Bala na Cesta

Mais um pouco sobre a falta de cultura esportiva que há no Brasil

Como vocês devem saber, no sábado passado estive em Americana para ver o primeiro jogo da final da LBF entre Americana e Sport-PE (vitória das pernambucanas, que podem ser campeãs nacionais pela primeira vez neste sábado a partir das 10h). Sempre gosto de ir ao ginásios, mas no sábado saí do Centro Cívico um pouco chocado.

Não com a estrutura do ginásio, com a torcida de Americana, nada disso. Na apresentação dos times, Alessandra teve seu nome falado no microfone e nenhuma reação da platéia foi vista. No meio da partida recebi uma mensagem: “Bala, a Cintia Tuiu está aí. Em cima de você”. E cinco minutos depois: “A Janeth também, veja lá em cima”. E eu olhei. Tentei manter contato com Cintia (na foto, ao centro), mas ela não me avistava. Pedi a um menino que sentava no lance da arquibancada abaixo do seu para cutucá-la, e ele me perguntou: “Qual o nome dela?”. Depois tentei olhar pra Janeth, mas não consegui. Ela estava em um dos últimos lugares do ginásio com crianças (não sei se parentes) espremida como se fosse uma anônima. Senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago.

Na verdade, não eram “só” Alessandra, Cintia e Janeth que lá estavam. No sábado passado estavam em Americana nada menos que seis campeãs mundiais em 1994 (Helen, Adriana Santos, Janeth, Cintia Tuiu, Alessandra e Roseli, com quem encontrei no estacionamento – na foto você vê Alessandra, Cintia e Adriana, agora assistente-técnica em Americana). Não sei se as pessoas têm noção do que significa isso, mas eu vou repetir: em um mesmo ambiente havia SEIS campeãs mundiais, seis mulheres que ajudaram o Brasil a entrar no seleto grupo de campeões mundiais de basquete, seis mulheres que, junto com a Rússia em 2006, foram as últimas a vencer os EUA nos últimos 20 anos em competições Classe A (Mundial ou Olimpíada), seis mulheres que fizeram parte da geração mais vitoriosa do basquete brasileiro desde Wlamir e Amaury (com exceção de Helen, todas conquistaram a prata em Atlanta-96, e Janeth, Alessandra, Cintia, Helen e Adriana Santos ainda tiveram talento para abocanhar o bronze em Sydney-2000).

Pedir algum tipo de homenagem a Liga de Basquete Feminino, que mal consegue organizar o campeonato, parece demais. Pedir qualquer coisa a Confederação, que vira e mexe esquece de datas importantes de conquistas brasileiras (que dirá dos artistas…), idem. Mas algo precisa ser feito para que mitos do basquete (e não uso a palavra ‘mito’ por qualquer coisa) não sejam tratados como anônimos, como meros torcedores de arquibancada em uma final de LBF.

Não cultivar o passado já é um enorme erro em qualquer tipo de situação ou época. Não relembrar as glórias, e quem fez essas glórias acontecerem, em um momento de terra arrasada (como é na atualidade), nem que seja para mostrar quão bom já foi o basquete feminino, é um acinte, um disparate, um tiro no pé.

Não sei exatamente o que eu, deste canto, posso fazer, mas voltei de Americana feliz por ter visto um ginásio cheio em uma partida de basquete feminino e triste por saber que dentro do Centro Cívido havia seis campeãs mundiais – e quase ninguém sabia quem eram elas.

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Feliz no Sport, Adrianinha repensa aposentadoria da seleção: ‘Se for pra ajudar eu volto’

No dia 5 de agosto de 2012 Adriana Moises Pinto registrou 15 pontos e 12 assistências contra a Grã-Bretanha antes de anunciar a sua aposentadoria da seleção. Naquela tarde nas Olimpíadas de Londres Adrianinha, bronze com o time nacional feminino em Sydney-2000 e quarto lugar em Atenas-2004, fechava um ciclo de mais de uma década e abria espaço para a nova geração dizendo-se cansada e um pouco frustrada com os dois últimos Jogos Olímpicos (penúltima em Pequim-2008 e nona em Londres-2012).

Mas o tempo passou, a armadora de 34 anos voltou a jogar no Brasil depois de mais de 10 anos (e ainda em altíssimo nível), o carinho do torcedor do Sport-PE, que venceu Americana no último sábado e agora pode conquistar o título da LBF no próximo fim de semana em casa, o deixou balançada e ela confirmou pela primeira vez que pode, sim, voltar a jogar pela seleção brasileira feminina adulta. Entre um pedido de casamento e outro da torcida de Americana (“é bom ouvir isso, né”) ela concedeu entrevista exclusiva ao Bala na Cesta.

BALA NA CESTA: Queria que você falasse um pouco deste primeiro jogo e da expectativa para o segundo duelo contra Americana que pode decidir o título no Recife.
ADRIANINHA: Foi bem difícil, como a gente já esperava, né. Elas têm uma defesa muito forte, e tiraram a gente do nosso melhor jogo no começo da partida. E pra vencer uma marcação como é a de Americana não dá pra individualizar muito, não. A gente conversou, ouviu o Roberto (técnico) e jogou coletivamente. Não tem mais essa de uma ou duas jogarem sozinhas para ganhar um jogo, isso é muito claro. Como equipe fomos muito bem na segunda etapa. Para o segundo jogo temos que repetir os 20 minutos finais, é isso que precisamos. Caso ganhemos será um fato inédito e será uma emoção muito grande. Quem sabe isso incentiva outros times de futebol a investirem no basquete, né. Está sendo muito bacana a experiência, só posso agradecer ao Sport-PE, que acreditou na gente desde o começo. O basquete feminino está muito carente de investimentos.

BNC: Você falou sobre essa “carência”, e queria falar com você sobre a LBF. Foram apenas sete times, não houve returno, o campeonato demorou a começar. É um absurdo isso, não? E como reverter?
ADRIANINHA: É falta de respeito, não dá pra dizer o contrário. Para reverter temos que repatriar as que ainda estão fora e dando forças as que estão aqui no país e não conseguem jogar. Houve times que fecharam as portas (Presidente Venceslau, Catanduva, São Caetano, Mangueira) e as meninas ficaram sem emprego, sem condição de atuar. É muito triste isso. A gente fica na expectativa de ter 10 times pra jogar, só isso. Olho pro masculino e vejo 18 no NBB e acho o máximo, Bala. A gente não tem isso. Precisamos nos unir, falta muita coisa. Pelo menos um playoff final com melhor de cinco jogos poderia ter ocorrido para chamar mais atenção para a competição, mas nem isso houve. É uma pena, é uma pena mesmo. Precisamos reagir.

BNC: No ano passado você jogou Olimpíada e terminou aquele jogo contra a Grã-Bretanha dizendo que era sua última participação com a seleção brasileira. Mas a Copa América vem aí, há um técnico novo e um comando novo na Confederação. Dá pra pensar em voltar ou acabou mesmo o seu ciclo?
ADRIANINHA: Olha, eu falei aquilo porque eu estava muito chateada com a situação do basquete. Não só com a campanha na Olimpíada mas principalmente com os quatro anos anteriores, com tudo o que passamos na seleção. Não foi legal. A gente estava precisando ter uma mudança. Para te citar um exemplo, a troca de técnicos não ajudou em nada a gente. A seleção, hoje, não tem uma cara. E te cito como exemplo times como a Argentina e o Canadá, que não têm muito talento mas que possuem a mesma filosofia de jogo, a mesma cara há anos. Por isso são respeitados. Não pelo time, pela colocação que chegam, mas sim por todo mundo saber que ali está uma equipe nacional com uma identidade. A Austrália a mesma coisa, mas em um nível técnico superior. Já nós não temos isso há algum tempo já. Nós trocamos de técnico o tempo todo. A gente não conseguiu criar uma identidade nossa, infelizmente. Agora trouxeram o Zanon, que pelo menos conhece do basquete feminino brasileiro e as meninas que atuarão pra ele na seleção. Isso vai dar muito certo. Não chegaram e jogaram ele lá, como fizeram com o Carlos Colinas, por exemplo. O Tarallo, por sua vez, nunca tinha tido uma experiência em uma equipe adulta. O Ênio, por sua vez, não conhecia muito do feminino e teve dificuldade. Então eu desejo sorte ao Zanon e torço de coração para o trabalho ter continuidade, ter sequência. Isso é o mais importante.

BNC: Tá legal, Adrianinha, mas você não respondeu. Joga ou não pela seleção?
ADRIANINHA: (Risos) Ah, eu volto. Se eu puder ajudar, nem que seja só pra treinar, eu volto. Se for pra ajudar as meninas e o basquete brasileiro eu volto, eu faço o que for. Se for só pra treino, pra dar conselho, eu contribuo. Eu só não quero tirar a vaga de ninguém, ocupar um espaço que poderia ser de outra pessoa. Mas se eu puder auxiliar, se eu ainda for útil, jogo na seleção, sim, sem problema algum e com o amor de sempre.

BNC: Pra fechar, uma perguntinha pessoal. Como tem sido este retorno ao Brasil? Você jogava há dez anos na Europa e agora tem a possibilidade de ficar com sua filha, Aaliyah, de seis anos (foto: Marcos do Carmo), ainda mais próxima da família.
ADRIANINHA: Cara, você não tem ideia, mas esta será a primeira vez que, em 10 anos, eu passei a Páscoa em casa. Isso não tem preço. Depois desses anos lá fora morar em Recife com minha filha tem sido o paraíso. Só quem já morou lá fora sabe que há momentos difíceis pacas. Há uma cultura nova, uma língua que você aprende, mas não é seu país, entende? Estou descascando no rosto por causa do sol, mas tem sido maravilhoso viver com minha filha em meu país. Passei dez anos passando frio e estou recuperando os 10 anos de neve no calor do Recife (risos).

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Em seminário, técnico Rubén Magnano volta a falar sobre massificação do basquete

“Gostaria de ter muito mais meninos jogando basquete. Gostaria de ver muitos garotos envolvidos com o basquete de maneira apaixonada. O dinheiro não é garantia de êxito, a soma de talentos de uma equipe não é garantia de êxito. Depois dos Estados Unidos, o Brasil tem tudo para ser o (principal) país na América. É preciso estar presente em diferentes segmentos de competição esportiva. Estaduais, colegiais, intercolegiais, jogos de base, a liga. Precisamos trabalhar ainda muito mais nessa recuperação (do basquete)”

“Anualmente, na preparação da seleção do Brasil, abro as portas para todos os treinadores do país, inclusive, estrangeiros, para participar dos treinos. Sabe quantos foram no primeiro ano. Um. No último ano fiquei até feliz, pois foram oito. Se não acreditarmos no aperfeiçoamento e na continuação do aprendizado é difícil”

“Não quero ficar pensando somente em 2016. Normalmente, em quatro anos você forma um atleta. Minha ideia é deixar alguma estrutura para que o basquete do Brasil fique num patamar importante no mundo para poder pegar uma situação favorável em qualquer momento”

As declarações, ditas por Rubén Magnano, técnico da seleção masculina de basquete, foram dadas pelo treinador no seminário “2016 e o salto do esporte brasileiro”, promovido pelo Jornal O Globo na manhã de ontem no Rio de Janeiro.

A dúvida que fica é: será que a Confederação Brasileira de Basketball, na gestão de Carlos Nunes, tem noção do que Magnano cansa de dizer? Sei não, hein…

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Técnico Ary Vidal segue internado em estado grave no Rio de Janeiro

Há muito tempo não tinha notícias de Ary Vidal (foto), mítico técnico campeão Pan-Americano em 1987 pela seleção masculina (entre outras glórias).

Por isso falei ontem no final da tarde com a assessora de imprensa do Hospital São Lucas, Elaine, e ela me passou uma atualização do estado de saúde do treinador de 77 anos, internado desde o dia 23 de outubro (há mais de um mês, portanto) com problemas cardíacos e renais.

De acordo com Elaine, o estado clínico de Ary ainda é grave, bem grave, mas ele está lúcido e em alguns momentos respirando sem a ajuda de aparelhos, encontrando-se ainda na unidade de cardiologia intensiva. Conversa com médicos e familiares, mas não tem previsão de alta por conta justamente da situação renal e cardiológica (não houve recuperação plena).

No mais, a única coisa que se tem a fazer é torcer para a recuperação de Ary Ventura Vidal. Força, Mestre!

 

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Com facilidade, seleção feminina vence Venezuela e é campeã sul-americana Sub-15

Foi mais fácil do que se esperava. A seleção brasileira feminina Sub-15 venceu a Venezuela ontem por 94-51 (48-18 no primeiro tempo) e se sagrou tricampeã sul-americana (2010, 2011 e 2012), comprovando que aqui no continente Sul-Americano ainda não há concorrência no basquete das meninas (e principalmente no basquete das categorias de base feminino). A diferença média nas cinco vitórias da equipe foi de 47,4 pontos, muita coisa.

Parabéns às meninas (Wytalla Motta, ala de Americana, foi eleita a melhor jogadora da competição) e a comissão técnica liderada por Julio Patrício (neste ano ele também foi treinador da seleção Sub-18 que garantiu vaga para o Mundial da categoria em 2013). Ao lado de Argentina e Venezuela, o Brasil garantiu vaga para a Copa América Sub-16 de 2013, que, por sua vez, dá vaga para o Mundial Sub-17 de 2014.

“As meninas estão de parabéns pela postura e determinação. Agora, merecem a comemoração. Esse é um grupo comprometido e que devemos investir porque trará muitas alegrias para o Brasil”, disse o técnico Julio ao site da Confederação Brasileira.

Será que a CBB investirá nesta e em outras gerações do basquete feminino brasileiro? É quase impossível acreditar nisso…

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Exclusivo: Campeã mundial, Cintia Tuiú anuncia aposentadoria do basquete aos 37 anos

Uma das mais belas histórias do esporte brasileiro chegou ao fim. Cintia Silva dos Santos, a Cintia Tuiú, não é mais jogadora profissional de basquete. Campeã mundial em 1994 e duas vezes medalhista olímpica (em 1996, com a prata em Atlanta, e em 2000, com o bronze em Sydney), a pivô de 37 anos e 1,93m anunciou a aposentadoria na noite desta segunda-feira ao Bala na Cesta.

- Chegou a minha hora. Foram anos e anos de muita dedicação, mas agora parei. Estou feliz com tudo o que consegui – disse Cintia, nascida em Mauá (SP), com exclusividade com o blog nesta segunda-feira, destacando o momento de maior alegria de sua carreira: – Apesar do título mundial, receber a medalha olímpica em Atlanta foi indescritível, esplêndido. Foi a maior emoção da minha vida profissional.

No currículo de Cintia, dona de sólida passagem pelo basquete europeu e três anos no Orlando Miracle (entre 2000 e 2002 na WNBA), além das medalhas olímpicas e mundiais, figuram o Campeonato Mundial Interclubes com a Ponte Preta em 1994, o Italiano de 2005 e 2006 e as quartas colocações do Mundial de 1998 (Alemanha) e 2006 (Brasil) e das Olimpíadas de Atenas (derrota no jogo do bronze para a Rússia). Desde que jogou pela seleção juvenil em 1993, foram 14 anos consecutivos vestindo a camisa da equipe nacional na geração mais vencedora do basquete feminino em todos os tempos.

- Naquele grupo campeão mundial de 1994 cada uma sabia o que poderia dar em quadra mesmo jogando pouco. Eu era uma delas, muito tímida com as mais experientes (tinha 19 anos e ainda jogava o último ano de Juvenil), mas com grande vontade de aprender ao máximo com aquele momento. Lembro-me de um grupo de campeãs que estava pra conquistar o mundo. E que conseguiu seu objetivo – disse-me Cintia, que teve 12 minutos de média no Mundial da Austrália, certa vez (aqui o link completo).

Em sua penúltima passagem pelo Brasil, Tuiu jogou por Americana e Catanduva, mas logo regressou ao basquete espanhol, onde atuou no Obenasa na última temporada. Depois disso, ela atuou na edição passada da LBF pelo Maranhão, onde teve 6,7 pontos e 6,8 rebotes em quase 30 minutos por partida (foto à direita). Agora, da geração campeã mundial, apenas Alessandra, que está atualmente no Sport-PE, encontra-se em atividade.

O basquete brasileiro agradece aos serviços prestados por Cintia Tuiú, a raça em pessoa dentro de quadra, em todos esses anos e eu, deste canto, só espero que a Confederação Brasileira e a LBF façam todas as homenagens que ela merece.

Obrigado, Tuiú!

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Carlos Nunes muda de ideia: técnico estrangeiro pode não vir mais pra seleção feminina

“A reunião (para tratar sobre a escolha do técnico da seleção feminina) deve ser em três semanas. E decisão sobre o técnico é com a Hortência (diretora de seleções femininas da Confederação Brasileira). Não vou entrar na área da diretora”, Carlos Nunes em matérias publicada no Jornal O Globo de ontem (07/10/2012).

“Hortência defende a permanência do treinador Luís Cláudio Tarallo, que comandou o time em Londres. Mas eu sou muito simpático à ideia de trazer o treinador australiano para comandar o time feminino do Brasil”, Carlos Nunes em entrevista ao Globoesporte.com em 11.09.2012.

As declarações, dadas em um intervalo menor que um mês, são de Carlos Nunes, o cada vez menos hábil com as palavras presidente de uma Confederação Brasileira cada vez menos familiarizada com as palavras ‘planejamento’ e organização. Perguntinhas básicas:

1) O que levou Nunes a mudar tão rápido de opinião?
2) Quem é que dá a última palavra na entidade máxima a respeito de uma questão tão importante como esta?
3) Quando a Confederação apresentará (se é que apresentará) um plano sério e organizado para o basquete feminino do país? Já se passaram quase três meses da Olimpíada de Londres.
4) Será que a reunião que Hortência teve há duas semanas não seria o momento oportuno para que decisões fossem tomadas? Para que esperar mais?

Respostas e comentários na caixinha!

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Sem Brasileiro de base, técnico convoca seleção brasileira feminina Sub-15 – que gestão é essa?

Quase passou batido aqui, mas ontem acessei o site da Confederação Brasileira de Basketball e li lá que a seleção feminina Sub-15 foi convocada para o Sul-Americano da Venezuela, que acontece em novembro e garante três vagas para a Copa América de 2013. Aqui está a lista do técnico Julio Patrício, e eu coloco abaixo alguns pontos importantes:

1) Mais uma vez uma seleção brasileira treinará pouco para uma competição internacional. O time se apresenta em São Sebastião do Paraíso (por que diabos os treinos serão em Minas, se 11 das 16 meninas convocadas são de clubes de São Paulo?) no dia 30 de outubro, e em 17 de novembro a equipe já estará jogando o Sul-Americano. Pode ser que para esta competição a falta de um período mais longo de treinos (por que diabos as meninas não foram convocadas antes, para três, quatro períodos de treinos e análises?) não faça falta, mas é só bom lembrar ao pessoal da CBB que esta é a primeira categoria que se reúne em uma seleção nacional. Se o “exemplo” que a entidade máxima quer passar é este, de que se treina pouco, o futuro é mais nebuloso do que se imagina.

2) O técnico Julio Patricio deu uma declaração no mínimo interessante ao site da CBB. Disse ele: “Tivemos como critério convocar as meninas que têm condições de evoluir até chegar à seleção principal. Na lista estão atletas que acompanhamos nos Brasileiros de Base, Campeonatos Estaduais e Jogos Abertos”. Com todo respeito que Julio merece, mas de que “Brasileiros de Base” ele se refere? O Brasileiro de seleções estaduais Sub-15 da primeira divisão terminará em Goioerê (PR) justamente dois dias antes do período em que o time de Julio estará treinando para o Sul-Americano (de 22 a 28 de outubro). Apenas para informação dos leitores deste espaço: o único brasileiro de base da Confederação que já aconteceu foi o da segunda divisão (clique aqui). Desta competição ninguém foi convocado para o time de Patricio (e até onde se sabe não há competição nacional de categorias Sub-14 ou Sub-13 por exemplo).

3) A propósito do ponto anterior, como ficará o Brasileiro de Base da primeira divisão? As meninas de São Paulo, convocadas por Julio, serão liberadas para atuar pela Federação que atuam durante o ano todo, ou simplesmente estarão descartadas para a competição, já que dois dias depois terão que se apresentar em São Sebastião? Será que a CBB conversou com clubes e federações a respeito? Aqui, aliás, cabe outra pergunta: será que só descobriram agora que a data do Sul-Americano Sub-15 bateria com a da primeira divisão do Sub-15 feminino?

4) Por fim, cabe uma observação. Mais uma vez a Confederação Brasileira esquece de colocar um psicólogo a disposição de uma seleção nacional. São meninas de 14, 15 anos, e que estão em formação não apenas esportiva, mas pessoal e cultural, e alguém com experiência seria fundamental neste momento. E o que faz a CBB? Ignora este fato solenemente.

Concorda com a análise? Comente!

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Em entrevistas, Rubén Magnano reclama dos clubes e faz alerta sobre situação do basquete

E Rubén Magnano falou pela primeira vez depois da Olimpíada de Londres. Ele concedeu entrevista ao Sportv e ao jornal O Globo na sede da Confederação Brasileira de Basketball na tarde desta terça-feira e abordou pontos importantes. Deixo aqui e aqui os links, e coloco algumas questões para debate.

1) Rubén Magnano é cirúrgico quando fala que o projeto para o basquete brasileiro precisa ser mais amplo do que “apenas pensar em 2016”. Concordo, é por aí mesmo, mas fica uma questão: será que Magnano tem noção que quem deveria planejar algo em relação a isso é a Confederação Brasileira da qual ele é funcionário? Apontar o dedo é importantíssimo, mas o argentino é um dos agentes de mudança que poderiam transformar a modalidade. Se ele acredita no que a entidade propõe para o basquete (eu não confio), que arregace as mangas com ela para mudar a situação. Só lembrando: é a empregadora de Magnano a maior responsável pela derrocada do basquete nos últimos 15, 20 anos.

2) Ao Sportv, confesso não entender o que Magnano diz (“Um atleta tem dez meses no clube e dois meses na seleção. É uma equação que não é muito boa para uma seleção. Ele pertence durante os próximos 10 meses aos clubes, então é muito difícil, o calendário não nos permite fazer muita coisa”, afirmou). Ora bolas, o que Magnano quer? Ficar com os atletas por seis, sete meses? Como sempre digo, ninguém ousa discutir a competência de Magnano como treinador de basquete (parece um preambulo obrigatório quando se ousa criticá-lo), mas sua conclusão ao Sportv foi muito, muito ruim. Assim como disse aqui em relação ao basquete feminino, os clubes que ainda revelam talentos no masculino (Franca, Flamengo, Palmeiras, Paulistano, Pinheiros, Minas, Joinville etc.) são muito mais vítimas de uma estrutura horrorosa do que ofensores, como o argentino apregoa em sua entrevista.

3) Só pra refrescar a memória de Magano. Há um ano os clubes masculinos e femininos ficaram sem atletas por quase seis meses, sem reclamar de alguma coisa da CBB. Foi a tal seleção permanente, que, como sempre digo, é uma medida emergencial, e não algo que deva ser frequente, comum. Oriundo de um clube fortíssimo na Argentina, o Atenas, de Córdoba, me estranha ler que agora Magnano tenha se esquecido do outro lado da moeda.

Acho que Rubén Magnano acerta em cheio ao dizer a difusão do basquete no país é pífia (culpa, claro, de um trabalho horrível da Confederação Brasileira), mas se equivoca absurdamente ao falar que os clubes dificultam na liberação dos atletas e no desenvolvimento da modalidade no país. Sinceramente, beira o ridículo quando ele afirma que fica pouco tempo com os atletas na seleção (ora bolas, os formadores são os clubes, não?)

A responsabilidade pelo crescimento do basquete é, ou deveria ser, da Confederação Brasileira, que deveria colocar o esporte na escola e/ou fomentar federações e clubes para que o número de praticantes aumentasse no Brasil. Para isso, porém, é preciso trabalhar, planejar, se organizar, algo que não costuma aparecer no dicionário da CBB nos últimos anos. A lógica de Magnano está invertida, muito invertida, e custo a crer que ninguém, seja de imprensa ou de clubes, se resolve quanto a isso.

Concorda comigo? Comente na caixinha!

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Que os erros na preparação da Sub-17 sejam aprendidos para o Mundial Sub-19 de 2013

Como você já sabe, terminou no sábado para a seleção brasileira feminina o Mundial Sub-17 da Holanda. E terminou mal, muito mal, com a péssima penúltima colocação (os EUA ganharam o ouro ao vencer a Espanha por 75-62, e o Canadá ficou com o bronze ao bater o Japão por 84-77).

As meninas brasileiras devem chorar as mágoas, Janeth deve repensar muita coisa em sua carreira, mas a Confederação Brasileira precisa começar a planejar o Mundial Sub-19 da Lituânia do próximo ano desde já. E correndo, para que os erros de preparação de 2012 não se repitam.

Em primeiro lugar, não há a menor condição de um time de basquete (esporte coletivo, entrosamento, unidade) se reunir, depois de um ano jogando em clube, 30 dias antes da competição. Com ou sem grana da Eletrobras é um absurdo. A Confederação Brasileira é uma entidade com orçamento de mais de R$ 20 milhões/ano, e deveria planejar e organizar suas equipes nacionais (a única coisa que ainda lhe resta, já que a LNB é independente e a LBF, teoricamente também).

Apenas para reflexão de como períodos longos de treinamento e organização fazem a diferença. Em 2011, o Brasil venceu o Canadá por incríveis 56-35 na Copa América Sub-17 do México (aqui os números). Um ano depois, as canadenses, que treinaram por dois meses, terminaram com o bronze no Mundial da Holanda. O Brasil, que não teve 30 dias de treinamento, em penúltimo. O panorama também se repetiu na categoria adulta, aliás. No Pré-Olímpico da Colômbia em 2011, vitória por 56-39. Na Olimpíada, 12 meses depois, derrota por 79-73 (ou seja, evolução de 23 pontos para as rivais). A propósito, na Copa América Sub-18 que terminou há uma semana em Porto Rico, a seleção de Julio Patrício fez 56-46, venceu as canadenses e terminou com o vice-campeonato (números aqui). Serve de parâmetro para o Mundial de 2013, não?

Em segundo lugar, o mesmo cenário de ter uma jogadora como a grande destaque do time parece se repetir. Isabela Ramona e Izabella Sangalli tiveram participações brilhantes nas competições que levaram o Brasil aos Mundiais. Ramona (foto à direita) terminou com 14 pontos e mais de cinco rebotes por partida. Seu volume de arremessos e percentual de acerto, porém, inspiram cuidados. Ela terminou a competição em Porto Rico com 36% de aproveitamento nos chutes, quase quatro erros por partida e certamente será marcadíssima em 2013. Só lembrando: ela já jogou muito bem no Mundial Sub-19 de 2011 e foi ótima em 2012 na Copa América Sub-18. Ou seja: é O destaque da seleção, e todo mundo sabe disso e os adversários tomarão suas devidas atitudes. Que Julio Patricio ou o técnico que Hortência decidir colocar lá esteja ciente disso.

Como se vê, as meninas que estiveram na Holanda não têm culpa alguma pelo resultado obtido. O demérito deve ser dividido igualmente entre Hortência, Carlos Nunes e Janeth Arcain, a técnica, que por seu currículo e “moral” poderia ter batido mais o pé por um período de treinos decente e mais longo. Eu torço para que a lição do mico do Mundial Sub-17 tenha sido aprendida. Ir para a Lituânia no ano que vem com o mesmo tempo de preparação é certeza de outro vexame histórico. A geração é boa, pode ter até quatro nomes do time que foi bronze no Mundial Sub-19 do Chile em 2011 (Ramona, Vanessa, Thamara e até Izabella Sangalli) e precisa estar muitíssimo bem preparado para o grande desafio.

Será que a entidade máxima tomará alguma providência para que a vergonha não se repita? Espero que sim!

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