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A grande reviravolta na carreira de Leo Meindl

Fábio Balassiano

10/12/2019 13h00

Com 26 anos completados em março, Leo Meindl viveu uma grande frustração no final da temporada passada: não teve seu nome sequer incluído na lista dos pré-convocados para o Mundial da China pelo técnico Aleksandar Petrovic. Meses depois, não teve seu contrato ser renovado pelo Paulistano, clube que disputou a temporada passada. Para completar, no final de junho ele perdeu o seu maior incentivador, o pai Paulão Berger, um dos maiores nomes do basquete francano (mais aqui).

Foi sem dúvida o maior momento de dificuldade de uma carreira que começou pra lá de promissora por Franca com 9,8 pontos e um dos melhores novatos lá em 2012/2013 (mais aqui e aqui), com três passagens no Jogo das Estrelas, título do NBB por Bauru 2017 e inúmeros momentos animadores, mas que aos poucos foi ganhando predicados não muito legais para alguém que jogava na seleção brasileira adulta ("difícil", "se cuida pouco", "administrá-lo no dia a dia é complexo" e "complicado" era o que se ouvia) e que passou por três clubes (Bauru, Franca e Paulistano) nos três últimos anos.

Ao contrário do que muita gente poderia fazer, Léo não baixou a guarda e foi tentar entender se o problema estava mesmo com ele. E estava. Psicologicamente muita gente diz que quando há uma grande perda nas nossas vidas há um amadurecimento natural, e pode ser que isso tenha acontecido com ele. Leo passou por um grande processo de autocrítica, admitiu que por muitas vezes o maior responsável pela falta de alcance de suas metas foi ele mesmo, arregaçou as mangas e foi trabalhar.

Mudou sua rotina alimentar, estudou mais o jogo, melhorou seu movimento de arremesso (saía muito de baixo, o que dificultava quando o marcador estava próximo dele), passou a cuidar absurdamente de seu físico (ele está MUITO mais forte), passou dois meses treinando no Oviedo, da segunda divisão espanhola, para aprender mais sobre outro tipo de jogo e também outras formas de treinamento, olhou para dentro de si, estufou o peito e assinou com o São Paulo, um dos estreantes do NBB. Muita gente achou que ele viria do banco de reservas, mas o experiente técnico Cláudio Mortari encaixou o jovem no quinteto titular.

Jogando ao lado de Georginho e Shamell, Leo faz parte de um dos melhores trios de perímetro do basquete brasileiro. No domingo, no jogo que comentei em Bauru, ele fez 18 pontos e foi um dos responsáveis pela virada do tricolor paulista por 73-70. Na temporada são consistentes 16,8 pontos, a maior média de sua carreira, 7,1 rebotes (também recorde) e 3,2 assistências, além dos ótimos aproveitamentos de 37% nas bolas de três e 52% nas de dois.

Melhor do que seus números é ver uma clara mudança de postura. Em suas entrevistas ele aparenta estar mais calmo, consciente e ciente de que seu futuro profissional depende de como ele encara a sua vida profissional todos os dias.

Mais concentrado, muito mais forte e jogando o basquete que a gente se acostumou a ver lá atrás, Léo mostra que com um pouco de senso crítico para encarar de frente um problema e um grande trabalho individualizado é possível dar uma grande reviravolta na carreira.

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