Bala na Cesta

Arquivo : outubro 2011

Os bons textos da semana
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Fábio Balassiano

Há muito tempo não fazia, mas vamos lá às boas leituras da semana que passou.

– O brilhante Território LNB fez uma ótima matéria com Fernando Ferreira, ala do Regatas, de Campinas, que representou Bauru na LDO. Fernando é, além de atleta, autor de um blog de cultura, o Que Corra la Voz. Aqui o post do Território e o blog do Fernando. Parabéns a ambos.

– Raulzinho parece ter realmente entrado no radar dos principais analistas da Espanha. No site da ACB ele foi destaque também (aqui o vídeo com os melhores momentos do jogo e aqui a matéria do site da Liga).

– No PBF, duas imagens inusitadas: de Liz Cambage, da Austrália, com a Rainha Elizabeth, e de Damiris com Daniele Hypolito e Daiane dos Santos, da ginástica. Aqui o link.

– O ótimo Homens Brancos não Sabem Blogar resgatou imagens de Michael Jordan jogando o Pan-Americano de 1983. Absolutamente imperdível o jogo contra o Brasil. Veja aqui.

– O leitor Tiago Risério envia, desde Madrid, o link para o ótimo documentário “Partizan de Fuenlabrada”, que conta uma história curiosa. Quando o Partizan de Belgrado, deslocado pela guerra, teve que jogar a Euroliga fora da Iugoslávia, o local escolhido foi Fuenlabrada, cidade ao lado de Madrid. O resultado foi o único título da Euroliga da história do Partizan e um filme fabuloso. Aqui o link.


Definidos os seis classificados na LDO
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Fábio Balassiano

Terminou ontem o segundo grupo da Liga de Desenvolvimento Olímpico (LDO), torneio Sub-21 promovido pela Liga Nacional de Basquete (LNB). Bauru (foto), com sete vitórias e representado pelo time do Regatas, de Campinas, Minas, que sempre faz um brilhante trabalho na base (6-1), e Brasília (5-2) avançaram ao hexagonal final e se juntam a Flamengo, Paulistano e Franca, também agremiações que têm tradição na formação de atletas.

Fica complicado analisar apenas em cima de números, e torço, sinceramente, para que os técnicos dos clubes e da Confederação tenham tido a oportunidade de ver as partidas, mas de longe e pelas estatísticas dá pra ver que alguns nomes que já se destacam nos torneios da base por aqui foram muito, muito bem. Henrique Coelho (Uberlândia), Leonardo Demétrio, Cauê (ambos do Minas), Olintho (também de Uberlândia), Ronald (Brasília) estão nesta trupe. E há também os que não são tão conhecidos, como o Robson, do Vitória e cestinha da competição com 19,1 pontos, Renato, do Vila Velha, a dupla de São José dos Campos (João Paulo e Luis Guilherme).

O que dá pra perceber é que há muito menino bom e querendo jogar basquete em alto nível surgindo. Está claro que a LNB deu o primeiro passo para a criação de um brasileiro de base que dure o ano todo. Que a Confederação Brasileira acorde e faça a sua parte nas demais categorias. O basquete nacional está atrasadíssimo, e precisa de iniciativas como a da LDO. Talentos há aos montes por aqui.

Tags : LDO LNB


Semana decisiva para a Liga de Basquete Feminino
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Fábio Balassiano

A semana também é decisiva para o basquete feminino brasileiro. Aparentemente, agora o risco de a segunda edição da Liga de Basquete Feminino (LBF) não acontecer é pequeno, mas ainda não há calendário, número de equipes e muito menos o formato da competição. A boa notícia é que nesta quinta-feira, dia 3 de novembro, haverá uma reunião com os clubes para definir tudo isso (espera-se).

Uma das grandes dúvidas é o número de participantes. A princípio seriam dez, mas há chance de a Mangueira, aqui do Rio de Janeiro (este blogueiro “agradece”…), não participar (com isso, teríamos Ourinhos, Americana, Araçatuba, Blumenau, Catanduva, Maranhão, Santo André, São Caetano e São José dos Campos). Além disso, pelo que li no site Máquina do Esporte, o calendário está sendo estudado para que não “bata” com as finais do Brasileirão de futebol (apesar de eu não entender muito bem qual a relação, confesso).

Deste canto, eu, sinceramente, só espero que todas essas dúvidas se dissipem na quinta-feira, porque o basquete feminino brasileiro agoniza há tempos. Uma Liga forte é o começo de um processo que precisa ser acelerado para que a modalidade volte a revelar atletas de nível com frequência e consiga reter seus talentos por mais tempo em solo nacional (é sempre bom lembrar que Damiris, MVP do Mundial Sub19 e diamante deste país, foi pra Espanha muito por culpa desta incompetência que há por aqui). A LNB masculina é um bom exemplo de que com planejamento, seridade e transparência é possível, sim, fazer um campeonato nacional de bom nível.

Mesmo assim, como que por um milagre, a competição desta temporada tem motivos de sobra para render bom público nos ginásios se for bem trabalhada/comunicada: haverá duas medalhistas olímpicas (Kelly e Alessandra – além do técnico Antonio Carlos Barbosa), o retorno de Iziane (foto), que promete trazer duas ou três estrangeiras para o time do Maranhão, e oito das 12 meninas que estiveram no Pré-Olímpico de Neiva, na Colômbia.

Tags : LBF


Limeira diminui, São José abre vantagem no Paulista
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Fábio Balassiano

Foram dois jogos bem diferentes neste domingo pelas semifinais do Paulista masculino de basquete. Ainda sem Murilo, que volta do Pan-Americano com a seleção brasileira, o São José começou devagar e viu Bauru abrir oito pontos de diferença no primeiro tempo, mas voltou com tudo na segunda etapa. Fez 30-15 no terceiro período, comandou bem as ações e fechou o jogo em 84-76 para abrir 2-1 com brilhantes atuações de Fúlvio (voltando de contusão, ele teve 19 pontos, seis rebotes, cinco assistências, 26 de eficiência e um comando absurdo da partida) e Jefferson William, monstruoso no garrafão com 23 pontos e 14 rebotes (28 de eficiência). O jogo 4 é nesta segunda-feira, às 17h30, e nova vitória leva o time da casa, São José, às finais pela segunda vez em três anos.

No outro jogo, o Pinheiros controlou bem as ações durante os três primeiros períodos, mas não conseguiu vencer Limeira para fechar a série em 3-0. Com uma ótima defesa (pela primeira vez no confronto), principalmente de Rogério, Biro e Ramon, o time de Demétrius deteve os rivais no último quarto, fez 35-21 e fechou a peleja em 86-82 para diminuir a vantagem do time da capital para 2-1. Vale lembrar que Shammel, do Pinheiros, anotou 12 de seus 27 pontos nos dez minutos finais, mas não foi suficiente (os donos da casa contaram com uma marcação terrível do rival para abrir 14-2 para começar o período derradeiro). Do lado dos vencedores, Biro (foto) e André Bambu (15 pontos cada) foram muitíssimo bem, mas acho importante registrar a atuação de Rogério, que, com mais de 40 anos, teve pernas, alma e talento para comandar a reação limeirense. O jogo 4 é nesta terça-feira.

É bem verdade que a parte técnica tem deixado a desejar nas semifinais do Paulista, mas os jogos têm sido bastante emocionantes. Será que São José, embalado, e Pinheiros fecham as séries no jogo 4? Comente na caixinha!


Raulzinho brilha em sua primeira vitória na Espanha
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Fábio Balassiano

Foi uma ótima rodada para os brasileiros na Espanha. Em quase 14 minutos, Rafael Luz teve três pontos e duas roubadas na quarta vitória em cinco partidas do Alicante (hoje foi diante do Obraidoro por 73-69 fora de casa). Vitor Faverani, pivô brasileiro muito valorizado por lá, teve 11 pontos e quatro rebotes em 20 minutos no jogo em que seu time, o Valencia, tirou a invencibilidade do Unicaja, de Málaga (vitória por 75-62).

Também longe do lar, o Barcelona anotou seguros 66-56 no Fuenlabrada com 13 pontos e cinco assistências de Huertas, que esteve em quadra por quase 31 minutos.

Mas ninguém brilhou mais que Raulzinho (foto) nesta rodada. No duelo contra o compatriota Rafael Hettsheimeir (13 pontos e cinco rebotes), o armador brasileiro teve papel fundamental na primeira vitória do Lagun Aro na temporada (por 86-77 contra o Zarazoga, fora de casa – e com direito a 32-17 no último período). Saiu de titular, “comeu” os minutos do até então dono da posição Javier Salgado (que teve apenas nove) e correspondeu a confiança de Sito Alonso.

Anotou 14 pontos, roubou cinco bolas, apanhou quatro rebotes e ainda deu três assistências em uma atuação de tirar o fôlego que lhe rendeu 19 de eficiência (ficou atrás apenas do norte-americano Andy Panko, que teve 22).

O Lagun Aro continua na zona de rebaixamento (1-4), mas a vitória dá uma baita confiança não só a Raulzinho, mas a equipe, que perdera as quatro primeiras partidas por pouquíssima diferença (3-3-3-4). Na próxima semana o adversário é o Valencia, de Vitor Faverani, e a expectativa é que o brasileiro siga crescendo horrores por lá. Pelo visto a adaptação tem sido a melhor possível.


Sem surpresa, negociações emperram na NBA
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Fábio Balassiano

“Não é prático, possível ou prudente pensarmos em uma temporada com 82 jogos”. Foi assim que David Stern (foto), comissário geral da NBA e representante das franquias no locaute, definiu a situação surreal em que se encontram as negociações com os jogadores. Até a última quinta-feira havia uma certa dose de otimismo, mas como disse aqui embaixo, nada de concreto ainda havia sido negociado.

E eu imaginava que era justamente quando o assunto “dinheiro” pintasse é que os problemas surgiriam. E não deu outra. Quando o tal BRI (divisão dos lucros) e o teto salarial das franquias foram levantados, houve desentendimento e as negociações emperraram. Os atletas pedem 52,5% dos lucros, e os “patrões” aceitam apenas dividir o bolo (seria tão bacana se cada parte abrisse mão de 1%, não?).

Com isso, os jogos estão cancelados até o final de novembro, e as franquias já calculam um prejuízo total de mais de US$ 350 milhões (entre patrocínios, direitos de televisão, venda de produtos licenciados e ingressos). Além disso, mais de 750 funcionários já foram demitidos. Ruim, não? E pode piorar pra caramba. Cada vez mais é possível que a temporada 2011-2012 não ocorra. Um palpite otimista? Que teremos meia temporada no começo do próximo ano. Mas eu não sou tão otimista neste caso…

Tags : Locaute NBA


Federação Paulista anuncia punição ao Regatas
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Fábio Balassiano

Coloquei aqui no blog a vergonha ocorrida esta semana no Palmeiras, que entrou em quadra e viu o Regatas, de Campinas, deliberadamente fazer faltas para terminar logo a partida. O lado bom disso tudo é que a Federação Paulista entrou em ação e anunciou rigorosa punição ao clube (está no site).

Diz a nota: “Face aos acontecimentos ocorridos na partida do Campeonato Estadual da Divisão Especial Série A-2 Masculina, S.E. Palmeiras X Regatas / Campinas, na data de 25 de outubro p.p., a Diretoria da F.P.B., no uso de suas atribuições legais, SUSPENDE por 02 (dois) anos de todas as suas atividades nesta federação, a agremiação CLUBE CAMPINEIRO DE REGATAS E NATAÇÃO”.

É uma punição dura, sem dúvida, mas acho bastante pertinente que isso acabe no país.

Tags : FPB


Morro acima, Pinheiros vence e se aproxima da final
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Fábio Balassiano

Quando você olha o elenco do Pinheiros, dificilmente vai se empolgar com o número 8 na escalação. Não marca tantos pontos, não aparece muito e nem de longe tem o carisma de Shammel, Olivinha e Marquinhos. Mas foi muito por causa dele, Morro, que o Pinheiros venceu Limeira bem ontem à noite por 94-75, abrindo 2-0 na semifinal do Paulista.

Morro foi soberbo nesta sexta-feira: 18 pontos (foi o cestinha da equipe), quatro rebotes e incrível na defesa. Há quase cinco temporadas no clube paulista, é ele o responsável por dar um pouco de equilíbrio defensivo a um time que tem no ataque a sua principal força (Renato, Paulinho, Marquinho, Shammel, Mineiro – todos pontuam muito).

Não acho, de verdade, que ele seja um jogador de seleção e nem que seja do primeiro escalão do mercado interno, mas o basquete brasileiro precisa olhar com um pouco mais de carinho para os que fazem o “trabalho sujo” de defender com correção. Morro é um destes heróis invísiveis que quase sempre saem de quadra sem sequer um tapinha nas costas.

O pior é que ontem ele deve ter recebido vários, mas por causa conta de seus pontos – e não por conta de sua sublime defesa em Rodgers, por exemplo.


Calma, calma, não criemos pânico! Perder o Pan não é o fim do mundo
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Fábio Balassiano

Acabei de ver a partida entre Brasil e República Dominicana, válida pelos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. A este momento você, amigo leitor, já deve saber que o time de Rubén Magnano perdeu por 85-77 após ter aberto grande vantagem. Nova pane custou a vitória e a vaga na semifinal – e vale lembrar que houve uma bizarra parcial de 39-7 para os dominicanos). Eliminada, a seleção disputa neste sábado o quinto lugar.

Sobre o jogo, muito pouco a ser dito. O Brasil esteve bem durante três períodos, abriu 18 pontos e aí se perdeu (o filme não é novo, né). O pivô Jack Martinez, o mesmo que destruiu o garrafão brasileiro no Pré-Olímpico de Mar del Plata, anotou 22 pontos e nove rebotes, e foi o grande responsável pela virada. E o que isso, de verdade, quer dizer?

Em minha opinião, absolutamente nada – nada mesmo. O Brasil encarou o Pan-Americano como ele deve ser encarado: como uma competição menor, quase sem importância alguma (havia coisas em jogo, é verdade, mas nada de absurdamente relevante). Tanto foi assim que pouco treinou, mudou mais da metade da lista inicial após pedidos de dispensa dos atletas e quase não fez amistosos. É uma “matemática” bem simples. Trabalha com Magnano durante algum tempo, vai bem. Não trabalha quase nada, não há Magnano ou Phil Jackson que consigam dar jeito. Na verdade, há apenas dois pontos que são ruins: os times de São Paulo ficaram sem seus atletas durante o mata-mata do Paulista e a exposição na mídia de massa (TV Aberta) das derrotas não são fatos bacanas.

Além disso, se com o time feminino ainda foi possível traçar alguma linha de raciocínio pelo que Ênio Vecchi fez (era basicamente o mesmo time do Pré-Olímpico e com duas semanas de treino ainda por cima), nem isso pode ser feito com o elenco que Rubén Magnano deve ter treinado entre uma escala de vôo e outra.

Acho, de verdade, que as críticas que li foram absurdamente exageradas e passionais (em cima de atletas e, vejam vocês, Magnano). Criticar faz bem, e eu gosto pacas, mas acho que é preciso direcionar direito o “canhão”. A competição que importava este ano para o basquete nacional masculino era o Pré-Olímpico de Mar del Plata. E o Brasil foi lá, venceu a Argentina uma vez, conquistou a vaga e quase não bateu a geração dourada no segundo duelo.

Dizer que o ano não termina bem para a seleção brasileira e para Rubén Magnano por causa de uma derrota em Pan-Americano (em Pan, gente…) beira o sensacionalismo mais barato do mundo.


O reencontro de Rudy Fernandez com a boa fase
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Fábio Balassiano

Lembro de uma entrevista de Rudy Fernandez (foto) ao jornal El País, da Espanha, em que ele afirmava que o que mais estranhava na NBA era a falta de “camaradagem” entre os companheiros de time. Dizia ele que era algo mais frio, profissional ao extremo. Estava claro, em 2009, que ele não se sentia muito à vontade na liga norte-americana. Por isso é importante notar como este retorno ao basquete espanhol tem feito bem a ele.

Rudy Fernandez tinha ótimas médias quando atuava no DKV Joventut (16,5 e 21,2 pontos em em 2006-2007 2007-2008 respectivamente) e foi uma das principais peças da campanha espanhola que rendeu a medalha de prata ao país nos Jogos de Pequim em 2008 (13,1 pontos, 3,5 rebotes e 47,1% nos chutes. Na final contra os EUA, anotou 22 pontos em módicos 18 minutos (ficou carregado em faltas) para impressionar ainda mais os norte-americanos. Rumou para Portland, onde (como disse acima) não foi feliz em suas três temporadas (jogou pouco – média de 24 minutos -, teve problemas com o técnico Nate McMillan e não chegou a ter papel de destaque no time). Foi trocado para o atual campeão Dallas Mavericks, mas com o locaute decidiu aceitar a proposta do Real Madrid.

“Não é por dinheiro, mas porque quero ser feliz novamente”, disse Rudy em sua concorrida entrevista coletiva. E a tal felicidade tem sido vista em quadra. Ontem ele anotou 17 pontos, quatro assistências e quatro rebotes na sua estreia em Euroligas com a camisa merengue na capital. A vitória veio por 85-78 contra o forte Milan (foi a estreia de Serge Ibaka também), mas o mais bacana é verificar que aquele menino que surgiu como promessa de craque volta a jogar em altíssimo nível.

É mais uma prova de que não vale a pena jogar na NBA a qualquer custo. Rudy Fernandez é ídolo em um basquete de alto nível, tem tempo de quadra, rende bem e (o principal) parece estar feliz em Madrid neste momento (os torcedores do Real esperam que o locaute não termine nunca, né…). Que assim continue.