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Bala na Cesta

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As joias amarelas da Euroliga, por Rodrigo Salomão

Fábio Balassiano

27/10/2019 05h01

* Por Rodrigo Salomão, Direto de Tel-Aviv (Israel)

Quinta-feira, dia 24 de outubro de 2019. Foi nesta data em que os presentes na Menora Mivtachim Arena, em Tel-Aviv (Israel), em noite de lotação esgotada, foram pegos de surpresa com uma novidade que muitos ansiavam já há algum tempo: a primeira partida de Deni Avdija como titular na Euroliga. E ele não decepcionou. Não só ele. Seu parceiro de time e seleção desde a base, Yovel Zoosman, também marcou presença. Contaremos mais adiante…

O desafio da vez era o Valencia, que parecia o adversário ideal para esse tipo de oportunidade. Lanterna até então com 3 derrotas em três jogos, o time espanhol vem tendo atuações abaixo da crítica e bem abaixo da média das demais equipes do torneio. Contra o Maccabi Tel Aviv fora de casa, o roteiro se repetiu. Os israelenses não se viram ameaçados em nenhum momento no placar e conquistaram sua segunda vitória, desta vez por 76-63, numa atuação segura no ataque e, sobretudo, na defesa.

Mas voltemos a falar de Deni e Zoosman, que se mostraram um capítulo à parte dentro do jogo. Embora Omri Casspi tenha sido escolhido o MVP (12 pontos, 5 rebotes e 3 roubos de bola) e o armador Nate Wolters tenha chegado perto de um duplo-duplo (10 pontos e 9 assistências), os dois jovens de fato chamaram a atenção. Com minutagem em quadra cada vez mais significativa, ambos apresentaram um repertório que vem se mostrando mais maduro e promissor. Deni, de apenas 18 anos, jogou por dezesseis minutos e anotou 6 pontos, 3 rebotes e uma assistência. Sua mobilidade e a capacidade de criar arremessos lhe dão a versatilidade de jogar nas posições 3 ou 4. Versatilidade que lembra um certo esloveno jovem que também surgiu bem na Euroliga. Não à toa, Avdija é um prospecto e tanto, com os olhos da NBA já voltados para o seu talento. 

Já Zoosman, de 21, por sua vez, atuou por 20 minutos (8 pontos e 3 rebotes). Números importantes para ambos, que dão apenas uma amostra do papel que ele tem dentro da instituição Maccabi Tel Aviv. O atleta, que recentemente esteve em treinamentos e participou da Summer League pelo Cleveland Cavaliers, consegue ser ao mesmo tempo o futuro e o presente. Tem bom arremesso e ótima noção defensiva. Uma mistura complexa, que demanda muito cuidado e lapidação. 

Após a partida, conversamos com Casspi sobre a importância da dupla e sobre as suas chances de brilhar ainda mais no decorrer da temporada:

"Os dois jogaram muito bem. São parte do nosso grupo, do nosso sistema, seja no ataque ou na defesa. A cada jogo, eles vêm ganhando mais confiança e esta noite foi um exemplo do que eles podem fazer para o nosso time. Se eles estão prontos para seguir ajudando? Com toda certeza", resumiu o camisa 7.

A opinião do primeiro israelense da história da NBA não é isolada, pelo contrário. Seu colega de equipe, o pivô Tarik Black (também com carreira na liga americana) reservou um tempo de sua entrevista para falar das "joias amarelas":

"Confiança significa muito para todos os jogadores. Jogadores jovens como Avdija e Zoosman continuarão a crescer com conhecimento e sabedoria, e é tudo o que podemos pedir a eles, porque eles têm o talento e as habilidades para isso", analisou.

Depois de ser tão citado nas conversas, fomos falar com Yovel Zoosman para saber dele o que achava das palavras dos parceiros de equipe e sobre seus planos. Com muita simpatia ao saber que se tratava de uma matéria para o Brasil, revelou um pouco do que pensa sobre o caminho que tem a trilhar na carreira:

"Na verdade, eu olho para o dia seguinte, não olho muito ainda para o próximo ano, ainda tem muito tempo até lá. Estou feliz aqui. Eu trabalho duro, estou muito satisfeito até agora e quero continuar trabalhando duro. Nunca quero me acomodar. O assunto NBA é daqui a um ano, ainda está longe", concluiu o jovem.

Curtinhas da Euroliga:

  • Como parte das comemorações dos 20 anos da competição, a Euroliga começou a divulgar na última semana os jogadores indicados para o time da década entre os anos de 2010 a 2020. Serão 50 nomes apresentados ao longo de dez semanas. Depois de uma votação envolvendo torcedores, imprensa, os técnicos e os capitães das equipes, serão 10 eleitos para a lista final. Até agora, foram indicados o russo Victor Khryapa, os gregos Georgios Printezis e Kostas Sloukas (que atuaram contra o Brasil no último Mundial, diga-se), o norte-americano Devin Smith e o espanhol Rudy Fernandez;
  • Mesmo líder com 4 vitórias em 4 jogos ao lado do CSKA, o técnico do Barcelona, Svetislav Pesic, soltou o verbo contra o ex-jogador e hoje diretor da Associação de Jogadores da Euroliga, Bostjan Nachbar, a quem chamou de "anormal" devido ao aperto do calendário em virtude do Mundial. Para Pesic, o dirigente (que também atuou na NBA) está querendo reduzir o tempo para preparação a fim de copiar "o que não é bom na NBA" ao invés de "focar no que de fato é bom". O técnico do time catalão mostrou muita irritação com as seguidas lesões que vêm acontecendo no início da temporada europeia;
  • Outro técnico que anda bem irritado é Obradovic. O comandante do Fenerbahçe tem visto seu time (um dos favoritos ao título) começar bem mal a liga. Foram três derrotas nos quatro primeiros jogos. Desempenho surpreendente para quem tem nomes como Jan Vesely, Luigi Datome, Nando de Colo, Kostas Sloukas e Derrick Williams (aquele mesmo, o nº 2 do Draft de 2011). O Fener, aliás, é o próximo adversário do Maccabi, em Tel Aviv. Mais um jogo duro e o sinal de alerta ligado pelos lados de Istambul. 

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