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Bala na Cesta

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Com Demétrius no comando, jovem Minas brilha no início do NBB

Fábio Balassiano

01/12/2014 13h40

foto1Quando acabou a temporada passada o Minas Tênis Clube tinha mais dúvidas que certezas. Sob o comando do argentino Carlos Romano, os mineiros perderam 22 das 32 partidas do NBB passado e por pouco não foram rebaixados (Goiânia, o primeiro que caiu, teve 9 vitórias, uma a menos). A grana ficou curta, e os minas-tenistas foram apostar naquilo que justamente são muito fortes – na base.

Ralf Ansaloni ficou e foram contratados, é verdade, o ótimo ala Alex (quase 14 pontos de média), o chutador Robby Collum e o experiente-e-sempre-muito-útil Shilton para ajudar aos jovens Bruno, Danilo Fuzaro (também chamado de Siqueira), Henrique Coelho e Leo Demétrio. Já seria uma mistura bacana, mas faltava o comandante.

dema1No mercado não havia muitas opções até que Limeira decidiu descontinuar o (até então) bom trabalho de Demétrius (foto à esquerda). Foi a combinação perfeita e o Minas não pensou duas vezes. Um técnico com bons, e modernos, conceitos (principalmente na defesa) em busca de espaço para implantar a sua filosofia e um punhado de jovens absurdamente talentosos precisando de tempo de quadra. Os resultados, todos pensavam, não chegariam tão rápido. Sabe como é. Time jovem, técnico chegando, nem sempre vitórias fazem parte desta mescla.

molecadaAí o NBB começa e o Minas tem, com um mês de campeonato, seis vitórias em oito jogos (a última foi ontem, na capital federal, contra o Brasília por 77-75), quase a mesma quantidade que na temporada passada inteira (isso tudo tendo feito apenas duas partidas em seu ginásio, diga-se). Não são só os triunfos que contam, mas principalmente o peso e a forma como eles têm sido conquistados, evidentemente.

dema1O Minas venceu Flamengo e Paulistano (finalistas da temporada passada), bateu Brasília (tricampeão) e superou Mogi (fez semifinal do NBB de 2013/2014 e a final da atual Liga Sul-Americana). Em TODAS as partidas da temporada tem a proeza de não ter levado sequer 80 pontos, marca longe de ser superada por qualquer outra equipe do certame. O time de Demétrius tem a surreal média de 65 pontos sofridos por partida, e isso explica muito bem por "onde" tem sido alcançado o sucesso até o momento (até porque o ataque, com 72 pontos de média, ainda dá uma empacada natural para quem tem um elenco tão jovem).

coelho1Sim, é pela defesa, é pela rotação forte que tem sido aplicada, é pela divisão de minutos, é pela força dos jovens (os quatro citados acima estão na foto à direita – Bruno, Danilo, Coelho e Léo). Lembra um pouco o que tem sido feito por Jason Kidd no Bucks (outro ex-armador que virou técnico aliás). São 10 jogadores com 10 ou mais minutos, com a molecada TODA ganhando rodagem. Bruno 18,6 por jogo. Danilo, 22,3 e 7,6 pontos. Coelho (foto à direita), titular da armcação, responde por 11,6 pontos, 3,2 assistências e quase 30 minutos por partida. Leo Demétrio, muito talento e com potencial físico assustador, tem 18,1 minutos e 6,9 pontos de média.

Os próximos cinco jogos serão em casa (Bauru, Franca, Limeira, Rio Claro e Uberlândia) e pode ser um bom termômetro de onde os mineiros poderão chegar. Mas é só o começo, não dá pra prever absolutamente nada em relação ao futuro do Minas na competição, mas está muito bacana ver como Demétrius tem conseguido implantar seus conceitos de jogo e como a jovem equipe de Belo Horizonte tem conseguido compreender tudo direitinho para brigar por vitórias contra alguns dos melhores times do país.

dema2Com um elenco sem estrelas, o técnico prova que aqui no Brasil um pouco de organização (dentro e fora de quadra) sempre dão resultado. O Minas é um dos clubes mais estruturados do país e colocando em prática o mandamento número um do basquete (defesa) tem conseguido ótimos resultados neste começo de NBB. Que assim continue.

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