Bala na Cesta

Arquivo : Érika

Érika e Clarissa se apresentam, e seleção feminina fica completa
Comentários Comente

Fábio Balassiano

erika1Duas únicas brasileiras jogando na WNBA, as pivôs Érika (foto à esquerda) e Clarissa se apresentam nesta segunda-feira em Campinas ao técnico Antonio Carlos Barbosa para a fase final da preparação da seleção feminina visando os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Agora o grupo tem 15 jogadoras, e caberá ao técnico cortar três atletas.

clarissaVale dizer que tanto Érika quanto Clarissa chegam ao time de Barbosa sem jogar tanto assim na WNBA. Érika tem 5,7 pontos e 5,5 rebotes em 17 minutos por jogo de média (as piores de sua carreira na liga desde 2008). Já Clarissa (foto à direita), que não atuava desde março de 2016 (após não receber e regressar da Turquia), possui 8,1 minutos em apenas 12 dos 21 jogos disputados pela franquia de Illinois na temporada (campanha de 9-12 até o momento). Faltam, obviamente, menos de 20 dias para a estreia da seleção (6 de agosto contra a forte equipe australiana).

cbb1Como detalhe, vale dizer que a péssima preparação da seleção feminina, que até o momento teve apenas três amistosos na França (ei, peraí, o dinheiro do Ministério do Esporte não serviria para um punhado de amistosos?), as brasileiras enfrentam o possante Japão (adversário na primeira fase da Olimpíada inclusive) em 27 e 29 de julho às 20h no Clube Concórdia em Campinas. Depois, Sérvia (2 de agosto) e China (3) no Rio de Janeiro.

Ah, e quer saber de um detalhe: os jogos contra Sérvia e China serão SEM a presença do público e da imprensa. Sem presença de público e imprensa porque, vocês sabem, de popularização e aproximação com o público a Confederação Brasileira já está farta. O motivo é óbvio (ironicamente falando, claro!): é tanta gente querendo consumir o basquete brasileiro, comprar aquelas camisas que a gente sabe que encontra nas lojas físicas e virtuais, ainda mais o feminino, que a CBB opta por esconder os dois únicos amistosos pré-olímpicos na cidade que vai receber. Pra evitar aglomerações e confusões desnecessárias, né? Deve ser isso…


Brasil joga muito mal e perde da República Tcheca na estreia do Mundial
Comentários Comente

Fábio Balassiano

zanon2Escrevi aqui na terça-feira que para as pretensões da seleção brasileira no Mundial da Turquia vencer na estreia seria fundamental. O passo ensinou que um começo ruim pavimentava trajetórias ruins das equipes femininas recentes. Mas não mudou nada. Errático, o Brasil jogou mal demais contra a República Tcheca, perdeu feio por 68-55 e iniciou o torneio com uma derrota que complicará demais a campanha na competição.

Amanhã, também às 15h15 (Sportv exibe), o time de Zanon enfrenta a Espanha, campeã europeia que venceu o Japão neste sábado por 74-50. Se perder, terá que vencer as asiáticas de qualquer maneira para não ser eliminada na primeira fase.

O Brasil até que começou bem a partida. Acionando Érika (foto à direita) o tempo todo, abriu 5-4 com dois minutos e parecia estar pronto para duelas contra as atuais vice-campeãs mundiais. Mas logo os erros apareceram, logo as deficiências que competições fortes, como são Mundial e Olimpíada, acabam por acentuar apareceram.

erikaA seleção feminina errou 16 de seus 19 arremessos no primeiro período (sim, é sério) e teve seis desperdícios de bola, perdendo a primeira parcial por 17-7 (ou seja, fez apenas dois pontos nos oito minutos restantes). No segundo quarto o panorama não se modificou. Dez equívocos nos chutes, quatro erros e 27-20 para as tchecas no intervalo. O ataque brasileiro, portanto, conseguiu anotar um ponto por minuto na primeira etapa, muito pouco.

Na volta do vestiário o panorama não se modificou muito. As tchecas mantiveram um bom aproveitamento de quadra, a seleção feminina foi ficando cada vez mais nervosa e a diferença chegou a 18 pontos a favor das europeias. O time de Zanon chegou a esboçar uma reação no final, mas não foi o suficiente.

O Brasil, de fato, jogou muito, mas muito mal. Defendeu mal, pressionando pouco quem estava com a bola do outro lado, teve um ataque estático, parado, travado e não conseguiu trocar passes no sistema ofensivo (as oito assistências são a prova fiel disso que escrevo). Na frieza dos números, eles dizem tudo: 18/69 (26% de aproveitamento) nos chutes e 17 desperdícios de bola.

tainaOu seja do ou seja: a seleção feminina teve 90 posses de bola. Em apenas 18 delas (20%, portanto) conseguiu o objetivo final do ataque (colocar a bola na cesta através de um arremesso). Tudo isso com os 24 rebotes ofensivos conquistado (apenas nove das rivais). Houve volume, mas não é possível vencer indo tão mal no ataque. Isso que vimos neste sábado, caros amigos, é muito pouco. Ninguém consegue ganhar jogo de Mundial ou Olimpíada assim, é um fato.

Viu o jogo? Não gostou do que viu, certo? Comente aí!


Nas mãos de Érika, o sucesso do Brasil no Mundial da Turquia
Comentários Comente

Fábio Balassiano

erika2Com elenco pra lá de renovado (são nove estreantes, como você viu aqui ontem e anteontem), o Brasil estreia amanhã no Mundial da Turquia contra a República Tcheca (Sportv exibe a partir das 15h15) e sabe que para ter sucesso na competição precisará contar mais do que nunca com as atuações geniais de Érika de Souza.

Melhor pivô do mundo na atualidade, a carioca de 32 anos completará 100 jogos pela seleção brasileira justamente contra as tchecas. E para o Brasil vencer as europeias na largada da competição e evitar problemas maiores contra espanholas e japonesas (veja mais aqui), é imperativo que Érika seja acionada desde o início da partida.

Cestinha geral das Olimpíadas de 2012 e entre as cinco melhores da Copa América de 2011 e do Mundial de 2010 (em todas com 16 pontos de média), Érika sabe que, ao contrário do seu time na WNBA, o Atlanta Dream, a responsabilidade por guiar a equipe nacional em quadra é praticamente toda sua a partir de amanhã. Principalmente com pontos em momentos decisivos (algo que ela acaba por dividir no Dream com Angel McCoughtry).

erika4Apenas Adrianinha tem mais de 29 anos, mas a armadora, craque de bola, está fazendo a passagem de bastão para Tainá e Débora. Érika, não. Érika está no auge técnico, físico e com a auto-estima lá em cima. O garrafão, aliás, é a grande força da seleção brasileira feminina (estarão por lá, ainda, Damiris, Nádia e Clarissa), e eu sinceramente espero que a grande orientação de Zanon é que as gigantes de seu elenco sejam acionadas desde o começo.

O Brasil está no A, com sede em Ancara, e enfrenta (pela ordem) República Tcheca (na estreia em 27/09), Espanha (28/09) e Japão (30/09) . Os três primeiros de cada chave avançam às oitavas-de-final, com os líderes dos grupos “folgando” na fase inicial do mata-mata e só jogando mesmo nas quartas-de-final. Caso fique entre segundo e terceiro na fase de classificação, o Brasil enfrentará quem vier da chave B (Canadá, Moçambique, França ou Turquia). Ou seja: adversários duríssimos. O regulamento completo você encontra aqui.

Perika3elas mãos de Érika passa uma boa campanha da seleção brasileira feminina a partir de amanhã. O que eu sinceramente espero? Que o time de Zanon jogue bem, que vença ao menos um jogo neste grupo para avançar de fase e que tenha capacidade de vencer a partida das oitavas-de-final, posicionando-se assim entre os oito melhores do torneio. Este é um cenário realista e bem palpável para o jovem elenco que foi à Turquia (e um jovem time que não teve uma preparação acima da média, é bom que se diga). Mais que isso é lucro total (e otimismo demais também).

Está confiante para o Mundial Feminino que começa amanhã na Turquia? Até que fase você acha que o Brasil irá? Comente!


Brasil terá quarto elenco mais jovem do Mundial Feminino – veja as médias!
Comentários Comente

Fábio Balassiano

zanon2Tenho dito aqui no blog há algum tempo que o foco do Brasil neste Mundial Feminino que começa no sábado é mesmo o aprendizado pois o elenco é pra lá de renovado. Mas em relação às demais 15 seleções que jogarão na Turquia, quão jovem é o time que Zanon levará para a competição?

Fiz um levantamento utilizando os dados do site oficial do torneio e, de fato, a teoria de que o Brasil tem um elenco pra lá de jovem em relação à concorrência se justifica. Entre os 16 participantes do torneio, apenas Coreia do Sul (22 anos de média), China (24) e Sérvia (24) têm média de idade inferior aos 24,9 do Brasil. Cuba e Moçambique são os dois com idade média mais avançada, com 29.

LEIA TAMBÉM: VENCER A REPÚBLICA TCHECA NA ESTREIA DO MUNDIAL É FUNDAMENTAL

França e Estados Unidos, os dois finalistas da Olimpíada de Londres, possuem idêntica média (27). As francesas, aliás, mantêm aquela base famosa que brilhou no Mundial Sub-21 de 2003 (mais aqui e aqui). O Brasil, vice-campeão daquele torneio, só tem Érika disputando a competição na Turquia. A Espanha, principal seleção do Grupo A, o do Brasil, possui média de 26 anos e também tem um grupo bem renovado com Laura Gil (pivô de 22 anos), Marta Xargay (armadora de 23), Leticia Romero (ala de 19) e Leonor Rodriguez (armadora de 22).

adriNo elenco de Zanon, apenas duas jogadoras têm mais de 30 anos – Adrianinha (foto à esquerda), com 35, e Érika, com 32. Além disso, sete meninas têm 23 ou menos anos (Isabela Ramona, Joice Coelho, Damiris, Tainá, Patricia, Débora e Tatiane), sendo que Ramona, Joice e Damiris (foto à direita), disparadamente a mais talentosa dessa geração, são as mais jovens com 20, 21 e 21, respectivamente.

São claros os motivos que levaram Zanon a ter que literalmente criar um time novo desde que assumiu. É algo crônico e, desculpem dizer isso, sem a menor perspectiva de solução por parte da Confederação Brasileira. Devido aos problemas internos do basquete brasileiro (cada vez menos times, formação deficiente e nenhum investimento da CBB na base), o técnico teve que acelerar o desenvolvimento de meninas que talvez ainda precisassem de um pouco mais de rodagem em seus clubes antes de enfrentar uma competição como é o Mundial por uma seleção brasileira adulta.

dam1Como esse desenvolvimento interno não iria acontecer devido a leseira da CBB e a insistência dos clubes em não dar espaço às mais jovens,  Zanon arregaçou as mangas, deu início a um necessário-porém-difícil processo de renovação e levará ao Mundial da Turquia uma seleção tão jovem quanto talentosa. Não é o ideal, não é o lógico, mas há momentos na vida em que é preciso inverter a equação para que os resultados aconteçam no longo prazo.

Resta torcer não só para que as meninas tenham bom desempenho no torneio, mas para que a CBB não mude de ideia em relação à renovação caso um bom resultado não venha (é mais provável, aliás, que ele, o resultado, não surja agora). O Mundial não tem que ser o ponto de partida e nem o final para essas meninas. É apenas uma escala para os próximos passos. Todas que estão ali estão sendo lapidadas para jogar as Olimpíadas de 2016, chegando aos Jogos do Rio de Janeiro muito mais “rodadas” e desenvolvidas.

Que o planejamento de Zanon continue independente do que acontecer na Turquia a partir de sábado. O grupo é jovem, os 24,9 anos falam por si só, e é necessário paciência e muito trabalho com as meninas.


Para a seleção feminina, vencer na estreia é mais do que fundamental
Comentários Comente

Fábio Balassiano

coreia1Na Olimpíada de 2008, o Brasil iniciou a sua participação contra a Coreia do Sul no dia 9 de agosto. Contra um time muito (15 rebotes ofensivos brasileiros) mais baixo e inferior tecnicamente a equipe de Paulo Bassul fez um jogo muito ruim, desperdiçou 29 bolas e viu as asiáticas vencerem por 68-62 na prorrogação. A derrota abriu a guarda da seleção feminina, que perdeu de Austrália, Letônia e Rússia na sequência antes de ser eliminada. Venceu, ainda, a Bielorrússia, mas já era tarde. A penúltima colocação marcou aquela geração.

Dois anos depois, no Mundial da República Tcheca, o Brasil abriu de novo os trabalhos contra a Coreia do Sul. E nova derrota veio. Desta vez por 61-60. Novamente em uma partida recheada de erros (19 desperdícios de bola e 3/21 de fora), a seleção pegou muitos rebotes ofensivos (19), mas não soube o que fazer com eles. Revés na estreia, perda completamente da confiança e um time que jamais convenceu na competição, tendo terminado na nona colocação.

franca1Na Olimpíada de 2012, em Londres, a estreia também era fundamental. O Brasil pegaria a França, rival direta no grupo. E novo revés veio. O último período foi implacável (21-9 para as francesas). Aqueles 73-58 foram inapeláveis e praticamente selaram o destino brasileiro em Londres. O time de Tarallo perdeu, depois, de Rússia, Austrália e Canadá, vencendo apenas a dona da casa na rodada final. De novo a equipe terminou na nona colocação.

E por que eu falo isso tudo agora? Simplesmente porque novamente a estreia da seleção brasileira feminina é fundamental. O time de Zanon tem média de idade baixa (24 anos), certamente vai sentir o peso de um começo de Mundial, mas é bom manter a tranquilidade para evitar cicatrizes no futuro.

zanonO duelo inicial, marcado para sábado, é contra a República Tcheca (15h15, de Brasília), que tem um bom time, mas nada além do normal. Vencer as tchecas significa jogar contra a Espanha no domingo sem pressão alguma e decidir o segundo lugar contra o Japão no dia 30/9 sem ter que entrar em quadra tendo que vencer para avançar de fase.

As últimas três estreias do Brasil em competições Classe A (Mundial ou Olimpíada) acabaram selando o caminho da seleção feminina nos torneios. Depois do revés inicial, nenhum dos três times conseguiu se reagrupar para jogar de forma organizada e mentalmente forte nos duelos seguintes. Adrianinha e Érika, as mais experientes do elenco atual de Zanon, sofreram na pele em 2008, 2010 e 2012 (a pivô só não esteve em Pequim-2008). Certamente têm boas lições para passar ao grupo e a comissão técnica.

duplaPara evitar que o começo ruim “condene” a seleção feminina desde o primeiro jogo só há uma alternativa: entrar com muita concentração e vencer a República Tcheca no sábado. Aumentará a confiança, pavimentará uma boa estrada na competição e praticamente colocará o Brasil na segunda fase do torneio.

Que Zanon e as meninas esqueçam a tal “síndrome da estreia” que tanto aflige o basquete brasileiro nos últimos anos.


Agora são elas – seleção feminina na reta final da preparação para Mundial
Comentários Comente

Fábio Balassiano

zanon1Depois da Copa do Mundo masculina, chegou a vez de as meninas do Brasil darem o ar da graça. O time de Zanon (na foto à esquerda orientando a ala Joice Coelho) segue treinando em São José dos Campos visando a competição que acontecerá na Turquia entre 27 de setembro e 5 de outubro e a expectativa é saber quão longe este renovado grupo pode ir na competição. O técnico, aliás, cortou a pivô Fabiana Caetano na noite de ontem e fechou assim o seu grupo:

ARMADORAS: Adrianinha, Tainá e Debora
ALAS: Patricia, Jaqueline, Tatiane, Isabela Ramona e Joice Coelho
PIVÔS: Clarissa, Nádia, Damiris e Érika

TAntes de seguirmos falando da seleção brasileira, vale explicar o regulamento. São 16 times divididos em quatro grupos. O Brasil está no A, com sede em Ancara, e enfrenta (pela ordem) República Tcheca (na estreia em 27/09), Espanha (28/09) e Japão (30/09) . Os três primeiros de cada chave avançam às oitavas-de-final, com os líderes dos grupos “folgando” na fase inicial do mata-mata e só jogando mesmo nas quartas-de-final.

Caso fique entre segundo e terceiro na fase de classificação, o Brasil enfrentará quem vier da chave B (Canadá, Moçambique, França ou Turquia). Ou seja: adversários duríssimos. O regulamento completo você encontra aqui.

dam1Dentro de quadra, sinceramente não posso esperar resultado bom deste elenco de Zanon. É um grupo jovem, que passa por um processo de renovação bem claro (e necessário) e em uma competição de tiro curto (ou curtíssimo) a falta de experiência pode pesar um pouco. Além disso, o que temos visto na LBF e nos trabalhos de base e os últimos resultados do basquete feminino, não inspiram otimismo. Nas Olimpíadas de 2008, 11º (12 participantes). Em Londres-2012, 9º entre 12 seleções. No Mundial de 2010, 9º (foram 16).

Por outro lado, há potencial claro neste grupo. Érika, Damiris e Nádia vieram da WNBA e formarão com Clarissa um garrafão de respeito no Mundial. Tainá jogou muito bem nos amistosos e está cada vez mais pronta para assumir a armação ao lado de Adrianinha (e depois que ela sair de cena também). Tatiane e Patricia, nas alas, precisam de ritmo e rodagem mas possuem muito talento.

taina1Passar da primeira fase, portanto, é palpável. Vencer do Japão me parece possível. Das tchecas, mais complicado, mas também cabível. Da Espanha é que eu realmente acho que o Brasil esteja um degrau abaixo. Aí virão os cruzamentos e, neste momento, é totalmente impossível fazer alguma previsão.

No atual estágio, vale focar no que é possível acompanhar da preparação de Zanon e torcer para que mais um estágio do processo de renovação (talvez o mais árduo dos degraus) tenha sucesso.

E você, o que está esperando da seleção feminina no Mundial da Turquia? Comente!


O brilhante começo de Érika na WNBA
Comentários Comente

Fábio Balassiano

erika1Na noite de ontem, na Geórgia, o Atlanta Dream resolveu fazer o Brazilian Day. Seria antes do jogo entre o time local, que tem Érika de Souza e Nádia Colhado, e o Minnesota Lynx, que possui Damiris em suas fileiras. Música, comidas típicas, morenas sambando, tudo mais o que se podia fazer fora de quadra.

Na quadra, o que se viu foi mais um show da pivô Érika. Ela anotou 16 pontos, pegou 11 rebotes e ainda deu 3 tocos em 32 minutos de uma atuação fundamental para seu time bater o fortíssimo Minnesota Lynx por 85-82 na reedição da final da temporada passada. Nádia não entrou no jogo, e Damiris saiu-se com 6 pontos e 4 rebotes em 26 minutos.

Para quem acompanha um pouquinho de WNBA não é nenhuma surpresa que Érika seja uma das principais estrelas da liga (gosto sempre de dizer que ela é a melhor pivô do mundo – e os brasileiros deveriam saber e se orgulhar bastante disso). Mas o começo deste campeonato é espetacularmente brilhante para ela, e a coloca em uma posição de ainda mais destaque.

erika2Melhor defensora de seu time (e quem diz isso não sou eu, mas seu técnico, o ex-jogador do Lakers na década de 1980, e especialista no ramo, Michael Cooper), Érika guia o Atlanta a liderança do Leste (6-3, com três triunfos consecutivos) com as incríveis médias de 18,2 pontos, 64,2% de aproveitamento nos arremessos (surreal!), 9,7 rebotes, 1,4 roubo, 1,4 assistência e 1,8 toco por jogo. Para se ter uma noção, sua pontuação é 50% maior que a registrada na temporada passada, quando seus 12,8 por noite já eram a sua maior marca de sua carreira de 8 anos na WNBA. Seus 64% nos chutes, por sua vez, registram recorde pessoal com 6% de diferença em relação ao patamar de 58% atingido em 2008, quando estava em seu primeiro ano com o Atlanta Dream. Na temporada toda a camisa 14 do Dream teve dígitos-duplos em pontos em TODAS as partidas e duplo-duplo em quatro das nove pelejas (em outras duas faltou apenas um rebote para chegar a dez…).

erika14Em relação à constelação da WNBA, Érika é a sétima em pontos (a líder é Maya Moore, do Minnesota, com 22,7), a terceira em % de arremessos convertidos (a primeira é Courtney Paris, do Tulsa, com 65,2%), a terceira em tocos (Brittney Griner, do Phoenix, lidera com 3,1) e a quinta em rebotes (Paris lidera aqui também com 11,1). Números que já seriam ótimos, né.

Mas e se eu te dissesse que Érika é a melhor do melhor campeonato de basquete do planeta em eficiência, aquela estatística que contabiliza tudo de bom que um atleta faz em quadra? Pois é o que vem acontecendo. A pivô brasileira tem 25 de eficiência por jogo, e é a primeira no quesito, seguida de perto pelas bambas Maya Moore e Candace Parker (no cálculo de eficiência por 40 minutos, uma base para comparação apenas, ela também lideraria…). Um feito e tanto, sem dúvida alguma.

erikafinalAll-Star por duas vezes em sua carreira (2013 e 2009), Érika de Souza está na lista de votação no site da WNBA. Votar nela porque ela é brasileira é uma bobagem. Não se faz isso por patriotismo ou coisa que o valha. Érika deve ser votada para o jogo que será disputado em Phoenix em 19 de julho simplesmente porque é a melhor pivô do mundo.


Novo técnico, Zanon abre o jogo sobre futuro da seleção feminina que começa a treinar hoje
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Na tarde de ontem, Luiz Augusto Zanon, de 49 anos (completa 50 em 17 de junho), uniu na apresentação da seleção feminina da qual é o novo treinador aquilo que mais ama: basquete e família. Ao lado de sua mãe (Magali) e esposa (Erica), o pai de Carolina, Caio e Camila inicia hoje os treinamentos com a equipe nacional visando os dois amistosos contra o Atlanta Dream e Washington Mystics (times da WNBA), o Sul-Americano (Argentina) e a Copa América (no México). Em conversa longa com o blog, o comandante falou sobre as expectativas do trabalho, da renovada equipe (média de 22,6 anos) que começa a suar a camisa hoje em Americana (cidade em que se sente em casa, afinal treina o time local, vice-campeão da LBF) e de como pretende recolocar o basquete feminino brasileiro nos primeiros lugares em competições de alto nível. Confira o papo com Zanon.

BALA NA CESTA: Antes de começar com a entrevista propriamente dita, queria que você falasse sobre o planejamento de treinos e jogos da seleção feminina visando Sul-Americano e Copa América.
ZANON: Bem, vamos lá. O time se apresentou nesta quarta-feira, e hoje (quinta-feira) começa a treinar. Vamos até o dia 11 e embarcamos para os Estados Unidos. No dia 13 enfrentaremos o Atlanta Dream, dois dias depois o Washington Mystics e no dia 16 faremos um amistoso contra o mesmo Washington. Voltamos ao Brasil, faço uma nova convocação, treinamos até o final de junho e no começo de julho viajamos para a China, onde faremos três torneios contra as anfitriãs e outras duas seleções.  Retornamos direto para a Argentina, onde jogaremos duas vezes contra elas antes do Sul-Americano lá mesmo na Argentina (23 a 27 de julho). Pra fechar a preparação para a Copa América (21 a 28 de setembro, no México), teremos um amistoso no Brasil contra Canadá, Argentina e Porto Rico. Serão mais de três meses com as meninas, e cerca de 25, 30 amistosos. Quero apenas esclarecer, desde já, que os amistosos e torneios já estavam marcados quando eu cheguei, não podendo, até por ser verba do Ministério do Esporte via Lei de Incentivo, mexer muito. Apenas adequei algumas situações que achei pertinente, e posso garantir que ano que vem, nas vésperas do Mundial da Turquia, já estamos trabalhando para atuar contra as seleções europeias.

BNC: Queria que você contasse como foi o contato do Vanderlei, novo diretor de seleções da Confederação, e qual a sua expectativa para comandar a seleção feminina de basquete.
ZANON: Olha, eu não esperava o convite, pra te ser sincero. O Vanderlei ligou primeiro para o Ricardo Molina (presidente do time de Americana) e depois marcou um encontro comigo aqui em Americana. Nos falamos, ele entendeu o que eu queria e acertamos tudo. Não demorou muito, não. Olha, cara, sonho, sonho mesmo eu tenho de fazer o meu melhor trabalho, de evoluir como técnico e pessoa e de fazer as atletas evoluírem também. A palavra-chave para mim vai ser essa: evolução. Se essa evolução nos fizer campeões mundiais ou olímpicos, ótimo. Se a evolução, a máxima possível, não permitir isso, paciência e ficarei feliz. O lance é: evoluirmos o máximo que pudermos no período em que estivermos juntos. O que me motiva, além dessa evolução, é a chance de dirigir a seleção em uma Olimpíada no Brasil. Poxa, quantos técnicos têm essa honra, essa oportunidade? Poucos. Caso consiga completar esse ciclo, será uma honra e tanto dirigir o Brasil diante do nosso torcedor e da minha família. Por isso tudo aceitei o cargo. Pela chance de evoluir como técnico e como pessoa e pela chance de permanecer perto da minha família aqui em Limeira (a cidade em que vive fica perto de Americana, onde treina o clube vice-campeão da LBF).

BNC: Perfeito. Agora falando sobre a seleção em si. Sua primeira convocação causou surpresa e alegria em quem pedia renovação, já que se trata de um grupo de 22,6 anos de média. É uma filosofia que você pretende seguir, ou foi apenas para testar as meninas no primeiro momento?
ZANON: Na minha cabeça eu preciso dar chance para as mais novas para saber o potencial delas. Isso é bem claro. Por isso, nesse primeiro momento eu quero colocar as meninas na quadra e conhecê-las melhor. Vai ser treino, treino e treino. É o que mais gosto de fazer, e assim elas vão melhorar. Parte técnica, tática, personalidade, tudo. Todas as que convoquei precisam de experiência internacional, rodagem, e só vamos conseguir isso dando espaço a elas. Algumas nem tinham passaporte pra viajar, você sabia? Pra te ser sincero, queria até convocar meninas da Sub-19, mas elas estão treinando com o time que irá ao Mundial e não foi possível no momento. Quis dar uma chacoalhada, uma animada, nas mais novas, conhecer de perto e depois vamos ver o que precisamos. Dividi o trabalho em etapas. Nesta primeira, é a chance das mais novas mostrarem serviço. Depois, pro Sul-Americano e Copa América, que preciso de resultado, vou trazer as mais experientes nas posições que mais precisarem. Nesse primeiro momento quero que essas meninas de 20, 21, 22 anos joguem contra as melhores, as lá da WNBA, e se entreguem em quadra. É a chance delas, e meu perfil é muito de fazer as jogadoras evoluírem, né. Mas posso te garantir: vai jogar quem estiver melhor, independente de idade. As mais experientes eu já sei o que podem me dar, o que fazem. As mais novas têm potencial e agora podem mostrar.

BNC: Três nomes me chamam a atenção nessa convocação. Patricia Ribeiro, que foi muito bem por São José, Joice Coelho, destaque da Sub-19 dois anos atrás e uma das revelações da LBF jogando por Guarulhos, e Ariani (foto à direita), armadora que estava jogando nos Estados Unidos.
ZANON: A Ariani já vinha olhando pra ela há algum tempo e recebi ótimas informações de dentro da CBB sobre seu jogo. Para a posição de armadora, será testada e ganhará chances. A Joice fez ótimas partidas em Guarulhos, e quero muito ver como se comporta em um jogo mais coletivo, mais de sistema, que é como gosto de jogar. A Patricia é a menina que mais joguei contra ela. Conheço suas qualidades e pontos de melhoria, e agora é ver como se encaixa na seleção. Além dessas, tem a Tatiane Pacheco, que foi muito bem na fase final por São José e que agora tem chance na seleção. São todas da mesma faixa de idade, e isso também foi proposital. Não podia testar meninas muito jovens com veteranas no meio. A química dessa meninada é importante demais também.

BNC: Sobre as mais experientes, você já chegou a conversar com a Adrianinha, que me disse, aí em Americana, estar a disposição pra voltar, com a Érika ou com a Iziane (foto à esquerda), cujo estoque de polêmicas é inesgotável?
ZANON: Olha, ainda não falei. Não falei porque ainda não é momento. Quando for, pode ter certeza que eu mesmo vou puxar o telefone e ligar uma a uma para explicar minha filosofia e o que estou pretendendo. Quem quiser vir pra se enquadrar e participar será muito bem-vinda. A única que conversei, mas informalmente, foi a Érika – e porque encontrei em um programa de televisão. Ela me disse só um “tamos juntos, Zanon” e nada mais. Vou falar com todas elas e sei que cada uma tem uma situação diferente. Sobre a Iziane, e isso quero deixar claro, comigo não existe nada do passado. Eu, como técnico da seleção, entro zerado, entro sem querer saber do histórico de nada, de absolutamente nada. E nem quero saber pra te ser sincero. Eu planejo o futuro e só, nada mais. Nunca houve nada comigo, certo? Então é sentar, conversar, alinhar expectativa e tocar o barco. Vou ligar pra ela e vou falar. Sou muito direto e você sabe disso. Não posso pré-julgar uma menina por conta de assuntos anteriores a minha gestão. Não tenho nada contra e nem a favor de nenhuma delas. A palavra-chave, Bala, é ‘produção’. Quem produzir, joga. Quem jogar bem vai estar no grupo. Isso é bem simples.

BNC: Pra fechar a parte de quadra, você foi o responsável por fazer Americana marcar como eu há muito tempo não via em solo nacional. É o que você espera na seleção também, não?
ZANON: Sim, e muito. Preciso estar sempre com defesa forte, e farei isso desde o começo. Pode ter certeza que mesmo nesses amistosos contra a WNBA eu vou marcar forte, pressionar a bola, fazer o diabo lá. Não sou maluco de marcar pressão a quadra toda, mas quero meu time marcando forte, abusado, sem medo de absolutamente nada. Vamos lá pra aprender, mas vamos jogar também. Vou usar sempre o que de melhor meu grupo tiver pra defender. Nesse primeiro momento, é a vitalidade, a força física, a juventude das meninas para rodá-las. Tudo isso aliado a um jogo coletivo muito forte no ataque. Para te citar um exemplo, meu time (Americana) ficou muito individualizado nas finais da LBF contra o Sport/Recife. Isso eu não gosto, não é assim que curto, não. Só vamos melhorar o nível da seleção se jogarmos coletivamente e de forma elaborada, escolhendo a melhor jogada, no ataque. Isso tudo com muito poder de decisão, coragem para escolher a melhor jogada. Posso fazer variações de pick’n’roll, qualquer coisa com as meninas, mas vamos precisar de paciência no ataque e muita disposição e entrega na defesa desde o primeiro dia de trabalho. É assim que sempre trabalhei em Limeira (masculino) e Americana (feminino) e não sei fazer diferente, não. O basquete, cada vez mais, caminha pra isso, né. Marcação apertadíssima e controle da posse de bola.

BNC: Por fim, uma pergunta: como você tem feito pra se atualizar, estudar e olhar os rivais que enfrentará no Mundial?
ZANON: Cara, eu vejo tudo. Tudo é tudo mesmo. Passa NBB, Euroliga masculina, Euroliga feminina, NBA, eu vejo tudo. Outro dia estava assistindo na internet a Euroliga Feminina. Leio muito também e acho que aprendo muito. Os últimos livros que li foram do Bernardinho e do John Wooden, dois caras que admiro demais. Falo muito com os técnicos, e peço para eles me avaliarem também. Já fiz isso com a Maria Helena Cardoso e com o Edvar Simões, por exemplo. Tem vezes que vejo jogo também e fico me imaginando como tomaria determinadas decisões em ocasiões como as que se apresentam nas partidas. Tem outra coisa que faço com constância e que me ajuda bastante: eu jogo muito xadrez sozinho. Isso é basquete, cara. Você faz um movimento e precisa imaginar como o adversário vai reagir. O basquete é xadrez, entende? O segredo é manter a cabeça no lugar, manter o controle emocional e tomar as decisões corretas nos momentos mais complicados. Minha grande paixão, no esporte e na vida, é crescer, é evoluir, é sempre melhorar.


Em jogo fraco, Sport-PE bate Americana em São Paulo e se aproxima do titulo da LBF
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Não foi um um bom jogo de basquete o que vi no Centro Cívico ontem (acho que ninguém em sã consciência dirá isso). Mas mesmo assim o invicto Sport/PE bateu Americana fora de casa por 54-44 em um jogo de 98 pontos para abrir 1-0 na final da LBF e se aproximar do título.

Acho que só os “98 pontos” ali já falam por si só, não? Foi uma partida bem disputada, física até (ótimo), mas mal jogada e serviu como um espécie de síntese do basquete brasileiro (masculino ou feminino) que tem sido jogado aqui nos últimos 15 anos: muita vontade, nervosismo, excesso de tiros tortos de três pontos (foram 28 tentativas e apenas três acertos), erros de fundamento em profusão (28 em 40 minutos contra 24 assistências – ou seja, mais desperdício de bola do que passe pra cesta) e uma correria alucinante, desenfreada (já falei isso aqui, mas a impressão que me passam é que quando passa do meio da quadra não pode mais respirar).

No primeiro tempo, Zanon levou vantagem quando colocou Karen e Ronneka para frear Adrianinha e sua fúria ao cesto. Deu certo, e o potente ataque do Sport fez apenas 20 pontos no mesmo número de minutos.

Na segunda etapa, quando Americana ameaçou abrir o momento crucial do jogo. A norte-americana Alex (cestinha ao lado de Clarissa com 17) voltou na mesma hora que as donas da casa começaram a marcar por zona. Não deu certo para Americana, que viu Alex anotar 8 pontos seguidos (duas bolas de três pontos) para iniciar a virada do Sport, que passou a comandar o placar com tranqüilidade (nos 20 minutos finais fez 34-18) para vencer por 54-44.

Sobre Americana, duas coisinhas: Clarissa foi brilhante com 13 pontos no primeiro tempo (não fosse ela e seu time não teria feito 25…), mas na segunda etapa teve quatro desperdícios de bola (um deles quando tentou quicá-la por quase 20 metros). Karla, cestinha e melhor jogadora do time na competição, teve 0/8 e terminou com apenas 1 ponto (não é normal isso, obviamente).

Ganhou o Sport-PE, que deve acabar ficando mesmo com o título da LBF, mas o que vi hoje em Americana esteve longe de agradar. Em termos técnicos, Zanon viu o que o aguarda na seleção brasileira. E o basquete feminino brasileiro viu o que tantos anos de descaso acabam gerando – pobreza técnica, fundamentos esquecidos e vícios adquiridos.

Foi lindo ver o ginásio do Centro Cívico cheio, mas para o basquete feminino voltar a ser grande o trabalho precisa ser muito, muito forte – e pra já. Parabéns ao Sport e a Americana, que lutaram bravamente, mas esperávamos mais de uma decisão de campeonato com cinco jogadas que foram às Olimpíadas de Londres.

Viu o jogo? Gostou?


Com cinco olímpicas, Americana e Sport/PE começam decisão da LBF neste sábado
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Começa neste sábado às 13h (com transmissão do Sportv) a decisão da terceira edição da Liga de Basquete Feminino entre Americana e Sport-PE no interior de São Paulo. E o mais bacana de tudo (ao menos pra mim, claro): estarei no Centro Cívico para acompanhar tudo de pertinho (fique de olho em Twitter e Facebook para ter notícias em tempo real).

E começa com atrativos de todo lado. Serão cinco atletas que estiveram nas Olimpíadas de Londres em quadra (Karla e Clarissa, de Americana, e Érika, Adrianinha e Franciele pelo Sport-PE – Tássia, das paulistas, também esteve lá, mas não jogará a decisão devido a lesão no joelho). Isso, claro, sem falar em Alessandra, das pernambucanas, campeã mundial em 1994 e medalhista em 1996 e 2000. Currículo, como se vê, não faltará logo mais!

Se isso não bastasse, será a primeira aparição de uma equipe do Nordeste em uma final nacional do basquete feminino. E o até então invicto Sport-PE, com um elenco caro e recheado de estrelas, entra com vantagem de ter o mando de quadra na série final melhor de três (a se lamentar, apenas, que este mando tenha sido conseguido contra Americana em apenas um jogo – lembremos que não houve returno nesta edição da LBF). Além disso, há Zanon, técnico que renovou com Americana por mais uma temporada e que foi anunciado como novo técnico da seleção feminina na quinta-feira. É mais um atrativo da decisão que começa logo mais.

O campeonato foi curto, começou atrasado, sem returno, com apenas sete times, tudo errado, mas chegam ao final os dois melhores times e elencos. Vale a pena ficar de olho, pois a promessa é que sejam dois (ou três) jogos.

Quem quiser que vence o jogo 1 logo mais? E o campeonato? Comente!