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Especial 20 anos do Dream Team: a estreia contra Angola e o melhor jogo jamais visto

Fábio Balassiano

26/07/2012 01h04

No dia 26 de julho de 1992, meu Tio Alberto me colocava na frente da televisão e dizia ao seu sobrinho de oito anos: "Você não vai entender nada, mas pode ficar vendo isso aí porque nunca mais vai ter igual. Só olha e aprende. Um dia você certamente vai me agradecer", falava. O 'isso aí', no caso, era o Dream Team norte-americano, que há exatos 20 anos estrearia nas Olimpíadas de Barcelona com uma alucinante vitória de 116-48 contra Angola.

Pouca gente lembra, mas os jogos de basquete não foram disputados na cidade de Barcelona, mas sim no Palau Municipal d'Esports de Badalona, que fica, obviamente, em Badalona (Catalunha). Foram as primeiras Olimpíadas que atletas da NBA puderam participar e a primeira depois do fim da União Soviética. Doze seleções estavam divididas em dois grupos, e as oito melhores avançariam ao mata-mata.

Depois do Pré-Olímpico de Portland, os Estados Unidos foram treinar em Mônaco por seis dias. Eram duas horas de treinamento pesado, mas após isso havia muita jogatina, bebedeira e brincadeira no hotel em que os atletas estavam hospedados. No livro "The Dream Team" que estou lendo, o autor Jack McCallum conta que Michael Jordan só não era melhor no ping-pong que Christian Laettner, e que seu alvo favorito no esporte da raquete e bolinha era David Stern, comissário-geral da NBA.

E falando em Michael Jordan, há uma passagem sensacional dos treinamentos da equipe. Ele conta que no primeiro coletivo em Môncaco o técnico Chuck Daly entregou coletes para ele, Jordan, e Magic Johnson formarem suas equipes. O craque do Chicago convidou Pippen, Ewing, Malone e Bird, enquanto Magic teve Barkley, Laettner, Robinson e Mullin ao seu lado. Quando Daly gritou um "divirtam-se e façam o que sabem fazer melhor", as feras voaram e fizeram, como conta Jordan no livro, "o melhor jogo da história do basquete que ninguém viu". Seu time, o branco, venceu por 40-36, em uma partida que teve até confusão (não preciso dizer que Charles Barkley estava envolvido, preciso?).

Chegando a Barcelona, os Estados Unidos foram recebidos como grandes estrelas que eram na época. Muita gente comparava o aparato de segurança com o dos Beattles, tamanha era a devoção dos torcedores aos astros (há um caso engraçado de um fã que, dentro do restaurante em que os norte-americanos jantavam, seguiu Magic Johnson e pediu um autógrafo para o camisa 32 dos Lakers numa folha de papel toalha – no que foi atendido com um sorriso no rosto, diga-se).

Antes da estreia, na entrevista coletiva mais concorrida daqueles jogos, Charles Barkley cunhou uma genial frase sobre Angola, a rival do dia seguinte, quando perguntado sobre o que conhecia do adversário (veja vídeo abaixo): "Eu não sei nada sobre Angola, mas sei que eles estão completamente ferrados", disse às gargalhadas.

Em quadra (o segundo vídeo contém os melhores momentos), os EUA realmente acabariam com Angola e veriam Charles Barkley, o único norte-americano que andaria por Barcelona a pé sem segurança nas ruas ("meu punho é meu melhor guarda-costas", cansou de afirmar), começar o seu show particular naquelas Olimpíadas. O camisa 14 teve 24 pontos (a metade do que os africanos conseguiriam), seis rebotes, cinco assistências e uma falta técnica por derrubar um angolano depois do rebote de maneira bruta (depois da falta, Sir Charles riu, deu um abraço no rival e foi aplaudido pelo público).

Baita começo de jornada para os norte-americanos, não?

BARKLEY

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