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Os desafios de 2020 para CBB, Liga Nacional e LBF

Fábio Balassiano

03/01/2020 05h46

Começou um dos anos mais importantes da história do basquete brasileiro. Se em 2019 houve muito agito, sobretudo no âmbito das seleções, em 2020 não promete ser muito diferente, não. E com uma singela Olimpíada no meio do caminho. Os desafios, porém, não ficam apenas para as equipes nacionais.

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Ainda encurralada financeiramente e dependendo demais dos aportes financeiros do presidente Guy Peixoto, a Confederação Brasileira conseguiu se organizar para voltar ativamente com os campeonatos de base (parceria com o Comitê Brasileiro de Clubes). Serão 26 torneios envolvendo masculino, feminino e também o 3X3, modalidade olímpica aliás. Do lado positivo, vale destacar o ganho que a comunicação da entidade teve com a chegada do ótimo Thierry Gozzer, que movimentou as redes sociais, lançou o novo mascote (a Arara Azul), colocou no ar um Podcast e deu uma nova roupagem a algo que todos falavam há tempos (sobre como se comunicar de forma jovem e informal faz toda diferença).

Como pontos de atenção, as duas seleções jogarão Pré-Olímpicos neste ano (ambos difíceis e com mais chances para as meninas) e o lado da massificação, sobretudo para o feminino, segue sem um plano bem definido. Se há claramente uma boa intenção por parte desta gestão que completa 3 anos agora em fevereiro, falta um patrocinador máster para alavancar mais a modalidade por aqui.

Os desafios não ficam restritos à CBB, não. Em relação à Liga Nacional de Basquete (e não custa dizer que as duas entidades seguem tentando encontrar um ponto de sintonia mais fina), a questão do público é bem latente. Se há muitos outros pontos para serem atacados, este tema de taxa de ocupação me parece o mais crítico. Sei de todos os esforços e das boas intenções da LNB, mas o fato é que os ginásios estão muito vazios (farei uma matéria mais longa sobre isso) desde o começo da temporada. Se há crescimento em número de transmissões, com o NBB sendo exibido 100% em suas plataformas, na arquibancada o resultado não é bom.

Clubes (os maiores responsáveis em minha opinião) e entidade não conseguem atrair fãs para as arenas e a sensação que dá é que o NBB, um campeonato muito bem organizado, ainda patina em relação a saber quem são os seus torcedores. Em marketing usamos um termo chamado "persona" para agrupar um determinado grupo de pessoas com as mesmas características e eu sinceramente não sei se a Liga e os clubes têm isso em suas mãos. Com uma NBA bombando e pulsando cada vez mais por aqui, a comparação, injusta sem dúvida alguma, fica inevitável e é importante que os dirigentes do NBB tenham isso em mente. Trabalhar mais com dados e menos com empirismos também pode ajudar. Não creio que exista uma área de Inteligência de Mercado na Liga de modo a entender os movimentos do mercado e destrinchar os dados disponíveis atualmente – e eles são muitos!

A Liga de Basquete Feminino segue, por sua vez, em seu processo de retomada na gestão de Ricardo Molina. Agora com Claudio Cordeiro na Gerência de Marketing a entidade pretende dar outro salto de qualidade em relação aos últimos anos. É bem óbvio que o campeonato cresceu, tem todos os seus jogos exibidos, o modelo de contrapartida para os clubes é bem bacana e é possível que novas praças sejam abertas para o torneio que se inicia em 2020 (Franca e Mogi, polos tradicionais, demonstraram interesse).

É muito visível que há planejamento, estabilidade e gestão, mas a LBF não é mais um campeonato que está sempre recomeçando. Há uma linha de pensamento e de ação, a fase de projeto já passou e agora é necessário trabalhar em pontos de melhoria importantes: público nos ginásios (não é uma exclusividade do NBB, como se vê) e ter mão de obra mais jovem na quadra (isso não depende só da LBF, mas algo precisa ser feito) são os dois tópicos que eu atacaria correndo.

É isso. O ano de 2020 começa com desafios imensos para as três principais entidades de basquete do Brasil. Confederação, Liga Nacional e Liga de Basquete Feminino melhoraram o nível de gestão que há por aqui em relação aos últimos anos. Como disse aquele jogador, o patamar subiu, porém, as exigências também e é necessário evoluir para seguir crescendo.

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