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Em raro momento de transparência, CBB mostra motivos da suspensão e se expõe ao ridículo

Fábio Balassiano

17/11/2016 13h20

A Confederação Brasileira de Basketball teve um raro momento de transparência ontem à noite. Não pela sua Nota Oficial informando que fará uma coletiva apenas na segunda-feira na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas porque inacreditavelmente divulgou a carta que foi enviada pela Federação Internacional para mostrar os motivos pelos quais a entidade máxima do basquete brasileiro estaria sendo suspensa pela FIBA (aqui o link completo do documento).

Se a entidade presidida por Carlos Nunes quis se expor ao ridículo é possível dizer que ela, sim, conseguiu. São tantas as razões elencadas pela carta da FIBA assinada pelo Secretário-Geral Patrick Baumann (novos empréstimos, dívidas crescentes, não ida a campeonatos, cancelamento da Etapa do 3×3 etc.) que a gente se pergunta mesmo as razões pelas quais a CBB não foi suspensa antes pela Federação Internacional. Para quem acompanha este blog, nenhuma surpresa, mas vamos aos principais pontos divulgados pela Confederação:

1) A FIBA informa logo no primeiro parágrafo que vem pedindo a criação de uma força-tarefa na CBB desde 2 de setembro de 2014 devido a problemas claros de gestão. A Confederação Brasileira informa que a suspensão foi "surpresa". Já são dois anos da Federação Internacional pedindo mudanças que não vêm. E a Confederação Brasileira afirma que foi surpreendida. Sério?

2) No terceiro parágrafo a FIBA diz que "a CBB tem sido incapaz de controlar o basquete do Brasil ou de manter controle total de governança no país". Ainda afirma que, apesar de não organizar nenhuma Liga no país, a Liga Nacional de Basquete está diretamente ligada aos times nacionais, pagando as passagens dos times de seleções nacionais e colocando um time completo (Pinheiros) para jogar com a camisa da equipe nacional (algo que este blog já falou há tempos). Que saia-justa, hein…

3) Em seguida a FIBA diz que "a CBB falhou em participar de atividades e competições desde o final dos Jogos Olímpicos" e crava: "A não participação no Mundial 3×3 implica na suspensão automática das seleções do país em torneios desta natureza por um ano". Outro ponto mencionado como grave foi a não realização da etapa do 3×3 no Rio de Janeiro, cancelada às vésperas de acontecer. O órgão máximo do basquete mundial se irrita profundamente com a ausência do Brasil nos Sul-Americanos Sub-15, o cancelamento dos Brasileiros de Base (TODOS de 2016) e por não ter havido nenhuma atividade da Escola Nacional de Técnicos desde 2014. Uma surra.

4) Aqui há algo que me chama atenção. No parágrafo seguinte a FIBA expõe que em 11 de abril de 2016 "concedeu OUTRO empréstimo para a CBB e um período de carência para pagar todas as dívidas que a entidade tem com a FIBA. Considerando todas as repetidas falhas no acerto de contas com a FIBA, a FIBA se reserva ao direito de, conforme escrito em seu Estatuto, de exercer os seus direitos". Logo em seguida a Federação Internacional cita o péssimo momento financeiro da Confederação Brasileira, afirmando que as dívidas têm crescido, que o prazo final para pagamento era 31 de julho (algo que, claro, não foi cumprido) e que a entidade de Carlos Nunes tem sido pouco capaz de pagar aos seus credores. Só lembrando: quem divulgou essa carta foi a Confederação Brasileira.

5) Por fim, a FIBA clama que, "apesar da negativa situação esportiva, financeira, institucional e de governança, a CBB está planejando as próximas eleições sem nenhuma reforma ou reestruturação, o que tendo em vista as circunstâncias seria importante". Ou seja: exige mudanças estruturais que a Confederação Brasileira NUNCA quis fazer. E, repito, a CBB divulgou a carta.

6) Na última linha, a FIBA pede a CBB colabore com a FIBA, montando uma equipe de trabalho (a tal força-tarefa) para o basquete brasileiro. Em breve Federação Internacional entrará em contato com a Confederação propondo os próximos passos para que a entidade máxima do basquete brasileiro saia do buraco surreal em que se encontra.

A FIBA foi, na verdade, benevolente com o basquete brasileiro, não suspendendo o esporte há muito tempo (como este blog vem demonstrando aliás). Desde 2014 a relação entre as duas esferas, presididas por Carlos Nunes e por Horacio Muratore (ambos na foto ao lado), é tensa, recheada de problemas financeiros (a questão do convite do Mundial de 2014 é o "auge" disso tudo) e com queixas imensas da Federação Internacional à Confederação Brasileira.

Fico me perguntando sinceramente por que diabos a CBB divulgou isso ontem. É um atestado de incompetência de tamanho mundial que eu ainda estou embasbacado. Se queria que o mundo inteiro ficasse com vergonha do (péssimo) trabalho da entidade máxima do esporte no Brasil, a Confederação de Carlos Nunes conseguiu. Não é que a CBB faliu. A CBB se suicidou na frente da opinião pública. É muito surrealismo pra mim, vocês vão me desculpar.

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