Bala na Cesta

Arquivo : março 2017

‘Magic’ Nenê: brasileiro dá passe sem olhar em jogo do Houston – confira!
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Fábio Balassiano

O pivô Nenê, brasileiro há mais tempo na NBA (15 temporadas), vive grande fase no Houston Rockets. Ganhando cada vez mais tempo de quadra do técnico Mike D’Antoni e fechando os jogos, ele é peça fundamental na franquia texana que brigará pelo título do Oeste nos playoffs que começam em menos de 20 dias.

Ontem, na partida em que seu time perdeu do Portland Trail Blazers por 117-107, ele teve 14 pontos, 7 rebotes e 4 assistências em 23 minutos. Um de seus passes foi genial para Sam Dekker. Sem olhar ele encontrou o seu companheiro livre embaixo da cesta. Dá só uma olhadinha.


Sem playoff, a 3ª maior ‘seca’ do time e ‘corneta’ de Pippen em Phil Jackson – a crise do Knicks
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Fábio Balassiano

O New York Knicks entra em quadra hoje para enfrentar o Miami Heat na Flórida com uma única certeza: faltam sete jogos para acabar a temporada 2016/2017 do time na NBA. Com a derrota em casa para o mesmo Miami na quarta-feira a franquia nova-iorquina foi eliminada e não mais qualquer chance de chegar aos playoffs. A campanha fala por si só: apenas 28 vitórias em 75 jogos, antepenúltima posição na paupérrima conferência Leste e pela primeira vez desde 2013 sem vender 100% dos ingressos em todos os seus jogos no Madison Square Garden (a taxa de ocupação no campeonato está em 98%).

A crise é tão grande na Big Apple que a equipe ficará de fora do mata-mata pela quarta vez consecutiva, a terceira maior “seca” de sua história (não jogou a pós-temporada entre 1960 e 1966 e entre 2005 e 2010). O momento nova-iorquino rendeu críticas pesadas de Scottie Pippen, que foi treinado por Phil Jackson em Chicago (Jackson hoje é o presidente de operações de basquete do Knicks):

“Para ser honesto eu tiraria o meu antigo treinador, Phil Jackson. Acho que ele não colocou as peças certas na quadra. Dou muito crédito ao Carmelo (Anthony), que tem sido muito profissional. Mas essa equipe realmente não aconteceu desde que Phil desembarcou lá. Não houve qualquer hipótese de pensar que os New York Knicks seriam candidatos ao título, e eu me sinto mal por Carmelo ter que passar por isso. Tenho certeza que os fãs vão adorar ver Carmelo em Nova York e Phil, fora”, afirmou Pip em entrevista sem papa na língua a ESPN americana.

Phil Jackson chegou ao Knicks em 2014 com a missão de reconstruir a franquia. Após três temporadas, o que se vê é que o Mestre Zen, vencedor de 11 títulos como técnico, não tem tido sucesso com a franquia pela qual foi campeão como atleta na década de 70.


Técnico líder do NBB pelo Flamengo, José Neto fala pela primeira vez sobre seleção brasileira
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Fábio Balassiano

Atual tetracampeão do NBB, o Flamengo sacramentou nesta quarta-feira no ginásio do Tijuca, Rio de Janeiro, mais uma vez a primeira posição da fase de classificação do campeonato. Com uma atuação coletiva soberba, o rubro-negro fez 108-74 contra o Minas, chegou a 21 vitórias em 27 jogos e terá o mando de quadra até o final dos playoffs, onde buscará um inédito quinto título nacional consecutivo.

No final da partida conversei com o técnico José Neto sobre isso, mas também sobre os rumores que circulam no basquete brasileiro de que ele, assistente técnico da seleção há mais de uma década e multicampeão com o Flamengo, não será o técnico da seleção brasileira. O nome mais cogitado é o de Guerrinha, treinador de Mogi e que participou de forma ativa da campanha do recém-eleito presidente da Confederação Guy Peixoto. Foi a primeira vez que Neto falou sobre o tema.

BALA NA CESTA: Quão importante para o Flamengo é conseguir mais uma vez o mando de quadra nos playoffs do NBB? Nos últimos anos o seu time se acostumou a jogar quase sempre com o mando de quadra e tem ajudado na conquista dos títulos.
JOSÉ NETO: É importante, e o mérito total é deles, atletas. Eles compreenderam completamente a maneira de jogar, o nosso propósito, a metodologia. Esta temporada foi muito difícil pra gente. Tivemos novos atletas, lesões, problemas, mas a dignidade e o caráter que este elenco possui merecem ser exaltadas. Fico muito orgulhoso de fazer parte de um grupo de seres humanos tão especial. Estou contente porque precisávamos dessa vitória para atingir o primeiro lugar e estou muito feliz.

BNC: Neto, este é um assunto quase que inevitável. Recentemente começaram alguns rumores sobre o novo técnico da seleção brasileira e inacreditavelmente seu nome não tem sido nem cogitado. Não há nada confirmado, mas o barulho é grande e você sabe disso. Já escrevi que acho isso um absurdo, por tudo o que você tem feito, primeiro como assistente há mais de uma década na equipe nacional e sobretudo com conquistas relevantes no Flamengo, mas queria ouvir de você o seu sentimento em um momento como este.
NETO: Olha, Fábio, é a primeira vez que vou falar neste assunto, hein. Durante este tempo todo de seleção, desde 2004 até hoje como assistente, eu construí um patrimônio com o meu trabalho. Já é o terceiro presidente da CBB, já que antes do Guy Peixoto vieram o Grego e o Carlos Nunes, já passaram três técnicos, o Lula Ferreira, o Moncho Monsalve e depois o Rubén Magnano, e posso dizer que neste período todo eu construí muitas coisas com o meu trabalho. É por isso que fiquei este tempo todo na seleção. Só por isso e nada mais. Eu sou muito ruim de fazer política. Por isso invisto muito em construir o meu patrimônio única e exclusivamente através do meu trabalho, do meu dia a dia. Vai acontecer o que tiver que acontecer. Isso é uma coisa que não depende de mim, que não posso controlar. É uma coisa inclusive que eu falo muito com os jogadores: Vamos focar naquilo que depende da gente”. Acho que fazer o melhor para o basquete brasileiro, seja na seleção ou seja no meu clube, é uma missão que eu tenho para retribuir a esta modalidade tudo aquilo que ela me deu. Estou bastante tranquilo quanto a isso. É uma decisão que vai ser tomada pelo bem do basquete brasileiro, tenho certeza disso. Então, tal qual aconteceu nas outras vezes em que o presidente da CBB mudou, eu não vou ficar me preocupando muito com isso. Preciso focar no meu trabalho com o meu clube, o Flamengo.

BNC: Neto, eu sei, mas é tudo um pouco diferente agora, não? Você está se preparando para assumir uma seleção brasileira há 12 anos, que como você disse é o tempo em que é assistente da equipe nacional, tem ganho tudo pelo Flamengo e é reconhecido por atletas, torcedores e crítica. É diferente das últimas vezes, não?
NETO: Olha, eu aprendi muito com os técnicos que passaram pela seleção e dos quais me orgulho de ter sido assistente. Com Lula, Moncho e depois com o Magnano. Aprendi muito com todos eles e o reflexo disso é o que está acontecendo com o Flamengo. Cheguei aqui muito contestado, como um treinador que nunca tinha tido uma conquista de expressão, e estamos dando resultado. Isso mostra um pouco da capacidade de armazenar aquilo que você vai aprendendo. Não só na seleção adulta, mas também na seleção de base, por onde passei. No clube trabalhei com atletas experiente, renomados, outros que estão na NBA (Cristiano Felício), campeão olímpico (Walter Herrmann), outros na Europa (Vitor Benite) e isso tudo vai dando uma bagagem para utilizar no momento certo. Meu foco é o Flamengo, Fábio. O dia que surgir a oportunidade de um dia ir para a seleção eu vou pensar com muito carinho.

BNC: Você já consegue relaxar em quadra, ou seja, aproveitar, apreciar o jogo? Ou como técnico, com o seu nível de exigência, isso é impossível?
NETO: É impossível. Tenho tentado ficar mais calmo, mas tranquilo, de forma alguma. Juro que eu tento, mas eu não consigo. Cada lance é importante. E eu cobro isso do jogador. Se eu cobro do cara que cada lance é importante, eu preciso mostrar isso para ele do lado de fora da quadra. Não dá pra ser relaxado em um lance e tenso em outro. Eu vivo cada momento intensamente. Preciso ter um pouco mais de controle, saber apreciar o jogo, mas isso é natural de quem quer vencer e conquistar cada vez mais com este clube.


Warriors iguala outro recorde do Bulls de Michael Jordan – entenda o tamanho do feito
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Fábio Balassiano

Em uma partida incrível ontem à noite no Texas o Golden State Warriors teve 29 pontos e 11 assistências de Steph Curry, venceu o San Antonio Spurs por 110-98 depois de perder o primeiro período por 33-17, chegou a 61 vitórias em 75 jogos, manteve a melhor campanha da NBA e abriu vantagem contra o próprio Spurs, que agora tem 57-17, na liderança da conferência Oeste. Como detalhe, vale dizer que esta foi apenas a segunda vitória em partidas de temporada regular do Warriors em San Antonio nos últimos 36 confrontos. E este não foi o único feito atingido por Steph Curry, Klay Thompson e companhia nesta semana.

Se na temporada passada o Golden State Warriors bateu o recorde de vitórias da NBA, alcançando 73 vitórias e superando por uma o feito do Chicago Bulls de 1996, nesta semana a franquia de Oakland igualou um feito que apenas outros quatro times na história de mais de 60 anos da liga haviam obtido: conseguir 60 ou mais vitórias em pelo menos três temporadas consecutivas da NBA (veja quadro ao lado).

A última equipe a chegar a tal marca foi justamente o Bulls de Michael Jordan no segundo tricampeonato (entre 1996 e 1998). As outras foram o Boston Celtics (em duas oportunidades), o Milwaukee Bucks e o Los Angeles Lakers (conseguiu a proeza de chegar a quatro campeonatos seguidos com 60+ triunfos).


Westbrook consegue triplo-duplo com maior número de pontos da história da NBA
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Fábio Balassiano

Em mais um movimento de sua temporada histórica Russell Westbrook adicionou um capítulo “surreal” na noite desta quarta-feira na Flórida. Com o Oklahoma City Thunder perdendo por 21 pontos o armador comandou a histórica reação de sua equipe (a maior da franquia desde que se mudou de Seattle para Oklahoma) e levou o seu time a vitória por 114-106 (32-20 no último período). De quebra, anotou uma bola de três quase do meio da quadra nos últimos dez segundos para levar o duelo para o tempo extra. Com o triunfo o OKC chegou a 43 vitórias em 74 jogos, se garantiu no playoff e sacramentou mais uma temporada com mais vitórias que derrotas.

Mas não foi só isso, não. Russ fechou o jogo com inacreditáveis 57 pontos, 13 rebotes e 11 assistências, cravando o seu trigésimo-oitavo triplo-duplo na temporada (está a apenas 3 de igualar o recorde histórico de 41 de Oscar Robertson em 1961/1962) e obtendo o triplo-duplo com maior número de pontos nos mais de 60 anos desde a criação da NBA (antes o recorde pertencia a James Harden, rival de Westbrook na luta pelo troféu de MVP da temporada 2016/2017, que obteve 53 pontos, 16 rebotes e 17 assistências em 31/12/2016).

Russell Westbrook mantém os inacreditáveis números de 31,4 pontos, 10,4 assistências e 10,5 rebotes. Vale lembrar que apenas Oscar Robertson, na mesma temporada 1961/1962 citada anteriormente, conseguiu finalizar a fase regular da NBA com MÉDIA de triplo-duplo (30,8 pontos, 11,4 assistências e 12,5 rebotes). Como curiosidade, naquele ano o melhor jogador da temporada (MVP) foi Bill Russell, do Boston Celtics. Naquele ano, Robertson ficou na terceira posição da votação (Wilt Chamberlain terminou em segundo).

Abaixo a bola de Westbrook “do meio da rua” que levou a partida para a prorrogação.


Brilhante no basquete e agora no futebol australiano – a incrível vida de Erin Phillips
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Fábio Balassiano

A australiana Erin Phillips tem uma carreira consolidada no basquete. Já são nove anos na WNBA, onde conquistou dois títulos (2012 e 2014), uma medalha olímpica (2008), um título mundial (2006, no Brasil) e o bronze no Mundial de 2014. Para melhoras as coisas, em novembro de 2016 ela tornou-se mãe dos gêmeos Blake e Brooklyn, fruto de seu relacionamento com a também jogadora Tracy Gahan.

Tudo indo bem, tranquilo, mas no final da temporada da WNBA, onde defendeu o Dallas Wings em 2016, e das Olimpíadas do Rio de Janeiro com a seleção australiana Erin afirmou que queria tentar algo diferente. Ela queria jogar Futebol Australiano, modalidade parecida com Rugby. Conversou com seu pai, Greg, que praticou o esporte por muito tempo e decidiu entrar de cabeça nos treinamentos do Adelaide Crows para surpresa de muitos.

Phillips ligou para o Dallas, informou a sua decisão e não foi proibida pela franquia, que lhe disse apenas que acidentes esportivos causados em outra modalidade não teriam a cobertura da equipe da WNBA. O contrato, portanto, poderia ser rescindido em caso de lesão. Erin entendeu, medir prós e contras, conversou com a família e foi ser feliz. Durante a gravidez de Tracy optou por não jogar na Europa, como fazem 90% das atletas que jogam por apenas cinco meses na liga norte-americana, e foi treinar com o Adelaide rumo a temporada 2017 do Futebol Australiano. Seria mais um desafio na vida profissional da atleta de 31 anos, 1,76m e uma das mais carismáticas da seleção australiana neste século.

E como começou a temporada? Com Erin jogando uma barbaridade neste sábado diante de 15 mil pessoas que lotaram o Metricon Stadium, em Adelaide. Phillips fez seu pai se emocionar ao ver a filha ser eleita a melhor em campo na vitória do seu time por 35-29 contra o Brisbane Lions na abertura da liga local. Vestindo a mesma camisa 13 que lhe fez famosa e bem sucedida no basquete, ela falou com o site do Crows após a partida:

“É realmente muito especial compartilhar este momento com o meu pai. Ele tem uma história no time da cidade, tendo jogado mais de 300 vezes com a camisa dessa equipe. Por isso tudo este sábado foi muito emocionante para ele e para mim também. Jogar pela primeira vez profissionalmente o Futebol Australiano, sair com a vitória e ainda mais receber essa medalha de melhor jogadora me traz uma sensação incrível. Meus filhos ainda não entendem muito bem o que aconteceu aqui, mas é bom tê-los por perto também”, contou ao site do Adelaide”, que jogou na adolescência por lazer o esporte para retomar apenas há seis meses de forma oficial: “A verdade é que, apesar de nunca ter jogado de forma profissional, eu sinto que nunca estive longe do jogo”, disse Erin.

Está aí um caso raro de atleta que consegue ser muito boa em dois esportes tão diferentes. Que vida incrível a de Erin Phillips, hein! Abaixo os melhores momentos dela na estreia da liga australiana neste sábado.


Técnico mais jovem do NBB, Bruno Savignani se destaca e quer título em Brasília
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Fábio Balassiano

Bruno Savignani completou 35 anos nesta segunda-feira com muito a comemorar. Muito jovem, ele é técnico há um ano e meio do fortíssimo time de Brasília, que no sábado venceu Bauru por 92-89 para chegar a 18 vitórias em 26 jogos e se manter na terceira posição posição do NBB, e foi eleito para ser o treinador no Jogo das Estrelas do Ibirapuera de duas semanas atrás.

Natural de Goiânia, Bruno é casado há 10 anos e rodou o mundo com a bola de basquete debaixo do braço. Começou aos 9 anos no Joquei Clube goiano, aos 14 estava no Pinheiros, em São Paul e no começo de sua vida profissional jogou como armador no América, do Rio de Janeiro. Logo depois retornou para a sua cidade-natal, onde atuou por três temporadas no Ajax de Alberto Bial. Quando conseguiu a sua cidadania europeia decidiu voar mais alto. Passou quatro anos na Itália e outro na França em divisões menores vendo outro lado do jogo e sobretudo ganhando bagagem cultural e pessoal.

No retorno ao país Bruno foi jogar em Caxias do Sul para o técnico Rodrigo, que até hoje mantém o projeto que está no NBB. Após seis meses foi para Barueri, onde foi dirigido por Marcel de Souza. Logo depois foi para a capital federal, onde sua vida de mudanças encontrou um porto seguro. Comandado por José Carlos Vidal, foi campeão da Liga Sul-Americana e logo depois do NBB em 2010/2011. Logo depois da temporada o técnico lhe chamou para uma conversa: “Bruno, se você quiser continuar jogando eu renovo com você, mas acho que você tem muito mais a acrescentar ao time trabalhando comigo na comissão técnica. Topa?”. Decidido a terminar os estudos em educação física e a se estabelecer no lugar onde a família de sua esposa mora, Bruno topou. Ficou quatro anos auxiliando e sendo preparado por ele, outro com o argentino Sergio Hernandez e na temporada passada assumiu o comando técnico de um projeto que tem investimento e pressão altos. Conversei com ele sobre tudo isso.

BALA NA CESTA: Hoje a gente vê muito técnico que para de jogar e logo depois vira técnico principal. Quão importante foi ter passado por todo o aprendizado de auxiliar durante quatro anos para você se tornar um treinador principal tão promissor quanto você está se tornando?
BRUNO SAVIGNANI: Sem dúvida alguma foi muito importante. Sem querer apontar pra dizer o que está certo ou errado, porque cada um tem o seu caminho, mas acho fundamental. O Vidal sempre me deu muita liberdade e confiança, e aí eu tive muita coisa pra fazer como auxiliar. Depois tive oportunidade de trabalhar com o argentino Sergio Hernandez. Em termos de bagagem técnica e tática, aprendi muito, vi o jogo de outra maneira e observei muito tanto do Vidal quanto do Hernandez essa questão de a gestão de pessoas. Hoje, na forma como eu lido com os meus jogadores, tem este aprendizado, da estrada que tive com todos os técnicos que passei. Agradeço muito ao Vidal por ele ter me preparado para assumir o lugar dele. Ele que abriu as portas para mim. Em algum momento ele viu alguma coisa que eu mesmo não sabia que tinha. Tive a sorte de ter trabalhado com ele. Basquete é minha vida. Desde os 9 anos eu sonho e vivo do basquete. Sou um apaixonado por basquete. De vez em quando, lá em casa, estou vendo Euroliga no computador, NBA na televisão, campeonato argentino no celular, estudos do NBB. Minha esposa fica doida e eu sempre digo: “Só mais esse jogo”.

BNC: Por isso no Jogo das Estrelas a gente te viu o tempo todo com sorriso no rosto, né? É uma coroação de uma trajetória longa, não?
BRUNO: Olha, eu me sinto muito honrado de ter dirigido o NBB Brasil neste Jogo das Estrelas tão especial. Confesso a você que não esperava ter sido votado, já que temos muitos técnicos consagrados e renomados por aqui. Não trabalhei para isso, porque isso é uma consequência, e sou muito feliz porque eu estou aqui devido ao meu time. O técnico é reconhecido por causa do resultado final do time. É consequência. Não tem sucesso de técnico se não houver sucesso de técnico. Agradeço muito a eles e também a minha comissão técnica. O Brenno, assistente e que jogou comigo no Pinheiros, está comigo em Brasília e tem um temperamento muito diferente de mim. Vem para complementar aquilo que não tenho. Além deles, Paulão, Carlinhos e Carlos são fundamentais neste processo todo.

BNC: Como é ser técnico de jogadores que você atuou junto? E como é ser técnico de jogadores tão experientes como Fúlvio?
BRUNO: Comecei como assistente, era difícil a transição com o mesmo elenco, ainda mais com jogadores consagrados como Alex, Nezinho e Giovannoni, de quem era companheiro. Nesse processo de transição foi importante ter passado por aquele grupo. Eu só tenho a oportunidade de trabalhar com estes caras. Eles me ajudam muito, mas sobretudo nos respeitamos. Não posso querer impor respeito a ninguém. Eu preciso conquistar respeito através das minhas condutas e principalmente de conhecimento. Quando você pega jogadores mais velhos eles já viveram muita coisa, já passaram muita coisa. É natural que eles vão te perguntar, questionar, trocar ideia. Se você não estiver preparado, vai ter dificuldade. Desde assistente o Vidal já me dava muita liberdade, eu já comandava algum treino, essas coisas. Então os jogadores sabiam que tinha alguma coisa, conhecimento, e passam a respeitar. Isso aprendi muito com o Hernandez também. Ele tinha resposta pra tudo, tudo. Os jogadores olham e pensam: “Caramba, o cara sabe”. Através disso a nossa convivência, o nosso respeito, cresce. Estamos construindo uma relação bem linda. O processo de aprendizado no basquete é infinito.

BNC: A outra é: como começar de técnico em uma equipe que já briga por título? Não dá muito pra ter tempo, né…
BRUNO: Me sinto um privilegiado. De verdade. Por estar em uma equipe como Brasília, multicampeã e que segue brigando por título. Isso é uma benção, e tenho uma gratidão muito grande. Tem vezes que os técnicos são muitos bons mas nem sempre têm condição, ou sorte, de dirigir times que vão brigar por títulos. Eu sou muito competitivo. Isso é da minha formação. Quero ganhar sempre. A mentalidade da equipe essa, a minha também e isso tudo acaba confluindo para uma maneira bacana de atuarmos. Temos que jogar o NBB pra ganhar, esse é o ponto. Por isso vibro tanto com a minha equipe durante os jogos. Quero vencer tudo, Bala. Se fizermos um par ou ímpar aqui, quero ganhar. Uma disputa de arremessos, idem. Partidas oficias e campeonatos também. É assim que vejo o basquete e minha profissão. Tudo pela vitória, tudo pata ganhar.

BNC: Como está Brasília para essa reta final? O foco de vocês sempre está no título, né? Qualquer coisa menos isso não é bem recebido lá na capital…
BRUNO: Como em todo campeonato longo, com muitas viagens, desgaste e lesões, há uma oscilação natural. Houve muito perde e ganha, e nós acabamos perdendo algumas partidas que não poderíamos perder. Bauru teve o momento dele, o Flamengo, Mogi muito bem agora. Nós somos a única equipe que ainda não perdeu 3 vezes seguidas no campeonato. Dentro dos altos e baixos normais nós estamos dentro da naturalidade. Falta pouco para acabar a fase regular, e agora é o momento de criarmos uma mentalidade de playoff. Isso é o mais importante no momento. O grupo está consciente, estamos fechados entre nós e o ambiente está ótimo. Antes estávamos sem brigar lá em cima por muito tempo, e ano passado chegando a semifinal isso reacendeu na torcida.

BNC: Como é o Bruno fora do basquete e quais as suas aspirações na modalidade?
BRUNO: O tempo que sobra é da minha esposa, né? Casei com 24, estou há 10 anos. Amamos série, vejo muito Netflix. Vi Homeland inteira, a do OJ Simpson também. Recebo muitos amigos em casa. Música eu escuto de tudo, mas não tenho essa necessidade de estar com fone de ouvido para ouvir. Samba de raiz eu adoro. Sobre as aspirações, escutei uma vez do próprio Sergio Hernandez o seguinte: “Você precisa olhar para o seu futuro e invista sempre. Isso é o que vai te preparar e te fazer melhor”. Ano passado acabou o campeonato e passei uma semana com o Julio Lamas, no San Lorenzo, da Argentina. Aprendi muito, ele é fera. Penso também passar uns 15 dias na Europa. Em termos de aspiração, preciso estudar e me preparar cada vez melhor. Quero ser cada vez melhor nisso que eu me propus a fazer.


Vídeo mostra como jovem Devin Booker ‘copia’ jogadas do ídolo Kobe Bryant – confira!
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Fábio Balassiano

“Devin Booker tem uma mentalidade rara para esse esporte. Joguei contra ele apenas na temporada passada, mas você consegue sentir como ele está em uma intensidade fora do normal na quadra rapidamente. Eu era assim também e é bom ver que Devin quer se superar a cada dia”.

A frase acima é de ninguém menos que Kobe Bryant sobre Devin Booker, ala de 20 anos que assombrou o mundo na semana passada ao anotar 70 pontos contra o Boston Celtics. Kobe esteve no domingo na rede norte-americana ABC e falou muito sobre o ala do Phoenix Suns.

“Sei que ele tem uma série de coincidências que me envolvem, eu vi isso tudo na internet (veja quadro ao lado), mas ele não deve se preocupar com isso. Eu não queria ser igual ao Michael Jordan. Eu queria apenas ser melhor que meu ídolo. Logo, e eu sei que ele me admirou muito durante sua adolescência, ele não precisa ser igual a mim ou a Jordan ou a qualquer outro, mas sim tentar superar a quem ele mais gosta. Esta é a única dica que dou pra ele”, finalizou.

Kobe Bryant sabe, porém, que as comparações são pra lá de inevitáveis. Além do tênis que foi dado por ele para Devin Booker exatamente há um ano onde se lia a frase “Seja uma lenda”, no fim de semana, logo depois do jogo de 70 pontos de Booker, a maior pontuação da NBA desde os 81 pontos de… Kobe Bryant, o Bleacher Report divulgou um vídeo mostrando quão parecidos são os movimentos ofensivos e as feições do jogador do Phoenix em relação ao que o agora ex-atleta do Lakers fazia na quadra. Dá só uma olhadinha.

Se ainda não dá pra comparar, e seria até injusto com Booker, que joga em um time que nunca conquistou sequer um título (não vai ao playoff desde 2010) e que está apenas no princípio de sua vida profissional, dá pra dizer que as médias do garoto de 20 anos e em seu segundo ano na liga já são bem melhores do que as de Kobe Bryant quando entrou na NBA na década de 90. O camisa 1 do Suns teve 13,8 pontos em 2015/2016 e possui, agora, 21,6. Ainda usando a camisa 8 do Lakers Kobe obteve 7,6 em 1996/1997 e 15,4 no campeonato seguinte.

Logo depois do seu feito contra o Boston na sexta-feira Booker fez questão de demonstrar reverência ao ídolo: “Vi uma entrevista recente do Kobe em que ele falava que o que o diferenciava dos demais atletas é que a maioria pensava que fazer 25, 30 pontos era suficiente. Para ele, não. Se deixassem, ele faria 100. Kobe nunca colocou limites para si mesmo e é assim que tento ser também. Aprendi muito vendo-o jogar e sigo aprendendo com seus conselhos”, disse o aluno.

Booker tem um longo caminho pela frente e sabe que ainda está longe de poder frequentar o mesmo hall dos mitos do basquete do qual Kobe Bryant faz parte. Mas aos 20 anos e com “golpes” ofensivos tão apurados está muito claro que o mundo do basquete deve ficar de olhos bem abertos para este que tem tudo para ser um dos sucessores daquele que foi um dos melhores jogadores da NBA pós-Jordan.


Novamente comandando jovens, Gustavo de Conti mantém excelente trabalho no Paulistano
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Fábio Balassiano

Na sexta-feira estive em São Januário para comentar pela Rádio Globo a partida entre Vasco e Paulistano. No final das contas vitória do time de São Paulo por 82-67 sem grandes sustos. Os vascaínos estavam afobados, marcando mal o perímetro (13 bolas convertidas pelo rival, a maioria delas sem marcação) e sem inspiração no ataque.

Do outro lado pude ver mais uma vez um time jovem com potencial físico incrível para os padrões nacionais, organizado, sabendo exatamente o que fazia com a bola nas mãos e variando a defesa a cada segundo. Mérito total de Gustavo de Conti, excepcional treinador de 37 anos que mais uma vez volta a trabalhar com um grupo de atletas ainda em formação.

Na sexta-feira quem brilhou foi Lucas Dias, que anotou 19 pontos (cinco bolas de três convertidas), mas foram muito bem também os dois armadores (o titular, Georginho, saiu-se com 9 pontos e 6 assistências, e o reserva, Arthur Pecos, teve 5 pontos, 7 assistências, 6 rebotes e um controle de jogo absurdamente bom), os alas (Eddy, com 8 pontos, Jhonathan, com 15, e Mogi, com 7, se destacaram) e também os pivôs (Renato conseguiu cinco rebotes ofensivos). Foi uma atuação completa de um time que, como todo elenco jovem, ainda é muito instável (por isso a campanha de 14-12), mas talentoso ao extremo. No campeonato, 10 jogadores atuam por 15+ minutos e 8 deles possuem 8+ pontos de média, algo que mostra bem o espírito altruísta da equipe.

Noves fora manter de novo o time com campanha positiva na história do NBB, algo que acontece desde a temporada 2011/2012, Gustavo tem conseguido algo raríssimo no país: fazer suas equipes jogar de maneira completamente diferente de um ano para o outro. Quem acompanha basquete nacional há algum tempo lembra de ter visto o Paulistano com Dawkins e Holloway, os dois armadores norte-americanos, fazendo chover no perímetro. Agora, menos de um ano depois que a dupla foi dissolvida, o espaço é ocupado por Georginho, um dos mais comentados atletas dessa geração (estará em entrevista neste espaço ainda esta semana), Mogi e Arthur Pecos. Jovens e com estilos completamente distintos – mais velozes, mais físicos, mais atléticos, melhores defensores, mas com menos arremesso. Na ala saiu o jogo cerebral de Henrique Pilar para a chegada de Lucas Dias. Também jovem, com muito a aprender. No pivô o time perdeu com os pontos de Caio Torres, mas ganhou em mobilidade com o argentino Hure.

A metamorfose do Paulistano é imensa desde que foi vice-campeão do NBB em 2014 (perdeu a final em jogo único para o Flamengo). O time não foi bem no ano seguinte, em 2015/2016 fez estupenda campanha na fase regular (20-8) mas caiu nas quartas-de-final para o experiente Brasília. Era hora da diretoria mudar a rota, voltando ao que fazia com maestria – trabalhar com jovens talentos em buscam espaço.

Com o estudioso e corajoso Gustavo de Conti o Paulistano tem conseguido encarar todos de igual para igual no NBB ao mesmo tempo em que desenvolve jovens talentos e se classifica para mais um playoff. Dá gosto de ver um grupo tão novo jogando tão bem, tão determinado, tão destemido, tão livre assim.


Os motivos que explicam a queda do Cavs, que está perto de perder a liderança do Leste
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Fábio Balassiano

No sábado o Cleveland Cavs jogou em casa logo depois de LeBron James, o astro da equipe, pedir um pouco mais de firmeza aos seus companheiros. Segundo LeBron, o time precisava reagir e demonstrar um pouco mais de força, sobretudo defensiva. O jogo contra o Washington veio e os piores temores do camisa 23 se concretizaram: a marcação foi tenebrosa, cedeu 127 pontos e o Cleveland, jogando muito mal, perdeu em casa novamente (127-115).

Na entrevista coletiva, Ty Lue, o técnico, fez questão de colocar panos quentes e evitar um começo de crise, mas a verdade é que a situação do Cleveland inspira cuidados, sim. O time tem 47-25, enfrenta o San Antonio Spurs hoje fora de casa (21h, com Sportv) e está pertinho de perder a liderança da conferência Leste para o Boston Celtics, que ontem bateu o Miami Heat e chegou a 48-26. Como tem 2-1 no confronto direto contra os verdes, o Cavs tem um jogo de vantagem em relação ao time de Isaiah Thomas, o craque baixinho dos celtas. Mas, afinal, o que tem explica a queda de produção da franquia de Ohio?

Em primeiro lugar é fundamental falar da defesa. Tudo bem que as marcações da NBA atual são, de modo geral, frágeis, quase que inofensivas, mas nenhum time que quer ser campeão pode ceder tantos pontos assim como o Cleveland vem cedendo. Se em 2015/2016, quando conquistou o título, os Cavs permitiam apenas 98,3 pontos e 44,8% de conversão nos arremessos dos rivais, em 2016/2017 os números saltaram para 106,9 e 46,8%. Muita coisa.

Sendo justo, é importante citar os desfalques do técnico Ty Lue. Neste mês o Cleveland tem 6 vitórias em 14 jogos. Seus rivais diretos pela primeira posição no Leste, ao contrário, estão muito bem. O Boston tem 8-4. Washington Wizards, 7-3. Toronto, 6-5. Depois do All-Star Game (19 de fevereiro), a queda do Cavs, que teve desfalques de LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love retornando de cirurgia no joelho, é ainda mais acentuada. São apenas 8 vitórias em 17 jogos, a décima-sexta melhor campanha de toda liga no período. Neste mesmo espaço de tempo o San Antonio Spurs teve 13-3, Wizards, 11-7, o Raptors, 11-5 e o Celtics, 10-6. Perto dos playoffs, quando as franquias buscam ganhar confiança, o Cavs está justamente na direção oposta.

Por fim, vale falar sobre a dependência da equipe para com o trio formado por LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love, certamente uma das melhores combinações da NBA atual. É óbvio que as bolas, e as ações ofensivas, vão mesmo passar pelos três melhores jogadores do Cleveland, mas nesta temporada a dependência do trio se acentuou. Em 2015/2016 eles respondiam por 60,9 ou 57% dos pontos totais do Cavs. Neste campeonato, até o momento, 71,1 e 65% do total. E neste ano o elenco é bem melhor, recheado de armas novas como Deron Williams, Kyle Korver e Derrick Williams.

O sinal amarelo está ligado em Ohio, mas o mais incrível disso tudo, e compreendendo a irritação de LeBron James com a performance de seus companheiros nos últimos jogos, é que mesmo assim o Cleveland ainda é o grande favorito ao título do Leste.

Time por time, os Cavs ainda são muito superiores em relação a Boston, Washington e Toronto, os únicos que ao meu ver têm condições de minimamente fazer confrontos de sete jogos de playoff duros contra os atuais campeões da NBA.