Bala na Cesta

Torneio de Enterradas no Jogo das Estrelas feminino? Próxima edição da LBF trará essa novidade

Fábio Balassiano

12/07/2017 06h20

Novo presidente da Liga de Basquete Feminino, Ricardo Molina conversou com o blog na tarde de ontem. Ele detalhou os próximos passos da edição de 2018 do campeonato, mostrou todas as dificuldades que está enfrentando de forma bem franca e contou uma grande novidade, que é a inclusão do até então inédito Torneio de Enterradas para as meninas na edição do Jogo das Estrelas do próximo ano. Para isso, Molina inicia um projeto inovador de baixar a tabela dos jogos das meninas, desejo antigo de muita gente do meio. O papo completo encontra-se abaixo.

BALA NA CESTA: Uma das grandes dúvidas que têm sido comentadas sobre a LBF é em relação à gestão. Afinal, a Liga de Basquete Feminino passou ou não a ser comandada também pela CBB? Objetivamente, quem dá as cartas no campeonato?
RICARDO MOLINA: Bala, em nenhum momento foi cogitado ou mesmo sugerido que a LBF passasse sua gestão para a CBB. A Liga de Basquete Feminino está e continuará sendo independente e as cartas sempre serão das equipes filiadas a LBF que são representadas pelo conselho administrativo juntamente com o corpo diretivo.

BNC: Dito isso, como é e será a sua relação com a CBB? O que você espera dela, e no que a sua gestão pode contribuir para o crescimento das seleções e consequentemente do basquete brasileiro?
MOLINA: Estive com a nova gestão da Confederação em dois momentos. No primeiro na sede da CBB apresentamos a nova gestão da Liga e o planejamento para a mesma. Falamos das novas ideias, mudanças de conceitos, calendário, inovações etc. . O segundo encontro foi a pedido da CBB, onde estivemos reunidos com o Sr. Jose Luiz Saez, da FIBA, para falar sobre o futuro do basquete feminino e a LBF. O próximo encontro está previsto para ser em Americana, onde agora estamos sediados. Nesta oportunidade apresentaremos aos representantes da CBB o que precisamos desta parceria para o basquete feminino para que possamos acelerar os resultados. Uma liga feminina forte será um ótimo caminho para o crescimento da seleção Brasileira. Precisamos e faremos um campeonato com mais clubes, maior visibilidade, mais competitivo. Também defendo que a seleção trabalhe na naturalização de pelo menos 3 jogadoras (uma armadora, uma ala e uma pivô). Estas jogadoras poderiam jogar a liga, aumentando a qualidade do campeonato, e qualificariam de forma mais rápida a nossa seleção no cenário internacional. O mundo inteiro já fez isso, até mesmo a seleção brasileira masculina. No feminino ainda não. A própria Espanha, que tinha a gestão do Saez (FIBA), tem em sua seleção jogadoras naturalizadas e hoje é a segunda potência do mundo, só perdendo para os Estados Unidos.

BNC: Sobre o próximo campeonato, como construir um bom produto com tão poucos times (foram 6 em 2016/2017), com um calendário tão curto (campeonato de 4 meses) e com o atual campeão (Americana) saindo de cena? Qual é o seu plano para transformar a LBF em um produto bom
MOLINA: Nosso planejamento contempla várias ações visando a melhoria do LBF em um ótimo produto. Vou lhe citar alguns, ok? Todos os jogos serão transmitidos via web. Teremos mudança no modelo do Jogo dos Estrelas. Queremos uma partida entre a seleção da LBF com uma equipe estrangeira, se possível da WNBA. Lançaremos a LBF Academy, que terá o papel de desenvolver as equipes filiadas em temas como gestão, marketing e comunicação. Lançamento da LBF Finanças, que, juntamente com a CAIXA, patrocinadora do campeonato, será uma plataforma de comunicação com atletas e comissões técnicas objetivando orientação financeira como investimentos, economias. Meta de 10 equipes para a edição de 2018. Traçamos também a meta de 30 jogos televisionados para a temporada. Por fim, a criação de uma equipe de jovens pela CBB e que a mesma possa participar da próxima edição da LBF e também o até então Torneio de Enterradas Feminino que será realizado no Jogo das Estrelas.

BNC: Peraí. Essa é coisa diferente. Você cogita mesmo criar um Torneio de Enterradas no Jogo das Estrelas da LBF? Como será isso?
MOLINA: Sim, e está dentro da plataforma do LBF Inova. Te conto com muito orgulho e em primeira mão te dou os detalhes do que estamos pensando e trabalhando. Temos uma equipe de estudos para desenvolver cientificamente a mudança na altura da tabela no feminino, tornando o jogo mais atrativo. Entendemos que será uma mudança histórica e colocaria o feminino em um novo patamar de atratividade como produto. Estamos envolvendo Universidades e pessoas que possam contribuir com o tema. Para muitos é uma utopia, mas temos exemplos claros, como a rede do voleibol, onde o feminino reduziu em 20 cm em sua altura e está funcionando muito bem. No jogo das Estrelas faremos o 1º Torneio de Enterradas para mulheres do Brasil. Este evento marcará a entrega formal dos estudos a CBB, para que ela possa levar adiante esta inovação a Federação Internacional. Será um marco dessa possível implantação. Incluiremos nos estudos o pedido para CBB e FIBA que a edição da LBF CAIXA 2019 já possa contemplar a redução na altura da tabela de forma experimental.

BNC: Falando sobre o próximo campeonato, o que você considera chave para fazer o produto bom de novo? Quais são os pilares que você e seu corpo diretivo estão atacando? O nome do ex-árbitro e atual comentarista do Sportv Renatinho tem sido muito ligado a sua gestão. Qual será a função dele
MOLINA: Além do que citei, temos três pilares que cultivamos para esse inicio de gestão: Contrapartida, Planejamento e transparência. Em relação a contrapartida, estaremos ofertando às equipes alguns subsídios porém apontaremos algumas contrapartidas para a melhoria do campeonato. Sobre planejamento, esta está sendo o base de todo nosso trabalho e nossa equipe está dedicada neste ponto. Sabemos onde estamos e onde queremos chegar a médio prazo. Também um ponto fundamental é em relação a transparência. Iniciamos em junho a descrição de todos os processos operacionais para que a liga possa operar com o mínimo de qualidade. Desenvolvemos um cronograma de implantação para criação do sistema de qualidade de gestão e em novembro próximo queremos certificar a LBF com o ISO 900: 2015. Por incrível que pareça, recebemos a gestão da LBF sem nenhum processo formalizado. Zero. Quanto ao Renato, sim, ele está em nossa equipe. Renatinho será responsável direto pela área de arbitragem da LBF e também nos ajudará muito na área de comunicação, onde tem sido reconhecido pelo excelente trabalho que tem feito no Sportv.

BNC: Outro ponto importante: recentemente comentei aqui em primeira mão que a LBF estaria se desvinculando da Liga Nacional de Basquete (LNB). Queria ouvir de você o motivo. O que levou a essa tomada de decisão?
MOLINA: Neste ponto tivemos que tomar uma decisão. Para continuar a parceria, a LNB exigiu que transferíssemos a posse da gestão 100% a eles e os clubes femininos teriam apenas a oportunidade de opinar. Com isso, nos preocupou a possibilidade do feminino ficar em segundo plano. Em votação todos os clubes decidiram por seguir caminho próprio, com independência. Ressalto aqui dois pontos: primeiro o grande aprendizado que tivemos com a LNB durante o período que ficamos juntos, principalmente com relação a responsabilidade do Conselho de Administração. O segundo é que toda decisão e mudança foi em consenso e principalmente com muito respeito e parceria. Estamos acertando nossas contas com a Liga Nacional referentes a taxa de administração, tudo está alinhado e em consenso.

BNC: impossível não falar de Americana, time que a sua empresa patrocinava até a temporada passada, onde você mora e onde será a sede da própria LBF. O que aconteceu para o time ter acabado? Quais exatamente os motivos?
MOLINA: Fábio, assumimos em 2006 a presidência do basquete feminino de Americana e retomamos, com muito esforço, a equipe principal em 2007. De lá para cá foram mais de 22 títulos. Tive o privilégio de participar de todos eles. Por aqui passaram atletas, técnicos e imprensa. Sem dúvida foi um período vencedor. O esporte de Americana sempre foi forte pela Lei Municipal de 1995, que proporcionava às empresas locais incentivar determinada modalidade desde que desembolsasse 5% do valor total do ISSQN pago mensalmente. O basquete feminino de Americana tinha 80% de sua receita vinculada a estes incentivos e 20% através de patrocínio direto. Em fevereiro passado, segundo a prefeitura, o promotor local teria questionado esta lei e por isso a prefeitura a partir de março de 2017 tirou das empresas a oportunidade de continuar fazendo o incentivo através da exclusão da opção no sistema de pagamento da guia mensal. O detalhe é que a lei não foi revogada, alterada, substituída. Não foi feito nada. Simplesmente a prefeitura retirou do sistema a opção das empresas de incentivarem o esporte.

Em março não recebemos mais repasses e estávamos no meio do campeonato. Só conseguimos terminar o campeonato porque eu desembolsei do meu bolso R$ 390 mil para pagar todas as dividas. Ninguém ficou sem receber. Em maio o prefeito Omar Najar me tranquilizou e disse que receberíamos este devido valor. Infelizmente isso não aconteceu até agora, mesmo com a palavra do prefeito. A consequência é que ficou inviável para qualquer gestor continuar com o basquete feminino adulto em Americana sem a Lei de Incentivo.

BNC: Existe uma inciativa do futebol feminino com grandes clubes de futebol como o Flamengo e o Santos. Esta iniciativa pode se repetir com o basquete feminino?
MOLINA: Estive tanto no Rio de Janeiro (Flamengo) como em Santos. No Flamengo ainda é prematuro uma equipe feminina mas plantamos uma sementinha. Já em Santos, a equipe está em atividade, disputou a 1º primeira fase do Paulista e ficou com o vice campeonato. Tem um dos ginásios mais bonitos e completos do Brasil, e está se movimentando para jogar a próxima LBF. No que pudermos ajudar, sem dúvida faremos, assim como com todas as equipes.

BNC: Quase todos os times que disputaram a última LBF não possuem divisões de base. Como você pretende atacar essa questão, visto que a média de idade do campeonato é altíssima, novos técnicos e novas promessas não surgem e isso acaba minando a sustentabilidade do seu negócio?
MOLINA: Nesta questão temos que destacar dois caminhos, Bala: a) A pedido da FIBA em relação a suspensão tivemos que assumir com a CBB que não trabalharíamos diretamente com categorias de base. A FIBA entende que essa responsabilidade são das Federações e Confederação.; b) Por um outro lado, caso a CBB não consiga incluir uma seleção de novas na próxima edição da LBF, implantaremos a contrapartida das equipes terem pelo menos 2 atletas sub20 em cada equipe. Se incluírem terão subsídios operacionais.

BNC: Não faz 30 anos que o basquete feminino tinha ídolos, conquistas e espaço na imprensa. Não acha estranho que atualmente quase todos os grandes nomes daquela época (Paula, Hortencia, Janeth, Alessandra, Maria Helena, Cintia, Leila etc.) estejam afastadas e / ou alijadas do basquete? Você pretende minimamente trazê-las de volta ao basquete feminino?
MOLINA: Entendo que o próprio passado do basquete brasileiro responde a sua pergunta. Foram muitos anos de descaso, principalmente com o feminino. Minha opinião é que precisamos olhar o basquete feminino como um todo. Não adianta a LBF ir para um lado, CBB para o outro e federações para outra posição. Algumas personalidades do basquete já perceberam isso e estão se colocando à disposição no que for preciso. Tenho certeza que a medida que as propostas foram virando realidade, quem realmente está preocupado com o basquete feminino, estará conosco nesse desafio. Diariamente recebo contato de pessoas no apoiando e isso gera confiança.

BNC: Muito se noticiou que você procurou alguns clubes para jogarem a LBF. Há um mapeamento por parte da liga de todos os clubes em atividade fora do Sudeste? A LBF interage com as federações a fim de incentivar a participação de clubes de outros estados?
MOLINA: Nossa equipe técnica está trabalhando diariamente e contanto as equipes atuais e futuras equipes do basquete nacional feminino. Em nosso planejamento, estaremos oficializando a CBB ainda este mês para o evento que realizaremos em agosto onde apresentaremos as equipes interessadas todas as informações da LBF CAIXA 2018. As equipes receberão o convite via federação e por consequência via CBB. Este evento será de grande importância para a próxima edição e principalmente para a definição no numero de equipes. Estamos focados para contemplar o máximo de informações possíveis do campeonato para que os clubes possam viabilizar a participação.

BNC: Qual tipo de subsídio que a LBF irá garantir aos clubes? Exigirá alguma contrapartida? Como os clubes irão se sustentar? Com que verba? A Liga irá ratear a verba da Caixa diretamente aos clubes, ou deixará as agremiações se sustentando por elas próprias e usará a verba para investir na própria liga?
MOLINA: Como mencionei, o modelo de contrapartida é um dos nossos três pilares. Trabalharemos para que possamos reduzir ao máximo de custos operacionais das equipes. Por outro lado, para quem se beneficiar faremos algumas exigências como por exemplo: ter sua própria equipe de transmissão WEB, que tenham atletas Sub-20 no elenco, que cada equipe possa, durante o campeonato, promover de forma social um projeto em sua cidade, criar ou mesmo oficializar o mascote de sua equipe para que possamos gerar interação, disponibilizar gravação da sua partida local para a nuvem para que todos, sem exceção, possa ter acesso, entre outras propostas que estamos avaliando. Não iremos ratear o dinheiro da CAIXA. Entendemos que fazer isso não geraria aprendizado às equipes. Sobre este assunto, fiz questão de perguntar ao Saez (FIBA). A reposta foi que para o basquete espanhol feminino estar hoje onde está foi necessário subsídios. Nós, da LBF, iremos implantar o LBF Academy justamente para preparar as equipes para a vida própria. Mesmo assim continuaremos investindo nas equipes, só que em outros pontos. Quem faz a LBF são as equipes.

BNC: Por fim. Você é um cara de ideias boas, mas que ultimamente se envolveu em diversas polêmicas (a maior delas com Clarissa e o colegiado que queria comandar a seleção brasileira feminina em 2016). Como o Ricardo Molina tem se preparado para ser um gestor mais racional e menos emocional, se é que isso é necessário mesmo?
MOLINA: Este ano completo 20 anos de atuação em gestão corporativa. Passei por empresas de médio e grande porte. Hoje tenho a felicidade de ter minha própria empresa (Grupo Clarian). Graças às equipes que formei, mais acertamos do que erramos. Sempre baseamos nossas ações pela razão. No mundo corporativo isto é fundamental. Quanto a gestão esportiva, no caso o basquete, entra um ponto muito perigoso chamado “emoção”. Amo basquete, por mais problemas que acabe gerando em alguns momentos. Não tive e não tenho problemas com a Clarissa. Talvez os dois tenham sido os maiores prejudicados. Minha discordância foi com a gestão antiga da CBB, onde alertamos de todas as formas o vexame que poderia ser o basquete feminino nas Olimpíadas no Brasil por falta de um planejamento mínimo.

Fizemos propostas e não fomos ouvidos. Esse era o ponto. Resultado: seis partidas, seis derrotas e o Brasil saiu de um ciclo olímpico da forma que entrou – no chão. Infelizmente cabe a todos nós trabalharmos mais uma vez para levantar este mesmo basquete. O problema é que quem o derrubou não assumirá nenhuma responsabilidade. Precisamos banir estas pessoas para que não seja preciso toda vez começar do zero. Claro que o tempo e as experiências positivas e negativas nos calejam e reduzem a probabilidade de erros. A tendência é que possamos equilibrar melhor a razão com a emoção, sem perder nosso perfil de buscar sempre o melhor.

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