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Bala na Cesta

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Quais os próximos passos da seleção no Mundial e o que é preciso pra garantir a vaga olímpica

Fábio Balassiano

06/09/2019 05h25

Depois de vencer Montenegro na quinta-feira em Nanjing, a seleção brasileira masculina começa amanhã às 05h30 (Sportv2 exibe) a sua caminhada na segunda fase do Mundial da China em Shenzhen. Terá a República Tcheca neste sábado e na segunda-feira os Estados Unidos (09h30). Muita gente tem perguntado sobre o regulamento da competição e os critérios para a classificação olímpica. Vamos lá então.

Nesta segunda fase do Mundial os dois melhores times de cada grupo inicial estarão formando uma nova chave com outros dois integrantes. Estas quatro seleções carregam TODOS os resultados até agora (inclusive o do duelo contra o time eliminado – por isso o confronto contra Montenegro ontem valia tanto). Os times jogam entre si, com exceção das seleções que já haviam se enfrentado na etapa inicial do campeonato.

Exemplo prático: o Brasil liderou a sua chave (F) ao vencer Grécia, Nova Zelândia e Montenegro. Juntou-se, agora, a Estados Unidos e República Tcheca, os classificados da E, no grupo K e os enfrenta – mas não mede forças com os gregos. EUA e Brasil têm 3 vitórias e nenhuma derrota. Gregos e tchecos, 2 triunfos e um revés. Mais detalhes aqui. O sistema de disputa está aqui pra quem quiser checar.

Desta segunda nova chave classificam-se os dois mais bem colocados para as quartas-de-final, onde os jogos são em mata-mata simples. Ganhou, avança para as semifinais. Perdeu, está eliminado. Os dois que avançarem do novo grupo do Brasil enfrentam os dois melhores da chave L, que agora tem França (3-0), Austrália (3-0), Lituânia (2-1) e República Dominicana (2-1). Só depois, já nas semifinais, é que há uma, digamos, mistura de chaves, com os vencedores medindo forças com a "turma" que está do outro lado nos grupos I (Argentina, Polônia, Venezuela e Rússia) e J (Espanha, Sérvia, Itália e Porto Rico).

Para o Brasil, o melhor cenário possível para avançar às quartas-de-final é o seguinte: vencer a República Tcheca no sábado e torcer para, no mesmo dia, os EUA vencerem a Grécia. Com isso, norte-americanos e brasileiros chegariam invictos (4-0) a última rodada, já classificados para as quartas-de-final e disputando apenas o primeiro lugar da chave K na segunda-feira.

Os cenários não tão positivos acontecem no caso do famoso tríplice empate, sendo o classificado neste caso aquele que tiver o melhor saldo de pontos APENAS nos confrontos dos times empatados (no caso, entre os três).

Há três cenários possíveis neste caso:

a) Vitórias de Rep. Tcheca no sábado contra o Brasil e grega contra os tchecos na segunda-feira, com os EUA batendo Brasil e Grécia. Assim teríamos tchecos, gregos e brasileiros com 3-2. Saldo de pontos entre eles.

b) Um panorama improvável, mas possível, é o caso da República Tcheca ganhar dos brasileiros no sábado, os EUA ganharem da Grécia no mesmo dia, os brasileiros ganharem dos EUA na segunda e os mesmos tchecos passarem pelos gregos. Haveria tríplice empate entre EUA, Rep. Tcheca e Brasil com 4-1.

c) Grécia vence os EUA no sábado, Brasil vence República Tcheca no mesmo dia e na segunda-feira gregos vencem os tchecos e os norte-americanos o Brasil. EUA, Grécia e Brasil teriam 4-1.

Pro Brasil nenhum caso de tríplice empate é bom porque a vitória contra a Grécia foi por apenas um ponto (79-78), o que faria com que, no mínimo, o saldo de pontos fosse de zero em caso de empate (derrota de um ponto neste caso).

Em resumo: é ganhar sábado dos tchecos, torcer pros EUA contra a Grécia e estar classificado às quartas-de-final no próprio sábado. É o melhor cenário do mundo – e sem depender de contas.

Em relação a vaga olímpica, é o seguinte: das Américas classificam-se direto para as Olimpíadas de 2020 os dois melhores no Mundial que está sendo disputado na China (o mesmo acontecendo com os europeus). Ou seja: os dois que forem mais longe entre Brasil, EUA, Argentina, Porto Rico, República Dominicana e Venezuela se garante direto em Tóquio.

Pelo visto, e pela chave fácil da Argentina sobretudo, chegar às quartas-de-final é imperativo para garantir vaga na Olimpíada de Tóquio. Todos os ELIMINADOS nas quartas disputam o famoso torneio de consolação (de quinto a oitavo), sendo bem possível que algum jogo deste torneio seja entre times das Américas com eles disputando uma vaga nos Jogos de 2020. A colocação final determinará os dois classificados dos continentes (um da África, um da Ásia, dois europeus, dois das Américas e a Austrália já entrou como a representante da Oceania).

Quem não conseguir a qualificação agora jogará em um dos quatro Pré-Olímpicos Mundiais que serão jogados em 2020 e apenas com o campeão de cada sede se garantindo nos Jogos Olímpicos. Ao todo serão 24 seleções divididas em 4 grupos e cujos times serão divulgados pela Federação Internacional em breve. Cada seleção joga apenas em seu grupo, uma vez contra cada adversário, e o melhor de sua respectiva chave avança a Tóquio-2020. Times que não foram ao Mundial, como por exemplo Eslovênia e Croácia, podem, sim, disputar o Pré-Olímpico Mundial para jogar as Olimpíadas de Tóquio.

Ufa. É isso. Espero que tenha ficado claro.

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