Bala na Cesta

Categoria : Seleção Brasileira

Análise Final – Seleção Brasileira Feminina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

Na semana passada analisei aqui a seleção masculina no Rio-2016. Vamos agora ao que deu certo e ao que não foi tão bem com a seleção feminina, que terminou a Olimpíada com 0-5, a pior campanha de sua história e na penúltima colocação (na frente apenas do possante time do Senegal):

O QUE DEU CERTO:

damiris11) Damiris na ala – Foi uma aposta do técnico Antonio Carlos Barbosa antes da Olimpíada. Tinha um pouco de medo pelo fato de Damiris nunca ter jogado uma competição internacional mais longe da cesta, no perímetro e contra atletas de bom nível. Mas deu muito certo. A camisa 12 terminou como a cestinha brasileira (16,8 pontos), 7,6 rebotes, teve bom aproveitamento nas bolas de dois pontos (50%), razoável acerto nos tiros longos (36%, acertando pelo menos uma cesta de três pontos em quatro das cinco partidas da primeira fase) e tendo 10+ pontos em todos os jogos que disputou. Se a campanha brasileira foi um fiasco, ao menos o país saiu do Rio-2016 com um projeto de formação que coloca as três principais jogadoras (Érika, Clarissa e Damiris) jogando juntas ao mesmo tempo e sem problema algum. Que ela continue a atuar assim, no perímetro e evoluindo nos fundamentos, em seu clube (o Corinthians / Americana) também.

izi12) Iziane (em alguns momentos) – A agora ex-jogadora (ela confirmou que se aposentadoria ao blog antes da Olimpíada, lembram?) começou a Olimpíada voando contra Austrália (25 pontos) e Japão (20 pontos), ruiu com o time contra Bielorrússia e França, mas fez 22 pontos em sua despedida contra a Turquia e terminou com 15,8 pontos de média, a segunda mais alta da equipe. Em um deserto de talento, tentou se desdobrar para pontuar no perímetro mesmo com limitações físicas que a atormentavam. O choro com sua mãe (foto ao lado) depois do confronto contra a Turquia, que eliminou a seleção definitivamente e colocou ponto final em sua carreira, foi um dos momentos mais bonitos da participação vexatória da equipe feminina no Rio de Janeiro.

joice3) Pequenas doses de Joice – É dor e alegria ao mesmo tempo. Acerta muito rápido e erra na mesma velocidade. Mas aos 29 anos mostrou que, em doses homeopáticas, pode ser útil nessa transição que passará o time feminino. Vendo-a jogar gosto de sua intensidade defensiva, mas me dá nervoso a sua condução de jogo/de bola / de ritmo. Creio que falte, mesmo, alguém que lhe mostre exatamente qual o momento de acelerar, o de segurar a partida, o de encontrar as suas companheiras e o de decidir por ela mesma. Sua vibração, se bem canalizada, porém, pode ser um ótimo remédio para um time que sofre quase sempre de depressão antes, durante e depois das partidas.

Clarissa4) Clarissa – Ala-pivô com uma explosão física descomunal, Clarissa terminou com 14,2 pontos e 12,4 rebotes de média. Registrou duplo-duplo em quatro de suas cinco partidas na Olimpíada e provou que deve ser peça-chave não só na equipe brasileira, mas na construção do basquete feminino do país. Possui problemas graves a serem corrigidos (leitura de jogo, muito fundamento, principalmente no passe e na tomada de decisão), mas ao mesmo tempo que dá um pouco de nervoso quando desperdiça bolas em profusão (6 contra a França, 3 contra Turquia e Japão – muita coisa), mostra uma disposição invejável perto da cesta. Se sua postura e suas ações fora de quadra são muito aquém do que se espera de um atleta profissional (sua visão sempre contemplativa e passiva irritam demais aos que querem ver mudanças no basquete brasileiro, mas aí é outra questão), perto da cesta ela tem atingido um nível internacional muito bom e muito além do que a galera que a viu jogando no Fluminense e na Mangueira há quase uma década poderia supor. Ela é um dínamo em pontos e rebotes e merece ser tratada com carinho no próximo ciclo olímpico.

O QUE NÃO DEU CERTO:

bra41) Antonio Carlos Barbosa – Não creio que precise falar, pois o Brasil foi uma catástrofe técnica e tática do início ao fim. Embora Barbosa tenha ido bem ao optar por Damiris na ala, abrindo espaço para o trio Érika-Clarissa-Damiris jogar junto, foi só isso de bom que tivemos em termos estratégicos para a Olimpíada. A opção por, de novo, deixar Iziane jogar apenas no um-contra-um se mostrou infrutífera e facilmente marcada pelas adversárias (a ala nem sequer recebia bloqueio…). O famoso high-low (jogo em que um pivô em cima do garrafão passa para o outro perto da cesta) dava certo com Alessandra, Cintia, Leila e Marta, mas obviamente não daria tão certo com Érika e Clarissa, pivôs que não passam bem, que não têm bola leitura de jogo e cujos arremessos de média distância não causam tanto dano assim aos rivais. O que as seleções faziam? Davam espaço no perímetro, fechavam a porta para o passe de entrada perto da cesta e dificultavam tudo para uma seleção totalmente sem imaginação. E aí tome bola para Iziane ou Damiris na individualização. Bom, né? Não, não é bom. Não é a toa que o Brasil teve a pífia média de 67 pontos/jogo e só conseguiu fazer 70+ pontos na partida de segunda prorrogação contra a Turquia.

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Na defesa, outro ponto muito ruim. A marcação por zona foi uma das piores coisas que vi na vida em termos de seleção brasileira. Passiva, espaçada demais, quase um convite para rivais fazerem cestas de qualquer lugar da quadra. Pior do que este tipo de defesa não estar funcionando foi a insistência do técnico em utilizá-la em momentos muito longos dos jogos. Eu sei que lhe faltava material humano (e como faltava…), mas não dava para insistir por tanto tempo assim.

Se este foi o último ato de Barbosa como técnico (agora ele é candidato a presidente da CBB, vocês sabem, né…), não dá pra dizer que a última impressão deixada pelo medalhista de bronze em 2000 com a mesma seleção feminina foi boa.

erika12) Érika – Para mim a maior decepção individual desta Olimpíada. Também não vou entrar, aqui neste post, em suas decisões de fora de quadra (tal qual as de Clarissa, passivas, contemplativas etc.), mas dentro das quatro linhas ela foi muitíssimo mal. Para quem está entre as melhores pivôs do mundo, terminar  com 9 pontos e 44% nos arremessos de dois pontos não me parece um bom indicador. Além disso, Érika se perdeu em quase todas as partidas ao cometer, de cara, faltas em excesso, ficando muito menos tempo em quadra do que a equipe necessitaria dela. De jogo bom, jogo bom mesmo, apenas contra a Turquia (16+11 rebotes), quando a seleção já estava eliminada (ali não adiantava mais nada, infelizmente…). Como líder de um grupo jovem, Érika esteve muito abaixo do que poderia render. Aos 34 anos, ela diz que não deixará de vestir a camisa da seleção. Mas é óbvio que para os próximos Mundial e Olimpíada ela, aos 36 e 38 anos, já estará com muito menos força física do que no Rio-2016.

bra33) Horários iguais aos da seleção masculina – Este é um problema muito menos da seleção em si, mas da CBB e da organização do evento. Só que gera impacto, claro. Quase sempre esquecida, a seleção feminina jogou três vezes no mesmo horário da masculina. Se as atenções já são difíceis de serem conseguidas em condições normais, o que dizer quando horários batem com o do jogo dos rapazes? As audiências das partidas das meninas foram diminutas, e certamente o apoio no ginásio poderia ser maior caso houvesse, como houve com a seleção americana e também com a australiana, uma alternância de datas entre jogos masculinos e femininos (no dia que rapazes jogassem, meninas descansavam e vice-versa). É realmente uma pena que isso tenha ocorrido, causando uma diminuição no interesse pelos jogos delas.

bra54) Controle emocional – Isso não é de hoje e nem creio que tenha sido o principal problema de um time mal treinado e mal organizado taticamente. Mas o pandemônio emocional em que se encontrava a seleção feminina a cada dificuldade era algo que nunca tinha visto também. Vale dizer que em TODAS as partidas da primeira fase o time de Antonio Carlos Barbosa teve no mínimo 9 pontos de vantagem. Em TODAS as partidas sofreu a virada. Em TODAS as partidas ruiu psicologicamente na primeira dificuldade. Aí é difícil compreender. Como passar de um estágio de alegria, exaltação, empolgação, para um de pânico, depressão, tristeza máxima em tão pouco tempo? O jogo contra o Japão, o segundo da fase de classificação, foi emblemático neste sentido. O Brasil abriu vantagem no começo, e na primeira porta aberta viu as japonesas fazerem 54-32 entre o segundo e o terceiro períodos. Em uma partida de 40 minutos, oscilar por um minuto é grave e pode fazer a vitória escapar. Por um período inteiro ou até mais do que isso, então, nem se fala. Para as próximas etapas do período de seleção sugiro um trabalho psicológico sério, e não o que é feito sempre por aqui – faltando 15 dias para a competição contratam um profissional e está tudo bem. É preciso acompanhamento frequente, longo e conhecimento do atleta.

Concorda comigo? Faltou alguma coisa? Comente!


Análise Final – Seleção Brasileira Masculina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

Eu sei que, agora, não adianta de muita coisa. Os Jogos Olímpicos acabaram há quase uma semana, o Brasil foi eliminado na primeira fase com a campanha de 2-3 (vitórias contra Espanha e Nigéria, derrotas para Lituânia, Croácia e Argentina) e, mais do que isso, Rubén Magnano já não é mais o técnico da seleção brasileira masculina ( aqui ). De todo modo, vamos lá a análise final dos acontecimentos na Olimpíada do Rio de Janeiro para o time masculino.

O QUE DEU CERTO:

nene11) Nenê – Que Olimpíada fez o ala-pivô (agora) do Houston Rockets. Intenso, bem fisicamente, atacando a cesta muitíssimo bem, passando ainda melhor e marcando com força. Fez três partidas muito boas (Lituânia, Argentina e Nigéria), e contra os hermanos simplesmente massacrou a Luis Scola com 24 pontos e 11 rebotes. Terminou os Jogos Olímpicos com 13 pontos, 6,4 rebotes e 3 assistências de média. Mais do que isso: conseguiu ser aplaudido pela torcida brasileira. Torcida brasileira que, anos atrás, em 2013, vaiou o cara em um amistoso da NBA. Se a Olimpíada foi um desastre para a seleção brasileira, eliminada na primeira fase, ao menos para o camisa 13 serviu para que ele voltasse a ficar bem com a galera. Em vários momentos teve seu nome gritado, vivendo momentos emocionantes.

benite2) Vitor Benite – Benite terminou as Olimpíadas com a melhor média de pontos por minuto da seleção brasileira. Teve 7,8 pontos por jogo nos Jogos do Rio de Janeiro. Por razões magnanianas que fogem da minha compreensão jogou apenas 13 minutos por jogo. Aos 26 anos, ele é o ala, para jogo FIBA, com a melhor combinação de defesa, arremesso, leitura de jogo e passe que o Brasil tem em seu elenco. Contra a Argentina, marcou bem a Manu Ginóbili e a Carlos Delfino, fez 13 pontos em um período (o segundo), incendiou a torcida, ajudou o Brasil a virar o jogo antes do intervalo e estava com uma confiança absurda. Magnano o sacou, Benite só jogou mais dois minutos na segunda etapa e o Brasil perdeu. Por inacreditável que possa parecer, seu único jogo com 20+ minutos foi o contra a Nigéria. Contra os africanos o camisa 8 respondeu com 15 pontos. Ali, porém, já era tarde. Benite merecia mais tempo de quadra, algo que ele verá apenas neste próximo ciclo olímpico, quando será uma das principais peças da seleção brasileira visando a Olimpíada de Tóquio em 2020.

torcida13) A sinergia torcida / time – Fui a dois jogos da seleção brasileira (Lituânia e Argentina) e não me lembro de ver uma sinergia tão bacana entre torcedores e equipe nacional de basquete. Nem no Mundial de 2006, quando a seleção feminina chegou às semifinais enchendo o ginásio do Ibirapuera contra a Austrália eu vi isso. Foi bonito, realmente bonito, de ver. No jogo contra a Espanha, na vitória agônica com o tapinha do Marquinhos, foi incrível ver a atmosfera do ginásio pulando, pulsando, se emocionando com o mais emocionante dos esportes. Talvez por isso é que tenha escrito da oportunidade que o basquete perdeu (com a eliminação precoce). O público queria se apaixonar pela seleção brasileira como também dissemos no Podcast. Queria voltar a se enamorar do basquete depois de anos de problemas. Queria saber quem são os novos ídolos. A tentativa de reconciliação, porém, durou apenas cinco jogos, três brigas e um não definitivo. A seleção marcou o encontro com a amada e se esqueceu do horário da festa. O que era pra ser amor virou irritação.

O QUE NÃO DEU CERTO:

Bra51) Rubén Magnano – Se não foi o único responsável, porque os jogadores erraram absurdamente em quadra também (nas faltas não cometidas em Ginóbili e Nocioni sobretudo), foi um dos principais (provavelmente o principal). Durante toda a competição tomou decisões equivocadas (e o técnico é o tomador de decisões, não?), viu seu time ser eliminado na primeira fase e no final das contas ainda conseguiu ter a pachorra de cair na dos tais protagonistas. Como se Bogdanovic, Campazzo, Nocioni, Mills, Dellavedova e até Scola fossem os principais jogadores de seus times. Aham, sei. Sobre o jogo com a Argentina eu enumerei sete erros capitais de Magnano. É só pegar a mesma fórmula e multiplicar por cinco. O agora ex-técnico cometeu os mesmos erros em TODOS os jogos da primeira fase da seleção brasileira. Um primor.

magnano11.1) Nem vou voltar a falar sobre seus métodos antiquados e retrógrados, pois estes pontos já foram abordados em textos anteriores. Só deixo uma perguntinha: quem termina a Olimpíada mais conhecido do público brasileiro, Carmelo Anthony ou QUALQUER jogador da seleção nacional? Carmelo foi a Santa Tereza, ao Cristo Redentor, ao Morro do Dona Marta, a um Projeto Esportivo social na Comunidade, a NBA House, aos jogos dos times americanos no vôlei de praia e demais esportes. E jogou muita bola. Os atletas de Magnano? Ficaram trancafiados desde o começo de julho. Quantas atividades sociais, de aproximação ao público, deixaram de ser feitas porque o treinador acreditava que isso mexeria com a cabeça dos atletas? Na mentalidade ditatorial/generalesca de Magnano, ganha-se assim. No basquete, e na vida, ganha-se com treinamento, performance e comprometimento. O resto, como também venho dizendo, é acessório e conversa que só brasileiro muito conservador ainda cai. Adianta do quê? De nada, né. A seleção americana, a Austrália, a Sérvia e a Espanha vieram ao Brasil, aproveitaram, curtiram o momento e na quadra demonstraram suas qualidades.

masc22) Sistema ofensivo – Havia muito tempo que não via um ataque de seleção brasileira tão ruim. Estático, sem imaginação, quase sempre finalizando as jogadas no um-contra-um, algo que, sabemos, é uma das piores jogadas em termos de conversão do basquete mundial. Duas coisas me chamam a atenção nisso tudo: 1) Quando são contratados para jogar no exterior, invariavelmente os jogadores brasileiros são elogiados por seus técnicos devido a sua capacidade de improvisação, por sua inventividade. Por que quando vestem a camisa da seleção eles são sumariamente castrados? É óbvio que precisamos ter organização tática, sistema, treinamento, isso tudo. Mas Huertas é um mago dos passes na quadra aberta. Quantas chances ele teve de fazer o que realmente sabe correndo com a bola?

raul1A seleção masculina quis porque quis jogar no meia quadra europeu que faz sucesso com times que são muito bons nisso e que possuem ótimos arremessadores (Kuzminskas, Bogdanovic, Maciulis, Rudy Fernandez, Patty Mills). O Brasil não possui um arremessador muito confiável do perímetro, mas tem ótimos jogadores de velocidade (Leandrinho, Huertas, Raulzinho mesmo). A seleção terminou chutando 20% de fora. Marquinhos, o melhor arremessador do elenco, 21%. Qual o motivo de Magnano ter insistido em SUA fórmula de sucesso de 15 anos atrás com a Argentina? Não teria sido melhor adaptar os seus conceitos ao material humano existente por aqui?; 2) Que jogadas de final do jogo são aquelas que temos armadas para nossos atletas? No duelo contra a Argentina o Brasil tinha 3,8 segundos de posse no final do tempo normal. E Nenê recebeu a bola na EXTREMIDADE DO GARRAFÃO (perto da lateral) para fazer um drive COMPLETO em direção a cesta. Isso é sério? Em nenhum lugar do mundo daria certo.

magnano13) Começos ruins – Contra a Lituânia o Brasil foi para o intervalo perdendo de 58-29. Contra a Croácia, 41-31. Para a Argentina, primeiro período com vantagem hermana de 28-19. Diante dos nigerianos, vitória africana na primeira parcial por 16-15. Qual o motivo para uma seleção brasileira jogando em casa começar tão mal assim as partidas da uma Olimpíada? Vão me desculpar, mas o argumento de “nervosismo” não me parece o mais adequado. O fato é que das partidas com começos ruins o Brasil não conseguiu se recuperar em duas (Lituânia e Croácia), atuando atrás no placar o duelo inteiro e saindo derrotado no final. O time correu como um maluco para se recuperar, mas no minuto 40 terminou a partida com o revés. Isso pesou na classificação final. O confronto contra a Lituânia, sinceramente falando, eu não me conformo até agora. O Brasil estreava em uma Olimpíada diante de seu torcedor, o ginásio estava lotado e a apatia fez um timaço de bola ir para o vestiário anotando quase 60 pontos. Foi o pior recado possível.

masc64) Senso de urgência / “Visão de Mercado” – O ponto acima se relaciona com este, mas não totalmente. Meu ponto, mesmo, aqui tem a ver com o que a eliminação precoce representaria, como representou, para o basquete brasileiro. A Confederação não foi capaz de demonstrar aos atletas quão grandioso e quão impactante para a modalidade seria uma medalha olímpica. Os jogadores, por sua vez, não demonstraram (perdão pela palavra) o tesão que a gente viu em times como Argentina, Austrália e Sérvia para ir longe. Eu falo bastante em profissionalismo por aqui, mas para jogar em seleção é preciso paixão, muita paixão. O que vimos em quadra era um time jogando, aparentemente, um torneio qualquer, algo que sabemos que não era (era uma Olimpíada e em casa, algo que não se repetirá com essa geração).

masc1Se não é o que eles sentiam (e provavelmente não é mesmo!), é a percepção que foi passada (e neste caso a percepção é pior do que a realidade, pois é com ela, a percepção, que o público vai pra casa). Não me pareceu, no final das contas, haver a noção histórica do que uma campanha que culminasse com a medalha representaria. Não me pareceu, também, que atletas, comissão e CBB tivessem a noção de mercado que ela, a medalha, traria de benefícios a um esporte que patina através de sua endividada Confederação e que vê, ano a ano, clubes fechando as portas. A Olimpíada, com uma medalha ou uma campanha digna, poderiam representar o ponto de partida para a retomada daquilo que já foi a modalidade. Aí acabamos a Olimpíada e o que temos? Um novo ídolo na canoagem (Isaquias fenomenal!), o judô e a vela sempre medalhando, o futebol conquistando a sua inédita medalha dourada e o vôlei saindo do Rio-2016 com dois ouros – na quadra e na praia – e uma prata. O basquete? Eliminado na primeira fase do masculino e do feminino. Qual o impacto para as próximas gerações? Não é algo positivo, né?

Concorda com minha análise? Comente!


Entendendo as saídas de Rubén Magnano e Barbosa das seleções
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Fábio Balassiano

dupla1Pretendia fazer hoje análises técnicas dos desempenhos das seleções brasileiras masculina e feminina no Rio-2016 (algo que trarei até sexta-feira, prometo). Mas ontem à tarde a Confederação Brasileira de Basketball divulgou em seu site que os dois técnicos não terão seus contratos renovados. Tanto Rubén Magnano quanto Antonio Carlos Barbosa deixam as equipes nacionais após as pífias campanhas na Olimpíada do Rio de Janeiro. Dá pra analisar caso a caso. Vamos lá:

barbosa11) A não renovação de contrato mais fácil de ser compreendida é a de Antonio Carlos Barbosa. Por dois motivos bem claros: a) Ele será, ao que tudo indica e como este blog antecipou ontem, candidato a presidência da CBB em 2017. Logo, seu quadrado passa a ser outro (o político, e não o técnico) a partir de agora; b) Desde que assumiu a equipe feminina após o imbróglio envolvendo Clubes da LBF e a Confederação no começo do ano, Barbosa dizia que sairia após o Rio-2016 independente do resultado. Ele fora chamado para uma emergência, para uma situação limite, e optou por tentar ajudar mesmo sabendo de todos os problemas e riscos que enfrentaria. Não dá pra dizer que ele foi bem (MUITO pelo contrário), porque um 0-5 em uma Olimpíada em casa é um 0-5, mas de antemão todos tinham plena noção de que a sua saída era pedra cantada. Não foi performance o motivo de sua saída, portanto.

bra32) O mesmo não se pode dizer de Rubén Magnano. Trazido pela Confederação Brasileira há sete anos como o salvador da pátria para alçar voos maiores com a seleção masculina, o treinador chegou cheio de energia, conquistou uma vaga olímpica que não vinha desde 1996 logo em seu segundo ano de trabalho, falou em mexer com toda a estrutura da modalidade no país por diversas vezes e deixou todos muito animado. Até Londres-2012, ele não foi mal. Depois disso, tornou-se um desastre (muito provavelmente porque viu que dentro dessa gestão de Carlos Nunes na CBB não poderia fazer nada de diferente mesmo). Nas palavras, na quadra, na condução do elenco, em sua visão retrógrada de basquete (e de mundo), em tudo.

Bra1E tem mais. Seus resultados em sete anos mostram que, apesar de uma prepotência monumental, ele não foi bem: em Mundiais, um nono lugar (2010) e um sexto (2014); em Olimpíadas, um quinto (2012) e um nono (2016); em Copa América, um vice-campeonato (2011) e dois nonos lugares (2013 e 2015); e em Pan-Americanos, um quinto (2011) e um título (2015). O tal “próximo passo”, de avançar às medalhas, a um patamar maior, ele não conseguiu. Some-se ao desempenho ruim com um elenco muito bom o fato de Magnano ter um salário altíssimo. Com o cenário financeiro terrível da CBB, a sua permanência tornou-se inviável. Caso os resultados tivessem vindo, creio que Carlos Nunes e companhia poderiam tentar justificar, ou pleitear junto ao Comitê Olímpico, que já bancou parte do salário de Magnano por um tempo, alguma coisa. Mas sendo eliminado na primeira fase de uma Olimpíada em casa fica impossível passar o pires pro COB, né?

cbb13) Antes de falarmos nos nomes para assumir as equipes nacionais, volto ao ponto do meu texto de semana passada: não adianta nada trocar um técnico pelo outro. Nada. Nada mesmo. O problema do basquete brasileiro chama-se gestão, e para se ter melhoria de gestão você não mexe apenas nas peças, mas sim nos processos, na organização, na ampliação do olhar e na evolução de temas críticos – como a massificação, a capacitação dos treinadores, a falta de comunicação entre dirigentes e atletas, entre outros assuntos essenciais para o bom andamento da modalidade. Com o modus operandi que impera na CBB há 20 anos, com o duo “maravilhoso” formado por Carlos Nunes e Grego, podem contratar Phil Jackson, Gregg Popovich ou Coach K que não adianta. Nossos maiores problemas não estão na quadra, mas sim fora dela.

neto34) O mais cotado para assumir a seleção masculina é José Neto. Assistente-técnico e homem de confiança de Magnano desde o começo do ciclo do argentino, ele também tem resultados consistentes com o Flamengo (há quatro anos no clube, venceu TODOS os campeonatos possíveis!), entende bem o funcionamento caótico da CBB, conhece bem a maioria dos jogadores que serão fundamentais nos próximos anos (Raulzinho, Felício, Fischer, Augusto, Vitor Benite etc.) e é respeitado por atletas, imprensa e dirigentes. No feminino, não consigo ver nenhum nome capaz de ser alçado a condição de treinador para um ciclo que será desafiador (para dizer o mínimo). E não ter sequer uma pista de quem pode passar a liderar a seleção feminina é um indicador de que não há nenhum nome bom no horizonte.

nunes15) Uma questão importante e que deve ser colocada: aparentemente não serão os sempre sorridentes Vanderlei e Carlos Nunes que irão escolher os novos técnicos das seleções brasileiras. Com eleição marcada para Março de 2017, caberá ao novo presidente a missão de contratar os novos treinadores e montar a sua diretoria com Diretores Técnicos e demais profissionais. Ou seja: só teremos definição, mesmo, no segundo trimestre do próximo ano. Enquanto isso, e até termos um novo mandatário na quebrada CBB, só especulação mesmo.

E você, concorda com as saídas de Rubén Magnano e de Antonio Carlos Barbosa? Quem você gostaria que assumisse a seleção masculina? E a feminina?


Podcast BNC: Analisando a catastrófica Olimpíada brasileira
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Fábio Balassiano

barbosa1Abrimos a Caixa de Pandora do basquete brasileiro. Analisamos a quadra que eliminou os times de Rubén Magnano e Antonio Carlos Barbosa na primeira fase da Olimpíada do Rio de Janeiro. Comentamos, também, os motivos “gerenciais” que influenciam para que o Brasil seja sempre, no basquete de seleções, algo menos organizado do que poderia ser. Soltamos, literalmente, o verbo! Apreciem.

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Depois do vexame na Olimpíada, a hora da reflexão pro basquete brasileiro – tem solução?
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Fábio Balassiano

magnano1Passaram algumas horas, e obviamente o gosto amargo de ver uma seleção brasileira sendo eliminada na primeira fase das duas Olimpíadas (masculina e feminina) não passa assim tão rápido. O fato é que a modalidade perdeu uma oportunidade monstruosa de se desenvolver, de se popularizar, de se mostrar ao público de uma maneira mais simpática – e mais vitoriosa. O vexame, colocado no texto, não é por causa da derrota, de perder jogos, mas sim COMO foram perdidas as partidas. E como foi desperdiçada uma chance de ouro (alguém já parou pra pensar que os Jogos Olímpicos de Tóquio terão quase todos os jogos na madrugada, diminuindo ainda mais o alcance dos esportes olímpicos sem resultado por aqui?). Se por um lado as Ligas Nacionais (NBB e LBF) tentam, mesmo com seus erros, crescer, a gente sabe que em modalidades olímpicas resultados em Mundiais e Olimpíadas contam muito, muito mais. Em uma analogia com um jogo de tabuleiro, uma parceria com a NBA para a Liga Nacional de Basquete (LNB) vale andar cinco casinhas. Uma medalha olímpica, umas 30. No mínimo.

bra4Mas “só” lamentar ou apontar culpados neste (específico) fracasso de dimensões planetárias adianta muito pouco. Farei análises dos dois lados técnicos (de Magnano e Barbosa, sobretudo) até o final da semana. O que o basquete brasileiro deve fazer, em todas as suas esferas, no entanto, é olhar pra dentro de si pra tentar entender o que está acontecendo – e não é de agora, mas sim de 20, 30 anos pra cá. O problema é MUITO maior do que os seus dois técnicos que não foram bem no Rio-2016. E olhar pra dentro de si não é discutir se jogador da NBA deveria vir ou não, se jogadores de fora são menos confiáveis para equipes nacionais ou não, mas sim algo muito, muito, muito maior. Reduzir o estado terrível em que se encontra o basquete atualmente a “este cara é patriota” ou “o cidadão ali é merecenário” é simplista, míope e não ajuda em nada a entender exatamente os motivos que levaram a modalidade a se atolar tanto em uma lama suja, profunda e difícil de limpar.

bra3Um dos problemas do basquete brasileiro (entre tantos) é a sua falta de senso crítico, o seu conservadorismo, o seu estado retrógrado (bastante retrógrado!) e a falta de cabeças, dentro da Confederação Brasileira de Basketball, inovadoras, inventivas, planejadas, organizadas e sobretudo que tenham um mínimo de noção do que é uma gestão profissional. O que vimos neste período pré-olímpico? Treinos fechados, um mal conduzido corte de um atleta como Varejão, jogos para convidados (estamos em 2016, hein…), nenhuma ação social para envolvimento com a comunidade, atletas já cortados treinando sem serem avisados, problemas com seguros (de novo!), um técnico que manda em tudo porque não é contestado nem por seus chefes (o Senhor Vanderlei e o Senhor Carlos Nunes), jogadores passivos para tudo e a tal “comunidade do basquete” anestesiada aplaudindo toda e qualquer tacada do seu treinador até começarem os Jogos Olímpicos pelo simples e singelo objetivo de ser “amiguinha”, “parceira”, “querida” por atletas e treinadores. Falta, para quem já acompanha a modalidade, um pouco mais de maturidade também – sobretudo para a imprensa, que deveria cobrar, e não mimar.

eua1Se métodos ditatoriais ganhassem jogos, a seleção norte-americana perderia sempre. É o time mais aberto do mundo, com contato com imprensa, público, horários livres e tudo mais. O que vale, no esporte e na vida, é ter alta performance, rendimento, qualidade, organização e comprometimento. Palavras de ordem como “foco”, “disciplina”, “ordem” e que tais valem para meninos de cinco, seis anos de idade. Estamos falando de atletas profissionais, todos maiores de idade e vacinados. Tratá-los como bebês é um erro que a entidade máxima (e a tal comunidade do basquete) insiste(m) em cometer. Para quem prega a liberdade, o lado empresarial do esporte e a aproximação do povo acima de tudo, como eu, é um verdadeiro escárnio.

nunes8Desculpe dizer isso a vocês, mas Carlos Nunes e seus colegas que ocupam um andar na Avenida Rio Branco, Centro do Rio de Janeiro, não têm a menor ideia do que são, atualmente, as melhores práticas de administração esportiva do mercado. Fazem, e tratam, do esporte, da mesma maneira que 30, 40, 50 anos atrás. E neste tempo todo não só o esporte, mas o mundo mudou muito. E esses caras seguem fazendo as coisas da mesma maneira que a década de 60, 70 e 80 via. Quem acompanha este espaço sabe que gasto boas doses de teclado com críticas fortes ao tenebroso comando da CBB, certamente a principal (mas não a única) responsável pelo estado de putrefação, pelo cheiro de lixo podre em que se encontra a modalidade atualmente (e faço isso praticamente sozinho, algo que me dói muito também, pois é uma guerra que travo na imprensa diária e solitariamente, infelizmente). Os defensores desta gestão pífia estão por aqui hoje pra defender, como fazem há 8 anos, o indefensável Nunes e sua trupe? Caso sim, sugiro aparecer.

Me3É sempre bom lembrar: a entidade máxima do esporte que a gente tanto ama é um castelo de cartas (ou notas, muitas notas) erguido com dinheiro público (muito, pessoal, é muita grana – mais de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos), que conta com a chancela do Ministério do Esporte (só pro Rio-2016 foram mais de R$ 10 milhões investidos na modalidade) e que mesmo assim há anos apresenta dívidas seríssimas (mais de R$ 17 milhões de acordo com os últimos balanços aqui neste blog analisados). A dita administração de Carlos Nunes, aprovada com louvor por quase todos os presidentes de Federação há anos, é uma farsa, uma mentira, uma história que nem boi consegue dormir mais (embora boa parte da imprensa ainda caia nas palavras do gaúcho).

trio1Com o lado financeiro sangrando, esperava-se que alguma coisa estivesse sendo feita pelo esporte em termos de investimento a longo prazo. No entanto, os famosos resultados esportivos, algo que tanto se gaba o presidente Nunes, também são uma farsa, uma mentira que alguns ainda aceitam (que alguns inacreditavelmente ainda aceitam). A verdade é uma só: o Brasil é um zero a esquerda no basquete masculino mundial há mais de 20 anos, e o feminino se sustentou até 2004 sabe-se lá como. Na verdade por Paula, Hortência e Janeth, além de milagre e pelo trabalho hercúleo dos que ainda tentavam acreditar que a Confederação investiria nas meninas. Aham, sei. No masculino, já são 52 anos sem um pódio olímpico e 38 longe do pódio em Mundiais.

Bra1A parte técnica, que sucateia o trabalho de base dia após dia (vejam os trabalhos de formação pelo Brasil e terão noção de quão atrasado o país está), é tão ridiculamente administrada que nem mesmo um campeão olímpico consegue ser bem aproveitado no decrépito basquete brasileiro. Não adianta contratar Rubén Magnano, se quem deveria comandá-lo, ou direcioná-lo, não tem a menor habilidade ou capacidade de dialogar, discordar, trocar ideia com o argentino. Só bater palma ou dizer “pô, o Rubén sabe tudo, meu” antes de soltar a gargalhada da hiena não adianta de nada, né? Todo mundo menos o pessoal da CBB sabe.

grego1Deixo aqui um questionamento importante a Federações, que elegeram Carlos nunes e Grego há quase 20 anos, atletas, clubes, dirigentes e técnicos: estão satisfeitos com os rumos da modalidade, estão felizes em ver o Brasil apanhando em 8 dos 10 jogos da primeira fase da Olimpíada? Caso não, o que irão fazer pra mudar? Provavelmente nada. Sabem por quê não? Porque o sistema é errado, o sistema está invertido, o sistema “suga” as pessoas boas do basquete para o lado ruim da força – ou as que se mantêm boas saem da modalidade. As Federações, que elegem um presidente de Confederação, logo depois da eleição deveriam ser cobradas pelo tal presidente eleito. Vocês acham que isso acontece? A relação tácita de poder é: “Eu (Federação) te coloco lá, e quando você (presidente) estiver lá é só não me encher a paciência”. Ou inverte-se a pirâmide, a forma de se pensar em poder no basquete brasileiro, ou não irá mudar absolutamente nada.

nunes1Voltando a Confederação Brasileira de Basketball. Enquanto for administrada por pessoas de capacidade minúscula, pessoas com capacidade gerencial minúscula, pessoas com ideias infantilóides (censura, esconder balanço financeiro, mídias sociais toscas, marketing inexistente, cultura de basquete ridícula e nenhum pensamento na formação de atletas), o basquete não sairá do fundo do poço. Citem os nomes diminutos que vocês quiserem aqui, falem o que faltou ser falado por este escriba, mas vamos parar na mesma central questão. O problema do basquete é um só: gestão, gestão e gestão. Se preferirem podem trocar por seriedade, seriedade e seriedade.

nunes1O basquete quer mesmo voltar a ser grande? O basquete quer mesmo voltar a ser encarado como um esporte popular? O basquete quer mesmo ser visto como um esporte sério? O basquete tem pessoas capazes de recolocá-lo nos trilhos? Caso sim, o debate entre todas as esferas (Confederação, Federações, Clubes, Técnicos e Jogadores) deve começar a partir de agora, a partir deste triste 16 de agosto de 2016, o dia post-mortem do basquete brasileiro. E podem ter certeza que nesta terça-feira todos que amam o basquete saem perdendo – de jogadores, passando por imprensa, culminando com treinadores e dirigentes, e isso não é bom, obviamente.

nunes2Meu único receio é que para cada uma das perguntas que fiz acima a resposta seja uma só: “Não, o basquete se acostumou com o estado de mediocridade em que se encontra e não quer sair dele”. Como digo há alguns anos: o grande problema do basquete brasileiro é que o poço, com o passar dos acontecimentos, é sempre mais fundo do que a gente imagina (talvez nenhuma outra modalidade represente tanto atualmente o que é o país na mão destes políticos horríveis). Quando a gente acha que já viu tudo, a situação se deteriora, piora, se torna mais suja, ganha contornos de crueldade e de inversão de valores (vejam a relação com a imprensa independente, livre e crítica, como tenta ser este blog, e a entidade e terão noção do que estou falando). Repetindo a pergunta de sempre: se faz tudo igual, com as mesmas ideias retrógradas, se age igual, com o mesmo podre planejamento, e se é dirigido basicamente pelas mesmas mentes há quase duas décadas, como o basquete espera ter resultados práticos (financeiros, técnicos, de popularização e administrativos) diferentes?

nunes1Quando se faz tudo igual, estimados leitores, não se pode esperar nada de diferente. E com esta galerinha na CBB, a certeza que tenho é: desta draga o basquete não sai tão cedo. No mínimo até 2017, quando acaba o segundo mandato de Carlos Nunes nada irá mudar. E no lugar dele, quem irá? O ideal, o ideal mesmo, seria Nunes pegar o seu boné e sair, mas sinceramente é impensável, pois ele não liga absolutamente nada para o estado da modalidade. Não tem o menor comprometimento com os resultados (de quadra e fora dele), não pensa no presente e não planeja o futuro. O que, aliás, faz o presidente Carlos Nunes em seu cargo? Parece impossível, hoje, dizer isso, mas quem sabe daqui a seis meses, com a época da nova eleição presidencial da CBB, alguém diferente saia da toca e venha a renovar não só a política da casa, mas principalmente arejar as ideias. Quem será o Messias?

nunes6Agora, dia 16 de agosto, isso me parece impossível de ser pensado – ou repensado. Com nunes e seus coleguinhas minúsculos (minúsculos em termos de ideias, de capacidade administrativa, de sabedoria pra reverter a situação mesmo) no comando da não menos diminuta cbb a certeza é: o basquete NÃO vai mudar (pior: por eles, o basquete não precisa mudar porque está tudo bem, está tudo ótimo). E esta é a maneira triste como um texto post-mortem deve acabar.

cemiterio1Com estes caras, o basquete brasileiro NÃO vai mudar.

E sabem por que ele (o basquete brasileiro) não vai mudar? Porque 90% do que você leu agora foi escrito em 4 de setembro de 2013, dias depois de outro vexame da seleção – a eliminação para a Jamaica na Copa América. Elementar, não?


Meninas na história pela porta dos fundos: nunca haviam saído de Olimpíada sem vitória
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Fábio Balassiano

bra5A crônica da morte anunciada do basquete feminino brasileiro teve ontem à tarde o seu desfecho. E um desfecho triste. As meninas perderam para a Turquia em Deodoro, concretizando a eliminação sem nenhuma vitória em cinco jogos após revés de 79-76 na segunda prorrogação que seguiu o mesmo roteiro dos jogos anteriores – liderança no primeiro tempo, perda de controle e do confronto na segunda etapa.

feminina1O fiasco da seleção brasileira feminina foi de proporções inéditas para o esporte brasileiro. Além da última ou penúltima posição no torneio, levantamento feito pelo blog constata que nunca um time nacional das meninas terminara uma Olimpíada sem ao menos uma vitória na bagagem. Antonio Carlos Barbosa, sua comissão técnica e 12 suas comandadas (ou quase isso…) conseguiram. O 0-5 no Rio-2016 é a pior campanha do basquete nacional em sete participações olímpicas, como mostra a figura ao lado.

Mais do que isso: com os 67 pontos de média nos cinco jogos de 2016 (e 67 porque ontem foi a duas prorrogações…) a seleção brasileira obteve a segunda pior média de pontos de sua história. Os 65,8 de Londres-2012, onde também teve participação pífia, seguem como a pior marca do basquete feminino brasileiro na história olímpica (figura abaixo).

feminina2

bra4Assim, então, fechamos a tampa do basquete feminino, esporte que consegue a proeza de perder 15 dos seus últimos 17 confrontos em Olimpíadas (semifinal e jogo do bronze em 2004, 1-4 em 2008 e 2012, além do incrível 0-5 em 2016).

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos desta novela de terror chamada basquete feminino brasileiro. Como a “diretora” da trama atende pelo nome de Confederação Brasileira de Basketball, é importante que todos saibam que o fundo do poço é sempre mais fundo do que o que estamos vendo. A CBB tem um estoque ilimitado pra fazer besteira em gestão, e é fundamental que não nos surpreendamos caso o que se viu no Rio-2016 seja ainda pior no próximo ciclo olímpico.

bra1Antes de concluir queria gostaria de fazer uma indagação às meninas mega patriotas deste elenco que terminou a Olimpíada sem vitória alguma: irão se manifestar de forma organizada agora? Dizer que amam o país e tal a gente já viu que elas sabem fazer. Mas e cobrar a Confederação, irão? Chegou a hora disso, ou, tal qual aconteceu quando do problema envolvendo o tal Colegiado e CBB (mais aqui e aqui), continuarão omissas, passivas, sorrindo para as fotos nas redes sociais e perdendo partidas na vida real?


Argentina, Brasil, um time que se nega a perder e outro que não soube ganhar
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Fábio Balassiano

bra12Nesta altura dos acontecimentos você já sabe que neste sábado houve um dos melhores e mais emocionantes jogos de basquete da história da Olimpíada. Brasil e Argentina deixaram a alma na Arena Carioca I, foram a duas prorrogações, tiveram muitas chances de vencer, desperdiçaram muitas chances de ganhar e no final os platenses ficaram com a vitória por 111-107.

Nos outros jogos do dia a Espanha massacrou a Lituânia por 50 pontos e a Nigéria superou a Croácia. Com isso, ao Brasil, que agora tem decepcionantes 1-3 na Olimpíada do Rio de Janeiro, só resta vencer a Nigéria na segunda-feira às 14h15 e torcer para a Espanha PERDER da Argentina a partir das 19h para avançar às quartas-de-final, onde enfrentaria provavelmente os EUA (ou seja, eliminação batendo na janela já…). Croácia e Lituânia medem forças às 22h30 no último jogo da fase de classificação No final do texto coloco todos os cenários possíveis para a seleção de Rubén Magnano.

Sobre o jogo em si alguns pontos importantes:

bra151) Seria leviano dizer que o Brasil jogou mal. Não jogou mal. O Brasil fez uma belíssima partida. Defendeu bem em boa parte do duelo, atacou com consistência no garrafão e, embora com muitas dificuldades no jogo de cinco contra cinco de perímetro, conseguiu arremessos equilibrados. Se não foi um primor de execução, foi bem nas leituras de jogo em boa parte do embate.

2) Para variar o Brasil começou mal (como ocorreu contra Lituânia e Croácia também), correu atrás da virada, virou o jogo e teve muitas chances pra ganhar. Vencia de oito pontos a três minutos do final do tempo regulamentar. Vencia de seis a três minutos e de 4 a 90 segundos do final da primeira prorrogação. Não cometeu falta no final do tempo normal quando tinha três pontos de vantagem, permitindo que Manu Ginóbili, primeiro, e depois Andres Nocioni tentassem empatar a partida (o segundo conseguiu). Jogar pro lado psicológico é muito fácil, embora verdadeiro. Mas a verdade, a verdade mesmo, é que o basquete é um jogo de detalhes. E todos os detalhes são treinados. Desde os começos até os finais de jogos. E o Brasil tem se mostrado pouco preparado tanto para iniciar bem quanto para finalizar as partidas. Teve chance de virar contra Lituânia e Croácia e não conseguiu. Precisou matar a partida contra a Argentina e não foi feliz. Isso não é só mental. Faz parte do bom treinamento (ou da falta dele).

bra53) Acho que o segundo ponto é o mais emblemático de tudo o que eu vi no sábado. A Argentina jogou 30 minutos entre o segundo e o último períodos atrás do placar. Tinha dificuldades imensas para conter Nenê (brilhante com 24 pontos e castigando a Luis Scola), Ginóbili e o próprio Scola estavam em tarde ruim (para os padrões deles), convertendo apenas 27 pontos (somados) e em vários momentos do jogo parecia presa fácil perto da cesta. Mesmo com tudo isso (ou contra tudo isso) a equipe de Sergio Hernandez não desistiu em nenhum segundo. Correu, correu, correu e negava-se a entregar os pontos. Do outro lado havia uma equipe que não sabia como fechar o jogo. No encontro do rio com o mar, a equipe que se negava a perder teve uma janela para vencer. E a equipe que não soube fechar o jogo teve uma janela para perder. Quem estava para perder venceu. Quem estava para vencer perdeu. Nos EUA há um ditado muito comum: “Times bons sempre encontram formas de vencer. E times não tão bons sempre encontram formas de deixar de vencer“. Foi o que aconteceu no sábado. A Argentina tem um time muito bom. O Brasil tem jogadores muito bons, mas não um time acima da média. Fiquei extremamente inconformado, incomodado, chateado mesmo, não com a derrota, mas sim em como ela (a derrota) veio – cruel e recheada de erros brasileiros.

bra24) Ainda sobre o jogo em si, quero chamar a atenção para a partida extraordinária de Facunco Campazzo. O armador baixinho dos hermanos terminou o primeiro tempo com 2 míseros pontos. Fechou o jogo com 33 e 11 assistências. “Só” isso. Quero dizer a vocês que Campazzo não é protagonista em seu clube (era do Real Madrid, ficava no banco, foi emprestado ao Murcia e mesmo lá não era o “dono” do time), nunca foi protagonista na seleção (papel de Scola, Nocioni e Ginóbili principalmente) e em seus três primeiros jogos nesta Olimpíada tinha SOMADO 39 pontos (seis a mais do que ele conseguiu neste sábado contra o Brasil). Foi a melhor partida da vida dele com a camisa da seleção. Foi a partida em que ele teve mais liberdade para fazer seus drives em direção a cesta e foi a partida em que NINGUÉM o incomodou jogando perto da cesta e explorando a sua estatura (outro erro crasso brasileiro).

bra315) Que jogador extraordinário é Andres Nocioni. Sempre admirei bastante a sua luta, a sua entrega em quadra, mas neste sábado ele esteve soberbo. Primeiro ao explorar o desequilíbrio na marcação quando ele caiu com Nenê (mais alto e mais lento) e depois com Marquinhos (pouco hábil na defesa), anotando seguidas bolas de três no primeiro período. Depois por ter o sangue frio de, mesmo quente, segurar a onda para dar protagonismo a Campazzo, que enfileirava a defesa brasileira com infiltrações perfeitas. Por fim, cerebral para matar uma bola no perímetro mesmo sendo quase derrubado por Guilherme Giovannoni, levando o jogo à prorrogação. Fechou o jogo com 37 pontos e 11 rebotes, uma atuação magnífica de um atleta incrível.

nene16) O que dizer de Nenê? Fez a sua melhor partida com a camisa da seleção brasileira (24 pontos em 11/17 nos arremessos e 11 rebotes), usou e abusou de Luis Scola no garrafão (algo que a gente desejava que tivesse acontecido pelo menos umas 750 vezes contra o hermano nos últimos 15 anos) e mostrou-se em um estado físico brilhante. Foi muito bem também na entrevista pós-jogo à TV Globo quando afirmou que não faltou vontade, mas sim sobrou inteligência ao time argentino para sair vencedor do duelo de sábado. O basquete, como Nenê sabe bem, é uma partida em que a bola é arremessada com as mãos. Mas que se vence com a cabeça. E os argentinos mais uma vez foram muito superiores – não arremessando, mas pensando o jogo.

bra3Queria deixar pra lá, mas acho importante escrever sobre Rubén Magnano, o técnico da seleção brasileira. Não falarei agora sobre o trabalho completo de Magnano, pois escreverei um texto inteiro sobre isso proximamente (embora já o tenha iniciado no Facebook). Gostaria, neste momento, de listar, pela ordem dos acontecimentos, os erros crassos que ele cometeu em uma partida decisiva como a deste sábado:

1) Começou o jogo com Nenê marcando a Andres Nocioni, algo inadmissível (foram duas bolas de três logo de cara para o número 13 platense). Tentou corrigir colocando Marquinhos logo depois. Era tarde. Nocioni já estava pegando fogo naquela altura dos acontecimentos.

bra512) Magnano pediu dois tempos seguidos logo no primeiro quarto. Se o Brasil não fosse bem no segundo período, não teria como brecar o jogo.

3) No segundo período, o melhor do Brasil em toda partida (33-16, um baile de bola), a formação que deu certo tinha Raulzinho, Benite, Alex, Giovannoni e Nenê. Benite fez 13 pontos. Giovannoni, 10. No basquete não há time titular. Não há time ideal. Há time que se encaixa melhor em uma determinada partida, contra um determinado rival. Contra aquela Argentina, estes cinco atletas eram os que estavam se dando melhor. Como volta Magnano para o segundo tempo? Com Huertas (no lugar de Raulzinho), o zerado Leandrinho (no lugar de Benite), Marquinhos, Hettsheimeir e Nenê, justamente o time que perdera o primeiro período por 28-19. Por que não manter o time que havia fechado bem a primeira etapa? Que insistência com algo que não estava indo bem foi aquela?

bra64) Facundo Campazzo é um armador de 1,80m (se tanto). Em NENHUM momento Magnano explorou o jogo de costas para a cesta de Raulzinho ou Huertas contra um cara deste tamanho. Em nenhum momento Magnano optou por colocar Alex, Benite ou Leandrinho, mais altos e fortes que Campazzo, em cima do 7 argentino. Foi totalmente incompreensível, também, a entrada de Rafael Luz (frio, totalmente fora de sintonia) no começo do último período. Luz entrou, Campazzo acertou duas bombas de três e saiu levando bronca de Magnano. Quem mandou mal não foi o atleta, mas sim quem colocou o jogador nesta situação, não?

br615) Nos segundos finais o Brasil não fez falta em Manu Ginóbili e nem em Andres Nocioni. A decisão é do atleta, mas é inadmissível que o comando técnico da seleção não tenha dado a ordem expressa (e firme!) de que, quando a bola saísse no fundo da argentina, deveria ser cometida uma falta pelo Brasil (que naquela altura só tinha feito três coletivas) imediatamente depois que o hermano com a posse da bola passasse do meio da quadra. Fez falta isso, não?

bra216) Na segunda prorrogação, Nenê, com apenas três faltas, começou no banco. Qual o motivo? A Argentina abriu vantagem ali. O jogo foi pro ralo ali. Quais os critérios que ele utiliza para as substituições? Alguém compreende realmente? Os atletas compreendem realmente? Ou é só trocar por trocar?

7) Ei, quer lembrar de uma coisinha? Vitor Benite fez 13 pontos no segundo período, correto? Sabem quantos minutos mais ele jogou até o final da segunda prorrogação? Apenas mais quatro. Isso mesmo. Fechou com módicos 15:28 de jogo e 13 pontos. Qual o motivo para Magnano tê-lo esquecido no banco mesmo com rendimento excepcional?

bra16Foram 7 erros crassos em um jogo de 50 minutos, motivo pelo qual ele foi absurdamente criticado pela imprensa internacional (no Twitter os norte-americanos que acompanham a Olimpíada pareciam impressionados com a quantidade de erros nas tomadas de decisão do treinador brasileiro). Eu particularmente acho um índice muito alto para um técnico que se acha acima do bem e do mal. Para um técnico que coloca milhões de regras na seleção, que blinda o time de qualquer contato com o público e que dá declarações estapafúrdias a torto e a direito. Poucos o criticarão por aqui, mas eu me sinto na obrigação de fazê-lo.

Abaixo coloco os cenários possíveis para o Brasil:

bra10001) Derrota pra Nigéria – Brasil Cai Fora
2) Vitória contra Nigéria, Derrota da Croácia, Vitória da Espanha – Brasil FORA, ESP em P2, Argentina, P3, Croácia em P4
3) Vitória contra Nigéria, Derrotas da Croácia e Espanha – Brasil em P4, Croácia, P3, Espanha FORA
4) Vitória contra Nigéria, Vitórias de Croácia e Espanha – Brasil FORA, empate entre Croácia, Espanha e Argentina. Saldo define (Argentina bateu Croácia, que bateu Espanha, que bateria Argentina).
5) Vitória contra Nigéria, Vitória da Croácia e derrota da Espanha – Brasil em P4, Argentina em P1, Croácia em P2 e Lituânia em P3

bra8Em Resumo: Pro Brasil, é vencer a Nigéria. Se ganhar, Espanha NÃO pode vencer a Argentina. Se Espanha VENCE Argentina, Brasil FORA. Que fique claro também. O Brasil NÃO tem como ficar em terceiro. Ou é quarto, ou é eliminado. E quarto é pegar os EUA (que deve ganhar da França amanhã). Não é eliminação neste sábado. Mas é quase isso…

Concordam comigo? O que acharam do jogo deste sábado na Arena Carioca I? Muita frustração, né?


No último duelo contra Scola e Ginóbili, Brasil luta contra eliminação no Rio-2016
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Fábio Balassiano

nene2Está aí um dos dias mais importantes do basquete brasileiro nos últimos tempos. A partir das 14h15 deste sábado (estarei comentando pelo Placar UOL direto do ginásio inclusive) na Arena Carioca o time de Rubén Magnano, que perdeu da Croácia na quinta-feira, enfrentará a Argentina em jogo válido pela quarta rodada da Olimpíada do Rio de Janeiro. Vitória coloca a seleção nacional pertinho da classificação. Derrota elimina o país.

O embate marca o duelo final contra a gloriosa geração hermana formada por Luis Scola e Manu Ginóbili, algo que também será bastante emotivo para o treinador do selecionado brasileiro, já que Magnano foi o técnico da Argentina no vice-campeonato mundial de 2002 e no título olímpico de 2004.

Bra1Pelo lado brasileiro, o lado tático é fundamental. Como Magnano tentará parar Luis Scola? Será que, enfim, o jogo ofensivo do garrafão brasileiro será usado para, também, cansar o camisa 4 hermano perto da cesta? E contra Manu Ginóbili, qual a melhor forma de detê-lo? Será que apenas colocando Alex Garcia em cima do número 5 platense?

De todo modo, há um ponto tão ou mais importante que a parte tática. É o lado mental, a parte de ter o controle dos nervos contra um time que venceu o Brasil muito mais do que foi derrotado pelo país neste século. Vale dizer, também, que se por um lado a derrota praticamente elimina o time brasileiro, um possível revés platense põe os hermanos à beira do precipício (precisariam ganhar da Espanha na segunda-feira, e mesmo assim com chances imensas de avançar na quarta posição do grupo, pegando os EUA nas quartas-de-final). Ou seja: o senso de urgência estará dos dois lados da quadra – e não em apenas um. É clichê, é lugar-comum, mas é totalmente verdadeiro: se quiser bater a Argentina, a equipe brasileira precisará jogar 100% concentrada durante os 40 minutos do duelo (algo que só aconteceu contra a Espanha – e não ocorreu diante de croatas e lituanos).

Pelo lado dos hermanos, vale a pena ver os números de Luis Scola contra o Brasil:

scola1

manu2Aqui do lado está o retrospecto de Manu Ginóbili contra o Brasil. Sua única derrota desde 1998 foi justamente em casa (Mar del Plata, 2011, no Pré-Olímpico). São jogadores históricos da melhor geração do basquete da Argentina. São craques de bola e que farão de tudo para não só atrapalhar a vida dos brasileiros, mas sobretudo para avançar ao máximo neste que é o último passo deste grupo que joga junto há quase duas décadas (e há quase duas décadas conquistando excepcionais colocações em Mundiais e Olimpíadas).

Que dia para o basquete brasileiro (e também para o argentino), hein! Quem vence a partida de logo mais? Palpitem à vontade!


O basquete feminino brasileiro e sua crônica da morte anunciada
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Fábio Balassiano

bra3Chegou ao fim ontem a participação do basquete feminino brasileiro no Rio-2016 na tarde de ontem. O time de Antonio Carlos Barbosa perdeu a quarta seguida no feminino e está eliminado da Olimpíada. Perdeu da França nesta quinta-feira (74-64) e pega a Turquia no sábado pra saber, apenas, se fechará a sua participação no Rio-2016 sem vitória ou com apenas um triunfo.

Não creio que deva perder muito tempo pra fazer uma análise tática de um time que, apesar de ser muito ruim, teve chance de vencer Austrália, Japão, Bielorrússia e também a França. Saiu na frente de todos eles, liderou boa parte dos jogos mas não teve capacidade técnica (fundamentos bizarramente mal trabalhados…), psicológica e tática (que defesa por zona é essa?) para se manter à frente em nenhum dos duelos – nem para se manter na frente e nem para chegar a 70 pontos em nenhuma das quatro pelejas.

bra1E sabem o que é o pior? Não mudará absolutamente nada depois de mais essa tragédia grega (ou nunesca). Falo isso há anos, sem sequer uma pálida perspectiva de mudança. Como as atletas não se posicionam, ficará tudo igual. Ou ficará pior ainda: porque essa geração aí (Adrianinha, Érika, Iziane, Kelly etc.) estará saindo de cena. Se hoje está ruim, em breve ficará pior (por incrível que pareça…). Aliás, aqui vale uma dica: treinar muito (e bem) e reclamar (com força) antes evitam choros e lamentações infrutíferas depois. Só não vê quem não quer – ou quem tem interesse em tapar o sol com a peneira (e haja peneira).

bra4Comecei o texto dizendo que ontem chegou ao fim a trajetória do basquete feminino na Olimpíada, né? Me enganei. Ontem, quinta-feira, 10 de agosto de 2016, chegou ao fim, mesmo, na prática, na realidade, o basquete feminino brasileiro. De tantas glórias, de tantos mitos, de tantas histórias legais, de tantos momentos inesquecíveis, mas tão maltratado, tão sucateado, tão deixado de lado, tão ultrapassado. Nenhuma modalidade resiste a dez anos de resultados internacionais ruins, certo?

bra2É o que tem acontecido com o basquete feminino brasileiro, este mico de proporções absurdas que coleciona 13 derrotas nos últimos 15 jogos de Olimpíada e que não é mais respeitado por NENHUMA seleção deste planeta. Com poucos times profissionais (foram seis na última Liga de Basquete), uma Confederação Brasileira que literalmente anda para as atletas e para a modalidade, jogadoras passivas (apesar do séquito de puxa-sacos que ainda as bajulam…), ínfimos clubes trabalhando na formação dos atletas, técnicos desatualizados e investimentos beirando o bizarro de tão baixos que são, o esporte das meninas não pede mais socorro.

grego1A não ser que tenhamos um fato novo (bem novo), continuaremos a ver as seleções sendo trucidadas em competições internacionais de primeiro nível, campeonatos nacionais horrendos e pouquíssima renovação (de atletas, pensamentos, valores e técnicos). É triste, né? Mas é real. Dourar a pílula é algo que eu decididamente não sei e jamais farei.

dupla1Por fim, deixo aqui as minhas felicitações a quem de direito. Se o objetivo da CBB nos últimos 20 anos era acabar com a modalidade que deu ao país as últimas medalhas realmente relevantes (Atlanta-1996 e Sydney-2000 nas Olimpíadas; Austrália-1994 no Mundial), dou aqui os parabéns, pois ela, a Confederação do duo Grego e Carlos Nunes, conseguiu o que queria. O basquete feminino brasileiro, na realidade, chegou ao final em 2016.


Seleção masculina joga mal, perde e precisará vencer a Argentina sábado no Rio-2016
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Fábio Balassiano

masc4Ao contrário do que todo mundo esperava, o Brasil não repetiu a boa atuação de terça-feira contra a Espanha diante da Croácia nesta quinta-feira na Arena Carioca. Na realidade, foi uma exibição bem decepcionante (lembrando inclusive a passividade de alguns momentos contra a Lituânia na estreia).

O time de Rubén Magnano marcou muito mal desde o começo, deixou Bojan Bogdanovic jogar parecendo um craque que ele decididamente não é (fez 33 pontos, 7/10 de três pontos), rodou pouco a bola, foi afoito no ataque quando diminuiu a diferença no último período, desperdiçou muitos ataques (17 erros sem arremessar) e viu o forte rival vencer a partida com inteira justiça por 80-76.

masc1A derrota não foi “só” ruim por mostrar de novo a irregularidade do time de Rubén Magnano (ainda não conseguiu fazer jogos seguidos bons nesta Olimpíada), mas principalmente pelo que ela (derrota) representa em termos de classificação para a próxima fase. Com uma vitória em três jogos, o Brasil enfrentará a Argentina, que ontem perdeu da Lituânia e agora tem 2-1, no sábado (14h15) precisando OBRIGATORIAMENTE vencer para se manter vivo na Olimpíada. Em caso de triunfo, a vaga nas quartas-de-final praticamente se garante (pois na segunda-feira o adversário será a Nigéria). Caso aconteça um revés, a precoce eliminação pode acontecer (logo na fase de grupos ou nas quartas-de-final contra os EUA.

masc8A classificação aqui do lado é do site da FIBA (e a gente sabe que a FIBA é bastante enrolada – e os regulamentos quase sempre pouco compreensíveis) e está errada, pois tanto Brasil quanto Argentina levam vantagem no confronto direto contra Espanha e Croácia, respectivamente (a cesta average só conta quando há empate entre três ou mais seleções). De todo modo, olhem abaixo o que teremos nas próximas rodadas:

masc2Sábado: Brasil x Argentina, Espanha x Lituânia e Croácia x Nigéria

Segunda-feira: Brasil x Nigéria, Argentina x Espanha e Croácia x Lituânia.

Caso Brasil vença a Argentina, embola o grupo e é impossível prever em que lugar avançará ao mata-mata. Caso perca, estará fora. E explico: Argentinos, lituanos e croatas (que devem vencer a Nigéria) chegam no mínimo a três vitórias. A seleção brasileira só poderia alcançar duas. O máximo que chegaria, portanto, é a quarta colocação (confronto com os EUA e virtual eliminação). Pode ser ainda pior caso Espanha vença Lituânia e Argentina, chegando a três vitórias e tirando o time de Rubén Magnano direto na primeira fase.

masc6O Brasil, sim, jogou muitíssimo mal contra a Croácia nesta quinta-feira. Talvez não tivesse noção do tamanho do buraco que o revés lhe causaria. De todo modo, não é um discurso vazio ou clichê, mas é preciso esquecer o que se passou contra os europeus e ficar de olho direto na partida contra os hermanos.

Vocês têm noção do tamanho deste brasil x Argentina no próximo sábado então? É mais do que decisão, pessoal.