Bala na Cesta

Arquivo : John Wall

Warriors? Cavs? Saiba como ‘velocista’ coloca o Wizards como o melhor da NBA em 2017
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Fábio Balassiano

A temporada da NBA está polarizada em Golden State Warriors e Cleveland Cavs, times que fizeram as duas últimas finais e que surgem como grandíssimos favoritos para repetir a dose na decisão deste ano. O que pouca gente nota é que em 2017 a melhor campanha da liga não é nem do time de Steph Curry e nem do de LeBron James. O Washington Wizards, do velocista John Wall, armador considerado um dos jogadores de basquete mais rápidos do mundo, possui 25 vitórias em 33 jogos e lidera não só em número de triunfos, mas também em aproveitamento (76%). Desde janeiro o Cavs é apenas o nono (18-14) e o Warriors, o terceiro (23-9). O San Antonio Spurs é o segundo melhor com 24-8.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

No total o Washington, que hoje enfrenta fora de casa o Minnesota, tem 41 vitórias em 65 jogos e em grande fase ganhou 7 dos últimos 10 duelos, 11 dos 14 mais recentes e está em segundo lugar na conferência Leste, atrás apenas do Cleveland, que tem 43-21. Para quem começou a temporada perdendo os três primeiros duelos, ainda com o gosto de não ter se classificado ao playoff em 2015/2016 em um campeonato pra lá de frustrante e com um técnico que em 2015 havia sido demitido de Oklahoma (Scott Brooks) no comando, dá pra dizer que atingir este patamar é, sim, uma agradável surpresa. E o sucesso da franquia da capital norte-americana passa totalmente por Wall, que consegue cruzar a quadra inteira em menos de cinco segundos.

Um dos mais prestigiados armadores da atualidade, o camisa 2 tem as médias de 23,1 pontos, 45% nos arremessos e 10,8 assistências (todas as melhores de uma carreira de sete anos na NBA). Se seu arremesso de três pontos continua errático (31,7% em 2016/2017, índice idêntico ao de sua trajetória profissional), Wall melhorou em liderança, em capacidade de envolver seus companheiros. A segunda melhor média de assistências fala um pouco sobre isso, mas não tudo. A forma como ele passou também a defender estimula seus companheiros a pressionar a bola e a levar o Washington adiante. Mas não foi assim fácil que a transformação chegou.

Após a primeira partida da temporada (derrota fora de casa contra o Atlanta Hawks por 114-99), Brooks não poupou a sua maior estrela e disse que nunca havia visto uma marcação tão ruim quanto a que tinha visto de John Wall. A velocidade que Wall usava para correr para o ataque com a bola era inversamente proporcional a que ele voltava para marcar na defesa. Crítico, o camisa 2 não bateu boca com seu novo treinador, mas sim procurou-o para analisar os problemas. Brooks o recebeu com um vídeo de 10 minutos contendo suas maiores deficiências defensivas. Não era uma questão grave, mas basicamente de retorno rápido à marcação e impedir que seu rival cortasse facilmente rumo a cesta. O jogador decidiu implementar o que o novo chefe indicou. Deu certo. A transição ataque-defesa melhorou muito, Wall se tornou um atleta mais completo, o Wizards passou a não levar mais tantos pontos em contra-ataque e os resultados apareceram.

Se foi duro com Wall no começo, Brooks, adepto ao jogo fluído e leve da NBA atual, também soube elogiar o seu comandado quando ele foi escolhido para o All-Star Game de Nova Orleans: “Ele não é só um jogador muito rápido. Acho incrível quando ele vai de um extremo ao outro da quadra em menos de cinco segundos, mas John tem sido fundamental também no vestiário, estimulando e elevando o nível de seus companheiros. Treinei jogadores excepcionais em Oklahoma, joguei com outros tantos em Houston, e o que ele tem feito por aqui é realmente acima da média. Excepcional mesmo”, afirmou o treinador que comandou Russell Westbrook, um dos melhores armadores da liga, no Thunder, e que, quando atleta, foi campeão com o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon.

É óbvio que John Wall é o nome que mais chama atenção neste Washington, mas o que deixa uma pulga em todas as orelhas é tentar entender como um time que não se classificou ao playoff em 2016 se candidata, em 2017 e basicamente com o mesmo núcleo, a ir longe no mata-mata da conferência Leste. É uma questão que ainda não encontra uma resposta nos números, mas sim nos fatos. Se a base tática e técnica é praticamente a mesma de quando o técnico Randy Wittman estava por lá, se ataque e defesa estão hoje entre os dez primeiros da liga, mas não entre os cinco (ou seja, são bons mas não excelentes), aparentemente a química do vestiário mudou com a chegada do técnico Scott Brooks, considerado um “player’s coach“, o que, em uma tradução livre, seria como um treinador que fala a língua dos atletas. Um punhado de jovens talentosos (o mais velho do elenco tem 33 anos) que jogava de forma praticamente individualizada até a temporada passada se tornou um time coeso e talentoso. Uma grande história, não há dúvida.

É óbvio que as recentes aquisições de Bojan Bogdanovic (o ala croata trazido do Nets adiciona 16 pontos de média) e do armador Brandon Jennings aumentam a profundidade do banco de reservas e que o crescimento de Bradley Beal (23,2 pontos), Otto Porter Jr. (14,2) e Markieff Morris (14,3) contam muito, mas o sucesso do Washington, que também tem o polonês Marcin Gortat (11,5 pontos) como peça importante da rotação curta de Brooks, passa mesmo pelo crescimento em ataque e defesa de Wall, um dos melhores jogadores da NBA na atualidade.

O Wizards, eliminado em 2016 ainda na fase regular, se permite sonhar com voos maiores graças a John Wall.


Astro dos Wizards leva companheiro a nocaute com passe errado
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UOL Esporte

O armador John Wall, um dos líderes em assistências na atual temporada (10,9 por jogo), e o pivô Marcin Gortat jogam juntos há 4 anos no Washington Wizards, tradicional time da NBA. Ontem, porém, pareciam estar apenas se conhecendo.

Em partida realizada no Canadá, onde o Wizards acabou vencendo o Toronto Raptors por 105-96, Wall recebeu do polônes, viu Gortat menos marcado no garrafão e passou a bola. Ou quase isso… Deem uma olhadinha no vídeo.


Essa doeu, hein, Gortat…

 

 


No ritmo de John Wall, Wizards prometem brigar pelo título do Leste
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Fábio Balassiano

wallConfesso a vocês que sempre tive muita dificuldade ao ver John Wall em quadra. Sua velocidade assustadora contrasta com um terrível aproveitamento de três pontos em sua carreira de cinco anos na NBA (30,8%) e uma marra nem sempre condizente com suas performances individuais (não é a toa que sempre quando o jogo aperta os adversários “pagam” para seus chutes de fora e via de regra se dão bem com isso). Mas o que o camisa 2 tem feito pelo Washington Wizards nesta temporada é realmente impressionante e não deixa muita dúvida.

wall2Aos 24 anos e rápido como nunca, Wall tem 17,1 pontos e 10 assistências de média (primeira vez na carreira que ele tem dígitos-duplos em passes) para guiar o bom time do Washington a 28-13 (vice-líder da conferência) exatamente na metade da temporada. São seis vitórias nos últimos oito jogos, o duelo contra o Philadelphia hoje na capital (17h de Brasília) e a óbvia constatação que os Wizards, que venceram o Bulls na primeira rodada do playoff passado, irão brigar muito fortes pelo título do Leste no mata-mata deste ano.

wall3A força do Washington não vem só de Wall, obviamente. O quinteto titular formado por ele, Bradley Beal (14,9 pontos), Paul Pierce (12,6), Nenê (10,6) e Marcin Gortat (12,1) é um dos mais fortes da NBA e consegue dominar os adversários com força no garrafão e também com arremessos de média e longa distância. É uma mescla que normalmente dá certo e neste time de Randy Wittman, com o amadurecimento de Wall e a chegada do experiente Pierce, a sensação que dá é que a combinação realmente se ajustou muito rápido.

wall4O time ainda pode defender melhor (principalmente no perímetro), o banco ainda pode produzir mais, mas na toada de John Wall os Wizards têm tudo para brigar pelo título do Leste (algo que eles não conseguem desde 1979). O ligeirinho continua marrento, mas dessa vez seu basquete enche os olhos, compensa quase tudo.

Torçamos para que ele e os Wizards mantenham o rendimento nos playoffs, porque até agora está belíssimo de ver a equipe.


Agora pontuadores, jovens armadores ditam o ritmo na NBA
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Fábio Balassiano

Há algum tempo escrevi sobre a nova e valiosa safra de armadores que estava surgindo na NBA (aqui). Listava Derrick Rose, John Wall, Chris Paul, Deron Williams, Rajon Rondo, Brandon Jennings, Russell Westbrook e dizia que depois de muito tempo os baixinhos poderiam dar as cartas em uma liga quase sempre dominada pelos gigantes. Mas isso não é tudo.

Cada vez mais rápidos, fortes e técnicos, os armadores agora não se contentam “apenas” em passar a bola e em distribuir o jogo. Pontuar está na ordem do dia para muitos deles, e não é surpresa que dez estejam entre os 34 que mais pontuam da liga na temporada 2011-2012. Além disso, três deles foram número 1 do Draft nos últimos quatro anos (Rose, Wall e agora Kyrie Irving, no Cleveland).

Para se ter uma ideia e uma base de comparação, Derrick Rose (foto), o primeiro da lista dos armadores, tem 20,8 pontos de média e 16,3 chutes tentados por noite nesta temporada (20,1% do total dos tiros do Chicago Bulls). Logo abaixo dele, Russell Westbrook registra 20,6 pontos e incríveis 17,5 arremessos por partida (22,7% do total do Oklahoma). Quer ver um sintoma dessa mudança? A queda no número de assistências. Na temporada passada, três jogadores (Steve Nash, Rajon Rondo e Deron Williams) registraram dez ou mais passes por noite. Nesta, Nash é o único (tem 10,0 cravado), e mesmo assim é o líder do time em pontos com 14,8 (10,6 arremessos por partida e 13,9% do total).

Olhando para trás, fui ver dois especialistas em passe e armadores chamados de “puros” por crítica e técnicos. John Stockton (foto à direita) teve seu ápice em pontos em 1989-1990 e 1990-1991. Nas duas temporadas teve 17,2 pontos, mas arremessava apenas 11,2 vezes por noite. Outro que ditava as cartas era o agora técnico Mark Jackson. Teve seu auge em termos de pontuação em 1988-1989 com 16,9 pontos, mas chutava 14,2 duas vezes (e foi criticado pacas por isso).

Até mesmo Magic Johnson, que pontuava bastante (registrou mais de 16 pontos por partida em todas as suas temporadas antes da de 1995-1996 – a pós-HIV), não tinha o volume que existe hoje. Magic não passava dos 16,3 chutes, e sua média na carreira foi de 13,1 por noite. E é sempre bom lembrar que o estilo que o genial camisa 32 imprimia nos Lakers era o de velocidade pura, que gerava mais oportunidade de arremesso para toda a equipe. Tanto é assim que na temporada que mais arremessou, a de 1986-1987, Johnson teve 16,35 (número alto), mas que representaram 18,1% do total dos angelinos (menos, portanto, do que Rose e Westbrook atualmente).

Aqui cabem duas observações. É fato, também, que este tipo de jogo ainda não deu resultado. Os últimos campeões sempre tinham um armador “pass-first” no elenco (Lakers com Derek Fisher, Miami com Payton, Dallas com Jason Kidd, Spurs com o próprio Parker e Boston com Rondo), mas vale a pena ficar de olho para saber se esta tendência dos armadores-combo (que armam e pontuam) começará a dar resultados, em termos de títulos, em breve. A outra é que por outro lado também existem jogadores de outras posições fazendo o que os armadores faziam: Lamar Odom era o point-forward de Phil Jackson no Lakers (no Mavs nem tanto), LeBron é o faz-tudo no Heat (como era nos Cavs), Wade também arma no Heat e Andre Iguodala se vira em todas no Sixers.

Não é uma questão de ser bom ou ruim, mas está muito claro que o jogo e as funções mudaram (e fechar os olhos para isso é de um atraso monumental). Aquele tempo de “deixar o jogo todo para o armador pensar” acabou, já era, passou. Se você tem um cara que pode distribuir a bola e ainda finalizá-la com maestria, parece muito claro que estará em vantagem competitiva para vencer partidas e quem sabe até campeonatos. Estão aí Chicago e Oklahoma, líderes de suas conferências, que não me deixam mentir.


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