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Com defesas fortes, a evolução dos técnicos e do nível técnico neste NBB

Fábio Balassiano

23/01/2015 01h09

O NBB chegou ao final do seu primeiro turno e com ele uma novidade bem bacana para quem acompanha o basquete brasileiro há algum tempo: a presença, na ponta do campeonato, de times e técnicos que privilegiam a defesa em seus sistemas. Equipes, aliás, comandadas por jovens treinadores com elencos não tão estelares.

Líder da competição, Limeira tem, para mim, o melhor sistema defensivo do campeonato. Nos jogos que vi foi um absurdo o que a intensidade limeirense na marcação gerou de pontos fáceis em contra-ataque ou transição e arremessos forçados dos rivais. O que Dedé (foto à esquerda) conseguiu fazer em tão pouco tempo (ele, que tem 37 anos, está em seu primeiro ano como técnico principal, é sempre bom lembrar) é realmente impressionante e merece registro. A campanha de 16-1, fantástica por si só, se baseia nos potenciais ofensivos de David Jackson e Nezinho sem dúvida alguma, mas não existiria sem os 74,4 pontos sofridos por noite, sem os 9,5 erros forçados dos adversários, sem os ótimos 49% de conversão do ataque rival em bolas de dois pontos (apenas três times conseguem o feito) e sem Bruno Fiorotto (no garrafão) e Ronald Ramon (no perímetro), especialistas em deter seus oponentes.

Outro time que defende incrivelmente bem e que conta com um jovem técnico é o Minas. Bem treinado por Demétrius (ex-comandante de Limeira, diga-se), a turma de BH é a maior surpresa da competição até o momento com 11-5 (ano passado foram 10-22 no torneio INTEIRO) e tem os melhores números defensivos do NBB. São 72,2 pontos sofridos por jogo, incríveis 29,1% de conversão rival nos três pontos, 12,7 desperdícios forçados e 12,8 assistências concedidas (em todos os índices os mineiros estão nas duas primeiras posições dos rankings do NBB). Destacam-se na marcação no time do vibrante técnico de 41 anos os ótimos Alex (no perímetro) e o valente Shilton (no garrafão). São os dois mais experientes do time e responsáveis por capitanear as propostas de Demétrius na quadra.

Poderia citar apenas estes dois grandes trabalhos defensivos do NBB, mas seria injusto. O Palmeiras, do ótimo Régis Marrelli (foto à esquerda), leva apenas 76,6 pontos por jogo e seu sistema defensivo guia o elenco (bem modesto) ao bom oitavo lugar na tabela com a campanha de 8 vitórias em 16 jogos. Outro bom exemplo de esmero na marcação atende pelo time de Bauru. Fortíssimo no ataque e com elenco recheado de jogadores talentosos, o esquadrão de Guerrinha (14-2 e 11 vitórias seguidas – ele na foto à direita) consegue se esforçar bastante na defesa e levar módicos 75,5 pontos por noite.

Minas, Bauru e Limeira, aliás, são os únicos quatro times que ainda não levaram 90 pontos neste NBB (o Palmeiras era o outro, mas levou 98 na última rodada). Não deixa de ser relevante notar que este esforço leva os quatro a estarem entre os oito primeiros com técnicos que conseguiram implantar suas filosofias mesmo com elencos e estilos muito distintos. O "operário" Minas, o estelar Bauru e os ótimos Limeira e Palmeiras utilizam rotações frenéticas (9 ou mais atletas jogando 15 minutos/jogo), pressionam SEMPRE o rival que está com a bola (regra básica do basquete, diga-se) e quase sempre acertam nas rotações (evitando arremessos livres).

Pode ser que seja apenas neste NBB, embora no último o Paulistano, do também jovem e excelente Gustavo de Conti (foto à esquerda), tenha chegado à decisão principalmente por ter alucinado seus rivais com uma marcação fortíssima. Pode ser, também, que esta seja o começo de uma tendência mais coletiva, mais defensiva, mais altruísta para os próximos anos. Canso de reclamar da falta de combatividade/intensidade nos jogos do NBB. As partidas acabam ficando frouxas, leves e baseadas sempre em arremessos – e não em confrontos físicos, uma das "ferramentas" que fazem do basquete este esporte maravilhoso. Não é a essência da modalidade, sabemos bem.

Aqui vale dizer o seguinte também. Esta "moleza" do jogo tem a ver, também, com a falta de preparo dos árbitros, que quase sempre apitam disputas normais como faltas, um erro gravíssimo. No final das contas o nível técnico interno ainda é baixo devido a esta ausência destes duelos, desta intensidade, e todos que querem ver o basquete brasileiro em melhores condições técnicas torcem por bastante evolução tática principalmente na defesa. O NBB7 pode ser marcado por ser um marco de mudança importante neste sentido para o esporte.

Neste campeonato temos muitos times preocupados em defender a cesta com afinco, em segurar os rivais a pontuações até então inimagináveis por aqui. Não tem essa de ser feio ou bonito. É eficiente, intenso, físico e a graça do jogo está em conseguir não "dividir" o basquete nos dois extremos da quadra (defesa e ataque, no final das contas, são a mesma coisa e te levam ao mesmo resultado final – cestas evitas e produzidas e vitórias ou derrotas).

Principalmente Limeira e Minas têm conseguido fazer isso até o momento neste NBB. Merecem aplausos por isso. Que sejam espelho para os demais times agora e nos próximos anos.

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