Bala na Cesta

Meu balanço da temporada 2017/2018 do NBB: campeonato cresceu, mas onde ainda pode evoluir?

Fábio Balassiano

14/06/2018 06h00

Divulgação / LNB

Foi assim em 201320142015 , 2016 e 2017. Em todos eles fiz o (meu) balanço da temporada do NBB. Como sempre digo, esta é uma avaliação crítica de um produto de, agora, 10 anos e que tem mudado de patamar positivamente ano após ano.

O QUE DEU CERTO

1) Chegada dos “NBA” -> Anderson Varejão e Leandrinho fizeram com que o campeonato ganhasse ainda mais relevância. Nacional e internacional. São atletas com renome, com fama, com títulos de NBA, com carisma e enorme estrada no melhor basquete do mundo. Flamengo e Franca, seus clubes, se beneficiaram com isso para encher ginásios e vender produtos, mas o esporte brasileiro como um todo com a presença deles por aqui.

2) Jogo das Estrelas  -> Mais uma vez o Ibirapuera esteve lotado, o público adorou o espetáculo, houve show do intervalo (com Thiaguinho), inúmeros patrocinadores e uma atmosfera incrível pro basquete brasileiro. O Jogo das Estrelas do NBB se consolida a cada ano como o maior evento esportivo do Brasil.

3) Foco no E-Sports  -> No mesmo Jogo das Estrelas a Liga Nacional deu uma prova de que está olhando – e bem – pro mercado. Organizou o primeiro campeonato de E-Sports e mostrou que tem o foco, também, na garotada que é vidrada em videogames. Este é um filão absurdamente gigantesco, e estar atento a ele é um ponto bem importante pro futuro do NBB.

4) Patrocinadores “bombando”  -> Em um momento de retração dos patrocínios esportivos, o NBB10 enfileirou patrocinadores efetivos (Sky, Caixa, Avianca, Nike, Infraero, Penalty, Açúcar Guarani e Wewi), pontuais para o Jogo das Estrelas (Elo, FIESP e McDonalds) e obteve a LG na decisão do campeonato. Isso sem falar em Globo, Band, Twitter e Facebook, parceiros de mídia. Esbanjando credibilidade, a Liga Nacional consegue angariar apoiadores de todos os cantos.

5) Playoff inteiro exibido  -> Pelo segundo ano seguido a pós-temporada teve todos os jogos exibidos. O momento de maior emoção da temporada, portanto, foi exibido pra quem quisesse ver – e isso é excelente.

6) Multiplataforma (Jogos no Twitter, Facebook, TV Aberta, TV Fechada e TV’s Regionais)  -> Os jogos do NBB ganharam abrangência nesta temporada. Além de Facebook, Sportv e Band, as partidas foram parar no Twitter e também nas TV’s Regionais (destaque pra de Salvador, que exibiu as do Vitória. É o tal do “multicanal”, multiplataforma ou qualquer nome que se queira dar em relação a isso. Um ponto positivo disso é que as audiências das partidas aumentaram absurdamente, sobretudo no público jovem – ótimos dados estes, sem dúvida.

7) Campeão de orçamento menor  -> Ter um campeão como o Paulistano, com orçamento menor que o de alguns bambas como Flamengo e Franca, é ótimo pro campeonato. Não só porque é inédito e da capital de São Paulo, mas sobretudo porque prova que times com planejamento, organização, contratando bem e um técnico excepcional podem chegar longe – algo que não acontece em todos os esportes, diga-se de passagem. Um vencedor assim abre a cabeça de muita gente.

8) Jogos entre Natal e Ano novo  -> Uma das grandes críticas que se fazia ao NBB é que o campeonato meio que dava uma parada entre o Natal e a primeira semana do ano. Desta vez houve rodada, inclusive com um clássico na TV (Vasco x Flamengo). Sensacional e que isso se repita.

Foto: Divulgação Basquete Cearense

9) Jogadas “mundiais” de Boracini e Duda Machado  -> Nem precisa falar muito por aqui, né? Paulinho Boracini e Duda Machado protagonizaram lances que ultrapassaram a barreira do basquete. A imagem do NBB foi parar na ESPN americana, nos grupos de WhatsApp e em todos os papos familiares durante semanas. Isso foi excelente para o crescimento da abrangência da Liga Nacional.

10) Recorde de equipes na Liga Ouro -> Recorde de participantes na divisão de acesso ao NBB. Foram nove em 2018, em uma prova que tem muita gente querendo participar da grande festa do basquete brasileiro. Acredito que se o campeonato fosse mais longo atrairia ainda mais equipes.

O QUE AINDA PODE MELHORAR

1) Clubes em situação financeira complicada  -> Este é um tema recorrente, delicado e muito importante pra sustentabilidade e próximos passos da Liga Nacional. O Vitória fechou as portas em Salvador, o Basquete Cearense ninguém sabe se permanece, o Vasco teve problemas financeiros, Bauru também e não são poucos os casos de times que não sabem quanto terão de orçamento pra próxima temporada. A Liga tem ido muito bem, mas não adianta muito que os clubes não a acompanhem. Não sei exatamente qual a solução, mas obviamente eles precisam se capacitar, melhorar suas governanças e estarem mais preparados para o mundo esportivo profissional.

2) Ingressos  -> Durante a temporada recebi muitos e-mails e mensagens sobre dificuldades para comprar os ingressos. Outro ponto que cabe aqui é sobre conseguir públicos e rendas com facilidade no site da Liga Nacional. Não creio que seja complexo que a Liga absorva o tema e consiga fechar uma parceria / contrato com um grande revendedor de ingressos (Ticketmaster, Ingresso.com etc.) de modo a concentrar os esforços de venda em um único espaço. Seria bom para todo mundo, sobretudo para os torcedores que querem acompanhar o NBB.

3) Nível técnico  -> Outro tema recorrente. E obviamente não depende só da Liga Nacional (mas da engrenagem completa do basquete brasileiro). Embora emocionantes, os jogos do NBB não são um primor técnico. São bem disputados, animados, mas muitos bons? Não creio. Nem as finais foram incrivelmente bem jogadas. Um ponto de atenção em relação a isso é que são os veteranos que têm dominado a Liga há bons cinco, seis anos (Machado, Alex, Marquinhos, Shamell, Larry etc.). A turma de 25/26 anos, no auge técnico e físico, já deveria estar tomando o NBB de assalto.

4) Falta uma “Copa” -> Não é fácil devido ao calendário (ainda mais agora com as eliminatórias da FIBA), mas seria muito legal se houvesse uma espécie de Copa do Rei como há na Espanha. É mais um evento competitivo, uma chance de taça para os times do país e uma chance de levar o evento pra praças diferentes daquelas que possuem equipes no NBB. Não é fácil, mas começar o NBB um mês antes talvez abrisse essa possibilidade.

5) Jogadores como marca -> Tenho notado bastante melhora, mas os jogadores precisam se posicionar melhor sobretudo em redes sociais. Há Instagrams fechados pro público, atletas (All-Stars) sem páginas no Facebook e Twitters vazios. Eles talvez não tenham entendido que as redes sociais são a principal forma que eles têm de se conectar com o público. Ajuda muito na exposição deles como “marca” e também no crescimento do produto NBB de forma mais ampla.

SALDO DA TEMPORADA

Aos 10 anos de idade, o NBB é um produto maduro e a décima edição do campeonato teve, em minha modesta opinião, a alta nota 8 – 8,5 com generosidade. A Liga Nacional tem feito um trabalho de divulgação incrível, conseguiu se posicionar como um torneio maduro, estável, de imensa credibilidade e querido por todos e sabe que falta pouquíssimo para alçar um novo patamar.

Os próximos passos serão fundamentais para isso, e as áreas de Novos Negócios, Marketing, Técnica e Comunicação terão papéis essenciais nisso. Pelo que se viu até agora, é bem plausível afirmar que o NBB chegará neste ponto de excelência muito rapidamente. Com o que já foi feito em dez ótimos anos, é possível desejar parabéns aos dirigentes da Liga Nacional pelo trabalho de reconstrução do principal campeonato da modalidade (antes “mortinho”, agora desejado e querido por todos).

Concorda comigo?

 

Sobre o blog

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.

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