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NBA de olho, Euroliga encantada: o despertar de Deni Avdija, por Rodrigo Salomão

Fábio Balassiano

21/12/2019 04h58

* Por Rodrigo Salomão

As pessoas não sabem (até porque eu não falo e ninguém pode adivinhar), mas acontece com certa frequência por aqui mudar a pauta pensada originalmente. Não foram poucas as vezes que estudei antes os elementos e personagens da partida e, depois do decorrer dela em quadra, fui levado para um outro caminho, quase como uma correnteza. É o que vai acontecer desta vez. Só que desta vez estou contando para vocês. 

Revelei a mudança da prosa porque, com o Panathinaikos visitando o Maccabi Tel Aviv na Menorah Mivtachim Arena na última quinta-feira, eu estaria diante de importantes nomes do basquete, como Nick Calathes, Jimmer Fredette e o treinador Rick Pitino. Talvez fosse uma boa oportunidade para ouvir o que eles têm para dizer sobre a realidade deles. Além disso, admito que achava cedo para falar com mais propriedade a respeito de Deni Avdija, já que o afã sobre a promessa é bem grande e estamos falando de um garoto de 18 anos ainda em formação, sempre um assunto em que todo cuidado é pouco. Mas as circunstâncias têm esse poder, e o dever nos chamou. É hora de falar deste talento. 

Tudo bem que Avdija já foi citado algumas vezes durante a cobertura que vimos fazendo do basquete europeu, mas é que ele de fato fez a diferença como nunca antes visto num duelo de Euroliga. Com um detalhe: diante dos olhos de representantes de Boston Celtics, Brooklyn Nets e Orlando Magic, que estavam presentes e devem ter gostado do que viram. O Maccabi, ainda desfalcado de quatro jogadores e depois de uma vitória exaustiva na Rússia contra o Zenit na terça-feira, conseguiu virar para cima dos gregos após estar 18 pontos atrás no placar, concluindo a partida com um respeitável 88-79. Outra grande remontada amarela, que teve no jovem Deni seu principal ponto de virada a partir do momento em que entrou. Foram 20 minutos em quadra (seu maior tempo até aqui), nos quais anotou 7 pontos e conseguiu 4 rebotes. Atuação determinante para recolocar os amarelos na partida. Não por acaso, seu nome foi citado nas coletivas dos dois treinadores 

"Deni está melhorando dia após dia. Acho que este ano ele tem um papel completamente diferente em comparação ao do ano passado. Digo isso porque agora o temos em período integral e no ano passado não. Eu acho que ele está melhorando, ganhando experiência, ele tem apenas 18 anos. Agora está jogando mais como membro da equipe, ele faz parte da equipe. Está envolvido em rebotes, na defesa, já começou a colocar seu corpo em função da proteção do aro na defesa, melhorou seu bloqueio, cria jogadas no ataque, pontua…então, ele está tentando melhorar cada vez melhor em muitas partes do seu jogo e é por isso que estou muito feliz com ele", analisou seu técnico, o grego Ioannis Sfairopoulos do Maccabi, que ainda apontou esta como a melhor partida de Deni até agora.

Já Rick Pitino tratou de conter um pouco a empolgação, sem deixar de reconhecer as qualidades do camisa 8 do time adversário:

"Não estou dizendo que esse é o caso de Avdija, mas já vi muitos jogadores que participaram do treinamento preliminar e se saírem muito diferentes do que pensavam dele, e é isso que importa. Ele terá que vir antes do draft e provar que o que o que estão dizendo dele procede. Há muita concorrência e muita coisa é possível notar na fase dos treinamentos. Vocês sabem como é a NBA hoje em dia, uma liga de 3 pontos. Se eles não mostram que são bons nos arremessos de fora, que estão evoluindo nesse aspecto, que são bons no 1 contra 1 defensiva e ofensivamente, não adianta. É isso que vai ser determinante para saber se o atleta será draftado ou não, ainda mais na primeira rodada. Eu sugiro que não prestem muita atenção nisso agora. Ele obviamente é um jovem muito talentoso, mas é melhor esperar os treinamentos antes do draft, para aí sim falar sobre o assunto", opinou Pitino, conhecido por seu longo histórico no basquete universitário norte-americano.

Com muita expectativa ou não, o fato é que fomos atrás do próprio camisa 8, que tratou de analisar a fase do time e o seu momento individual, à medida em que os holofotes vão ficando cada vez maiores. E partiu do próprio Deni a lembrança de que ele nada mais é que um garoto ainda em início de carreira:

"Sempre que entro, tento dar 100 por cento de mim. Estou feliz por todos, estamos muito cansados com esse calendário. Não há nada mais divertido do que entrar para ajudar os caras a voltar pra partida. Mas é passo a passo. Ainda sou jovem e não tive muitos jogos de Euroliga, ainda não ganhei tanta confiança, vocês vêem a diferença de como me comporto em quadra na liga israelense e na Euroliga. Estou começando a pegar o jeito, me sentindo mais seguro e espero ajudar mais a equipe. Há algo de especial na nossa luta, algo que não consigo explicar, algo sobre química e atmosfera. Temos que agradecer ao público, eles nos apoiam o tempo todo e isso se reflete no time, faz parte da nossa loucura em quadra", concluiu o jovem.

Curtinhas da Euroliga:

  • Momentos opostos na Espanha. O Real Madrid viajou até Vitoria-Gasteiz e não tomou conhecimento do Baskonia, chegando à impressionante marca de 10 vitórias consecutivas. O revés para os madrilenhos foi o estopim para o treinador Velimir Perasovic, demitido pelo Baskonia. O croata deixa a equipe com um aproveitamento de 6 triunfos e 9 derrotas na Euroliga;
    • Por falar em situação delicada envolvendo técnico, o consagrado Zeljko Obradovic está em maus lençóis pelo Fenerbahçe. O gigante turco perdeu para o então lanterna da competição, o Zenit. Detalhe que a partida foi decidida num buzzer beater de 3. E pior: em Istambul. Campeão de 2016/2017 e presente nos últimos cinco Final Fours, o time turco está apenas na 15ª posição nesta temporada;

  • Vamos citar mais um treinador, mas que se aposentou para tentar novas empreitadas. David Blatt, campeão europeu com o Maccabi Tel Aviv em 2014 e com passagem bem lembrada pelo Cleveland Cavaliers, está de volta à NBA. Depois de deixar o Olympiakos em outubro, Blatt agora será "consultor de operações de basquete" no New York Knicks, franquia em eterno processo de reconstrução. Sorte aos envolvidos; 
  • Trouxemos Rick Pitino ao longo do texto (olha aí mais um técnico nas curtinhas), mas aqui a gente reservou um espaço para uma declaração que ele deu para a imprensa de Israel antes do jogo. Apertem os cintos: "O basquete europeu é o melhor que eu já experimentei na minha vida. É o basquete mais puro, na sua essência. Os ataques, a maneira como eles mantêm a defesa, o treinamento tático. É como o basquete universitário, mas ao invés de jovens temos adultos jogando. A NBA mudou nos últimos anos e se tornou uma competição de super estrelas em todas as partidas. Ontem à noite falei ao telefone com meu filho e ele disse a mesma coisa."

Polêmico? Talvez um pouco…

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