Bala na Cesta

Com NBA de olho, jovem Georginho deixa futuro de lado e foca no NBB com Paulistano

Fábio Balassiano

15/04/2017 01h40

O ano era 2008. Na final do Paulista mirim entre São Bernardo e Círculo Militar, o placar apontava 58-56 com três segundos por jogar para o Círculo, mas a bola era do time do Grande ABC.

Aos 12 anos, George Lucas Alves de Paula recebeu a bola no fundo da quadra, se desvencilha do marcador, o relógio ameaça chegar ao final e ele solta a bola do meio da rua. Cesta. Cesta do título. Os meninos do Círculo Militar colocam as mãos na cabeça desolados. Georginho e seus companheiros de São Bernardo pulam loucamente comemorando o título com uma cesta improvável diante do grande favorito a levantar o caneco daquele ano.

“Nunca havia sentido uma emoção como aquela em minha vida. Foi a bola mais emocionante que eu já fiz a minha vida, uma das poucas até hoje que me fizeram perder o ar. Os caras estavam invictos no campeonato, todos diziam que eles eram imbatíveis e conseguimos vencê-los. Ali eu decidi que gostaria de ser jogador de basquete. Só de falar com você sobre este lance eu já fico emocionado. Isso que passaram quase 10 anos, mas eu nem preciso ficar olhando o vídeo pra lembrar. É muito fresco em minha memória”, conta George Lucas Alves de Paula depois de quase 10 anos.

Foto de Filippo Ferrari / OC

Fã de Russell Westbrook, que terminou a temporada 2016/2017 da NBA com média e recorde de triplo-duplos na NBA, George Lucas se transformou em Georginho , hoje armador do Paulistano e uma das maiores promessas do basquete brasileiro.

Monitorado por olheiros da NBA há cerca de três temporadas, participando com frequência de eventos com a nata jovem do planeta e com chance de figurar no próximo Draft da melhor liga de basquete do mundo, o armador de 20 anos, 1,96m, técnica refinada, fala mansa e pausada, explosão absurda rumo a cesta e dono de um potencial físico descomunal é um dos principais jogadores do Paulistano que hoje às 14h enfrenta o Basquete Cearense fora de casa em busca do empate na série de playoff do NBB (a Rede Bandeirantes exibe a partida). O time de São Paulo perde de 2-1 e novo revés faz a temporada terminar.

“Ter saído do Pinheiros no final da temporada passada e vindo para o Paulistano me fez sair de uma zona de conforto que eu precisava. Agradeço muito ao meu antigo clube por todo tempo que passei lá, sou muito grato a eles por tudo o que fizeram por mim, mas estou sendo muito mais cobrado, muito mais requisitado pelo time e tive que assumir um papel de líder, protagonista, algo que eu não esperava assumir tão cedo. Não tinha outro jeito que não amadurecer quase que naturalmente. Considero essa mudança que eu fiz na minha carreira bem acertada e certamente renderá muitos frutos lá na frente. Acho que estou me saindo bem e a presença do técnico Gustavo de Conti ao meu lado é muito boa. Ele me cobra muito, e eu acredito que as pessoas só cobram de quem tem potencial. Ele acredita em mim e eu só posso agradecer e tentar corresponder”.

Nascido em Diadema no dia 24 de maio de 1996 e filho de Mauricio e Suzana , começou a jogar basquete enquanto seus pais jogavam vôlei. Aos 7 anos os pais perceberam que o amor do garoto não estava na bola branca, mas sim na laranja e passaram a incentivar que ele praticasse basquete.

“Meu pai viu que eu gostava muito de basquete e em pouco tempo tanto eu quanto a minha irmã Bianca começamos a nos destacar na escolinha. Foi um caminho meio sem volta e agradeço demais por eles terem me incentivado a seguir praticando a modalidade que eu escolhi. Eles ficaram felizes e orgulhosos pela gente”, conta, relembrando que seu grande ídolo na época em que começou a jogar (2003/2004) era o armador Allen Iverson: “Eu queria ser o Iverson. Usava cabelo grande, tranças, imitava a forma de se vestir e as jogadas que ele tentava na quadra. Na época a gente não tinha TV a cabo, não via os jogos dele ao vivo, mas lembro que depois ficava vendo os melhores momentos direto, uma coisa louca mesmo. Eu era tão fissurado no cara que ficava fazendo os desenhos dele. Tinha uma pasta de desenhos bem legal, mas infelizmente eu perdi tudo. Sempre admirei muito ele, principalmente pelo fato de que a sua altura (1,83m) nunca o impediu de nada”.

Aos 9 anos ele, que hoje em dia vê seu irmão mais novo João de Paula também iniciando sua trajetória no basquete, foi para São Bernardo jogar para a técnica Monique Poles, responsável por toda iniciação de Georginho na modalidade (jogou dos 9 aos 15 anos). Há quatro temporadas foi para o Pinheiros, onde conheceu uma estrutura grandiosa e que lhe permitiu crescer profissional, pessoal e fisicamente. Ganhou visibilidade no cenário nacional e internacional com a (ótima) Liga de Desenvolvimento de Basquete, a LDB, torneio de basquete Sub-22 que revela atletas aos borbotões e que é responsável por 43 % da mão de obra do NBB, principal campeonato masculino do país.

“A Liga de Desenvolvimento foi muito importante pra mim. Já jogava o Campeonato Paulista, mas a LDB tinha uma abrangência nacional, eram times de todo país, jogadores diferentes daqueles que eu estava acostumado a jogar e bem mais difícil. Foi a maior novidade, uma coisa bem legal mesmo. O nível de exigência subiu, e ali eu vi como eu precisaria melhorar para conseguir atingir meus objetivos. Fomos campeões em 2015 pelo Pinheiros jogando um ótimo basquete e de novo tive uma sensação bem legal”, relembra Georginho, que jogou em um timaço do Pinheiros que tinha Lucas Dias, hoje seu companheiro no Paulistano, e também Bruno Caboclo, que foi para a NBA em 2014 e com quem George hoje em dia tem pouquíssimo contato.

Campeão da LDB de 2015 já como armador titular da equipe, George teve um pouco mais de tempo de quadra na temporada passada pelo time pinheirense mas queria mais. Trocou de clube, ganhou espaço, cresceu seus números (11,3 pontos, 4,1 rebotes e 4,4 assistências de média em seu primeiro campeonato profissional como líder e titular de uma equipe), jogou o All-Star Game do NBB em 2017 e o barulho em torno do seu nome aumentou. Os jogos do Paulistano são lotados de olheiros da NBA e vira e mexe seu nome é ligado a Draft e franquias do basquete norte-americano. Nada que incomode a cabeça do garoto de 20 anos.

Ale da Costa / Portrait

“No começo eu me assustei bastante. As coisas foram acontecendo muito rápido, todo mundo falava e eu meio que ficava perdido, assustado. Era tudo muito novo pra mim. Hoje já entendo mais como tudo funciona, estou mais maduro e tento não ligar para nada que eu não possa controlar. Eu só posso jogar basquete, melhorar como atleta e pessoa e ajudar meu time a conquistar vitórias. É o que posso fazer e preciso estar focado nisso. Basquete é a minha vida, tenho muito a evoluir e não sinto realmente essa pressão de NBA, não. Sigo trabalhando e treinando forte como sempre fiz. Essa especulação, previsões, não mexem comigo”, responde Georginho, que esquiva-se quando perguntado sobre qual seria, em sua opinião, o próximo passo ideal em sua carreira: “Ainda tem muita coisa pra acontecer nessa temporada. Tudo depende de como eu terminarei o campeonato. Vamos ver como eu vou me sentir para entrar ou não no Draft. Aí tomamos, eu, minha família e meus agentes a decisão final sobre isso”.

Bastante exigido pelo técnico Gustavo de Conti e ainda no processo de formação técnica, Georginho sabe exatamente as partes de seu jogo em que precisa melhorar. Sua capacidade analítica para compreender isso impressiona tanto quanto suas enterradas ferozes na quadra

“A parte de intensidade do jogo a gente sempre pode melhorar. É o principal pra mim e me cobro muito neste sentido inclusive. Jogar bem depois do pick and roll é algo que eu preciso melhorar bastante também. E, claro, ter um arremesso melhor, defesa, leitura de jogo. Quero ser o melhor armador que eu puder ser”, finaliza o garoto, que começou a fazer inglês recentemente, que adora andar com seus quatro cachorros e que tem a pesca como hobby.

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