Bala na Cesta

Meu Balanço da temporada 2015/2016 do NBB

Fábio Balassiano

27/06/2016 01h00

machado6Fiz em 2013 , 2014 , 2015 e agora faço o meu balanço da temporada 2015/2016 do NBB que terminou há duas semanas com o título do Flamengo (o quarto consecutivo) em cima de Bauru no Rio de Janeiro.

Antes da análise em si, um preâmbulo necessário: como disse em 2015, o produto NBB não é mais uma criança. Terminou o seu oitavo campeonato, tem uma parceria consolidada com a NBA, é um campeonato exibido em três canais diferentes (Site LNB, Rede TV e Sportv) e com alguns ótimos times. Não dá pra tratar, portanto, com condescendência, como se a Liga Nacional ainda estivesse nascendo – porque não está mais. Se o nível do campeonato subiu, a exigência também precisa crescer, né? Então vamos lá.

PONTOS POSITIVOS

nbb1a) Patrocinadores – Impossível não começar por isso. Há cerca de três anos que a Liga Nacional não possuía aporte financeiro que não da Rede Globo e/ou da NBA (sua parceira desde 2014). Chegaram para a temporada 2015/2016 quase que de uma vez Caixa (patrocinadora máster), Sky, Avianca e Spalding. Mérito de toda equipe da LNB, sobretudo do gerente de marketing Alvaro Cotta, que chegou recentemente à estrutura da Liga e já começa, rapidamente, a colher resultados. O dinheiro (dos patrocinadores) pelo dinheiro não significa muita coisa, obviamente. Não fará dos clubes mais ricos neste primeiro momento, mas dará fôlego para a Liga Nacional de Basquete pensar (e principalmente realizar) novas ideias, cobrando, inclusive, as equipes em temas críticos como gestão (falaremos mais adiante), marketing e planejamento.

sarasate1b) Crescimento do público nos Playoffs – Acho que havia muito tempo que eu não via um playoff tão disputado e com ginásios tão cheios. Ainda não peguei os números oficiais com a Liga Nacional, mas acho bem provável que o de 2.500 de 2011 na pós-temporada, maior marca até aqui, seja superado pela média de 2016. Houve ginásios a tope em Caxias do Sul (no playoff em sua primeira participação no NBB), Fortaleza (o Paulo Sarasate viu mais de 9.500 pessoas contra Mogi no jogo 3), Marília (sede de Bauru na decisão) e Rio de Janeiro três vezes com mais de 7 mil pessoas na Arena Carioca na decisão do Flamengo contra Bauru. Também fizeram bonito neste sentido Mogi (como sempre enchendo o Hugo Ramos), Brasília e Rio Claro. Foi lindo ver praças importantes com presença tão grande de público.

nbb2c) Transmissões pela Web – Já falei isso algumas vezes neste espaço e repito: o público do basquete é, hoje, de internet. Pode (e deve) crescer para se popularizar e encontrar a galera de outros meios, mas é, atualmente, prioritariamente do mundo virtual. Por isso o esforço da Liga Nacional com a exibição de jogos na internet é mais do que fundamental. Os números não são tão altos assim (não chega a 100 mil espectadores por jogo), mas a qualidade das transmissões (o narrador Guilherme Maia, a repórter Giovanna Terrezzino e o comentarista Cadum são realmente muito bons!) sinalizam mais do que uma iniciativa de capturar o web-basqueteiro, mas a formação de um produto como é o NBA League Pass, plataforma de venda de jogos por streaming da principal liga do mundo. As finais da Liga Ouro através do Facebook Live foi outra iniciativa bacana dentro deste mesmo ponto “internético”. Desde o início de 2014, foram 116 partidas transmitidas pela internet. Nesta temporada, 38 jogos do NBB, 15 da Liga de Desenvolvimento  na etapa final; a partida inaugural e as finais da Liga Ouro.

nbb3d) Presença nas Redes Sociais – Este ponto é extensão do de cima. Atualmente o NBB conta com mais de 300 mil seguidores no Facebook (ok, sabemos que a rede do Mr. Mark Zuckerberg, que neste fim de semana fez um Live com ninguém menos que Barack Obama, permite que números se inflem com facilidade devido ao investimento financeiro), mais de 45 mil no Twitter, 54 mil no Instagram e outro punhado no Snapchat, rede social que este blogueiro até tentou, mas não teve habilidade pra usar. Se a galera do basquete é jovem pra caramba e está na internet, nada mais inteligente do que literalmente bombar nas redes sociais. É o que a Liga Nacional vem fazendo estrategicamente e cirurgicamente desde sempre. Decisão inteligente e com pessoas muito capacitadas tocando esta operação.

bassule) Departamento Técnico – Já tivemos algumas discussões grandes, mas gosto de Paulo Bassul, hoje Gerente Técnico da Liga Nacional de Basquete, desde sempre. É um cara estudioso, com metodologia, sonhador e organizado. A Liga divulga pouco as ações que seu departamento têm feito, mas conversando com ele (e ele estará em um Podcast especial sobre isso proximamente) dá pra notar como a Liga tem se aproximado dos clubes para entregar às agremiações bastante conhecimento e capacitar os treinadores. Ainda é pouco, sabemos, pois o nível técnico do produto NBB ainda é baixo (e não se resolve apenas com os times de cima, mas com sólidos trabalhos desde a divisão de base), mas na semana passada aconteceu uma clínica muito interessante em São Paulo com Casey Hill, treinador da D-League (a “LDB” da NBA), e demais técnicos internacionais, que exemplifica muito bem isso que estou falando neste item.

ldb3f) Liga de Desenvolvimento – Segue sendo, pra mim, o que mais gosto desde a criação da Liga Nacional. O Campeonato Sub-22 tem uma série de ajustes que precisam ser feitos (desde o número e quais os times até o ajuste na idade limite), mas é o maior torneio de base dos esportes olímpicos do país. Tem “corpo”, ótimo número de atletas, ações de capacitação com técnicos e atletas, acompanhamento por parte do Departamento Técnico da Liga Nacional e ótimos jogadores surgindo. Não é coincidência que Lucas Dias, do Pinheiros, foi MVP da última LDB da qual o seu clube foi o campeão e meses depois foi selecionado para atuar no Jogo das Estrelas. Uma coisa (o tempo de quadra, a confiança e os jogos em sequência na LDB) gera uma série de outras coisas muito boas para atletas, agremiações e pra própria Liga mesmo.

PONTOS A MELHORAR

nbb5a) Arbitragem – Preciso começar por isso, né? Desculpem, mas aqui não dá pra dourar a pílula. É bem verdade que atletas e sobretudo técnicos causam o CAOS aos árbitros durante os jogos com simulações, discussões, reclamações em TODOS os lances do jogo. Para uma atividade que não é fácil de se fazer (marcações de juízes são complicadas e muitas vezes subjetivas mesmo), ter os envolvidos buzinando no ouvido a todo instante não é a coisa mais tranquila do mundo, concordam? De todo modo, não dá pra julgar a culpa de uma deficiência deles (dos árbitros) nas partes que sofrem (ou acham que sofrem com isso). O playoff do NBB foi desesperador em termos de marcações de arbitragem, culminando com aquela tenebrosa do jogo 3 da final no Rio de Janeiro (a tal bola presa envolvendo Hettsheimeir, de Bauru, e Rafael Luz, do Flamengo). Ali, na verdade, foi o caldo entornando de algo que já estávamos vendo acontecer há muito tempo. Insisto: as arbitragens do NBB são MUITO ruins, muito ruins mesmo. E por uma série de razões: a) a formação dos árbitros depende da CBB mais do que de qualquer entidade (e não preciso me alongar muito mais quando cito isso, certo?); b) o número de juízes no país é muito pequeno; e c) a reciclagem ainda é lenta. Tem um ponto muito meu, mas muito meu mesmo, que é achar (e é só um achismo) que a Liga Nacional não pensa que o nível das arbitragens é péssimo. Com isso, não ataca o problema com o senso de urgência que ele (o problema) merece. Pode ser um engano meu, mas me parece algo plausível pois, ao contrário de demais áreas do produto NBB (marketing, comunicação, arenas, parte técnica etc.), não vemos evoluções neste campo nem a curto e nem a longo prazo.

nbb8b) Gestão dos clubes – Não é um ponto exatamente que a LNB tenha responsabilidade, mas cabe a ela gerenciar isso melhor. De novo tivemos casos de salários atrasados, crises estruturais durante a competição, ginásios muito vazios e pouquíssimas ações de engajamento envolvendo times e suas comunidades. A ausência de um calendário anual que envolva clubes, Liga e torcedores é algo que me incomoda. A Liga, sim, tem culpa de não cobrar mais das equipes, mas as equipes (grande parte delas – com Mogi, Rio Claro e Bauru sendo honrosas exceções) também são pra lá de acomodadas por enxergar o basquete como esporte, quadra, jogos e atletas. A parceria com a NBA deveria servir também para isso, não? Para trazer a experiência de mais de meio século da melhor liga de basquete do planeta e adaptar ao que podemos fazer por aqui. Muito pouco ainda é feito. A saída do patrocinador de Bauru (Paschoalotto) na semana passada, com o time quase todo sendo desmontado, é um reflexo disso. As gestões das agremiações são muito pouco planejadas, ficando sempre tentando montar times e estruturas de um ano para o outro. Vai dar errado – sempre…

franca2c) Ginásios – O que aconteceu em Rio Claro nos playoffs foi um verdadeiro absurdo (assalto a atletas de Franca) e isso não pode mais ocorrer. Sei que o problema dos ginásios é muito mais brasileiro do que do basquete em si, mas a Liga Nacional de Basquete precisa, também neste ponto, agir com rigor. Se o ginásio é ruim, que os clubes sejam OBRIGADOS a dar condições mínimas a atletas, técnicos, torcedores e imprensa dentro daquilo que a arena oferece. No caso específico de Rio Claro, confesso que fiquei menos chocado com o assalto em si e mais com a qualidade do vestiário do ginásio Felipe Karam – espaço pequeno, com bancos de madeira e cadeiras velhas de plástico. A parte de banheiros, setor de imprensa, acessos aos torcedores e áreas de alimentação precisam urgentemente ser melhoradas.

nbb2d) A qualidade do produto NBB – A parte técnica do NBB ainda é ruim – de ruim pra baixo sendo muito sincero. Nas finais o nível sobe um pouco, mas nada de tão assustador assim. Para melhorar só há uma maneira: capacitar os técnicos das divisões de base. É um processo longo, eu sei disso, mas algo precisa ser feito, agora, para que a qualidade suba um pouco. Não é coincidência que quase todos os “jogadores-franquia” estejam na faixa dos 30 anos (Ricardo Fischer, de Bauru, é a exceção que confirma a regra).

bauru2e) Desequilíbrio – Todo mundo que acompanha o NBB sabia que a final seria entre Bauru e Flamengo. A não ser que houvesse uma catástrofe era isso que estava previsto para acontecer. E aconteceu. E só rola porque há um desequilíbrio imenso, gritante, galopante entre as equipes que mais e as que menos investem. Sinceramente não sei como resolver isso, porque não dá pra pedir para os times que contam com mais verbas de seus patrocinadores, para reduzir seus investimentos, mas ter um campeonato inteiro direcionado (no sentido de sabermos exatamente quais os dois clubes que chegarão às finais dentro de seis meses) não me parece algo bom para a Liga Nacional e muito menos para quem acompanha.

lbf1f) O vai, não vai da LBF – Afinal, a estrutura da Liga de Basquete Feminino foi ou não incorporada à da Liga Nacional de Basquete. Serão dois órgãos que irão caminhar juntos dentro do mesmo corpo, ou ficarão separados? A ausência das meninas no Jogo das Estrelas em Mogi foi um problema seríssimo e até agora não está claro para as pessoas que acompanham o basquete se será uma gestão compartilhada ou se a LBF seguirá o seu caminho sozinha. Torço para que a LBF seja definitivamente um dos produtos da LNB, mas não é alto que está muito tranquilo para quem está de fora entender, não.

CONCLUSÃO

nbb1Sigo achando o produto NBB bom, mas tal qual disse aqui neste espaço o dirigente Alexandre Póvoa, do Flamengo, eu penso que falta uma subida de patamar urgente para tornar um produto de nicho em algo maior, em algo potencializado.

Chegou a hora (ou já está passando da hora) do basquete crescer, alçar vôos maiores, comprar boas brigas e não ter mais medo de correr riscos (a relação com a TV Globo, que ainda apita em muitas coisas, é um bom exemplo disso). E para isso acontecer é preciso investir pesado em gestão, em capacitação e cobrar pesadamente os clubes que estão no NBB para caminhar na mesmíssima direção. Não é mais tolerável termos assalto em vestiário, briga (como foi em Marília) ou ações de comunicação mal exploradas como foi a da Festa da Uva, em Caxias do Sul.

nbb6O NBB já não é mais um bebê. É uma criança que chegará em menos de dois anos a uma década de existência. Seus ganhos são imensos e estão aí pra todo mundo ver, mas para crescer a turma da Liga Nacional vai precisar se reinventar em si mesma em todos os campos – parte técnica, marketing, comunicação, arbitragem, gestão dos clubes, capacitação etc. .

Quem sou eu pra querer alguma coisa, mas queria ter chegado a 2016 vendo grandes evoluções do produto (como um todo) NBB em relação a 2015. Não foi o que aconteceu. Foi mais um ano de consolidação do que de crescimento em si. Torço para, em 2017, estar aqui neste espaço exaltando grandes inovações, e não para basicamente dizer que a Liga Nacional se manteve no patamar em que se encontrava 12 meses antes.

Sobre o blog

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