Bala na Cesta

Arquivo : Ricardo Molina

Dirigente de Americana fala sobre LBF e atual fase do basquete feminino brasileiro
Comentários COMENTE

Fábio Balassiano

Como vocês sabem, tenho batido muito na tecla de uma melhor organização do basquete feminino brasileiro no blog. Foi então que tive a ideia de pedir ao Presidente da ADCF (entidade que cuida do basquete de Americana, principal projeto da modalidade no feminino do país) para me enviar suas sugestões e avaliação da LBF, que terminou no sábado passado com título do Sport-PE e uma projeção para os próximos anos. Gentilmente e rapidamente o Ricardo Molina (foto) enviou e-mail com suas respostas e acho legal compartilhar com vocês. Ricardo é um dos maiores entusiastas do feminino, cuida com carinho do projeto da cidade e sabe o que fala. Vale a pena ler com atenção.

“A Terceira edição da Liga mostrou algumas fragilidades da LFB e também algumas evoluções. Vamos lá:

Planejamento: O início da LBF teve várias datas e com isso prejudicou principalmente o planejamento das equipes. Estava programada para novembro, depois dezembro e posteriormente janeiro. Sugestão: qual a dificuldade de definirmos antes de terminar uma edição o início da outra? Sem calendários os clubes não vão conseguir nunca se programarem, buscarem patrocinadores e ter uma continuidade do trabalho.

Recursos financeiros: O campeonato foi realizado em turno único, o que prejudicou equipes, atletas, o produto basquete e principalmente os patrocinadores de cada equipe, que, no final das contas, são os grandes vitoriosos do nosso basquete. Como sugestão, a Liga tem duração de 4 meses. Os outros 8 meses são suficientes para captação de patrocinadores. Não podemos deixar para o último momento para prospectarmos novos patrocinadores. Se essa captação já é feita antecipadamente, é preciso reavaliar a forma que está sendo realizada pois não está havendo resultados.

Fidelidade de Horário: “Bato” muito nesta tecla. Enquanto não tivermos horários e dias fixos para os jogos dificilmente conseguiremos conquistar novos admiradores da modalidade. Quem ama basquete vai atrás, pesquisa o horário. Porém que não acompanha, não pesquisa. Ou seja, horário fixo, divulgação antecipada e uma atenção maior da mídia principal: TV.

Escolha de jogos de transmissão: Acredito que realmente é preciso ser democrático com a divisão dos jogos transmitidos entre todas as equipes, porém estas mesmas equipes que recebem esta oportunidade irão permanecer na Liga? O produto basquete precisa ser vendido ao público e patrocinador – e para isso precisa ser bom. Então o que precisa vir primeiro: a divisão dos jogos ou apresentar melhor o produto? Sugestão: a TV realmente é a maior exposição para prospectar patrocinadores, porém quantas equipes desde a primeira edição saíram e entraram? Ou seja, acredito que neste momento o melhor é apresentar o melhor produto e talvez isso passe pelo sacrifício nas escolhas dos jogos.

O papel do marketing: Pergunte a qualquer amigo ou pessoa ao seu lado. Você sabe se estamos tendo um campeonato brasileiro de basquete feminino? Você conhece as equipes participantes? Você sabe quando há jogos? Sugestão: é necessário um sincronismo entre horário fixo de TV, data definida do início do campeonato com antecedência (não me refiro a toda tabela pois dependemos de quais clubes participarão, mas sim a uma data de início), apresentação do campeonato a mídia, criação de diferenciais de atração como jogos entre brasileiras e estrangeiras, como nunca houve, etc. . Tudo isso deve ser gerenciado por uma única fonte de marketing, seja agência ou profissionais, mas estas ações devem ser coordenadas e sincronizadas.

Gestão da Liga: De quem é a Liga? Uma pergunta básica onde a resposta é: dos clubes. Porém os clubes estão reféns de campeonatos subsidiados e com isso acabam não tendo voz ativa. Assim esta interrogação permanece. Sugestão: necessidade de “todos” os clubes se profissionalizarem para que possam ter realmente um Liga independente. É um processo não optativo e sim necessário. Sem isso, “todos” os clubes acabam aceitando “o que tem pra hoje” ou abandonam o barco. Basta ver o número de desistências de equipes antes de iniciar cada edição. Com um maior profissionalismo de “todos” os clubes com certeza aparecerão novas ideias, caminhos e principalmente condições de uma alta gestão. Não podemos deixar de citar evoluções e citar que estamos ainda na 3º edição enquanto o masculino está na quinta e o vôlei, que tanto falam,  está na vigésima edição.

Repatriar as jogadoras: Sem dúvida foi o grande ponto desta edição da LBF. As jogadoras voltaram a participar do campeonato nacional e principalmente engrandeceram o torneio. O nível ainda não foi dos melhores mas precisamos trabalhar em cima desta nova realidade e não olhar pra trás.

Quantidade de jogos transmitidos: O número de jogos transmitidos pela TV aumentou e melhorou a exposição. Se tivéssemos datas e horários fixos ficaria perfeito.

Descentralização do basquete: Tivemos nas primeiras edições participação de outros estados na Liga, mas esta edição ficou marcado por Estados que investiram pesado no projeto e isso deve ser aplaudido. Sugestão: precisamos valorizar aqueles estados que desde a primeira, segunda edição também participaram da Liga. Não fizeram grandes investimentos, não. Mas abriram as portas para a descentralização. Isso deve e precisa ser valorizado pois precisamos que todos os estados que já participaram da Liga em edições diferentes possam estar juntos na quarta edição, além da novas equipes que possam surgir.

Relacionamento entre as equipes: este ponto não é visto pelo público externo mas o relacionamento entre as equipes foi fantástico. Recepção de determinada equipe na cidade da outra, parceria, diálogo, disposição. Quem participou desde a primeira edição sabe o quanto este assunto evoluiu.

Enfim, claro que podemos citar tantas outras evoluções como melhorias porém acredito que são pontos não tão difíceis que podem ser atacados de maneira imediata já pensando na quarta edição da liga nacional de basquete. Talvez esta não seja a opinião e as sugestões que poderiam ser de todos, mas estamos tentando dar a nossa contribuição. Parabéns a todos os clubes participantes de todas edições da LBF, atletas, comissão técnica, Liga de Basquete e principalmente a todos patrocinadores locais e da Liga por acreditarem neste produto que já foi e pode ser novamente o segundo esporte preferido os brasileiros e brasileiras.

A propósito, quando começa a 4º edição da Liga?”.


Dirigente de Americana critica assédio da Confederação sobre jogadoras de Americana
Comentários COMENTE

Fábio Balassiano

“Estou tornando a falta de respeito intermediada pela CBB pública. A situação (assédio sobre atletas de Americana) acontece a todo o momento, mas não vou citar nomes. Parece que querem destruir nosso projeto, um trabalho reconhecido nacionalmente. Eu não posso fazer nada, mas já orientei o Zanon (Luiz Augusto, técnico do time adulto) que se alguém quiser sair, é só pagar a multa. Não causarei mal estar e tenho confiança nas nossas meninas. Entretanto, devemos nos proteger para que a cidade continue sendo um celeiro de talentos”

A declaração, forte, é de Ricardo Molina (foto), presidente da associação que mantém o projeto do basquete feminino em Americana, um dos melhores do país, e foi publicada ontem no Jornal O Liberal (link aqui).

De acordo com Molina, profissionais da Confederação Brasileira, em ação conjunta com empresários, vêm tentando fazer com que as atletas de seu clube deixem a agremiação para jogar em times de fora do Estado de São Paulo. Como de praxe, a CBB não retornou às ligações e emails da reportagem do jornal O Liberal.

Que situação bizarra, não? Este é o grande modelo de gestão que Carlos Nunes, Hortência e José Carlos Brunoro prometiam há três anos?