Bala na Cesta

Arquivo : Americana

Sampaio Corrêa, Iziane, Lisdeivi e a força do basquete no Nordeste
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Fábio Balassiano

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sampaio1Talvez devesse fazer uma análise tática / técnica do jogo 4 da final da LBF de ontem à noite. Mas não é necessário quando você olha o placar de 78-50 a favor do Sampaio Corrêa contra o Corinthians / Americana, né? Com o triunfo, o time de São Luis fechou o confronto em 3-1, sagrou-se campeão pela primeira vez da LBF e levou à loucura as 7 mil pessoas que lotaram o ginásio Castelinho (que festa linda!).

Antes de seguir, alguns detalhes:

sampaio2a) Americana só teve chance quando o Sampaio Correa jogou mal. Quando o Sampaio Corrêa subiu o nível, Americana não alcançou. No ataque, o Sampaio envolveu TODAS as atletas e mesmo com as ótimas Iziane e Wheeler mostrou jogo coletivo, ficando difícil para as rivais marcarem. Na defesa, sufocou as adversárias desde o princípio da série, tornando as ações ofensivas muito complicadas para o time de Antonio Carlos Vendramini, treinador que não fez nenhum ajuste durante a série inteira (não consegui compreender o motivo).

lbf5b) Saldo nas vitórias do Sampaio: Jogo 1 -> +23; Jogo 2 -> +17; Jogo 4 -> +28. Média -> +23

c) Americana: 4 jogos nas finais, 16 quartos de 10 minutos jogados e apenas DOIS períodos com o time fazendo 17+ pontos. MUITO pouco, né?

d) Feitos alcançados pelo Sampaio com o caneco: Lisdeivi tornou-se a primeira técnica estrangeira campeã nacional no feminino, foi o primeiro Título Nacional pro Estado do Maranhão e foi o primeiro título de Iziane como protagonista (havia ganho em 2008, foi até cestinha daquele Nacional da CBB, mas nas finais não foi tão decisiva devido à lesão que tinha na clavícula).

Agora, bem, dá pra falar um pouco de alguns personagens desta campanha:

izi21) Iziane, claro. É preciso falar da ala de 33 anos que enfim conseguiu dar a sua cidade-natal o tão sonhado título nacional. Iziane, desde sempre, joga muita bola. Desde sempre também foi atrevida – e seu atrevimento nem sempre encontrou “eco” entre os que a dirigiram. Com personalidade forte, ela amadureceu e encontrou na técnica Lisdeivi alguém com estofo e coragem necessárias não para bater de frente com ela, mas sim para ensiná-la uma nova forma de jogar basquete. Não fazendo menos ponto, mas sim sendo mais líder e participativa em quadra. Sua capacidade técnica é indiscutível, invejável e capaz de colocá-la entre as melhores do país. Quando ela une sua técnica, sua explosão (como ela está bem fisicamente, hein!) e sua força mental para o bem de sua equipe (e não para o seu único bem), o resultado é que seu time inteiro fica muito perigoso. Muito bom que ela amadureceu nesta temporada – e uma temporada de Olimpíada.

lis102) Conheço a treinadora cubana Lisdeivi há quase uma década. Craque como jogadora, ela tem trilhado um caminho interessante como técnica. Começou em Ourinhos, depois passou pelo Maranhão e agora está no Sampaio Corrêa. Sempre fez trabalhos consistentes, corretos, bem razoáveis. Nunca havia tido um time com calibre para ser campeão. Teve agora. E levou a equipe ao título. Venceu dois rivais fortíssimos (o América-PE indiscutivelmente o elenco mais forte da LBF), deu uma verdadeira aula de ajustes táticos na decisão (evitando os pontos do rival perto da cesta), conseguiu construir um senso cubanamente coletivo na equipe em um time cuja líder técnica era taxada como individualista. E isso não é pouco. Lis montou uma comissão técnica de primeiro nível (Virgil, seu assistente, e Vita, preparador físico, são fantásticos) e colhe os frutos em sua primeira conquista.

sampaio203) O que dizer da torcida do Sampaio? O que dizer de uma região que viu dois dos últimos quatro campeões nacionais femininos? O que dizer de um povo (o do Nordeste) que AMA o basquete feminino como se a modalidade ainda fosse a última joia da coroa (algo que não é faz tempo)? Se a Confederação Brasileira de Basketball fosse minimamente interessada em desenvolver a modalidade, começaria por lá uma urgente e necessária massificação do basquete feminino. Como não está, vamos ficar sonhando com isso. Ou, na realidade, torcendo para que a Liga Nacional ou a Liga de Basquete Feminino encontre mais e mais polos na mesma região (quem sabe Fortaleza, Rio Grande do Norte, Salvador, entre outros, também se animem) para integrar as próximas edições da LBF.

sampaio3Parabéns ao Corinthians / Americana, que chegou à final com inteira justiça. E muitos, mas muitos parabéns mesmo ao Sampaio Corrêa, às atletas e a sua fanática torcida.

O basquete feminino brasileiro precisa fazer com que o que aconteceu nesta terça-feira em São Luís (ginásio lotado, atmosfera incrível, bom jogo) seja mais regra do que exceção (como tem acontecido nos últimos anos). O pulso ainda pulsa. Não se sabe até quando e nem como. Mas ainda pulsa.


Sampaio Corrêa tem nova chance pra conquistar LBF em casa contra Americana
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Fábio Balassiano

lbf8O Sampaio Corrêa tinha a faca, o queijo e seis mil pessoas lotando o Castelinho no domingo para ganhar a LBF diante do Corinthians / Americana. Após ter vencido os dois primeiros jogos na casa do adversário, as maranhenses precisavam apenas de mais um triunfo para conquistar o título inédito.

Do outro lado, porém, estava um valente time de Antonio Carlos Vendramini. Time que não mudou mudou a sua estratégia para marcar a norte-americana Wheeler e a ala Iziane, mas que viu as duas terem péssimo aproveitamento (5/25 e 4 desperdícios de bola). Assim a vitória por 60-52 veio, diminuindo o prejuízo e tornando o jogo de logo mais (19h30 no mesmo Castelinho e com transmissão do Sportv) pra lá de fundamental.

lbf10Sobre o jogo de domingo, vale fazer duas observações. A primeira, positiva: como está jogando a ala Damiris, de Americana. Ela teve 20 pontos e 9 rebotes, sendo esplêndida para seu time principalmente nos momentos críticos do último período. Em que pese as suas bolas longas não terem caído (0/5 de três), sua capacidade para dominar Karina Jacob e Nádia perto da cesta fez a diferença para a vitória.

lbf1O lado negativo fica para a qualidade técnica da peleja de domingo. O jogo foi MUITO sofrível, muito sofrível mesmo. Foram 6/33 de fora, 26 desperdícios de bola e menos de 40% de aproveitamento nas bolas de dois pontos. É clichê dizer isso, mas parecia que a bola queimava loucamente na mão de todas as meninas desde o minuto 1 até o minuto 40. Sei bem que o fato de ser um jogo de título / eliminação faz a diferença psicológica para as atletas, mas não é possível que uma decisão de torneio adulto profissional no Brasil tenha um nível tão baixo assim. As seis mil pessoas que lotaram o Castelinho e as que viram de casa mereciam um espetáculo muito menos errático.

lbf100O fato, agora, é que Americana entra com muita confiança para o jogo 4 desta noite. Não houve nenhum grande ajuste tático no jogo 3, mas isso não elimina o fato de Lisdeivi ter tido menos de 48h para desvendar o que aconteceu com as suas atletas – concentradas e disciplinadas jogando fora de casa e perdidas atuando diante de seus torcedores.

É com este enredo que teremos a partir das 19h30 o jogo 4 da decisão da LBF. Se o Sampaio vencer será o campeão. Se Americana ganhar, haverá jogo 5 no interior de São Paulo no sábado às 10h.


Sampaio Correa pode se tornar hoje 2º time do Nordeste campeão nacional
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Fábio Balassiano

sampaio111Este domingo, 24 de abril, pode se tornar uma data histórica para o basquete do país. A partir das 14h30 se enfrentam, no ginásio Castelinho, em São Luis (Maranhão), Sampaio Correa e Corinthians / Americana (Sportv exibe).

Com 2-0 na série, o Sampaio precisa de apenas mais uma vitória para se tornar o segundo time do Nordeste a conquistar um título adulto em âmbito nacional no basquete brasileiro. Até o momento, apenas o Sport-PE, na temporada 2012/2013 da LBF, conseguiu o feito. No ano passado o Basquete Cearense conseguiu o feito, mas foi na Liga de Desenvolvimento (Sub-22).

sampaio1.1jpgAlém disso há dois fatos interessantes: o primeiro, já dito pelo blogueiro, vem do fato de Lisdeivi poder se tornar a primeira técnica estrangeira a obter um título em âmbito nacional. No feminino nunca houve. No masculino, Flor Melendez, com o Corinhtians em 1996, é até então o único gringo a levantar um caneco por aqui. A cubana Lis, aliás, merece elogios seguidos por conseguir fazer seu time jogar de maneira coletiva, com uma defesa fortíssima e conseguindo colocar os nervos da experiente Iziane no lugar.

izi1Outro ponto interessante é que Iziane pode, enfim, trazer para a sua cidade natal o tão sonhado título nacional que prometeu desde que voltou ao Brasil. A ala, aliás, só tem um Nacional em seu currículo (2007/2008 por Ourinhos), e naquela final atuou muito pouco contra Catanduva (no jogo 5, inclusive, esteve em quadra por menos de 12 minutos). Talentosa, ela, que passou quase uma década jogando na Europa antes de regressar ao Brasil em 2012, poderá conquistar o primeiro título nacional de sua carreira como grande protagonista.

sampaio3Até o momento o domínio na final é totalmente do Sampaio Correa, que não tem dado a menor chance ao Corinthians / Americana. Para o time de Lisdeivi, é continuar anulando o jogo forte de garrafão do rival e, no ataque, seguir explorando as infiltrações da norte-americana Wheeler e de Iziane. Para a equipe de Americana, só há uma chance: concentrar esforços nas duas atletas citadas (Wheeler e Iziane), dobrar a marcação nelas (nem que isso implique em ter alguma jogadora do Sampaio livre em alguns momentos) e diminuir o ritmo, evitando desperdícios de bola e pontos do rival em contra-ataque.

Pelo que se viu na série até agora, o Sampaio tem todas as chances do mundo de conquistar o primeiro título de uma equipe do Nordeste diante do seu torcedor.


Contra a parede, Americana busca reação contra Sampaio Correa em casa
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Fábio Balassiano

izi1Foi uma verdadeira aula de basquete o que vimos domingo no Centro Cívico, em Americana. Fora de casa, o Sampaio Corrêa, com uma estratégia brilhante da técnica Lisdeivi, venceu o Corinthians / Americana por 81-58, roubou o mando de quadra e fez 1-0 na final da Liga de Basquete Feminino (LBF). Contra a parede, a equipe do técnico Antonio Carlos Vendramini recebe de novo as maranhenses diante de sua torcida nesta terça-feira (18h30, com Sportv) tentando evitar o pior (viajar para São Luis com um 0-2 nas costas).

lis2Para isso, precisa modificar não a atitude, palavrinha quase mágica que é usada por todos os times para justificar resultados ruins (uma baita muleta, diga-se de passagem), mas sim seu plano de jogo. O Sampaio não venceu Americana no primeiro duelo “porque quis mais a vitória”, como andei lendo por aí, mas sim porque soube anular TODAS as melhores opções ofensivas do rival com uma defesa absurdamente coordenada (sempre com ajudas e sem descobrir o lado oposto à bola) e por conseguir, no ataque, arremessar de forma tranquila após infiltrações da excelente armadora Wheeler e da experiente Iziane (52% nas bolas de dois pontos e 45% nos tiros de três pontos).

wheeler1Wheeler (foto à direita), esplêndida, acelerou o jogo quando precisou, travou quando necessário e pressionou as suas marcadoras o tempo inteiro. Foi uma aula sobre o que é ser uma armadora, colocando as suas companheiras em condição de arremesso em alguns momentos e definindo, ela mesma, em outros. Para o time de Vendramini, uma alternativa seria colocar Gilmara (pivô alta, forte e rápida) em cima de Wheeler para dificultar um pouco a vida dela (e do Sampaio por consequência). A norte-americana teve 14 pontos e 3 assistências. Iziane, 21 pontos e 4 assistências. A jovem Isabela Ramona, vindo do banco, soube se aproveitar dos espaços e fez 19 pontos (cinco chutes praticamente livres).

izi2Aqui aliás já cabe uma observação. Iziane desde sempre foi (e ainda é) criticada por conta de seu individualismo exagerado (é justo e ela quase sempre “procurou” por isso). Mas quando é para elogiar devemos fazer também. Aos 34 anos, a ala de 1,81m arremessa menos nessa temporada (19 em 2014/2015 contra 14,7 2015/2016) e tem conseguido não só passar melhor a bola para as suas companheiras como orientá-las nas diferentes situações do jogo. Se demorou para a maturidade chegar é uma verdade, dizer que seu jogo atinge um patamar superior quando ela desempenha a sua boa parte técnica aliada a uma liderança positiva também é bastante real.

izi3É contra o bem armado Sampaio Corrêa que o Corinthians / Americana jogará logo mais. Se perder, viajará para São Luís com um 0-2 e a missão de vencer duas vezes fora de casa para tentar, aí sim, uma vitória no quinto e decisivo duelo.

Para isso não acontecer, precisa compreender exatamente o que aconteceu no jogo 1 de domingo, ajustas as peças e jogar com mais inteligência e menos velocidade.


Com ‘camisa’, final do LBF entre Corinthians e Sampaio Corrêa começa hoje
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Fábio Balassiano

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Começa hoje a final da LBF. E começa com dois times “de camisa” na decisão. A partir das 13h (com Sportv), Corinthians / Americana e Sampaio Corrêa (Maranhão) medem forças no Centro Cívico, em Americana, depois de terem batido em três jogos (2-1) Maranhão Basquete e América-PE, a maior decepção da competição, respectivamente. A final será em melhor de cinco jogos e no formato tradicional: 2-2-1, ou seja, 2 jogos em Americana, 2 jogos no Maranhão e o quinto e decisivo duelo no interior de São Paulo.

lis1Fora da quadra, há um dado interessante: NUNCA na história do basquete feminino brasileiro um técnico estrangeiro ganhou uma competição nacional. A cubana Lisdeivi Pompa, 5 vezes campeã como atleta em Ourinhos (entre 2004 e 2008) e que desempenha trabalho muito bom no Sampaio Corrêa (uma das boas notícias deste campeonato, aliás!), pode atingir o feito inédito caso conquiste a taça pelo Sampaio. Para se ter uma ideia, se pegarmos o masculino também apenas Flor Melendez, de Porto Rico, foi campeão nacional como treinador aqui (do Corinthians, de Oscar Schmidt, em 1996).

vendra1Do outro lado estará o veterano Antonio Carlos Vendramini, que já tem quatro nacionais em seu currículo (Fluminense, Paraná e duas vezes por Americana, time que dirige desde 2013) e que pode se consolidar como o maior vencedor de títulos no país com cinco conquistas (Paulo Bassul, hoje gerente-técnico da Liga Nacional de Basquete, tem três troféus). Vendra faz um ótimo trabalho com um grupo “curto” (perdeu Clarissa e Chuca, vale lembrar) e merece ser valorizado por alcançar nova decisão da LBF.

lbf1Em quadra os nomes que mais chamam atenção são o de Iziane (foto), ala do Sampaio que enfim conseguiu levar o time de sua cidade-natal a uma decisão, e Damiris, ala-pivô do Corinthians e disparada a melhor jogadora da LBF (escrevi dela há cerca de um mês). Além delas, presenças certas na Olimpíada do Rio de Janeiro, figuram na lista do técnico Antonio Carlos Barbosa para os Jogos outras sete atletas (Gil, Babi e Joice de Americana; Palmira, Isabela Ramona, Karina Jacob e Nádia).

lbf4Espero, com tamanha qualidade técnica e com os bons técnicos que possuem, de verdade que as duas equipes consigam proporcionar espetáculos, para quem estiver em casa ou enchendo os ginásios (Centro Cívico e Castelinho), de bom nível, diferentemente do que aconteceu nas semifinais, onde foram vistas partidas muito abaixo da crítica do que se pode conceber em um esporte profissional.

Quem será que vence a LBF?


Boa notícia: Damiris está voando na LBF pelo Corinthians / Americana
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Fábio Balassiano

dam7A temporada não começou bem para Damiris. Recuperando-se de uma fratura óssea no pé, perdeu os seis primeiros jogos do Corinthians / Americana na LBF e não foi ao famigerado evento-teste com a seleção brasileira. Só estreou na LBF em 21/01/2016. E pisando no acelerador.

Sem Clarissa ao seu lado no garrafão depois da toda confusão envolvendo a atleta e seu clube, Damiris, a camisa 12 de Americana que já tinha ido muito bem no título de sua equipe na temporada passada, assumiu as rédeas do time como há muito não se via por aqui. Aos 23 anos (uma menina ainda, portanto) ela registra, em 12 jogos, 20,7 pontos (líder da competição no quesito, apenas um jogo com menos de 10 pontos e mais que os 17,4 que ela teve em 2014/2015), 8 rebotes, 21 de eficiência e 51,6% nos arremessos. Em todos os índices ela está no Top-10 do certame.

dam3Mas não é só isso. Com a ala-pivô em quadra o Timão venceu dez partidas e perdeu apenas 2 (no total, 15-3 e líder na fase de classificação que termina em duas semanas com duelos contra o América, de Recife, no Centro Cívico, em Americana), prova de sua força e de sua importância para a equipe. Além disso, Damiris tem chutado muito melhor de fora (com praticamente a mesma quantidade de arremessos de 2014/2015). Em 2.6 tentativas/jogo, 48,4% de acerto (ótimo número!). Se dentro do garrafão ela incomoda as adversárias por ter um jogo de muita técnica, “abrindo” para tentar de longe ela se torna uma arma muito difícil de desvendar para as rivais. Se diminuir a marcação, a camisa 12 pode cortar e infiltrar com categoria. Caso a opção seja dar espaço, uma bola do perímetro pode machucar.

dam5Com a natural melhoria na forma física seus números ficam mais profundos a cada dia. Na terça-feira, 18 pontos e 6 rebotes contra Presidente Venceslau. No dia anterior, 33 e 7 rebotes contra o mesmo rival. Na semana passada, 27 pontos (3/4 de fora) e 9 rebotes contra o Sampaio Correa e 16 pontos e 12 rebotes contra o time de Iziane. Sua sequência é tão de outro mundo (para os padrões da LBF, claro) que já são seis jogos consecutivos anotando 15+ e apanhando 6+ rebotes.

dam2Ainda há muita coisa pela frente (e ela estará na WNBA pelo Atlanta Dream ao que tudo indica), mas é muito bom notar que Damiris tem tudo para chegar às Olimpíadas com a seleção brasileira feminina em plena forma física, técnica, tática e mental. Falo há anos que ela é a mais promissora atleta da modalidade por aqui. É a hora de fincar o pé e mostrar nos Jogos do Rio de Janeiro que, como ela me disse ano passado, a promessa é a melhor realidade entre as meninas do esporte da bola laranja por aqui. Basquete ela tem de sobra.


Com Corinthians como parceiro, Americana lança hoje time feminino
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Fábio Balassiano

americana1Será lançado hoje o novo time de Americana. Tricampeão da LBF (2011/2012, 2013/2014 e 2014/2015), a agremiação do interior de São Paulo corria o risco de não mais jogar profissionalmente desde que a antiga patrocinadora (Unimed) optou por retirar os investimentos da modalidade (da base ao profissional).

molina1Agora apoiado pelo Grupo Clarian, do ex-diretor da Unimed  e agora presidente do Clarian Ricardo Molina – na foto), Americana ressurge nesta parceria com o Corinthians em um contrato inicial de três anos e que já faz as suas primeiras mudanças. Por motivos óbvios, o verde da quadra do Centro Cívico (foto) e dos uniformes serão substituídos. O clube de São Paulo não arcará com custos de salário e nem de manutenção da equipe, “emprestando” a sua imagem para a captação de recursos e patrocinadores por parte da nova equipe. A base, diluída no começo da temporada passada, continua sem suas atividades (infelizmente).

clarissaA dúvida, agora, é saber como o elenco do Corinthians/Americana entrará na próxima da LBF (LBF que não sabemos quantos times terá e quando começará a ser disputada).

Do time campeão da temporada passada já saíram Palmira e a cubana Ariadna. Espera-se, agora, que a dupla de pivôs formada por Clarissa e Damiris (ambas na WNBA e na foto entre o técnico Antonio Carlos Vendramini) tenha seus contratos renovados. As alas Karla, Chuca e Izabella Sangalli, a pivô Gilmara e as armadoras Babi e Joice estão confirmadas.


Sobre Damiris, Antonio Carlos Vendramini e o título de Americana na LBF
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Fábio Balassiano

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Terminou ontem a temporada 2014/2015 da LBF. E terminou com um jogaço de bola envolvendo Americana e América-PE. Melhor para a equipe do interior de São Paulo, que jogou em casa, contou com Ariadna (17 pontos), Damiris (16 pontos e 8 rebotes) e o apoio da torcida que encheu o Centro Cívico na noite de segunda-feira para vencer o forte rival por 79-77, sagrando-se tricampeão da competição ao fechar a série em 2-1 e conquistando o troféu pela segunda vez seguida.

damiris2A pivô Clarissa foi eleita a melhor jogadora da competição, mas gostaria de, neste texto, destacar outros importantes personagens de Americana. Em primeiro lugar a jovem Damiris (foto à direita). Quem lê este espaço viu a entrevista que ela me deu contando de seus dramas familiares e quão duro foi para ela se recuperar de seus baques recentes. Mas a camisa 12 foi forte, dura, tenaz e voltou a apresentar um ótimo basquete na competição. Foi fundamental nos playoffs e nos dois jogos mais difíceis para a equipe campeã foi ela, ao lado da não menos ótima cubana Ariadna, quem segurou a onda do time. Isso tudo com 22 anos. Isso tudo sem sobressaltos, sem jogar a bola pra cima para catar o rebote loucamente, sem necessidade de grandes malabarismos. O basquete de Damiris, com arremessos longos cada vez mais “seguros” e golpes apurados perto da cesta, ainda precisa de evoluções (é óbvio isso), mas sua temporada é a do reencontro com seus melhores momentos e com uma nova (boa) perspectiva do que poderá vir. Não colocá-la como titular da seleção brasileira ao lado de Érika no garrafão seria uma temeridade (e inclusive ajuda a pivô do América-PE, já que Damiris gosta e sabe jogar um pouco mais afastada do aro).

vendra2Em segundo lugar, uma reverência toda especial a este mito do basquete feminino chamado Antonio Carlos Vendramini. Longe das pranchetas por muitos anos (alguém consegue entender isso?), o técnico regressou ao esporte na temporada passada e recolocou Americana na rota de conquistas dos últimos anos. Foi campeão da LBF em 2014, bicampeão em 2015 e só perdeu uma única partida de playoff desde a sua volta (justamente a primeira da decisão em Recife para o América-PE). Campeão do primeiro nacional feminino com o Fluminense no agora longínquo 1998, Vendra conquistou mais três nacionais (2000, 2004 e 2005) e voltou a sentir o gosto de um troféu quase uma década depois. Tal qual Maria Helena Cardoso, Lais Elena e Paulo Bassul, ele está no grupo dos excepcionais treinadores que a modalidade das meninas já viu. Vendramini é muito bom e conhecendo o cara dá pra imaginar que sua “fome” não terminou ontem (ainda bem!).

Americana1Parabéns ao América-PE (principalmente a Roberto Dornelas, técnico e grande guerreiro da modalidade), que fez uma ótima campanha, e muitas felicitações a Americana. Que o projeto da cidade continue forte, cresça ainda mais, volte a abrigar os times da base (é quase uma súplica isso aqui…) e que siga revelando grandes jogadoras. E que Antonio Carlos Vendramini continue lá por muito tempo.

Viu o jogo? Gostou? Deixo abaixo um vídeo sobre a rodada de ontem (NBA e NBB inclusive) e uma singela homenagem a Vendramini.


Em excelente jogo, Americana vence América-PE e iguala final da LBF
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Fábio Balassiano

adrianaFoi um grande jogo de basquete (o melhor que eu vi nesta temporada sem dúvida alguma). Jogando diante de um Centro Cívico lotado, Americana oscilou bastante (fez 25 pontos no primeiro e último períodos, e 28 no segundo E terceiro quartos), mas manteve a confiança até o final e venceu neste sábado o América-PE por 78-73, igualando a final da LBF em 1-1, deixando intacta a invencibilidade em casa e colocando a disputa do título aberta para segunda-feira, 18h30, quando será disputada a terceira e última partida da competição.

Com 17 cruciais pontos, a ótima ala cubana Ariadna (foto à esquerda) foi o grande destaque de Americana ao conduzir a equipe a vitória ao lado de Clarissa (18 pontos e 14 rebotes – na foto à direita) e Damiris (13 pontos e 7 rebotes), as outras duas que tiveram 10+ pontos pela equipe vencedora. Pelo lado do América-PE, excelentes atuações de Tiffany Hayes (25 pontos) e Érika (13 pontos e 15 rebotes).

clarissa1Tendo em vista o que foi a partida passada (muito ruim), o que se viu hoje em Americana foi um baita alento. Jogo intenso apesar dos 30 desperdícios de bola, duas boas defesas e ataques que se movimentaram mais, dando boas opções de arremesso para as equipes (principalmente Americana, que no duelo anterior não conseguiu fazer seu jogo – e o grande técnico Antonio Carlos Vendramini reconheceu isso em entrevistas).

Viu o jogo? Gostou? Quem será que fica com o caneco da LBF na segunda-feira? Comente aí!


Em jogo fraco, América-PE abre final da LBF com vitória contra Americana
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Fábio Balassiano

tifEram as duas melhores equipes do basquete feminino brasileiro. Era a base da seleção brasileira adulta potencializada com algumas gringas bem boas (Tiffany Hayes, dos Estados Unidos, e Ariadna, de Cuba, por exemplo). Era um ginásio lotado. E mesmo com tudo isso a primeira partida da decisão da LBF foi fraquíssima (para ser educado).

O América até que venceu o Americana por 74-67, abrindo 1-0 na série e ficando a um novo triunfo de conquistar o título, mas quem viu a peleja pela televisão ou do ginásio do SESC em Recife ficou triste, bem triste.

tif2Foram, ao todo, incríveis 33 desperdícios de bola (quase um por minuto e um por três posses de bola, um absurdo só!), pouquíssimas assistências (17 em 51 arremessos convertidos, baixíssimo índice que prova que a bola rodou pouco) e baixo aproveitamento nos arremessos (menos de 40% nos arremessos de dois pontos). O segundo tempo até que foi melhor (44-38 pro América), mas no final das contas o nível técnico apresentado ficou muito abaixo da crítica (bem abaixo mesmo!). A única que realmente se salvou foi a excelente norte-americana Tiffany Hayes (ela nas duas primeiras fotos do texto), ala do América que contribuiu com 20 pontos (alguns em momentos fundamentais).

TrovoadaO Basquete Feminino deveria pegar o jogo deste sábado e fazer um simpósio a partir dos momentos do que se viu nesta manhã em Recife. Decisões equivocadas, leitura de jogo deficiente, defesas ruins, fundamentos mal lapidados, erros básicos (passes, dribles etc.), correria desmedida e pouca utilização das pivôs. Conteúdo não faltaria, garanto a vocês. E escrevo isso com muita dor no coração. Sou um dos poucos que ainda acompanha a modalidade por aqui, o faço porque realmente gosto (e não por “obrigação” jornalística) e torço muito para que as coisas melhorem muito por aqui. Mas não dá pra dourar a pílula de algo tão óbvio. O nível técnico apresentado hoje de um modo particular e no campeonato de forma mais ampla está muito ruim!

americaO jogo 2 será no próximo sábado em Americana (10h). Nova vitória garante o segundo título em três anos para o núcleo que está no América-PE (antes no Sport-PE). Para a equipe do técnico Antonio Carlos Vendramini, que viu a sua série invicta de oito jogos de playoff ruir, só uma vitória interessa para manter a chama do bicampeonato acesa.

Viu o jogo? Gostou? Comente aí!