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Bala na Cesta

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Como armador do SP se transformou em Mr. Triplo-Duplo e sensação no NBB

Fábio Balassiano

29/10/2019 05h00

Divulgação LNB

George Lucas Alves de Paula terminou a temporada passada pelo Paulistano com módicos 8,9 pontos e 2,6 assistências em menos de 23 minutos por jogo de atuação. Se há cerca de dois anos ele era a esperança, um All-Star pela primeira vez e com o mundo de olhos abertos para o seu basquete, no final do campeonato passado a palavra que definia Georginho era dúvida – ou desesperança. De prospecto visto pela NBA, por onde teve uma rápida passagem pela Liga de Desenvolvimento de 2017/2018 no afiliado do Houston Rockets (10 jogos, 4,7 minutos por partida), ele virou nome pouco cortejado no mercado não americano, mas sim no brasileiro.

Era o momento de recomeçar e um velho rosto conhecido lhe abriu porta, coração e a chance de jogar como ele realmente rende bem. Do novo time do São Paulo veio o convite de Cláudio Mortari, ex-técnico de Georginho no Pinheiros e convencido que apenas como armador o canhotinho bom de bola teria sucesso no basquete brasileiro – e mundial também. Com 1,97m, o agora camisa 14 tricolor só tem vantagem competitiva jogando na posição 1, contra rivais 10, 15cm a menos que ele. Isso sem falar de sua incrível força física (ele tem quase 96 quilos e uma explosão descomunal). Mais do que a chance de ser titular, Mortari deu a chave do carro são-paulino para o rapaz pilotar com toda a sua força, algo raríssimo em treinadores por aqui.

Fã de Russell Westbrook, que no final de semana passado ultrapassou Magic Johnson para chegar a 139 triplos-duplos na NBA, Georginho, certamente mais maduro e consciente com a idade, tombos e a paternidade recente, não tem feito por menos. Em um elenco que conta com os experientes Shamell, Jefferson, Renan e Murilo, é o armador que dá o tom, o frescor jovem e também dita o ritmo de um São Paulo que tem três vitórias em quatro partidas no NBB (duas delas contra rivais fortíssimos e fora de casa – o Corinthians na abertura do campeonato e o Flamengo, o atual campeão, na última sexta-feira) para se tornar uma das gratas surpresas do campeonato até o momento.

Não é que Georginho tem liderado o São Paulo "apenas" com passes e leitura de jogo, características de um bom armador que ele já o é. Seu crescimento encontra o que Mortari pensava quando decidiu apostar no jovem que ainda tem 23 anos e está se desenvolvendo como atleta. Com jogo completo e condição física de brigar em todos os quesitos do basquete, o rapaz tem incríveis três triplos-duplos em quatro jogos disputados – algo de fazer frente a Westbrook, o atual "Rei" deste departamento na NBA. E com direito a lances que misturam técnica, coragem para decidir, força física e aquele "instinto assassino" que a gente viu dele no começo de sua carreira com a camisa do Pinheiros.

Contra o Corinthians, na estreia, 21 pontos, 11 rebotes e 10 assistências. No jogo seguinte contra São José, 10 pontos e 11 rebotes e assistências para se tornar o primeiro jogador da história do NBB a conseguir triplos-duplos seguidos. Contra o gigante Flamengo, 24 pontos, 10 rebotes, 0 desperdício de bola (uau!) e 11 assistências em uma atuação incrível no último período para virar o jogo contra o atual campeão e vencer por 102-95 em Brasília (mando rubro-negro). Talvez não seja coincidência que no único duelo em que ele não conseguiu o TD (Mogi) o triunfo não veio (80-83).

Mais legais do que seus números é como eles têm sido conquistados. Se no Pinheiros e no Paulistano a maioria deles vinha através de bandejas ou em jogadas de transição, no São Paulo no NBB, e também já fora assim no Paulista disputado antes, arremessos de média e longa distância têm sido muito vistos. Ou seja: houve um aumento substancial em seu repertório ofensivo. No atual campeonato já são 36% de aproveitamento no perímetro, com quase a mesma quantidade de acertos de longe e de dois pontos (9 contra 12). Na defesa, sua força física fala por si e ele tem conseguido dominar seus rivais, quase sempre em dificuldade para comandar as ações dos adversários.

Como tudo na carreira de Georginho, os elogios vêm muito rápido – e alguns até exagerados. A torcida é que, agora mais calejado e com um técnico experiente para seguir lapidando o armador, a sua evolução não dê uma estagnada. Jogando na posição em que ele é realmente uma ameaça constante para seus adversários, o camisa 14 do São Paulo está se tornando não apenas um dos melhores jogadores do NBB, mas também uma peça que pode, e deve, ser vista para o próximo ciclo olímpico da seleção brasileira masculina.

Não creio que outro jovem jogador traga a combinação de excelência física, boa técnica e coragem para decidir como Georginho. Que ele siga evoluindo. Seu auge ainda está longe de ser alcançado.

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