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Bala na Cesta

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Luka Doncic e a falta que ele faz ao Real Madrid, por Rodrigo Salomão

Fábio Balassiano

10/11/2018 07h20

* Por Rodrigo Salomão, direto de Tel Aviv

A temporada da Euroliga, assim como a da NBA, começou há pouco menos de um mês. Muita água ainda está por rolar, mas já dá para fazermos algumas análises iniciais. E a principal delas talvez seja a do próprio atual campeão: o grande Real Madrid. Cá estamos novamente para isso.

Além do afã de ser o detentor do título, a equipe merengue inspirava grande curiosidade para 2018/2019 por alguns pontos bem peculiares:

1) Como o time ia reagir sem o esloveno Luka Doncic, draftado pelo Dallas Mavericks;

2) Como seria para manter o ímpeto depois de conquistar mais um título europeu;

3) Como seria a adaptação de Gabriel Deck, jovem argentino contratado recentemente.

Bom, passadas seis rodadas da competição, já dá para ter uma boa ideia de cada uma destas provocações.

A equipe treinada por Pablo Laso é simplesmente a grande sensação da reta inicial do torneio. Foram seis vitórias em seis jogos. Todos irrepreensíveis. Pudemos inclusive conferir in loco justamente o êxito mais recente, um belíssimo 87-66 fora de casa diante do Maccabi Tel Aviv. A qualidade do elenco madrilenho é simplesmente estarrecedora.

Inegável que o maestro do time em quadra é Sergio Llull, que esteve de fora quase toda a temporada passada e fez a diferença nos duelos decisivos no Final Four vencido em 2018 em Belgrado. Na noite da última quinta-feira no Menora Mivtachim Arena, em Tel Aviv, o armador teve mais uma de suas grandes atuações. Foram 17 pontos, com aproveitamento de 62,5% nos arremessos de longa distância (5 de 8 tentados). Conseguiu calar a torcida amarela e azul com muita eficiência, o que por si só já é impressionante.

Na coletiva após a partida, o técnico Pablo Laso parecia convicto de que a chave da vitória tranquila foi a diferença nos rebotes: 46 a 27 para os espanhóis. Abismo que também pode ser explicado pela ausência do lesionado Tarik Black (ex-Lakers, Rockets etc.) no time israelense. Explica, mas não justifica. A campanha do Maccabi é muito abaixo do esperado até o momento – venceu apenas um jogo e já periga não ter fôlego para brigar por vaga nos playoffs. Ramon Sessions acabou de chegar para ajudar. A conferir no que isso pode dar.

Fato é que o Real Madrid não tem nada com isso e por enquanto segue sobrando na Euroliga. Não apenas pela invencibilidade, mas também por como ela tem sido construída. Seu saldo até agora é de 106 pontos (17,6/jogo). Para se ter uma ideia de comparação, o não menos poderoso CSKA também venceu seus seis primeiros compromissos, só que com saldo de 51 pontos (8,5/jogo). Dominância que os números não deixam escapar. Mas como tudo se decide só lá em maio, com Final Four naquele "tiro curto" que a gente tanto ama, não dá para cravar nada em novembro.

"E o Gabriel Deck?", vocês devem estar se perguntando. Antes do jogo, foi sem dúvidas o atleta que passou mais tempo em quadra aquecendo. Está visivelmente com fome, empolgado pela oportunidade, mas sua participação foi discreta. O hermano atuou por apenas 8 minutos e está ganhando espaço aos poucos. Não pontuou, só que pegou dois rebotes (o diferencial do duelo, lembram?).

Conseguimos conversar um pouco com ele já depois da partida. Disse estar feliz com a oportunidade de entrar em quadra numa competição de alto nível e que espera ajudar cada vez mais os seus companheiros a conseguir mais vitórias. Tudo com muita seriedade nas palavras, muita concentração. Semblante que só foi quebrado depois da pergunta final.

Com seu passado de San Lorenzo nas costas, deu uma risada marota antes de responder sobre o grande assunto do momento em seu país:

"Boca ou River? Nada, que vença o melhor", finalizou.

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