Bala na Cesta

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O coração de Isaiah Thomas e o crítico jogo 2 pro Celtics nesta noite em Boston
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Fábio Balassiano

O jogo 1 entre Celtics e Bulls no domingo em Boston foi marcado por tudo que cercou Isaiah Thomas. Melhor jogador e ídolo celta, ele perdeu a sua irmã Chyna no dia anterior devido a acidente de carro em que ela se envolveu, foi liberado pela equipe, mas encontrou forças para tentar ajudar o seu time a abrir o difícil duelo da primeira rodada do playoff.

Com um coração do tamanho do mundo, com sangue frio absurdo e com a torcida gritando seu nome a cada segundo Isaiah conseguiu deixar as emoções de lado assim que a bola subiu para terminar com 33 pontos, 6 assistências e 5 rebotes, mas não evitou a derrota do Boston por 106-102 para um Chicago que contou com 30 pontos de Jimmy Butler.

Por isso o jogo desta noite, também em Boston (21h, ESPN), é fundamental pros Celtics. O time não pode nem pensar em viajar para Chicago com 0-2 na mala, o que faria todo esforço da temporada regular praticamente ruir em menos de uma semana.

Para empatar a série, melhorar a proteção de rebotes é a regra número 1 para esta terça-feira em relação aos verdes, que permitiram surreais 20 rebotes ofensivos aos Bulls na partida que abriu a série.

Isaiah Thomas recebeu todo apoio de seus companheiros e disse que só encontrará com toda a sua família em Washington, onde Chyna faleceu em acidente de carro, na quarta-feira após a partida desta noite. O melhor prêmio que alguém tão forte mentalmente pode receber é vencer o jogo de hoje.


Cinco motivos que fazem Celtics x Cavs de hoje ser o mais aguardado jogo da fase final da NBA
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Fábio Balassiano

A temporada regular da NBA está chegando ao fim. Faltam menos de dez dias para começar o playoff, mas dá pra dizer que o jogo envolvendo Boston Celtics e Cleveland Cavs hoje às 21h (ESPN exibe) é o mais aguardado desta fase final do melhor basquete do mundo. E por quais motivos? Eu separei cinco para ilustrar a importância do duelo de logo mais em Boston.

1) Vale a liderança do Leste -> Em casa, o Celtics recebe o Cavs na mesmíssima situação que o atual campeão da liga (50 vitórias em 77 jogos). Quem vencer fica pertinho de conseguir o mando de quadra até o final do playoff do Leste. Os dois times terão, após o confronto desta quarta-feira, mais quatro partidas, mas quem ganhar a de hoje fica com a faca e o queijo na mão para ser o líder da conferência.

2) LeBron James x Isaiah Thomas -> LeBron tem 2,03m e é um dos melhores jogadores de todos os tempos. Mas o que dizer do que vem fazendo Isaiah Thomas nessa temporada? O baixinho do Boston está realmente pegando fogo, alucinando as defesas e liderando a histórica franquia de Boston. Com 1,75m Isaiah tem 29,1 pontos, média que supera a de LeBron (26,1) nesta temporada.

3) O Celtics é “pra valer”? -> Havia muito tempo que o Boston não se mostrava tão forte assim. Desde 2010/2011 o time não conquistava 50 vitórias (há seis anos foram 56), e após passar por uma reconstrução incrível a equipe passa a sonhar com algo mais alto do que apenas chegar ao playoff do Leste. A grande dúvida de todo mundo é: será que os Celtics são realmente pra valer, ou não terão vida longa nos playoffs? Um jogo contra o Cleveland é uma ótima prova de força para os verdinhos.

4) Dois jovens técnicos -> Comandante do Boston, Brad Stevens (40 anos) está em sua quarta temporada na NBA e é considerado um dos melhores técnicos da nova geração. Ty Lue (39 anos – foto) comanda o Cleveland há um ano e meio e já venceu um campeonato (o de 2016). Ambos são muito jovens, têm estilos completamente distintos (Stevens é mais cerebral; Lue, mais “paizão”), possuem uma longa estrada pela frente na liga e lideram os dois times que têm tudo para fazer a final do Leste.

5) O jogo é em Boston -> Há anos a cidade espera por um jogo assim na temporada regular. O TD Garden, antigo Boston Garden, um dos ginásios mais icônicos do esporte mundial, tem tudo para estar agitadíssimo, pulando, pulsando, energizado com a partida que pode dar ao Boston uma imensa vantagem nos playoffs.

Quem será que vence logo mais?


Baixinho do Boston, Isaiah Thomas supera Kobe e LeBron e é o mais decisivo do século na NBA
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Fábio Balassiano

Não tem pra Kobe Bryant, LeBron James, Kevin Durant ou Russell Westbrook. O jogador que tem a melhor média de pontos em últimos períodos da NBA nos últimos vinte anos é Isaiah Thomas, craque baixinho do Boston Celtics. Veja a lista abaixo:

Armador de 1,75m do Boston Celtics, cuja história de vida e carreira foi contada aqui recentemente, o camisa quatro tem incríveis 9,9 pontos de média em quartos períodos em 2016/2017 da NBA, superando em 0,3 a Westbrook, que tem 9,6 pontos nos 12 minutos finais das partidas também nesta temporada. Sua performance assustadora nos derradeiros momentos das partidas leva a tradicional franquia verde a ótima campanha de 42-25, a segunda melhor da conferência Leste, e é a melhor deste século XXI.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Conhecido por seu “instinto assassino” para os momentos decisivos, Kobe Bryant aparece na lista das dez maiores médias em últimos períodos com surreais quatro participações (único atleta a ter múltiplas marcas neste sentido). Kobe teve 9,5 em 2006/2017, a terceira maior pontuação dos últimos 20 anos, quando este tipo de índice passou a ser medido, e também figura com o feitos obtidos em 2012/2013, 2006/2007 e 2004/2005.

Considerado o melhor jogador da atualidade, LeBron James teve 9,1 pontos nos últimos períodos em 2007/2008. Dwyane Wade, Kevin Durant e Tracy McGrady também figuram na lista.

No vídeo abaixo é possível ver uma performance extraordinária de Isaiah, que no dia 30 de dezembro do último ano anotou surreais 29 pontos nos 12 minutos finais e liderou os Celtics a uma importante vitória contra o Miami Heat.


O dia em que o destro Larry Bird arremessou com a mão esquerda e fez 47 pontos
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Fábio Balassiano

Larry Bird é considerado um dos melhores arremessadores de todos os tempos. Com 729 bolas de três pontos convertidas em sua carreira, três títulos do torneio de três pontos no All-Star Game, três títulos da NBA e três vezes MVP, um dos maiores ídolos do Boston Celtics fez da sua mão direita a sua maior arma. Mas o que aconteceria se ele, por um acaso, fizesse um jogo todo chutando com a canhota?

Muita gente se perguntava isso até 1986, quando Bird, cansado após uma série de cinco jogos fora de casa para abrir o mês de fevereiro daquele ano, falou com Bill Walton, seu companheiro de Celtics na época: “Sabe de uma coisa, Bill. Hoje contra o Portland eu vou arremessar tudo com a mão esquerda. Vamos ver o que sai“. Bill, pai do hoje técnico do Lakers e que anos antes havia sido campeão com a camisa do Blazers, coçou a cabeça, disse que não era uma boa ideia, mas não adiantou.

Larry Bird estava com aquilo na cabeça e arremessaria apenas com a mão trocada, com a mão menos treinada, com a canhota na noite de 16 de fevereiro de 1986 diante de 12 mil pessoas que foram ver Portland x Boston naquela noite.

O resultado? Boston 120 x 119 Portland na prorrogação. A performance de Larry Bird? Surreais 47 pontos (21/34 nos arremessos), 14 rebotes, 11 assistências, bola para empatar o jogo no quarto período e arremesso para dar a vitória no tempo extra. Para ser justo, em uma contagem a partir do vídeo abaixo é possível ver que, com a canhotinha, Bird teve 10/21 nos chutes e somando 24 pontos (11/13 nos tiros e 23 pontos com a direita portanto), o que não deixa de ser um feito.

Fica a lição definitiva: nunca duvidemos dos mitos. Larry Bird é um deles. Ah, e no final daquele mágico ano de 1986 o Boston foi campeão da NBA ao vencer o Houston Rockets na final por 4-2. Com a esquerda ou com a direita Bird sempre será um dos melhores de todos os tempos.


Ídolo do Boston, Paul Pierce joga contra o Celtics pela última vez na carreira neste domingo
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Fábio Balassiano

pierce1Todos os olhos dos Estados Unidos estão voltados para o Superbowl que acontece logo mais entre New England Patriots e Atlanta Falcons, mas pouco acontece haverá um evento pra lá de especial em Boston.

Os verdes recebem o Los Angeles Clippers às 17h de Brasília naquela que poderia ser apenas uma singela partida de fase regular. Não fosse o fato de Paul Pierce, atualmente no Clippers, fazer o último jogo de sua carreira profissional em Boston neste domingo. No começo dessa temporada The Truth, como é conhecido, afirmou que esta seria a última temporada de sua carreia.

Um dos grandes ídolos recentes da franquia, Pierce jogou 15 temporadas em Boston, foi campeão em 2008 e MVP das finais no mesmo ano antes de ser trocado para o Brooklyn Nets. Em 2013/2014, inclusive, foi homenageado pela equipe quando visitou o TD Garden vestindo a camisa do Nets. Se emocionou com os aplausos dos torcedores dos Celtics, foi às lágrimas e agradeceu longamente.

Tem tudo pra ser emocionante o último encontro de Paul Pierce com a torcida do Boston!


Fim de uma Era: camisas da NBA terão patrocínio – veja como ficará a do Celtics
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Fábio Balassiano

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Uma das maiores tradições dos esportes americanos está chegando ao fim. Primeira das quatro grandes ligas dos Estados Unidos (Baseball, Futebol Americano, Basquete e Hóquei) a abrir mão das famosas “camisas limpas” de patrocínio, a NBA liberou as suas 30 franquias e estampar a marca de um patrocinador na parte frontal de seus uniformes para um período de testes de três anos. E alguns destes times já estão fechando seus negócios.

celtics2Nesta quarta-feira foi a vez do Boston Celtics, maior vencedor da história da NBA com 17 títulos, anunciar o seu patrocínio. Foi com a empresa General Eletric (GE), que além de ter a sua marca estampada no lado esquerdo do tradicional uniforme verde e branco apoiará a equipe em ações fora da quadra.

O valor e o tempo do contrato não foram divulgados, mas estima-se que tenha ficado entre os US$ 10 e os US$ 15 milhões em 2017/2018, mesma temporada em que a Nike também colocará a sua logo do lado direito das camisetas de 29 das 30 camisas. Apenas no Charlotte Hornets, cujo proprietário é ninguém menos que Michael Jordan, é que será vista a do Jordan Brand, subsidiária da Nike.

sixers1Antes do Boston, o Philadelphia 76ers fechou com o StabHub (ingressos online) por US$ 5 milhões, mesmo valor do Sacramento Kings com a Blue Diamonds Almonds (alimentos).

Outros acordos de patrocínio serão anunciados nos próximos meses, e times como o Golden State Warriors e o Cleveland Cavs, finalistas nas duas últimas temporadas, estão buscando montantes de até US$ 20 milhões por ano. Um detalhe interessante é que as camisas que serão vendidas pela NBA em suas lojas oficiais aos torcedores não terão as marcas dos patrocinadores. Dentro dos ginásios as franquias têm a liberdade de vender tanto as com a marca dos patrocinadores quanto a verão “limpa” de marcas.

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Como um armador baixinho e desprezado no Draft virou o novo ídolo do Boston Celtics na NBA
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Fábio Balassiano

kyrieNo dia 23 de junho de 2011 todos os olhos daquele Draft estavam em Kyrie Irving e Derrick Williams. De Universidades renomadas (Duke e Arizona, respectivamente), eles seriam escolhidos nas duas primeiras posições por Cleveland Cavs e Minnesota Timberwolves. Primeiro a selecionar, o Cavs mandou ver em Kyrie, e vocês sabem o que o camisa 2 tem feito em Ohio desde que entrou na liga. O Minnesota não teve muita dúvida e foi em Derrick Williams logo depois. Enes Kanter, Tristan Thompson, Jonas Valanciunas, Jan Vesely, Bismack Biyombo, Brandon Knight, Kemba Walker e Jimmer Fredette seguiram a ordem das primeiras dez posições em uma noite que teve uma das trocas mais incríveis da história da NBA. O Indiana pegou George Hill, armador, mas despachou o seu pick, um rapaz chamado Kawhi Leonard (décima-quinta posição) para o San Antonio Spurs. Três anos depois Kawhi seria não só campeão, mas MVP das finais de 2014 com a franquia texana. Dois anos depois o Pacers mandaria Hill pra Utah.

isaiahO Draft seguiu, nomes como Klay Thompson (o décimo-primeiro) surgiram, fechou a sua primeira rodada com Jimmy Butler, do Chicago Bulls, mas segundas rodadas normalmente aparecem gringos que serão emprestados pelas franquias da NBA para a Europa. E assim a noite de 23 junho ia acabando. Nas posições 54, 56, 57, 58 e 59, só estrangeiro (Milan Mačvan, da Sérvia, Chukwudiebere Maduabum, da Nigéria, Tanguy Ngombo, do Catar, Ater Majok, da Austrália, e Ádám Hanga, da Hungria) e ao que tudo indicava a última escolha daquele dia iria pelo mesmo caminho. Mas é o Sacramento Kings, sabe como é. Os caras são diferentes – para o bem ou para o mal. E havia um baixinho disponível ainda. Era Isaiah Thomas, de 1,75m e produto da Universidade de Washington. Como assim alguém que teve três temporadas seguidas com no mínimo 15 pontos de média seria ignorado? Os dirigentes da Califórnia matutaram isso, viram que só tinham Tyreke Evans como armador no elenco e pensaram em Isaiah para ser reserva de Evans. Era uma opção. A última opção. E assim foi feito.

isiah3Um fato interessante sobre o nome da escolha de número 60 é que ele foi dado devido a uma aposta. Seu pai James, cujo time do coração era o Los Angeles Lakers, perdeu uma brincadeira para um amigo cujo time era o Detroit Pistons, do craque Isiah Thomas. James, então, prometeu que seu filho teria o nome do craque do time rival. E assim foi feito, mas com uma ressalva. A futura mamãe gostava do nome, mas não exatamente pelo basquete. Tina gostava da pronúncia que lembrava a do nome bíblico de um profeta e cujo significado era salvação. Entre a aposta do pai e o desejo bíblico da mãe, o casal Thomas se acertou em pagar a aposta com um asterisco. Nascia em 7 de fevereiro de 1989 Isaiah Jamar Thomas em Tacoma, Washington. E querem ver uma coisinha engraçada? Meses depois do nascimento de Isaiah os Lakers perderam a final para o Detroit, de Isiah.

Isaiah3Sua carreira na NBA começou no banco. Muito banco. Até o dia 26 de dezembro ele sequer havia pisado na quadra. Foi quando o técnico Keith Smart chamou Isaiah para fazer a sua estreia contra… o Los Angeles Lakers, time do pai. Foram 13 minutos, 5 pontos e 2 assistências. No dia seguinte contra o Portland, mais 11 minutos e 6 pontos. No começo de 2012, a primeira partida com mais de 10 pontos de sua carreira. Diante do Memphis em 3 de janeiro, 15 pontos em 16 minutos. Menos de 10 dias depois, a primeira vez com 20 pontos (contra o Toronto em 11/01). Não se tratava, obviamente, de um jogador de segunda rodada como os outros que a liga conhecia.

Isaiah31A temporada seguiu, Isaiah mostrou que não era apenas um baixinho atrevido, tornando-se, na verdade, uma grandíssima e importante arma vindo do banco. Rápido, corajoso, ótimo drible e excelente controle de bola, ele era um inferno para as defesas adversárias, forçando imensos ajustes de cobertura por parte dos rivais e obviamente criando espaços para seus companheiros. O jovem de 22 anos emplacou até uma sequência de oito partidas seguidas com 10+ pontos entre 15 de fevereiro e 2 e março em 2011. No final da temporada, as médias de 11,5 pontos, 4,1 assistências e 25,5 minutos chamavam a atenção, mas na verdade eram diminuídas pelo seu começo com poucos minutos. No total foram 22 dos seus 65 jogos somando 15 ou mais pontos. A fábula da carreira do pick 60 de 1,75m que jogaria muito bem na NBA virava realidade quando, depois do All-Star Game de 2012 Thomas não seria apenas um reserva, mas sim titular da equipe.

Isaiah311Nos dois anos seguintes, a consolidação. Em 2012/2013, 13,9 pontos e 4 assistências em 79 partidas (62 como titular). Em 2013/2014, 20,3 pontos e 6,3 assistências em 72 jogos (54 como titular). Pra azar do Kings, era seu último ano de contrato e o baixinho chamava a atenção. O Phoenix decidiu pagar US$ 27 milhões por 4 anos para reforçar o seu perímetro e o Sacramento preferiu não cobrir a oferta. A ideia que parecia ser boa, porém, acabou se tornando trágica para o Suns, que teria Goran Dragic, Eric Bledsoe e Isaiah disputando espaço, minutos e o vestiário na armação. A franquia precisaria escolher um ou dois deles. E parecia sobrar para Thomas, que nem estava tão mal assim (15,2 pontos em 46 jogos vindo do banco). Logo depois Dragic foi despachado para Miami, ficando apenas Bledsoe por lá.

Isaiah23No dia 19 de fevereiro os rumores se confirmaram. Boston enviou Marcus Thornton e mais um pick para ficar com o baixinho. O primeiro jogo dele vestindo verde (adivinhem) foi contra… o Los Angeles Lakers. Ao todo, 21 pontos vindo do banco, mas uma discussão com a arbitragem fez Isaiah ser expulso. Entrando no vestiário, o camisa 4 pensou que seria repreendido, mas um profissional da comissão técnica o puxou pelo ombro, deu-lhe um abraço e disse: “Cara, ser expulso contra o Lakers logo na estreia? A torcida do Celtics vai amar você. Não abaixe a cabeça”. O menino ouviu. Nos 21 jogos daquela temporada, 19 pontos e 5,4 assistências vindo do banco.

isaiah2No ano seguinte, em 2015/2016, o técnico Brad Stevens lhe conferiu a armação titular. Caberia ao rapaz de 1,75m comandar um dos times mais tradicionais da história da NBA. E como Isaiah Thomas respondeu? Com 22,2 pontos e 6,2 assistências em 32 minutos de média. E sendo um All-Star. E sendo ídolo de uma franquia. E sendo ídolo e principal referência de uma equipe como o Boston Celtics, maior ganhador da NBA.

O roteiro do filme, ou da fábula, já estaria de ótimo tamanho, mas Isaiah, que ainda recebe o salário daquele acordo com o Phoenix Suns que vai até 2017/2018 (é apenas o quinto mais bem pago do Boston na temporada), queria mais para a temporada 2016/2017.

Isaiah4Ficou feliz quando Al Horford foi contratado por quase US$ 120 milhões/4 anos, mas aquele já era o seu time – e continuaria sendo. Na temporada 2016/2017 são 28,4 pontos, 6,1 assistências e 34 minutos de média, um absurdo total e deixar até mesmo Isiah Thomas, mito do Pistons, de boca aberta. O cara é simplesmente o quarto maior cestinha da melhor liga de basquete do planeta, à frente de bambas como Steph Curry, Kevin Durant, DeMar DeRozan, DeMarcus Cousins, Damian Lillard, Lebron James, entre outros. Repito: isso com 1,75m e sendo o pick 60 do Draft de 2011. No Boston Celtics.

Isaiah36Já seria uma história e tanto, não? E se eu disser a vocês que ele é o cestinha do Boston com mais de 10 pontos de vantagem em relação ao segundo maior pontuador da equipe (Avery Bradley tem 17,7 de média)? E se eu disser a vocês que o baixola coloca os Celtics como terceiro time do Leste com 26-15? E se eu disser a vocês que no dia 30 de dezembro ele fez 52 pontos, sendo 29 no último período (maior marca da franquia)? E se eu disser a vocês que desde 19 de novembro o rapaz não tem NENHUMA partida com MENOS de 20 pontos?

Isaiah73Não sei se há história melhor nesta temporada 2016/2017. Um rapaz de 1,75m que tem o nome dado por causa de uma aposta vai pra NBA na última posição do Draft, começa no Sacramento, assina contrato milionário com o Phoenix, é despachado para o Boston, onde a pressão é enorme, mas lá vira ídolo. E que ídolo. Antes do campeonato disse que Isaiah não era armador de time campeão, embora o achasse espetacular. Se ele será campeão nesta liga ainda não dá pra saber, mas o cara é um vencedor. Vencedor que está desmentindo todo mundo que ainda teima em duvidar de sua capacidade desde 2011. Isaiah, corajoso ao extremo, está no caminho para colocar os verdes entre os melhores do Leste – e quem sabe avançar pesado com o elenco na pós-temporada

Baixinho atrevido, craque de bola, All-Star em 2017 mais uma vez e candidato, sim, a MVP da temporada. Que belíssimo roteiro de vida, e de filme, tem Isaiah Thomas.


Os 30 da NBA: Sem O cara, Celtics tentam subir outro degrau na temporada
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Fábio Balassiano

stevens1Quando começou a sua reconstrução em 2013/2014 o Boston sabia que iria sangrar um pouco. De time que foi a duas finais em três anos os Celtics arregalaram o olho quando conquistaram apenas 25 vitórias em 13/14, mas começaram a sorrir quando nos dois campeonatos seguintes chegaram a 40 e 48 triunfos na fase regular com o fantástico Brad Stevens (foto) como técnico.

Com milhares de picks de Draft ainda devido às trocas mais recentes, os verdes chegam confiantes para a temporada 2016/2017 da NBA, onde tentarão enfim voltar a vencer uma série de playoff, algo que não ocorre desde 2012, mas a pergunta que fica é: como lidar com o fato dos Celtics não terem um craque para chamar de seu?

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celtics1Chegou, é claro, o excelente e subestimado Al Horford (foto) para reforçar a equipe e ser o pivô de alto nível que o Boston não tem sabe-se lá há quantos anos. Veio, também, o razoável Gerald Green para ajudar na rotação da ala, bem como o calouro Jaylen Brown. Falta O cara, falta O craque, falta alguém que a franquia possa olhar e dizer “caramba, agora dá pra sonhar com alguma coisa grande”.

A ideia do Celtics era ter nessa alcunha ninguém menos que Kevin Durant. Foi tentado de tudo, inclusive com Tom Brady participando da reunião final entre os verdes e KD. Nada feito, Durantula foi parar no Golden State e o Boston precisará continuar com seu belo trabalho de reconstrução com ótimos jogadores – ótimos, mas nenhum craque.

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isaiah1Aparentemente o time titular será formado por Isaiah Thomas, Avery Bradley, Jae Crowder, Amir Johnson e Horford, com o banco tendo, entre outras opções, Marcus Smart, Gerald Green, Jaylen Brown, Jonas Jerebko e outro punhado de garotos que saíram do Draft.

O elenco do Boston é tão recheado de jovens que os dois mais velhos são Horford e Green, que têm 30 anos. No grupo há nada menos que 11 atletas com 23 ou menos anos de idade, em uma clara prova de que ainda há muita coisa a se fazer por lá.

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ainge11Gosto muito de Brad Stevens, o técnico, e consigo enxergar consistência e qualidade nas ações de Danny Ainge, o gerente-geral da franquia. Ainge, aliás, foi muito criticado por trocar Kevin Garnett e Paul Pierce, mas é muito por causa da saída destes dois fenômenos que o Boston tem conseguido se reerguer com picks e mais picks de Draft e espaço na folha salarial para pagar jogadores como Horford, que ganhará US$ 113 milhões pelos próximos quatro anos. A cereja do bolo do manda-chuva do Celtics, porém, seria a contratação de um craque que pudesse dar sustentação aos mais jovens, algo que acabou não ocorrendo ainda.

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celtics2Para o Boston não dá pra dizer que foi um verão americano perdido. Não, não é isso. Al Horford é All-Star, vai trazer muita qualidade e experiência a um jovem elenco e quem sabe os Celtics não consigam atingir as 50 vitórias pela primeira vez em cinco anos.

Mais do que isso porém, me parece um passo que o Boston ainda não será capaz de dar na temporada 2016/2017 da NBA. Que a franquia foque em subir um degrau de cada vez. O do próximo campeonato é avançar da primeira rodada do playoff.

Campanha em 2015/2016: 48-34
Projeção para 2016/2017: Vai pro Playoff (entre 49 e 54 vitórias).
Olho em: Al Horford


Paul Pierce anuncia aposentadoria, e ‘NBA da década de 90’ está chegando ao fim
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Fábio Balassiano

pierce1Parece que foi combinado, né? Menos de uma semana depois de Kevin Garnett anunciar a aposentadoria das quadras, foi a vez de Paul Pierce, que jogou com KG no Boston campeão de 2008, enviar um texto ao Players Tribune informando que 2016/2017 será a sua última temporada como atleta profissional. Aos 38 anos, The Truth, como é conhecido, jogará o seu décimo-nono campeonato com o Los Angeles Clippers e dará adeus ao basquete.

nba90sA saída de cena de Pierce merecerá um texto à parte no dia 5 de fevereiro, quando o craque jogará contra o “eternamente seu” Boston Celtics pela última vez (foram 15 temporadas com o verde mais famoso da NBA) e também na semana de sua despedida, em maio, junho de 2016.

Por enquanto vale refletir que com as aposentadorias recentes de Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e agora Paul Pierce restarão, caso continuem jogando em 2017/2018, apenas cinco jogadores em atividade que atuaram na década de 90 (final do Século XX portanto). São eles Dirk Nowitzki, do Dallas e de 38 anos. Vince Carter, do Memphis e de 39.  Jason Terry, agora no Bucks e também de 39. Elton Brand, de 37 e com o Sixers. E Ron Artest, no Lakers aos 36. Na NBA desde 1999, o pivô Nazr Mohammed ainda está sem clube.

pierce2havia notado isso quando da convocação para o All-Star Game de 2015, mas agora está mais claro do que nunca que a NBA passa por uma troca de guarda como a que aconteceu quando Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Karl Malone e Isiah Thomas, entre outros, deixaram o bastão da liga para Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e outros projetos de craques que surgiam à época.

Paul Pierce, assim como Kobe, Duncan e Garnett, nasceu para o basquete no final da década de 90. Foi calouro com o Boston em 1998/1999, a temporada do locaute, aprendeu com a turma mais antiga que a dele, ralou nas ostras para recolocar os Celtics de novo nos trilhos (quase uma década depois que disputou, e ganhou, a sua primeira final) e se consagrou como um dos maiores ídolos de uma das franquias mais tradicionais do esporte americano.

pierce2Ainda passou por Brooklyn Nets, Washington Wizards e agora está no Los Angeles Clippers para fechar a sua brilhante carreira na NBA, mas a verdade é que ninguém se lembrará disso daqui a 20, 30 anos. Paul é o nome e seu sobrenome será sempre Boston Celtics.

Pierce será um dos últimos do Século XX a se despedir das quadras. Fez parte do “boom” internacional da liga e muitos dos que acompanham nos dias de hoje no Brasil começaram a amar a NBA naquela época. Época de Bandeirantes com Luciano do Valle, época de transmissões na TNT e na ESPN (algumas vezes só em inglês, outras vezes travando o sinal nos últimos dois minutos do quarto período…), época de um dos slogans mais famosos da liga, o “I Love This Game“, época de Michael Jordan. Época de muita coisa que, vejam só, hoje parece nostalgia.

Estamos ficando todos muito velhos. Continuamos amamos este jogo. Eternamente seremos gratos a Paul Pierce a aos “velhinhos” da década de 90 que nos fizeram abrir os olhos para o melhor esporte de todos.


Adorável maníaco, Kevin Garnett se despede do basquete – vai deixar saudade
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Fábio Balassiano

nba1O dia 28 de junho foi especial pro basquete. Foi a primeira vez que a NBA fez a sua cerimônia de Draft fora dos Estados Unidos. Em Toronto, Joe Smith foi o primeiro colocado na seleção dos atletas, indo para o Golden State. O Denver Nuggets fisgou Antonio McDyess após troca com o Clippers. Jerry Stackhouse parou no Sixers. Rasheed Wallace, no Washington Bullets. O Toronto Raptors, o time local que tinha a sétima escolha, já salivava com a possibilidade de colocar o plano mirabolante de seu gerente-geral Isiah Thomas em prática. Isiah falava garoto de 19 anos que pularia do segundo grau direto para a liga profissional norte-americana com brilho nos olhos. Para não prejudicar a sua formação, o GM torontino cogitava jogar Kevin Garnett apenas nos 41 jogos em casa para que ele pudesse fazer a faculdade com tranquilidade.

garnett1O problema para Isiah é que alguém que conhecia muito da posição de ala-pivô tinha planos para aquele rapaz de braços longos e 2,11m. Era Kevin McHale, recém-contratado como Gerente-Geral do Wolves e que meses antes viu Garnett jogando na Farragut Academy, em Chicago, onde teve surreais 25,2 pontos, 17,9 rebotes, 6,7 assistências e 6,5 tocos.

Se era para começar a remodelar a franquia, nada melhor do que sangue novo. Assim, com a quinta posição do Draft de 1995, o Minnesota selecionaria Kevin Garnett. Vinte e um anos se passaram daquele 28 de junho de 1995, KG virou Big-Ticket, apelido carinhoso em alusão ao fato de as torcidas rivais lotarem ginásios para vê-lo jogar em seus tempos de Wolves, ganhou um título com o Boston em 2008 gritando loucamente na comemoração uma de suas frases mais conhecidas (“Tudo é possível, tudo é possível“), foi para o Brooklyn Nets e retornou ao Minnesota em 2014/2015, onde brigou demais contra seu corpo para se manter em quadra naquela e na temporada 2015/2016.

KG_TD_KobeOntem, porém, Kevin Garnett optou por não mais disputar contra seu físico. Baixou a guarda, e aos 40 anos decidiu rescindir seu contrato com o Minnesota para anunciar a aposentadoria no mesmo ano que outras duas lendas da modalidade, os seus contemporâneos Kobe Bryant e Tim Duncan. Momento triste para quem acompanhou o cara durante praticamente toda a carreira, venerando seu lado intenso, indomável na quadra e uma técnica que foi se refinando aos poucos e com horas e horas de trabalho extra no ginásio. KG não entrou craque na liga em 1995. KG se formou craque na NBA treinando como um maluco, aprendendo com os melhores e evoluindo ano após ano. Não é qualquer ser humano deste planeta que consegue por 18 temporadas seguidas ter 10+ pontos de média. Ele conseguiu e isso se deve a uma singela razão: Kevin Garnett era um maníaco por treinamentos. Aquele clichê que diz que ele era o “primeiro a chegar e o último a sair do ginásio” se aplica a ele.

Kevin GarnettKevin Garnett da intensidade. Kevin Garnett da emoção. Kevin Garnett que chora ao ver um fã que ESCREVEU seu eterno número 21 em seu olho (mais aqui). Kevin Garnett das defesas implacáveis. Kevin Garnett dos duelos épicos contra Tim Duncan. Kevin Garnett dos arremessos certeiros das extremidades do garrafão. Kevin Garnett do sangue de suor, ou do suor de sangue. Kevin Garnett das flexões DURANTE os jogos. Kevin Garnett com joelho estourado pedindo para, em 2009, jogar uma partida de número 5 contra o Chicago Bulls e brigando com Doc Rivers porque o técnico achou que ele estava brincando (não, KG NÃO estava). Kevin Garnett demolidor de Gasol na final de 2008. Kevin Garnett que fez Glen Davis chorar com uma bronca histórica. Kevin Garnett enigmático no Nets. Kevin Garnett do Big 3 mágico do Boston com Paul Pierce e Ray Allen. Kevin Garnett ser humano que fica transtornado quando Allen sai do Celtics e vai para Miami se juntar a LeBron James. Kevin Garnett animal feroz em todos os 21 anos de sua vida profissional. Kevin Garnett do longo abraço emocionado em Kevin McHale logo depois que McHale perdeu a sua filha.

garnett2Kevin Garnett era tudo isso. E eu admirava Garnett por isso tudo. Tentava compreender de onde saiu aquela fome toda. Jamais desvendei. Sempre venerei. Ele era a síntese da NBA que eu e muitos de vocês começamos a gostar no final da década de 90. A sequência de Charles Barkley e Karl Malone. Com seus erros, acertos e tudo mais. Guerreiro, matreiro, trash-talker, intenso, empolgante, evolutivo, maluco na medida certa, defesa forte, líder. Craque. Gênio. Fantástico.

Deixo abaixo alguns vídeos de sua brilhante carreira, mas confesso que fui dormir nesta sexta-feira com uma mistura de agradecimento a Kevin Garnett e uma tristeza de saber que não mais o verei em quadra. E foi maravilhoso assisti-lo por duas décadas. Nunca torci por nenhum de seus times. Sempre torci por você, adorável maníaco. Por você, que cravou seu nome na história da liga e os corações de gerações e gerações, e por sua alma deixada noite após noite nas quatro linhas. Você representou a essência do jogo, a mágica do basquete, a disciplina do esporte e a todos os torcedores na quadra com sua luta feroz. Todos éramos Kevin Garnett. Kevin Garnett era todos nós. Muito obrigado, KG.