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Nowitzki é 1º estrangeiro com 30 mil pontos na NBA; veja 7 curiosidades
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Fábio Balassiano

E foi com essa cesta que Dirk Nowitzki que entrou na história da NBA ontem à noite.

O alemão fez 25 pontos na vitória do Dallas Mavs contra o Lakers por 122-111 e se tornou o primeiro estrangeiro a chegar a marca dos 30 mil na história da NBA (agora ele tem 30.005). Dirk já era o “gringo” com o maior número de pontos, continua em sexto na lista dos maiores pontuadores de todos os tempos e se aproxima de Wilt Chamberlain, o quinto, que anotou 31.419 em sua carreira.

Isso é o que você já sabe sobre Dirk Nowitzki. O que há de mais curioso na carreira do astro de 38 anos do Dallas Mavericks? Vamos lá!

1) Técnico particular desde os 15 anos -> Holger Geschwindner viu Dirk Nowitzki pelo DJK Würzburg e ficou impressionado. Ofereceu-se para treiná-lo de graça três vezes por semana e criou forte relação com Dirk desde então. Até hoje faz treinos individuais com Nowitzki no Texas. A diferença é que agora Holger é muitíssimo bem pago.

2) Começo difícil em Dallas -> Dirk Nowitzki chegou ao Dallas no Draft de 1998. Foi selecionado na nona posição daquele ano – e logo ridicularizado pela imprensa americana, que se perguntava como o manda-chuva do Mavs, o veterano e visionário Don Nelson, havia recrutado um garotão de 2,13m tão desengonçado assim. As primeiras impressões deram razão à mídia local. Dirk jogou 20 minutos por jogo naquele ano, teve menos de 9 pontos por jogo e chutou apenas 20% nas bolas de três pontos.

3) Steve Nash, primeiro companheiro e melhor amigo -> Dirk não esconde de ninguém que um dos principais responsáveis por ele ter evoluído, e não desistido, foi Steve Nash, contratado pelo Dallas no mesmo ano que ele chegou a franquia. Nash veio trocado do Phoenix Suns, onde não tinha espaço, e também precisou de tempo para se adaptar. O interessante é que ambos foram MVP’s de temporadas regulares anos depois. Nash em 2005 e 2006 na sua volta ao Phoenix. Nowitzki em 2007 pelo Dallas.

4) Choro no título – mas no vestiário -> Após amargar o vice-campeonato em 2006 contra o Miami, Dirk e os Mavs tiveram a chance da revanche cinco anos depois. E aí eles se deram bem ao vencer LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e os Heat por 4-2 naquela final. Eleito o MVP das finais, Nowitzki não se aguentou de emoção e começou a chorar quando o jogo se aproximava do final. Com a partida decidida e o relógio perto de sinalizar o fim da decisão o alemão não teve dúvida – correu pro vestiário para desabafar e se derramar em lágrimas. Em entrevista dada ao blog logo depois daquela decisão ele afirmou: “Naquele momento eu pensei em todo o árduo trabalho que tive até realizar o meu sonho, que era ganhar o troféu da NBA. Senti que as lágrimas estavam chegando e precisava de um momento sozinho no vestiário para chorar e me recuperar em paz”.

5) Um dos melhores arremessadores de três pontos da NBA -> Dirk Nowitzki é considerado um dos melhores arremessadores de três pontos da história da NBA. Para alguém de 2,13m, sua habilidade para conseguir arremessos de longe foi e é até hoje espantosa. Na temporada 2009/2010, Dirk, já aos 31 anos, chegou a atingir 42% de aproveitamento, algo mais alto que os 40% de Steph Curry atualmente. Desde 2004 ele tem no mínimo 35% de aproveitamento.

6) Cansado após a NBA foi jogar na seleção -> Dirk estava cansado depois da temporada 2007/2008 da NBA, mas tinha algo na cabeça: jogar a Olimpíada por seu país. Jogou no Pré-Olímpico daquele ano na Grécia, garantiu a vaga dos germânicos e foi uma das principais estrelas dos Jogos de Pequim, onde teve 17 pontos de média e foi o porta-bandeira de seu país na cerimônia de abertura. Dirk, no dia da abertura, chegou a cortar o cabelo deixando os arcos olímpicos amostra, em uma clara alusão a realização de um de seus sonhos de criança. Se aposentou da seleção em 2015 quando os alemães não conseguiram vaga no Rio-2016.

7) Desilusão amorosa e superação -> Dirk namorou Sybille Gerer, jogadora de basquete alemã, de 1992 a 2002, quando ambos se separaram amigavelmente. Nowitzki, então, começou a namorar Cristal Taylor, com quem manteve relacionamento explosivo e doloroso para o astro alemão no final, em 2009. Dirk disse ao jornal Bild na época da separação: “Quando nos separamos estava bem chateado. Não conseguia pensar em outra coisa e posso afirmar que fiquei realmente furioso com os acontecimentos. Ainda quero formar uma família mas agora eu não sei mais quando conseguirei”. Logo depois terminar com Cristal Dirk conheceu Jessica Olsson (foto), irmã dos ex-jogadores de futebol suecos Martin e Marcus Olsson. Com Jessica Dirk tem um casal de filhos.


Os 30 da NBA: Repaginado, Dallas tenta dar fim digno à carreira de Nowitzki
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Fábio Balassiano

dirkAos 38 anos, a carreira de Dirk Nowitzki se encaminha para o final. Sem os contemporâneos Kobe Bryant, Tim Duncan e Kevin Garnett, o alemão, que entra em seu penúltimo ano de contrato, já disse que se sente um pouco sozinho, um pouco perdido no meio de tantos garotos tão novos.

Com quase duas décadas de serviços prestados, aparentemente o Dallas Mavs sentiu que “a água bateu no pescoço” e agiu. Contratou muita gente para cercar o camisa 41, dando a ele um fim digno de sua brilhante vida profissional. A dúvida é: será que os talentos que vieram são suficientes para o time ganhar uma série de playoff pela primeira vez depois de 5 longos campeonatos?

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barnes1No pacotão de reforços chegaram do Warriors Andrew Bogut e Harrison Barnes (este com salário de quase US$ 100 milhões em quatro anos – na foto), Seth Curry, o irmão de Steph que não teve muito espaço no Sacramento Kings na temporada passada, o calouro argentino Nicolas Brusssino e outro punhado de atletas novatos sem expressão. Gosto das adições de Bogut, que será uma espécie de Tyson Chandler com um passe melhor e mobilidade menor, e de Barnes, que acabou muito mal o campeonato passado mas será muito útil na defesa do Dallas e sobretudo no desafogo ofensivo para pontuar no perímetro e em tiros longos.

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deron1Há, porém, duas incógnitas no perímetro do Dallas. Se nas posições três, quatro e cinco o time está bem resolvido com Barnes, Nowitzki e Bogut, na armação é preciso desvendar Deron Williams. Aos 32 anos e entrando em seu último ano de contrato, o camisa 8 não foi mal na temporada passada com mais de 14 pontos e 5 assistências, mas está longe de ser o jogador inventivo, “agitado” e intenso de anos atrás. Com um punhado de lesões recentes, D-Will ainda é ótimo, mas não conseguiu, desde 2012/2013, reencontrar seu basquete excepcional.

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wes1Outro nome que preocupa é o de Wes Matthews. Contratado junto ao Portland na temporada passada, o ala chegou ao Texas gerando muita expectativa em torcedores e dirigentes do Mavs. Por mais bizarro que seja, ele teve seus piores aproveitamentos da carreira em arremessos de quadra (38%) e em bolas de três pontos (36%). Não é exatamente para um cara que faz 12 pontos por jogo que o Dallas decidiu pagar US$ 17 milhões por ano, certo? E US$ 17 mi antes do aumento do teto salarial. Matthews sabe que precisará subir o nível urgentemente desde o jogo 1 se quiser mostrar que pode, sim, ser um atleta de elite na NBA.

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dirkchampionNão dá pra dizer que Dirk Nowitzki terá a chance de repetir o gesto de 2011, quando foi campeão e MVP das finais. Isso não deve mesmo acontecer.

Mas o elenco do Dallas, em que pese a ausência de nomes mais fortes e de profundidade no banco de reservas para dar sustentação a um quinteto titular que tem quatro atletas com 29+ anos, é bom e tem tudo para retornar aos playoffs. Não se sabe como será no mata-mata, mas que o Mavs está tentando dar um final digno à carreira de Dirk Nowitzki, isso está.

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Mudança de DeAndre Jordan tirou de Huertas contrato com o Dallas
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Fábio Balassiano

huertas1A mudança de rumo na negociação que levaria o pivô DeAndre Jordan (mais aqui) para o Dallas Mavs acabou tendo impacto direto na vida do brasileiro Marcelinho Huertas na NBA.

De acordo com três fontes ouvidas pelo blog entre ontem à noite e hoje de manhã, o armador já tinha tudo acertado com o Dallas para fazer parte do elenco texano com um contrato de dois anos (o segundo não garantido). Sem o pivô e com um punhado de grana para investir sem “machucar” o teto salarial, o Mavs teve que correr para se reforçar pesadamente (dando, também, uma resposta a sua torcida).

deronE teve sucesso: está fechando com Deron Williams, que rescindiu com o Brooklyn Nets para fechar com o Mavs nos próximos dias. Com isso, o time terá Williams, Raymond Felton e Devin Harris na posição 1 e não terá mais a necessidade de acertar com o brasileiro.

Em três dias, portanto, a situação do armador brasileiro mudou completamente. Huertas, agora, está ouvindo novas propostas e, também pelo que apurei, tem duas opções (ambas da conferência Leste) para chegar à NBA na próxima temporada.


Palavras ao vento e a falta de dignidade de DeAndre Jordan na NBA
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Fábio Balassiano

dj4A noite de quarta-feira foi agitada na NBA. O mercado, que abriria para as assinaturas de contrato no dia 9, via os primeiros atletas e encaminhando para as habituais festas com fotógrafos e donos das franquias (foi assim com Anthony Davis e seus US$ 149 milhões até 2021 no Pelicans). Um jogador, porém, decidiu inverter a ordem das coisas. Foi DeAndre Jordan.

dj5Pivô do Los Angeles Clippers, ele terminou a temporada passada valorizado e decidiu ouvir propostas. Gostou da do Dallas, deu o aceite ao Mavs e até onde se sabia formaria um time bem interessante com Dirk Nowitzki e (até ontem) seu amigo Chandler Parsons. Esperava-se apenas a abertura oficial do período definido para a assinatura dos contratos previsto pela NBA para que o assunto fosse sacramentado. Era para ser ontem, 9 de julho, a partir do primeiro minuto do dia.

trio1Mas DeAndre voltou atrás. E de maneira pouco ética, educada e respeitosa com o Dallas. Como não tinha nada assinado com os Mavs devido às regras da liga ele ligou para o Clippers e avisou que estava na dúvida de sua decisão. Que estava repensando e que, sabe lá, gostaria muito de permanecer na Califórnia caso o time também o quisesse. A franquia angelina, então, fez uma operação de guerra para não perdê-lo: viajou para a casa do gigante em Houston com o dono (Steve Ballmer), o técnico (Doc Rivers), alguns bambas da equipe (Chris Paul, Blake Griffin, JJ Redick etc.) e um contrato em mãos. Sentou-se com DeAndre, mostrou a proposta, fez um carinho no jogador, disse quão bom e querido ele era por jogadores e torcidas, abriu uns petiscos, jogou videogame, esperou dar 00:01 do dia 9 de julho (quinta-feira) e assinou o novo contrato de US$ 88 milhões pelos próximos quatro anos (o último é opcional do atleta). Pronto, aí o mundo do basquete entrou em parafuso.

dj7Em primeiro lugar porque este é um código não-verbal da NBA há séculos. Se você é um agente-livre e escuta propostas das equipes você tem duas coisas a fazer logo na sequência das reuniões: 1) pensar bastante com seus agentes. Se há dúvida, que se pense até o último fio de cabelo; e 2) avisar aos times que o contataram qual foi a decisão tomada. Independente de data de abertura para assinatura de contratos é sempre importante passar aos envolvidos a mensagem com aquilo que a imprensa fatalmente começará a divulgar rapidamente (vide o Woj no Yahoo). Foi assim que, com classe, fez LaMarcus Aldridge: o ala-pivô ouviu mais de 10 convites, foi paciente com todos os dirigentes, selecionou o melhor para a sua carreira e avisou que optou por jogar pelo San Antonio Spurs. Sempre foi assim. Até ontem sempre foi assim. Atletas com o “passe” nas mãos não podem assinar absolutamente nada com qualquer time até que o mercado abra, e era exatamente o dia 9 de julho que os Mavs esperavam para que DeAndre Jordan colocasse no papel o que suas palavras haviam garantido a Mark Cuban, dono do Dallas.

dirk1Está aí a senha da situação toda – palavra. DeAndre Jordan havia dado a sua palavra que vestiria a camisa do Dallas. O time não procurou mais pivôs para seu elenco. Considerou que este, digamos, buraco não precisaria mais ser preenchido. Sequer lutou para ter Tyson Chandler, titular da posição na temporada passada, justamente porque teria DeAndre como novo líder do garrafão. Chandler não esperou, ouviu propostas, assinou novo contrato com o Phoenix e agora o Dallas está literalmente de mãos atadas. Terá que olhar para o que restou no mercado e colocar um Kevin Serafin, um Jordan Hill ou um Amare Stoudemire para comandar as ações ofensivas e defensivas perto da cesta. Não há, obviamente, como mensurar o prejuízo dos Mavs. Não só o esportivo, mas também o financeiro, pois certamente o atleta faria com que o nível da equipe subisse. E vitórias geram ingressos vendidos, patrocinadores, mais receita de produtos licenciados etc. . E tem a questão ética/moral, a mais grave pra mim. O gigante do Clippers sequer teve a educação, honra, dignidade de ligar para Mark Cuban ou algum representante do Dallas para comunicar que estava em dúvida e que talvez fosse mudar de ideia.

dj3Por fim, antes de fechar cabem duas observações: 1) O Clippers estava tentando manter seu jogador, mas não considero que a atitude tinha sido ética. Se havia outro time na jogava (e havia, o Clippers sabia que havia) não custava puxar o telefone e avisar ao Dallas que voltaria a negociar com o atleta devido a dúvida do próprio atleta (que foi quem recomeçou a novela ao ligar para representantes da franquia). Para uma liga que tem os dirigentes na alta conta, creio que os do LAClippers falharam; e 2) A qualidade de DeAndre Jordan não está em questão. Independente de ser craque ou um pereba ninguém deve fazer o que ele fez. Alguém com um mínimo de decência poderia até se arrepender (é até aceitável), mas falaria com TODAS as partes envolvidas para minimizar o “sangramento” que sua atitude causaria.

dj1Em português claro: o que DeAndre Jordan fez com o Dallas foi molecagem ao simplesmente ignorar o time que havia garantido que jogaria pelos próximos anos. O pivô preferiu o contrário. Preferiu se trancar em casa com seus antigos companheiros e jogar videogame. A vida, porém, é um pouco maior que isso. Ele precisará sair nas ruas. Ele precisará jogar em Dallas. Ele certamente ouvirá algum comentário do verborrágico e genial Mark Cuban a respeito desta patética situação em que ele, Cuban, e sua equipe foram submetidos. Se já tinha fama de mimado, o agora pivô do Los Angeles Clippers ganhou nas últimas horas outra pecha (esta menos, digamos, bacana ainda). A de quem não tem palavra. A de quem as pessoas só podem confiar quando há algo escrito. É uma mancha que não sairá mais de sua vida.

dj12Acho prudente que bom o pivô aprenda a controlar suas emoções daqui pra frente, pois a pressão em cima dele não será fácil e ele será cobrado eternamente por isso.

Que ele também comece a tratar de melhorar seus lances-livres, pois no primeiro encontro contra os Mavs eu prevejo uns 60 tiros da marca fatal sendo cobrados por ele.


Mesmo com reforços, Dallas despenca no Oeste – o que acontece com os Mavs?
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Fábio Balassiano

rondo1No final do ano passado escrevi aqui que o Dallas se tornava ainda mais candidato ao título ao Oeste na troca que levou Rajon Rondo ao time texano. Já era um elenco forte, com Dirk Nowitzki, Chandler Parsons, Tyson Chandler e Monta Ellis, e que se tornaria ainda mais perigoso com o ex-armador do Boston comandando as ações e reforçando a defesa de perímetro dos Mavs. Isso tudo, claro, era a teoria.

Três meses se passaram desde a estreia no dia 20 de dezembro de 2014 contra o San Antonio Spurs,e o que acontece no Dallas Mavericks não é nada tão animador assim. Os 20-8 (71%) da fase pré-Rondo se transformaram em 44-27 (61%), o que em uma conta simples mostra que a campanha com o cara está em não mais que razoáveis 24-19 (55%). Não sei se dá para fazer isso, mas com este percentual de 55% os Mavs estariam fora até da zona de playoff no Oeste (o Oklahoma, o oitavo, tem 40-30, ou 58% de aproveitamento). Antes entre as quatro primeiras da conferência, a turma de Mark Cuban despencou e está na sétima colocação (dois jogos atrás do Spurs e apenas três na frente do Thunder).

rick1Não era tão ingênuo de imaginar que logo que chegasse Rondo entenderia as coisas e faria do Dallas um time ainda melhor da noite para o dia. Óbvio que haveria uma fase de adaptação, que um tempo de ajustes seria necessário, mas creio que três meses já seja um bom tempo – e com performances não muito satisfatórias para um time que tem cinco titulares de ótimo nível técnico (Rondo, Ellis, Parsons, Dirk e Chandler). Ao que parece, o gênio indomável do camisa 9 é que fala muito sobre a queda de rendimento da equipe que também recebeu Amare Stoudemire recentemente para melhorar o banco de reservas.

rondo3Rondo reclamou de Rick Carlisle, o técnico (ambos na foto à esquerda), publicamente na primeira semana quando foi colocado no banco em um quarto período. Duas semanas depois mandou o treinador pra bem longe quando Carlisle chamou uma jogada na linha lateral que não o agradou. Quem acompanha o dia a dia da equipe conta que não há clima algum entre os dois – e que isso obviamente afeta a todos.

rondo5Não é questão de colocar Rajon Rondo como o único grande culpado da história. Em esporte coletivo, quando isso acontece todos têm um pouco de culpa no cartório, sabemos bem. Mas quem conhecia a sua história deveria imaginar que um cara que teve problema com Doc Rivers, Paul Pierce, Kevin Garnett e até Ray Allen não viraria um santo da noite para o dia – ainda mais com um dono de franquia que é conhecido por ser um dos caras mais verborrágicos da NBA.

O duro, no caso do Dallas, é que Rondo foi uma contratação durante a temporada e para fazer a equipe se tornar ainda mais perigosa nos playoffs. Não só os Mavs estão mais frágeis, como é impossível não imaginar quão mais preparados eles estariam caso a formação do começo do campeonato fosse mantida.

Rick CarlisleAgora é tarde e Rick Carlisle, o técnico, terá que lidar com isso da melhor maneira possível. Tirar Rondo de quadra pode ser ainda mais perturbador para o ambiente. Sendo o armador agente-livre ao final da temporada, o melhor a se fazer, aparentemente, é tratá-lo com muita calma pois o objetivo final ainda não está perdido.

Toronto Raptors v Dallas MavericksSe o objetivo ao trazê-lo era colocar o Dallas em condição de brigar pelo título da NBA, que os Mavs usem Rajon Rondo da maneira que ele gosta de ser usado – como o condutor do ataque, como o grande artífice do sistema ofensivo e como o cara que fica com a bola em suas mãos pela maior parte do tempo. É o melhor para um técnico que sempre gostou de movimentação de bola, de fluência no ataque? Não. Mas o Dallas tem Rondo na armação e eu acho muito difícil de eles terem sucesso com o camisa 9 em quadra de outra maneira.

Concorda comigo? Já dá para descartar o Dallas? O que aconteceu com os Mavs de uma hora para outra? Comente aí!


Rondo arrasa o Celtics em seu retorno a Boston – veja vídeo da homenagem!
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Fábio Balassiano

Rajon Rondo foi trocado há menos de um mês pelo Boston ao Dallas Mavericks e ontem jogou pela primeira vez contra seu ex-time diante da fanática e calorosa torcida verde. Logo aos três minutos o telão do ginásio mostrou este vídeo aí. Clique abaixo e se emocione.

Mas o camisa 9 do Mavs não teve muita dúvida do que fazer em quadra, não. Mostrou aos Celtics o que eles estão perdendo – e mostrou desde o início. Rondo fez logo 15 pontos no primeiro período, terminou com 29, guiou os texanos a uma importante vitória por 119-101 (24-10 e quatro seguidas para sua nova equipe) e não deixou muita dúvida sobre quão bom ele ainda pode ser na NBA (se é que alguém tinha dúvida…). Na entrevista coletiva, o armador se limitou a dizer que foi um dia muito especial e que estava emocionalmente esgotado. Só isso.

Abaixo os melhores momentos do “cruel” Rajon Rondo. Será que Danny Aingle (o manda-chuva do Boston) curtiu a noite de sexta-feira?


Boston troca Rajon Rondo, que deixa o Dallas ainda mais forte na NBA
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Fábio Balassiano

rondo1A especulação virou realidade na noite desta quinta-feira. Boston e Dallas se envolveram em uma troca que enviou o armador verde Rajon Rondo para os Mavs, que cederam Brandan Wright, Joe Crowder, Jameer Nelson e duas escolhas de Draft (uma de primeiro e outra de segundo round). As duas partes confirmam o negócio, que deve ser oficialmente anunciado nesta sexta-feira nos Estados Unidos.

Pelo lado do Boston, um grande lamento. Rajon Rondo era o jogador mais antigo da franquia e havia sido o único não trocado pelo GM Danny Ainge quando ele decidiu renovar a franquia mandando Kevin Garnett e Paul Pierce pro Brooklyn Nets na temporada passada.

rondo2Era considerada peça fundamental na remontagem do elenco, mas pelo visto nem o armador teve paciência para ficar levando derrota atrás de derrota na cabeça até que novo esquadrão fosse montado e nem a diretoria confiou que poderia segurá-lo ao final desta temporada. Rondo é agente-livre e estará disponível no mercado ao final do campeonato. Na dúvida, Ainge preferiu perdê-lo por pouco mas ganhando algo (dois contratos expirantes, um baixo de um bom armador, Nelson, e duas escolhas de Draft). Não dá para criticar a sua decisão de agora, mas sim o fato de a saga dos Celtics para terem um novo time competitivo dar claramente alguns passos para trás com a saída do camisa 9. Sem ele a equipe perde não só a sua maior referência, seu jogador mais experiente, mas principalmente um atleta de altíssimo nível, já consolidado na NBA e com salário não tão alto. Achar essas três qualidades de novo pode demorar alguns anos.

rajonPara o Dallas, é uma aposta, sem dúvida alguma (e já antecipo que eu também faria). O time vinha bem, com um armador titular (Jameer Nelson) que estava passando muito bem a bola (4,1 assistências em 25 minutos de jogo) e também tinha boa habilidade para arremessar (37% de fora), mas cuja habilidade defensiva poderia pesar em eventuais jogos de playoff contra Spurs (Tony Parker), Warriors (Stephen Curry), Grizzlies (Mike Conley) e Clippers (Chris Paul). Além disso sai de cena Brandan Wright, que vinha jogando muito bem saindo do banco, onde se tornou um porto-seguro para fazer a rotação com Dirk Nowitzki e Tyson Chandler no pivô.

Ao mesmo tempo, é bom dizer que Rajon Rondo já não é mais (ou não tem sido) aquele defensor de perímetro que conhecemos no começo de sua carreira. De acordo com dados do SportsVU, do site da NBA, os rivais que jogam contra ele têm acertado mais de 50% de seus arremessos nas três últimas temporadas. Se isso não bastasse, ele tem 29 anos, vem de uma cirurgia no joelho e NUNCA foi um bom arremessador de perímetro (25,2% na carreira nos chutes de fora). Além disso, sua combinação com Monta Ellis como armadores do Mavs pode ser explosiva dos dois lados – positiva ou negativamente. Ambos têm gênios difíceis e precisam muito da bola nas mãos. Nelson foi contratado sabendo de sua função técnica, tática e de liderança. Não era o seu time, mas sim um time já pronto em que ele teve que se encaixar. Rondo sempre foi o grande facilitador das ações ofensivas em Boston desde seu ano de calouro. Agora não será assim. O time é do alemão Dirk Nowitzki, o dono (Mark Cuban) é um cara não muito ortodoxo em seus julgamentos e comportaentos e o o camisa 9, genioso toda vida, chega já com o barco em boa navegação. Não são informações que a gente joga fora, sem dúvida alguma.

Cleveland Cavaliers v Boston CelticsDisposto a dar a Dirk Nowitzki uma última chance de ganhar um título o Dallas foi para o tudo ou nada (apostou mesmo – e apostou alto). Cedeu escolhas de Draft, jovens jogadores, seu armador titular e foi para a briga do título nesta temporada mesmo contratando um armador reconhecidamente talentoso mas que precisa voltar a jogar aquele basquete de alguns anos atrás (principalmente na defesa).

É justo, algo que eu (insisto) também faria caso a oportunidade passasse por mim em Dallas e que mostra quão forte ficará este Mavs de agora até o final da temporada – com Rondo, Ellis, Parson, Dirk e Chandler de titulares e Harris, Felton, Villanueva, Barea, Aminu e Jefferson no banco de reservas.

Se já era um dos favoritos ao título do Oeste agora, com Rajon Rondo, os Mavs se colocam em uma posição ainda mais forte, ainda mais como protagonista na melhor conferência da NBA.

Concorda comigo? O Dallas fez certo? E a situação do Boston, como fica? Comente aí!


Reforçado, Dallas tem tudo para ser maior concorrente do Spurs no Oeste
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Fábio Balassiano

(A partir de hoje começarei a falar dos times para a próxima temporada da NBA. Não de todos, porque seria impossível, mas dos principais. Um ou dois textos por dia por aqui, fiquem de olho).

trioA temporada 2013/2014 terminou, e o Dallas, eliminado pelo San Antonio Spurs no agonizante jogo 7, tinha mais dúvidas do que certezas em relação ao futuro. Afinal, o que seria daquele time envelhecido, com Dirk Nowitzki, sua principal estrela, como agente-livre, um garrafão sem força defensiva alguma e poucas armas para o jogo externo? Era um quebra-cabeça que a franquia texana teria que montar rápido se quisesse dar aos anos finais da brilhante carreira do alemão Nowitzki um pouco mais de emoção (e não de comoção, como é no caso de Kobe Bryant no Lakers).

Para não dar sopa ao azar o Dallas foi ao mercado sem medo. Perdeu Shawn Marion e Vince Carter, é verdade (ambos que se encaixaram bem no esquema do excelente técnico Rick Carlisle), mas renovou rápido com Nowitzki (e com valor baixo que lhe permitiu ter fôlego nas demais negociações) e trocou o espanhol Jose Calderón por Tyson Chandler para ter mais firmeza defensiva em seu garrafão (uma das grandes deficiências do time no campeonato passado). Campeão com a franquia anos atrás, Tyson tornou-se uma verdadeira obsessão para a diretoria depois da temporada abaixo da crítica do pivô Samuel Dalembert. Encontrar um “cincão” que protegesse o aro com segurança passou a ser a prioridade da franquia, que achou em um rosto conhecido (e bem inteligente) a sua tábua de salvação.

mavsDe quebra os Mavs receberam Raymond Felton, de quem não sou fã, mas se for bem (e pouco) utilizado pode ajudar na rotação. Além de Chandler vieram Jameer Nelson (armador do Orlando Magic), Richard Jefferson (veterano e útil ala) e Al-Farouq Aminu, nigeriano que fez uma temporada passada bem razoável pelo New Orleans e que traz força física a ala do time. O elenco, que já era bom, ficou fortíssimo.

Mas o melhor reforço acabou vindo mesmo de uma forma inesperada. Agente-livre restrito, Chandler Parsons estava dando sopa no mercado. O Houston Rockets ficou de olho (gordo) em Carmelo Anthony, moscou e viu seu rival do Texas fazer uma proposta milionária por Parsons.

Na tentativa de conseguir Chris Bosh, acabou sem nada – Parsons foi mesmo para Dallas e o ala renovou com o Miami Heat. Aos 25 anos, número de sua camisa também no Mavs, o ala chega para assumir a posição 3 do com um contrato de US$ 45 milhões por três anos e muita responsabilidade.

dirkTudo bem que o valor pode ter sido muito alto por um “especialista” (Parsons baseia muito seu jogo nas bolas longas), mas essa era justamente uma das fragilidades do Dallas na temporada passada. Dirk Nowitzki não arremessa de longe há séculos. Monta Ellis, que foi muito bem em 2013/2014, é um cara que ataca a cesta e busca as infiltrações quase sempre. A necessidade da equipe acabou fazendo Mark Cuban aumentar as cifras para ter o camisa 25, e isso é bem natural. Jogando ao lado de Nowitzki e Ellias, as chances de Parsons, que arremessou quase cinco bolas longas com o Houston em 2014/2014 (e com aproveitamento de quase 40%), aparecer livre, livre para chutar de fora são imensas, já que o camisa 41 e o camisa 11 geram desequilíbrios imensos nas defesas adversárias. Para ele, especificamente, o desafio é mostrar que pode fazer outras coisas que não “só” esperar as oportunidades que surgirão para investidas longas mas também que seu jogo ganhou (como vinha ganhando aliás) novos e perigosos golpes.

Por isso a conclusão é uma só: se rodar a bola como manda o figurino e se entrosar rápido, o Dallas tem tudo para ser o principal concorrente do San Antonio Spurs no Oeste. O Oklahoma City Thunder começará o campeonato desfalcado de Kevin Durant e nem se reforçou tanto assim. O Los Angeles Clippers vem forte, mas ainda (note o termo ‘ainda’) não me parece confiável. Os Mavs, por sua vez, têm um cracaço de bola em Dirk Nowitzki (foto à direita), um elenco de apoio recheado de boas opções (nove, dez jogadores podem fazer a rotação de Carlisle) e muita experiência para disputar os playoffs.

Concorda comigo? Nowitzki e o Dallas têm tudo para incomodar o Spurs no Oeste? Comente!


Depois do milagre de Carter, Spurs precisa vencer Dallas hoje
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Fábio Balassiano

No sábado, perdendo de dois pontos, com menos de dois segundos de jogo, o Dallas jogou pros céus pra ver no que dava. E deu isso.

Vince Carter, quem diria, arremessou bem, com muita técnica ao perceber que Manu Ginóbili vinha pulando (reparem que ele finge que vai, o argentino salta, e aí sim ele arremessa), e deu não só a vitória ao Dallas, mas principalmente a liderança na série (2-1), a manutenção do mando de quadra e a certeza que o duelo vai durar no mínimo seis jogos (isso, claro, se os Mavs não fizerem 4-1, o que não acredito) nesta que tem sido a mais bem jogada série dos excepcionais playoffs de 2014 da NBA.

vince11

Muita gente tentou falar em falha na marcação de Ginóbili, mas eu sinceramente não vejo assim (e acho que precisa-se parar com isso também). Há mérito de Carter na jogada, procurando um espaço livre para concluir uma jogada que nem fora desenhada para ele (as opções eram Monta Ellis e Dirk Nowitzki. Não há culpa, não há erro. Há é mérito por parte do Dallas, que fez uma partida brilhante e executou perfeitamente a jogada final.

Por isso nesta noite, também em Dallas (22h30 de Brasília), o San Antonio está contra a parede. É uma situação bem delicada a dos Spurs, sem dúvida alguma. Melhor time da temporada regular, os Spurs não podem nem pensar em voltar para casa, para o jogo 5, com 1-3 na bagagem, com um déficit tão grande em uma série que, em teoria, não deveria ser tão enrolada assim (embora os confrontos individuais, principalmente quando Samuel Dalembert está fora, sejam ótimos pros Mavs).

Este é o cenário de hoje à noite. O Dallas joga para fazer um 3-1 e deixar o San Antonio a beira do precipício. O San Antonio sabe que não pode nem pensar em outro revés. Quem será que vence logo mais?


‘Velho’, alemão Nowitzki sente falta dos veteranos no All-Star Game
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

dirk1Dirk Nowitzki viveu sensações diferentes em Nova Orleans no fim de semana das estrelas que terminou domingo. Aos 35 anos, o alemão voltava à festa depois de dois anos e estava feliz por isso (já são 12 convocações para o All-Star em sua carreira de 15 temporadas na NBA). Por outro lado, ele olhava para o lado e não encontrava nenhum companheiro de sua geração (Allen Iverson, Tim Duncan, Kevin Garnett, Jason Kidd, Shaquille O’Neal e Kobe Bryant – este lesionado).

Por ser o mais velho em um jogo cada vez mais recheado de jovens (eram seis estreantes), Dirk era constantemente alvo de brincadeiras (principalmente de Blake Griffin, que brincava de arremessar em um pé só, tal qual faz o germânico), mas levava numa boa. Conversei com ele sobre seus difusos sentimentos na Louisiana, carreira, seleção, o momento do Dallas Mavericks e, claro, futebol, uma de suas grandes paixões.

BALA NA CESTA: Este é o seu décimo-segundo All-Star, o primeiro depois de um ano de ausência. Qual é a sensação de participar do jogo aqui em Nova Orleans?
DIRK: Ao mesmo tempo em que fico feliz e honrado de ser lembrado depois de dois anos difíceis, recheados de lesões, fico um pouco desnorteado de chegar aqui e não ver os caras que participavam comigo dos All-Stars desde que cheguei à liga. O mais especial de todos foi o primeiro, no ano de 2002, na Filadélfia. Estava muito deslocado e todos aqueles caras que eu tinha como referências me trataram tão bem que não consigo esquecer. E hoje eu olho pro lado e não vejo Tim Duncan, Kevin Garnett, Jason Kidd, Shaquille O’Neal, Kobe Bryant, Allen Iverson, Paul Pierce. É um pouco triste, sabe! Ontem mesmo eu estava falando com um amigo “Onde estão os caras? Sobrei aqui…” e ficamos refletindo sobre isso. É uma sensação bem estranha. Eu quero estar entre os melhores, é óbvio, eu gosto de estar aqui, é muito bom ser selecionado. Mas não conviver com a turma da última década faz com que seja bem estranho tudo isso aqui também. Agora eu sou o velhinho da turma, né.

kidd1BNC: Você tocou no nome do Jason Kidd. Como tem sido para você ver o seu ex-companheiro como técnico do Brooklyn?
DIRK: Não é fácil, principalmente pelo começo que ele e o time tiveram por lá. Acompanho de longe, mas tento não conversar muito com ele. Jason é um amigo que criei no basquete, um dos melhores jogadores com quem atuei, mas agora ele é treinador de um time rival, né. Houve muitas lesões no início da temporada, ele deve ter sofrido com isso, mas agora o Nets parece ter encontrado uma identidade. Eles têm boas armas, e eu não gostaria de enfrentá-los em uma primeira rodada de playoff, não. Joe Johnson, um All-Star, dois Hall da Fama (Pierce e Garnett) e Deron Williams. Ia dar certo quando todos tivessem juntos em quadra, porque Kidd entende do jogo como poucos.

dirk2BNC: Deu pra perceber que os jogadores brincam muito com você, né. No treino de sábado Blake Griffin, Kevin Love e Stephen Curry ficavam tentando imitar o seu arremesso em uma perna só…
DIRK: (Risos) Pra você ver. Sou quase um idoso aqui no meio deles e eles ficam me sacaneando (risos). Mas eu sei que é com respeito, então está valendo. Eles se divertem bastante. O Love disse que tentou fazer o arremesso em uma perna só antes da temporada e não conseguiu. Perguntou como eu fazia, foi divertido.

BNC: Então, me tira uma dúvida: desde quando você começou a arremessar assim, jogando o peso do corpo todo em cima de uma perna só? Lembro que quando você começou na liga não era assim, não…
DIRK: Não, não era mesmo. Você tem razão. Não sei exatamente em qual temporada foi isso, acho que em 2004, mas eu adotei isso para ter uma vantagem competitiva contra meus marcadores. Quando você joga o peso do corpo todo em uma perna só, consegue abrir mais espaço entre as pernas e dificulta a ação do marcador. Foi tudo pensado, não foi nada coincidência. Não me lembro exatamente como, mas eu percebia que os marcadores colavam o corpo perto de mim e eu não tinha espaço para fazer os drives (arranques). Então eu tinha duas opções: ou bater de frente e enfrentar o rival, usando uma arma que não me favoreceria nunca (o físico), ou usar a envergadura que eu tenho para abrir espaço em relação ao defensor e, mesmo com ele colado, conseguir criar uma distância razoável para arremessar com alguma folga. Acabou dando certo. Hoje eu vejo o Kevin Durant fazendo isso, o Kobe Bryant também (aqui um vídeo completo sobre isso).

2011 NBA All-Star Game PracticesBNC: O Kobe também?
DIRK: Sim, ele mesmo. Cara, teve um jogo em Los Angeles contra a gente que o Kobe fez este tipo de arremesso em um pé só na lateral, todo marcado pelo (Josh) Howard, com cronômetro zerando para o fim de um período. A bola caiu, e o Kobe olhou pra mim e disse: “Ei, alemão, aprendi bem?”. Eu ri. Acho que foi naquele jogo que ele fez 815 pontos na gente em três períodos (Nota do Editor: foram 62 pontos em 33 minutos no dia 20 de dezembro de 2005 – aqui o vídeo). Na verdade não existe um único arremesso que o Kobe não saiba fazer, né.

manuBNC: Uma das grandes conversas que há na NBA atual é a dificuldade que há em se encontrar pivôs e alas-pivôs que gostem e saibam jogar perto da cesta. O jogo acabou migrando muito para o perímetro?
DIRK: Pode ser que por eu ser alemão esta discussão não faça muito sentido. E te explico o porquê. Você não é americano, então poderá me entender melhor. Você deve saber, mas aqui, até pouco tempo atrás, não era permitido marcar por zona, alguns tipos de ações defensivas eram punidas etc. . Com as mudanças das regras, a marcação por zona acabou virando uma grande arma dos técnicos e o jogo acabou mudando. Meu time mesmo ama utilizar as variações da defesa por zona. E foi assim que fomos campeões anos atrás, né. Mas estas modificações foram naturais, e não impostas. A NBA saiu de um jogo de contra-ataque, velocidade e um-contra-um para algo mais elaborado, algo mais pensado. Ficou mais completa, portanto. E isso só pode ser bom. É só você ver o número de armadores europeus e sul-americanos que estão por aqui nos últimos anos. Manu Ginóbili, Ricky Rubio, Prigioni e todos os outros. Eles não estão aqui simplesmente porque sabem pontuar, mas porque sabem pensar, ler as defesas e atuar contra marcações por zona – algo que estão acostumados desde a infância. Eu acho uma bobagem quando dizem que não há mais jogo de garrafão. Há, há sim. Menos, mas é claro que há. E há menos porque há outras situações, outros complementos que não eram vistos antes. Agora os jogadores são mais completos, mais preparados, mais atléticos, mais prontos para agir e reagir em algumas situações que antes não eram vistas. Não acho que seja um grande problema como as pessoas por aqui às vezes querem pintar. Se a NBA é um produto mundial, o jogo também teve que, digamos, se “internacionalizar” um pouco. Quase 25% dos atletas da NBA não são americanos. Quer dizer algo, não?

dirk3BNC: Na temporada passada você jogou apenas da metade pra frente, depois de 13 anos os Mavericks não foram aos playoffs e imagino que a pressão tenha sido grande. Como está sendo pra você neste ano?
DIRK: Muito bom, muito bom. A diretoria fez algumas mexidas, que oxigenaram um pouco o elenco e isso sempre ajuda muito. Pessoalmente acho que ano passado a gente jogou bem, mas já era um pouco tarde quando começamos a reagir e os playoffs não vieram. Pode ser até leviano de minha parte, mas acredito que meu desempenho não seja excelente nesta temporada. Tenho jogado bem, ajudado o time com rebotes e pontos, mas sei que eu e o restante do grupo podemos ir além, podemos fazer mais ainda.

BNC: E o que esperar do Dallas daqui pra frente?
DIRK: Estamos fazendo uma temporada decente, e sabemos que podemos ir bem longe. O Oeste é muito complicado, então temos que ficar sempre em alerta. Da quinta até a décima colocação está tudo muito embolado, e sabemos que qualquer deslize pode custar caro. É o que mais tenho tentado passar ao time. Na semana passada perdemos jogos seguidos e quando fui olhar a tabela estávamos em nono. Ganhamos três consecutivos e estamos sem sexto. Louco isso, não? Mas temos um time forte, um elenco sólido, boas armas ofensivas comigo e com o Monta Ellis. O que precisamos melhorar mesmo é a defesa, que precisa ser mais consistente, e o nosso rebote. Se você pegar os dados, pode reparar que ganhamos quase todas as partidas em que temos um volume de rebotes maior do que o dos adversários. É uma questão de se posicionar melhor, estar mais concentrado. Se tivermos isso estaremos em condição de vencer qualquer um dos nossos adversários.

montaBNC: O desempenho do Monta Ellis te surpreende?
DIRK: Sim, sinceramente sim. Talentoso todos sabíamos que ele era, pois havíamos enfrentado o Monta algumas vezes e tínhamos noção do impacto que ele poderia trazer. Mas nunca se sabe como uma peça vai se adaptar a um sistema que já existe há algum tempo – como é o nosso caso. Ele traz algo muito importante, e que não tínhamos há algum tempo, que é uma condição de desequilibrar a defesa adversária com infiltrações e dribles. Ele dribla em direção a cesta e pontua ou cria boas condições de chute para mim, (José) Calderón e (Shawn) Marion. Isso é muito importante pra gente e tem rendido bons resultados. Ele é bem explosivo, né. Ele sempre foi e sempre será um grande pontuador, explosivo, mas vê-lo apenas como um cara de cestas é um engano. Ele cria muitas situações para o restante do time também, além de lances-livres.

Stephen CurryBNC: Você é um dos grandes arremessadores da história da NBA, isso ninguém tem dúvida. Quem você gosta de ver atualmente? Quem consegue dominar o jogo com chutes hoje em dia?
DIRK: Ah, se eu tiver que citar um eu digo o nome de Stephen Curry, do Golden State Warriors. Gosto do Kevin Durant também. Mas sou um entusiasta do que o Curry faz na quadra. É realmente um absurdo, assustador. O que ele consegue fazer após o drible (off the dribble) é impressionante. A velocidade com que ele quica a bola e sai para a definição é incrível e certamente ele será um dos maiores da história da NBA daqui a alguns anos. Lembro bem que nos playoffs da temporada passada eu olhava pela televisão o que ele fazia, tipo aqueles jogos com 25, 30 pontos em um período, e não acreditava. Toda vez que ele pegava a bola no ataque eu gritava na minha casa para ele chutar. Porque o que ele estava fazendo era de verdade fora do normal, fora dos padrões. Ele será cada vez mais vigiado, mas a sua habilidade em cortar as defesas para logo em seguida sair para o chute faz com que marcá-lo seja uma das tarefas mais complicadas atualmente. Nos 15 anos em que estou aqui não me lembro de ter visto alguém como ele, não. Chutar muitos caras sabem fazer, muitos caras podem fazer. Mas saindo do drible, por cima dos corta-luzes, como ele faz, é quase impossível. E o cara faz parecer fácil.

dirkchampionBNC: Acho que o momento mais especial da sua carreira foi quando você ganhou o título com o Dallas em Miami. E a cena que eu mais me lembro foi quando o cronômetro zerou e você foi para o vestiário chorar (aqui e aqui). Queria que você explicasse um pouco como foi aquela cena, e por que um alemão não pode chorar em público…
DIRK: (Risos) Foi um dos momentos mais especiais da minha vida. É algo que não consigo descrever até hoje, que não consigo medir em palavras. Foi tanto tempo de sofrimento, tanta luta, tantos obstáculos, que a hora que eu vi o título se cristalizando na minha frente eu só consegui correr para o vestiário para me recompor. Você tem razão quando fala da frieza dos alemães. É bem isso mesmo. Fui para um lugar fechado, onde, sozinho, eu poderia dar uma respirada, me emocionar antes de voltar para a quadra. Jamais esquecerei daquele dia porque eu perdi tantas séries de playoff, foi tanta frustração… que quando a gente ganhou eu acabei tendo que extravasar, o que não é comum para mim.

soccerBNC: Você é um apaixonado por futebol, e dentro de alguns meses teremos a Copa do Mundo no meu país, o Brasil. Vai aparecer lá para torcer pela Alemanha? O que está esperando da sua seleção?
DIRK: Você mora em que cidade lá?

BNC: No Rio de Janeiro.
DIRK: Nossa, onde será a final da Copa do Mundo. Que sonho, hein. Aproveite. Mas, bem, eu infelizmente não poderei ir devido a alguns compromissos familiares já previamente agendados. Ficarei torcendo de casa, de longe, e com muita esperança que a Alemanha faça um bom papel. Sei que estamos no grupo da morte, né, com Portugal, Gana e Estados Unidos mas a tradição diz que chegaremos às semifinais. Sempre chegamos às semifinais. Depois disso ninguém sabe (risos). Como um entusiasta do futebol, assistirei às partidas que puder e estou querendo muito saber como será o desempenho do Messi e do Cristiano Ronaldo, meus jogadores favoritos.

germanBNC: Duas perguntas em uma só: alguma chance de você jogar as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro? E quem pode ser o próximo grande jogador europeu a despontar na NBA?
DIRK: Acho que não, acho que não. Não descarto nada mas eu terei 37 anos e não acredito que tenha saúde para jogar no Rio de Janeiro. Adoraria, mas eu não creio. Minha história com a camisa germânica foi linda, e acho que não haverá novos capítulos. Quando você chega a uma certa idade, como eu, o mais interessante a se fazer depois da temporada é ficar estirado em uma cama descansando o seu velho corpo. Sobre o próximo jogador da Europa, eu não posso falar muito pois eu não acompanho. Mas eu leio que o Nikola Mirotic, que irá jogar no Chicago Bulls, tem ido muito bem no Real Madrid.

BNC: Por fim: você já foi MVP de temporada regular e de finais, e campeão da liga de basquete mais importante do mundo. O que ainda te move, o que ainda te motiva?
DIRK: Engraçado, outro dia me perguntaram isso na Alemanha também. O que me motiva é competir, é seguir jogando em alto nível. Pode parecer incrível para quem vê de fora, mas eu ainda sinto que posso evoluir e fazer meus companheiros melhorarem também. Enquanto essa chama estiver acesa pode ter certeza que vou continuar jogando. Tomara que eu consiga voltar a disputar uma final de NBA. É o que mais desejo.