Bala na Cesta

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O dia em que o destro Larry Bird arremessou com a mão esquerda e fez 47 pontos
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Fábio Balassiano

Larry Bird é considerado um dos melhores arremessadores de todos os tempos. Com 729 bolas de três pontos convertidas em sua carreira, três títulos do torneio de três pontos no All-Star Game, três títulos da NBA e três vezes MVP, um dos maiores ídolos do Boston Celtics fez da sua mão direita a sua maior arma. Mas o que aconteceria se ele, por um acaso, fizesse um jogo todo chutando com a canhota?

Muita gente se perguntava isso até 1986, quando Bird, cansado após uma série de cinco jogos fora de casa para abrir o mês de fevereiro daquele ano, falou com Bill Walton, seu companheiro de Celtics na época: “Sabe de uma coisa, Bill. Hoje contra o Portland eu vou arremessar tudo com a mão esquerda. Vamos ver o que sai“. Bill, pai do hoje técnico do Lakers e que anos antes havia sido campeão com a camisa do Blazers, coçou a cabeça, disse que não era uma boa ideia, mas não adiantou.

Larry Bird estava com aquilo na cabeça e arremessaria apenas com a mão trocada, com a mão menos treinada, com a canhota na noite de 16 de fevereiro de 1986 diante de 12 mil pessoas que foram ver Portland x Boston naquela noite.

O resultado? Boston 120 x 119 Portland na prorrogação. A performance de Larry Bird? Surreais 47 pontos (21/34 nos arremessos), 14 rebotes, 11 assistências, bola para empatar o jogo no quarto período e arremesso para dar a vitória no tempo extra. Para ser justo, em uma contagem a partir do vídeo abaixo é possível ver que, com a canhotinha, Bird teve 10/21 nos chutes e somando 24 pontos (11/13 nos tiros e 23 pontos com a direita portanto), o que não deixa de ser um feito.

Fica a lição definitiva: nunca duvidemos dos mitos. Larry Bird é um deles. Ah, e no final daquele mágico ano de 1986 o Boston foi campeão da NBA ao vencer o Houston Rockets na final por 4-2. Com a esquerda ou com a direita Bird sempre será um dos melhores de todos os tempos.


Ídolo do Boston, Paul Pierce joga contra o Celtics pela última vez na carreira neste domingo
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Fábio Balassiano

pierce1Todos os olhos dos Estados Unidos estão voltados para o Superbowl que acontece logo mais entre New England Patriots e Atlanta Falcons, mas pouco acontece haverá um evento pra lá de especial em Boston.

Os verdes recebem o Los Angeles Clippers às 17h de Brasília naquela que poderia ser apenas uma singela partida de fase regular. Não fosse o fato de Paul Pierce, atualmente no Clippers, fazer o último jogo de sua carreira profissional em Boston neste domingo. No começo dessa temporada The Truth, como é conhecido, afirmou que esta seria a última temporada de sua carreia.

Um dos grandes ídolos recentes da franquia, Pierce jogou 15 temporadas em Boston, foi campeão em 2008 e MVP das finais no mesmo ano antes de ser trocado para o Brooklyn Nets. Em 2013/2014, inclusive, foi homenageado pela equipe quando visitou o TD Garden vestindo a camisa do Nets. Se emocionou com os aplausos dos torcedores dos Celtics, foi às lágrimas e agradeceu longamente.

Tem tudo pra ser emocionante o último encontro de Paul Pierce com a torcida do Boston!


Fim de uma Era: camisas da NBA terão patrocínio – veja como ficará a do Celtics
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Fábio Balassiano

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Uma das maiores tradições dos esportes americanos está chegando ao fim. Primeira das quatro grandes ligas dos Estados Unidos (Baseball, Futebol Americano, Basquete e Hóquei) a abrir mão das famosas “camisas limpas” de patrocínio, a NBA liberou as suas 30 franquias e estampar a marca de um patrocinador na parte frontal de seus uniformes para um período de testes de três anos. E alguns destes times já estão fechando seus negócios.

celtics2Nesta quarta-feira foi a vez do Boston Celtics, maior vencedor da história da NBA com 17 títulos, anunciar o seu patrocínio. Foi com a empresa General Eletric (GE), que além de ter a sua marca estampada no lado esquerdo do tradicional uniforme verde e branco apoiará a equipe em ações fora da quadra.

O valor e o tempo do contrato não foram divulgados, mas estima-se que tenha ficado entre os US$ 10 e os US$ 15 milhões em 2017/2018, mesma temporada em que a Nike também colocará a sua logo do lado direito das camisetas de 29 das 30 camisas. Apenas no Charlotte Hornets, cujo proprietário é ninguém menos que Michael Jordan, é que será vista a do Jordan Brand, subsidiária da Nike.

sixers1Antes do Boston, o Philadelphia 76ers fechou com o StabHub (ingressos online) por US$ 5 milhões, mesmo valor do Sacramento Kings com a Blue Diamonds Almonds (alimentos).

Outros acordos de patrocínio serão anunciados nos próximos meses, e times como o Golden State Warriors e o Cleveland Cavs, finalistas nas duas últimas temporadas, estão buscando montantes de até US$ 20 milhões por ano. Um detalhe interessante é que as camisas que serão vendidas pela NBA em suas lojas oficiais aos torcedores não terão as marcas dos patrocinadores. Dentro dos ginásios as franquias têm a liberdade de vender tanto as com a marca dos patrocinadores quanto a verão “limpa” de marcas.

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Como um armador baixinho e desprezado no Draft virou o novo ídolo do Boston Celtics na NBA
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Fábio Balassiano

kyrieNo dia 23 de junho de 2011 todos os olhos daquele Draft estavam em Kyrie Irving e Derrick Williams. De Universidades renomadas (Duke e Arizona, respectivamente), eles seriam escolhidos nas duas primeiras posições por Cleveland Cavs e Minnesota Timberwolves. Primeiro a selecionar, o Cavs mandou ver em Kyrie, e vocês sabem o que o camisa 2 tem feito em Ohio desde que entrou na liga. O Minnesota não teve muita dúvida e foi em Derrick Williams logo depois. Enes Kanter, Tristan Thompson, Jonas Valanciunas, Jan Vesely, Bismack Biyombo, Brandon Knight, Kemba Walker e Jimmer Fredette seguiram a ordem das primeiras dez posições em uma noite que teve uma das trocas mais incríveis da história da NBA. O Indiana pegou George Hill, armador, mas despachou o seu pick, um rapaz chamado Kawhi Leonard (décima-quinta posição) para o San Antonio Spurs. Três anos depois Kawhi seria não só campeão, mas MVP das finais de 2014 com a franquia texana. Dois anos depois o Pacers mandaria Hill pra Utah.

isaiahO Draft seguiu, nomes como Klay Thompson (o décimo-primeiro) surgiram, fechou a sua primeira rodada com Jimmy Butler, do Chicago Bulls, mas segundas rodadas normalmente aparecem gringos que serão emprestados pelas franquias da NBA para a Europa. E assim a noite de 23 junho ia acabando. Nas posições 54, 56, 57, 58 e 59, só estrangeiro (Milan Mačvan, da Sérvia, Chukwudiebere Maduabum, da Nigéria, Tanguy Ngombo, do Catar, Ater Majok, da Austrália, e Ádám Hanga, da Hungria) e ao que tudo indicava a última escolha daquele dia iria pelo mesmo caminho. Mas é o Sacramento Kings, sabe como é. Os caras são diferentes – para o bem ou para o mal. E havia um baixinho disponível ainda. Era Isaiah Thomas, de 1,75m e produto da Universidade de Washington. Como assim alguém que teve três temporadas seguidas com no mínimo 15 pontos de média seria ignorado? Os dirigentes da Califórnia matutaram isso, viram que só tinham Tyreke Evans como armador no elenco e pensaram em Isaiah para ser reserva de Evans. Era uma opção. A última opção. E assim foi feito.

isiah3Um fato interessante sobre o nome da escolha de número 60 é que ele foi dado devido a uma aposta. Seu pai James, cujo time do coração era o Los Angeles Lakers, perdeu uma brincadeira para um amigo cujo time era o Detroit Pistons, do craque Isiah Thomas. James, então, prometeu que seu filho teria o nome do craque do time rival. E assim foi feito, mas com uma ressalva. A futura mamãe gostava do nome, mas não exatamente pelo basquete. Tina gostava da pronúncia que lembrava a do nome bíblico de um profeta e cujo significado era salvação. Entre a aposta do pai e o desejo bíblico da mãe, o casal Thomas se acertou em pagar a aposta com um asterisco. Nascia em 7 de fevereiro de 1989 Isaiah Jamar Thomas em Tacoma, Washington. E querem ver uma coisinha engraçada? Meses depois do nascimento de Isaiah os Lakers perderam a final para o Detroit, de Isiah.

Isaiah3Sua carreira na NBA começou no banco. Muito banco. Até o dia 26 de dezembro ele sequer havia pisado na quadra. Foi quando o técnico Keith Smart chamou Isaiah para fazer a sua estreia contra… o Los Angeles Lakers, time do pai. Foram 13 minutos, 5 pontos e 2 assistências. No dia seguinte contra o Portland, mais 11 minutos e 6 pontos. No começo de 2012, a primeira partida com mais de 10 pontos de sua carreira. Diante do Memphis em 3 de janeiro, 15 pontos em 16 minutos. Menos de 10 dias depois, a primeira vez com 20 pontos (contra o Toronto em 11/01). Não se tratava, obviamente, de um jogador de segunda rodada como os outros que a liga conhecia.

Isaiah31A temporada seguiu, Isaiah mostrou que não era apenas um baixinho atrevido, tornando-se, na verdade, uma grandíssima e importante arma vindo do banco. Rápido, corajoso, ótimo drible e excelente controle de bola, ele era um inferno para as defesas adversárias, forçando imensos ajustes de cobertura por parte dos rivais e obviamente criando espaços para seus companheiros. O jovem de 22 anos emplacou até uma sequência de oito partidas seguidas com 10+ pontos entre 15 de fevereiro e 2 e março em 2011. No final da temporada, as médias de 11,5 pontos, 4,1 assistências e 25,5 minutos chamavam a atenção, mas na verdade eram diminuídas pelo seu começo com poucos minutos. No total foram 22 dos seus 65 jogos somando 15 ou mais pontos. A fábula da carreira do pick 60 de 1,75m que jogaria muito bem na NBA virava realidade quando, depois do All-Star Game de 2012 Thomas não seria apenas um reserva, mas sim titular da equipe.

Isaiah311Nos dois anos seguintes, a consolidação. Em 2012/2013, 13,9 pontos e 4 assistências em 79 partidas (62 como titular). Em 2013/2014, 20,3 pontos e 6,3 assistências em 72 jogos (54 como titular). Pra azar do Kings, era seu último ano de contrato e o baixinho chamava a atenção. O Phoenix decidiu pagar US$ 27 milhões por 4 anos para reforçar o seu perímetro e o Sacramento preferiu não cobrir a oferta. A ideia que parecia ser boa, porém, acabou se tornando trágica para o Suns, que teria Goran Dragic, Eric Bledsoe e Isaiah disputando espaço, minutos e o vestiário na armação. A franquia precisaria escolher um ou dois deles. E parecia sobrar para Thomas, que nem estava tão mal assim (15,2 pontos em 46 jogos vindo do banco). Logo depois Dragic foi despachado para Miami, ficando apenas Bledsoe por lá.

Isaiah23No dia 19 de fevereiro os rumores se confirmaram. Boston enviou Marcus Thornton e mais um pick para ficar com o baixinho. O primeiro jogo dele vestindo verde (adivinhem) foi contra… o Los Angeles Lakers. Ao todo, 21 pontos vindo do banco, mas uma discussão com a arbitragem fez Isaiah ser expulso. Entrando no vestiário, o camisa 4 pensou que seria repreendido, mas um profissional da comissão técnica o puxou pelo ombro, deu-lhe um abraço e disse: “Cara, ser expulso contra o Lakers logo na estreia? A torcida do Celtics vai amar você. Não abaixe a cabeça”. O menino ouviu. Nos 21 jogos daquela temporada, 19 pontos e 5,4 assistências vindo do banco.

isaiah2No ano seguinte, em 2015/2016, o técnico Brad Stevens lhe conferiu a armação titular. Caberia ao rapaz de 1,75m comandar um dos times mais tradicionais da história da NBA. E como Isaiah Thomas respondeu? Com 22,2 pontos e 6,2 assistências em 32 minutos de média. E sendo um All-Star. E sendo ídolo de uma franquia. E sendo ídolo e principal referência de uma equipe como o Boston Celtics, maior ganhador da NBA.

O roteiro do filme, ou da fábula, já estaria de ótimo tamanho, mas Isaiah, que ainda recebe o salário daquele acordo com o Phoenix Suns que vai até 2017/2018 (é apenas o quinto mais bem pago do Boston na temporada), queria mais para a temporada 2016/2017.

Isaiah4Ficou feliz quando Al Horford foi contratado por quase US$ 120 milhões/4 anos, mas aquele já era o seu time – e continuaria sendo. Na temporada 2016/2017 são 28,4 pontos, 6,1 assistências e 34 minutos de média, um absurdo total e deixar até mesmo Isiah Thomas, mito do Pistons, de boca aberta. O cara é simplesmente o quarto maior cestinha da melhor liga de basquete do planeta, à frente de bambas como Steph Curry, Kevin Durant, DeMar DeRozan, DeMarcus Cousins, Damian Lillard, Lebron James, entre outros. Repito: isso com 1,75m e sendo o pick 60 do Draft de 2011. No Boston Celtics.

Isaiah36Já seria uma história e tanto, não? E se eu disser a vocês que ele é o cestinha do Boston com mais de 10 pontos de vantagem em relação ao segundo maior pontuador da equipe (Avery Bradley tem 17,7 de média)? E se eu disser a vocês que o baixola coloca os Celtics como terceiro time do Leste com 26-15? E se eu disser a vocês que no dia 30 de dezembro ele fez 52 pontos, sendo 29 no último período (maior marca da franquia)? E se eu disser a vocês que desde 19 de novembro o rapaz não tem NENHUMA partida com MENOS de 20 pontos?

Isaiah73Não sei se há história melhor nesta temporada 2016/2017. Um rapaz de 1,75m que tem o nome dado por causa de uma aposta vai pra NBA na última posição do Draft, começa no Sacramento, assina contrato milionário com o Phoenix, é despachado para o Boston, onde a pressão é enorme, mas lá vira ídolo. E que ídolo. Antes do campeonato disse que Isaiah não era armador de time campeão, embora o achasse espetacular. Se ele será campeão nesta liga ainda não dá pra saber, mas o cara é um vencedor. Vencedor que está desmentindo todo mundo que ainda teima em duvidar de sua capacidade desde 2011. Isaiah, corajoso ao extremo, está no caminho para colocar os verdes entre os melhores do Leste – e quem sabe avançar pesado com o elenco na pós-temporada

Baixinho atrevido, craque de bola, All-Star em 2017 mais uma vez e candidato, sim, a MVP da temporada. Que belíssimo roteiro de vida, e de filme, tem Isaiah Thomas.


Os 30 da NBA: Sem O cara, Celtics tentam subir outro degrau na temporada
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Fábio Balassiano

stevens1Quando começou a sua reconstrução em 2013/2014 o Boston sabia que iria sangrar um pouco. De time que foi a duas finais em três anos os Celtics arregalaram o olho quando conquistaram apenas 25 vitórias em 13/14, mas começaram a sorrir quando nos dois campeonatos seguintes chegaram a 40 e 48 triunfos na fase regular com o fantástico Brad Stevens (foto) como técnico.

Com milhares de picks de Draft ainda devido às trocas mais recentes, os verdes chegam confiantes para a temporada 2016/2017 da NBA, onde tentarão enfim voltar a vencer uma série de playoff, algo que não ocorre desde 2012, mas a pergunta que fica é: como lidar com o fato dos Celtics não terem um craque para chamar de seu?

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celtics1Chegou, é claro, o excelente e subestimado Al Horford (foto) para reforçar a equipe e ser o pivô de alto nível que o Boston não tem sabe-se lá há quantos anos. Veio, também, o razoável Gerald Green para ajudar na rotação da ala, bem como o calouro Jaylen Brown. Falta O cara, falta O craque, falta alguém que a franquia possa olhar e dizer “caramba, agora dá pra sonhar com alguma coisa grande”.

A ideia do Celtics era ter nessa alcunha ninguém menos que Kevin Durant. Foi tentado de tudo, inclusive com Tom Brady participando da reunião final entre os verdes e KD. Nada feito, Durantula foi parar no Golden State e o Boston precisará continuar com seu belo trabalho de reconstrução com ótimos jogadores – ótimos, mas nenhum craque.

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isaiah1Aparentemente o time titular será formado por Isaiah Thomas, Avery Bradley, Jae Crowder, Amir Johnson e Horford, com o banco tendo, entre outras opções, Marcus Smart, Gerald Green, Jaylen Brown, Jonas Jerebko e outro punhado de garotos que saíram do Draft.

O elenco do Boston é tão recheado de jovens que os dois mais velhos são Horford e Green, que têm 30 anos. No grupo há nada menos que 11 atletas com 23 ou menos anos de idade, em uma clara prova de que ainda há muita coisa a se fazer por lá.

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ainge11Gosto muito de Brad Stevens, o técnico, e consigo enxergar consistência e qualidade nas ações de Danny Ainge, o gerente-geral da franquia. Ainge, aliás, foi muito criticado por trocar Kevin Garnett e Paul Pierce, mas é muito por causa da saída destes dois fenômenos que o Boston tem conseguido se reerguer com picks e mais picks de Draft e espaço na folha salarial para pagar jogadores como Horford, que ganhará US$ 113 milhões pelos próximos quatro anos. A cereja do bolo do manda-chuva do Celtics, porém, seria a contratação de um craque que pudesse dar sustentação aos mais jovens, algo que acabou não ocorrendo ainda.

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celtics2Para o Boston não dá pra dizer que foi um verão americano perdido. Não, não é isso. Al Horford é All-Star, vai trazer muita qualidade e experiência a um jovem elenco e quem sabe os Celtics não consigam atingir as 50 vitórias pela primeira vez em cinco anos.

Mais do que isso porém, me parece um passo que o Boston ainda não será capaz de dar na temporada 2016/2017 da NBA. Que a franquia foque em subir um degrau de cada vez. O do próximo campeonato é avançar da primeira rodada do playoff.

Campanha em 2015/2016: 48-34
Projeção para 2016/2017: Vai pro Playoff (entre 49 e 54 vitórias).
Olho em: Al Horford


Paul Pierce anuncia aposentadoria, e ‘NBA da década de 90’ está chegando ao fim
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Fábio Balassiano

pierce1Parece que foi combinado, né? Menos de uma semana depois de Kevin Garnett anunciar a aposentadoria das quadras, foi a vez de Paul Pierce, que jogou com KG no Boston campeão de 2008, enviar um texto ao Players Tribune informando que 2016/2017 será a sua última temporada como atleta profissional. Aos 38 anos, The Truth, como é conhecido, jogará o seu décimo-nono campeonato com o Los Angeles Clippers e dará adeus ao basquete.

nba90sA saída de cena de Pierce merecerá um texto à parte no dia 5 de fevereiro, quando o craque jogará contra o “eternamente seu” Boston Celtics pela última vez (foram 15 temporadas com o verde mais famoso da NBA) e também na semana de sua despedida, em maio, junho de 2016.

Por enquanto vale refletir que com as aposentadorias recentes de Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e agora Paul Pierce restarão, caso continuem jogando em 2017/2018, apenas cinco jogadores em atividade que atuaram na década de 90 (final do Século XX portanto). São eles Dirk Nowitzki, do Dallas e de 38 anos. Vince Carter, do Memphis e de 39.  Jason Terry, agora no Bucks e também de 39. Elton Brand, de 37 e com o Sixers. E Ron Artest, no Lakers aos 36. Na NBA desde 1999, o pivô Nazr Mohammed ainda está sem clube.

pierce2havia notado isso quando da convocação para o All-Star Game de 2015, mas agora está mais claro do que nunca que a NBA passa por uma troca de guarda como a que aconteceu quando Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Karl Malone e Isiah Thomas, entre outros, deixaram o bastão da liga para Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e outros projetos de craques que surgiam à época.

Paul Pierce, assim como Kobe, Duncan e Garnett, nasceu para o basquete no final da década de 90. Foi calouro com o Boston em 1998/1999, a temporada do locaute, aprendeu com a turma mais antiga que a dele, ralou nas ostras para recolocar os Celtics de novo nos trilhos (quase uma década depois que disputou, e ganhou, a sua primeira final) e se consagrou como um dos maiores ídolos de uma das franquias mais tradicionais do esporte americano.

pierce2Ainda passou por Brooklyn Nets, Washington Wizards e agora está no Los Angeles Clippers para fechar a sua brilhante carreira na NBA, mas a verdade é que ninguém se lembrará disso daqui a 20, 30 anos. Paul é o nome e seu sobrenome será sempre Boston Celtics.

Pierce será um dos últimos do Século XX a se despedir das quadras. Fez parte do “boom” internacional da liga e muitos dos que acompanham nos dias de hoje no Brasil começaram a amar a NBA naquela época. Época de Bandeirantes com Luciano do Valle, época de transmissões na TNT e na ESPN (algumas vezes só em inglês, outras vezes travando o sinal nos últimos dois minutos do quarto período…), época de um dos slogans mais famosos da liga, o “I Love This Game“, época de Michael Jordan. Época de muita coisa que, vejam só, hoje parece nostalgia.

Estamos ficando todos muito velhos. Continuamos amamos este jogo. Eternamente seremos gratos a Paul Pierce a aos “velhinhos” da década de 90 que nos fizeram abrir os olhos para o melhor esporte de todos.


Adorável maníaco, Kevin Garnett se despede do basquete – vai deixar saudade
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Fábio Balassiano

nba1O dia 28 de junho foi especial pro basquete. Foi a primeira vez que a NBA fez a sua cerimônia de Draft fora dos Estados Unidos. Em Toronto, Joe Smith foi o primeiro colocado na seleção dos atletas, indo para o Golden State. O Denver Nuggets fisgou Antonio McDyess após troca com o Clippers. Jerry Stackhouse parou no Sixers. Rasheed Wallace, no Washington Bullets. O Toronto Raptors, o time local que tinha a sétima escolha, já salivava com a possibilidade de colocar o plano mirabolante de seu gerente-geral Isiah Thomas em prática. Isiah falava garoto de 19 anos que pularia do segundo grau direto para a liga profissional norte-americana com brilho nos olhos. Para não prejudicar a sua formação, o GM torontino cogitava jogar Kevin Garnett apenas nos 41 jogos em casa para que ele pudesse fazer a faculdade com tranquilidade.

garnett1O problema para Isiah é que alguém que conhecia muito da posição de ala-pivô tinha planos para aquele rapaz de braços longos e 2,11m. Era Kevin McHale, recém-contratado como Gerente-Geral do Wolves e que meses antes viu Garnett jogando na Farragut Academy, em Chicago, onde teve surreais 25,2 pontos, 17,9 rebotes, 6,7 assistências e 6,5 tocos.

Se era para começar a remodelar a franquia, nada melhor do que sangue novo. Assim, com a quinta posição do Draft de 1995, o Minnesota selecionaria Kevin Garnett. Vinte e um anos se passaram daquele 28 de junho de 1995, KG virou Big-Ticket, apelido carinhoso em alusão ao fato de as torcidas rivais lotarem ginásios para vê-lo jogar em seus tempos de Wolves, ganhou um título com o Boston em 2008 gritando loucamente na comemoração uma de suas frases mais conhecidas (“Tudo é possível, tudo é possível“), foi para o Brooklyn Nets e retornou ao Minnesota em 2014/2015, onde brigou demais contra seu corpo para se manter em quadra naquela e na temporada 2015/2016.

KG_TD_KobeOntem, porém, Kevin Garnett optou por não mais disputar contra seu físico. Baixou a guarda, e aos 40 anos decidiu rescindir seu contrato com o Minnesota para anunciar a aposentadoria no mesmo ano que outras duas lendas da modalidade, os seus contemporâneos Kobe Bryant e Tim Duncan. Momento triste para quem acompanhou o cara durante praticamente toda a carreira, venerando seu lado intenso, indomável na quadra e uma técnica que foi se refinando aos poucos e com horas e horas de trabalho extra no ginásio. KG não entrou craque na liga em 1995. KG se formou craque na NBA treinando como um maluco, aprendendo com os melhores e evoluindo ano após ano. Não é qualquer ser humano deste planeta que consegue por 18 temporadas seguidas ter 10+ pontos de média. Ele conseguiu e isso se deve a uma singela razão: Kevin Garnett era um maníaco por treinamentos. Aquele clichê que diz que ele era o “primeiro a chegar e o último a sair do ginásio” se aplica a ele.

Kevin GarnettKevin Garnett da intensidade. Kevin Garnett da emoção. Kevin Garnett que chora ao ver um fã que ESCREVEU seu eterno número 21 em seu olho (mais aqui). Kevin Garnett das defesas implacáveis. Kevin Garnett dos duelos épicos contra Tim Duncan. Kevin Garnett dos arremessos certeiros das extremidades do garrafão. Kevin Garnett do sangue de suor, ou do suor de sangue. Kevin Garnett das flexões DURANTE os jogos. Kevin Garnett com joelho estourado pedindo para, em 2009, jogar uma partida de número 5 contra o Chicago Bulls e brigando com Doc Rivers porque o técnico achou que ele estava brincando (não, KG NÃO estava). Kevin Garnett demolidor de Gasol na final de 2008. Kevin Garnett que fez Glen Davis chorar com uma bronca histórica. Kevin Garnett enigmático no Nets. Kevin Garnett do Big 3 mágico do Boston com Paul Pierce e Ray Allen. Kevin Garnett ser humano que fica transtornado quando Allen sai do Celtics e vai para Miami se juntar a LeBron James. Kevin Garnett animal feroz em todos os 21 anos de sua vida profissional. Kevin Garnett do longo abraço emocionado em Kevin McHale logo depois que McHale perdeu a sua filha.

garnett2Kevin Garnett era tudo isso. E eu admirava Garnett por isso tudo. Tentava compreender de onde saiu aquela fome toda. Jamais desvendei. Sempre venerei. Ele era a síntese da NBA que eu e muitos de vocês começamos a gostar no final da década de 90. A sequência de Charles Barkley e Karl Malone. Com seus erros, acertos e tudo mais. Guerreiro, matreiro, trash-talker, intenso, empolgante, evolutivo, maluco na medida certa, defesa forte, líder. Craque. Gênio. Fantástico.

Deixo abaixo alguns vídeos de sua brilhante carreira, mas confesso que fui dormir nesta sexta-feira com uma mistura de agradecimento a Kevin Garnett e uma tristeza de saber que não mais o verei em quadra. E foi maravilhoso assisti-lo por duas décadas. Nunca torci por nenhum de seus times. Sempre torci por você, adorável maníaco. Por você, que cravou seu nome na história da liga e os corações de gerações e gerações, e por sua alma deixada noite após noite nas quatro linhas. Você representou a essência do jogo, a mágica do basquete, a disciplina do esporte e a todos os torcedores na quadra com sua luta feroz. Todos éramos Kevin Garnett. Kevin Garnett era todos nós. Muito obrigado, KG.


O incrível Celtics apronta outra – vitória por um ponto contra o Cavs
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Fábio Balassiano

O jogo de ontem não começou bem para o Boston Celtics. Com dores no tornozelo, Jae Crowder precisou convencer a comissão técnica que jogaria sem maiores danos ao seu corpo. Amir Johnson cometeu duas faltas em menos de cinco minutos. E o Cleveland Cavs, em casa e melhor time do Leste, abriu 17-6 logo de cara com esse drible incrível de Kyrie Irving em cima de Avery Bradley.

bradMas sabe como é. É o time de Brad Stevens, um dos mais organizados da NBA nesta temporada como disse aqui nesta semana, e os verdes não iriam desistir tão fácil assim. Após levarem 32-20 no primeiro período reagiram fazendo 23-17 no segundo quarto e foram lutando até o final. Contaram com a saída de Kevin Love (sentiu lesão na perna, foi examinado e foi pro vestiário, não retornando à partida), mas perdiam de 101-96 com apenas 18 segundos por jogar.

Aí a mágica do basquete se fez presente. Vamos aos fatos:

96-101 (18” por jogar): Jae Crowder acerta seu único arremesso de três (teve 1/9 o voluntarioso ala)
99-101 (07” por jogar): Kyrie Irving mata seus dois lances-livres
99-103 (06” por jogar): Evan Turner converte bandeja e sofre falta do “gênio” JR Smith
101-103 (06” por jogar): Evan Turner erra lance-livre, e na disputa de bola a arbitragem marcou, acertadamente, a posse para os Celtics.

Vídeo a partir de 06:40:

Última chance. Posse de bola do Celtics com três segundos por jogar. Aí você clica no vídeo e dá uma olhada no que aconteceu:

bradleyPois é. É isso mesmo que você viu. Enquanto a arbitragem revisava se a bola era mesmo do Celtics, Brad Stevens armou uma jogava para Isaiah Thomas. Com tudo cercado, o camisa 4 passou a bola para Avery Bradley, que, marcado, ainda teve que driblar antes de chutar (isso tudo com menos de dois segundos).

O camisa 0 fintou, jogou pra cima e o Boston venceu em Cleveland por 104-103 (quarta derrota do Cavs em casa apenas) para chegar a terceira vitória consecutiva e a 30-22 na temporada, mantendo-se na terceira posição do Leste.

bradley2A temporada não acabou, eu sei disso, mas até o momento o prêmio de Técnico do Ano vai para Brad Stevens. E o Boston Celtics merece uma menção especial pelo que vem conseguindo nesta temporada. Com elenco pra lá de modesto os verdes se colocam entre os grandes e conseguem sair de buracos, como o de ontem em Cleveland, que muito time mais “cascudo” não sabe bem o que fazer.


Omelete sem ovo, Boston Celtics já está em terceiro no Leste
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Fábio Balassiano

stevens1Primeiro você clica aqui e olha o elenco do Boston. Depois aperta aqui e veja em que posição os Celtics estão na temporada 2015-2016 da NBA. Sim, é isso mesmo. Beira o inacreditável que a equipe do excelente Brad Stevens (foto) esteja agora com 29-22 (venceu ontem o Detroit em casa por 102-95 com seis jogadores em dígitos duplos e chegou ao sétimo triunfo nos últimos oito jogos) e já na terceira posição do Leste, atrás apenas do Cleveland Cavs e do Toronto Raptors, mas à frente de Chicago Bulls e Miami Heat, duas franquias apontadas sempre como as “bambas” da conferência.

thomasO mais surreal disso tudo é que as três principais estrelas do Boston Celtics nesta temporada tiveram posições BEM modestas em seus Drafts. Líder do time em pontos (21,5) e assistências (6,6), o baixinho Isaiah Thomas (de 1,75m e na foto) foi o ÚLTIMO no Draft de 2011 (sim, é isso mesmo, ele veio na 60ª escolha pelo Sacramento Kings). “Rato de treinamento”, Isaiah foi crescendo no Kings, onde chegou a ter a incrível média de 20,3 pontos em 2013/2014, não foi muito bem em Phoenix e, trocado para os Celtics, lidera a franquia deste o campeonato passado. Seu prêmio? Ter sido escolhido para o All-Star Game de Toronto na próxima semana, tornando-se o jogador com pick mais baixo de Draft a alcançar tal feito.

bradleyOutro que tem jogado muito bem é Avery Bradley. Escolhido em 2010 na posição 19, Bradley ainda viveu os tempos derradeiros do Big 3 (ou 4, com Rajon Rondo) do Boston. Treinou com Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett, e teve espaço (e a paciência da franquia) para ir evoluindo. Saiu-se 14,9 pontos em 2013/2014 de média, caiu um pouco no campeonato passado (13,9), mas em 2015/2016 Bradley tem sido muito bom no lado ofensivo (14,8 pontos) e soberbo na defesa ao contestar os arremessos de seus rivais no perímetro e também ao cobrir a marcação de Isaiah Thomas, que até se esforça, mas que devido a altura em vários momentos sofre para marcar adversários no post-up (jogo de costas pra cesta).

dupla1O bom de Bradley e Thomas é que, além de ainda estarem em franca evolução, seus contratos vencem apenas em 2017/2018, dando tempo para o Boston se planejar com seus 715 picks nos próximos anos sem muita pressa e sabendo que nas posições 1 e 2 há atletas de bom nível e com margem de melhora. O mesmo pode-se dizer de Jae Crowder, grande revelação dos Celtics nesta temporada (um dos que mais me chamam a atenção no certame aliás). Contratado na troca que tirou Rajon Rondo do time verde em 2015, Crowder se tornou uma espécie de DeMarre Carroll (ex-Atlanta e agora no Toronto) de Brad Stevens e renovou recentemente por pouco (US$ 35 milhões por cinco anos).

crowderCrowder é o “capitão” defensivo da equipe, relegando seus oponentes a terríveis 36% nos arremessos. O cara consegue, também, marcar alas-pivôs mais baixos perto da cesta, e é o jogador que, nas extremidades, espera os passes das infiltrações de Thomas e Bradley. Escolhido na quarta posição da segunda rodada do Draft de 2012, Jae, de apenas 1,98m mas com potencial físico imenso, teve 9,5 pontos nos seus 57 jogos no campeonato passado e agora registra 14,3 pontos, 5,1 rebotes e 1,7 roubo por partida. Ótima média para alguém que mal jogava pelos Mavs (10 minutos em 2014/2015) e para quem tem evoluído a cada ano em seus arremessos (seus 32% nas bolas de fora já saltaram para 36% neste certame).

celticsComo se vê, quase metade dos 104,6 pontos por jogo do Boston sai do trio Thomas, Bradley e Crowder, que jamais poderia ser apontado como espinha dorsal de um time que estaria, a esta altura dos acontecimentos, na terceira posição do Leste (por mais instável que seja a conferência). Colocar o mérito dos Celtics apenas no trio seria incorreto, no entanto. A pergunta que deve ser feita é: como um elenco que tem, além destas três peças (nenhum craque!), atletas como Evan Turner, Kelly Olynyk, Jared Sullinger, Marcus Smart, Amir Johnson e Tyler Zeller está conseguindo ir tão longe?

celtics1O mérito do Boston, e o trabalho de Brad Stevens deve ser exaltado por isso a cada minuto, é que a franquia tem conseguido desenvolver os jogadores DURANTE a temporada da NBA, ganhando jogos e sem entrar em desespero para contratar uma grande estrela a qualquer custo (rumores já colocaram DeMarcus Cousins e agora colocam Dwight Howard como pivô dos Celtics – grande deficiência do elenco, aliás), não mexendo no planejamento de Danny Ainge, o gerente-geral que tem tido paciência para montar um time sem grandes loucuras.

celtics2Com Stevens, que saiu do basquete universitário há duas temporadas e parece não sentir a menor pressão de estar na NBA, a franquia saiu de 25 vitórias em 2013/2014 para possíveis 50 em 2015/2016. Uma baita aula de construção de elenco, de altruísmo dentro de quadra (são 24 assistências nos 39 arremessos convertidos por noite), de defesa forte (o time tem um dos melhores sistemas de rotação da NBA atual) e de como é possível jogar um basquete competitivo mesmo sem grandes estrelas.

NBA: New York Knicks at Boston CelticsSe é possível ir mais longe do que os Celtics têm ido assim (sem grandes craques)? Eu acho que não (infelizmente até), mas a realidade é que este Boston não “deveria” nem chegar aos playoffs. Criticá-lo por não ir longe em um eventual mata-mata é algo que não farei. Vale, pra mim, exaltar o que Isaiah Thomas e companhia têm feito nos Celtics nesta temporada, algo louvável em tempos de estrelas cada vez mais mimadas e de técnicos cada vez mais sem comando.


No penúltimo dia do ano, a derradeira partida de Kobe Bryant em Boston
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Fábio Balassiano

kobe24Tinha tudo pra ser um dia morno na NBA, né? Penúltimo dia do ano, muita gente viajando. Aí você abre o calendário e dá uma olhadinha com atenção (o print foi tirado no domingo, hein). Seria mais um dos inúmeros Lakers x Celtics da história das duas maiores franquias da história da liga. Seria.

O 30 de dezembro de 2015 marca, também, o último jogo de Kobe Bryant no ginásio do maior rival do Los Angeles Lakers, o Boston Celtics. Ginásio que, contra Kobe, presenciou duas decisões da NBA (em 2008 com título verde; em 2010, caneco angelino – este conquistado com vitória no sétimo jogo em Los Angeles).

kobe2Por isso este quase derradeiro dia de 2015 é pra lá de especial. Especial por ver Kobe Bryant pisando no TD Garden (eu sempre escrevo Boston Garden e depois mudo…), onde já foi muito vaiado (normal em se tratando da rivalidade que há entre as duas franquias), e muito especial porque todos querem saber qual será a reação da torcida dos Celtics diante de um dos maiores ídolos daquele que provavelmente é o maior rival verde na história da NBA.

kobe24A propósito da rivalidade vale falar um pouco sobre respeito e civilidade. Quando Kobe anunciou a aposentadoria das quadras um jovem de Boston chamado Jonathan Jacobsen, autor do blog Tommy Point (aqui), escreveu uma belíssima carta para o astro do Lakers (traduzida no final deste post).

Será que a visão de amor e ódio entre a torcida do Celtics terá um capítulo apenas de aplausos e reverência logo mais? Ou será que as (normalíssimas) vaias permanecerão mesmo na despedida de Kobe Bryant do ginásio verde? O que acham? Abaixo a carta de Jonathan!

kobe8“Querido Kobe Bryant

Eu te odeio.

Você pode me culpar? Sou um torcedor do Celtics, e há duas décadas torço contra você. Eu me alegrei com a sua agonia quando meu Celtics te derrotou nas finais de 2008. O Paul Pierce merecia muito mais do que você. Você já tinha três anéis naquela época. Mas três não eram suficiente para você. Você teve a sua vingança e seu quinto título em 2010 enquanto cortava meu coração no processo. Espero que você ainda saiba como foi sortudo por Kendrick Perkins estar fora do jogo 7.

kobe3Eu li a sua carta de despedida no “The Players Tribune” hoje e fiquei chocado. Pelo anúncio de sua aposentadoria – todos nós já sabíamos disso. Eu fiquei chocado pela forma como a sua carta me fez sentir. 

Na minha cabeça, sempre coloquei você e o Derek Jeter (ex-jogador do New York Yankees) juntos. Vocês são os jogadores que nós torcedores de Boston amargamente odiamos, mas inevitavelmente respeitamos. Vocês jogaram do jeito certo – com paixão, orgulho e profissionalismo. Vocês eram verdadeiros estudantes do jogo e perseguiram a grandeza, trabalhando mais duro do que todos. Vocês viraram ícones de gerações em seus respectivos esportes. Vocês abraçaram todos os desafios. Vocês deram tudo. Vocês levaram seus corpos ao limite. Vocês sabiam como vencer. Vocês respeitavam seu esporte, seu ofício, e sua rivalidade com Boston.

kobe1O dia 30 de dezembro marca a última vez em que você jogará em Boston. É também a última chance de nós, torcedores do Celtics, apoiarmos o nosso time a ganhar do, indiscutivelmente, jogador mais dominante na história da rivalidade entre Celtics e Lakers. Quando você partir, também se verá o que restou da rivalidade que um dia dominou a NBA. Talvez um dia essa rivalidade reacenda com novas caras. Talvez não.

Então quando você vier para o Garden esse mês, eu espero que a torcida faça você se sentir no inferno. Espero que a gente consiga te vaiar mais enfaticamente do que das disputas de título. Espero que você erre todos os seus lances-livres. E que você nunca esqueça o que é estar cercado de 17 mil torcedores que sangram verde e que dariam tudo para ver você falhar uma última vez. Eu espero que a gente derrote LA mais uma vez. E quando você for substituído no meio do último quarto, porque meus Celtics estão vencendo por 20 pontos, acredito que algo maravilhoso vai acontecer.

kobe2Cada pessoa no Garden vai parar de te vaiar. Nós vamos ficar de pé e mostrar respeito sob a forma da ovação mais alta, mais apaixonada que você já testemunhou. Nós vamos gritar o seu nome. Vamos enxugar nossos olhos. Vamos dar nosso adeus doce e amargo. Dizem que você não sabe o que você realmente tem até perder. Então antes de você partir, eu gostaria de te agradecer por ser bem mais do que apenas um grande jogador de basquete. Para uma geração inteira de fãs da NBA, você é o basquete.

Eu não acredito que estou dizendo isso… mas eu realmente vou sentir a sua falta.

Te amo (e odeio) para sempre. De um torcedor do Celtics, que nunca te apreciou o suficiente”