Bala na Cesta

Categoria : Coluna ExtraTime

Coluna ExtraTime: Os favoritos você já conhece, mas quem pode surpreender na NBA?
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Fábio Balassiano

Todo mundo sabe que a temporada 2012-2013 da NBA começou ontem, né. E todo mundo sabe que Los Angeles Lakers, Miami Heat, Boston Celtics, Los Angeles Clippers, San Antonio Spurs e Oklahoma City Thunder surgem como favoritos ao título da temporada. Por isso eu pensei, aqui, em citar times que podem aparecer não como candidatos ao caneco, mas sim como franquias que terão momentos de brilho no certame. Vamos lá:

1) Minnesota Timberwolves – Kevin Love perderá as primeiras quatro semanas do campeonato, Ricky Rubio só volta em 2013, mas o time do Minnesota parece ganhar forma com Brandon Roy e Andrei Kirilenko nas alas e Nikola Pekovic no pivô. Junte-se a isso Derrick Williams (ex-calouro, ele disse estar mais bem preparado), o russo Alexey Shved e J.J. Barea. Dá para sonhar com a oitava vaga no Oeste.

2) Sacramento Kings – Esta é uma aposta ousada, mas válida. O técnico Keith Smart tem um punhado de jogadores talentosos (DeMarcus Cousins, Thomas Robinson, Tyreke Evans, Marcus Thornton, Isiah Thomas e Jimmer Fredette) e se conseguir colocar um mínimo de disciplina na rapaziada, poderá ir longe. Olho em Cousins, tão talentoso quanto desmiolado.

3) Detroit Pistons – Não será fácil para Lawrence Frank, o técnico, e talvez o elenco ainda não esteja preparado, mas gosto muito da formação que os Pistons terão para esta temporada. Ben Gordon se foi, e Brandon Knight, entrando em seu segundo ano, será realmente o chutador da franquia. No pivô, Greg Monroe poderá se consolidar como o melhor gigante do Leste – ao seu lado, Andre Drummond, calouro, no garrafão poderá causar estragos. O elenco de apoio tampouco é ruim (Prince, Stuckey, Jerekbo, Flynn e Singler), e brigar por vaga na pós-temporada no Leste é absolutamente palpável.

4) Golden State Warriors – Marc Jackson, o técnico, disse que passou metade da pré-temporada convencendo seus atletas de que, sim, era possível jogar de igual para igual contra as maiores potências do Oeste e da NBA. Aparentemente, ele conseguiu, já que os Warriors foram muito bem nos amistosos (6-2) e parecem ter encontrado uma boa formação com Stephen Curry, Klay Thompson, Harrison Barnes (talentosíssimo), David Lee e o nigeriano Festus Ezeli, que substitui os quase sempre lesionados Andrew Bogut e Andris Biedrins. No banco, os experientes Richard Jefferson, Carl Landry e Brandon Rush. Caso consiga defender com consistência e tenha Bogut ou Biedrins em metade dos jogos, pode, sim, sonhar.

5) Washington Wizards – John Wall, o calouro Bradley Beal, Trevor Ariza, Nenê e Emeka Okafor. Este é o quinteto titular do Wizards para a temporada 2012-2013 (o brasileiro está lesionado e perderá o começo do campeonato, é bom dizer). É lógico que o banco é muito fraco, mas até que pode dar caldo no Leste. O time de Randy Wittman dependerá muito da melhora de Wall nos arremessos, da maturidade de Beal na adaptação ao melhor basquete do mundo e da forma física de seus pivôs (Nenê e Okafor). Caso tenha estas três variáveis a seu favor, poderá sonhar com playoffs.

E você, concorda comigo? Será que estas cinco franquias podem aprontar? Comente!

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Coluna originalmente publicada em 30.10.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.


Coluna ExtraTime: pós-lesão no joelho de Dirk Nowitzki qual o caminho do Dallas Mavs na NBA?
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Fábio Balassiano

A notícia veio como uma surra nos torcedores do Dallas Mavericks. Melhor jogador do time e campeão com a franquia há duas temporadas, Dirk Nowitzki teve que operar o joelho direito no final da semana passada. E o resultado disso é simples: o alemão terá que ficar seis semanas fora e perderá no mínimo o mês de novembro, o primeiro do campeonato, todo.

E aí é impossível não lembrar do que Mark Cuban, dono-doido da franquia, disse depois que os Mavs não conseguiram contratar nem Deron Williams e nem Dwight Howard: “Podem ter certeza que nós voltaremos a ser grandes. Na temporada 2013-2014, contem conosco lá em cima”, colocou no Twitter. E isso foi antes de sua estrela maior se machucar. Ou seja: se o foco do dirigente já estava no próximo campeonato, é impossível não pensar em como será a postura do time no certame que começa contra o Los Angeles Lakers (logo quem…) em 30 de outubro.

O time contratou em boa quantidade, é bem verdade (chegaram Chris Kaman, O.J. Mayo e Darren Collison), mas é bem distante, em termos de qualidade, daquilo que Dirk Nowitzki pediu e precisa para tentar voltar a ser campeão. Aos 34 anos, o alemão já disse que não deseja sair da franquia, mas ao que se vê contratar reforços não será tão fácil assim (principalmente os agentes livres).

Por isso fica a dúvida: seria cedo demais para pensar em colocações “altas” no draft de 2013, tal qual aconteceu com o San Antonio Spurs em 1996-1997? Naquele ano, os vizinhos do Texas perderam David Robinson por contusão e arriscaram tudo. Jogaram em terceira, ou segunda, marcha e foram contemplados com a primeira posição na escolha universitária. Recrutaram Tim Duncan e deram a Robinson os últimos anos mais felizes de sua carreira.

Qual será o caminho para Cuban fazer de Dirk Nowitzki um bicampeão da NBA? Comente!

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Coluna originalmente publicada em 22.10.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.


Coluna ExtraTime: O começo dos playoffs da WNBA – quem será que avança às finais?
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Fábio Balassiano

Terminou no domingo a temporada regular da WNBA. Como era de se esperar, o Minnesota Lynx, atual campeão, fez a melhor campanha (27-7), mas quem também merece destaque é o Connecticut Sun, que cravou 25-9 e fechou na liderança do Leste. Vamos aos duelos e palpites do mata-mata (melhor de três jogos, com primeiro e terceiro, caso necessário, na casa dos com melhor campanha – coloquei um asterisco lá embaixo), que começa nesta quinta-feira (só lembrando que os canais ESPN têm os direitos de transmissão da competição).

LESTE
CONNCECTICUT SUN* 2 x 0 NEW YORK LIBERTY
O Sun tem quatro jogadoras que conseguiram médias de dígitos duplos na temporada (Tina Charles, Ashja Jones, Renee Montgomery e Kara Lawson, que registrou 15 pontos e quatro assistências por partida – seus melhores números em nove anos de carreira na WNBA) e um ataque fortíssimo (mais de 81 pontos por partida), mas certamente terá problemas para deter Cappie Pondexter, terceira melhor cestinha da liga com 20,4 pontos. A falta de experiência pode pesar para o Connecticut, mas é inegável que o time de Mike Thibault tem mais força e consistência durante toda a fase regular.

ATLANTA DREAM 2 x 1 INDIANA FEVER*
Repete-se o confronto da temporada passada aqui, e creio que o resultado será o mesmo. Em que pese a excelente fase de Tamika Catchings (mais uma vez ela lidera seu time em pontos com 17,4), acho que o Fever não tem armas suficientes para barrar Angel McCoughtry, cestinha da liga com 21,4 pontos na temporada regular (principalmente depois que ela ajudou a derrubar a técnica Marynell Meadors seu desempenho subiu…). No garrafão, a vantagem de Érika (foto)-Sancho Lyttle também é grande, mas é bom o Dream não bobear nos desperdícios de bola. Os 16,4 são altos, e em playoff todo descuido pode ser fatal.

OESTE
MINNESOTA LYNX* 2 x 1 SEATTLE STORM
Tá aí o melhor confronto da primeira fase dos playoffs da WNBA. O Seattle terminou a fase regular com campanha negativa (16-18), mas colocou em seu site uma frase auto-ajuda que reflete bem o momento da franquia: “Nós ainda não estamos acabados”. Se é óbvio que o favoritismo esteja com o time de melhor campanha da WNBA, não é possível desprezar um elenco que conta com Sue Bird e Lauren Jackson – por mais que as médias da australiana sejam as piores de seus dez anos de carreira por lá. Do lado do Lynx, olho em Seimone Augustus, uma das jogadoras mais completas da atualidade, e em Maya Moore, que em seu segundo ano cresceu suas médias (de 13,2 para 16,4 pontos e 2,6 para 3,6 assistências). As duas são absurdamente talentosas, e com basquete vistoso pacas.

LOS ANGELES SPARKS* 2 x 1 SAN ANTONIO SILVER STARS
O Sparks volta ao playoff disposto a mostrar que o segundo ataque mais positivo da fase regular (84,1 pontos) não chegou lá por coincidência. Com a melhor campanha como mandante da WNBA (16-1), os Sparks contaram com o ótimo e surpreendente desempenho de Kristi Toliver (17,5 pontos e 4,9 assistências – quase 50% a mais do que a média de sua carreira), o retorno em alto nível da espetacular (minha jogadora favorita, vocês devem ver) de Candace Parker (17,4 pontos e 9,7 rebotes) e o excelente nível da caloura Nneka Ogwumike (com 1,88m, a ala-pivô de Stanford registrou incríveis 14 pontos, 53,5% nos chutes e 7,5 rebotes). Do outro lado estará Becky Hammon e Sophia Young, mas não creio ser o suficiente para bater as angelinas.

E você, concorda comigo? Quem será que avança para as finais de conferência?

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Coluna originalmente publicada em 24.09.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.

Tags : Érika WNBA


Coluna ExtraTime – É vencer ou vencer para o Los Angeles Lakers na NBA?
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Fábio Balassiano

Na semana passada, ouvi declarações interessantes de Chris Bosh, Kevin Durant e Derrick Rose sobre a próxima temporada da NBA. Os três falaram menos de seus times e mais sobre o time que o Los Angeles Lakers montou para o campeonato.

Segundo o trio, que certamente está tirando a pressão de si, o Los Angeles Lakers tem o melhor time no papel, o melhor quinteto titular, e surge como grande favorito ao título da temporada 2012-2013. E não dá para dizer que eles estão errados, não. Steve Nash, Kobe Bryant, Ron Artest, Pau Gasol e Dwight Howard formam um esquadrão de dar gosto, mas não sei se a famosa máxima de Francisco Horta, presidente do Fluminense na década de 70, vale. É mesmo ‘vencer ou vencer’ para os angelinos?

Para mim não resta dúvida que no Oeste é o melhor quinteto, e que tanto na parte técnica quanto na experiência os Lakers batem Spurs e até mesmo o Oklahoma City Thunder. O problema, em relação ao Thunder, é justamente a parte física, que pode e deve pesar horrores caso Mike Brown não saiba, como nunca soube, dosar os minutos de seu elenco. É bom lembrar: quatro dos cinco titulares dos Lakers têm mais de 30 anos, e a principal estrela da companhia ainda jogou as Olimpíada de Londres.

Do lado Leste, o Miami Heat tem um baita elenco, é o atual campeão da NBA, contratou Ray Allen para ficar no banco (que luxo, hein!) e terá um LeBron James ainda mais solto, mais espetacular do que o da temporada passada. Ou seja: a turma da Flórida estará ainda mais forte, ainda mais pronta para um eventual, esperado e animador duelo entre LeBron e Kobe na final da liga.

O Los Angeles Lakers é, sem dúvida, um timaço, mas acho que fala-se demais de um time que ainda nem começou a pré-temporada (já tem gente falando em bater as 72 vitórias do Chicago, gente…). É sempre bom lembrar que são 82 jogos e uma pancada de lesões durante a temporada. Ah, e Mike Brown no banco. Se não é esta baba que todo mundo canta em verso e prosa, o técnico, ex-Cleveland, está longe de ser uma sumidade no ataque (na defesa ele até que se vira).

E você, o que está esperando para a próxima temporada da NBA? Comente!

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Coluna originalmente publicada em 11.09.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.

Tags : Lakers NBA


Coluna ExtraTime – Depois do ouro, o mistério: quem dirigirá a seleção masculina dos EUA
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Fábio Balassiano

Após longo tempo de ausência, cá estou de volta. Nesta altura dos acontecimentos você certamente já sabe que as duas seleções norte-americanas conquistaram o ouro (como previ aqui, a feminina suou menos que a masculina) e proporcionaram momentos sublimes em Londres (como o recorde de pontos dos rapazes). Mas nem tudo é alegria.

Depois do tricampeonato olímpico (dois como técnico, um como assistente), Mike Krzyzewski disse que não continuará como técnico da seleção masculina norte-americana. Aos 65 anos, ele disse que não tem mais energia para aguentar duas pressões anuais (Duke e time nacional).

Na verdade, seu trabalho, o motivo que levou Coach K a dirigir novamente a seleção, era um só: fazer com que o basquete masculino dos Estados Unidos voltasse a ser respeito. Dos marrentos jogadores que pareciam a passeio em 2004, em Atenas, Mike precisou mostrar quão grande era o tamanho do torneio olímpico em 2008. Foi criado o ‘Time da Redenção’, que acabou conquistando o ouro, mas não “só” isso. Era uma equipe que mostrava ao mundo que, noves fora o talento absurdo, o valor do trabalho em conjunto e o comprometimento ainda faziam a diferença.

E talvez por isso Coach K não veja motivo para continuar. Sua semente, a do trabalho, já rendeu os frutos que a USA Basketball queria. O programa de basquete da seleção adulta foi repaginado, hoje em dia todos os atletas que vão atuar em competições internacionais sabem exatamente quais as regras e os objetivos são muito claros.

Jerry Colangelo, diretor da USA Basketball, disse que ainda tentará convencer Krzyzewski a continuar no cargo até os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. De todo modo, nomes como Phil Jackson, Gregg Popovich e até mesmo Larry Brown já são cogitados nos Estados Unidos.

Caso saia mesmo, quem será que assume no lugar de Coach K? Comente!

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Coluna originalmente publicada em 20.08.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.


Coluna ExtraTime: No feminino do Estados Unidos, elas também têm a força
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Fábio Balassiano

Não será uma preparação longa. Tirando o amistoso do dia 12 de maio (100-62 contra a China), a seleção feminina dos EUA terá menos de 15 dias de treino para a estreia contra a Croácia no dia 28 às 12h45. Parece desleixo, mas, assim como acontece com os rapazes, a diferença técnica entre as comandadas de Geno Auriemma chega a ser gritante.

É verdade que (principalmente) Austrália e Rússia podem incomodar, mas você olha para um elenco que conta com as bicampeãs Sue Bird, Tamika Catchings e Diana Taurasi, com as campeãs Swin Cash (2004), Seimone Augustus (2008), Sylvia Fowles (2008) e Candace Parker (2008), e com as estreantes em Olimpíadas Tina Charles, Asjha Jones, Angel McCoughtry, Maya Moore e Lindsay Whalen e fica até sem jeito.

É tanta opção, mas tanta opção, que Seimone Augustus, MVP das finais da temporada passada e campeão com o Minnesota Lynx, é reserva (e o Brasil precisando tanto de uma ala…) de um time que conta com a melhor armadora da atualidade (Sue Bird), com uma das arremessadoras mais decisivas do mundo (Diana Taurasi) e com uma ala-pivô que mistura graça-técnica-força como poucas (Candace Parker).

Se não treinaram muito, o entrosamento de tanta gente talentosa não parece preocupar Geno Auriemma, que disse, em entrevista ao site da USA Basketball, que suas jogadoras atuam juntas há muito tempo e que 20 é tempo mais do que suficiente para grandes atletas se entrosarem.

Alguém pode discordar quando olha a escalação deste timaço?

ENCONTROS 1: Segunda-feira foi a primeira vez que o público dos EUA pôde ver Damiris jogar de perto. Escolhida pelo Minnesota Lynx, a brasileira teve oito pontos e dois rebotes em 30 minutos na derrota da seleção brasileira para a
norte-americana por 99-67.

ENCONTROS 2: Iziane Castro Marques teve a chance de jogar pela primeira vez contra Marynell Meadors, técnica do Atlanta Dream, sua última franquia da WNBA, e atualmente assistente-técnica da seleção dos EUA. A maranhense ainda não renovou seu contrato com a liga norte-americana, e quem sabe uma conversa com Meadors tenha ajudado em alguma coisa para seu futuro.

ENCONTROS 3: Nada menos que seis atletas da seleção norte-americana vieram da Universidade de Connecticut. Diana Taurasi, Tina Charles, Sue Bird, Maya Moore, Swin Cash e Asjha Jones foram treinadas por Geno Auriemma nos tempos de faculdade e agora reencontram o antigo chefe.

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Coluna originalmente publicada em 17.07.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.

 


Coluna ExtraTime: Ida de Ray Allen pro Miami reforça Era da união de estrelas na NBA
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Fábio Balassiano

“Eles estão enganando o jogo”. Foi assim que eu recebi a informação da ida de Ray Allen para o Miami Heat na semana passada. Um amigo, que mora fora do Brasil, foi duro, mas ele tem boa dose de razão.

Nos Whatsapp’s seguintes, depois de eu perguntar o porquê de uma mensagem tão enigmática, ele seguiu: “Isiah Thomas demorou uma vida toda para conseguir um título, e não trocou o Detroit por nada – Joe Dumars idem. Patrick Ewing terminou sem anel, e não trocou o Knicks pelo Miami por nada – e é venerado em Nova Iorque até hoje. O que está acontecendo atualmente é uma deformação, uma anomalia. Não é a franquia que desiste do jogador, mas o jogador que troca de time para um grande rival sem nem pensar no que está por trás disso tudo. Ray Allen tem título, fama, recordes e uma reputação que, se ele se aposentasse, garantiriam a ele facilmente um lugar no Hall da Fama e no coração dos torcedores do Boston. Ele pode ter jogado a segunda parte disso tudo no lixo”.

Alexandre, meu amigo, tem razão. Estamos presenciando a era da união das estrelas. Se, como ele disse, é uma ‘deformação’ eu de verdade não consigo afirmar tão categoricamente, mas não é tão normal assim a gente ver um cara que fazia parte de uma franquia que tinha uma rivalidade cortante nos últimos anos trocar de casa justamente para o do vizinho até então detestado (caso parecido é o de Steve Nash, que duelou contra os Lakers em partidas históricas e agora vestirá o amarelo da Califórnia).

No livro ‘When The Game was Ours’, Larry Bird conta que uma vez um jogador muito famoso (ainda em atividade) perguntou a ele o que deveria fazer para evoluir. Seco, Bird disse: “Vá ao supermercado, vai lavar seu carro em um lava-jato, vá ao cinema. Saia de casa e conheça o mundo. Vocês, atletas milionários logo no primeiro contrato, vivem em uma bolha cercada de assessores e aspones de todos os lados e não conhecem o mundo. O dia que entenderem que uma decisão de vocês movimenta e influencia milhões de pessoas talvez vocês descubram o que eu e Magic passamos nos anos 80 e o que Jordan viveu uma década depois.”

Bird ainda não se acostumou, mas ‘deformações’ como a de Ray Allen têm acontecido muito de uns tempos pra cá (pouca gente lembra, mas Shaq terminou a sua carreira no Boston).

Aconteceu, e este talvez tenha sido o estopim, há dois anos, quando LeBron James decidiu levar seus talentos para South Beach em uma atitude que foi criticada pela velha guarda (Jordan, Magic, o próprio Bird, Jabbar etc.) por causa de sua forma e conteúdo. Mas está claro: acontecerá cada vez mais daqui pra frente, gostemos disso ou não.

São mimados jovens ansiosos e sedentos por potes de ouro e anel nos dedos – seja lá com que meios eles usem para chegar aos fins que eles querem, anseiam.

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Coluna originalmente publicada em 09.07.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.


Coluna ExtraTime: Quem para os rapazes dos EUA nas Olimpíadas de Londres?
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Fábio Balassiano

Na semana passada, Jerry Colangelo, diretor de seleções da USA Basketball, recebeu duas ligações nada boas. Chris Bosh e Dwyane Wade ligaram para Jerry e disseram que não poderiam participar das Olimpíadas de Londres (lesão). Some-se as ausências de Dwight Howard, LaMarcus Aldridge, Derrick Rose e Chauncey Billups, e o número de desfalques do time norte-americano já chega a seis nomes.

E o que isso quer dizer? Nada, absolutamente nada. Com ou sem Wade, com ou sem Chris Bosh, dá só uma olhada na lista de 16 nomes que o técnico Mike Krzyzewski, o Coach K, terá a disposição a partir de quinta-feira, quando os norte-americanos se apresentam em Las Vegas.

Armadores: Chris Paul, Russell Westbrook e Deron Williams
Alas: Carmelo Anthony, Kobe Bryant, Kevin Durant, Rudy Gay, Eric Gordon, James Harden, Andre Iguodala e LeBron James
Pivôs: Tyson Chandler, Anthony Davis, Blake Griffin, Kevin Love e Lamar Odom

Aqui cabe uma ressalva: agente-livre na NBA, Deron Williams disse que só passa a treinar com bola quando tiver o seu novo contrato assinado (com ou sem seguro, é uma posição dele – e que precisa ser respeitada). Haverá, como se vê, quatro cortes, mas de verdade eu não vejo os norte-americanos perderem para qualquer seleção nas Olimpíadas de Londres. França, Brasil, Espanha e Argentina são fortes, mas acho um exagero pensar que qualquer uma delas possa bater os atuais campeões olímpicos.

Tudo bem que saiu Dwyane Wade, mas em relação ao time de 2008 a turma que carrega o jogo é praticamente a mesma. Permanecem Kobe, LeBron, Deron, Paul e Carmelo (o quinteto respondeu por 54,7% dos pontos dos EUA na competição), e há as adições de Kevin Durant, Chandler (importante para ancorar as defesas por zona que Coach K tanto gosta de aplicar) e provavelmente Eric Gordon ou Harden como chutador no lugar de Michael Redd (sim, Redd jogava no Redeem Team, como ficou conhecido o time que ganhou o ouro nos Jogos de Pequim). Isso sem falar em Kevin Love e Blake Griffin, que prometem dar inteligência e força física ao garrafão.

Não sei o que você, leitor do ExtraTime, acha, mas só uma zebra do tamanho do mundo impede o bicampeonato olímpico de LeBron James, que pode conquistar a façanha de ser MVP da temporada regular e das finais da NBA e medalhista de ouro olímpico no mesmo ano.

Concorda comigo?

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Coluna originalmente publicada em 02.07.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.

Tags : Olimpíadas


Coluna ExtraTime: Hakeem Olajuwon, o grande irmão de LeBron James
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Fábio Balassiano

Antes do jogo 5 das finais de 2011, Dwyane Wade e LeBron James (relembre aqui) chegaram ao ginásio e brincaram com a gripe de Dirk Nowitzki. Simularam uma tosse, e sacanearam o alemão, que jogou fora de suas condições ideais no duelo anterior. Foi uma atitude deselegante, pouco educada, infantil e idiota. E quem diz isso não sou eu, mas o próprio Dirk Nowitzki, que calou a boca, com ou sem tosse, da dupla do Miami com o título do Dallas.

Um ano se passou e muita coisa mudou. Pat Riley gastou horas de sua gomalina e saliva convencendo LeBron James a deixar de tentar ser Michael Jordan nas férias. Indignado, telefonou para Magic Johnson, seu comandado em Los Angeles, e pediu para o melhor armador de todos os tempos falar com LeBron para dar umas dicas. Mas James tinha outros planos. Queria falar com uma figura tão enigmática quanto ele.

Então LeBron ligou para Hakeem Olajuwon e marcaram de se encontrar. Hakeem, que já havia treinado com Kobe Bryant no ano anterior, foi para a quadra “armado” de bola, short, camisa e, conta ele, alguns energéticos para aguentar a força física do ala do Miami. Mas não era só no jogo de post-up (costas para a cesta) que James estava interessado, não.

Morando atualmente na Jordânia com seus sete filhos, LeBron James perguntou a Olajuwon como um muçulmano se adaptou a um país tão diferente em termos de costume e tradições, e quis saber se ele, Hakeem, não se sentira sempre um estranho no ninho, uma pessoa vista e tratada de forma diferente. Bingo!

LeBron não é mulçumano (nem sei qual é a religião dele), mas se a parte técnica dele evoluiu horrores (o que ele fez no jogo de costas para a cesta contra James Harden foi sensacional nas finais), estava claro que era a parte psicológica dele é que precisava mudar, evoluir. Se ele se via como um diferente, que tratasse de se transformar, de chegar perto do que ele realmente acreditasse ser o correto.

E LeBron entendeu tudo direitinho. Depois de ganhar o seu primeiro anel de campeão, puxou o telefone e ouviu de Olajuwon que se ele jogou isso tudo no primeiro ano de aulas, no segundo ele estaria ainda melhor. James agradeceu, marcou novo período de treinamento com o inesquecível pivô do Houston Rockets e agradeceu.

Chorou como um menino, joga como gente grande, poderá se tornar um mito do basquete.

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Coluna originalmente publicada em 26.06.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.


Coluna ExtraTime: Abdul-Jabbar afirma que pouco tempo de NCAA afeta qualidade da NBA
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Fábio Balassiano

“Sou constantemente perguntado sobre os motivos que levaram as pontuações da NBA a terem caído tanto. Para se ter uma ideia, no jogo 6 das finais da NBA entre Lakers e Celtics (vitória do Los Angeles), o Boston anotou 100 pontos, patamar mínimo de qualquer um dos times naquela série final. Naquele jogo, os Celtics tentaram nova bolas de três, o máximo da decisão”

“Como contraste, neste ano vemos poucos times chegando aos 100 pontos e mais de uma dezena de chutes do perímetro por noite. Antes focávamos mais em criar espaços e em tentar tiros com maior possibilidade de acerto (de perto da cesta). Muitas coisas mudaram (as regras, a liberação das defesas por zona, etc), mas o maior problema vem antes dos jogadores entrarem na liga”

“Na minha época, os times da NBA eram repletos de atletas que tinham passado um tempão na universidade, jogando para técnicos renomados e disputando palmo a palmo minutos de quadra contra outros grandes jogadores. (…) Hoje em dia, o que vemos são atletas que ficam muito pouco tempo nas faculdades, que se tornaram apenas um pré-Draft para jogadores ótimos no um-contra-um e ainda não tão ótimos no jogo coletivo como deve ser encarado o basquete”

“O que acontece é que estes atletas nunca chegam, ou chegarão, aonde poderiam chegar. Eu trabalhei pessoalmente com um atleta (nota do editor: Jabbar foi técnico de Andrew Bynum quando o jovem chegou ao Los Angeles Lakers) que não conseguia ajustar as suas incríveis habilidades físicas ao grande jogo que é o basquete.”

“Outro caso interessante é o de Dirk Nowitzki. Pessoas contam que ele deixou de vir jogar na NCAA porque ele teria problemas em defender e pegar rebotes. Ele foi para a NBA, e sinceramente acho que ele, embora um ótimo arremessador, poderia ter se tornado um atleta extraordinário se tivesse sido ensinado a defender, bloquear, essas coisas.”

“Os times titulares da NBA hoje em dia raramente contêm atletas com um extenso currículo de serviços prestados ao basquete universitário, e eu acho de verdade que isso tem afetado a qualidade do basquete que temos assistido. Concluindo: os torcedores de hoje não têm recebido o espetáculo que eles deveriam receber simplesmente porque os atletas não sabem como fazer, não foram ensinados. Acho que isso tudo tem a ver com o ‘progresso’ que o basquete norte-americano quer dizer que tem nos últimos anos.”

As declarações são de Kareem Abdul-Jabbar, seis vezes campeão e MVP da temporada, e foram retiradas de um artigo escrito por ele (aqui) para o site da ESPN. Kareem fala sobre a qualidade atual dos jogos da liga norte-americana, sobre a formação dos jogadores e sobre como um período maior na faculdade afetam no que vemos nos jogos da NBA. Sem dúvida vale a reflexão sobre o assunt, não?

Concorda com Kareem? Comente na caixinha!

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Coluna originalmente publicada em 18.06.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.