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Boa surpresa, Pistons tenta voltar ao playoff depois de 7 anos

Fábio Balassiano

11/01/2016 01h03

O Orlando Magic que chegou à final da NBA em 2009 (perdeu do Lakers na decisão por 4-1) tinha uma maneira muito peculiar de jogar (à época, porque hoje está muito, digamos, na moda): um armador baixinho muito rápido, três alas abertos (e bem espalhados) em volta do garrafão e um pivô gigantesco perto da cesta. A formação, conhecida por aqui como "quatro abertos", deu muito certo com Jameer Nelson distribuindo o jogo para Courtney Lee/Mickael Pietrus, Hedo Turkoglu e Rashard Lewis nas alas e com Dwight Howard pronto para todos os abates nas cercanias da tabela. Foram 59 vitórias, um playoff maravilhoso eliminando Celtics e Cavs e um basquete fluído, com bastante espaçamento entre os atletas, algo bacana de ver.

O tempo passou e o comandante daquela equipe faz praticamente a mesma coisa no Detroit Pistons na temporada 2015/2016 da NBA. Com a missão de retormar os dias de glória no lugar de Joe Dumars, o figuraça Stan Van Gundy , que não é muito polido, logo que chegou a Michigan na temporada passada falou que precisaria mudar muita coisa para voltar a animar uma torcida que não vê o time nos playoffs desde 2009 (não vence uma série de pós-temporada desde 2007/2008 aliás).

Como técnico e presidente de operações da franquia, arregaçou as mangas e começou a trabalhar. Despachou Josh Smith e seu milionário contrato sem a menor cerimônia, trocou para ter Reggie Jackson (armador baixinho e rápido) em seu elenco, não fez muita questão de segurar Greg Monroe (pivô) e focou em conseguir uma boa dupla de alas para este campeonato. Não são craques, mas Van Gundy conseguiu no mercado o turco Ersan Ilyasova (em uma troca com os Bucks) e o gêmeo Marcus Morris (em outra troca com o Phoenix). Estava pronto um time ao menos para brigar por playoff nesta temporada.

Usando o Orlando Magic de 2009 como espelho tático, Stan Van Gundy, que perderia o armador titular Brandon Jennings por lesão até o final de 2015, não teve dúvida: deu a chave do carro para o espevitado Reggie Jackson na armação (um Jameer Nelson com motor melhor, digamos assim), abriu o útil Kentavious Caldwell-Pope em uma ala (marca bem, tal qual Pietrus e Lee, e ataca muito bem também), jogou Morris (Hedo Turkoglu) e Ilyasova (Rashard Lewis) nas outras e liberou o garrafão para Andre Drummond, agora sem a concorrência dr Greg Monroe, fazer seus drives como Dwight Howard fazia.

O resultado disso? Mesmo com um elenco pra lá de jovem (o titular mais velho tem 28 anos), após 37 jogos os Pistons, que venceram os Nets no sábado por 103-89 (o Brooklyn demitiu o técnico Lionel Hollins e o Gerente-Geral Billy King depois disso), têm 21-16 e estão em sétimo do Leste. Não é um absurdo de fantástico o retrospecto, mas para um time que começou a jogar junto há menos de seis meses é, sim, algo pra lá de relevante. Mas não é só isso. Você vê quando as ideias do treinador estão indo bem quando não só os discursos, mas as atitudes dos atletas em quadra demonstram isso.

Além disso, quatro dos cinco titulares possuem os melhores números de suas carreiras – e dois deles devem estar no próximo All-Star Game inclusive. Corajoso ao buscar Reggie Jackson na reserva do Oklahoma City Thunder e dar a ele um contrato de cinco anos e US$ 80 milhões, Van Gundy vê o magriça arrebentar com 19,8 pontos, 6,8 assistências e 4,6 rebotes de média. Outra média incrível vem do pivô Andre Drummond, que tem 17,9 pontos e 15,7 rebotes (algo absurdo!). Kentavious Caldwell-Pope, ou KCP como é conhecido, atende pela marcação do perímetro, mas também consegue ter fôlego para 14,4 pontos e 3,5 rebotes por jogo. Morris, longe de seu irmão em Phoenix, também tem ido muito bem com 14,1 pontos e 5,3 rebotes. O único que ainda não bateu as melhores marcar de sua vida profissional na NBA é justamente o turco Ilyasova, que ainda se acostuma com tanta liberdade depois da rigidez no Bucks (apesar disso, ele tem respeitáveis 10,7 pontos, 4,9 rebotes e o fato de NUNCA ter arremessado tanto de fora como neste campeonato em que tenta 4,1 vezes de longe por partida e acerta em 37% das ocasiões).

Um ponto de atenção é que todos os cinco titulares jogam mais de 28 minutos por partida, o que mostra que o banco de reservas possui espaço para bastante melhoria (Jodie Meeks, boa opção para arremessos longos, se machucou no começo do certame). Para avançar bem tanto na fase regular quanto na pós-temporada é fundamental que a segunda unidade produza mais do que os 29 pontos por jogo que tem produzido até o momento (menos de 30% do total de pontos da equipe no campeonato). Conseguir outro ala que chute bem de fora é algo que deve estar na cabeça de Van Gundy, já que seu melhor chutador, Ilyasova (37%), é um ala de força e vira e mexe "é solicitado" para trombar contra gigantes perto da cesta.

O Detroit, que ainda tem o jovem Stanley Johnson (do Draft deste ano), ainda não é um timaço (e nem poderia ser) e nem tampouco uma equipe equilibrada (ataca bem, mas permite mais de 46% de conversão do ataque rival), mas já faz com que seu torcedor consiga se animar.

Parece clara que a ideia de Van Gundy é construir um time em volta de Reggie Jackson e Andre Drummond (uma oferta bem gorda é esperada para o pivô, que será agente livre-restrito, ao final deste campeonato), com os alas (Pope, Morris e Ilyasova) em volta deles dando todo suporte necessário. Aos poucos o Detroit vai se reconstruindo. Quem sabe o playoff deste ano seja o primeiro grande prêmio que este novo Pistons pode dar a sua fanática torcida.

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