Bala na Cesta

Nova safra de técnicos brasileiros faz nível do NBB crescer

Fábio Balassiano

07/03/2017 06h00

No sábado eu falei aqui sobre a ascensão de Franca sob comando de Helinho. O time do estreante treinador tem 14-8 e está na sexta colocação do NBB. Mas não é só o comandante francano que tem feito um ótimo trabalho na temporada 2016/2017 na elite do basquete nacional.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Há outros exemplos de bons técnicos que fazem com que esta temporada do NBB seja uma das melhores dos últimos tempos. Todos com menos de 46 anos, uma prova de que a nova safra é bem nova mesmo. Vamos a eles:

1) José Neto -> É disparado o mais vencedor (e provavelmente o melhor) dos técnicos dessa geração, mas ainda muito jovem. Completará 46 anos no dia 16 de março, tem 4 títulos seguidos do NBB com o Flamengo, uma Liga das Américas, um Mundial Interclubes (ou Intercontinental) e foi assistente de Rubén Magnano na seleção por muito tempo, aprendendo o lado bom do argentino (organização de jogo, disciplina e treinamentos). Na minha modesta concepção, tem todas as ferramentas para ser o novo técnico da seleção brasileira neste novo ciclo olímpico.

2) Demétrius -> Também foi assistente de Rubén Magnano e tem feito trabalhos consistentes desde que passou a ser técnico. Foi bem em Limeira, onde começou e logo de cara conquistou o título Paulista, muito bem no Minas, onde desenvolveu jovens como Henrique Coelho, Danilo Fuzaro e Leonardo Demetrio com maestria, e há duas temporadas no Bauru. Aos 43 anos, o ex-armador de Franca e Vasco, entre outros times, já tem um vice-campeonato de NBB em seu currículo e tem conseguido “trocar a roda com o carro andando” em um time que tem perdido peças mas se mantém no topo do campeonato. Talvez pela posição em que atuou (armador) seja um dos mais maduros e calmos entre os jovens no banco de reservas na atualidade. Nos três times que trabalhou no NBB, sempre fez deles a melhor defesa do campeonato.

3) Gustavo de Conti -> Para mim o mais “indignado” dos jovens técnicos. O treinador que desde sempre trabalha no Paulistano foi vice-campeão do NBB há três temporadas, agora trabalha e lapida os jovens Mogi, Lucas Dias e Georginho, e possui uma carga de basquete bem imensa. Estuda, pergunta, critica, argumenta, contra-argumenta quando necessário e quase sempre possui um dos times mais organizados do basquete nacional. Também foi assistente de Rubén Magnano, tem experiência de seleção e certamente fará parte do futuro do basquete brasileiro – em clubes ou na equipe nacional.

4) César Guidetti -> Uma das mais gratas surpresas dessa temporada do NBB. O Pinheiros estelar de tempos atrás não deu lugar ao time de jovens que muita gente tanto queria (Lucas Dias e Georginho, como disse acima, estão no rival Paulistano), mas sim a um time com dois norte-americano bem bons (Holloway e Bennett) que tem feito uma campanha excelente até aqui (13-9 e sétima colocação). Conheço Cesar, agora com 47 anos, há muito tempo, desde que ele era assistente de Paulo Bassul nas seleções femininas do Brasil, e seu desempenho no clube de São Paulo é reflexo de tudo o que ele sempre plantou. Guidetti é um cara estudioso, bem trabalhador e que em sua primeira experiência como treinador na elite do país tem se saído muito bem.

5) Dedé -> Outro que entra na categoria dos “indignados”. Agora com 39 anos, ele começou bem a sua carreira há três temporadas em Limeira, ia fazendo bom trabalho em Rio Claro, mas quase sempre se envolve em alguma polêmica fora de quadra (relembre a última aqui). Chegou ao Vasco com o NBB rolando e tem feito um bom trabalho no cruzmaltino. É bem estudioso, vira e mexe está em uma clínica no exterior e sempre tenta “orientar” seus times através da defesa, o que é ótimo. Se conseguir domar o seu maior inimigo (seu instinto “agitado”, pra dizer o mínimo) será um dos melhores treinadores dessa geração, sem dúvida alguma.

6) Bruno Savignani -> É o mais jovem dos técnicos (33 anos) e já lidera o NBB com Brasília (15-6, mesmo número de derrotas do Flamengo). Melhor do que o retrospecto de vitórias na sua primeira temporada desde o início como técnico principal do time da capital, ele já recebeu o justo prêmio de dirigir o NBB Brasil no Jogo das Estrelas do dia 19 de março. Tem muito futuro e está apenas no começo de sua carreira profissional.

Poderia, e até deveria, citar os veteranos Guerrinha (Mogi e um dos melhores do país há muito tempo!) e Régis Marrelli (estupenda campanha com o Vitória), mas acho que vale uma menção honrosa a esta galera jovem que tem tentado fazer basquete com conceitos novos aplicando à realidade que temos por aqui. São 7 treinadores com menos de 46 anos que fazem muito bem ao basquete nacional.

É óbvio que há imensas dificuldades que impedem crescimentos ainda maiores, e posso citar o aspecto financeiro que inibe um maior número de visitas a clínicas no exterior, viagens para troca de experiência com técnicos de fora e aumento da comissão técnica, mas mesmo com pontos complicados a nova geração tem conseguido se destacar bastante na temporada 2016/2017 do NBB.

Ainda temos alguns pontos fundamentais para que o nível melhore por aqui como um todo, e posso citar o excesso no número de arremessos de três pontos sem “trabalhar a bola” e jovens que chegam a categoria adulta sem fundamentos lapidados (o número de veteranos dominantes no NBB não é obra do acaso), mas consigo ver essa nova safra tentando melhorar muito daquilo que quem acompanha o basquete brasileiro há muito tempo pede – organização, defesas mais pressionadas e intensidade. Que eles sigam evoluindo.

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