Bala na Cesta

Após ser trocado, a nova chance na NBA para Bruno Caboclo, agora jogador do Kings

Fábio Balassiano

10/02/2018 06h30

Uma das transações finais da janela de transferências da NBA envolveu o brasileiro Bruno Caboclo. Selecionado pelo Toronto Raptors em 2014 na surpreendente vigésima posição da primeira rodada do Draft daquele ano, o ala teve quatro temporadas para mostrar evolução. E pelo visto a franquia canadense cansou, não viu o desenvolvimento necessário e o trocou para o Sacramento Kings pelo ala Malachi Richardson.

No começo da tarde de quinta-feira muita gente reportou que Caboclo seria dispensado do Kings, que teria mais jogadores do que os 15 permitidos na NBA sob contrato. Mas a franquia despachou o grego George Papagiannis, e o agora ex-ala do Raptors ao que tudo indica será mantido no elenco do Sacramento até o final da temporada.

Ainda não dá, porém, pra saber se Bruno Caboclo será aproveitado de forma efetiva pelo Sacramento nos 29 jogos que ainda restam para a equipe nesta temporada. Vi ontem a entrevista coletiva de Vlade Divac, o manda-chuva do Kings, e em nenhum momento o sérvio menciona o nome de Caboclo como uma possível peça jovem para aproveitar na rotação que conta com atletas bem, bem jovens como Buddy Hield, De’Aaron Fox, Justin Jackson e Bogdan Bogdanovic.

E Caboclo tem 22 anos, ou seja, poderia ser visualizado como uma peça para o futuro da equipe caso o Sacramento enxergasse nele um prospecto para a explosão em um curto prazo. De todo modo, como é a mais disfuncional das 30 equipes da NBA há anos, é melhor não cravar absolutamente nada em relação ao Sacramento. Para Divac e os técnicos mudarem de ideia, positiva ou negativamente falando, em relação a qualquer jogador é realmente um pulo.

Mas aqui há um ponto importante. Ao contrário do Toronto, que vive boa fase desde que Bruno por lá chegou e que se deu ao luxo de não colocar em quadra uma escolha de primeira rodada devido aos bons resultados que por lá vinham, o mesmo não acontece com o Kings, que está no looping do rebuild (reconstrução) há anos e que não sabe ainda que caminho seguir. Se no Canadá havia até uma certa calmaria pelo fato do Raptors depender quase nada de Caboclo para seguir em frente (as peças principais são DeMar DeRozan e Kyle Lowry, que renovaram com a franquia recentemente), em Sacramento a confusão é gigantesca e ninguém sabe que rumo a franquia irá seguir – ninguém é ninguém mesmo, ou seja, atletas, diretoria, donos e comissão técnica. Não é, digamos, um cenário maravilhoso para estar, embora exista, sim, oportunidade para, quem sabe em uma boa semana, com bons números e boas performances, abrir o olho dos manda-chuvas da equipe.

Sobre a passagem do brasileiro pelo Canadá especificamente não dá pra dourar a pílula, não. A análise sobre Bruno Caboclo precisa ser feita e não é boa. Sua chegada em Toronto foi há 4 anos, e nesse período ele só esteve em quadra por 25 jogos e menos de 150 minutos. Se saiu do Brasil muito jovem, aos 18 anos, ele agora está com 22, com muito pouca quilometragem e longe de ser um jogador que a gente olha e diga “caramba, ele está pronto”. Não está – nem perto disso na parte técnica, tática, comportamental e sobretudo na psicológica.

Foi uma opção de carreira dele ter ido cedo para a NBA, é preciso respeitar, ele ganhou MUITO dinheiro (mais de US$ 7 milhões desde que chegou lá) e isso faz dele um jovem de sucesso para a sua e futuras gerações, mas está muito óbvio que a franquia desistiu dele quando o trocou e que esportivamente falando sua carreira, hoje, está repleta de incerteza. E não dá pra colocar nenhum pingo de culpa na franquia, já o Toronto deu TUDO a Caboclo em sua passagem pelo Canadá – carinho, técnicos, um time da G-League, o 905, para ele se desenvolver, professores, ginásio aberto 24h, apoio do gerente-geral Masai Ujiri e muito mais.

Se não é 100% responsável por tudo, já que há sempre o acaso, Caboclo, que desde que chegou à NBA trocou de agente algumas vezes (eu contei três e não sei se perdi alguma coisa), fica com quase toda a conta que agora chegou via troca do Toronto. Ele estava no melhor cenário possível (franquia sem pressão, paciência para que pudesse evoluir, treinadores ótimos para seu desenvolvimento – na G-League seu comandante era ninguém menos que Jerry Stackhouse, um ótimo ex-jogador da NBA – e muitos brasileiros na cidade), mas mesmo assim falhou.

Fico, por fim, com as palavras de Masai Ujiri, o manda-chuva do Raptors, a mim em 2015 na entrevista exclusiva que fiz com ele em Nova Iorque na época do All-Star Game: “É difícil dizer o que um jogador vai te trazer – e em quanto tempo irá trazer. Não depende só da franquia. É uma via de mão dupla. Dentro das nossas possibilidades damos tudo – treinamento físico, técnico, alimentação adequada, professor para o inglês. Nós sabemos o que o jogador precisa e o atleta precisa responder, precisa mostrar o que e o quanto quer. Temos feito trabalhos específicos com ele (Caboclo), com o Lucas (Bebê) também, mas isso vai muito de cada jogador. Kyle Lowry, por exemplo, antecipou o final de sua lua-de-mel porque sentiu necessidade de treinar. E ele está jogando o All-Star Game este ano. Você me entende? Não há muito segredo nisso. Quanto mais se treina, maiores serão suas chances de chegar mais longe. Não é uma regra, não é uma fórmula perfeita, mas via de regra funciona assim mesmo. Mas, voltando, sendo muito sincero para você: ainda vai levar um tempo para que eles se desenvolvam. Um tempo mais. Quanto tempo? Não sei lhe dizer com certeza. Torço muito para que eles fiquem prontos para o jogo de alto nível que é a NBA o quanto antes. É o que todos esperamos deles. Todos apostam muito neles. Em poucas palavras: a NBA é um negócio, as coisas andam depressa. O mercado de transferências hoje é muito frenético e as respostas, tanto dos atletas, quanto dos técnicos e também de nós, executivos das franquias, precisam ser cada vez mais rápidas e precisas. Não iremos pressionar o Bruno, mas nossa expectativa é que ele se torne parte efetiva do elenco do Toronto Raptors muito em breve. Para isso ele precisará desenvolver suas habilidades e ficar mais forte mentalmente e fisicamente. Cada dia no ginásio para ele é um aprendizado. Temos conversado muito com ele e seus agentes sobre isso“. Acho que mais claro do que isso não há nada neste mundo, não?

Deste canto, eu realmente desejo sorte a Bruno Caboclo, ala de 22 anos e com um potencial físico descomunal. Espero, sinceramente, que ele tenha na cabeça o que deu certo e o que não deu em Toronto para os próximos passos de sua carreira – sejam eles no Sacramento, em outra franquia da NBA, no Brasil, na Europa, China ou qualquer outro canto.

É muito óbvio que estes 29 jogos podem ser os seus últimos em sua carreira na liga (ao menos nesta primeira passagem dele). Por mais que tenha jogado bem na G-League, a Liga de Desenvolvimento onde defendeu o Toronto 905 com 14 pontos de média por jogo em pouco mais de 30 minutos por partida, isso não é nenhum indício de que Caboclo possa ser efetivo na NBA. O mais importante, agora, é focar neste restante da temporada, mostrar progresso e quem sabe convencer o Sacramento a apertar o botão de sua renovação automática para a temporada 2018/2019.

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