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Bala na Cesta

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Como preterido da seleção se tornou um dos responsáveis por parar MVP da NBA no Mundial

Fábio Balassiano

04/09/2019 05h17

Foi em agosto de 2017, na Copa América da Colômbia, que Bruno Caboclo parecia fechar o seu livro na seleção brasileira. Em uma partida insossa contra o México, o ala se negou a retornar à quadra após pedido do técnico Cesar Guidetti e foi dispensado da seleção no próprio vestiário. Parecia o fim de uma jornada que mal havia começado. Muita gente inclusive da Confederação Brasileira de Basketball pregava que o jovem, então com 21 anos, nunca mais vestisse a camisa da equipe nacional.

Aí no final de 2017 chegou Aleksandar Petrovic, o novo técnico da seleção, pro começo das eliminatórias para o Mundial da China que está acontecendo agora em 2019. Desde sempre o croata disse que não havia ninguém descartado, mas com Caboclo às voltas com a Liga de Desenvolvimento ou a própria NBA não havia chance para um primeiro encontro. Até que às vésperas do Mundial Petrovic disse isso em uma entrevista exclusiva ao blog em março deste ano:

"Caboclo tem marcado muito bem no (Memphis) Grizzlies, está atacando com confiança e consistência, e pode ser muito útil para nós. Essa conversa com Bruno e os diretores da CBB é muito importante. Ele tinha 21 anos. Acontece e passou. Todos querem um Brasil melhor. Essa seleção precisa de Bruno Caboclo jogando como atuou na quarta-feira contra o Houston (15 pontos e 7 rebotes). É fundamental essa conversa porque ele é um ala-pivô que faz tudo o que o basquete moderno pede". Bingo.

Caboclo veio, foi integrado ao elenco e tornou-se o ala-pivô titular da seleção brasileira de Petrovic para o seu primeiro Mundial. Tímido na estreia contra a Nova Zelândia, ele teria a missão de, junto com Alex Garcia, segurar simplesmente o MVP da NBA, o grego Giannis Antetokounmpo, na segunda rodada de ontem.  Tarefa impossível, certo? Nem tanto e aí eu vou deixar um vídeo que mostra bem como Bruno atuou nesta terça-feira:

Sim, foi um toco decisivo em cima do MVP de uma temporada da NBA para ajudar a dar a vitória ao Brasil. No lance seguinte, o próprio fez a famosa "limpada" no aro, algo que no basquete internacional é válido, mas na liga norte-americana não. Ligado na tomada, Caboclo foi esplêndido quando mais se esperava dele.

Ao todo Caboclo esteve em quadra por 35 longos minutos, apanhou 10 rebotes, teve 8 pontos, roubou duas bolas e teve um toco. Ao todo, 17 de eficiência, a segunda maior marca brasileira (Varejão teve 27) em uma atuação cujos números não dizem tudo. Do outro lado, o ser humano marcado por ele, Giannis, o MVP, saiu-se com apenas 13 pontos, mas o mais importante: apenas sete arremessos de quadra e apenas uma enterrada, a especialidade do craque helênico. Na única tentativa de cravada de Giannis, Bruno deu-lhe uma bela marretada, afastando-o, com falta, é verdade, de perto da cesta. Intimidação e proteger o aro com força também é válido – e assim foi feito.

É óbvio que o camisa 50 não fez tudo sozinho. O esquema tático de Aleksandar Petrovic foi BRILHANTE do começo ao fim, usando a famosa marcação por zona permitida no basquete FIBA, quase que o tempo todo em cima da fera grega e concentrando no mínimo um homem na sobra da defesa para qualquer eventualidade caso Caboclo não conseguisse, como conseguiu, conter o cara em algum momento. O plano de jogo foi pensado de forma espetacular e a execução foi operacionalizada incrivelmente perfeita.

O mais lindo de se verificar é como o esporte permite novas oportunidades. Bruno Caboclo, selecionado pela NBA em 2014 pelo Toronto Raptors, teve que amadurecer muito nos últimos cinco anos. Errou, errou feio, mas parece estar aprendendo a sobreviver em um ambiente competitivo, profissional e cuja exigência física, mental e técnica é brutal.

O 03 de setembro de 2019 ficará gravado na memória dele e também nas nossas como o dia em que ele, quase carta fora do baralho na seleção brasileira, ajudou a parar o MVP da temporada 2018/2019 da NBA. Que Bruno Caboclo siga em sua caminhada. Aos 23 anos, ele ainda tem muito a crescer.

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