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A chance do feminino sair do buraco com a união entre LBF e Liga Nacional

Fábio Balassiano

15/10/2015 01h14

Foi oficializada nesta terça-feira a união que muita gente no meio já comentava (e que se desenhava desde o Jogo das Estrelas em Franca, quando as duas festas foram feitas juntas). A partir de agora, a Liga de Basquete Feminino (LBF) passa a ser organizado pela Liga Nacional, que administra, também, o NBB (principal competição masculina do país), a Liga Ouro (segunda divisão) e a Liga de Desenvolvimento (LDB, maior torneio de jovens do Brasil). Algumas formas de entender o que aconteceu:

1) Em primeiro lugar, é fundamental analisar o lado da LBF e do basquete feminino. A modalidade está completamente abandonada há séculos, definha em sua própria falta de competência e corria o risco, até, de ver seu campeonato não acontecer (tamanha é a falta de qualidade de seu produto atual). Ter a Liga Nacional como organizadora (LNB que tem a NBA como mantenedora principal) é um ótimo sinal. Não custa lembrar o tamanho do buraco em que estava o naipe masculino do país antes de o principal torneio dos rapazes ser cuidado pela turma da LNB. Torço para que o time liderado por Sergio Domenici (Gerente-Executivo) consiga, também, tirar as meninas do atoleiro.

2) Como primeira (importante e inteligente) medida a LBF mudará o seu formato. Era algo que já conversava há tempos com os clubes (inclusive em Franca com técnicos e atletas) e que dessa vez saiu do papel. Em que pese haver apenas seis clubes (Maranhão, Sampaio Correia, América, Presidente Vesceslau, Corinthians/Americana e Santo André), desta vez o número de partidas será razoável. Ao contrário do usual turno e returno com 10 jogos, a próxima edição da LBF terá 20 partidas (quatro turnos), aumentando o número de confrontos (exposição) e a duração do torneio (começará em 20 de novembro e terminará no final de abril – cinco meses aproximadamente). Se é o ideal? Obviamente que não. Mas é um salutar e animador começo.

3) Ainda não conversei com os dirigentes da Liga Nacional a respeito disso, mas certamente algo deve estar sendo pensado para incentivar os times do NBB a terem equipes na LBF também. Uma boa maneira de conseguir isso seria reduzindo algumas taxas para as franquias com equipes nas duas competições. Só no "amor" não sei se os clubes do masculino passarão a investir em times femininos, não.

3.1) Até a temporada passada São José era o único caso neste sentido. Como está fora da próxima LBF, não há clube que tenha time masculino e feminino no país. Agremiações de peso como o Flamengo, as com divisões de base organizadas (Paulistano, Pinheiros e Minas) ou as com patrocinadores fortes (Bauru e Mogi) poderiam ser os primeiros nesta nova fase, né?

4) Vamos ver se a Liga de Desenvolvimento Feminina sai enfim do papel. A masculina já acontece desde 2011, é um sucesso e um dos projetos mais queridos pelo Ministério do Esporte (o mantenedor do torneio). Torçamos, também, para que a das meninas aconteça na próxima temporada e que o aporte do Ministério também continue entre os rapazes (termina em 2016). Quem sabe negociando as duas Ligas Sub-22 juntas (de meninos e meninas) a Liga Nacional consiga novo aporte do ME.

5) Dá para entender essa união entre LBF e NBB de duas formas diferentes no que tange a captação de patrocínios. A primeira é que a mesma entidade (Liga Nacional de Basquete) procurará patrocinadores para os dois torneios, dispersando um ou outro produto na hora de negociar pelo acúmulo de funções. A outra é que, com um portfólio que agora conta com quatro torneios (NBB, LBF, LDB e Liga Ouro), é mais fácil fazer com que o patrocinador se apaixone pela ideia de injetar grana no basquete. Creio que a segunda faça mais sentido para o meio empresarial, que colocaria o seu dinheiro na Liga Nacional e conseguiria ter exposição em quatro produtos bem diferentes entre si, aumentando o alcance do investimento e chegando a públicos bem diferentes.

6) Ninguém da Liga Nacional comentará isso, mas este movimento faz com que a Confederação Brasileira perca mais força ainda. A LNB agora tem quatro produtos em suas mãos (com a possibilidade de, com a LDB Feminina, chegar a cinco) e estará tratando do alto rendimento e base nos dois naipes caso a LDB das meninas saia do papel. O jogo de forças no basquete brasileiro virou. A CBB não dita mais as cartas.

6.1) O paradoxal disso tudo, porém, é que apesar da melhoria na organização dos campeonatos da Liga Nacional o basquete só irá crescer no Brasil com seleção forte, massificação e trabalho profundo de base. Logo, com a CBB. Toda força que a LNB emprega no seu dia a dia, portanto, só estará completa caso a entidade máxima do basquete nacional também faça a sua parte, o que tem sido difícil há quase duas décadas.

E você, gostou da união entre LBF e NBB? Acha que a Liga Nacional conseguirá gerenciar as duas competições com maestria? Comente!

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