Bala na Cesta

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LeBron James tem atuação épica, ‘vira o jogo sozinho’ e Cavs abre 3-0 contra o Indiana
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Fábio Balassiano

O jogo estava tranquilo, mole, fácil pro Indiana Pacers, que foi para o intervalo vencendo o Cleveland no jogo 3 da primeira rodada do playoff do Leste por 74-49 nesta quinta-feira em Indianápolis.

Só que do outro lado estava um cidadão chamado LeBron James. O camisa 23 colocou o Cavs nas costas, anotou 28 dos seus 41 pontos no segundo tempo e foi o principal responsável pela virada do seu time contra o Indiana no triunfo por 119-114 que abriu 3-0 nesta série. É a maior virada da história dos playoffs (considerando o placar do intervalo).

Foi uma exibição absurda, bem absurda, de gala, de um atleta totalmente fora da curva. E nas barbas do Larry Bird, o manda-chuva do Indiana Pacers e um dos melhores jogadores de todos os tempos. Pra quem tinha dúvida de quem É o melhor jogador do planeta (não do verbo estar, mas do verbo ser), tá aí a resposta:

LEBRON JAMES. E ponto final.


Jogador compara seu retorno ao Indiana Pacers ao de Michael Jordan ao basquete – é sério!
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Fábio Balassiano

Em julho de 2014 Lance Stephenson, conhecido como o jogador do Indiana que ficava assoprando no rosto de LeBron James para desestabilizar o ala então no Miami Heat, declinou uma oferta do próprio Pacers de US$ 44 milhões por quatro anos. Ele era peça fundamental no time que chegou duas vezes seguidas na final da conferência Leste (2013 e 2014) na NBA, pensou que poderia ficar mais rico e preferiu testar o mercado. Mas se deu mal. Quase ninguém lhe ofereceu contrato, com exceção do Charlotte, que colocou na mesa um contrato de US$ 27 milhões por três anos (US$ 2 mi anuais a menos). Como foi a única oferta que teve Lance decidiu aceitar.

Sua estada na Carolina do Norte não durou muito. Impressionado com o mau comportamento do atleta, a franquia de Michael Jordan não pensou muito e o trocou para o Los Angeles Clippers em um ano. A equipe da Califórnia, por sua vez, tampouco teve muita paciência e em menos de seis meses o enviou para Memphis, onde também passou sem brilho algum. Sua conta bancária estava recheada, mas sua reputação e seus números, em baixa. No começo dessa temporada foi tentar a sorte no fraquíssimo New Orleans Pelicans, mas no sexto jogo da temporada se machucou e foi dispensado, algo que gerou bastante polêmica (times quase sempre mantêm atletas lesionados em seus elencos até que eles se recuperem). O Minnesota lhe abriu nova porta na NBA, mas uma fratura no tornozelo em fevereiro o deixou fora de combate novamente até o começo de março, quando o Timberwolves decidiu não renovar seu contrato até o restante do campeonato. Parecia ser o fim da linha para ele na melhor liga de basquete do mundo.

Foi aí que o Indiana, seu primeiro time na NBA, entrou de novo em sua história. Larry Bird, manda-chuva do Pacers, ligou diretamente para Stephenson pra fazer a oferta: US$ 12 milhões por três anos e a chance de recomeçar na NBA. Lance aceitou, sorriu e ficou tão feliz, mas tão feliz, que em entrevista ao site do time disse: “Estou muito feliz com meu regresso a esta franquia incrível. Meu primeiro jogo em Indianápolis será igualzinho aquele em que Michael Jordan retornou do baseball. Ou quando Jordan retornou da aposentadoria. A atmosfera no ginásio será idêntica, uma loucura incrível”, afirmou, sem noção da realidade ou modéstia.

Em sua primeira partida oficial no retorno ao Pacers Lance Stephenson, agora vestindo a camisa 6, jogou ontem pelo Indiana contra o Cleveland, de LeBron James, fora de casa. Ele anotou 4 pontos em 18 minutos em quadra, mas não evitou a derrota para o Cavs, que fez 135-130 na segunda prorrogação. O Pacers, que tem a campanha de 37-40, conta com ele para tentar uma vaga no playoff do Leste (atualmente está em nono lugar, e briga com Chicago Bulls e Miami Heat pelas duas últimas vagas da conferência). O reencontro com a torcida de Indianápolis será nesta terça-feira, quando a equipe enfrenta o Toronto Raptors.


Os 30 da NBA: Por Paul George, Pacers se reforçam para lutar pelo título do Leste
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Fábio Balassiano

bird1Larry Bird, gerente-geral do Pacers, cansou de esperar. Depois de chegar com o seu Indiana às finais do Leste em 2013 e 2014, viu a franquia dar uma derrapada com a lesão de Paul George antes da temporada 2014/2015 e perder um pouco de tração no campeonato passado. Ciente de que os melhores anos de George estão em voga e que o contrato dele pode ser encerrado ao final de 2017/2018, não restou alternativa ao manda-chuva se não abrir a caixa de ferramentas e contratar meio mundo para cercar o seu craque com peças de bom valor.

Por isso chegaram Jeff Teague e Aaron Brooks para a armação, o calouro Georges Niang e o útil Jeremy Evans para a ala, e Thaddeus Young, Al Jefferson e Kevin Seraphin para o pivô. Além de George, ficaram em Indianápolis Monta Ellis, que deve continuar como titular da posição 2, Myles Turner, o ala-pivô valioso que entrará em seu segundo ano, CJ Miles, Glen Robinson III e Rodney Stuckey.

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Vogel1Antes de entrar no elenco, vale falar do único movimento que eu não conseguir compreender. Sei que Bird estava tentando argumentar com Frank Vogel, o agora ex-técnico da franquia, que o estilo de jogo mais travado do Indiana não estava lhe agradando. O gerente-geral quase que exigiu que Paul George começasse a temporada passada jogando como ala-pivô, como que emulando a Draymond Green, do Warriors, mas nem George gostou da ideia e nem o funcionamento do time estava satisfatório. Vogel mudou, trouxe PG13 para a sua real posição (de ala, com menos contato dentro do garrafão) e os Pacers chegaram aos playoffs. Mas Bird não gostou e no final do certame demitiu o técnico que tirou um time que não ia ao playoff desde 2006 para colocá-lo entre os melhores de sua conferência por campeonatos seguidos.

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nate1No lugar de Vogel assumiu Nate McMillan, assistente na franquia nos últimos quatro anos. Fico imaginando como foi a entrevista de emprego dele com Larry Bird. Nate sabia exatamente o que o chefe queria (velocidade no setor ofensivo, ataque mais fluído e um jogo de contra-ataque mais enfurecido), né? Consigo imaginar o cara chegando na sala e na primeira pergunta respondendo: “Olha, minha ideia é tentar fazer o máximo de coisas que o Golden State Warriors faz com o elenco que temos. Correr, acelerar o ataque e chutar mais de três pontos”. Bird sorri (no modo Bird de ser) e diz: “O emprego é seu”. É óbvio que estou exagerando, mas o fato é que Frank Vogel é MUITO mais treinador de basquete que McMillan, que passou sem grande brilho por Seattle (saudades, Sonics!) e Portland entre 2000 e 2012. Neste período foi ao playoff apenas cinco vezes e ganhou apenas uma série de pós-temporada com o Sonics em 2005. Não me pareceu uma escolha tão acertada assim, mas obviamente o craque do Boston Celtics da década de 80 entende muito mais de basquete do que eu, né?

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young1Dentro de quadra estou curioso para ver como este Indiana irá funcionar. Na pré-temporada McMillan tem armado a equipe com Jeff Teague, que chega para dar mais velocidade e pode de fogo ao ataque (saiu George Hill), Monta Ellis, Paul George, Thaddeus Young e Kevin Seraphin. É um quinteto leve, rápido, que pode espaçar e correr bem a quadra, com bons chutadores de três pontos nas quatro posições e com um pivô com mobilidade para fazer corta-luzes e defender. Do banco estarão saindo Joe Young, Stuckey e Brooks para a armação, Glen Robinson, CJ Miles e Evans para a rotação nas alas, e Turner, Niang e Al Jefferson para o jogo interno. Não sei se gosto muito da ideia de Jefferson vindo como reserva, mas entendo a opção de dar um reforço à segunda unidade e também de não colocar tanta pressão no camisa 7, que terminou não muito bem a sua vida profissional em Charlotte.

george1Gostei dos movimentos de Larry Bird nestas férias. Com exceção da demissão de Vogel, ele foi cirúrgico em trocas, contratações e dispensas, deu a Paul George boas peças de apoio e aposta suas fichas que um bom campeonato em 16/17 fará com que estrela prorrogue o contrato com a franquia.

Com elenco qualificado, é real pensar que os Pacers não virão apenas para chegar aos playoffs. Se falta alguém do nível de Paul George, em um Leste que tem apenas o Cleveland de timaço é possível, sim, sonhar em chegar longe.

Campanha em 2015/2016: 45-37
Projeção para 2016/2017: Vai pro Playoff (entre 49 e 55 vitórias).
Olho em: Paul George


Os Jogos 7 da NBA com Raptors x Pacers e Heat x Hornets – quem vence?
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Fábio Balassiano

wade1Hoje é o dia que todo fã de basquete ama de paixão. Não porque é domingo, mas porque teremos dois jogos 7 de playoff na NBA. E isso, sabemos, é bom demais. Às 14h (Sportv2), Miami Heat x Charlotte Hornets na Flórida. Às 21h (Sportv2 também), Toronto Raptors x Indiana Pacers no Canadá. Dois duelos pra lá de interessantes e certamente muito nervosos.

Começo falando de Miami x Charlotte. O Heat chega a esta partida com muita confiança. Muita confiança mesmo. Estava com 2-3 após vencer as 2 primeiras em casa. Perdeu as três seguintes (duas em Charlotte e uma em casa jogando muito mal). O Jogo 6 foi na casa do Hornets, que poderia avançar para a segunda rodada do playoff pela primeira vez desde 2002. A torcida local estava ensandecida na sexta-feira. E o craque maior do Heat não matava uma bola de 3 desde dezembro de 2015.

jordan1Adicione a isso tudo um torcedor de roxo xingando Dwyane Wade o jogo todo. E o que acontece? Wade respondeu com 10 pontos no último período, 1 toco providencial no minuto final (igualou Michael Jordan em tocos na pós-temporada e tornou-se líder no quesito entre armadores) e… 2 bolas de 3 nos últimos dois minutos do duelo. Não fazia desde dezembro. Fez quando precisou. O Miami venceu, empatou a série e tem a chance de fechar em casa. Como estará a cabeça do Charlotte para este domingo? Patrão Michael Jordan não ficou muito feliz com o jogo 6, não…

raptors1No Canadá, a pressão está toda com o Toronto Raptors. O time fez a melhor campanha da história da franquia, liderou junto com o Cleveland o Leste de ponta a ponta da temporada regular e tem MUITO mais elenco que o Indiana Pacers. Só que de novo não tem jogado bem em playoff. Só que de novo vê suas duas principais estrelas atuando muito abaixo do que podem em playoff. Kyle Lowry, o armador, pode até acabar com o jogo logo mais e sair como herói, mas até o momento ele é um desastre de proporções tsunâmicas nesta série (apesar dos 14,3 pontos, 31% nos arremessos e bizarros 17% nas bolas de fora). O ala DeMar DeRozan, agente-livre ao final do certame, tem 15,8 pontos, mas 32% nos arremessos de quadra e 15% nas bolas longas, perdendo alguns milhões de dólares a cada partida de pós-temporada.

george1Do outro lado estarão o bem armado Indiana Pacers, do ótimo técnico Frank Vogel, e Paul George, simplesmente o único cara entre todos que pisarão a quadra neste domingo em Toronto que pode ser chamado de craque. Levando um elenco absurdamente limitado longe, PG mostra a diferença que ter um cara extra-classe pode fazer para uma franquia da NBA.

george2Em um confronto muitas vezes mal jogado, ele destoa (positivamente falando). George tem 27,5 pontos, 45,7% nos chutes, 38,9% nas bolas de três e 4,8 assistências – todos os números citados são MAIORES que os dele na temporada regular.

Ou seja: enquanto os melhores atletas do Toronto estão baixando suas médias, o craque do Pacers eleva seu nível.

rozan1Em jogo 7 é difícil apostar no time que joga fora de casa (menos de 9% das vezes o não mandante levou). Creio, também por isso, que o Miami avance. Algo me diz, porém, que o Toronto sofrerá horrores para não ser eliminado pela terceira vez seguida no mata-mata logo na primeira rodada (e as três com mando de quadra).

O que vocês acham?


O fabuloso começo de Paul George na NBA
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Fábio Balassiano

pacers1Antes da temporada eu fiz a previsão do Leste e falei muito sobre como Chicago e Miami poderiam incomodar o Cleveland (não muito, mas até um certo ponto). Passados quase 20 jogos, o Cavs está lá na liderança da conferência mesmo com 13-4, mas quem está na cola de LeBron James e companhia? Não é o Bulls, muito menos o Heat, mas sim o Indiana Pacers, que tem 11-5 e vem de cinco vitórias consecutivas (oito nos últimos nove jogos também).

george1Não é um bom momento, talvez, para escrever sobre os Pacers devido ao calendário (inicia hoje sequência fora de casa no Oeste contra Clippers, Portland e Utah, e depois Warriors e Heat em casa), mas ignorar o que Paul George tem feito neste começo de campeonato é uma insanidade que eu não posso cometer. Não custa lembrar que nas férias da temporada passada o ala do Pacers se machucou com gravidade em um amistoso dos Estados Unidos, e que em 2014/2015 ele atuou apenas no final (seis partidas apenas). O certame de 2015/2016 é, portanto, o primeiro dele completo pós-lesão.

pg3O primeiro pós-lesão e jogando em uma posição diferente (um ala-pivô “falso”, aberto), algo que ele mesmo cansa de afirmar que está tendo que acostumar e que está longe de ser o que ele pensava para a sua carreira (principalmente na defesa, quando precisa bater de frente com “cavalos” como Anthony Davis, Blake Griffin ou Chris Bosh). E como Paul George responde a tanta novidade (a física, a tática e a de elenco, totalmente remodelado em relação ao certame passado)? Com as surreais médias de 27,4 pontos (o quarto entre os cestinhas), 45,9% nos arremessos, 45,5% nas bolas longas , 8,1 rebotes e 4,4 assistências (todos os índices são os melhores de sua carreira). Os últimos três jogos, aliás, foram de um brilhantismo incrível, com PG atingindo 40+8 contra o Washington, 33+8 contra o Chicago e 39+4 contra o Lakers.

pg1Em quadra conseguimos ver isso muito bem. Seu jogo está mais agressivo perto da cesta e não tão focado nos arremessos de média distância, sua antiga especialidade (vide figura ao lado). Cerca de 40% de seus arremessos convertidos saíram de dentro do garrafão (em uma prova que ao menos ele tem tentado se adaptar à novidade que o técnico Frank Vogel lhe apresentou). Outro ponto importante: jogando contra rivais mais pesados, George tem tentado fortemente os chutes das extremidades da quadra (os corner-shots). Nos números, 34% dos tiros convertidos vieram assim, e do lado direito o aproveitamento é excpecional (71%). São, aliás, sete bolas longas por partida, maior marca de sua carreira. Se ele era muito bom jogando na posição 3, atuando de ala-pivô ele consegue ser ainda mais letal.

pg5É óbvio, também, que George não joga sozinho. Coletivamente o time tem tentado jogar de forma mais espaçada (e rápida) no ataque, tendo sucesso principalmente quando George consegue atacar a cesta antes que a marcação rival concentre esforços em cima dele (não é raro, inclusive, vê-lo chutando de longe em contra-ataque). São 101,8 pontos/jogo por isso, mas o grande destaque mesmo fica com a ótima defesa. Os Pacers levam apenas 95,6 pontos/jogo, com apenas 35,9 arremessos convertidos pelos adversários por noite (43% de conversão para os oponentes, quinto melhor índice da liga).

miles1Individidualmente vale falar de CJ Miles (foto), o novo titular da posição 3, que contribui com 15,4 pontos. Outro recém-chegado, Monta Ellis entra em cena com 12,8 (ele parece um pouco tímido ainda na equipe para pontuar, mas tem passado bem a bola e soma 5,3 assistências/jogo, melhor marca da equipe). George Hill, bem melhor que no campeonato passado, tem 13,2. Completam a rotação do excelente Frank Vogel os pivôs Jordan Hill e Ian Mahinmi, o armador reserva Rodney Stuckey e os alas Chase Budinger, Lavoy Allen, Glenn Robinson III e o calouro Myles Turner (ala-pivô que parece ter bom futuro).

george1Lendo o parágrafo acima a gente lê que o Indiana está longe de ser um esquadrão. Eu mesmo não creio que os Pacers consigam segurar a onda por tanto tempo (está aí esta série de cinco jogos pra lá de difícil que começa hoje) ou em um eventual duelo contra o Cleveland em até sete jogos de playoff.

Independente disso, é maravilhoso constatar que Paul George está conseguindo superar, em termos técnicos, a qualidade apresentada antes de sua grave lesão.


Fisioterapeuta Fábio Marcelo fala sobre lesão de Paul George
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Fábio Balassiano

fisioSobre a bizarra lesão de Paul George, ala do Indiana Pacers, fui conversar rapidamente ontem com o fisioterapeuta Fábio Marcelo (foto). Fiz duas perguntas a ele, e as respostas são bastante esclarecedoras. Vamos lá.

BALA NA CESTA: A distância entre a “armação” da tabela e a linha de fundo influencia na lesão?
FÁBIO MARCELO: Quando eu vi a imagem, essa pouca distância entre a “armação” da tabela e a linha de fundo foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Ali perto da cesta os jogadores estão sempre saltando, se deslocando no ar e perdendo o equilíbrio. A perna direita do Paul George toca diretamente na “armação”, e isso pode ter gerado um trauma maior. Se ele cai com a perna no chão, podia, sim, não ter fraturado. E, mesmo se fraturasse, dificilmente seria com a mesma gravidade. Ali, o jogador sofreu o que a gente chama de um trauma direto no local. E justamente com a parte da tíbia que não tem proteção muscular. Uma sugestão é se pensar num novo posicionamento pra esse suporte, um pouco mais afastado da linha de fundo.

george1BALA NA CESTA: Qual o tempo estimado de recuperação?
FÁBIO MARCELO: Se a gente considerar que o procedimento cirúrgico dele foi através da colocação de uma haste pelo joelho, como é sempre sugerido no caso de atletas profissionais (como ocorreu com o lutador Anderson Silva, por exemplo), esse tempo de recuperação é estimado de 4 a 6 meses. O paciente pode até colocar o pé no chão mais precocemente do que quando a cirurgia é feita com colocação de placas e parafusos. Durante este tempo de recuperação, o atleta já pode fortalecer tornozelo e joelho enquanto faz fisioterapia, e a medida que os exames de imagem realizados mês a mês forem confirmando a consolidação da lesão ele já fica liberado para fazer trabalhos com baixo impacto na região afetada.


A terrível lesão de Paul George em amistoso da seleção dos Estados Unidos
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Fábio Balassiano

george1Acho que a essa altura dos acontecimentos todo mundo já deve estar sabendo da terrível lesão de Paul George na noite desta sexta-feira em amistoso-coletivo que estava sendo realizado em Las Vegas pela seleção dos Estados Unidos que se prepara para a Copa do Mundo da Espanha. Neste texto você NÃO verá a imagem do trágico acidente de George, que tentou dar um toco, caiu e chocou-se contra a armação da tabela (falarei disso adiante). Se quiser e tiver estômago, o YouTube possui o vídeo.

O ala fraturou a perna direita, já passou por cirurgia na madrugada de sábado, ficará internado pelos próximos três dias e há grande risco de perder a temporada 2014/2015 da NBA pelo Indiana Pacers (é bem provável que isso aconteça, na verdade). Kevin Ware, ala-armador que teve lesão parecida jogando por Louisville na temporada passada do basquete universitário, ficou 220 dias (7 meses) fora das quadras. Se George se recuperar no mesmo período, estaria apto a atuar apenas em março/2015.

quadraAqui um dado interessante/cruel: Ware se lesionou no March Madness da NCAA em uma partida contra Duke, que é dirigida por Mike Krzyzewski, o técnico dos Estados Unidos na noite de ontem. Imaginem a cabeça do Coach K quando viu a cena se repetir. Faz todo sentido, portanto, que ele tenha ordenado que a partida fosse suspensa no começo do quarto período (os outros jogadores estavam DESESPERADOS obviamente).

Agora o que a imprensa norte-americana fala é sobre a distância entre a linha final e a “estrutura” da tabela, algo que pode ter influenciado na gravidade da lesão (notem que não afirmo que isso pode ter, de fato, influenciado, mas sim que ‘pode ter’). Pela foto ao lado parece mesmo que a distância é muito pequena, muito pequena mesmo (algo que não ocorre na NBA, por exemplo), e é isso que a ESPN dos Estados Unidos tem falado o tempo inteiro (veja neste vídeo).

O Indiana Pacers, no alto de sua elegância, disse que este fato é o que menos importa no momento e que está concentrando todos os esforços na recuperação de Paul George (cujos pais estavam no ginásio e viram o drama do filho de perto – vejam que situação terrível!). Mas a gente sabe que não é bem assim que acontece nas internas.

george4O fato é que as franquias da NBA vão, daqui para frente, tomar ainda mais cuidado ao liberar seus atletas para as seleções (inclusive a dos Estados Unidos). É só ler o que disse Manu Ginóbili em sua coluna no La Nación deste sábado. Ele, campeão quatro vezes pelo Spurs, foi impedido de jogar pelo San Antonio, que não queria correr risco algum com uma de duas principais peças.

Foi uma fatalidade o que ocorreu com Paul George nesta sexta-feira em Las Vegas em um lance até certo ponto inofensivo durante um amistoso-coletivo? Certamente que sim. Mas George tem contrato de quase US$ 100 milhões até 2019, é o jogador-chave do Indiana e ninguém quer perder sua figura mais valiosa por um acidente de trabalho. Pensem no valor (grana mesmo) que será perdido pelo Indiana (ingressos, produtos, televisão, patrocinadores etc.) sem a presença do craque no próximo campeonato.

paul1A comoção nos Estados Unidos e no mundo é imensa, o momento é de muita tristeza e todos torcem/rezam/clamam para que Paul George recupere-se muito bem e o mais rápido possível. Ele é jovem (24 anos), talentoso pra cacete e ver o ala do Pacers estirado no chão nesta sexta-feira foi uma das imagens mais chocantes que o esporte “produziu” recentemente.

Que Paul George volte logo às quadras! É só isso que quem gosta de basquete quer.

 


A motivação do Miami para ganhar o Leste hoje contra o Indiana
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Fábio Balassiano

bron1O Miami Heat que visita hoje (21h30, com ESPN) o Indiana Pacers com um 3-1 na série final do Leste teria até motivos para perder um pouco do foco. O domínio é tão grande, os rivais estão tão perdidos, ainda há um jogo na Flórida. Tudo conspira para a quarta final seguida de Erik Spoelstra (ainda vão dizer que o cara é ruim? Não, né, chega!), mas há uma motivação grande para fechar logo o caixão de Paul George e companhia: o descanso visando à final da NBA.

Vamos a alguns dados: Em primeiro lugar, o Miami não terá mando de quadra na final da liga independente de quem vença o Oeste (tem campanha pior que Spurs ou OKC). Logo, fará possíveis quatro jogos na casa do rival (lembrando que a partir deste ano o formato da decisão volta a ser no 2-2-1-1-1 como era até 1984).

Em segundo lugar, pode haver cinco dias de diferença entre o último jogo do campeão do Leste e o do Oeste. Como? O Miami tem 3-1, joga hoje, pode fechar o confronto contra o Pacers e a final da NBA comeca em 5/6 (próxima quinta-feira). No Oeste iremos, no mínimo, até sábado (jogo 6 entre OKC e Spurs, em Oklahoma). De cara já pode se configurar uma vantagem de no mínimo de três dias para um já mais descansado Miami em relação a Spurs e Thunder (Heat fechou um duelo em 4-0 e outro em 4-1; a turma do Oeste já foi a um jogo 7 cada…). Se o duelo durar até a agônica sétima partida, na segunda-feira, Thunder ou Texanos teriam apenas três dias de folga até o começo da finalíssima da liga.

dupla2Se já é bom despachar o Indiana para evitar um problema que até agora não há (de os Pacers incomodarem o Heat com seu jogo físico e organizado que praticamente inexiste neste playoff), o fatos descanso merece muito ser considerado por LeBron James, Dwyane Wade (e seus joelhos), Chris Bosh e companhia. Quanto mais descansado chegar para uma final da NBA que tem tudo para ser dificílima, independente do rival, melhor.

Pensando nisso, lutar fortemente pelo 4-1 de logo mais faz todo sentido, não?


O fundamental jogo 3 entre Miami e Indiana
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Fábio Balassiano

lebron1Hoje, às 21h30 (ESPN), acontece o terceiro duelo da decisão do Leste entre Indiana Pacers e Miami Heat na Flórida. Em uma semana agitada, com Paul George saindo com uma pancada na cabeça depois da segunda partida (vai jogar logo mais, sim) e com Pat Riley já bancando os festejos de um possível tricampeonato do Miami (mais aqui), é bom ficar de olho: com séries empatadas em 1-1 (como é esta), em 76% dos casos o vencedor do jogo 3 ganha o confronto. Ou seja: é uma peleja fundamental.

O Miami tem se especializado em fechar bem as partidas de playoff nessa temporada. Não começa muito bem, tendo um saldo negativo de 23 em primeiros períodos no mata-mata, mas tem aniquilado seus rivais com gosto quando os jogos estão no momento decisivo (o arsenal formado por LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e Ray Allen explica isso muito bem, né). Nos últimos cinco minutos, com partidas com cinco ou menos pontos de diferença, o Heat tem um saldo positivo de 24 pontos (41-17 no total), acertando incríveis (atenção) 65% de seus arremessos (43% de bolas de três), índices altíssimos para momentos tão cruciais. Isso é o que fez com que a turma da Flórida ganhasse o jogo 2. O Miami perdia por 75-72 quando restavam 5 minutos. Ganhou de 87-83 (fez oito pontos seguidos para recuperar a vantagem e não mais perdeu a liderança).

george1Do outro lado está o Indiana Pacers, que sabe que perdeu uma ótima chance de fazer 2-0 e viajar de forma mais tranquila nesta pós-temporada. Mas se há algo bom neste time do Indiana neste playoff é: após as derrotas (e não foram poucas) o time tem sabido reagir muito bem. Depois das cinco do time até agora foram cinco vitórias nos jogos subseqüentes (na verdade, contra o Heat, nenhum time conseguiu vencer duas seguidas nas últimas 13 vezes). A diferença, obviamente, é que não era o Miami do outro lado (ainda), né. Será interessante ver como Paul George e companhia, que batalharam tanto pelo mando de quadra na temporada regular, vão reagir a partir deste terceiro jogo. Fran Vogel sabe que perder hoje será péssimo para o lado mental de seu grupo.

E aí, quem será que ganha logo mais?


Análise e palpite da final do Leste entre Pacers e Heat
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Fábio Balassiano

lebron1Começa hoje a final do Leste (a ESPN tem o direito de TODOS os jogos desta conferência). A partir das 16h30 (de Brasília), Indiana Pacers e Miami Heat fazem o confronto que todo mundo imaginava que fosse mesmo acontecer neste estágio da competição. Desde novembro (e depois da lesão de Derrick Rose, do Chicago Bulls, ainda mais) todos esperavam que os dois decidissem a vaga do Leste para a decisão da NBA, mas a forma como as duas franquias chegam até aqui é que impressiona (uma de forma positiva, outra de forma negativa).

De um lado temos o Miami. Miami que perdeu apenas um jogo nesta pós-temporada e que fez uma temporada regular em não mais que quarta marcha. Poupou Dwyane Wade quando pôde, rodou o elenco e chegou nos playoffs voando. Planejamento nota 10 de Erik Spoelstra e sua comissão técnica, evidentemente. O Heat pode fazer a sua quarta final consecutiva da NBA (um feito e tanto!), tem jogado muito bem mesmo (principalmente quando LeBron James consegue armar o jogo) e mantém o altíssimo nível dos playoffs dos três últimos anos. Não há, portanto, surpresa alguma. É o Miami Heat que conhecemos e pronto.

indy1Do outro lado há o Indiana, o Médico e o Monstro, Pacers. Indiana que começou a temporada voando, mas que depois do All-Star Game viu seu jogo cair drasticamente. O nível técnico caiu, o nível de concentração caiu e a química entre os atletas parece não existir mais. Não resta dúvida que o quinteto titular é fortíssimo e que pode bater de frente (literalmente) contra QUALQUER equipe do planeta. Mas nas últimas semanas o time passou sufoco contra o razoável Atlanta e levou 30 na cabeça do mediano Washington Wizards. Como explicar isso? Como reverter isso? Como fazer com que um timaço que se transformou em algo tão instável assim volte a render perto dos 100% de sua capacidade técnica/tática/atlética? São perguntas que nem Frank Vogel possui as respostas.

george1Poderia falar de ajustes táticos, capacidade técnica de cada um, mas eu acho mesmo que quem decide o “teor” desta série é o “estado mental” do Indiana Pacers. Se jogar com o Indiana de dezembro, janeiro, fará uma série duríssima e com chance de vencer. Se mostrar o basquete relapso, claudicante e dorminhoco dos últimos meses, não será perdoado e será castigado pelo Miami Heat. O time de LeBron James costuma punir muito bem quem comete laspsos, que é o que o Indiana mais tem feito neste playoff. “Dormir” por três ou quatro minutos (ou um jogo, como foi na surra que levou do Washington) custará muito caro pros Pacers.

Meu palpite: Miami Heat avança com 4-2. E vocês, o que acham? Comentem!