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CBB atinge objetivo, e seleção feminina está eliminada das Olimpíadas de Londres

Fábio Balassiano

03/08/2012 14h25

Não vou, sinceramente, comentar aqui sobre mais uma pífia atuação da seleção brasileira feminina de basquete. O time perdeu do Canadá na manhã desta sexta-feira por 79-73 depois de fazer ridículos oito pontos no primeiro período e foi eliminado das Olimpíadas de Londres (eliminado novamente na primeira fase, tal qual aconteceu em 2008, em Pequim, com um time igualmente ruim e bizarramente mal comandado).

Em quatro jogos, quatro derrotas (uma pior que a outra, cada uma a seu modo, todas agoniantes). Mas não é só isso. Nos últimos 13 duelos em Olimpíadas, são 11 derrotas, índice que mostra muito bem quão zoneado é o estado do departamento feminino da Confederação Brasileira. Se não causa surpresa, porque a gente já sabia que seria assim mesmo o nível da equipe, causa tristeza evidentemente.

Meu sincero respeito às atletas, que foram lá, lutaram e não têm culpa de suas próprias limitações físicas, técnicas e psicológicas. Em uma analogia boba, o lateral-direito ruim do seu time não tem por que ser xingado. Ele não pediu pra estar ali. Errado é quem o contratou, quem o escalou para estar ali. Este precisa ser o foco de quem acompanha o basquete feminino brasileiro (dissecarei o assunto em sete posts a respeito das meninas quando as Olimpíadas terminarem). E aí é importante lembrar e dar os "parabéns" aos que comandam o basquete feminino na entidade máxima deste país (a CBB – e quem acompanha este espaço conhece bem como eles não trabalham bem por lá). Tampouco vou criticar Luiz Cláudio Tarallo, que, todo mundo sabia, nunca dirigiu uma equipe adulta em um campeonato nacional até surrealmente ser alçado a condição de treinador da equipe (de todo modo, meu pito a ele vai para a infeliz declaração de que o time sentiu o desgaste físico).

O olhar deve mirar o presidente Carlos Nunes, a diretora do departamento feminino Hortência e o consultor técnico José Carlos Brunoro, que comandam a Confederação Brasileira. Comandam como bem entendem, não prestam contas sobre seus desmandos e pensam, passiva e candidamente, que "estamos no caminho certo, os resultados virão". O primeiro quase nunca aparece. Quando aparece, não faz nada. A segunda é bem intencionada, não há dúvidas, mas está completamente perdida. Demitiu três técnicos, bancou a volta de Iziane (para depois tirá-la com menos de 15 dias para os Jogos) e pensa que o grande plano pra 2016 é a naturalização de uma armadora gringa (céus!). O terceiro, sabemos, está mais preocupado com seu time de futebol do que com o basquete, que, diga-se de passagem, ele não conhece muito bem (seu passado veio de outro esporte de quadra, o vôlei).

O basquete feminino brasileiro é um ambiente retrógrado, reacionário, promíscuo até. Seus resultados recentes não surpreendem, de verdade, e quem ainda segue acompanhando (eu e mais cinco ou seis – até o Bert desistiu) mostra bastante heroísmo e paciência de monge. O país teve uma geração brilhante, ainda vive do milagre de surgirem fenômenos e nunca trabalhou a base como ela deveria ser trabalhada. Se continuar assim, o objetivo para a destruição completa da modalidade será atingido. Com jogos patéticos e ginásios vazios em âmbito clubístico, e resultados terríveis com a seleção nacional, em menos de dez anos não restará nada por aqui.

O primeiro passo para a mudança é aceitar a mediocridade em que se encontra o basquete feminino nacional. O segundo é traçar um plano de ação decente (e não aqueles PPT's da CBB que são uma nulidade) para mudá-lo, transformá-lo em algo respeitável e minimamente decente. O terceiro, o mais difícil, é limpar toda a estrutura feminina lamentável que comanda o setor na Confederação Brasileira de Basketball. O dia que isso acontecer eu começo a acreditar em um retorno ao patamar que o basquete feminino merece (e que já frequentou não tem muito tempo).

Enquanto isso, é hora de pegar os DVD's, lembrar que o basquete feminino brasileiro já foi bom e chorar as pitangas com um presente paupérrimo em técnica, tática e, perdão por finalizar assim, pouquíssima inteligência por parte de quem comanda a modalidade.

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