Bala na Cesta

Arquivo : Charles Barkley

Charles Barkley e o genial jogo 7 da final do Oeste em 1993 na contagem regressiva da NBA
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Fábio Balassiano

Quando comecei a acompanhar a NBA, aquele camisa 34 do Phoenix Suns me chamava a atenção. Baixinho (1,98m) para os padrões dos alas-pivôs gigantes da liga, até certo ponto flácido e sem o potencial físico apropriado, ele “deitava” nos grandões e pontuava com uma facilidade e uma ferocidade que assustavam muito. Era Charles Barkley, ou Sir Charles, um dos melhores e mais autênticos jogadores que a NBA já conheceu.

Com passagem também por 76ers (clube que o escolheu no Draft de 1984 na quinta posição – sim, o Draft de Michael Jordan, o terceiro) e Houston Rockets, Barkley ficou muito conhecido aqui no Brasil por causa de sua brilhante passagem pelo Phoenix Suns. E foi no ano de 1993 que ele teve uma de suas melhores partidas na NBA. E não foi em qualquer jogo, não.

Depois de perder os dois primeiros jogos em casa para os Lakers na abertura da primeira rodada dos playoffs, os Suns viraram contra os angelinos (3-2, vencendo o 3 e o 4 em Los Angeles), bateram os Spurs na segunda rodada e tiveram uma verdadeira briga de foice contra o Seattle Supersonics na final do Oeste. Com a série empatada em 3-3, tudo se decidiria no Arizona com Charles Barkley precisando dar uma resposta ao seu desempenho ruim do jogo 6 (4/14 nos chutes, apenas 13 pontos e três erros).

E ele deu. Barkley teve assustadores 44 pontos e 24 rebotes para guiar os Suns a vitória por 123-110 contra os Sonics naquele 5 de junho de 1993. Na final, porém, o Phoenix, mesmo com o mando de quadra, não suportou e perdeu do Chicago Bulls de Michael Jordan por 4-2.

Abaixo os melhores momentos do jogo 7 da final do Oeste com show de Sir Charles!


Especial 20 anos do Dream Team: depois de provocação, a resposta ao Brasil em quadra
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Fábio Balassiano

Há exatos 20 anos, a seleção brasileira de José Medalha entraria em quadra para enfrentar o Dream Team norte-americano. Mas antes de jogar em Badalona contra os EUA em 31 de julho de 1992, Marcel de Souza deu uma declaração não muito amistosa ainda no Pré-Olímpico de Portland ao dizer que os norte-americanos tinham ido a Espanha para passear e se divertir.

Quando perguntado sobre o que achara da frase de Marcel, Charles Barkley não teve dúvidas e disse: “Nos vemos amanhã na quadra, mas, pra mim, Marcel é nome de vinho. Nos vemos amanhã em quadra”.

E, bem, Barkley estava alucinado naquele 31 de julho. Sem sentir a ausência de John Stockton e Magic Johnson, ambos lesionados (Michael Jordan voltou a comandar as ações na armação com sete assistências), soltou os cotovelos nos rebotes (foram oito), defendeu como um louco (quatro roubos) e teve 30 pontos (12/14) em apenas 19 minutos na fácil vitória dos norte-americanos por 127-83 apesar dos 24 pontos de Oscar Schmidt (entrevistado de amanhã) e dos 16 de Paulinho Villas-Boas.

“Lembro-me que o nosso início foi muito bom, arrancando aplausos dos torcedores presentes. Porém com o desenrolar normal do jogo e com as trocas sucessivas de atletas deles a superioridade da equipe americana foi se consolidando. Mas o Barkley teve números fantásticos e foi o grande destaque deles”, disse José Medalha em entrevista ao blog.

Veja abaixo os melhores momentos da quarta partida do Dream Team nos Jogos Olímpicos de Barcelona.


Especial 20 anos do Dream Team: a estreia contra Angola e o melhor jogo jamais visto
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Fábio Balassiano

No dia 26 de julho de 1992, meu Tio Alberto me colocava na frente da televisão e dizia ao seu sobrinho de oito anos: “Você não vai entender nada, mas pode ficar vendo isso aí porque nunca mais vai ter igual. Só olha e aprende. Um dia você certamente vai me agradecer”, falava. O ‘isso aí’, no caso, era o Dream Team norte-americano, que há exatos 20 anos estrearia nas Olimpíadas de Barcelona com uma alucinante vitória de 116-48 contra Angola.

Pouca gente lembra, mas os jogos de basquete não foram disputados na cidade de Barcelona, mas sim no Palau Municipal d’Esports de Badalona, que fica, obviamente, em Badalona (Catalunha). Foram as primeiras Olimpíadas que atletas da NBA puderam participar e a primeira depois do fim da União Soviética. Doze seleções estavam divididas em dois grupos, e as oito melhores avançariam ao mata-mata.

Depois do Pré-Olímpico de Portland, os Estados Unidos foram treinar em Mônaco por seis dias. Eram duas horas de treinamento pesado, mas após isso havia muita jogatina, bebedeira e brincadeira no hotel em que os atletas estavam hospedados. No livro “The Dream Team” que estou lendo, o autor Jack McCallum conta que Michael Jordan só não era melhor no ping-pong que Christian Laettner, e que seu alvo favorito no esporte da raquete e bolinha era David Stern, comissário-geral da NBA.

E falando em Michael Jordan, há uma passagem sensacional dos treinamentos da equipe. Ele conta que no primeiro coletivo em Môncaco o técnico Chuck Daly entregou coletes para ele, Jordan, e Magic Johnson formarem suas equipes. O craque do Chicago convidou Pippen, Ewing, Malone e Bird, enquanto Magic teve Barkley, Laettner, Robinson e Mullin ao seu lado. Quando Daly gritou um “divirtam-se e façam o que sabem fazer melhor”, as feras voaram e fizeram, como conta Jordan no livro, “o melhor jogo da história do basquete que ninguém viu”. Seu time, o branco, venceu por 40-36, em uma partida que teve até confusão (não preciso dizer que Charles Barkley estava envolvido, preciso?).

Chegando a Barcelona, os Estados Unidos foram recebidos como grandes estrelas que eram na época. Muita gente comparava o aparato de segurança com o dos Beattles, tamanha era a devoção dos torcedores aos astros (há um caso engraçado de um fã que, dentro do restaurante em que os norte-americanos jantavam, seguiu Magic Johnson e pediu um autógrafo para o camisa 32 dos Lakers numa folha de papel toalha – no que foi atendido com um sorriso no rosto, diga-se).

Antes da estreia, na entrevista coletiva mais concorrida daqueles jogos, Charles Barkley cunhou uma genial frase sobre Angola, a rival do dia seguinte, quando perguntado sobre o que conhecia do adversário (veja vídeo abaixo): “Eu não sei nada sobre Angola, mas sei que eles estão completamente ferrados”, disse às gargalhadas.

Em quadra (o segundo vídeo contém os melhores momentos), os EUA realmente acabariam com Angola e veriam Charles Barkley, o único norte-americano que andaria por Barcelona a pé sem segurança nas ruas (“meu punho é meu melhor guarda-costas”, cansou de afirmar), começar o seu show particular naquelas Olimpíadas. O camisa 14 teve 24 pontos (a metade do que os africanos conseguiriam), seis rebotes, cinco assistências e uma falta técnica por derrubar um angolano depois do rebote de maneira bruta (depois da falta, Sir Charles riu, deu um abraço no rival e foi aplaudido pelo público).

Baita começo de jornada para os norte-americanos, não?

BARKLEY

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