-65 eram muito mais reflexo do solo mal plantado de antes do que resultado de sua competência. Em 2015/2016, houve evolução, mas não muita (30-52). Saiu o técnico Derek Fisher, e de positivo, positivo mesmo apenas a chegada da surpresa da Letônia chamada Kristaps Porzingis, autor de 14,4 pontos em sua temporada de estreia na NBA. Mas paciência tem limite até mesmo para o Mestre Zen e era hora de tentar o próximo passo.

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rose1E ele foi dado. Phil Jackson bateu na porta do Chicago, ofereceu quase nada (Robin Lopez, o expirante de José Calderon e Jerian Grant) e conseguiu Derrick Rose. Foi uma manobra arriscada devido ao histórico de lesões do agora ex-armador do Bulls, mas como escrevi aqui em junho para o Knicks valeu muito a pena. O contrato de Rose também está entrando em seu último ano, o atleta precisava de um choque de realidade e pode ser que a vontade de voltar a ser estrela de NBA faça com que ele jogue a temporada 2016/2017 ligado na tomada. Mudar de ares muitas vezes é a melhor solução para reencontrar a melhor forma. Pode acontecer com o número 25 do New York Knicks.

noahTambém do Bulls veio Joakim Noah. Às turras com o técnico Fred Hoiberg, todo mundo sabia que ele não ficaria em Chicago. Surpreendeu-me demais, porém, ver Noah pouco cortejado no mercado de agentes-livres logo nas primeiras horas de conversas com as franquias. O que fez Phil Jackson? Pegou o telefone, organizou o encontro e fechou a contratação em menos de dois dias. Contrato de 4 anos, valor final de US$ 19 milhões no último e nos padrões da NBA atual isso é uma senhora barganha por um jogador excepcional de defesa, dono de um comportamento profissional acima da média e emotivo na medida certa. Noah nasceu na cidade, tem apenas 31 anos e, caso se mantenha saudável, pode ser uma presença importante não só no garrafão, mas sobretudo para dar um pouco de organização ao vestiário. Das aquisições nova-iorquinas, foi a que eu mais gostei.

jenningsAlém deles chegaram o armador Brandon Jennings, o também armador Justin Holiday, o ótimo ala lituano Mindaugas Kuzminskas e ala-pivô senegalês Maurice Ndour, que jogou a temporada passada no Real Madrid, e o pivô espanhol Guillermo Hernangomez, também ex-merengue. Para o torcedor vivia reclamando da qualidade do elenco, é uma baita evolução e uma prova que até mesmo o tradicional New York está aberto às novidades gringas (são seis jogadores não nascidos nos EUA no elenco). Se ainda não é um oásis de talento, os Knicks possuem opções heterogêneas que podem dar ao técnico estreante Jeff Hornacek variações importantes para o começo de trabalho.

jeff2O time titular deve formar com Rose, Courtney Lee, outro recém-chegado, Carmelo Anthony, que segue sendo a principal estrela da companhia (com a diferença que agora ele está cercado de outras ótimas peças experientes), Porzingis e Noah, cenário bem mais animador do que o que se via na franquia em outros anos. Minha única dúvida é se Hornacek é o melhor nome para colocar o Knicks de novo em posição de vencer com frequência. Querendo ou não, trata-se de um técnico inexperiente (duas temporadas e meia de experiência no Phoenix apenas) e eu gostaria muito mais de ver um nome como Frank Vogel, que estava disponível no mercado após a saída absurda do Indiana Pacers, do que Jeff em si.

melo1De todo modo, por menos brilhante que Jeff Hornacek possa vir a ser está muito claro que o Knicks desta temporada tem tudo para ser muito, mas muito forte mesmo. É um elenco com inúmeras opções (talvez falte um pouco mais de jogo interno, perto da cesta mesmo), com um jogador que precisa começar a ganhar de forma mais constante para subir de patamar na história da liga (Carmelo Anthony) e com outro punhado que precisa ou voltar a se provar ou se confirmar na NBA (Porzingis, Rose, Noah, Jennings etc.). A combinação disso tudo, em minha opinião, fará com que os nova-iorquinos retornem aos playoffs já na temporada 2016/2017, concretizando uma das maiores variações de vitória entre o campeonato passado e este. Começar bem, para trazer a confiança de volta ao vestiário e também à torcida, é mais do que fundamental

Campanha em 2015/2016: 32-50
Projeção para 2016/2017: Nos Playoffs (entre 42 e 47 vitórias).
Olho em: Derrick Rose


Analisando a troca que levou Derrick Rose ao Knicks na NBA
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Fábio Balassiano

No dia 26 de junho de 2008 a torcida de Chicago se animava com isso aqui:

rose1Da Universidade de Memphis chegaria aquele que poderia levar o Bulls de volta aos títulos. O armador Derrick Rose era a promessa de alguém que, vindo das mãos do competente John Calipari (técnico em Memphis), poderia colocar outros jovens talentosos (Joakim Noah e Luol Deng principalmente) no caminho das vitórias. O ano era 2008, o treinador era Vinny Del Negro e a torcida de Chicago voltaria a sonhar.

Oito anos se passaram, os títulos não vieram, Derrick Rose se lesionou muito e na semana passada houve o fim da história entre Chicago e o projeto de herói da franquia (herói que nasceu no Estado de Illinois). O Bulls não dúvida em aceitar uma oferta do Knicks para receber Robin Lopez, Jerian Grant e Jose Calderson por D-Rose e Justin Holiday. A troca pôs fim à Era Rose no Bulls, mas não só isso.

Dá pra analisar essa troca por três lados. Vamos lá:

rose21) Para Derrick Rose -> Para o armador, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido em sua vida profissional. Em Chicago, tudo o que acontecia era por causa dele. Se ganhasse, era por mérito dele. Quando perdia, era seu corpo que era culpado. Em Nova Iorque ele será MAIS uma peça no time que é de Carmelo Anthony até o momento. Chegar de leve, como mais uma peça da engrenagem que o Knicks está tentando montar, pode fazer muito bem a ele. A imprensa de NYC é mais “barulhenta” que a de Chicago, isso ninguém duvida, mas o foco estará muito mais em Melo do que no (agora) camisa 25. E vamos combinar uma coisa: em 2015/2016 D-Rose teve as médias de 16,7 pontos e 4,7 assistências em 32 minutos dos 66 jogos que disputou. Se não é o mais confiável dos atletas devido ao acúmulo de suas lesões, não é um talento que possa ser jogado fora, não. Se ele precisava de um pingo de motivação extra, ele acabou de ganhar uma cachoeira para chacoalhar seus ânimos e mostrar que, sim, ainda pode ser efetivo na NBA. Se não como “jogador-franquia”, que como uma ótima peça de apoio. Não há demérito algum nisso.

jackson432) Para o Knicks -> Para o time do agora técnico Jeff Hornacek foi uma tacada de mestre. Robin Lopez não passa de um pivô razoável que havia recebido um cheque muito maior do que seu talento poderia supor. Financeiramente o time trocou três salários que somados davam US$ 21 milhões por um só de US$ 21mi – o de Derrick Rose. Com o atenuante que o de Rose é expirante, ou seja, termina em 2016/2017 (o de Lopez vence em 2019). Se Rose for bem, o Knicks tem tudo para renovar com ele e formar um trio de respeito com Rose, Melo e Porziņģis. Além disso, mesmo com D-Rose (e muito por Porziņģis ainda estar em seu contrato de calouro), os Knicks têm apenas US$ 55 milhões comprometidos para a próxima temporada cujo teto deve beirar os US$ 90 milhões. Ou seja: há dinheiro de sobra para buscar um pivô de respeito (fala-se em Pau Gasol ou em Dwight Howard) e mais peças de apoio para um quinteto titular que deve ter D-Rose, Arron Afflalo (se renovar), Carmelo Anthony, Kristaps Porziņģis e o cincão que deve chegar. Aparentemente é um time que jogará no famoso quatro abertos, com quatro caras que atacam muito bem a cesta e que têm arremessos razoáveis e um ser pronto para proteger o aro (mais para D12 do que para Gasol esta última parte). Pode dar certo – sobretudo no Leste. Para quem não tinha pick algum de Draft, Phil Jackson se virou muito bem. Se livrou de salários altos e de atletas cujos rendimentos não são tão altos assim (embora Jerian Grant possa virar um atleta razoável em algum momento), trouxe um ótimo jogador que pode reencontrar o melhor momento de sua carreira na Big Apple e deu mais um passo para formar uma espinha dorsal bem boa em Nova Iorque.

felicio3) Para o Bulls -> Está claro o que a diretoria do Chicago fez. Ela não confiava mais que este núcleo formado por Derrick Rose, Jimmy Butler, Joakim Noah e Luol Deng (este já saiu antes) poderia dar o tão sonhado título ao Bulls. Está partindo, portanto, para o doloroso, longo e nem sempre fácil programa de reconstrução. Vai se desfazer de seus veteranos com valor de mercado, não fará força (ou não terá força) para manter os com contrato expirante (Pau Gasol por exemplo) e vai tentar ao máximo trocar as suas peças por posições de Draft e/ou jogadores jovens e com potencial (foi assim que na noite do Draft quase ficou com Kris Dunn e Zach LaVine, do Minnesota, mas o Wolves não topou incluir LaVine na jogada para ter Butler). Será ruim para os torcedores, mas pode representar uma oportunidade de ouro para os garotos que lá estarão – entre eles o brasileiro Cristiano Felício. De jogadores de garrafão, agora, os Bulls têm apenas ele, Lopez, Nikola Mirotic, Bobby Portis e Taj Gibson, cujo contrato é expirante e cujo valor de mercado é bom (ou seja, pode sair a qualquer momento…). Para a torcida de Illinois, é, mais do que nunca, hora de ter paciência.

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Entendendo a demissão de Derek Fisher do Knicks – Phil Jackson agiu bem?
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Fábio Balassiano

fish1E o New York Knicks surpreendeu a todos ontem à tarde ao anunciar a demissão do técnico Derek Fisher, que tinha contrato até o final da temporada 2018/2019. Contratado no começo do campeonato passado por Phil Jackson, que o dirigiu no Los Angeles Lakers, Fisher deixa o time com 23-31, 11 derrotas nos últimos 12 jogos e bem longe da zona de classificação para os playoffs. Então justifica-se a saída dele, certo? Hummm não é bem por aí. Vamos lá:

fish21) Estamos longe, é difícil analisar por aqui, mas eu NÃO demitiria Derek Fisher agora, não. Faltam 28 jogos para a temporada terminar, e o cara poderia ao menos terminar o seu segundo certame como técnico principal antes de ter, aí sim, uma avaliação mais criteriosa de Phil Jackson. Phil Jackson que, obviamente, entende MUITO mais de basquete do que eu, você e todos os leitores deste espaço. Nem sempre, porém, devo concordar com ele, né?

2) O motivo pelo qual eu digo que não rifaria Derek Fisher agora é muito claro: os Knicks são um time em formação. São nove jogadores diferentes em relação ao campeonato passado, um calouro que NUNCA havia jogado nos Estados Unidos nem em faculdade (Porzingis) e com a principal estrela (Carmelo Anthony) se ausentando em mais de 50 partidas nos últimos dois anos. Carmelo Anthony que, como disse aqui em texto recente sobre a franquia, dava (pequenos) sinais de melhora em relação a seu jogo e a concepção de basquete. Se havia boa relação entre o craque do elenco e o treinador, será que não valeria a pena ao menos usar isso até abril, maio?

fish53) Alguém acreditava mesmo que os nova-iorquinos se transformariam do pífio certame anterior (17 vitórias) em um esquadrão de 50+ triunfos da noite para o dia? Vale lembrar que NENHUMA grande estrela chegou à franquia. Nomes de peso tentados preferiram atracar o barco em outros lugares. Se o elenco de 2014/2015 era tenebroso, o de 2015/2016 podia ser até promissor, mas excelente não era.

phil4) Dito tudo isso, discordo frontalmente da demissão de Derek Fisher, mas eu compreendo o movimento da franquia. Por mais que ache que os Knicks não sejam ainda um time de playoff, é fato que a campanha poderia ser um pouco melhor (principalmente depois que vimos que Porzingis não seria uma tragédia – bem ao contrário). Como disse acima, são 11 derrotas nos últimos 12 jogos, vitórias vexatórias recentes (a contra o Sixers em duas prorrogações é um exemplo) e uma estagnação que assustava um pouco (ver evolução em um período de 10 jogos estava complicado).

fish105) Talvez o que tenha acontecido entre Phil Jackson (o manda-chuva) e Derek Fisher seja a famosa diferença de expectativa. PJ provavelmente acredita que os Knicks já são um time de playoff. Estar tão longe assim da pós-temporada pode ter acelerado a tomada de decisão dele. Creio que as performances de Detroit Pistons (27-25) e Boston Celtics (31-22), ambos com elencos sem nenhuma estrela de primeira grandeza, mexam com a cabeça de Phil também. “Se eles conseguem com grupos medianos, por quê a gente não chega lá?”. É uma maneira de pensar também.

thibs16) Outra forma de enxergar a demissão de Derek Fisher é que Phil Jackson quer tentar o melhor nome disponível no mercado antes que os outros concorrentes entrem em cena. Tom Thibodeau, que saiu do Chicago Bulls ao final de 2014/2015, Thibs está literalmente dando sopa. Qualquer time que queira contratar um bom treinador vai conversar com ele. E inclusive já há posições de técnico abertas no momento – Nets, Suns e Wolves, com Sam Mitchell interino até o final do campeonato. Se o objetivo é dar um pouco mais de consistência a um time que leva mais de 100 pontos por jogo e ensinar um pouco mais de marcação à estrela da companhia (Carmelo Anthony), ele é o nome certo.

pj1457) Sobre o próximo comandante do Knicks, eu sinceramente não creia que seja Thibs. Não pela sua capacidade de ser treinador, porque nisso ele é excepcional, mas sim porque creio que as visões de basquete dele e de Phil Jackson sejam bastante diferentes (ambas excelentes). É mais provável, portanto, que PJ tente trazer alguém que enxergue o jogo mais ou menos como ele – Luke Walton, que foi muito bem como interino no Golden State e está como assistente há um bom tempo, ou Brian Shaw, que foi auxiliar de Phil em Los Angeles e que já dirigiu o Denver Nuggets. Quem eu tentaria? Tom Thibodeau, com certeza. É o melhor nome do mercado sem dúvida alguma, e poderia trazer “ingredientes” diferentes e necessários para que a franquia cresça de forma mais rápida e também sustentável.

Concorda comigo? O que achou da demissão de Fisher do Knicks? Comente!


Knicks começam a jogar bem e miram retorno aos playoffs da NBA
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Fábio Balassiano

A temporada 2015/2016 da NBA começou assim para o New York Knicks:

porza1Foi o dia 25 de junho de 2015, data do Draft em que o gigante letão Kristaps Porziņģis foi muitíssimo vaiado. O tempo passou, do elogiável Porzingis e de sua evolução já escrevi um texto inteiro a respeito (o cara tem jogado cada vez melhor, hein!) e agora vale a pena falar do New York Knicks como um todo. Com cinco vitórias nos últimos sete jogos (as únicas derrotas foram em San Antonio para o Spurs por um mísero ponto e ontem contra o Nets sem Carmelo Anthony), a turma da Big Apple tem campanha de 20-21 e se aproxima da zona de classificação para os playoffs no concorrido e cada vez melhor Leste. Ótimo sinal para uma torcida que viu Big Phil entrar no comando da franquia há dois anos e não tinha a menor ideia do que aconteceria.

jackson1Para começar, vale destacar o bom trabalho de Phil Jackson fora das quatro linhas. Como eu previa, PJ limpou a folha salarial do Knicks na temporada passada (inclusive despachando JR Smith, algo que parecia impossível), abrindo espaço para contratações importantes e úteis, embora pouco badaladas, que viriam para este campeonato (Robin Lopez, Derrick Williams, Kevin Seraphin e Arron Afflalo, trio que soma 35 pontos por jogo em 2015/2016) e perdendo o suficiente para ter um pick alto no Draft de 2016 (a quarta posição que rendeu Porzingis). O manda-chuva ainda foi muitíssimo bem ao incluir na troca de JR Smith o ala Lance Thomas, que contribui com 8,7 pontos e 42% nos chutes de três pontos, hábil ao trocar com o Atlanta o espevitado Tim Hardaway Jr. (que tinha problemas com Carmelo Anthony) pelo útil Jerian Grant (faz a dupla armação e tem ótimo potencial físico) e certeiro ao contratar o armador Langston Galloway, que não foi escolhido no Draft de 2014 como agente-livre e pagando pouquíssimo. Galloway tem, neste campeonato, 7,6 pontos, 2,1 assistências e boa marcação contra rivais tão ou mais altos que ele. São três salários BEM baratos (não somam US$ 3,5 milhões/ano), que pouco oneram a folha salarial (é a décima mais baixa) e que rendem bons dividendos dentro de quadra (22 pontos, 7,2 rebotes e 5,1 assistências).

jackson2Se era impossível vencer em 2014/2015 (e era mesmo), Jackson fez o que realmente deveria ser feito em uma franquia que tinha dificuldade para enxergar a realidade: cortar na própria carne, iniciar um processo de reconstrução BEM do zero mesmo e plantar uma semente para mostrar aos melhores jogadores da liga que ainda vale a pena jogar por ali. É esta dificuldade de análise de cenário, por exemplo, que faz o Lakers continuar na draga em que está há duas temporadas (simplesmente porque acha que ainda é uma equipe, digamos, que todos os atletas querem jogar, algo que está longe de ser verdade…).

fisher2À beira da quadra veio outra boa novidade. Derek Fisher chegou para a sua primeira experiência como técnico como segunda opção de Phil Jackson. Não é novidade pra ninguém que o PJ queria mesmo Steve Kerr, que fez entrevista em Nova Iorque, mas preferiu o Golden State Warriors (escolheu bem, né…). Em 2014/2015 o comandante novato começou exatamente como a franquia esperava dele: devagar, escolhendo passos e testando estratégias. Aos poucos ele foi se habituando, e nesta temporada conseguimos ver uma defesa bem mais forte (a conversão de arremessos dos rivais caiu de 49% para 43,1%, ótima melhora!), alguns movimentos mais nítidos do Sistema de Triângulos no ataque e mais obediência tática dos atletas. Se ainda não é um grande treinador (e nem poderia ser pois nunca havia sido nem assistente), Fisher ao menos mostra sinais de evolução e espanta de vez o rumor que Big Phil assumiria o cargo caso ele (Fisher) não fosse bem.

carmelo1O caso mais emblemático desta evolução coletiva do Knicks atende pelo nome de Carmelo Anthony, que saiu machucado na terça-feira na vitória contra o Boston e desfalcou o time contra o Brooklyn Nets. Taxado de individualista, Melo teve inúmeras sessões de vídeo com Phil Jackson e Derek Fisher nas férias para entender como poderia continuar a ser o cestinha do time e ao mesmo tempo envolver seus companheiros. Se de seu talento nunca houve dúvida, de sua capacidade de comandar um time jovem para algo grande (ir ao playoff), sim. Ao menos pelo que temos visto nesta temporada a resposta (dele) tem sido muito positiva e o recado parece ter sido compreendido (o que é ótimo). Seus 17,8 arremessos são o menor índice de sua carreira desde seu ano de calouro. As 3,8 assistências por jogo são o seu máximo até hoje.

melo2Não é raro, tampouco, vê-lo dando conselhos aos mais jovens (principalmente Porzingis, que fez 16 pontos no primeiro período contra os verdes na terça-feira) e tem sido impossível ouvir críticas públicas aos companheiros (algo que o camisa 7 fazia muito e que irritava o vestiário). Bom exemplo disso aconteceu na semana passada, quando Jose Calderón errou a bola decisiva após passe seu em San Antonio. Todos ficaram tristes, chateados, mas Carmelo defendeu o espanhol e disse que, sim, fez a melhor jogada ao encontrar o companheiro mais livre para arremessar. Sua média de pontos de 21,8 é a menor desde seu segundo ano, e em nenhum momento sua capacidade de decidir tem sido questionada. Aparentemente ele compreendeu que trazer o elenco para jogar com ele é mais importante que atuar sozinho com outros quatro caras com o mesmo uniforme em volta.

porza15Além de Melo, Porzingis (13,6 pontos e 8 rebotes de média) e Arron Afflalo (13,5 pontos, ótima defesa e melhorando muito desde o começo de dezembro) são os únicos Knicks que pontuam em dígitos duplos nesta temporada. Ao contrário do que pode parecer, isso não é um problema, pois há outros cinco jogadores com médias entre 8,7 e 7,4 pontos (Lance Thomas, Robin Lopez, Derrick Williams (fez 31 pontos ontem, igualando sua maior marca da carreira), Galloway e Jose Calderon), em uma prova que o elenco tem conseguido se virar bem mesmo com apenas uma única grande (e consolidada) estrela na NBA (Carmelo, obviamente).

bigphil1Duvidar da capacidade do Mestre Zen quando o assunto é basquete nunca foi uma coisa inteligente a se fazer. A dúvida que todo mundo tinha era em quanto tempo o time voltaria a ser competitivo. A julgar pela boa temporada, pode ser até que neste ano os nova-iorquinos não vejam a franquia no playoff de novo.

Mas creio que desde já seja possível dizer que há algo muito bom para o New York Knicks em um futuro próximo. A semente está plantada. Basta seguir regando, trazendo novos ingredientes (reforços) e torcer para que as evoluções de suas peças mais cruas dentro (Porzingis) e à beira da quadra (Derek Fisher) continuem a melhorar.


De vaiado a aplaudido, o ótimo começo de Kristaps Porziņģis no Knicks
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Fábio Balassiano

porza1A expectativa era grande no dia 25 de junho de 2015 no Barclays Center, em Nova Iorque. O Knicks teria a quarta escolha do Draft, a mais alta desde 1985, quando selecionou Patrick Ewing na primeira posição. Aí Phil Jackson, o manda-chuva da franquia e dono de 13 anéis de campeão da NBA (11 como técnico, 2 como jogador do próprio Knicks), decidiu escolher o jovem Kristaps Porziņģis, ala da Letônia então com 19 anos e 2,21m. A recepção, obviamente, não foi muito boa da torcida (primeiro vídeo) e nem de boa parte da imprensa (o segundo vídeo é um exemplo disso, e as palavras são de Stephen A Smith, “polêmico”, por assim dizer, articulista da ESPN e um dos mais influentes da mídia norte-americana na atualidade)

porza2A desconfiança, como se vê, era imensa. Em primeiro lugar porque ninguém conhecia Porziņģis. Sua temporada no Sevilla, da primeira divisão da Espanha (Espanha que tem duas pratas olímpicas seguidas e a segunda melhor liga do mundo), não valia de nada naquele momento apesar dos respeitáveis números (21,6 minutos, 10,7 pontos e 4,9 rebotes). Havia, sobretudo, ignorância (no sentido de emitir opinião sobre alguém que se desconhece) e muito preconceito (gerado pelo desconhecimento sobretudo). Em português claro, o pensamento era: “Como o Knicks vai escolher, com um pick tão alto, um europeu e branco desse jeito?”. É um pensamento deplorável, reprovável e que nem de longe encontra eco neste espaço, mas era assim que estava funcionando nos Estados Unidos. A pré-temporada veio e o camisa 6 foi indo evoluindo e tendo espaço inclusive com Carmelo Anthony (maior estrela da equipe). Mesmo assim os elogios não vinham. Dizia-se o famoso “são apenas amistosos, vamos esperar partidas pra valer”.

Pois muito bem. A nova vida de Kristaps Porziņģis começou em 28 de outubro com 16 pontos e 5 rebotes em 24 minutos apesar dos 3/11 nos arremessos diante do Bucks. Havia algo para prestar atenção ali. Os olhares, e os corações, nova-iorquinos, começaram a se abrir para o novo.

porza3Menos de um mês passou e agora vemos a Porziņģis Mania na Big Apple. Como? Simplesmente porque o letão, cada vez mais habituado à NBA, tem jogado muita bola – principalmente nas últimas semanas. Em 15 jogos sua média é de 13,7 pontos, 9,1 rebotes e 1,5 toco, algo muito bom, mas o que dizer de três dos seus quatro últimos jogos? O cara teve 20+ pontos e 10+ rebotes contra Hornets, Rockets e Heat, times que brigarão por playoff (ou estarão lá com certeza). Diante do Houston fora de casa, aliás, uma atuação esplêndida: em 36 minutos, 24 pontos (8/12 nos chutes), 14 rebotes, 7 tocos e 2 assistências. Ele foi tão bem, o gigante, que no final do jogo o técnico Derek Fisher, nem tão verborrágico quanto seu chefe Phil Jackson, disse: “É, até que ele sabe jogar, né? Alguns de vocês (jornalistas) se apressaram um pouco ao avaliá-lo, não acham?”.

porza4Mais do que a parte técnica, o que impressiona no letão é a sua personalidade para ajudar o time a obter respeitáveis 8-7 no Leste (um Leste que está muito mais forte este campeonato com Indiana, Boston, Detroit e Charlotte lutando muito bem). Ele está jogando em uma franquia popular, com uma pressão imensa para reverter anos de insucesso na NBA e com uma estrela (Carmelo Anthony) que precisa ir longe nos playoffs o quanto antes para não ficar eternamente rotulado como um grande pontuador que nunca chegou a uma final da liga. Não é, digamos, um cenário fácil de se conviver para um estrangeiro de 20 anos e cuja experiência no basquete é pequena (pequena como a de qualquer novato, claro). Foi com essa personalidade que ele decidiu o jogo do Knicks contra o Charlotte no dia 11 de novembro com uma bola de três. Infelizmente o relógio já havia estourado e o lance não valeu, mas o lance mostrou bem que a força mental para aparecer em momentos decisivos está em dia.

porza5Dentro de quadra, além do bom tempo de bola para tocos (em 12 das 15 partidas ele teve ao menos um bloqueio), rebotes ofensivos (seus putbacks, quando ele transforma um rebote em enterrada, já são famosos) e de sua boa disposição para defender perto da cesta ou no perímetro, chama a atenção a facilidade que ele tem para criar seus próprios arremessos (31% dos chutes certeiros vieram sem assistência) e também a boa técnica para bolas longas (34,1% de aproveitamento para alguém de 2,21m e que joga na posição quatro é um bom índice – Draymond Green, do Warriors, tem 33,2% na carreira, por exemplo) e ganchos (63% de conversão neste tipo de jogada). Não é algo usual para um novato e cuja vantagem competitiva por ter alguém desta altura fazendo algo tão distinto tem sido bem aproveitado pelos Knicks neste animador começo de temporada para os nova-iorquinos.

porza7Derek Fisher sabe que Carmelo e Porziņģis são alas altíssimos para os padrões das posições 3 e 4, e espaçar bem a quadra para jogadas de um-contra-um perto da cesta tem sido utilizado pelo treinador em momentos específicos das partidas. Fica difícil para o adversário marcar, e não é raro vermos dobras em cima de Melo ou do letão, o que invariavelmente faz com que a bola rode para encontrar alguém livre na linha dos três pontos (ao lado está o mapa de arremessos do calouro, que teve 12 dos 74 chutes convertidos com assistência de Melo e que passa 20% das vezes para o camisa 7). É uma evolução do Knicks e sobretudo do técnico Fisher, que parece muito mais à vontade em seu segundo ano na função (embora Kobe Bryant tenha dito em inglês bem claro que a turma da Big Apple não jogue no Sistema de Triângulo….).

porza6Os próximos jogos, contra Orlando (hoje fora de casa) e depois Miami, Houston, Sixers e Nets no Madison Square Garden serão importantíssimos não só para a franquia, que pretende fincar o pé na zona de classificação aos playoffs, mas principalmente para o novato, que se consolida como um dos melhores calouros da temporada. Como tudo em Nova Iorque é potencializado (pro bem ou pro mal) recomenda-se um pouco mais de paciência – e racionalidade. Porziņģis já provou que não é o pereba que pintavam antes da temporada. Se ele será uma estrela só o tempo e sua evolução é que dirão. Que seu começo traz os melhores sentimentos para os Knicks, ninguém tem dúvida. Que ter uma das suas franquias mais populares brilhando de novo é excelente para a NBA, tampouco. O correto, no entanto, é aguardar um pouco mais (um ano, dois anos, se possível for) para sabermos se o camisa 6 será mais um bom jogador ou o craque que agora se pinta.

Independente disso tudo, no momento a história de Kristaps Porziņģis, o letão vaiado na noite do Draft, é uma das mais bonitas da temporada 2015/2016 da NBA. Que ele sustente este belo roteiro por muito mais tempo. Quem gosta de basquete (e de bons enredos) está adorando.


Knicks chegam a Londres para enfrentar o Bucks com 15 derrotas seguidas
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Fábio Balassiano

phil1Nos últimos meses escrevi algumas vezes sobre o New York Knicks (aqui, aqui, aqui e aqui). E desde que Phil Jackson como presidente de operações assumiu e que Carmelo Anthony (ambos na foto) renovou sempre esteve claro para mim que a temporada 2014/2015 para os nova-iorquinos seria de ajustes, de adaptação (foi esta uma das palavras que mais usei neste período, inclusive).

Eram muitos contratos ruins, muita gente sem o perfil que PJ gosta em seus times e poucos atletas realmente bons. Usei o termo “adaptação” para o campeonato que agora se desenrola, mas jamais imaginei que no começo de 2015 os Knicks estivessem na tabela como a pior franquia da NBA. E é exatamente esse o cenário hoje.

globalCom 5-35, os Knicks têm o mesmo número de vitórias que o Minnesota e conseguem ser piores que os Sixers (7-29). São 15 derrotas seguidas, nenhuma perspectiva de melhora a curto prazo, Carmelo Anthony, sua principal estrela, machucado e, nesta semana, a chance de expor a sua marca em Londres, onde o time enfrenta o Milwaukee Bucks no NBA Global Games na O2 Arena.

pj1Hoje o New York Knicks é uma marca forte-e-deteriorada, mas todo mundo sabia que seria assim nesta temporada. Não tão pra baixo, não tão vexatório como foi no sábado, quando em um determinado momento do terceiro período o time perdia do fraco Charlotte Hornets por 81-36 (mais aqui), mas fazia parte do processo que desde o início Phil Jackson sabia que seria tortuoso.

melo2É terrível dizer isso, principalmente para uma franquia do tamanho desta, mas é o preço que se paga por anos de administração ruim (desde Isiah Thomas, que fez contratos BIZARROS, até a última direção, que contratou, de uma tacada só Andrea Bargnani e Amare Stoudemire por quase US$ 40 milhões/ano) e escolhas péssimas (Draft, contratações e técnicos).

Phil Jackson (foto à direita) pegou um barco à deriva e está tentando dar um rumo razoável a ele (vide as últimas mexidas, dando espaço na folha salarial para 2015/2016 e um provável pick entre os cinco primeiros do próximo Draft). Não sou a melhor e nem a mais apropriada pessoa para pedir isso, mas um pouco de paciência é recomendável aos torcedores do Knicks. Vai perder muito mais nesta temporada? Sim. Vai ter uma campanha tenebrosa? Sim. E isso significa que o time vai ser bom no futuro? É bem possível.

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