Bala na Cesta

Minha avaliação sobre o NBB5 e os próximos passos do campeonato

Fábio Balassiano

03/06/2013 10h40

Terminou o quinto NBB no sábado passado, e acho bacana fazer uma avaliação do campeonato organizado pela Liga Nacional de Basquete.

Antes de começar, uma coisa bem básica: já são cinco edições de Novo Basquete Brasil e todo mundo já sabe quão sério o campeonato e as pessoas da Liga são. A organização melhora a cada ano, a Liga de Desenvolvimento já chegou a sua segunda edição e tem planejamento para 2016 desde já, o comprometimento dos dirigentes é muito bacana (uns mais, outros nem tanto, mas a média é positiva) e o crescimento só não é visível para quem é muito cego. Se não está onde queremos ou onde queríamos que estivesse, é porque o atraso era tão grande quando da gestão da entidade máxima que o buraco é difícil mesmo de tirar. Dito isso, vamos lá:

1) Acho que o ponto que mais chamou a atenção de quem acompanhou o campeonato foram as arbitragens, quase sempre péssimas. Os dirigentes da LNB tentam contemporizar, soltam palavras de apoio, fazem clínicas pros caras, mas a verdade é simples: os juízes não são mal intencionados – são, em sua maioria, ruins no que fazem. Pra piorar as coisas, são vaidosos ao cubo (ainda há o microfone do Sportv para potencializar a veia artística deles e pensem no que isso resulta), prepotentes e travam o jogo que nem os sopradores de apito do futebol. Como melhorar isso? Reciclagem urgente – e em doses cavalares (não homeopáticas). Ah, tirem os microfones deles também.

2) Um ponto que tem a ver com o primeiro: reclamação de jogador e técnico com arbitragem. Estamos chegando a um ponto quase cômico em que todas as marcações são contestadas de forma veemente por atletas e treinadores. Do bola ao alto ao apito final todo mundo mete a mão na cara do juiz, abre o braço, reclama e gesticula. Na boa, isso é um saco e não ajuda em nada nem ao espetáculo e nem ao árbitro. Se o objetivo é tumultuar ainda mais a cabeça deles, é bom saber que os times conseguem. Como coibir isso? Punições rápidas. Reclamou? Gancho. Reclamou mais? Gancho maior. Acaba-se com isso em um minuto.

3) Muita gente fala sobre o número de clubes (20 nesta edição), mas eu não vejo problema, não. Acho um número bacana pra desenvolver basquete em alto nível no país, mas o problema é que decididamente nem todos os times têm essa condição. O exemplo mais claro nesta edição foi Suzano, que mal conseguiu chegar ao final, atrasou salários e não tinha time condizente com o NBB para jogar a competição. Não acho que a saída seja diminuir o número de participantes, mas fazer uma análise mais meticulosa de quem estará jogando as próximas edições. Não tem time, orçamento ou estrutura pra jogar? Obrigado e volte ano que vem.

4) Sobre os convites para a próxima edição eu não preciso voltar a este tema, correto? Fui, sou e serei sempre contra isso. Só deixo aqui um ponto para reflexão: se for pra ter convite, pode matar a Super Copa da Cbb e a 2a divisão (da própria) Liga Nacional, correto? Qual o motivo que um time jogaria isso se sabe que no final haverá a chance de ser agraciado com um convite?

5) Sobre os clubes em si, acho que há um núcleo bem consolidado de times que já fazem parte da elite do NBB em termos de estrutura de basquete, times e organização esportiva mesmo (digo isso não pelos resultados de quadra apenas, mas pelo histórico e continuidade, principalmente). Flamengo, Brasília, Bauru, Pinheiros, Franca, Limeira, Uberlândia, Minas, Paulistano e São José (mesmo agora com o problema da prefeitura) são as molas que vão puxando o NBB e o basquete brasileiro pra frente (ia colocar Joinville, mas o time enfrenta problemas graves de finanças agora). Parabéns a eles, e que os demais clubes se espelhem para chegar ao mesmo patamar.

6) Havia um ponto que estava me fugindo, mas peguei aqui. Algo precisa ser feito em relação ao STJD, pelo amor dos deuses. Não é possível que um julgamento de atleta demore 7 dias pra ocorrer. Quais casos o STJD julga tanto para atrasar tanto assim o basquete? E os efeitos suspensivos, que acabam por minar completamente a credibilidade do Tribunal? Se é pra tê-lo assim, melhor não ter o STJD. Se é pra ter (e acho que tem que ter), que ele seja ágil, eficiente e que não transforme os efeitos suspensivos em feitos recorrentes e “muletas” dos clubes. Apenas como comparação: Chris Andersen, na NBA, fez besteira no jogo 5 da série entre Pacers x Indiana na quinta-feira, foi suspenso na sexta-feira à noite e não jogou no sábado. Qual a dificuldade para imitar algo simples e que dá certo lá fora? Eu nunca vi efeito suspensivo na NBA, nunca vi clube reclamando como se fosse o fim do mundo a ausência de atleta. A liga suspendeu, ela é soberana, acabou. Os casos de Jeff Agba e Caio Torres ficarão na memória por muito tempo.

7) Dentro de quadra o panorama não melhorou em absolutamente nada. Tive a impressão de ver jogos melhores no playoff (principalmente porque os dois que chegaram à decisão possuem dois bons treinadores), mais combatividade, mais intensidade, mas a carga tática aplicada por aqui ainda é terrível, bem abaixo da crítica. O excesso de bolas de três é absurdo, mas nem é o que mais chama a atenção, por incrível que pareça. Me deixam mais assustado, por exemplo, a falta de cuidado que as equipes têm com a bola (gerando erros), a falta de troca de passes no ataque e chutes malucos (aqueles em que os atletas não sabem mesmo o que estão fazendo). Há muito a melhorar nesse sentido. Clínicas e aprimoramento dos treinadores, principalmente os da base, devem estar na ordem do dia mais do que nunca.

8) Voltarei ao tema em breve, mas o calendário do basquete brasileiro precisa ser revisto. Tem time jogando 90, 85 jogos por temporada, e isso é um absurdo. Por conta da zona que é são ABASU e FIBA Américas, que organizam Liga Sul-Americana e das Américas, a Liga Nacional teve que mexer na tabela algumas dezenas de vezes. A solução? Que todas as entidades sentem antes e tentem chegar a um denominador comum antes de a bola subir. Isso, porém, não é fácil pois quem comanda nem sempre quer ajudar o basquete daqui. Talvez seja realmente a questão mais delicada para a LNB tratar – a que menos depende dela, digamos assim.

9) Por fim, sei que este é um ponto polêmico, chato pra caramba pois é repetitivo, mas não dá pra não falar. A submissão da LNB para com a Tv Globo, sua principal parceira comercial, chegou a níveis absurdos nesta temporada (na verdade o “absurdismo” vem crescendo ano a ano, e como ninguém dá um basta, continua se desenvolvendo). De horários de jogos marcados para 21h45 de sábado a falta de transmissões de partidas decisivas de playoff, passando por bizarrices como câmeras no meio da quadra para filmar lances-livres (!!!!!!), chegou a um ponto que parece que o basquete é um brinquedo da emissora – e um brinquedo cuja prioridade é pequena (é tipo dar um Lego pra crianças de hoje que só brincam com iPhone, iPad ou iQualquer coisa). E se digo isso tudo é porque o NBB, com cinco anos, já é um produto razoavelmente consolidado, conhecido, pronto para ao menos alçar vôos maiores e melhores no país (é devaneio sonhar com duas televisões abertas + duas fechadas exibindo a competição inteira? Não creio…). Chegamos ao meio do contrato de 10 anos com a TV Globo (incrível, né, 10 anos de contrato…), e a relação precisa ser repensada, discutida, traçada novamente. A Globo tem a melhor das intenções – mas a melhor das intenções para a grade de programação dela.

10) Isso leva ao ponto final e central do post (espero que vocês tenham chegado até aqui). A Liga Nacional, por sua vez, deveria pensar mais no seu produto, na comunicação, na “embalagem” dele, na forma como ele é visto e percebido pelo mercado – pelo mercado como um todo, não só por quem consome basquete (e somos poucos, estou certo disso). E isso vem sendo feito de forma muito simples, muito tímida, elementar ainda. Até porque trabalho com isso diariamente, sinto-me bem à vontade para dizer: a parte organizacional de Liga é excelente, mas a de planejamento de marketing, administração e comunicação deixa muito a desejar – muito mesmo. E isso pode ser visto na falta de patrocinadores da entidade, que perdeu Netshoes e Eletrobras na temporada passada, repondo apenas com uma marca de isotônico (juro que não lembro o nome) para o NBB5 (muito pouco, não?). Tem mais. Você, por exemplo, viu alguma propaganda em jornal/rádio sobre os playoffs do NBB? Duvido muito. Acho, por exemplo, bem inacreditável que a LNB não tenha uma tática-Web para promover-se em mídias sociais e no ambiente virtual, certamente o mais fácil de se atingir os tarados pela modalidade (é só ver o número de blogs e sites que há). Se perguntar quanto de “buzz” gerou a final do NBB na Web não creio que saibam me responder, infelizmente. Outras perguntas bem básicas: alguma pesquisa já foi feita para saber quem é e onde está o consumidor de basquete na atualidade? Alguém da Liga, do presidente Cassio aos diretores, sabem dizer quanto vale o produto NBB hoje (em milhões de reais mesmo)? Não creio. Outra coisa: por que não investir em transmissões via Web, numa espécie de League Pass Nacional? Não se paga? Vale a pena tentar. Acho que chegou o ponto de, para um salto grande em termos de qualidade do produto, é mais do que necessário um choque de gestão e idéias mais arejadas, mais em linha com o que o mercado corporativo pratica no dia-a-dia digamos assim, para tocar o produto NBB, não deixando-o somente para os diretores de programação e artísticos da Tv Globo a função. Se quiser realmente crescer – e crescer mais rápido-, o NBB vai ter que caminhar com suas próprias pernas, para, aí sim, apresentar um baita produto para a maior emissora do país colocar em sua grade feliz e contente, sem que ela tenha que se preocupar com muito mais coisa do que em narrar e comentar as pelejas.

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