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Fiel a seu estilo, Spurs 'relógio' continua brigando no topo do Oeste

Fábio Balassiano

22/12/2016 06h20

Após 28 jogos na temporada 2015/2016 o San Antonio tinha a campanha de 23 vitórias e cinco derrotas. Em 2016/2017, com o mesmo número de jogos, adivinhem qual é o retrospecto dos texanos na NBA? Sim, 23 triunfos em 28 partidas. Jogando da maneira que caracteriza a equipe há duas décadas, o Spurs, que hoje enfrenta o Los Angeles Clippers fora de casa, está na vice-liderança do Oeste, atrás apenas do Golden State Warriors (25-4), e vem de sequência de nova confrontos vencidos nos últimos dez embates.

Se no começo do campeonato Gregg Popovich soltou o cachorro em cima de seus atletas, reclamando do comprometimento, da falta de ética profissional e outras coisas, como na vitória contra o Dallas mesmo (mais aqui), agora aparentemente a situação está mais controlada. As sete novas peças (entre elas estão David Lee, Pau Gasol, Nicolas Laprovittola, Dewayne Dedmon e Davis Bertans) estão compreendendo mais a filosofia da franquia que tem o excepcional índice de 0,61 assistência por arremesso convertido (aula de basquete!) e que permite apenas 33% dos arremessos de três pontos sendo convertidos pelos rivais. No ataque, o mesmo relógio citado no parágrafo anterior: se em 2015/2016 eram 104 pontos por jogo e 48,4% de conversão nos tiros de quadra, em 2016/2017 são 104 pontos e 47% (números idênticos).

A teoria Popovichiana é linda, mas obviamente só dá certo porque há jogadores excepcionais para executá-la. Além de Tony Parker e Patty Mills, que se revezam muito bem na armação (eles somam 21 pontos e 8 assistências por noite) e Manu Ginóbili, que traz qualidade vindo do banco (o argentino de 39 anos, que possui 7,8 pontos de média, descansará até o Natal para repousar as pernas), destacam-se os pivôs titulares. LaMarcus Aldridge tem 16,6 pontos em 32 minutos por jogo, suas menores médias na carreira desde o ano de calouro. O mesmo acontece com Pau Gasol, que tem 11,8 pontos em módicos 26,3 minutos por noite. Não deve ser fácil para atletas que sempre tiveram papéis essenciais nos planos de jogo de suas equipes se adaptar a isso, mas eles sabem que a franquia funciona assim – todos jogam, o playoff é uma certeza e na pós-temporada o corpo estará descansado. De longe, Gasol parece compreender melhor isso. Aldridge, craque no Portland e pouco notado no "low-profile" Spurs, quase sempre parece estar desconfortável com isso, mas ao menos nunca verbalizou nada de ruim.

O craque, craque mesmo da franquia no momento, chama-se Kawhi Leonard. Acrescentando sempre uma coisinha diferente ao seu jogo a cada temporada, o camisa 2 veio para a temporada 2016/2017 disposto a se manter entre os melhores da NBA. Está quase perfeito nos lances-livres (92%), muito bem nos roubos de bola (2 por jogo) e cada vez mais seguro no ataque. São 23,9 pontos, 46,8% nos arremessos de quadra e 38% nos tiros de três pontos. Dono de potencial físico descomunal, Leonard tem convertido cada vez mais seus pontos de dentro do garrafão (16% de suas tentativas vêm assim) e em bolas de costas para a cesta (1,18 pontos por posse de bola desta maneira). Há um número meio incrível, que é o de defesa: o Spurs sofre potencialmente menos 13 pontos por 100 posses de bola quando ele está FORA de quadra em relação aos momentos em que ele está DENTRO dela. Certamente a comissão técnica da equipe irá analisar isso e desvendar o porquê disso, já que Leonard sempre se caracterizou por ser um excelente defensor.

Assim vai o Spurs para mais uma temporada com mais de 60 vitórias e disposto a desafiar o Golden State Warriors pelo título do Oeste. Se falta o poder de fogo de Kevin Durant, Klay Thompson e Steph Curry ou a intensidade de Draymond Green ou Andre Iguodala, sobram ao time texano organização e o melhor técnico da NBA.

Como recomenda-se há 20 anos, é bom manter os olhos bem abertos no San Antonio Spurs.

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